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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

O PATRIOTISMO DOS VENDEPÁTRIAS * EUGÊNIO BUCCI/A Terra é Redonda

O PATRIOTISMO DOS VENDEPÁTRIAS
EUGÊNIO BUCCI

A frase de Jacques Lacan – “o desejo do homem é o desejo do Outro” – ensina que um cidadão genérico, quando deseja, expressa menos um desejo original, pessoal, e mais o desejo dominante da ordem simbólica que o contém

1.

Os “patriotas” das arruaças, do culto às armas e das camisetas amareladas ganharam votos gritando “Brasil acima de tudo” e “Deus acima de todos”. Dupla pobreza de espírito.

O primeiro slogan nunca passou de um plágio de mau gosto do bordão nazista “Deutchland über alles” (“Alemanha acima de tudo”). Quanto a “Deus acima de todos”, bem, nenhuma novidade. O Altíssimo assim é chamado por habitar supostamente píncaros celestiais insuperáveis. Quanto ao mais, o dístico nunca parou de pé: Deus deveria ser posto acima do Brasil ou seria o contrário?

Com o tempo, ficou evidente que os tais “patriotas” eram na verdade “estrangeirotas”: patriotas do estrangeiro. Um deles, em 2017, numa excursão à Flórida, chegou a bater continência para uma bandeira dos Estados Unidos estampada numa tela eletrônica. Ao microfone, o voluntário da servidão incondicional confessou: “A minha continência à bandeira americana”.

Em 2019, o mesmo personagem arriscou um “I love you” para Donald Trump, que passava por ali apressado. Em síntese, o que eles queriam dizer era “Brasil acima de tudo”, desde que não acima dos Estados Unidos, e “Deus acima de todos”, menos de Donald Trump.

Outro dos “patriotas” fugiu do Brasil e dá expediente em Washington, onde faz reuniões obscuras com autoridades obtusas de um governo tanático para articular sabotagens contra a economia brasileira e chantagens contra as autoridades daqui. A infâmia chegou a tal ponto de histeria e absurdos que o clã vem sendo classificado como traidor. Procede.

2.

Há gente capacitada escarafunchando os regimentos do Poder Legislativo para detectar as tipificações do desvio, enquanto bons oradores vão a comícios para criticar esse “patriotismo” lesa-pátria. Têm razão. O problema é que existem aqueles que fingem não ver nada de esquisito. Como alertá-los? Incrível como não querem enxergar. O esquisito, o atípico, é o que temos hoje de mais fatídico, mais cínico, mais explícito e mais apodítico.

Num dos livros do psicanalista francês Jacques Lacan, Quatro conceitos fundamentais da psicanálise, lemos que “o desejo do homem é o desejo do Outro”. Devíamos buscar nessa chave analítica uma luz para entender o “patriotismo” que se define pelo negacionismo da Pátria e se ajoelha diante da bandeira alheia para rifar a sua própria.

A frase de Jacques Lacan – “o desejo do homem é o desejo do Outro” – ensina, entre outras coisas, que um cidadão genérico, uma pessoa como eu ou você, com todo o respeito, quando deseja, expressa menos um desejo original, pessoal, e mais o desejo dominante da ordem simbólica que o contém.

Esse Outro com “O” maiúsculo não é um outro qualquer, como um cunhado ou um colega da repartição, mas um senhor sobre-humano, capaz de ordenar o desejo dos mortais de carne e osso – sobretudo daqueles mortais que não têm nada de coluna vertebral, como é o caso.

O Outro maiúsculo não se compadece de nada nem de ninguém. Exemplos? Aqui estão: a autoridade sobre a qual se erigiu a Igreja Católica, ou a sua pedra fundamental; o capital, igualmente; o imperialismo que anima a Casa Branca. O desejo do homem é o desejo que o Outro, maiúsculo, diz ao homem, minúsculo, para fazer de conta que sente.

Você pergunta a um gerente de marketing, um dirigente sindical ou um operador da bolsa qual o ideal de beleza que ele tem e ele começa a descrever minuciosamente a Barbie. O desejo, nele, é o dedo em riste do Tio Sam, mas ele mesmo não sabe. Barbie para todos.

3.

O “patriotismo” dos trumpatetas brasileiros reproduz a fórmula do “desejo do Outro”, mas em tintas rastaqueras. Adestrados pelos filmes de Tom Cruise, de Stallone e de Chuck Norris, os “patriotas” do Outro são tão rasteiros que nem souberam substituir a bandeira dos Estados Unidos pela do Brasil na hora de fazer seu teatrinho. Encenam uma paródia tosca: adoram uma bandeira que não é a deles, numa terra que não lhes concede um reles passaporte.

Dá pena. Tanta pena que o suposto Deus poderá perdoá-los, pois eles, ainda que premeditem com vileza o mal que querem fazer ao Brasil, não sabem o que fazem. Talvez seus pecados sejam redimidos pelo ente que paira “acima de todos”, menos de Donald Trump. Mas e quanto à nação brasileira? Poderá ela anistiá-los por antecipação? Poderá tratá-los como como semoventes inconscientes e inconsequentes – o que, de resto, eles são?

Espera-se que não. Em 1947, o Partido Comunista Brasileiro foi cassado porque seu líder, Luiz Carlos Prestes, teria dito numa entrevista que, numa guerra entre Brasil e União Soviética, ficaria do lado de Stalin. A verdade é que Prestes nunca disse isso, apenas fez um raciocínio hipotético: se o Brasil apoiasse uma guerra imperialista contra o Kremlin, ele lutaria para derrubar o governo brasileiro. Foi uma declaração de mau jeito, sem dúvida, e ela serviu de pretexto para colocarem o PCB na clandestinidade, injustamente. Agora, o caso é muito mais sério.

Os “patriotas” do Outro se associaram ativa e publicamente a uma potência estrangeira para mover covardemente uma guerra comercial, diplomática e moral contra o Brasil. E aí?

*Eugênio Bucci é professor titular na Escola de Comunicações e Artes da USP. Autor, entre outros livros, de Incerteza, um ensaio: como pensamos a ideia que nos desorienta (e oriente o mundo digital) (Autêntica). [https://amzn.to/3SytDKl]

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quinta-feira, 15 de agosto de 2024

PROJETO MILITAR-FASCISTA DE CONQUISTA DO PODER NO BRASIL * CEP MAGALHÃES-SP

PROJETO MILITAR-FASCISTA DE CONQUISTA DO PODER NO BRASIL

O projeto de conquista do estado brasileiro pela direita fascista, segue historicamente uma lógica e protocolos estritamente militares. Sempre foi assim e continua sendo apesar das aparências pretensamente republicanas que o Brasil apresenta. As forças armadas, especialmente o exército, desde a sua criação, a partir da tarefa de capitães do mato/jagunços a serviço da casa grande, latifundiários, oligarquias etc., hoje representados pelo OGROnegócio, na perseguição, na prisão, nas torturas e assassinatos dos escravos que fugiam, passaram a ser o principal vetor na repressão, no controle social e no apoio militar, político e logístico dos governos, desde o império até as três repúblicas que o Brasil teve (primeira de 15 de novembro de 1889, data do primeiro golpe militar no país, até a ditadura de Vargas; do final da segunda guerra, fim do Estado Novo - 1945 - até o golpe civil militar de 1964; e de 1985, final formal da ditadura, até os dias de hoje).

Claro que os militares que sempre desejaram ser poder, estar no governo, influenciar e mandar no país sob a justificativa de atuarem como um poder moderador, algo inexistente em qualquer República, jamais deixaram de lado essa proposta, esse projeto secular. Querem porque querem mandar e terem todos e mais alguns privilégios do mando, por serem governo. Usam e abusam das desculpas esfarrapadas de defenderem o país, a sua gente, a soberania, as fronteiras, de morrerem pela Pátria, pela bandeira e pela Constituição. Pura fanfarronice, encenação de algo que nunca fizeram e que nunca farão. Os brinquedinhos de guerra que possuem, armamentos e equipamentos, de maneira geral importados e de segunda mão, são insuficientes para enfrentar qualquer força armada minimamente equipada.

Só como comparação, a batalha de Stalingrado (1942/1943, durante a segunda guerra mundial), onde milhões de soldados alemães e soviéticos morreram em pouco mais de um ano de conflito, concentrou recursos materiais e humanos que jamais as forças armadas brasileiras conseguiriam ter. A quantidade de gente, equipamentos, armamentos, munição etc. envolvidos e utilizados nesse conflito, que resultou na primeira vitória aliada contra as, até então consideradas invencíveis, forças armadas alemãs, representa uma escala absurda de tudo que se possa imaginar, algo inimaginável para as forças armadas do Brasil.

Isso significa que todo poderio bélico (equipamentos e soldados/oficiais) tem apenas um objetivo: ocupação e controle político militar do Brasil. O País sempre foi uma região invadida, ocupada, controlada e manietada pelas suas próprias forças armadas, como se os milicos fossem uma força militar internacional com o propósito de controlar o país. Essa força militar, armada e equipada para essa função, defende interesses contrários aos da população. É uma força policial que faz qualquer coisa para manter cativos e obedientes a maior parte do povo, especialmente os escravos modernos de todas as cores (pretos, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, gente pobre etc.), grande parte presos nas modernas senzalas, as favelas e periferias.

Modernamente, os milicos não mais se apresentam publicamente como os mandantes ou como faziam antes, como os que prendiam, torturavam, matavam e desapareciam com os corpos dos opositores. Não precisam mais executar essas desagradáveis tarefas que tanto prejuízo trouxe à imagem dos militares, que sempre preservaram uma aparência de serem éticos, responsáveis, honestos, cumpridores das leis, anticorrupção e defensores intransigentes da pátria. O processo de militarização da segurança pública, iniciada em 1967-1968 durante a ditadura de 64, com a criação das PM como braço armado do exército atuando na sociedade, na repressão pretensamente policial, mas totalmente militar, foi se aperfeiçoando ao longo das décadas. Hoje, não só existem as PM, mas também tem a Polícia Civil, cada vez mais militar; a Força Nacional; as GCM militarizadas nos municípios; e agora a Polícia Penal, criação paulista do governador miliciano militar.

O cenário atual é fundamentalmente militar no controle da sociedade. Mesmo os governos ditos progressistas batem na mesma tecla de que a única forma de aumentar a eficiência da segurança pública (sic) é aumentar efetivos, mais equipamentos, mais treinamento/adestramentos dos soldados travestidos de policiais (ver o programa de governo do candidato Boulos a prefeitura de São Paulo, no quesito segurança pública) etc. De concreto, o país vai paulatinamente se transformando numa sociedade militarizada, onde quase tudo tem a ver com militares. Não só na educação pública (projeto de escolas cívico militares é peça fundamental do projeto fascista militar de conquistar corações mentes das pessoas), mas também na forma como os milicos se apresentam às pessoas. Não mais aparecem como os donos do poder, mas ficam na surdina, como eminências pardas, controlando e apontando o que e como fazer. A aparência é de respeito à democracia, se curvam ao poder civil, tecem loas ao judiciário, mas na prática mantém as rédeas do governo em suas mãos.

O destino manifesto dos militares, em especial o exército, sempre foi e continua sendo, serem poder. Um poder moderador que controla e influencia tudo que os governos, principalmente os mais progressistas ou aqueles considerados comunistas (a lógica da guerra fria jamais saiu das mentes distorcidas dos milicos brasileiros), tem que fazer. Defender o Capital, os bancos/sistema financeiro nacional e internacional, os interesses multinacionais, o departamento de estado americano, o OGROnegócio e fundamentalmente a corporação militar para que possam usufruir de ganhos financeiros (altos salários, privilégios de todos os tipos, aposentadorias especiais e integrais, sistema de saúde próprio etc.) tornam de fato os militares brasileiros mercenários por excelência. A diferença é que ganham muito dinheiro para destruir e controlar o próprio país e sua gente.

 Qualquer outra coisa é conversa para boi dormir...

sábado, 19 de junho de 2021

O PARTIDO FARDADO * E. P. Cavalcante¹ / RJ

 O EPÍLOGO DA TRAGÉDIA

 
EXÉRCITO BRASILEIRO NÃO É UM PARTIDO POLÍTICO


A questão Pazuello desnudou a relação entre o Exército e a sociedade brasileira.

Não temos o Exército no poder em Brasília, mas a vanguarda do “partido fardado”.

“Partido” constituído por um grupo de generais que, vestindo a farda verde oliva, teimam em transformar o Brasil em um quartel. E detestam a disciplina e a hierarquia militar. Provocando a anarquia, transformam o Exército em um bando armado.  


Para o “partido fardado”, o povo continua sendo o inimigo interno dos tempos da Guerra Fria e deve ser vigiado e combatido.


 E a soberania, a independência, o progresso do país é ideia comunista. O Brasil é um país proibido de crescer! Absurdo, mas verdadeiro!


De golpe em golpe, a colônia Brazil com “Z” se mantém fiel à colonização continuada que perdura por quase dois séculos, 198 anos. E hoje somos colônia do Império ianque, súditos do Tio Sam. 


 À frente de todos os golpes esteve sempre esta facção do Exército que, no poder pessoal, busca a honra e a glória que nunca disputou nos campos de batalha. 

E com o rolar do tempo transformou-se num “partido fardado”. 


Hoje se autoproclamam da extrema direita, ignorando que a extrema direita é o caminho que desemboca no nazifascismo. 


Mas não faz mal, pois não precisam mais utilizar os fornos de cremação como fizeram os seus predecessores nazistas em Auschwitz-Birkenau. 

O vírus Covid-19, a pandemia, evita o trabalho sujo. Como foi feito em Manaus, onde pessoas morreram asfixiadas.

 Esquecem que alguns generais nazistas foram condenados à morte por crime de genocídio pelo Tribunal de Nuremberg, e executados no noite de 16 de outubro de 1946.


Combatendo a corrupção com mais corrupção, minimizam a roubalheira e a velhacaria e se escudam no crime organizado.  O chefe do governo posa para fotos com milicianos e os defende. 

O combate à corrupção vai das “rachadinhas” ao senador que escondia 200 mil na cueca, com notas de 100 penetrando no furinho do fim da espinha. Dando razão a quem lava dinheiro, puderas!! 


 E este “partido” tem uma história.  É também a história da direita brasileira. 

Vamos aos fatos: A direita brasileira é a única, no mundo, que é antinacional. É a única que é contra os interesses do seu país. É defensora intransigente dos interesses do Império ianque.

 Mas isto é fácil de se compreender. Ora, se somos colônia, súditos do Tio Sam, prevalecem os interesses da metrópole. 


Após o golpe militar de 1964, Juracy Magalhães, um dos cardeais da direita, foi designado representante do Brazil na metrópole. Ao desembarcar em Washington declarou: “O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil!” 


A palavra nacionalismo é condenada e maldita, pois para o “partido fardado” ela é lesiva aos interesses da metrópole.


 Patriotismo pode, patriotada pode. Defender as cores da bandeira é necessário, para entregar o patrimônio nacional de cabeça erguida e o peito coberto de medalhas!


 Nacionalismo se confunde com comunismo, na concepção do “partido” dos generais, e deve ser liminarmente condenado. 


 O anticomunismo é a ideologia que alimenta o “partido”. Mesmo não existindo movimento comunista militando em lugar nenhum do mundo. Cuidado! Muito cuidado com os comunista! Alerta o “partido”.


Esquartejar a PETROBRÁR para vendê-la aos pedaços, pode. Entregar o pré-sal, pode; vender a preço de liquidação a Casa da Moeda, a Eletrobrás, o Banco do Brasil e tudo o mais; pode.  Cair de quatro diante do Trump como um rés lacaio, pode. Isto é patriotismo?


Alguns desavisados dizem: “Nós estamos arriscados a perder a nossa soberania!” 

Dizemos nunca, isto jamais acontecerá! Pois ninguém pode perder o que nunca teve. Uma colônia não pode perder a sua independência e soberania, porque não a possui.


Fica claro e evidente que, com o “partido” vigilante e aguerrido, o Tio Sam, a metrópole, não necessita ocupar a colônia com tropas metropolitanas.  


Falar em democracia e estado de direito com o “partido” dos generais dando ordens, ameaçando o poder judiciário e o legislativo com o argumento do fuzil, não faz qualquer sentido!


 Vivemos, há muito tempo, sob a égide de uma “democracia tutelada”, consentida, tolerada! 

Defender os interesses do Brasil é crime, amar ao Brasil é crime. Os que lutaram em defesa do petróleo para o Brasil, na Campanha de o Petróleo é Nosso foram presos, torturados e processados. Muitos morreram nas câmaras de torturas. Pagaram com a vida a defesa dos interesses do país. Eram nacionalistas! 

E isto vem de longe, desde os tempos de José Bonifácio, o herói da luta pela nossa independência!

 Foi perseguido, exilado, preso por seis anos na Ilha de Paquetá onde fica situada a casa que leva o seu nome e o Museu. Saiu da prisão em Paquetá para morrer poucos dias depois em Niterói.   

O seu crime, o crime de José Bonifácio, foi amar o Brasil. Querer romper com o colonialismo anglo-lusitano. Querer transformar o movimento da independência na revolução da libertação nacional. Por não aceitar a farsa do 7 de setembro!  


Conclusão: O Brasil é um país proibido de crescer, como a Alemanha de antes da Primeira Guerra Mundial. O Império Britânico e a França sentiam-se seriamente ameaçados com o extraordinário crescimento e progresso da Alemanha. 

O Brasil não pode crescer porque ameaça os interesses do Império ianque. 


Nem todas as forças armadas são “partido fardado”, nem todo o Exército é “partido fardado”. Mas toda a oficialidade está contaminada pela ideologia do anticomunismo, do fascismo: Anticomunismo, instrumento de dominação.

Mas por não ser todo ele um “partido fardado”, o Exército tem uma grande dívida com o povo brasileiro.

 A parte sadia das forças armadas tem obrigação de resolver esta equação!


1 - E. P. Cavalcante, capitão de mar e guerra ref. do Corpo de Fuzileiros Navais."

Ilha de Paquetá, junho de 2021.


MAIS SOBRE PARTIDO FARDADO

https://www.youtube.com/watch?v=p760scngiKA

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