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domingo, 12 de janeiro de 2025

MILITARES QUE DIZEM "NÃO!" * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

MILITARES QUE DIZEM "NÃO!"
STM CONDENOU 2MIL MILITARES:

NEM 1 GENERAL
NEM 1 BRIGADEIRO
NEM 1 ALMIRANTE

"Metrópoles teve acesso ao levantamento com as patentes e os crimes cometidos por militares das três forças nos últimos sete anos.

De 2018 a 2024, o Superior Tribunal Militar (STM) condenou 2.140 militares das Forças Armadas. Nesses sete anos, foram declarados culpados de crimes praças e oficiais de diversas patentes, exceto ocupantes das posições mais altas da carreira nas três forças.

Em levantamento obtido pelo Metrópoles via Lei de Acesso à Informação (LAI), nenhuma das condenações envolveu generais, brigadeiros e almirantes.

Nesse mesmo intervalo, apenas um general de divisão chegou a ser réu em processos finalizados de ação penal militar ou apelação criminal, mas ele acabou absolvido. A sondagem refere-se aos dados atualizados pelo STM até 10 de dezembro de 2024.

Após esse período, o STM condenou um general de brigada a 2 anos de reclusão por corrupção passiva. O oficial é médico, mas já estava na reserva remunerada.

Segundo a denúncia, o general recebeu dinheiro, em três momentos de 2008, de uma empresa que comercializava materiais médicos com o Hospital Central do Exército (HCE), no Rio de Janeiro. Na época, o oficial era tenente-coronel e embolsou R$ 290 mil em valores não atualizados.

Pelo levantamento, foram 1.615 militares do Exército Brasileiro, 281 da Força Aérea Brasileira e 244 da Marinha do Brasil condenados de 2018 a 2024,

Coronéis e outras patentes
Dezessete coronéis formam a mais alta patente a receber condenação, sendo 15 do Exército e dois da Aeronáutica.

Os militares foram considerados culpados por estelionato, corrupção passiva, crimes da lei das licitações, peculato, maus-tratos, falso testemunho ou falsa perícia, violência contra inferior e injúria.

Na Marinha, o cargo correspondente é o de capitão de mar e guerra, mas nenhum com a equivalência teve julgamento resultando em condenação.

CELESTE SILVEIRA
"
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terça-feira, 9 de abril de 2024

TODA SOLIDARIEDADE AO PROFº DANNY SHAW * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

TODA SOLIDARIEDADE AO PROFº DANNY SHAW

À comunidade internacional:
Fui censurado, ameaçado e despedido do trabalho depois de 18 anos como professor em
@JJExtAffairs por defender a Palestina contra um dos maiores crimes das nossas vidas. Na chamada “democracia mais avançada” do mundo, onde está a nossa liberdade de expressão? #Palestina não merece perecer. Não é crime ser indígena. Tenhamos a moralidade de não virar as costas a um povo que sofre um genocídio!

CUNY: Adjuntos de recontratação demitidos em retaliação por discurso pró-Palestina!
Assine a declaração abaixo e compartilhe amplamente ( tiny.cc/cunyprofs ) para exigir que a CUNY recontrate adjuntos demitidos por discurso pró-Palestina!

O professor Danny Shaw, um popular professor adjunto do John Jay College da City University of New York (CUNY), foi demitido pelo presidente da faculdade, Karol Mason, no que parece ser um caso claro de retaliação por sua posição pública franca contra o genocídio e por Libertação Palestina. Em 20 de março, o presidente de Estudos Latino-Americanos e Latinx do John Jay College foi informado de que Mason havia intervindo diretamente para bloquear a aprovação das renomeações de Shaw no verão e no outono de 2024, violando os princípios de autonomia departamental e liberdade acadêmica. A intervenção de Mason favorece uma campanha de pressão coordenada de sionistas de direita que ficaram irritados com as contas do professor Shaw nas redes sociais. Shaw leciona no John Jay College desde 2007. Ele tem excelentes avaliações de colegas, avaliações positivas de milhares de alunos e foi informado em dezembro de que havia sido indicado para um prestigiado prêmio de ensino. A demissão de Shaw é pelo menos a segunda não renomeação retaliatória de adjuntos da CUNY por discurso pró-Palestina no ano passado, depois que o Hunter College demitiu a professora adjunta Lisa Hofmann-Kuroda no outono passado por postar em apoio à libertação da Palestina em suas redes sociais privadas.

Estas demissões enganam os estudantes da CUNY no seu direito de acesso a diversas perspectivas, criam um ambiente de trabalho hostil para professores e funcionários e representam uma grave ameaça à liberdade académica.

Condenamos estas demissões retaliatórias e exigimos que as nomeações docentes dos professores Shaw e Hofmann-Kuroda sejam imediatamente reintegradas.

Ambas as demissões fazem parte de uma bem documentada campanha de repressão levada a cabo pela administração da CUNY contra professores, funcionários e estudantes que se organizam contra o genocídio e pela libertação da Palestina. Incidentes notáveis ​​incluem:Cancelamento de última hora da conferência Palestine Lives pelo presidente John Jay Mason em maio de 2022
O Conselho de Curadores da CUNY, junho de 2023, difamação da graduada em Direito da CUNY, Fatima Mohammad, por seu discurso de formatura pró-Palestina
A decisão da presidente do Brooklyn College, Michelle Anderson , de transferir uma manifestação estudantil pró-Palestina para fora do campus em outubro de 2023
Decisão da administração da Faculdade de Direito da CUNY de cancelar de última hora um evento pró-Palestina organizado por estudantes em novembro de 2023
A decisão do presidente do Queens College, Frank Wu, de denunciar a Associação de Estudantes Muçulmanos ao NYPD por causa de uma postagem pró-Palestina na mídia social em novembro de 2023

Através destas e de inúmeras outras ações, os presidentes das faculdades da CUNY, a administração central da CUNY e o Conselho de Curadores da CUNY mostraram seu apoio enfático e direto à violência colonial dos colonos EUA-Israelenses contra o povo palestino e estão tentando silenciar aqueles na comunidade CUNY que protestam contra esta violência.

Apelamos à CUNY para que se desfaça do colonialismo dos colonos, do apartheid e do terrorismo patrocinado pelo Estado, e apoiamos todos os trabalhadores e estudantes da CUNY que continuam a falar pela libertação da Palestina.

Um ferimento a um é um prejuízo para todos.

CUNY para a Palestina

1º de abril de 2024

Fomos demitidos por falar sobre gen*c!de contra o povo palestino. Assine a petição para que eu e a professora Lisa Hofman-Kuroda possamos lecionar novamente na Universidade de Nova York.

Para assinar esta declaração, forneça um endereço de e-mail que não seja da CUNY e seu nome e afiliação abaixo.

Veja a lista de signatários aqui (será atualizada periodicamente): https://docs.google.com/document/d/1cueez0mAQr3HG6rGzjoSNcj95UuIACHyl1-IC2AaVJc/edit?usp=sharing
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quinta-feira, 28 de março de 2024

MILÍCIA É TERRORISMO * Heloisa Villela e Chico Alves

MILÍCIA É TERRORISMO
Heloisa Villela e Chico Alves
Estrutura da milícia foi montada na ditadura.
Grupos nasceram dos esquadrões de extermínio criados para perseguir políticos.

“A ditadura construiu isso”, disse o sociólogo José Cláudio Souza Alves, professor da UFRRJ e pesquisador que se dedica a entender o surgimento e o crescimento das milícias brasileiras, especialmente as que atuam na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, há mais de 30 anos. Esses grupos armados e poderosos foram responsáveis pela morte da vereadora Marielle Franco. Segundo o professor José Cláudio, autor do livro “Dos Barões ao extermínio: uma história de violência na Baixada Fluminense”, as milícias nasceram a partir dos grupos de extermínio da ditadura militar, criados, em um primeiro momento, para perseguir políticos que se opunham ao regime. Mas logo os militares se deram conta do potencial de lucro e de poder que conquistariam controlando os territórios. O sociólogo recebeu os jornalistas Chico Alves e Heloisa Villela para conversar sobre a história e o domínio das milícias no Rio de Janeiro.

ICL Notícias — As milícias no Rio estão no centro da disputa fundiária e essa expansão nos territórios tem legitimação política e jurídica há anos.

José Cláudio Souza Alves — Esse é um projeto que deu certo, funciona, é secular desde que o Brasil é Brasil. Você montou essa estrutura de poder, só que ela tem agora características nossas, próprias. Acho que a partir do golpe de 64, ou seja, há 60 anos, se montou essa estrutura e ela vem evoluindo, ela vem avançando. O caso Marielle é uma espécie de umbral. Ele abre uma porta, uma janela, e te diz: olha esse negócio funciona, esse negócio dá certo. Aí não deu certo para os Brazão, o Rivaldo, porque houve uma determinação política que conseguiu revelar a estrutura toda.

Mas pela dimensão que é no Brasil como um todo, e eu estudo a Baixada, o Rio de Janeiro, mas com certeza tenho muitas informações de outros estados e outros conflitos que se desenrolam da mesma forma, essa estrutura é dominante no Brasil. Ela é a grande estrutura. Você tem, no caso do Brasil, terras para um monte de serviços urbanos. Você vai fazer uma urbanização miliciana. O tráfico é uma estrutura mais frágil. Normalmente são mortos e presos e vão se articular com a estrutura miliciana. São grupos armados que ficam por muito tempo no território, que vão gerar estruturas de poder muito eficientes, totalitárias, e você não consegue escapar dessa estrutura. Dá grana pra muita gente. E se fosse só grana… é grana e voto.

Esse é um ano eleitoral. Pra tocar numa estrutura dessa em um ano eleitoral. É fácil você pegar um caso emblemático como Marielle (fácil em termos) e trazê-lo à luz, identificar os culpados e condená-los. Mas quando vai em uma dimensão tão ampla como essa, com várias gerações, com voto, com grana, uma estrutura de poder consolidada há 60 anos, você está em outro cenário. Você tem disposição de fato para enfrentar essa estrutura? Você vai sobreviver? Vai enfrentar essa estrutura de poder que tem muitos votos e vai passar pela assembleia legislativa do estado, governo do estado, prefeituras, vai passar por câmara de vereadores…
Em 64 a gente não tinha fuzis nos morros. Em 85, quando termina a ditadura, a gente tem fuzil, várias armas vazadas dos quartéis. Isso, pra mim, é muito importante frisar. Como a ditadura propiciou esse crescimento?

Eu vou parafrasear o Darcy Ribeiro que dizia, sobre a educação, que não existia crise na educação e sim um projeto que deu certo. Não existe crise na segurança pública. Existe uma estrutura que deu certo. Ela funciona. E ela funciona porque dá muito dinheiro e muito poder a muita gente. A ditadura soube disso. A ditadura construiu isso. Primeiramente em uma tentativa de pegar os grupos políticos que eram inimigos, a contra insurgência. Esse era o projeto inicial.

Então o que eu estudo aqui na Baixada Fluminense são os grupos de extermínio que começam a se desenvolver após 1967, quando dão as características da PM como auxiliar, repressiva, cooperando com o regime militar, daí eles dão o salto. Eles deixaram de visar somente uma estrutura política de oposição e resolveram controlar territórios mesmo, em uma estratégia de eliminação sumária. Os militares.

Então eram grupos de extermínio que no princípio tinham um viés político?

Inicialmente houve um viés político de controle dessa oposição que foi a partir de cassações de prefeitos, vereadores, todos que tinham vínculos com partidos considerados de oposição, e isso naquele momento que ainda ia criar o bipartidarismo. Depois que criou o bipartidarismo, todos os envolvidos com o MDB também passaram a sofrer cassações, perseguições políticas… Eles controlaram isso durante um tempo, com o Castelo Branco. Depois eles se deram conta de que isso era muito limitado e queriam muito mais eficiência. Prender e torturar guerrilheiros e grupos clandestinos armados ou não também era uma coisa limitada. Não era suficiente para controlar o que eles queriam controlar.

No caso da Baixada, e isso vale para o Brasil como um todo, os grupos de extermínio começam a operar o miúdo. As situações vulneráveis de segurança pública que o Brasil era cheio de problemas, como hoje. Não há emprego, não há renda, não há sobrevivência e o mundo do crime é uma alternativa. Sempre foi. Esse universo virou o grande universo dos grupos de extermínio. Esses caras começam a angariar poder. Mas muito poder. Como funciona o esquema? A estrutura policial, o aparelho policial, é que vai matar, os empresários e comerciantes que depositaram apoio na ditadura vão financiar esse controle, essa matança, e para fechar toda essa estrutura, o regime autoritário militar dava suporte político.

Vários casos que foram identificados na Baixada de policiais que mataram, que executaram pessoas, que chegaram inclusive a tribunal do júri, os militares iam em peso para os tribunais desses julgamentos para dar apoio explícito aos policiais.
Então estamos vendo uma linha do tempo com o mesmo pensamento que se reproduziu durante o governo Bolsonaro de “bandido bom é bandido morto”, porém esse sistema vem operando desde então. Ele só foi enaltecido no governo Bolsonaro.

Potencializou, mas ele sempre existiu. E eu não vejo que agora ele esteja refluindo, mesmo com o governo Lula. Não vejo sinal de que vá refluir, não vejo vontade política. Uma coisa é você identificar os assassinos da morte de uma vereadora e aí tem que dar os parabéns, tem que comemorar. Outra coisa é perceber as dimensões todas que eu vejo o tempo todo aqui na Baixada e no Brasil como um todo.

As eleições vão chegar daqui a pouco e essa estrutura toda funciona para a eleição. Você vai ganhar muito voto, muito dinheiro, você tem controle territorial dessas áreas. Você está disposto a confrontar essa estrutura? Eu não vejo isso. Porque se quer fazer um consenso, um acordo. Porque se faz com os militares que são os autores dessa estrutura toda porque é deles que vem.

“Ah, estão enfrentando o 8 de janeiro”. Beleza, vai prender meia dúzia de generais. Mas você continua tutelado pelos militares, se subordinando aos interesses deles. Você vai continuar nesse projeto? Não vai confrontar? Para confrontar milícia no Rio, Rota em São Paulo, você vai ter que bater de frente com governadores, com deputados estaduais, porque eles estão envolvidos nessa estrutura, eles têm representantes… Antigamente eu só via matadores vereadores aqui na Baixada. No máximo chegavam a prefeito. Hoje esses caras estão em todos os lugares. São deputados federais, são deputados estaduais. É uma estrutura que tem crescido, que tem se desenvolvido.
Agora a insegurança miliciana se espalhou pela Baixada Fluminense. É inimaginável para quem não é do Rio a diferença que faz juntar a Zona Oeste do Rio, que já é grande, com a Baixada. É um negócio gigantesco! E nos últimos 10 anos me parece que avançou muito. Pode-se dizer que é fenômeno recente?

Nem é tão recente. A UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) faz esse processo de migração, e quando vão para a Baixada, as milícias vão para o mesmo movimento. Eu costumo chamar o Comando Vermelho de um bioindicador. Crime-indicador. Onde o Comando Vermelho se estabelece a milícia vai estabelecer disputa ali também, porque sabe que tem mercado, tem grana, tem tráfico, tem interesses ali.

O Terceiro Comando Puro é menor, vai fazer parceria em grande parte com a milícia. Hoje mudou um pouco isso porque a milícia da Zona Oeste tem feito parcerias com o Comando Vermelho em comunidades mais na Zona Oeste do Rio e não na Baixada. Isso está se reconfigurando. Mas essa estratégia dos grupos armados de disputar territórios e avançar nesses territórios já ocorre a algum tempo. E a chacina lá atrás, da Baixada, 29 mortos, lá em 2005, ainda não era esse momento. Era uma disputa de grupos de extermínio. Mas quando você vai para o início dos anos 2000, principalmente depois da UPP, aí você tem exatamente o que você falou. A milícia se espalhou, ela cresce e vai disputando com o tráfico e esses grupos começam a estabelecer relações entre si e com a estrutura policial. Isso não está isolado.

A estrutura de segurança pública ela é toda permeada por esse interesse de grupos armados. O estado vai negociar o monopólio da violência e a sua soberania a partir desses grupos armados e com isso se constrói o que muitos vão chamar de governança criminal. Você começa a estabelecer um conjunto de ações que vão controlar aquelas populações a partir do crime. Se um grupo armado fica 30 anos em um determinado lugar, como é o caso em vários lugares aqui da Baixada, esquece. São eles que vão controlar tudo ali. Vão dar status, poder, resolução de conflitos, vão dar grana, vão dar voto. Eles passam a gerenciar aquele território. Os Brazão são isso.

A Marielle morre porque ela e as lideranças do PSOL não foram capazes de perceber a evolução dos Brazão. O que eles atingiram na CPI das milícias em 2008, 10 anos antes da morte de Marielle, não eram os Brazão que 10 anos depois mandaram assassinar ela. Por quê? Houve uma evolução dessa estrutura toda. Eles tinham muito mais poder, muito mais dinheiro. Dominavam territórios com vários mecanismos de ganhos e muito mais apoio. Eles cresceram. Começaram a comprar estrutura policial, estão dentro da estrutura política, foram crescendo. Eles talvez não esperassem que houvesse uma repercussão e uma mudança na estrutura política, como houve, e acabou atingindo eles. Mas a Marielle e o PSOL não foram capazes de perceber o risco que estavam correndo ao se confrontar com essa estrutura que é muito mais poderosa. Se não puder controlar, eles matam.
Foi quase um enfrentamento ingênuo?

Eu estava na Câmara dos Vereadores no dia do enterro. Eu fui pra lá. E vi vários conhecidos. E perguntava a vários conhecidos: ninguém foi capaz de perceber isso? E todos eles disseram que não. Não havia nenhuma denúncia… Mas eles não eram uns carinhas quaisquer. Havia um ambiente ali que acho que ela não teve noção do que estava enfrentando.

Levando em conta a evolução desses grupos de extermínio, desde a ditadura militar, olhando pra frente, teremos o que, a situação de El Salvador? Das Filipinas?

Talvez o México… Eu acho que temos nosso próprio modelo. Ninguém vai nos repetir e não vamos copiar ninguém. O pessoal fala em máfia. Eu digo não. Máfia é família, é pré-estado italiano. Tem outra estrutura. Uma estrutura familiar. Secular. Não dá para comparar milícia com máfia. Mas é grupo de extermínio e milícia com estrutura armada dentro do estado que passa a estabelecer controle territorial em parceria com outros grupos armados. Esse é um modelo muito nosso. Talvez possamos nos equiparar em número de mortos com alguns países. Mas no México a população se organizou para se proteger. Aqui não, as populações atingidas são destruídas. Não tem suporte, apoio, não se organizam, não temos a construção social e cultural do México.

O que se diz é que os Brazão não têm uma milícia. Estão associados. É isso? Eles não são líderes? Essa investigação teria chegado aos mandantes do crime e aí se diz que é a milícia. Se são os Brazão, então são milicianos…

Eles se servem dos serviços dos milicianos. Os bicheiros do Rio de Janeiro todos se servem dos serviços de milicianos e policiais militares, ou grupos de extermínio em uma fase anterior.
Eles se servem da estrutura da milícia e dão legitimidade política e jurídica para essas violências. É isso?

A gente está focado no crime, no assassinato de Marielle, mas a coisa mais dura e mais difícil é o que não é crime e não é Marielle. As dimensões não criminais disso tudo. Há estruturas que passam por legalizações dentro da estrutura das prefeituras, do governo de estado, prestadores de serviços, organizações sociais, na área da saúde… Por exemplo: você quer fazer uma obra em uma prefeitura. Você abre licitação como a legislação exige. Aí tem lá o primeiro, o segundo, o terceiro colocado. O primeiro vai tentar assumir, mas o quarto vai e diz que ele é quem manda naquela região. O cara tenta ir pra lá fazer a obra e percebe que não vai conseguir. É ameaçado, não tem gente pra trabalhar pra ele, sofre acidentes que não são acidentes… O segundo também etc. e o quarto vai assumir. Isso já me foi relatado várias vezes aqui na Baixada. É uma estratégia “legal”, aparentemente legal. Ninguém vai denunciar.

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quinta-feira, 20 de outubro de 2022

BOLSONARISMO ATACA O CONHECIMENTO * William Dunne/O PARTISANO

BOLSONARISMO ATACA O CONHECIMENTO
William Dunne / O PARTISANO

Uma professora do Departamento de Geografia da USP, Larissa Mies Bombardi, que pesquisa o uso de agrotóxicos no Brasil, está sendo perseguida e forçada ao exílio. Em uma carta aos colegas do departamento a que O Partisano teve acesso, Larissa denuncia que passou a ser intimidada depois do lançamento do Atlas “Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia”, em abril de 2017. A pesquisa da professora levou a maior rede de produtos orgânicos da Escandinávia a suspender a compra de alimentos do Brasil, atingindo, portanto, interesses econômicos do chamado “agronegócio”.

Na carta, a pesquisadora pede um afastamento para sair temporariamente do Brasil. Como nos tempos da ditadura militar, intelectuais começam a se sentir compelidos ao exílio sob um clima de opressão e ameaça. Larissa menciona que tem “prova de todas as informações que menciono nesta carta. Desde o Boletim de Ocorrência até as cartas e artigos intimidatórios”. Entre os artigos que atacam o trabalho da professora, Larissa destaca um de autoria de Xico Graziano, publicado no portal Poder 360.

Em seu trabalho de campo, a pesquisadora foi orientada a mudar de trajetos e rotina, para evitar eventuais ataques. E deixou de comparecer a um evento acadêmico em Chapecó, devido ao risco que isso passou a representar a partir da perseguição ao seu trabalho. Em seu relato na carta, Larissa Bombardi pergunta: “Eu me perguntava: como uma mulher, mãe de dois filhos, única responsável pelas crianças e pela rotina das crianças poderia mudar algo na rotina?” Porém, a mudança de rotina teve que acontecer, e a professora passou a ficar por certos períodos em casas diversas, evitando morar em sua própria residência.

Censura e perseguição

Esses acontecimentos vêm na esteira de uma escalada de perseguição à intelectualidade e aos acadêmicos no país, como nos casos do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier, que se matou, perseguido pela delegada Érika Marena, em um inquérito que a PF encerrou por falta de provas. Marena foi coordenadora da operação Lava Jato. Ou no caso mais recente do ex-reitor Universidade Federal de Pelotas, Pedro Halal, processado pela Controladoria Geral da União por criticar o presidente Jair Bolsonaro em uma live no canal da Universidade.

Em fevereiro, o MEC tentou oficializar a perseguição política enviando um ofício aos coordenadores das Instituições Federais de Ensino Superior (Ifes) para reprimirem determinadas atividades no âmbito das instituições. Isso foi amplamente denunciado, levando o governo a recuar por enquanto. Mas o ímpeto censor é evidente. A liberdade de expressão e a ciência estão ameaçadas sob o governo Bolsonaro, o que demanda resistência da parte da sociedade e solidariedade a cientistas, professores e pesquisadores.


terça-feira, 2 de agosto de 2022

POLICIAIS ANTIFASCISTAS SÃO PERSEGUIDOS PELA CORPORAÇÃO * Movimento de Policiais Antifascistas

POLICIAIS ANTIFASCISTAS SÃO PERSEGUIDOS PELA CORPORAÇÃO

O homicídio de Marcelo Arruda, policial e tesoureiro do Partido dos Trabalhadores em Foz do Iguaçu trouxe à tona a intolerância de setores da polícia contra os colegas de esquerda da corporação. O que aconteceu com o Marcelo foi a violência e a intolerância em seu extremo e “sabemos quem alimenta esse discurso, nosso movimento de policiais antifascistas surgiu por conta disso”.

No JTT – A Manhã com Dignidade de hoje (01/08) entrevistamos os policiais antifascistas Airton Garcez e Pedro Paulo Chaves Matos.

Airton, hoje aposentado, diz ter sofrido perseguições durante toda sua carreira, em diferentes governos, por ser um policial assumidamente de esquerda e por defender um outro modelo de segurança pública. No entanto, a perseguição se tornou mais violenta e é escancarada a cooptação de parte do setor de segurança pública pelo discurso de ódio bolsonarista.

Em relação aos temores de golpe e violência no 7 de setembro, Pedro pensa que não há elementos para um golpe, Bolsonaro não possui esse suporte, mas pretende plantar esse clima de insegurança e instabilidade e fomentar ações violentas.

Pedro e Airton defendem o fim do militarismo nas instituições. Isso não significa acabar com o emprego dos policiais. O militarismo comprovadamente não diminui a violência, nem acabou com a corrupção. A desmilitarização é uma discussão antiga e difícil pelo poder e influência dos militares, mas extremamente necessária.

ENTREVISTA

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