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segunda-feira, 30 de outubro de 2023

DIARIO DA PALESTINA * Bruno Wallace/RJ

DIARIO DA PALESTINA
Atualizações de guerra "Z"
Rio de Janeiro, Brasil.
30 Outubro 2023

O declínio do império Unipolar Zion-Anglo-Amerikansk, o fim do Ponzi esquema petro dólar como moeda de reserva mundial, e a ascensão do mundo social multipolar emergente.









Artigo conciso compilado de
Informações de domínio público, fatos históricos, BRICS, os crimes de guerra sionistas, o genocidio colonial em Gaza e os últimos acontecimentos da incursão, através da operação militar especial russa para a *desnaZificação* da Ucrânia; o seu efeito no mundo em geral, incluindo questões geopolíticas que forjam o equilíbrio de poder na guerra em curso, que determina e estabelece o nosso futuro comum: um planeta-prisão hegemônico *unipolar* ou um mundo *multipolar* com tolerância para diferentes modos de governança.

É tão grotesco ver os ocidentais dizerem uns aos outros como Israel e os palestinianos se odeiam, condenando a perda de vidas, culpando as religiões e culpando a natureza humana.

Nada mudou desde a época da escravidão e do genocídio em massa dos amerindios povos originarios americanos.

As pessoas estão muito ocupadas agarrando-se aos seus lugares dentro da máquina de matar. Eles vêem mortes e destruição, mas não veem a máquina, pois vêem que ela fechará suas mentes junto com seu mundo. Mas ver isso é o primeiro passo para sair desta formação social destrutiva.

Sendo um Estado colonial clássico, Israel está fazendo a única coisa que sabe fazer. Enquanto o Ocidente continuar a apoiar, isso vai consumar o genocídio palestino.

Os palestinianos têm dentro de si a capacidade de se levantarem contra o Hamas para se libertarem. Ou o Hamas pode render-se voluntariamente. Duas escolhas reais aí.

Esta visão não está apenas a ser promovida de má-fé pelos apologistas israelitas.

Parece repercutir nas pessoas comuns que presumivelmente sabem muito pouco sobre as histórias da Palestina ou dos movimentos coloniais de colonização, como o movimento sionista que fundou Israel.

Vamos nos aprofundar brevemente em ambos.

Em primeiro lugar, os movimentos coloniais de colonos distinguem-se do colonialismo padrão – como o domínio britânico na Índia – pelo fato de a população colonizadora sionista desejar não apenas roubar os recursos da população nativa originaria, mas também substituir a própria população nativa.

Existem muitos exemplos disto: os colonos europeus desapropriaram os povos nativos no que hoje chamamos de Brasil, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, América Latina por exemplo…

A definição de genocídio no direito internacional descreve exatamente o que aqueles europeus fizeram à população local: assassinatos em massa; infligir condições calculadas para provocar a destruição física de toda ou parte da comunidade nativa; prevenção de nascimentos na população local; ttransferir à força crianças nativas para a população colona.

Os colonos europeus brancos que hoje se autodenominam brasileiros, americanos, canadianos, australianos e neozelandeses nunca tiveram de responder pelos seus crimes contra esses povos nativos.

O que possivelmente explica porque é que a mentalidade acima é tão comum – e porque é que os países europeus e os seus colonos coloniais estão hoje a alinhando-se com o resto do mundo para apoiar Israel à medida que este intensifica o genocídio industrial em Gaza.

A verdade é que a ordem mundial “ocidental” foi construída sob o genocídio e escravidão. Brasil e estados unidos por exemplo foram fundados com a escravidão de africanos e o genocidio de povos indígenas ..

Israel está apenas seguindo uma longa tradição marca registrada de europeus…

Os movimentos coloniais de colonos sempre acabam cometendo genocídio.

Na África do Sul, uma população colonial em grande desvantagem numérica chegou a uma “acomodação” com a população nativa: o sistema era conhecido como apartheid.

O grupo branco ficou com todos os recursos e privilégios. O grupo de negros foi autorizado a viver, mas apenas em guetos e na miséria.

Nestas circunstâncias, a paz só é possível quando o projeto colonial dos colonos é abandonado, o poder é partilhado e os recursos são distribuídos de forma mais equitativa. Isto aconteceu, embora de forma imperfeita, com a queda do apartheid na África do sul.

O modelo final para uma população colonial colonizadora é conduzir a população nativa para além da fronteira, num acto de limpeza étnica.

Esta foi a opção preferida de Israel em 1948 e novamente em 1967, quando decidiu expandir as suas fronteiras ocupando as restantes terras palestinas na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Gaza.

Os palestinos em Gaza são uma lição prática sobre as várias formas como uma população nativa pode ser abusada por um movimento colonial de colonos.

A maioria são refugiados ou descendentes de refugiados das operações de limpeza étnica de Israel em 1948.

Por outras palavras, as casas das suas famílias estão no que hoje chamamos de Israel. Eles foram expulsos de suas terras para um pequeno enclave, que será governado durante os próximos 19 anos pelo Egito.

Quando Israel tomou Gaza durante a guerra de 1967, teve de recorrer à segunda opção de colonização dos colonos: o apartheid.

Assim, transformou o enclave numa prisão ao ar livre, ou – se formos mais honestos – num campo de concentração e de torturas e exterminios de longa duração.

Gaza é uma versão grande – e, com o cerco de 16 anos de Israel, cada vez mais dura – dos municípios que detinham as populações negras nativas na África do Sul do apartheid.

O que vemos agora é que Israel reconhece finalmente que o modelo do apartheid não conseguiu subjugar o desejo dos palestinos de liberdade e dignidade.

Ao contrário da África do Sul branca, Israel não procura paz e reconciliação. Está revisitando outras opções coloniais dos colonos: Genocídio e limpeza étnica.

No atual ataque a Gaza, Israel está a implementar um modelo misto: genocídio para aqueles que permanecem em Gaza, limpeza étnica para aqueles que conseguem sair (assumindo que o Egipto finalmente ceda e abra as suas fronteiras).

Nada disso tem a ver com o Hamas.

O máximo que se pode dizer é que a resistência do Hamas forçou a mão genocida de Israel.

Teve de abandonar o seu modelo de cerco-apartheid – a prisão a longo prazo de uma população sem recursos, sem liberdade de circulação, sem água potável, sem comida e sem empregos… sem futuro…

Israel Em vez de reconciliação, regressou às fórmulas testadas e comprovadas de genocídio e limpeza étnica.

O Hamas é um sintoma das décadas de trauma que os palestinos passaram em Gaza, e não a causa desse trauma.

A derrubada do Hamas pelos palestinos, ou a rendição do Hamas, não transformariam Gaza num Dubai-no-Mediterrâneo.

Para os palestinos, ainda haveria prisioneiros, embora possivelmente fossem permitidas condições ligeiramente melhores.

Se duvida disso, olhe para a Cisjordânia, que é governada não pelo Hamas, mas pela indolente Autoridade Palestiniana de Mahmoud Abbas.

Ele chama a cooperação em segurança com Israel – suprimindo, em nome de Israel, o desejo de liberdade dos palestinos – um dever “sagrado”.

A sua maior aspiração é uma solução diplomática que crie um mini-Estado palestiniano severamente circunscrito.

Se Israel não pode permitir a liberdade na Cisjordânia sob Abbas, como irá alguma vez dar liberdade à pequena Gaza, mesmo sem o Hamas, especialmente depois de as Nações Unidas terem declarado o enclave como fundamentalmente “inabitável” em 2020?

Israel nunca poderia permitir que os palestinianos saíssem da sua prisão em Gaza porque o seu rápido crescimento em número é visto como uma ameaça à maioria judaica de Israel.

Lembre-se: as populações coloniais coloniais existem para substituir a população nativa, não para fazer a paz com ela, não para partilhar recursos, não para lhes dar a sua liberdade.

Israel está fazendo a única coisa que sabe fazer. E enquanto o Ocidente estiver na torcida, isso incluirá o genocídio.

Os israelenses sionistas são considerados o maior malfeitor do mundo moderno: o colonizador. Isto é importante porque, nesta concepção, a justiça só pode ser feita quando os colonizadores tiverem partido. É por isso que o cântico que exige que a Palestina seja livre “do rio até ao mar” provoca arrepios nas espinhas dos judeus.

Porque esse slogan não exige uma mera retirada israelita da Cisjordânia ocupada.

O que a maioria dos judeus ouve é uma exigência de até outros judeus de que Israel desapareça completamente. E que os Judeus Israelitas ou se arrisquem a viver numa futura Palestina sob o domínio do Hamas – ou saiam. Mas para onde?

Vamos substituir “israelenses” por “sul-africanos brancos”, que também eram um povo colonizador.

A queda do apartheid exigiu que eles “saíssem”? Acho que uma rápida pedquisa descobrirá que eles ainda estão lá.

Sim, todos nós compreendemos que “a maioria dos judeus” se assusta com um canto que apela à libertação dos palestinianos da subjugação e do confinamento ao estilo do apartheid na sua própria terra natal.

Claro, os judeus estão assustados. Israel e os seus apologistas, entre os quais líderes europeus têm dito aos judeus durante décadas para terem medo, tal como os apologistas do apartheid na África do Sul disseram aos brancos que seriam massacrados se um homem negro algum dia governasse o país.

Os brancos só deixaram de ficar assustados quando as Terras Livres do início da década de 1990 foram forçadas a mudar de tom.

Além do mais, tal enquadramento classificaria todos os israelitas sionistas – e não apenas os colonos da Cisjordânia – como culpados do pecado do colonialismo.

Há Um grande número de pessoas – muitas delas, sem dúvida, incluindo aqueles judeus temerosos que se preocupam – que estão explicitamente a pedir que os palestinianos sejam exterminados, que apoiar abertamente o genocídio em Gaza – ecoando Políticos israelenses e líderes militares israelenses com armas nucleares que há muito defendem uma 'Shoah', ou Holocausto, em Gaza.

Talvez a razão pela qual algumas pessoas à margem dos meios de comunicação social estejam relutantes em juntar-se ao coro do establishment que condena o Hamas seja porque este está a ser tão abertamente aproveitado para desculpar o assassinato de crianças palestinianas.

Quando os nossos políticos e meios de comunicação transformam isto num jogo de soma zero, quando reescrevem o direito internacional para tornar o corte de alimentos e água aos palestinianos um dever legal e moral, talvez se possa compreender porque é que as pessoas podem ser reticentes em alimentar as chamas do genocídio.


É aqui que você termina quando vê esse conflito monocromático, como um conflito entre o certo e o errado.

Porque o falecido romancista e activista pela paz israelita Amos Oz nunca foi tão sábio como quando descreveu o conflito Israel/Palestina como algo infinitamente mais trágico: um choque de direita contra direita. Dois povos com feridas profundas, uivando de dor, fadados a partilhar o mesmo pequeno pedaço de terra…

Tudo isso poderia ser mudado se esses dois povos predestinados e traumatizados realmente começassem a “partilhar o mesmo pequeno pedaço de terra” – numa solução de Estado social, como finalmente aconteceu na África do Sul.

Na verdade, essa é a única maneira de um projeto colonial de colonização terminar sem genocídio ou limpeza étnica de um lado ou de outro.

A mídia em vez disso, castiga outros por tratarem a catástrofe que se desenrola em Israel e em Gaza como um jogo de futebol em que todos devem tomar partido – mesmo quando ela próprio, tão obviamente, toma partido: a favor de fechar os olhos ao genocídio em Gaza.

Então, este não é um jogo de futebol. Não há necessidade de espectadores que torcem por um time contra o outro, incitando o time escolhido a ir cada vez mais a extremos. Isto não é um jogo, por uma razão sombriamente óbvia. Não há vencedores – apenas perdas sem fim.

Não, houve vencedores. Ao longo de 75 anos, Israel recebeu apoio generoso – militar, diplomático, financeiro – da Europa e dos EUA para o ajudar a levar a cabo a limpeza étnica dos palestinos.

Com base neste apoio - e na integração de Israel no complexo militar-industrial do Ocidente - Israel tornou-se um país beligerante muito rico, rico em terras que roubou ao povo nativo.

Sim, vive com um certo grau de insegurança – o preço que paga, tal como todas as sociedades coloniais de colonos, até “terminarem o trabalho”, como explicou um dos principais historiadores de Israel – por desapropriar e oprimir o povo nativo.

Mas até 7 de Outubro era claro para os israelitas que valia a pena viver com essa insegurança, tendo em conta todos os outros benefícios.

Israel não quer espectadores em Gaza. É por isso que o enclave mergulhou na escuridão. Nenhum de nós agora pode saber que horrores estão acontecendo lá neste momento.

Gaza está destruída faminta e morrendo aos milhares sem energia, sem água, sem comida e sem algum repórter com avesso à internet para dizer adeus ao mundo…

PALESTINA VENCERÁ!!!

terça-feira, 29 de novembro de 2022

QUEM É INDÍGENA, AFINAL? * PORAKÊ MUNDURUKU

 QUEM É INDÍGENA, AFINAL?


É muito fácil deixar de ser indígena, basta sair do território, ou ser expulso dele, ou nascer fora de uma aldeia, ou esquecer as línguas que o colonizador se esforçou em apagar, ou ter um ancestral não indígena. Voltar a ser indígena é que é difícil, para muitos impossível. 


O colonizador foi quem criou este conceito, "indígena", e o tornou excludente para sua própria conveniência. Mas somos nós, a quem este conceito foi imposto, que precisamos refletir: O que faremos com ele? Será uma forma de unir e organizar nossas lutas? Ou  será uma forma de nos deixar subjugar pela lógica excludente do sistema colonial-capitalista?


#resistênciaíndigena #lutaindígena #retomadaindígena #indigenasemcontextourbano #anticolonial  


PORAKÊ MUNDURUKU

https://www.instagram.com/p/ClhoXiTsWJo/?igshid=YmMyMTA2M2Y=  

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Porakê Munduruku – Medium

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sábado, 10 de setembro de 2022

DEPENDÊNCIA E MORTE * FREI BETTO / SP

 DEPENDÊNCIA E MORTE

FREI BETTO / SP


Com a exposição de um coração atribuído a D. Pedro I, importação cara e necrófila feita pelos atuais ocupantes do Planalto, o Brasil comemora 200 anos de independência de Portugal. Deixamos Portugal para cair nos braços da Inglaterra, da União Europeia e, sobretudo, dos EUA.


As narrativas sobre o episódio “às margens do Ipiranga” são quase todas elitistas. Afonso Taunay (1876-1958), ao encomendar pinturas para o Museu Paulista, fez questão de excluir as lutas populares pela Independência e favorecer uma versão oligárquica e pacifista.


 A participação dos indígenas em nossa Independência é ignorada ainda hoje. Na estátua de D. Pedro I na Praça Tiradentes, no Rio, o pedestal retrata indígenas e animais de nossas selvas. Ao ser inaugurada, em 1862, o historiador Mello Morais chegou a indagar: “Que parte tiveram esses índios e aqueles jacarés na Independência do Brasil?”


Quase todas as narrativas sobre nossos povos originários anterior a 1980 soam como “crônicas de morte anunciada”, como se estivessem condenados ao extermínio ou a serem assimilados pela população em geral. Só em 1988 a Constituição assegurou a eles direito à terra e às suas tradições e culturas. Pela primeira vez, o Estado brasileiro se reconheceu multiétnico.


Criou-se o mito de que a Independência assegurou a unidade territorial do Brasil. Ora, D. Pedro I se interessava apenas por Rio de Janeiro, São Paulo e Minas. Não dava ouvidos às outras províncias. Por isso teve que enfrentar várias revoltas regionais contra o governo imperial, como Farroupilha (1835-1845), no Rio Grande do Sul; Cabanagem (1835-1840), no Pará; e a Sabinada (1837-1838), na Bahia. Maranhão e Pará eram províncias apartadas do Brasil até 1820. O Acre pertencia ao Peru e à Bolívia, e só foi anexado ao Brasil em 1903.


D. Pedro I chegou a contratar o lorde inglês Thomas Cochrane (1775-1860) para reprimir rebeliões populares. No Pará, o cônego Batista Campos (1782-1834), que se opunha ao trabalho escravo, sofreu tortura em praça pública, enquanto 256 aliados dele eram asfixiados no porão de um navio. É considerado o autor intelectual da Cabanagem, que teve importante participação indígena. Na versão da elite, “cabano” significa aquele que vivia em cabanas à beira dos rios. Na versão dos ribeirinhos, o termo é associado aos brancos repressores que se vangloriavam da sanha repressora: “Acabamos com tudo.”

Se D. Pedro I tinha pouco interesse pelo resto do Brasil, por que o nosso país, então integrado por 18 províncias, não se fragmentou, como ocorreu em tantas regiões da América Latina? Entre várias hipóteses fico com a mais vergonhosa: a unidade territorial se manteve por força do projeto escravagista voltado à exploração mineral. O regime escravocrata uniu as elites provincianas e alicerçou a formação do Estado brasileiro.


Outro fator que influiu em nossa coesão territorial foi a vinda da Corte portuguesa para o Brasil em 1808. A frase atribuída ao governador de Minas, Antônio Carlos de Andrada, em 1930 – “façamos a revolução antes que o povo a faça” -, poderia ter sido dita no período colonial. D. Pedro I, filho de D. João VI, proclamou a Independência antes que as rebeliões populares, como a Conjuração Mineira, lograssem devolver a Corte a Portugal.


Não eram só as revoltas populares, pipocando Brasil afora e agravadas pelos quilombos, habitados por escravos libertos, que tiravam o sono do imperador. Ele sabia que os nossos vizinhos na América do Sul se independentizavam da Coroa espanhola: Bolívar comandou as independências de Colômbia (1810); Venezuela (1811); Equador (maio de 1822); e, em 1825, Bolívia. San Martin liderou as da Argentina (1816) e Peru (1821), e deu apoio à libertação do Chile (1818).


“Façamos a Independência antes que o povo a faça.” Aqui ela foi consumada “por cima”, a ponto de adotar uma bandeira que não traz o azul dos nossos céus, como aprendi na escola, e sim a cor símbolo da nobreza (“sangue azul”); o amarelo do ouro; e o verde que não retrata as nossas matas, e sim a cor da Casa Real de Bragança. Já a iconografia das bandeiras dos países hispânicos alude a movimentos de libertação e processos revolucionários.


O senso de brasilidade é tardio. Até final do século 18 os habitantes daqui se consideravam “portugueses da América” e muitos reivindicavam igualdade de direitos com os portugueses de Portugal. Isso incomodava a elite de Lisboa, que se arvorava em centro do Império. D. Pedro então foi pressionado a estabelecer uma Assembleia Legislativa no Brasil que adotasse leis próprias. Só então se popularizou a ideia de ser brasileiro.

Concordo com Caio Prado Junior e Florestan Fernandes: ao lograr a emancipação política do Brasil, a Independência criou um Estado capaz de preservar as estruturas econômicas e sociais do período colonial.


Ainda resta muito a conquistar. E as eleições estão à porta. Votemos pela independência do povo brasileiro!

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

MONARQUIAS E NAZISMO TUDO A VER * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

 MONARQUIAS E NAZISMO TUDO A VER

A família real britânica enriqueceu saqueando e colonizando a África. Na coroa e no cetro de Elizabeth II, há fragmentos do diamante Estrela da África. A pedra foi roubada da África do Sul em 1905 e tem um valor de 400 milhões de dólares

PORQUE O NAZISMO FASCISMO ESTÁ MAIS VIVO DO QUE NUNCA Elizabeth II com 7 anos fazendo a saudação nazista com sua mãe, a rainha Elizabeth Bowes-Lyon, e seu tio Edward VIII , Príncipe de Gales e Duque de Windsor. (1933)


Sua família era amiga íntima dos nazistas, seu tio Eduardo VIII junto com sua esposa, Wallis Simpson, duquesa de Windsor, frequentemente visitavam Adolf Hitler em seus banquetes. Por outro lado, como toda a oligarquia capitalista mundial


O fanatismo nazista de Eduardo VIII, tio de Elizabeth II, era tal que, de acordo com a correspondência desclassificada, Eduardo VII queria o bombardeio nazista do Reino Unido e ajudou os nazistas a estabelecer um estado fascista. Eles tiveram que bani-lo do país para as Bahamas*.


Philip de Edimburgo, 🇬🇧 marido de Elizabeth II, tinha três irmãs nazistas que eram membros do NSDAP com seus maridos Werhmatch e uma batizou seu filho 🇩🇪Adolf em homenagem a Hitler.


Philip de Edimburgo, marido de Elizabeth II, lidera um desfile nazista em homenagem fúnebre à sua irmã Cecile Hesse*.


Na foto, parentes da família real britânica, como Christoph de Hesse, em uniformes da SS, enquanto os participantes fazem a saudação nazista. Darmstadt, 1937







O império


(...) A família real britânica enriqueceu saqueando e colonizando a África. Na coroa e no cetro de Elizabeth II, há fragmentos do diamante Estrela da África. A pedra foi roubada da África do Sul em 1905 e vale US$ 400 milhões. No Iêmen do Sul, Elizabeth II estabeleceu o apartheid contra os nativos iemenitas, que foram perseguidos e mortos por seus soldados ocupantes.

Na década de 1960, o povo iemenita se rebelou e Elizabeth II ordenou a repressão a todos os que se levantassem.No Quênia, apenas 6 meses após a coroação de Elizabeth II, ocorreu o maior massacre britânico na África.


O massacre de Mau Mau, onde os britânicos reprimiram os quenianos que se rebelaram e os bombardearam com 6 milhões de bombas, matando mais de 300.000 quenianos. Como na Alemanha nazista, no Quênia com a aprovação de Elizabeth II e Churchill, campos de concentração foram estabelecidos crianças.

O modelo nazista foi usado pelo imperialismo britânico contra os Mau Mau, utilizando-os como mão de obra escrava e violando todos os direitos humanos. e fizeram trabalhos forçados sob disciplina militar, sem contar os saques imperialistas que persistem até hoje, o extermínio sistemático de indígenas apoiados pelos britânicos em seus governos fantoches na África ou os golpes contra países soberanos, todos sob a monarquia de Elizabeth II Sua família era amiga íntima dos nazistas, seu tio Eduardo VIII junto com sua esposa, Wallis Simpson, duquesa de Windsor, visitavam Adolf Hitler com frequência em seus banquetes.


Por outro lado, como toda a oligarquia capitalista mundial, esta é a “boa avó” que a mídia branqueou por décadas. A "vovó" que, aos 31 anos, liderou um exército para aprisionar 1,5 milhão de pessoas em campos de concentração no Quênia e que vivia de saques imperialistas, cercada de ouro roubado da África.



quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA * Eduardo Galeano

 AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA 


‘’É a América Latina, a região das veias abertas. Desde o descobrimento até nossos dias, tudo se transformou em capital europeu, ou mais tarde, norte-americano, e como tal tem-se acumulado e se acumula até os dias de hoje nos distantes centros de poder.


Tudo: a terra, seus frutos e suas profundezas ricas em minerais, os homens e sua capacidade de trabalho e de consumo, os recursos naturais e os recursos humanos. O modo de produção e a estrutura de classes de cada lugar foram sucessivamente determinados, do exterior, por sua incorporação à engrenagem universal do capitalismo.


Para cada um se atribuiu uma função, sempre em benefício do desenvolvimento da metrópole estrangeira do momento, e se tornou infinita a cadeia de sucessivas dependências, que têm muito mais do que dois elos e que, por certo, também compreende, dentro da América Latina, a opressão de países pequenos pelos maiores seus vizinhos, e fronteiras adentro de cada país, a exploração de suas fontes internas de víveres e mão de obra pelas grandes cidades e portos (há quatro séculos já haviam nascido dezesseis das 20 cidades latino-americanas atualmente mais populosas).


Para os que concebem a História como uma contenda, o atraso e a miséria da América Latina não são outra coisa senão o resultado de seu fracasso. Perdemos; outros ganharam. Mas aqueles que ganharam só puderam ganhar porque perdemos: a história do subdesenvolvimento da América Latina integra, como já foi dito, a história do desenvolvimento do capitalismo mundial. Nossa derrota esteve sempre implícita na vitória dos outros. Nossa riqueza sempre gerou nossa pobreza por nutrir a prosperidade alheia: os impérios e seus beleguins nativos.


Na alquimia colonial e neocolonial o ouro se transfigura em sucata, os alimentos em veneno. Potosí, Zacatecas e Ouro Preto caíram de ponta-cabeça da grimpa de esplendores dos metais preciosos no fundo buraco dos socavões vazios, e a ruína foi o destino do pampa chileno do salitre e da floresta amazônica da borracha; o nordeste açucareiro do Brasil, as matas argentinas de quebrachos ou certos povoados petrolíferos do lago de Maracaibo têm dolorosas razões para acreditar na mortalidade das fortunas que a natureza dá e o imperialismo toma.


A chuva que irriga os centros do poder imperialista afoga os vastos subúrbios do sistema. Do mesmo modo, e simetricamente, o bem-estar de nossas classes dominantes – dominantes para dentro, dominadas de fora – é a maldição de nossas multidões, condenadas a uma vida de bestas de carga.” (GALEANO, Eduardo. As Veias Abertas da América Latina, 1996, pág. 14) 

 

https://drive.google.com/file/d/1qb0bR2LWrlSvyT7b2C1ZdiXsJ_z2UsBi/view?usp=sharing 


quarta-feira, 24 de novembro de 2021

INVASÃO PROGRAMADA * José Ernesto Dias / MA

 INVASÃO PROGRAMADA


Em 22 de Abril de 1500

Piratas portugueses

De costume, onde chegavam

Plantavam uma cruz em madeira...


Assim fizeram

Chegando na terra dos nativos.

Piratas, do navio desembarcando:

Na terra plantaram a cruz....


Dando o nome do lugar

De terra de santa cruz

A terra do pau brasil

Terra, banhada pelo atlântico...


Há tempo! ... já conhecia.

Avistada pelos chineses

Quando deram volta ao mundo

Sem a intenção de invadir nada...

 

Os orientais chineses

Quando deram volta ao munda

Avistaram a terra

Bem antes dos europeus...


Na verdade as três Américas

Foram invadidas por piratas

De um lado, portugueses e espanhóis!

No outro extremo, por ingleses! ...


Piratas, aonde invadem

Impõem estranhas crenças

E, diferentes costumes

Do povo do lugar...


Alienando o povo.

Um povo alienado

Perdendo a língua e os costumes.

Se torna presa fácil, dos invasores! ...


Perceba o que fizeram

Com os nativos brasileiros

E os africanos, escravizados

Junto aos mestiços brasileiros...


Os poucos nativos que restaram

Vivem, sem sossego nas aldeias:

Lutando, para manter a cultura.

Diurnalmente, o povo é, assediado...


Por estranhos, de má fé:

Que sorrateiramente

Querem botar o povo de marcha ré

Regredindo na cultura tradicional...


Brasileiros, cuidado!

Com essa gente de má fé

Que alienando o povo

Botou, os brasileiros de marcha ré! ...


Sorrateiramente, por todo lugar:

Continuam, confundindo os brasileiros

Contaminando o povo, pela mente;

Na sorrateira, lavagem cerebral...


Para combater, o vírus na nação:

Só se combate, esse praga arrasadora

Com ensino de qualidade

Corrigindo as distorções! ...

 

São Luís – MA – 18 de Novembro de 2021

José Ernesto Dias

*

sábado, 19 de junho de 2021

O PARTIDO FARDADO * E. P. Cavalcante¹ / RJ

 O EPÍLOGO DA TRAGÉDIA

 
EXÉRCITO BRASILEIRO NÃO É UM PARTIDO POLÍTICO


A questão Pazuello desnudou a relação entre o Exército e a sociedade brasileira.

Não temos o Exército no poder em Brasília, mas a vanguarda do “partido fardado”.

“Partido” constituído por um grupo de generais que, vestindo a farda verde oliva, teimam em transformar o Brasil em um quartel. E detestam a disciplina e a hierarquia militar. Provocando a anarquia, transformam o Exército em um bando armado.  


Para o “partido fardado”, o povo continua sendo o inimigo interno dos tempos da Guerra Fria e deve ser vigiado e combatido.


 E a soberania, a independência, o progresso do país é ideia comunista. O Brasil é um país proibido de crescer! Absurdo, mas verdadeiro!


De golpe em golpe, a colônia Brazil com “Z” se mantém fiel à colonização continuada que perdura por quase dois séculos, 198 anos. E hoje somos colônia do Império ianque, súditos do Tio Sam. 


 À frente de todos os golpes esteve sempre esta facção do Exército que, no poder pessoal, busca a honra e a glória que nunca disputou nos campos de batalha. 

E com o rolar do tempo transformou-se num “partido fardado”. 


Hoje se autoproclamam da extrema direita, ignorando que a extrema direita é o caminho que desemboca no nazifascismo. 


Mas não faz mal, pois não precisam mais utilizar os fornos de cremação como fizeram os seus predecessores nazistas em Auschwitz-Birkenau. 

O vírus Covid-19, a pandemia, evita o trabalho sujo. Como foi feito em Manaus, onde pessoas morreram asfixiadas.

 Esquecem que alguns generais nazistas foram condenados à morte por crime de genocídio pelo Tribunal de Nuremberg, e executados no noite de 16 de outubro de 1946.


Combatendo a corrupção com mais corrupção, minimizam a roubalheira e a velhacaria e se escudam no crime organizado.  O chefe do governo posa para fotos com milicianos e os defende. 

O combate à corrupção vai das “rachadinhas” ao senador que escondia 200 mil na cueca, com notas de 100 penetrando no furinho do fim da espinha. Dando razão a quem lava dinheiro, puderas!! 


 E este “partido” tem uma história.  É também a história da direita brasileira. 

Vamos aos fatos: A direita brasileira é a única, no mundo, que é antinacional. É a única que é contra os interesses do seu país. É defensora intransigente dos interesses do Império ianque.

 Mas isto é fácil de se compreender. Ora, se somos colônia, súditos do Tio Sam, prevalecem os interesses da metrópole. 


Após o golpe militar de 1964, Juracy Magalhães, um dos cardeais da direita, foi designado representante do Brazil na metrópole. Ao desembarcar em Washington declarou: “O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil!” 


A palavra nacionalismo é condenada e maldita, pois para o “partido fardado” ela é lesiva aos interesses da metrópole.


 Patriotismo pode, patriotada pode. Defender as cores da bandeira é necessário, para entregar o patrimônio nacional de cabeça erguida e o peito coberto de medalhas!


 Nacionalismo se confunde com comunismo, na concepção do “partido” dos generais, e deve ser liminarmente condenado. 


 O anticomunismo é a ideologia que alimenta o “partido”. Mesmo não existindo movimento comunista militando em lugar nenhum do mundo. Cuidado! Muito cuidado com os comunista! Alerta o “partido”.


Esquartejar a PETROBRÁR para vendê-la aos pedaços, pode. Entregar o pré-sal, pode; vender a preço de liquidação a Casa da Moeda, a Eletrobrás, o Banco do Brasil e tudo o mais; pode.  Cair de quatro diante do Trump como um rés lacaio, pode. Isto é patriotismo?


Alguns desavisados dizem: “Nós estamos arriscados a perder a nossa soberania!” 

Dizemos nunca, isto jamais acontecerá! Pois ninguém pode perder o que nunca teve. Uma colônia não pode perder a sua independência e soberania, porque não a possui.


Fica claro e evidente que, com o “partido” vigilante e aguerrido, o Tio Sam, a metrópole, não necessita ocupar a colônia com tropas metropolitanas.  


Falar em democracia e estado de direito com o “partido” dos generais dando ordens, ameaçando o poder judiciário e o legislativo com o argumento do fuzil, não faz qualquer sentido!


 Vivemos, há muito tempo, sob a égide de uma “democracia tutelada”, consentida, tolerada! 

Defender os interesses do Brasil é crime, amar ao Brasil é crime. Os que lutaram em defesa do petróleo para o Brasil, na Campanha de o Petróleo é Nosso foram presos, torturados e processados. Muitos morreram nas câmaras de torturas. Pagaram com a vida a defesa dos interesses do país. Eram nacionalistas! 

E isto vem de longe, desde os tempos de José Bonifácio, o herói da luta pela nossa independência!

 Foi perseguido, exilado, preso por seis anos na Ilha de Paquetá onde fica situada a casa que leva o seu nome e o Museu. Saiu da prisão em Paquetá para morrer poucos dias depois em Niterói.   

O seu crime, o crime de José Bonifácio, foi amar o Brasil. Querer romper com o colonialismo anglo-lusitano. Querer transformar o movimento da independência na revolução da libertação nacional. Por não aceitar a farsa do 7 de setembro!  


Conclusão: O Brasil é um país proibido de crescer, como a Alemanha de antes da Primeira Guerra Mundial. O Império Britânico e a França sentiam-se seriamente ameaçados com o extraordinário crescimento e progresso da Alemanha. 

O Brasil não pode crescer porque ameaça os interesses do Império ianque. 


Nem todas as forças armadas são “partido fardado”, nem todo o Exército é “partido fardado”. Mas toda a oficialidade está contaminada pela ideologia do anticomunismo, do fascismo: Anticomunismo, instrumento de dominação.

Mas por não ser todo ele um “partido fardado”, o Exército tem uma grande dívida com o povo brasileiro.

 A parte sadia das forças armadas tem obrigação de resolver esta equação!


1 - E. P. Cavalcante, capitão de mar e guerra ref. do Corpo de Fuzileiros Navais."

Ilha de Paquetá, junho de 2021.


MAIS SOBRE PARTIDO FARDADO

https://www.youtube.com/watch?v=p760scngiKA

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