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sábado, 19 de julho de 2025

URUBUS DAS EMENDAS PARLAMENTARES * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

URUBUS DAS EMENDAS PARLAMENTARES
FRENTE REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES/FRT

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Emendas parlamentares: entenda os R$ 50 bilhões nas mãos do Congresso

A cada novo governo, as emendas parlamentares ganham nova importância como instrumento de negociação com o Legislativo.

As emendas parlamentares são hoje um dos principais instrumentos de articulação entre o Governo Federal e o Congresso Nacional. Ocupando espaços cada vez maiores no orçamento, elas configuram a principal moeda de troca entre o Poder Executivo e os diversos partidos da Câmara e Senado para aprovar projetos de lei de seu interesse. Não por acaso, são motivo recorrente de polêmicas e disputas judiciais.

Elas operam como uma espécie de cheque reservado pelo governo para que o parlamentar decida como será usado. Um deputado que adota a defesa da educação como principal bandeira, por exemplo, pode destinar seu "cheque", oficialmente chamado de empenho, na construção de uma escola em seu estado de origem. Outro, que tenha como plataforma a defesa do desenvolvimento de determinada região, consegue utilizar seus empenhos na construção de portos e ferrovias naquele local.

Para seus entusiastas, as emendas são uma forma de distribuir poder, evitando o monopólio do Executivo sobre os recursos públicos. São também um instrumento para amparar projetos locais e prefeituras que necessitam de recursos com urgência. Para os críticos, elas são uma usurpação do Orçamento Federal para atender a interesses políticos particulares.

O funcionamento das emendas varia de ano em ano: elas são um instrumento orçamentário em constante evolução, frequentemente submetidas a novas decisões judiciais, resoluções e portarias modificando seus termos.

Essa reserva cresce a cada governo desde 2015, quando surgiu a primeira modalidade de emendas de execução (pagamento) obrigatória. De um lado, a cada legislatura, os parlamentares precisam mais das emendas para se reeleger. Do outro, cada presidente depende mais da sua distribuição para construir uma base de apoio no Congresso. Confira a evolução:

A destinação de emendas cresceu a cada novo governo desde 2015.Arte Congresso em Foco

O que são as emendas parlamentares?

As emendas parlamentares são uma parcela fixada do orçamento anual da União na qual a destinação é expressamente definida pelos deputados e senadores, operando como uma reserva de dinheiro à disposição do Congresso.

Essa reserva pode ser adotada em obras de órgãos públicos, como hospitais e estradas; em políticas públicas como programas de combate a incêndios florestais; ou mesmo para patrocinar iniciativas privadas sem fins lucrativos, como com a compra de equipamentos para hospitais filantrópicos.

Elas existem com o objetivo de descentralizar parte do orçamento, cobrindo eventuais iniciativas que não são prioritárias para o Executivo e alcançando regiões que muitas vezes não são vistas pela União. Esses repasses são muito benéficos aos parlamentares, que conseguem impulsionar políticas públicas voltadas às suas bandeiras ou mesmo fortalecer aliados em suas bases eleitorais, patrocinando projetos de interesses de prefeitos ou de instituições sociais com quem possuem proximidade.

Para o ano de 2025, a parcela separada para as emendas parlamentares é de R$ 50,4 bilhões. Paralelamente, o Governo Federal tem R$ 170,7 bilhões para suas próprias iniciativas. Veja a comparação:

Emendas em 2025 equivalem a quase 30% do orçamento discricionário do governo.Arte Congresso em Foco

Tipos de emendas

Existem quatro tipos de emendas parlamentares, definidos conforme a sua forma de distribuição. Cada categoria tem um teto predeterminado no Orçamento. Algumas são impositivas, ou seja: o governo é obrigado a aplicar o recurso solicitado. Outras são discricionárias, modalidade na qual a solicitação é feita ao Executivo e este decide se vai ou não enviar o valor.

São elas:

-Emendas individuais: são distribuídas diretamente pelos parlamentares conforme seus próprios critérios, igualmente distribuídas para cada deputado ou senador. Para o ano de 2025, cada deputado tem direito a pouco mais de R$ 37 milhões, e cada senador R$ 68,3 milhões, totalizando R$ 24,6 bilhões para as duas Casas. Elas são de natureza impositiva, e cada deputado é obrigado a aplicar metade da sua parcela em iniciativas voltadas à saúde. Elas podem ser identificadas no orçamento pela rubrica RP 6.

-Emendas de bancada: são distribuídas igualmente entre os estados, cabendo a cada bancada deliberar em conjunto sobre sua aplicação. Elas passam por análise bicameral, devendo haver voto favorável de três quintos dos deputados daquele estado e dois terços de seus senadores para que sejam aprovadas. Para 2025, o Congresso tem direito a R$ 14,3 bilhões desse tipo, ou pouco mais de R$ 529 milhões por estado. Elas são de natureza impositiva. Elas podem ser identificadas no orçamento pela rubrica RP 7.

-Emendas de comissão: são distribuídas pelas comissões temáticas permanentes da Câmara dos Deputados e do Senado, que deliberam em conjunto sobre sua aplicação. Ao contrário das demais, elas são de natureza discricionária: as propostas aprovadas são enviadas ao governo, que decide quais serão ou não acatadas. Em 2025, elas poderão chegar a R$ 11,5 bilhões. Elas são motivo de disputa judicial diante da falta de critérios bem definidos sobre como deve ser feita a indicação. Na última sexta (25), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu ao Congresso o prazo de 10 dias para que deem uma explicação precisa sobre suas indicações. Elas podem ser identificadas no orçamento pela rubrica RP 8.

-Emendas de relator: são destinadas pelo relator do orçamento do respectivo ano, servindo para fazer ajustes ao longo da tramitação da peça orçamentária. Elas estão bloqueadas por sentença do STF desde 2022, no que ficou conhecido como esquema do Orçamento Secreto: deputados recorriam aos relatores para fazer indicações às suas bases eleitorais sem que elas ficassem vinculadas aos seus nomes, abrindo margem para repasses obscuros. Elas eram identificadas no orçamento pela rubrica RP 9.

Emendas individuais configuram a maior parte das destinações de 2025.Arte Congresso em Foco

Polêmica

O funcionamento das emendas parlamentares constantemente ocupa os noticiários e as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) diante da falta de regramentos bem definidos, bem como a dificuldade para assegurar sua transparência. A principal crise se deu a partir de 2020, com a criação do Orçamento Secreto, quando as emendas de relator passaram a ocupar espaços cada vez maiores nas contas públicas, com sinais de uso como moeda de troca obscura pelo governo do então presidente Jair Bolsonaro. Em 2022, foram declaradas inconstitucionais.

Em 2024, a polêmica retornou: com o fim das emendas de relator houve um aumento na utilização das emendas individuais e de comissão para manter o controle sobre o orçamento público, levantando novas preocupações sobre a falta de transparência. Em agosto de 2024, o ministro do STF Flávio Dino suspendeu as chamadas "emendas Pix", modalidade de emenda individual que permitia transferências diretas para estados e municípios sem a vinculação a projetos específicos.

As emendas de comissão também foram submetidas a bloqueios graças a falta de parâmetros claros sobre como devem ser definidas e indicadas, bem como seus sistemas de fiscalização. Desde então, os dois poderes estão em constante queda de braço: o Judiciário apontando as falhas no modelo vigente, e o Congresso aprovando novas resoluções e regulamentações para regrar o tema.

As polêmicas em torno das emendas parlamentares não se restringem ao seu funcionamento. Na atual legislatura, dois deputados: Pastor Gil (PL-MA) e Josimar Maranhãozinho (PL-MA), respondem ao STF por cobrança de propina em troca de destinação de emendas a prefeitos. No governo, as emendas já foram motivo da queda de um ministro: Juscelino Filho (União-MA) responde na Justiça sob acusação de utilização de emendas para o benefício de familiares. A polêmica resultou no seu pedido de exoneração.

O fato é que as emendas são parte do jogo democrático - não apenas no Brasil, como no mundo. Cabe à sociedade acompanhar como os parlamentares usam esse instrumento, e cabe às instituições públicas responsabilizar aqueles que abusam de seu uso. Afinal, é dinheiro público em jogo.
AS EMENFAS PARLAMENTARES
José Mauricio Conti, Professor Associado de Direito Financeiro da FDUSP


A disputa por recursos públicos sempre ocupou o núcleo da guerra política. Não é novidade que o dinheiro instrumentaliza a disputa pelo poder. Ou vice-versa. Dinheiro e poder sempre estabeleceram uma relação simbiótica e indissociável. No mais das vezes, pouco ou nada republicana.

No âmbito das finanças públicas essa relação fica ainda mais visível, e podemos ver expostas boa parte das entranhas que se tenta esconder.

Já há alguns meses a polêmica envolvendo o “orçamento secreto” e, mais recentemente, os repasses de verbas públicas, têm ocupado as atenções da mídia, e vê-se estarmos diante do retorno à superfície de um antigo problema que nunca deixou de existir, justamente por estar no âmago dessa instrumentalização da disputa pelos recursos públicos. Um problema tão antigo quanto o orçamento, e não tenham dúvidas de que surgiram simultaneamente. E o mais amplo possível no espectro político, não deixando inocentes em nenhuma vertente ideológica.

A relevância da disputa pelo poder no âmbito das finanças públicas é tão significativa que a organização do Estado brasileiro, no que não difere dos demais, prevê uma cuidadosa, ainda que imperfeita, partilha de atribuições em matéria orçamentária, em uma clara aplicação do sistema de “freios e contrapesos” que caracteriza os Estados Democráticos de Direito.

O Poder Executivo elabora as leis orçamentárias, que são submetidas ao Poder Legislativo para apreciação, deliberação e aprovação. Cabe ao Poder Executivo o papel de principal condutor da execução orçamentária, e ao Legislativo a fiscalização.

Nesse processo orçamentário, em cujas fases se materializam as disputas pelos recursos públicos, as tensões dessa relação difícil expõem detalhes dessa guerra permanente.

A participação do Poder Legislativo na elaboração das leis orçamentárias, por meio de emendas ao projeto encaminhado pelo Poder Executivo, e a posterior execução orçamentária desses recursos contemplados nos orçamentos pelas referidas emendas, há tempos vêm sendo um problema de difícil solução.

A multiplicidade de atos que envolvem elevado grau de discricionariedade dos atores envolvidos, lacunas na legislação, somadas à ineficiência e descumprimento das normas existentes, sempre foram um campo aberto para práticas de corrupção. Desde que o assunto se tornou amplamente conhecido, no início da década de 1990, com a “CPI dos anões do orçamento”, o ordenamento jurídico vem sendo continuamente modificado. As emendas constitucionais mais recentes sobre o tema, iniciadas principalmente a partir da “emenda do orçamento impositivo” (emenda constitucional 85, de 2015), vêm tentando impor maior rigidez no processo orçamentário, mitigando a discricionariedade e tentando reduzir as possibilidades abertas para práticas corruptas, ou mesmo a utilização como instrumento de cooptação política.

Mesmo assim, “o diabo mora nos detalhes”, já diz o conhecido provérbio, e o sistema atualmente vigente, que ampliou as modalidades de emendas parlamentares, admitindo emendas individuais, coletivas (ou “de bancada”), do relator do projeto de lei, acrescidas de uma interpretação “generosa” da amplitude no uso dessas emendas, mantém ainda abertas várias portas com a fechadura destrancada para deixar o acesso facilitado a recursos públicos sem a devida transparência.

Permite ainda que o parlamentares se aproveitem dessas vulnerabilidades do sistema para operacionalizar gastos sem deixar claro quem se responsabiliza por eles e o que exatamente se faz com o recurso distribuído. As emendas do relator, tipo RP 9, se somam a práticas já antigas e disseminadas de “troca de autoria” de emendas, dentre outras, introduzindo uma indesejada opacidade ao processo orçamentário, colocando obstáculos à necessária transparência que é hoje um princípio do Direito Financeiro, fundamental para a democratização e o controle dos recursos públicos.

Os avanços obtidos nos últimos anos no combate à corrupção, na imposição de uma cultura de ética e integridade nos setores público e privado, no Brasil e no mundo, com o aperfeiçoamento constante da legislação brasileira nesse campo, não pode deixar de focar seus esforços no ainda necessário aperfeiçoamento do processo orçamentário, onde sempre esteve concentrada uma verdadeira guerra na disputa por dinheiro e poder.

O fato é que na disputa pelo dinheiro público o jogo é bruto. É muito difícil manter essa partida “dentro das quatro linhas”. Quem está no campo quer mesmo é ganhar, com ou sem a ajuda do árbitro, e obedecer às regras parece ser um detalhe não muito relevante. Nesse caso a torcida precisa ajudar, não pode ficar só assistindo. Vai ter de entrar em campo, numa luta que é permanente e não vai acabar tão cedo.
FONTE

CONGRESSO EM FOCO
https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/108134/emendas-parlamentares-entenda-os-r-50-bilhoes-nas-maos-do-congresso
PORTAL DA TRANSPARÊNCIA
https://portaldatransparencia.gov.br/
FACULDADE DE DIREITO DA USP
https://direito.usp.br/noticia/fa5e70e83422-as-emendas-parlamentares-o-orcamento-secreto-a-cooptacao-e-corrupcao-na-politica-
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terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Dívida Pública: o maior esquema de corrupção institucionalizada no Brasil * Maria Lucia Fattorell/ACD

Dívida Pública: o maior esquema de corrupção institucionalizada no Brasil

MARIA LÚCIA FATORELLI

Programa Com a Palavra 

DÍVIDA PÚBLICA: O MAIOR ESQUEMA DE CORRUPÇÃO INSTITUCIONALIZADO DO BRASIL 

Você já deve ter lido que o Brasil não investe em pastas como saúde e educação, não fomenta a pesquisa e o desenvolvimento pois não há dinheiro no orçamento. E se você soubesse que metade do orçamento do Brasil, mais de 3 trilhões de reais é usado para pagar uma dívida criada pelo governo, com juros altíssimos e nunca auditada por instituições externas desde sua criação, há mais de 25 anos mesmo sendo prevista pela constituição? Pois essa é a luta da Auditoria Cidadã da Dívida Pública, associação sem fins lucrativos e de sua coordenadora, a auditora fiscal aposentada do Ministério da Fazenda, Maria Lúcia Fattorelli, nossa entrevistada no programa.

Segundo Fattorelli, 
a dívida pública brasileira cresce não com gastos governamentais mas sim através de artifícios financeiros que visam engessar o estado a um discurso liberal e que a torna o maior esquema de corrupção institucionalizada brasileira. Com um grupo heterogêneo e qualificado de entrevistadores e mediação da jornalista Sheila Melgarejo o programa "Com a Palavra" promete aprofundar o debate. Não só sobre a questão da Dívida Pública Brasileira e dos Estados, mas também sobre as questões atuais da economia. Como o arcabouço fiscal proposto pelo governo Lula, Orçamento Brasileiro e outras problemáticas atuais macroeconômica brasileira. 


O escândalo da política econômica brasileira

Quanto mais o governo corta na carne do povo para pagar a chamada dívida pública, mais o Banco Central aumenta a Selic. Esse movimento eleva a própria dívida, drenando recursos públicos em um ciclo sem fim.

O mercado faz o que quer, chantageia o governo que, em vez de auditar a dívida pública, segue na mesma trilha de cortes sociais aberta pelos governos anteriores. O arcabouço fiscal e os novos programas de cortes são prova disso.

A cada 1% de aumento na Selic, o gasto com a dívida pública cresce R$ 55 bilhões (Fonte: Banco Central - Dezembro/2024).

O mais grave é que em sua última ata o Banco Central anunciou que pode aumentar os juros em 2 pontos percentuais em janeiro e março/2025, o que triplicaria o rombo, adicionando mais R$ 110 bilhões à dívida pública além dos R$ 55 bilhões, considerando apenas esses poucos meses de dezembro a março! Isso anula qualquer "economia" prometida com cortes sociais, como questiona Maria Lucia Fattorelli:
"O que adianta aprovar um pacote de cortes que economiza cerca R$ 30 bilhões em 2025, se a cada 1% de aumento na Selic o gasto com a dívida pública sobe R$ 55 bilhões?"

Exigimos a auditoria da dívida pública para interromper essa sangria e reverter o escândalo que penaliza a sociedade brasileira.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

QUADRILHA DO JUDICIÁRIO ASSALTOU O BRASIL *(Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT)

QUADRILHA DO JUDICIÁRIO ASSALTOU O BRASIL
COMANDADOS
E COMANDANTES

"Jornal francês mostra como os EUA usaram a Lava Jato para seus próprios fins: o maior escândalo judicial do planeta.

A "força-tarefa" da "lava jato" no Paraná: combate à corrupção ou peões dos EUA?

Compartilhamos a reportagem publicada pelo Consultor Jurídico, o ConJur, principal site especializado da área jurídica no Brasil

O que começou como a “maior operação contra a corrupção do mundo” e degenerou no “maior escândalo judicial do planeta” na verdade não passou de uma estratégia bem-sucedida dos Estados Unidos para minar a autonomia geopolítica brasileira e acabar com a ameaça representada pelo crescimento de empresas que colocariam em risco seus próprios interesses.

A história foi resgatada em uma reportagem do jornal francês Le Monde deste sábado (10/4), assinada por Nicolas Bourcier e Gaspard Estrada, diretor-executivo do Observatório Político da América Latina e do Caribe (Opalc) da universidade Sciences Po de Paris.

Tudo começou em 2007, durante o governo de George W. Bush. As autoridades norte-americanas estavam incomodadas pela falta de cooperação dos diplomatas brasileiros com seu programa de combate ao terrorismo. O Itamaraty, na época, não estava disposto a embarcar na histeria dos EUA com o assunto.

Para contornar o desinteresse oficial, a embaixada dos EUA no Brasil passou a investir na tentativa de criar um grupo de experts locais, simpáticos aos seus interesses e dispostos a aprender seus métodos, “sem parecer peões” num jogo, segundo constava em um telegrama do embaixador Clifford Sobel a que o Le Monde teve acesso.

Assim, naquele ano, Sergio Moro foi convidado a participar de um encontro, financiado pelo departamento de estado dos EUA, seu órgão de relações exteriores. O convite foi aceito. Na ocasião, fez contato com diversos representantes do FBI, do Departament of Justice (DOJ) e do próprio Departamento de Estado dos EUA (equivalente ao Itamaraty).

Para aproveitar a dianteira obtida, os EUA foram além e criaram um posto de “conselheiro jurídico” na embaixada brasileira, que ficou a cargo de Karine Moreno-Taxman, especialista em combate à lavagem de dinheiro e ao terrorismo.

Por meio do “projeto Pontes”, os EUA garantiram a disseminação de seus métodos, que consistem na criação de grupos de trabalho anticorrupção, aplicação de sua doutrina jurídica (principalmente o sistema de recompensa para as delações), e o compartilhamento “informal” de informações sobre os processos, ou seja, fora dos canais oficiais. Qualquer semelhança com a “lava jato” não é mera coincidência.

Em 2009, dois anos depois, Moreno-Taxman foi convidada a falar na conferência anual dos agentes da Polícia Federal brasileira, em Fortaleza. Diante de mais de 500 profissionais, a norte-americana ensinou os brasileiros a fazer o que os EUA queriam: “Em casos de corrupção, é preciso ir atrás do ‘rei’ de maneira sistemática e constante, para derrubá-lo.”

“Para que o Judiciário possa condenar alguém por corrupção, é preciso que o povo odeie essa pessoa”, afirmou depois, sendo mais explícita. “A sociedade deve sentir que ele realmente abusou de seu cargo e exigir sua condenação”, completou, para não deixar dúvidas.

O nome do então presidente Lula não foi citado nenhuma vez, mas, segundo os autores da reportagem, estava na cabeça de todos os presentes: na época, o escândalo do “Mensalão” ocupava os noticiários do país.

Semente plantada

O PT não viu o monstro que estava sendo criado, prosseguem os autores. As autoridades estrangeiras, com destaque para um grupo anticorrupção da OCDE, amplamente influenciado pelos EUA, começaram a pressionar o país por leis mais duras de combate à corrupção.

Nesse contexto, Moro foi nomeado, em 2012, para integrar o gabinete de Rosa Weber, recém indicada para o Supremo Tribunal Federal. Oriunda da Justiça do Trabalho, a ministra precisava de auxiliares com expertise criminal para auxiliá-la no julgamento. Moro, então, foi um dos responsáveis pelo polêmico voto defendendo “flexibilizar” a necessidade de provas em casos de corrupção.

“Nos delitos de poder, quanto maior o poder ostentado pelo criminoso, maior a facilidade de esconder o ilícito. Esquemas velados, distribuição de documentos, aliciamento de testemunhas. Disso decorre a maior elasticidade na admissão da prova de acusação”, afirmou a ministra em seu voto.

O precedente foi levado ao pé da letra pelo juiz e pelos procuradores da “lava jato” anos depois, para acusar e condenar o ex-presidente Lula no caso do tríplex.

Em 2013, a pressão internacional fez efeito, e o Congresso brasileiro começou a votar a lei anticorrupção. Para não fazer feio diante da comunidade internacional, os parlamentares acabaram incorporando mecanismos previstos no Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), uma lei que permite que os EUA investiguem e punam fatos ocorridos em outros países. Para especialistas, ela é instrumento de exercício de poder econômico e político dos norte-americanos no mundo.

Em novembro daquele mesmo ano, o procurador geral adjunto do DOJ norte-americano, James Cole, anunciou que o chefe da unidade do FCPA viria imediatamente para o Brasil, com o intuito de “instruir procuradores brasileiros” sobre as aplicações do FCPA.

A nova norma preocupou juristas já na época. O Le Monde cita uma nota de Jones Day prevendo que a lei anticorrupção traria efeitos deletérios para a Justiça brasileira. Ele destacou o caráter “imprevisível e contraditório” da lei e a ausência de procedimentos de controle. Segundo o documento, “qualquer membro do Ministério Público pode abrir uma investigação em função de suas próprias convicções, com reduzidas possibilidades de ser impedido por uma autoridade superior”.

Dilma Rousseff, já presidente à época, preferiu não dar razões para mais críticas ao seu governo, que só aumentavam, e sancionou a lei, apesar dos alertas.

Em 29 de janeiro de 2014, a lei entrou em vigor. Em 17 de março, o procurador-geral da República da época, Rodrigo Janot, chancelou a criação da “força-tarefa” da “lava jato”. Desde seu surgimento, o grupo atraiu a atenção da imprensa, narra o jornal. “A orquestração das prisões e o ritmo da atuação do Ministério Público e de Moro transformaram a operação em uma verdadeira novela político-judicial sem precedentes”, afirmam Bourcier e Estrada.

Lição aprendida

Ao mesmo momento, a administração de Barack Obama nos EUA dava mostras de seu trabalho para ampliar a aplicação do FCPA e aumentar a jurisdição dos EUA no mundo. Leslie Caldwell, procuradora-adjunta do DOJ, afirmou em uma palestra em novembro de 2014: “A luta contra a corrupção estrangeira não é um serviço que nós prestamos à comunidade internacional, mas sim uma medida de fiscalização necessária para proteger nossos próprios interesses em questões de segurança nacional e o das nossas empresas, para que sejam competitivas globalmente.”

O que mais preocupava os EUA era a autonomia da política externa brasileira e a ascensão do país como uma potência econômica e geopolítica regional na América do Sul e na África, para onde as empreiteiras brasileiras Odebrecht, Camargo Corrêa e OAS começavam a expandir seus negócios (impulsionadas pelo plano de criação dos “campeões nacionais” patrocinado pelo BNDES, banco estatal de fomento empresarial).

“Se acrescentarmos a isso as relações entre Obama e Lula, que se deterioravam, e um aparelho do PT que desconfiava do vizinho norte-americano, podemos dizer que tivemos muito trabalho para endireitar os rumos”, afirmou ao Le Monde um ex-membro do DOJ encarregado da relação com os latino-americanos.

A tarefa ficou ainda mais difícil depois que Edward Snowden mostrou que a NSA (agência de segurança dos EUA) espionava a presidente Dilma Rousseff e a Petrobras, o que esfriou ainda mais a relação entre Brasília e Washington.

Vários dispositivos de influência foram então ativados. Em 2015, os procuradores brasileiros, para dar mostras de boa vontade para com os norte-americanos, organizaram uma reunião secreta para colocá-los a par das investigações da “lava jato” no país.

Eles entregaram tudo o que os americanos precisavam para detonar os planos de autonomia geopolítica brasileiros, cobrando um preço vergonhoso: que parte do dinheiro recuperado pela aplicação do FCPA voltasse para o Brasil, especificamente para um fundo gerido pela própria “lava jato”. Os americanos, obviamente, aceitaram a proposta.

A crise perfeita

Vendo seu apoio parlamentar derreter, em 2015 Dilma decidiu chamar Lula para compor seu governo, uma manobra derradeira para tentar salvar sua coalizão de governo, conforme classificou o jornal. Foi quando o escândalo explodiu: Moro autorizou a divulgação ilegal da interceptação ilegal de um telefonema entre Lula e Dilma, informando a Globo, no que veio a cimentar o clima político para a posterior deposição da presidente em um processo de impeachment. Moro, depois, pediu escusas pela série de ilegalidades, e o caso ficou por isso mesmo.

Os EUA estavam de olho nas turbulências. Leslie Backshies, chefe da unidade internacional do FBI e encarregada, a partir de 2014, de ajudar a “lava jato” no país, afirmou que “os agentes devem estar cientes de todas as ramificações políticas potenciais desses casos, de como casos de corrupção internacional podem ter efeitos importantes e influenciar as eleições e cenário econômico”. “Além de conversas regulares de negócios, os supervisores do FBI se reúnem trimestralmente com os advogados do DoJ para revisar possíveis processos judiciais e as possíveis consequências.”

Assim, foi com conhecimento de causa que as autoridades norte-americanas celebraram acordo de “colaboração” com a Odebrecht, em 2016. O documento previa o reconhecimento de atos de corrupção não apenas no Brasil, mas em outros países nos quais a empresa tivesse negócios. Como a empreiteira relutava, os magistrados ordenaram ao Citibank, que administrava o dinheiro da empresa nos EUA, que desse um prazo de 30 dias para encerrar as contas da Odebrecht. Em caso de recusa do acordo, os valores depositados nessas contas seriam colocados em liquidação judicial, situação que excluiria o conglomerado do sistema financeiro internacional, levando, inevitavelmente, à falência. A Odebrecht aceitou a “colaboração”.

A “lava jato” estava confiante de sua vantagem, apesar de ter ascendido sem a menor consideração pelas normas do Direito. “Quando Lula foi condenado por ‘corrupção passiva e lavagem de dinheiro’, em 12 de julho de 2017, poucos relatos jornalísticos explicaram que a condenação teve base em ‘fatos indeterminados'”, destacou o jornal.

Depois de condenar Lula e tirá-lo de jogo nas eleições de 2018, Sergio Moro colheu os louros de seu trabalho ao aceitar ser ministro da Justiça do novo presidente Jair Bolsonaro. Enquanto isso, os norte-americanos puderam se gabar de pôr fim aos esquemas de corrupção da Petrobras e da Odebrecht, junto com a capacidade de influência e projeção político-econômica brasileiras na América Latina e na África. Os procuradores da “lava jato” ficaram com o prêmio de administrar parte da multa imposta pelos EUA à Petrobras e à Odebrecht, na forma de fundações de Direito privado dirigida por eles próprios em parceria com a Transparência Internacional.

Conversão lucrativa

A recompensa que Sergio Moro escolheu para si também foi o início do fim de seu processo de canonização. Depois da eleição de Bolsonaro, veio à tona o escândalo da criação do fundo da Petrobras. O ministro Alexandre de Moraes frustrou os planos dos procuradores ao determinar a dissolução do fundo e direcionar o dinheiro para outras finalidades.

Em maio de 2019, o The Intercept Brasil começou a divulgar conversas de Telegram entre procuradores e Moro, hackeadas por Walter Delgatti e apreendidas pela Polícia Federal sob o comando do próprio Moro, enquanto ministro da Justiça. Elas mostram, entre outros escândalos, como Moro orientou os procuradores, e como estes últimos informaram os EUA e a Suíça sobre as investigações e combinaram a divisão do dinheiro.

Depois de pedir demissão do Ministério, Moro seguiu o mesmo caminho lucrativo de outros ex-agentes do DOJ e passou a trabalhar para o setor privado, valendo-se de seu conhecimento privilegiado sobre o sistema judiciário brasileiro em casos célebres para emitir consultorias, um posto normalmente bastante lucrativo. A Alvarez e Marsal, que o contratou, é administradora da recuperação judicial da Odebrecht
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quarta-feira, 10 de julho de 2024

PARTICIPAÇÃO POPULAR PRA ENGANAR QUEM? * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT - RJ

PARTICIPAÇÃO POPULAR PRA ENGANAR QUEM?
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QUEM É VOCÊ, AFINAL?



Você que é pessoa vaidosa
E apegada a um cargo público de Poder,
Trabalha contra o interesse público só para não perder essa sua posição política de agora.
Não se importa de estar sendo instrumentalizada para a destruição do SUS, fazendo o trabalho sujo que a direita neoliberal sempre almejou.
Não se envergonha desse seu posicionamento conivente e covarde contra a maior conquista social do povo brasileiro na Constituição Federal de 1988.
Terceirizar a gestão pública estatal dos hospitais públicos federais do Rio de Janeiro é afirmar a sua Incompetência no cargo que ocupa, pois estar nesse cargo é para pessoas que defendem o SUS e que ponham fim a todo modelo de privatização, clássica ou não clássica, do SUS, retirando das entidades privadas do chamado terceiro setor a gestão de todas as unidades públicas de saúde, bem como liderar uma luta pela extinção da EBSERH, resgatando os nossos hospitais públicos federais universitários de volta às suas respectivas Universidades Públicas Federais, recuperando o seu perfil acadêmico e acabando com o perfil empresarial em que foram transformados.
Afinal de contas, de que lado você está?
A sua biografia está sendo manchada com a promoção dessas políticas públicas neoliberais adotadas pela sua pasta.
Os servidores públicos do Ministério dirigido por você recebem salários indignos e você nada faz para mudar isso.
Não abre concurso público e quer pôr fim ao regime jurídico único dos servidores públicos da saúde.
A sua postura é patética.
Mas um dia a sua casa cai e você ficará sem ambiente junto aos seus pares.
Mas você está cavando isso.
E quem viver verá...
*
MENTIRAS CONTRA SERVIDORES PÚBLICOS


Wladimir Tadeu Baptista Soares
Cambuci/Niterói - RJ
Nordestino
09/07/2024
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domingo, 16 de junho de 2024

FORA LIRA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT


VIDA PREGRESSA

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A perversidade tomou conta do Brasil
Rudá Ricci

Tenho a impressão de que giramos a chave no Brasil. A perversidade, revestida de fundamentalismo religioso, foi além do imaginável com a PL do Estupro. Foi como um soco no estômago de quem tem um mínimo de empatia com a vida de crianças que sofreram abusos e atrocidades.

Ao ver o rosto impassível de Arthur Lira após encaminhar nebulosamente a votação simbólica da urgência deste projeto de lei da perversidade, veio à mente uma passagem de uma minissérie sobre Marco Polo. A cena se passa na segunda temporada desta série é uma das mais angustiantes que já assisti: Kublai Khan abraça a criança Zhao Xian e o sufoca até a morte. A criança representaria uma ameaça ao avanço do poder mongol no sul da China porque fazia parte da dinastia que acabava de ser destruída.
A repulsa que a cena causa tem relação direta com a PL do Estupro. A reação das mulheres que saíram às ruas em tantas cidades brasileiras na noite de quinta-feira, dia 13, um dia após o dia que o comércio comemora as vendas do dia dos namorados foi um alento, mas não limpou o gosto amargo que permanece na boca de quem não consegue entender como a maldade avança em nosso país com tanto desembaraço.
Acredito que tudo começou com o arrombamento da “Janela de Overton” a partir de 2015. Esta janela indicaria a tolerância de uma sociedade ou comunidade a respeito de comportamentos ou ideias que passam a ser aceitáveis. Em 2015, o Brasil sofreu um ataque de escroques que articularam ofensas gratuitas no parlamento brasileiro e que se somaram aos ataques em massa desferidos nas redes sociais. A fusão das duas frentes atordoou os setores progressistas que demoraram a reagir. O ataque que alargou os batentes da Janela de Overton brasileira envolveu um enorme investimento de setores empresariais. Somente entre janeiro de 2019 e agosto de 2021, período do desmando do governo Bolsonaro, onze canais bolsonaristas no YouTube, responsáveis por propagar fake news sobre as urnas eletrônicas e defender o governo federal, lucraram mais de 10 milhões de reais, segundo o TSE.

Segundo o Intercept Brasil, o governo Bolsonaro entregou mais de R$ 11 milhões ao Google, entre maio de 2019 e julho de 2020, para que o gigante da internet distribua anúncios do governo de extrema direita pela internet. Parte considerável desse dinheiro (até 68%, segundo o próprio Google) foi parar no bolso dos editores dos sites que veiculavam fake news.

A enorme manipulação da opinião pública disseminada por 7 anos seguidos gerou um esgoto informacional que quebrou parte dos limites morais que definia a identidade pública dos brasileiros.

Tenho para mim que o impacto desta quebra de limites morais foi tão significativo que atingiu a leitura dos segmentos democráticos organizados em partidos políticos. A convicção sobre a aliança necessária para se vencer o extremismo fascista no Brasil criou uma chancela para construção de uma amálgama estranho, desequilibrado, quase amorfo.

E é este cenário que liberou as maldades na Câmara dos Deputados. Não se trata de um parlamento majoritariamente conservador. O pensamento conservador, a começar pelos princípios do seu grande formulador, Edmund Burke, nunca rompeu com princípios morais básicos, de defesa da infância, por exemplo. O que temos no parlamento brasileiro não é conservadorismo, mas escárnio. Uma ambição política tão desmedida que não teme dizer seu nome em canais de TV à cabo, declarando que vão impor o fim do aborto “custe o que custar”, incluindo o futuro de crianças abusadas, o que criará um ciclo sem fim de sofrimento e segregação social.

Não há como respirar ar puro num país que não consegue conter mais a maldade dos fundamentalistas que colocam seu poder e ideário acima da vida e da humanidade. Não há como alimentar esperança num país em que fundamentalistas zombam de quem consideram que vivem à sua mercê.

No Império Mongol não havia o conceito de sociedade civil. Os mongóis eram caçadores e exploravam rebanhos, passando a maior parte da sua vida na sela de seus pôneis das estepes. Aprendiam a cavalgar e usar armas ainda com pouca idade. Autores, como o consagrado Reinhard Bendix, sugerem que as sociedades que foram dominadas pelo Império Mongol não conseguem, ainda hoje, consolidar uma democracia porque vivem sob o manto da violência e imposição das elites nacionais.
Não temos na nossa história qualquer vínculo com o Império Mongol. Porém, o fundamentalismo desumano que toma conta da Câmara dos Deputados procura, de todas as formas, negar os princípios da sociedade civil e sufoca o futuro de muitas crianças brasileiras. Um basta seria pouco para este tipo de ataque à democracia e humanidade em nosso país. É preciso algo grandioso para restabelecermos as bases da nossa Janela de Overton.
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terça-feira, 28 de maio de 2024

EXTREMA DIREITA E NEOLIBERALISMO MATAM E AMPLIAM DESTRUIÇÃO NO RS * ELEONORA DE LUCENA/FSP

EXTREMA DIREITA E NEOLIBERALISMO MATAM E AMPLIAM DESTRUIÇÃO NO RS
ELEONORA DE LUCENA
Jornalista e Editora do TUTAMÉIA, ex-Editora-Executiva da Folha SP (2000/2010) - 26.05.24 - FSP


Governador e prefeito devastaram proteção ambiental e instituições públicas
Meus irmãos ainda recolhem o entulho do que sobrou da casa em que vivi na infância e adolescência no Menino Deus, em Porto Alegre.
Submersos havia dez dias, móveis, roupas, papéis, livros, quadros, eletrodomésticos formam agora uma montanha de rejeitos na calçada.
Em frangalhos e com o fedor de podridão, a história dali vai junto com os destroços reunidos pelos vizinhos, muitos deles moradores do lugar desde os anos 1960, quando o bairro começou a tomar forma, com calçadas largas, plátanos, cinamomos, escolas.
Familiares e amigos ainda não sabem o que restou de suas casas.
Nos históricos assentamentos do MST, pioneiros na produção orgânica na região metropolitana, as perdas de uma construção de 30 anos foram imensas: produção, animais, estoque, maquinário.
Pequenos agricultores viram a enxurrada levar seus projetos, suas perspectivas de futuro. Nos abrigos, dezenas de milhares choram.
Como é praxe no Brasil, são os mais pobres, os negros que mais sofrem com a lama, o frio, a perda, a desesperança. Mais de 160 pessoas morreram; dezenas ainda estão desaparecidas.
Não precisava ter sido assim.
As políticas neoliberais do governador Eduardo Leite (PSDB) e a voraz destruição realizada pelo prefeito bolsonarista Sebastião Melo (MDB) amplificaram em muito as consequências das chuvas.
Submetidos aos interesses dos plantadores de soja, das construtoras e dos capitalistas que querem sugar tudo o mais rapidamente possível, o governador que posa de modernoso e o prefeito da extrema direita cumpriram um roteiro já bem conhecido: devastaram as leis de proteção ambiental, demoliram instituições públicas com privatizações, desmantelaram órgãos de planejamento e sucatearam criminosamente sistemas que defendiam a capital gaúcha de inundações.
Pior. Seguem com sua sanha predatória no meio da catástrofe. Têm pressa em entregar nacos do poder público a interesses privados, mirando negócios mirabolantes no processo de reconstrução.
Rapidamente, fecham acertos com consultorias que integram o esquema da extrema direita mundial, cujo histórico é de jogadas que beneficiam os mais ricos e descartam os mais pobres, jogando-os para longe dos espaços gourmetizados, colonizados e deslumbrados.
Ignoram o conhecimento acumulado de cientistas, engenheiros, urbanistas que, principalmente nas universidades, estudam essas questões há décadas.
Não será surpresa se empresas estadunidenses ou suas aliadas aparecerem para pegar os contratos de construção.
Como se sabe, as firmas nacionais do setor foram dizimadas pela Lava Jato, com assessoria do Estado norte-americano, no processo do golpe de 2016 que culminou com a chegada de Jair Bolsonaro ao Planalto, a perda de soberania, a passagem da boiada e a mortandade promovida na pandemia.
A extrema direita, como já ficou provado também no Brasil, faz o governo dos ricos, do salve-se quem puder, do entreguismo, da violência, da morte.
Não é outro o desenho das alardeadas "cidades provisórias". Elas desprezam as necessidades dos que não têm onde morar agora, transferindo-os para locais distantes, sem infraestrutura mínima, tirando-os da paisagem para, quem sabe, tentar incentivar o turismo em Gramado!
É sabido que boa parte da elite econômica do Rio Grande do Sul é de direita e flerta com o fascismo.
O avanço da monocultura da soja reforçou o domínio dessa ideologia, que foi base da ditadura militar e do governo Bolsonaro.
Seu rastro autoritário e reacionário acompanhou a expansão da fronteira agrícola para o Centro-Oeste e o Norte do país.
Agora, os mesmos que propagandeavam as maravilhas do livre mercado olham para suas perdas e correm para pedir socorro ao Estado, aquele espezinhado até anteontem e que trataram de esmigalhar para lucrar.
Está cristalino que, sem a ação do Estado, resta o caos — o alvo maior da extrema direita.
Mas a população do Rio Grande do Sul e de Porto Alegre já demonstraram que podem mudar. Lideraram transformações sociais e protagonizaram avanços. É possível começar a descartar o entulho da obscuridade que encharca com podridão as ruas da metrópole.

FONTE

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quinta-feira, 21 de março de 2024

Exército é o principal cliente da empresa israelense de espionagem política * JEFERSON MIOLA

Exército é o principal cliente da empresa israelense de espionagem política
JEFERSON MIOLA

Enquanto a mídia foca no esquema criminoso de arapongagem montado no governo bolsonaro dentro da disputa entre servidores da ABIN e PF, o Exército, ator central no esquema ilegal e principal contratante do software espião, passa incólume. Além de pagamentos milionários fora do país, filho do general Santos Cruz foi, até ano passado, representante da empresa israelense no Brasil.


PARTE III (Final)  Parágrafos selecionados e resumidos do documento "Relações militares do Brasil com Israel", dos movimentos Stop the Wall/BDS*

*A indústria militar israelense recebeu bilhões de dólares em contratos na preparação dos Jogos da Copa Do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016 no Brasil: Seis das sete empresas que disputaram contratos têm ligações comprovadas com crimes de guerra israelenses e/ou estiveram envolvidas em suspeitas de atividades de espionagem. ( _"É inaceitável que o Brasil entregue o dinheiro de seus contribuintes a essas empresas e, no final, é preciso tomar uma decisão entre lidar com Israel ou se posicionar com o povo palestino."_ [Pg. 31] )*– A Elbit foi uma das primeiras companhias israelenses a entrar no mercado brasileiro de vigilância e de espionagem ( https://jacobin.com.br/2024/01/exercito-e-o-principal-cliente-da-empresa-israelense-de-espionagem-politica/ ) também outras empresas que operam no Brasil, como a *Afcon Holdings*, que desenvolve sistemas de controle presentes nos checkpoints da Cisjordânia; a *Carmor*, especializada em veículos militares; e a *Contact International*, também produtora de equipamentos militares (*em 2017, o Exército Brasileiro fechou acordo de R$ 6,3 bilhões com empresas israelenses para compra de blindados, acordo este, que pode se estender por vários anos se não houver a sua revisão/revogação, em vista dos eventos atuais*).

*Genocídio da população palestina é "laboratório" da exportação militar de Israel*– _"Em um país como o Brasil, com todas as desigualdades, Israel vai dar todo o sistema de segurança e vigilância para controlar a população. Esse controle populacional é o que fazemos há 70 anos. Somos um laboratório, controlamos palestinos e isso é o que nos diferencia no mercado: milhões de palestinos indo para os 'checkpoints' diariamente."_ [Jeff Halper, antropólogo e escritor israelense].

De acordo com informações da ONG 'Who Profits', um centro de pesquisa dedicado à monitoração das relações comerciais envolvendo multinacionais israelenses, a importância que o Estado de Israel assumiu no contexto internacional está relacionada justamente à exportação de inteligência militar. _"Israel está em todos os países, não apenas diretamente no sentido militar, mas em termos de treinamento, exportação de armas, unidades de operação especial, segurança presidencial. Está mais dentro das sociedades do que os Estados Unidos, exatamente porque eles ficam nos termos militares e nós vamos para a segurança, a polícia, as prisões. *é exatamente esse papel internacional que livra o país de condenações na Justiça. Dessa forma, Israel escapa do fato de fazer uma ocupação há 50 anos, de estar realizando crimes de guerras, dezenas de violações da lei internacional da ONU,"*_ explica a ONG 'Who Profits'.

*O documentário "The Lab", do diretor israelense Yotam Feldman explora essa relação e importância para a legitimidade da indústria bélica israelense*– No filme, o Brasil é novamente citado como um grande parceiro comercial de Israel. (Artigo sobre o documentário "The Lab": https://operamundi.uol.com.br/permalink/29695 ) .
Documento "Relações militares do Brasil com Israel":

 *A•T•U•A•L•I•D•A•D•E•S*

Em Feveireiro, 2024, um e-mail enviado à Palestine Action, a gigante dos transportes Kuehne+Nagel declarou que cortou relações com a maior empresa de armas de Israel, Elbit Systems, e que não voltará a trabalhar com ela no futuro. Essa vitória ocorre após uma extensa campanha de ação direta, que envolveu primeiramente ativistas da Palestine Action.

O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) aponta Israel entre os 15 primeiros países que mais contribuem para os gastos militares desde que começou a Guerra em Gaza, investindo ao todo US$ 23,4 bilhões em seu aparato militar, um valor correspondente a 4,5% do PIB do país no ano de 2022, por exemplo. O estudo do IISS ainda aponta as ajudas bilionárias dos EUA ao Estado judeu, atingindo um valor absurdo de US$ *905,5 bilhões.*

A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Melanie Joly, informou ao jornal Toronto Star que o país não envia armas letais a Israel desde outubro de 2023, quando começou o ataque contra os palestinos na Faixa de Gaza, e que suspenderá futuras exportações de armas a Israel. Em março, 2024, um grupo de advogados e canadenses de origem palestina entrou com uma ação judicial para suspender as exportações de armas para Israel.
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sábado, 2 de março de 2024

IGREJA DE POLÍTICO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

IGREJA DE POLÍTICO
"OS BOLSONARISTAS NA PAULISTA E O POVO BRASILEIRO"
PLR AMÉRICA LATINA

No domingo 25 de fevereiro de 2024, um grande número de bolsonaristas foram à Avenida Paulista a manifestar-se em apoio às lideranças bolsonaristas, contra os ataques promovidos pelo STF [Supremo Tribunal Federal e a imprensa golpista.

Imediatamente algumas questões chamam a atenção:

1. Qual é o impacto da demonstração de força dos bolsonaristas?

2. Como chegamos a esse ponto?

3. Qual é o papel das organizações dos trabalhadores e das massas?

Vamos responder a cada uma dessas questões:
Qual é o impacto da demonstração de força dos bolsonaristas?

O impacto sobre a sociedade é grande porque mostra que o fascismo nas ruas continua ativo e com capacidade de mobilização.

O bolsonarismo tem sido atacado a partir das instituições do estado com o objetivo de manter a governabilidade da “frente ampla” de Lula-Alckmin, mas isso não implica que tenha desaparecido.

Na frente ampla estão todos os inimigos dos trabalhadores e do povo brasileiro, menos aqueles políticos mais identificados com o bolsonarismo.

Essa manifestação nos lembra que o bolsonarismo continua latente e que poderá voltar à ação contra o movimento de massas assim que for acionado novamente, o que provavelmente acontecerá assim que o governo Lula-Alckmin perder o controle social.

Como chegamos a esse ponto?

O fascismo nas ruas só cresce quando as classes dominantes enxergam a necessidade de enfrentar os trabalhadores e o povo mobilizados, mas não confiam nas forças repressivas.

O fascismo nas ruas foi colocado em ação em 21 de julho de 2013 para enfrentar o movimento estudantil nas ruas, que já estava estendendo-se ao movimento popular e que não conseguia ser controlado por meio da repressão brutal.

As organizações do movimento de trabalhadores e do movimento de massas foram apodrecidas principalmente nos governos do PT, por meio de vários mecanismos de corrupção das lideranças, num processo que já tinha sido muito acelerado nos governos de FHC.

As centrais sindicais, os sindicatos e os movimentos sociais foram tão corrompidos que quase não enfrentaram o fascismo nas ruas até 2016, e capitularam miseravelmente com Temer, quando não enfrentaram em qualquer medida as “reformas“ trabalhista e da Previdência.

A vitória do bolsonarismo em 2018 foi a maior fraude eleitoral em 100 anos da qual participaram as direções corrompidas do movimento de massas.
Qual é o papel das organizações dos trabalhadores e das massas?

A única força social capaz de enfrentar o fascismo nas ruas são os trabalhadores e os setores oprimidos da população organizados, nas ruas e em luta.

Como as organizações formada ao calor da luta em contra da Ditadura foram cooptadas pela pequeno-burguesia arrivista e corrupta, a saída para a grave situação só pode ser a mesma que foi na luta contra a Ditadura: o surgimento de organizações classista, de luta e revolucionárias.

Por exemplo, a CUT, a Central Única dos Trabalhadores, foi fundada em 1983 a partir da retomada de mais de 1500 sindicatos pelegos vinculados à Ditadura, por oposições classistas e revolucionárias.

A fundação do MST, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, foi fundado a partir do ascenso das lutas no campo.

O movimento estudantil foi refundado a partir do ascenso que se abriu em 1977.

Somente com novas organizações que sirvam como instrumento de luta e não da corrupção de um punhado de pequeno-burgueses corruptos é que o fascismo poderá ser enfrentado e derrotado nas ruas.
Como organizar os trabalhadores e o povo se estão paralisados?

Para analisar o desenvolvimento da luta de classes é preciso analisar a situação política atual em perspectivas, desde de onde vem na direção futura.

O aperto dos Estados Unidos sobre a América Latina é brutal e crescente, o que é imposto por sua maior crise histórica.

É esse aperto o que está fazendo implodir a Argentina e que marca o rumo à implosão de toda a região e até do mundo capitalista.

A política do imperialismo norte-americano é nos levar a uma guerra mundial, que só pode ser nuclear, para manter a economia funcionando a partir do complexo militar industrial, e para evitar a explosão da especulação financeira, da qual dependem os lucros de todas as grandes empresas. O papel que atribuiu à América Latina é mantê-la muito apertada como o seu quintal traseiro.

Uma nova explosão capitalista só pode ser muito pior do que foi a crise de 2008, com consequências sociais e políticas que podem levar a uma situação revolucionária.

A tarefa mais importante dos trabalhadores de luta e dos revolucionários hoje deve estar focada em organizar a luta dos trabalhadores e das massas que tende a tornar-se cada vez mais explosiva, conforme as condições de vida vão se tornando insuportáveis."

BOZOTERRORISMO
MORO E CIA
BOZOTERRORISTAS NA CADEIA
IGREJA DE POLÍTICO
IGREJA DE POLÍTICO
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TERRORISTAS REUNIDOS
PARTIDO DE TERRORISTAS
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