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sábado, 18 de julho de 2026

A DIREITA NÃO QUER QUE AS MULHERES VOTEM * Maria Teresa Cruz+Raquel Setz/Brasil de Fato

A DIREITA NÃO QUER QUE AS MULHERES VOTEM
Por que o voto feminino voltou a ser questionado pela extrema direita.

Em pleno 2026, um debate que parecia superado há quase um século retorna ao cenário político: a legitimidade do voto feminino. O que começou como um movimento em nichos da extrema direita nos Estados Unidos chegou no Brasil, impulsionado por influenciadores e figuras políticas conservadoras que questionam se as mulheres deveriam, de fato, participar das decisões democráticas.

Para a historiadora Joana Maria Pedro, professora emérita da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), esse fenômeno não é um caso isolado, mas uma estratégia recorrente em períodos de crise e autoritarismo.

“Não é a primeira vez que esse tipo de coisa acontece. Nos anos 1930, quando veio a crise da bolsa de valores, os empregos desapareceram, as fábricas quebraram, a economia quebrou, vários países cogitaram retirar direitos conquistados pelas mulheres”, alerta a pesquisadora. “O máximo que conseguiram foi parar os avanços”, completa, citando exemplos de Portugal, onde efetivamente o direito amplo ao voto feminino data de 1975, e da Alemanha nazista, quando mulheres perderam o direito de serem juízas ou ocuparem cargos em universidades, e a possibilidade de serem eleitas foi reduzida a zero.

No Brasil, o voto conquistado em 1932 era inicialmente restrito a mulheres viúvas ou solteiras com profissão, só se tornando plenamente obrigatório e equivalente ao dos homens em 1946. “Em todo esse período, havia o nazismo, os fascismos, salazarismo. No Brasil, nós tínhamos Getúlio Vargas, que também estancou as possibilidades de avanço, mas a gente não chegou a perder”, detalha. “A gente vai conseguir mesmo [ampliar o direito ao voto] em 1988, quando até votos de analfabetos serão conseguidos.”

Segundo Joana Maria Pedro, a fragilidade desses direitos reside na própria estrutura da sociedade ocidental. “Nós temos na nossa cultura ocidental a ideia de que o próprio direito individual vem com a sociedade burguesa. Se você olhar as narrativas gregas, que a burguesia do século 18 se utilizou, as mulheres não tinham direito algum a qualquer participação política. Aliás, nem eram todos os homens: somente homens com propriedades que poderiam participar das discussões políticas”, explica a historiadora, ressaltando que o modelo de “família ideal”, com a figura do homem provedor e a mulher dedicada ao lar, é uma invenção política para controlar o mercado de trabalho e a moralidade social.

Os argumentos atuais da extrema direita bolsonarista frequentemente classificam as mulheres como “más eleitoras” por suas inclinações políticas e pelo machismo sobre o qual se estrutura nossa sociedade. “O principal argumento é que haveria destruição da família, porque as mulheres que tinham uma constituição tão frágil, tão emocional, não saberiam votar, porque isso exige um raciocínio lógico do qual as mulheres tinham deficiência. Elas eram mais emoção do que razão”, explica.

Contudo, por trás dessa retórica, esconde-se um projeto econômico e social. Ao defender que o voto seja “por família” e, portanto, representado pelo homem, esses grupos buscam restaurar uma hierarquia que retira as mulheres da concorrência no mercado de trabalho em tempos de desemprego.

“Os colonizadores conquistaram os homens prometendo que eram eles que iam mandar. Nas famílias, era a voz deles que iria prevalecer, o mando deles que iria prevalecer. Então, quando eu vejo um pastor dizendo isso, eu entendo que ele está usando os livros religiosos, as questões religiosas, para ter de volta a tal família. Mas por que essa tal família é tão importante? Porque tira da concorrência de trabalho um contingente significativo de pessoas”, revela.

A pesquisadora aponta uma convergência com o pensamento neoliberal. “Esse discurso ajuda muito os empresários, porque, se o Estado não precisar de dinheiro para oferecer equipamentos para as famílias [como creches e saúde], não vai precisar de tantos impostos”, afirma Joana Maria Pedro.

A historiadora adverte que a maior ameaça ao voto feminino hoje não viria de uma canetada autoritária imediata, mas de um processo de convencimento moral por meio de doutrinas religiosas fundamentalistas. “O risco seria através da religião. Eu acho que é a coisa mais eficiente que existe. Se eles conseguirem, de fato, convencer a maioria das pessoas de que o voto das mulheres é uma coisa imoral perante Deus, que isso destrói a família sagrada, a gente perde o direito ao voto, assim como perde outros direitos”, pontua a professora.
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

O FUTURO JÁ CHEGOU * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

O FUTURO JÁ CHEGOU
OU A GENTE SE UNE OU A GENTE SE ESTINGUE
OU TU CORRE OU O TREM TE PEGA
OU VAI OU RACHA
CHEGOU A HORA DA ONÇA BEBER ÁGUA
OU VAI DAR UMA DE "TÕ-NEM-AÍ?
SE CORRER, O BICHO PEGA
MAS SE SI UNIR O BICHO FOGE...

sábado, 19 de julho de 2025

URUBUS DAS EMENDAS PARLAMENTARES * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

URUBUS DAS EMENDAS PARLAMENTARES
FRENTE REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES/FRT

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Emendas parlamentares: entenda os R$ 50 bilhões nas mãos do Congresso

A cada novo governo, as emendas parlamentares ganham nova importância como instrumento de negociação com o Legislativo.

As emendas parlamentares são hoje um dos principais instrumentos de articulação entre o Governo Federal e o Congresso Nacional. Ocupando espaços cada vez maiores no orçamento, elas configuram a principal moeda de troca entre o Poder Executivo e os diversos partidos da Câmara e Senado para aprovar projetos de lei de seu interesse. Não por acaso, são motivo recorrente de polêmicas e disputas judiciais.

Elas operam como uma espécie de cheque reservado pelo governo para que o parlamentar decida como será usado. Um deputado que adota a defesa da educação como principal bandeira, por exemplo, pode destinar seu "cheque", oficialmente chamado de empenho, na construção de uma escola em seu estado de origem. Outro, que tenha como plataforma a defesa do desenvolvimento de determinada região, consegue utilizar seus empenhos na construção de portos e ferrovias naquele local.

Para seus entusiastas, as emendas são uma forma de distribuir poder, evitando o monopólio do Executivo sobre os recursos públicos. São também um instrumento para amparar projetos locais e prefeituras que necessitam de recursos com urgência. Para os críticos, elas são uma usurpação do Orçamento Federal para atender a interesses políticos particulares.

O funcionamento das emendas varia de ano em ano: elas são um instrumento orçamentário em constante evolução, frequentemente submetidas a novas decisões judiciais, resoluções e portarias modificando seus termos.

Essa reserva cresce a cada governo desde 2015, quando surgiu a primeira modalidade de emendas de execução (pagamento) obrigatória. De um lado, a cada legislatura, os parlamentares precisam mais das emendas para se reeleger. Do outro, cada presidente depende mais da sua distribuição para construir uma base de apoio no Congresso. Confira a evolução:

A destinação de emendas cresceu a cada novo governo desde 2015.Arte Congresso em Foco

O que são as emendas parlamentares?

As emendas parlamentares são uma parcela fixada do orçamento anual da União na qual a destinação é expressamente definida pelos deputados e senadores, operando como uma reserva de dinheiro à disposição do Congresso.

Essa reserva pode ser adotada em obras de órgãos públicos, como hospitais e estradas; em políticas públicas como programas de combate a incêndios florestais; ou mesmo para patrocinar iniciativas privadas sem fins lucrativos, como com a compra de equipamentos para hospitais filantrópicos.

Elas existem com o objetivo de descentralizar parte do orçamento, cobrindo eventuais iniciativas que não são prioritárias para o Executivo e alcançando regiões que muitas vezes não são vistas pela União. Esses repasses são muito benéficos aos parlamentares, que conseguem impulsionar políticas públicas voltadas às suas bandeiras ou mesmo fortalecer aliados em suas bases eleitorais, patrocinando projetos de interesses de prefeitos ou de instituições sociais com quem possuem proximidade.

Para o ano de 2025, a parcela separada para as emendas parlamentares é de R$ 50,4 bilhões. Paralelamente, o Governo Federal tem R$ 170,7 bilhões para suas próprias iniciativas. Veja a comparação:

Emendas em 2025 equivalem a quase 30% do orçamento discricionário do governo.Arte Congresso em Foco

Tipos de emendas

Existem quatro tipos de emendas parlamentares, definidos conforme a sua forma de distribuição. Cada categoria tem um teto predeterminado no Orçamento. Algumas são impositivas, ou seja: o governo é obrigado a aplicar o recurso solicitado. Outras são discricionárias, modalidade na qual a solicitação é feita ao Executivo e este decide se vai ou não enviar o valor.

São elas:

-Emendas individuais: são distribuídas diretamente pelos parlamentares conforme seus próprios critérios, igualmente distribuídas para cada deputado ou senador. Para o ano de 2025, cada deputado tem direito a pouco mais de R$ 37 milhões, e cada senador R$ 68,3 milhões, totalizando R$ 24,6 bilhões para as duas Casas. Elas são de natureza impositiva, e cada deputado é obrigado a aplicar metade da sua parcela em iniciativas voltadas à saúde. Elas podem ser identificadas no orçamento pela rubrica RP 6.

-Emendas de bancada: são distribuídas igualmente entre os estados, cabendo a cada bancada deliberar em conjunto sobre sua aplicação. Elas passam por análise bicameral, devendo haver voto favorável de três quintos dos deputados daquele estado e dois terços de seus senadores para que sejam aprovadas. Para 2025, o Congresso tem direito a R$ 14,3 bilhões desse tipo, ou pouco mais de R$ 529 milhões por estado. Elas são de natureza impositiva. Elas podem ser identificadas no orçamento pela rubrica RP 7.

-Emendas de comissão: são distribuídas pelas comissões temáticas permanentes da Câmara dos Deputados e do Senado, que deliberam em conjunto sobre sua aplicação. Ao contrário das demais, elas são de natureza discricionária: as propostas aprovadas são enviadas ao governo, que decide quais serão ou não acatadas. Em 2025, elas poderão chegar a R$ 11,5 bilhões. Elas são motivo de disputa judicial diante da falta de critérios bem definidos sobre como deve ser feita a indicação. Na última sexta (25), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu ao Congresso o prazo de 10 dias para que deem uma explicação precisa sobre suas indicações. Elas podem ser identificadas no orçamento pela rubrica RP 8.

-Emendas de relator: são destinadas pelo relator do orçamento do respectivo ano, servindo para fazer ajustes ao longo da tramitação da peça orçamentária. Elas estão bloqueadas por sentença do STF desde 2022, no que ficou conhecido como esquema do Orçamento Secreto: deputados recorriam aos relatores para fazer indicações às suas bases eleitorais sem que elas ficassem vinculadas aos seus nomes, abrindo margem para repasses obscuros. Elas eram identificadas no orçamento pela rubrica RP 9.

Emendas individuais configuram a maior parte das destinações de 2025.Arte Congresso em Foco

Polêmica

O funcionamento das emendas parlamentares constantemente ocupa os noticiários e as decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) diante da falta de regramentos bem definidos, bem como a dificuldade para assegurar sua transparência. A principal crise se deu a partir de 2020, com a criação do Orçamento Secreto, quando as emendas de relator passaram a ocupar espaços cada vez maiores nas contas públicas, com sinais de uso como moeda de troca obscura pelo governo do então presidente Jair Bolsonaro. Em 2022, foram declaradas inconstitucionais.

Em 2024, a polêmica retornou: com o fim das emendas de relator houve um aumento na utilização das emendas individuais e de comissão para manter o controle sobre o orçamento público, levantando novas preocupações sobre a falta de transparência. Em agosto de 2024, o ministro do STF Flávio Dino suspendeu as chamadas "emendas Pix", modalidade de emenda individual que permitia transferências diretas para estados e municípios sem a vinculação a projetos específicos.

As emendas de comissão também foram submetidas a bloqueios graças a falta de parâmetros claros sobre como devem ser definidas e indicadas, bem como seus sistemas de fiscalização. Desde então, os dois poderes estão em constante queda de braço: o Judiciário apontando as falhas no modelo vigente, e o Congresso aprovando novas resoluções e regulamentações para regrar o tema.

As polêmicas em torno das emendas parlamentares não se restringem ao seu funcionamento. Na atual legislatura, dois deputados: Pastor Gil (PL-MA) e Josimar Maranhãozinho (PL-MA), respondem ao STF por cobrança de propina em troca de destinação de emendas a prefeitos. No governo, as emendas já foram motivo da queda de um ministro: Juscelino Filho (União-MA) responde na Justiça sob acusação de utilização de emendas para o benefício de familiares. A polêmica resultou no seu pedido de exoneração.

O fato é que as emendas são parte do jogo democrático - não apenas no Brasil, como no mundo. Cabe à sociedade acompanhar como os parlamentares usam esse instrumento, e cabe às instituições públicas responsabilizar aqueles que abusam de seu uso. Afinal, é dinheiro público em jogo.
AS EMENFAS PARLAMENTARES
José Mauricio Conti, Professor Associado de Direito Financeiro da FDUSP


A disputa por recursos públicos sempre ocupou o núcleo da guerra política. Não é novidade que o dinheiro instrumentaliza a disputa pelo poder. Ou vice-versa. Dinheiro e poder sempre estabeleceram uma relação simbiótica e indissociável. No mais das vezes, pouco ou nada republicana.

No âmbito das finanças públicas essa relação fica ainda mais visível, e podemos ver expostas boa parte das entranhas que se tenta esconder.

Já há alguns meses a polêmica envolvendo o “orçamento secreto” e, mais recentemente, os repasses de verbas públicas, têm ocupado as atenções da mídia, e vê-se estarmos diante do retorno à superfície de um antigo problema que nunca deixou de existir, justamente por estar no âmago dessa instrumentalização da disputa pelos recursos públicos. Um problema tão antigo quanto o orçamento, e não tenham dúvidas de que surgiram simultaneamente. E o mais amplo possível no espectro político, não deixando inocentes em nenhuma vertente ideológica.

A relevância da disputa pelo poder no âmbito das finanças públicas é tão significativa que a organização do Estado brasileiro, no que não difere dos demais, prevê uma cuidadosa, ainda que imperfeita, partilha de atribuições em matéria orçamentária, em uma clara aplicação do sistema de “freios e contrapesos” que caracteriza os Estados Democráticos de Direito.

O Poder Executivo elabora as leis orçamentárias, que são submetidas ao Poder Legislativo para apreciação, deliberação e aprovação. Cabe ao Poder Executivo o papel de principal condutor da execução orçamentária, e ao Legislativo a fiscalização.

Nesse processo orçamentário, em cujas fases se materializam as disputas pelos recursos públicos, as tensões dessa relação difícil expõem detalhes dessa guerra permanente.

A participação do Poder Legislativo na elaboração das leis orçamentárias, por meio de emendas ao projeto encaminhado pelo Poder Executivo, e a posterior execução orçamentária desses recursos contemplados nos orçamentos pelas referidas emendas, há tempos vêm sendo um problema de difícil solução.

A multiplicidade de atos que envolvem elevado grau de discricionariedade dos atores envolvidos, lacunas na legislação, somadas à ineficiência e descumprimento das normas existentes, sempre foram um campo aberto para práticas de corrupção. Desde que o assunto se tornou amplamente conhecido, no início da década de 1990, com a “CPI dos anões do orçamento”, o ordenamento jurídico vem sendo continuamente modificado. As emendas constitucionais mais recentes sobre o tema, iniciadas principalmente a partir da “emenda do orçamento impositivo” (emenda constitucional 85, de 2015), vêm tentando impor maior rigidez no processo orçamentário, mitigando a discricionariedade e tentando reduzir as possibilidades abertas para práticas corruptas, ou mesmo a utilização como instrumento de cooptação política.

Mesmo assim, “o diabo mora nos detalhes”, já diz o conhecido provérbio, e o sistema atualmente vigente, que ampliou as modalidades de emendas parlamentares, admitindo emendas individuais, coletivas (ou “de bancada”), do relator do projeto de lei, acrescidas de uma interpretação “generosa” da amplitude no uso dessas emendas, mantém ainda abertas várias portas com a fechadura destrancada para deixar o acesso facilitado a recursos públicos sem a devida transparência.

Permite ainda que o parlamentares se aproveitem dessas vulnerabilidades do sistema para operacionalizar gastos sem deixar claro quem se responsabiliza por eles e o que exatamente se faz com o recurso distribuído. As emendas do relator, tipo RP 9, se somam a práticas já antigas e disseminadas de “troca de autoria” de emendas, dentre outras, introduzindo uma indesejada opacidade ao processo orçamentário, colocando obstáculos à necessária transparência que é hoje um princípio do Direito Financeiro, fundamental para a democratização e o controle dos recursos públicos.

Os avanços obtidos nos últimos anos no combate à corrupção, na imposição de uma cultura de ética e integridade nos setores público e privado, no Brasil e no mundo, com o aperfeiçoamento constante da legislação brasileira nesse campo, não pode deixar de focar seus esforços no ainda necessário aperfeiçoamento do processo orçamentário, onde sempre esteve concentrada uma verdadeira guerra na disputa por dinheiro e poder.

O fato é que na disputa pelo dinheiro público o jogo é bruto. É muito difícil manter essa partida “dentro das quatro linhas”. Quem está no campo quer mesmo é ganhar, com ou sem a ajuda do árbitro, e obedecer às regras parece ser um detalhe não muito relevante. Nesse caso a torcida precisa ajudar, não pode ficar só assistindo. Vai ter de entrar em campo, numa luta que é permanente e não vai acabar tão cedo.
FONTE

CONGRESSO EM FOCO
https://www.congressoemfoco.com.br/noticia/108134/emendas-parlamentares-entenda-os-r-50-bilhoes-nas-maos-do-congresso
PORTAL DA TRANSPARÊNCIA
https://portaldatransparencia.gov.br/
FACULDADE DE DIREITO DA USP
https://direito.usp.br/noticia/fa5e70e83422-as-emendas-parlamentares-o-orcamento-secreto-a-cooptacao-e-corrupcao-na-politica-
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sexta-feira, 4 de julho de 2025

O SEQUESTRO DO BRASIL* Roberto Amaral/SP

O SEQUESTRO DO BRASIL
Roberto Amaral/SP
A EXTREMA DIREITA CERCOU LULA
"Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo.”
Darcy Ribeiro, O povo brasileiro.
GOLPISMO DOMINA O CONGRESSO
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A ordem político-institucional herdada da re-constitucionalização de 1988 foi posta em recesso com o impeachment de Dilma Rousseff. Morria ali a Nova República anunciada por Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. O golpe de Estado de 2016 se consolidou com o regime-tampão do vice perjuro, ponte para a ascensão do neofascismo, pela vez primeira no Brasil a escalar o poder pela via eleitoral.

O presidencialismo espatifa-se como bola de cristal caída ao chão e, com seus estilhaços, a direita concerta o quebra-cabeça como novo Leviatã: poderoso mostrengo que devora as instituições republicanas e impõe a ingovernabilidade como estágio preparatório do caos, indispensável para a revogação do que ainda podemos chamar de “ordem democrática” – frágil, nada obstante sua permanente conciliação com o grande capital, no que se esmera o atual Congresso, implacável no desmonte do que quer que seja que possa sugerir um Estado de bem-estar social.

Esta é a circunstância que nos domina: um Poder Executivo acuado, impedido de exercer o dever da governança; um Legislativo que não arrecada, mas é senhor dos gastos; uma democracia representativa que prescinde da soberania popular. Um Executivo se esvaindo numa sangria de poder que parece não ter fim, prisioneiro de um Congresso abusivamente reacionário, na tocaia contra qualquer sinal de avanço civilizatório. Em seu nome fala e age sua escória, chorume poderosíssimo que não cessa de crescer em número de militantes, em ousadia e em chantagens contra o governo. O quadro funesto se completa com uma Faria Lima descolada do país e de seu povo: seus interesses deitam raízes em Wall Street.

Lição dos dias que demoram a passar: no Brasil de hoje, em cenário no qual o centro e a social-democracia (depois da falência dos liberais) aderiram ao conservadorismo larvar, a direita e a extrema-direita governam independentemente do resultado das eleições que ainda se realizam – as quais, assim, deixam de ser decisivas, e sobretudo deixam de ser instrumento de mudança, pois qualquer mudança que não aprofunde a exploração de classe será vista como subversiva da ordem na qual a classe dominante (que também atende pela alcunha de “mercado”) se alimenta.
O processo eleitoral é mantido e, por seu intermédio, a soberania popular conserva seu direito de fala. Mas a única voz realmente ouvida é a do sistema. E assim ele é mantido porque somente são permitidas as mudanças que asseguram que nada mude. A ordem se sobrepõe ao movimento, e a promessa de futuro é a regressão.

Por fim, somos um país impedido de ser. Esta é a contradição fundamental entre a necessidade de um projeto de país – de que carecemos desde a raiz colonial – e os interesses da classe dominante, governante desde sempre. Nosso mal de origem.

O variegado campo da esquerda em crise, governante ou não, enfrenta o rescaldo de nossos erros: os muitos erros táticos e os graves erros estratégicos, como o de não havermos compreendido o processo histórico e, assim, havermos fracassado como instrumento de mudança. Nem revolução, nem reforma. Somam-se quase quatro mandatos de quadros da centro-esquerda controlando a Presidência da República – neles vivendo a ilusória sensação de poder! – e, ao fim e ao cabo, quando os sinais de hoje sugerem novas ameaças à nossa liderança, nenhum abalo no sistema de poder temos por registrar. Permanecemos jungidos pelo patrimonialismo.

Nenhuma reforma – nem as reformas estruturais prometidas e necessárias, nem as reformas exigidas pela necessidade de modernizar o capitalismo dependente, que transita do projeto industrialista para o reino do agronegócio fundado nas exportações de commodities e matérias-primas in natura. Nem a reforma política, nem a reforma social – razão de nossa existência. Tampouco a reforma eleitoral, ou a reforma do Judiciário, ou uma reforma fiscal que penalize o rentismo e proteja os assalariados.

Entre nós, quem faz as reformas é a direita: a reforma previdenciária, a trabalhista, a reforma administrativa (em curso) – por óbvio, à feição de seus interesses de classe.

Conservamos intocadas as estruturas herdadas em 2003, e intocadas as entregamos à direita em 2019, e caminhamos para de novo devolvê-las intocadas à direita em 2027. Confundindo recuo permanente com habilidade política, trocamos o avanço pela conciliação e, de tanto perseguirmos acordos com as forças dominantes, nos vemos hoje apartados de nossas bases sociais originárias. Os marqueteiros do terceiro andar do Palácio do Planalto não sabem explicar a crise de popularidade do presidente Lula.

Eleito em 2022, a duras penas, mas renovando o compromisso de resgatar a imensa dívida social do Estado brasileiro, e tendo diante de si uma extrema-direita que acumulava – como acumula ainda – condições objetivas e subjetivas de voltar ao poder (assim reeditando a longa noite bolsonarista – que não pode ser esquecida, embora represente uma memória dolorosa), o presidente Lula teria tudo para não se auto imolar no altar do rentismo. Pesaram mais, porém, as condições desfavoráveis sob as quais assumiu, e o antigo líder sindical, tido e havido como bom negociador, se afirma sobre o estadista.

O governo é presa do “ajuste fiscal” – o mantra do sistema que se impõe contra qualquer expectativa de desenvolvimento, conditio sine qua non para qualquer projeto de geração de emprego e renda, as carências fundamentais de nosso povo.

O sistema econômico é dominante porque seus mecanismos – objetivos e ideológicos – pervadem toda a estrutura econômica, social e política. A privatização é um processo econômico, mas também um processo político-ideológico, que não se mede apenas com a transferência do controle acionário do Estado para o setor privado, mas se revela, fundamentalmente, quando a política submete a gestão pública à lógica das corporações privadas.

É a vitória do neoliberalismo regendo um governo originário das lutas dos trabalhadores, porque a esquerda no governo assimila os padrões político-ideológicos do mundo que sonha, ou sonhou, pôr por terra – como o colonizado reproduz a ideologia do colonizador, o dominado se põe a serviço do dominador – e assim caímos na cilada de aparecermos, diante do povo oprimido, como defensores da ordem que condenamos.

Sabidamente, o eixo do poder político no Brasil mudou, e o fenômeno não é de hoje. Seu ponto de referência exemplar é o golpe de 2016 – golpe parlamentar, manobra de cúpula que prescinde de fardados nas ruas e toques de recolher, e pode efetivar-se sem repressão policial. Mas o quadro de hoje não caiu do colo dos deuses: resulta de transformações político-ideológicas fermentadas por largos anos nas bases da sociedade, para as quais não tivemos olhos para ver antes que viessem à tona e explodissem como aluvião que não cessa de crescer – e diante do qual a esquerda, em todos os seus matizes, não cessa de se surpreender. Assustada, recua.

O eixo do poder mudou porque a ordem social que lhe dá vida mudara antes, determinando uma nova correlação de forças que pode consolidar-se se não for bem compreendida para ser bem enfrentada. Esse enfrentamento, porém, depende da capacidade da esquerda de, a partir da construção de um projeto de país contemporâneo com a realidade histórica, construir, na sociedade, uma nova maioria política. Nestes termos, a sustentabilidade do governo, revisto, se torna necessária, e as eleições de 2026 assumem características decisivas – mas não encerram a história toda, pois permanecem tão-só como ponto de partida de um projeto de poder seguidamente desviado pelas distorções impostas pelo eleitoralismo que confunde meio com fim.
O que fazer é um óbvio ululante (aproveitando a expressão grafada por Nelson Rodrigues): fazer política.

Como nos ensinou Marx n’O 18 Brumário de Luís Bonaparte: “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha, e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado.”
No labirinto no qual foi enredado pelas circunstâncias, Lula é um Teseu desamparado; sem o fio de Ariadne – um projeto político claro que fale ao povo – busca saída pedindo ajuda, ou benevolência, ao carcereiro mortal: a elite político-financeira que o sequestrou, e que o detesta. O 1% de rentistas que concentra aproximadamente 48% da riqueza nacional.
É hora de mudar o rumo."

domingo, 7 de julho de 2024

TODO REPÚDIO À CPAC BRASIL 2024 * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

TODO REPÚDIO À CPAC BRASIL 2024 
O INELEGÍVEL E O REJEITADO
VIVI ÁLVARES NÃO PERDE O PULO
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A EXTREMA DIREITA ESTÁ CRESCENDO E A ESQUERDA É NECESSÁRIA

Julio C. Gambina

Prensa Latina – Uma jovem de trinta e poucos anos perguntou-me se este era o pior momento de “política” que alguma vez tinha vivido. A resposta não foi fácil depois de meio século de atividade partidária à esquerda, como ativista e apoiante social, e como candidato mesmo em vários momentos eleitorais desde 1987.

Na verdade, sempre inserido em movimentos populares, primeiro como militante estudantil na cidade de Santa Fé, na UNL, a do Litoral; depois em Rosário, já como professor e parte da sindicalização dos professores na década de 80. Depois, na década de 90 e mais aqui na experiência do novo sindicalismo que a Central Operária da Argentina, a CTA, pretendia, agora deveria ser. mencionado no plural.

Claro que entre 76 e 83, sem parar a atividade política, a ditadura genocida, talvez esse, seja o “pior” momento. Em todo o caso, assumo a política como uma atividade para alcançar melhores condições de emancipação social, para além dos momentos “bons” ou “maus”. É dramático que hoje na Argentina se justifique este projeto reacionário da ditadura genocida, que iniciou a transformação regressiva do país, fortalecida sob governos constitucionais nos anos 90 do século passado, com Menem e De la Rúa, depois com Macri e agora agravado com Milei e Villarruel do poder executivo, eleitos por maioria de votos em 2023.

Algo semelhante ocorre nas recentes eleições parlamentares europeias, em que aumentaram os votos para aqueles que defendem Hitler e Mussolini, na Alemanha e na Itália. Pode parecer coincidência, mas não, o fenômeno se expressa em diversos territórios, mesmo quando há disputas que posicionam forças políticas que se dizem de esquerda nos governos. É necessário pensar por que cresce a extrema direita, ou diretamente a “direita”, pré-capitalismo e, em qualquer caso, quais as expectativas que a esquerda gera.

Entrei na política no momento de acumulação máxima do poder de esquerda e popular, ano em que o Vietnã derrotou militarmente a principal potência bélica, apoiada pelo poder hegemónico construído desde 1945. A ilusão da nossa imaginação pela “revolução” estava associada à uma cadeia que remetia a 1917 na Rússia, a 1949 na China, a 1959 em Cuba, foi projetada para 1979 na Nicarágua, até, apesar da especificidade diferenciada, para o Irão.

Esse foi o paradigma de uma experiência que se baseou na teoria construída a partir da crítica ao capitalismo com Karl Marx. É verdade que houve nuances nessas experiências e debates (leituras) sobre o futuro em cada uma delas, até mesmo na continuidade ou ruptura em relação ao fundador da teoria e ao seu parceiro, Federico Engels. A esquerda discutiu Entre 1989 e 1991, da queda do Muro de Berlim ao desmantelamento da União Soviética e ao fim da bipolaridade global entre capitalismo e socialismo, surgiram teorias do fim da história e até do socialismo e do marxismo.

É o momento de consolidação da proposta de liberalização da economia, simultaneamente com uma conclusão ideológica de impossibilidade de alternativa. “Não há alternativa”, enfatizou Margaret Thatcher na década de 80. O slogan foi a bandeira de vários projetos, o que no caso da Argentina explicita a orientação governamental dos anos 90 do século passado para afirmar o projeto reacionário da ditadura. A esquerda derrotada debateu nas explicações sobre o colapso soviético, entre a defesa da experiência e o que faltava, até a denúncia da deriva autoritária após a morte de Lênin, o líder histórico, ou mesmo quase desde o início, como pode ser rastreado nas polêmicas de Rosa Luxemburgo com os líderes comunistas no início da experiência soviética, especialmente sobre a participação democrática na tomada de decisões.

Um século depois da morte de Lênin, a polémica continua fazendo sentido pensar sobre o destino da revolução no presente. Durante meio século, a “liberalização” tem vindo a crescer no mundo, contra a intervenção estatal generalizada após a crise de 1930 e especialmente após o fim da Segunda Guerra Mundial. A liberalização é uma exigência essencial do capital, que remete à origem expressa no slogan do livre comércio, da livre concorrência ou do mercado livre. Este projeto fortaleceu-se com o colapso do projeto socialista na Europa de Leste, para além de qualquer discussão sobre o que estava a ser construído nesses territórios.

Em termos de imaginários sociais ampliados, o que existia era o “primeiro” e o “segundo” mundo, possibilitando a categoria do “terceiro” mundo e a terceira posição. Com isso, estratégias para o desenvolvimento dos países do sul do mundo, na África, na Ásia e na América Latina. Insistirei que se pode argumentar se foi o socialismo que existiu, mas na luta de classes concreta no sistema mundial, as categorias de três mundos ou “posições” definiram tácticas e estratégias que prefiguraram décadas de ação política no mundo.

A direita na ofensiva.

Mesmo quando as teses do fim da história foram debatidas e ridicularizadas, o capital mais concentrado retomou a ofensiva, suspensa durante meio século entre 1930 e 1970, na disputa pela apropriação dos lucros e pelo desarmamento da concorrência à sua rentabilidade por parte do Estado intervenção. É um programa que continua até ao presente, que, além disso, continuará e se expressa em todo o mundo na exigência de reformas laborais e previdenciárias, de privatizações, desregulamentações e de melhores condições de segurança jurídica para os investidores capitalistas em qualquer território. do sistema mundial.

Nessa direção, a esquerda, sem consenso quanto ao diagnóstico do ocorrido, tentou se reposicionar no debate político abrangente, tanto na disputa eleitoral quanto no plano cultural, oferecendo um imaginário da sociedade almejada. Há quem defenda o que existia para posicionar os rumos estratégicos contemporâneos, enquanto outros negam essas experiências e não assumem que a crítica envolva toda a esquerda, independentemente do papel desempenhado no passado.

A direita e a ortodoxia liberal, na sua ofensiva, desqualificam a atuação de toda a esquerda. Além disso, desde Mises e Hayek, há um século, a pregação da ortodoxia incluía, juntamente com a crítica a Marx e à sua tradição intelectual e revolucionária, a crítica à direção nascente que após a crise da década de 1930 seria assumida sob a hegemonia keynesiana.

Por isso, Javier Milei, que se assume como a vanguarda do liberalismo contemporâneo, intitula o seu livro “Capitalismo, Socialismo e a Armadilha Neoclássica. Da teoria econômica à ação política. No texto ele critica os seus colegas da corrente principal do pensamento e da prática económica, porque com as “falhas de mercado” eles apoiam a intervenção do Estado, e assim abrem as portas ao socialismo. É verdade que Keynes não se identifica com Marx, nem os seguidores do homem nascido em Trier assumem uma perspectiva de resgate do capitalismo, como se pode interpretar na intervenção teórica e de política económica do autor britânico da teoria geral e dos seus seguidores, que também é uma crítica ao mainstream neoclássico.

Pense à esquerda novamente

A verdade é que a esquerda, na sua busca nestas três décadas desde o colapso e a bipolaridade soviética, correu para a direita, dependendo das novas condições concretas do desenvolvimento capitalista e das abordagens políticas que abriram caminho à disputa do consenso eleitoral. Muitos mantiveram os seus programas radicais, com maior ou menor sucesso eleitoral, mas em nenhum caso foi reinstaurada uma perspectiva de opção civilizacional entre o capitalismo ou o socialismo, mesmo entre o socialismo ou a barbárie, como sustentava Rosa.

Insistirei que existem várias vozes e organizações que apoiam o radicalismo e a perspectiva da revolução, mas que no imaginário social global não conseguem definir as opções civilizacionais de boa parte dos séculos XIX e XX. É por isso que no título destaco a “necessidade” da esquerda, como um projeto político visível e assumido pela maioria em condições de construir um novo tempo para a sociedade, ameaçada pelas alterações climáticas, pela guerra, pela especulação e pela desigualdade que agrava a situação. condições de vida da maioria empobrecida.

Na Argentina isto implica uma ampla articulação de diversas tradições políticas, não necessariamente auto assumidas de esquerda, mas com a vontade de responder à nova reestruturação regressiva do capitalismo que fragmenta o trabalho, os trabalhadores e impacta a organicidade social e política, nas suas representações, demandas e reivindicações. É uma referência à diversidade do nacionalismo revolucionário popular e às diversas tradições da própria esquerda, que precisa ser assumida pelas novas gerações.

A esquerda e a direita foram categorias emergentes de representação política na disputa pelo poder, que hoje se renova pela ofensiva da direita. A esquerda precisa regressar à crítica essencial da ordem capitalista, regressar a Marx para uma melhor compreensão das mudanças atuais e sintetizar as práticas de transformação profunda que estão nas novas e renovadas experiências da atual luta de classes. Nessa trajetória, refiro-me ao movimento dos povos indígenas e à sua ressignificação das cosmovisões de “bem viver” ou “bem viver”; dos feminismos populares e das lutas pelas diversidades; do ambientalismo popular contra o saque às empresas transnacionais estimulado pelas ações dos principais estados do capitalismo mundial e das organizações internacionais; pelas lutas empreendidas por novos grupos de sindicalistas e organizações classistas típicas do nosso tempo contra a exploração, com ação nos locais de trabalho ou nos territórios onde desenvolvem a sua vida quotidiana.

Voltando ao início, se no início dos anos 70 nós, jovens, assumimos com entusiasmo o tempo da política transformadora, e depois estivemos preocupados durante décadas com a ofensiva capitalista, hoje assumimos o desafio de um futuro de emancipação, que começa por adequados diagnósticos desde o presente. Em suma, não há momento bom ou mau para a política, pois tendo realizado um momento de ofensiva popular dirigida à esquerda e ao socialismo, a tarefa de refundar a esquerda é essencial para travar a direita e mudar um horizonte de exploração, saque e destruição da vida, social e natural.

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Gigante Raí!! Que saudade dos jogadores brasileiros ou treinadores contados a dedo politizados no Brasil como: Raí,Sócrates,João Saldanha,Reinaldo e alguns da imprensa esportiva.
FORA MILEI
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NAZISMO DELIRANTE
MITO DOS IMBECIS
FASCISMO NÃO SE DISCUTE
REPÚDIO À CPAC BRASIL 204
EVENTO DA EXTREMA DIREITA
realizado em Balneário Camborií - SC/Brasil, nos dias 06 e 07 de Julho de 2024
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AVANÇOS DA PEDERASTIA.

Deputado libertário do partido Milei explica o que as famílias pobres devem fazer com as crianças “sobras”.

Sem dúvida, a Argentina “avança” para o “melhor” estágio de desenvolvimento de sua história.

Segundo o lixo libertário, dentro de 30 anos, a Argentina será como a Irlanda, a Alemanha e a França graças a ele. 
ESCRAVIDÃO INFANTIL
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sábado, 6 de julho de 2024

COMO ENFRENTAR A EXTREMA DIREITA * Breno Altman / SP

COMO ENFRENTAR A EXTREMA DIREITA
Breno Altman / SP

Solução democrática está condicionada à emergência de um novo projeto civilizatório, anti-imperialista e anticapitalista.

As recentes eleições europeias alarmaram o teatro político, agora agravado pelo crescimento da extrema direita no primeiro turno da disputa parlamentar francesa. O neofascismo, a julgar por esses fatos, continua em rota ascensional. À espera do resultado da corrida presidencial nos Estados Unidos, distintas correntes ideológicas estão em polvorosa. Vitorioso Donald Trump, a democracia liberal poderia estar em grave perigo.

O senso comum, da esquerda institucional à direita tradicional, parece indicar que, diante de tão grave ameaça, todas as forças democráticas deveriam se juntar para barrar a extrema direita. A contradição principal do planeta, para muitos, seria entre democracia e autoritarismo, como apregoa o governo Joe Biden, em um discurso que pretende isolar tanto o ultraconservadorismo quanto nações como China, Irã e Rússia.

Essa narrativa, contudo, padece de evidente paradoxo. Afinal, por que deveria ser defendido o sistema responsável pela alimentação do extremismo, ao propagar uma brutal onda de insatisfação? Qual o sentido de advogar essa ordem, quando é a sua existência que infelicita a maioria dos cidadãos e os empurra para a pulsão destrutiva da qual se apropriam grupos neofascistas?

Natural que velhas castas se agarrem como náufragos desesperados ao pacto pós-soviético, sustentado pela supremacia das ideias liberais. De republicanos tradicionais a sociais-democratas, esses grupos representam forças dirigentes de um mundo em crise e obviamente não desejam entregar a rapadura.

Por que, no entanto, partidos de esquerda deveriam se juntar a esse roteiro, no qual salta às vistas que seu papel seria coadjuvante e subordinado, além de abrir espaço para a extrema direita monopolizar o discurso antissistema? Não seria pura falcatrua chancelar a estrutura que empurra grande parte da humanidade para o empobrecimento, desigualdade, catástrofe climática e guerra?

Bem fizeram as legendas progressistas da França, ao constituírem, para enfrentar os extremistas de Marine Le Pen, uma alternativa ao social-liberalismo do presidente Emmanuel Macron, a Nova Frente Popular, ainda que limitada pela presença do Partido Socialista, parceiro da política pró-Ucrânia e pró-sionismo do atual mandatário.

A verdade é que a dualidade entre democracia e autoritarismo está longe de ser o crivo real da atual situação planetária. Essa leitura restringe-se a descrever duas alas empenhadas em proteger, com estratégias e radicalidades diferentes, o mesmo modelo que colocou o mundo à beira do abismo – e que foi estabelecido pelo sistema imperialista liderado pelos Estados Unidos, com seu programa neoliberal e neocolonial.

Somente haverá saída para essa crise profunda através do fortalecimento de coalizões cujo propósito principal seja enterrar o ordenamento hegemônico desde o final da Guerra Fria. Uma solução efetivamente democrática está condicionada à emergência de um novo projeto civilizatório, anti-imperialista e anticapitalista, capaz de converter o mal-estar dos povos em mobilização transformadora.

Aprisionada à armadilha do fim da história, segundo a qual o capitalismo e a democracia liberal seriam a última estação do trem, a humanidade estará cavando sua própria sepultura.
xxx

segunda-feira, 10 de junho de 2024

DITADORES FAKENEWS * Rudá Ricci/SP

DITADORES FAKENEWS
"Sobre os novos tipos de governos de extrema-direita

Rudá Ricci

Já citei em muitas lives o livro do ex-reitor do Institut d´Études Politiques de Paris, Sergei Guriev, e do professor de Ciência Política da Universidade da Califórnia, Daniel Treisman, que analisam a metamorfose dos governos extremistas no século XXI cujo título é “Democracia fake: a metamorfose da tirania no século XXI”.

Os autores sustentam que há um novo tipo de governante que atua na franja das democracias que eles denominam de “doctors spin” ou, numa tradução livre, “especialistas em manipulação” (ou distorção).

O conceito, de certa maneira, se aproxima da lógica do Estado de Exceção, que ocorreria nas lacunas legais das democracias para impor leis ou ações governamentais tirânicas, inauguradas recentemente a partir da resposta de Bush ao atentado de 11 de Setembro. Bastava ser suspeito para ser caçado e preso sem contato algum com advogados e familiares, muitas vezes torturados pelo Estado.

Já no caso dos “doctors spin”, que os autores citam como exemplo Lee Kuan Yew, ex-primeiro-ministro de Singapura de 1959 a 1990, mas também Orbán, governante da Hungria e Putin, da Rússia, os atos autoritários são mais seletivos, tópicos e o jogo com a comunicação é mais sútil.

A seguir, vou reproduzir as seis características principais do modelo desses governantes tirânicos que os autores destacam. Começando pela substituição do medo pela imagem de competência. Aqui, ternos bem cortados e um ar de profissionalismo e modernidade substituem fardas militares e ar sisudo. As fotos divulgadas pelas agências de comunicação oficial quase sempre revelam governantes em mesas de trabalho, falas em conferências ou visitas às fábricas e empresas. A intenção é revelar um trabalhador incansável que foca nos investimentos para uma vida próspera. Segundo os autores, “em vez de exigir sangue e sacrifício, eles oferecem conforto e respeito.”

A segunda característica é a dos múltiplos apelos, ao contrário do perfil de tiranos anteriores que pregavam ideologias. Lee Juan Yew gostava de dizer ser pragmático, sem qualquer proximidade com ideologias. Putin teria dito que odeia a palavra ideologia, segundo Brian Taylor, em seu livro “The code of putinism”. Para desconcertar, tais líderes associam práticas e ideários do passado sem grande sentido, numa bricolagem que agrada gregos e troianos. É o caso de Putin, que cita e valoriza o período czarista da grande unidade eslava aos clichês da era soviética salpicados de ultradicionalismo conservador anti-LGBT.

Deriva das duas primeiras características a de afastamento do culto à personalidade, agora substituída pelo de celebridade. As celebridades são cultuadas, é verdade, mas oferecem algo de sua intimidade, incluindo gafes e histrionismo. Se antes havia veneração oficial, agora, a construção do perfil de celebridade se faz nas redes sociais, por agentes privados e de maneira descentralizada, muitas vezes adotando um tom perto do deboche. Governantes aparecem voando em asas-deltas ou montando cavalos sem camisa mas, agora, logo é desvendado que tudo foi cena montada e a situação vira até galhofa. Imagens dos novos tiranos viram estampas de canecas à venda em barracas de rua, como iniciativa de ambulantes que oferecem souvenirs. A masculinidade é motivo de riso e até borrifar a marca de perfume lançado pelo manipulador passa a ser objeto de colecionadores e brincadeiras de jovens debochando do “tiozinho”. O ditador é comentado nas ruas e os autores chegam a comparar com a fase mais popular de Obama.

A quarta característica é a da busca de credibilidade, o que foge completamente da imposição pelo medo. Esses novos governantes autoritários permitem imprensa livre – embora ataquem publicamente as mais críticas – e apostam em blogueiros e influencers para responder ou alterar os temas quentes de uma conjuntura. Até tragédias são exploradas por blogueiros aliciados ou disparos de notas e comentários nas redes sociais. Muitos se utilizam de “trolls” ou mesmo pesquisas manipuladas com resultados previsíveis, denominadas de “push poll”. 

Os autores citam uma pesquisa encomendada pelo governo da Hungria que apresentava perguntas que induziam às respostas como “há quem pense que os migrantes colocam em risco os empregos e meios de subsistência dos húngaros e queremos saber se você concorda com eles”.

A quinta característica é a de transformar o entretenimento em arma. Fofocas sobre celebridades e adversários se transformam em temas quentes numa espécie de metapolítica (comentar política sem falar diretamente). O ex-presidente Fujimori em 2000, em meio à ofensiva contra grupos oposicionistas, divulgou a informação sobre a filha ilegítima de um dos seus adversários. A explosão de talk shows ácidos forja um ambiente tóxico de comentários rebaixados sobre temas políticos e, muitas vezes, são patrocinados indiretamente por esses governantes.

Finalmente, reinterpretar acontecimentos geram versões rapidamente disseminadas nas redes sociais. Essa modalidade deriva, quase sempre, para as fake news. Não raro, a versão adota tons de exagero e indignação, procurando estimular emoções fortes no público-alvo. O emocionalismo é a tônica para gerar revolta em recém-demitidos de uma fábrica que fechou por fraude, mas que é reinterpretado como resultado da política econômica de um governo. 

Nem sempre as notícias divulgadas são invenções, mas as interpretações carregam no ataque aos alvos políticos pré-determinados.

Em todos os casos, viceja uma “coerção calibrada” pelos novos governantes. Temos aqui no Brasil alguns protótipos recentes, em especial, governadores que se jogam para angariar o espólio de Jair Bolsonaro.

Não é o caso dos exageros cometidos por jovens parlamentares arrivistas, muito mais agressivos e que comumente ultrapassam as linhas do razoável para poder aparecer. No caso dos “doctors spin”, a sutileza é sua arma, o confronto é indireto e a estampa de competência e celebridade é construída.

Com a vitória da extrema-direita nas eleições europeias deste final-de-semana, teremos possivelmente mais exemplos deste novo tipo de tirania e manipulação política. Nos países nórdicos, mais uma vez, o risco é bem pequeno. Mas, na França, aquela da revolução que destruiu a monarquia, há enormes chances do próximo primeiro-ministro adotar este figurino."

terça-feira, 7 de novembro de 2023

O PÂNICO MORAL DO IDENTITARISMO * RUI LEITÃO

O PÂNICO MORAL DO IDENTITARISMO

Nos anos recentes a sociedade brasileira vive um exagerado sentimento de medo e de preconceitos, provocado pela pauta de costumes produzida pelos radicais de direita. São mensagens fraudulentas, publicadas nas redes sociais com o propósito de reagir contra determinados padrões normativos de comportamento. E assim, interferir nas disputas políticas.

É o que, em 1970, o sociólogo inglês Stanley Cohen chamou de “pânico moral”, quando fez um estudo da reação da sociedade britânica diante de posturas consideradas contrárias aos valores morais então vigentes. Segundo ele, o “pânico moral provoca mudanças na política legal e social ou até mesmo na forma como a sociedade se compreende”.

No Brasil o pânico moral resulta, principalmente, das pautas relacionadas à sexualidade e às causas de gênero, buscando fortalecer o controle social, estimulando hostilidades, na esfera pública e privada, a estilos de vida desaprovados pelos conservadores. Tornam-se bandeiras políticas com o objetivo de impedir transformações sociais, proferindo um discurso pretensamente moral visando a conquista de um consenso público, polarizando o combate entre as forças do Bem e do Mal, numa explícita distorção política e ideológica. E assim, adotando ações repressivas diante de grupos tidos como ameaçadores.

Essas “cruzadas morais”, estabelecidas com interesses políticos, surgem nas oportunidades de confusão ideológica e de crises sociais, dando ênfase a que atitudes e crenças que defendem sejam preservadas. Grupos religiosos fundamentalistas justificam suas posições como sendo um protesto à subversão social, particularmente sobre os valores da família e da vida, recorrendo a uma linguagem de indignação contra o Mal. Embora, em muitos casos, se perceba um falso moralismo.

A agenda moralista da ultradireita produz efeitos em variados campos das relações sociais, elaborada sobre um ideal de “cidadão do bem”. O pânico moral é uma estratégia conservadora que procura reafirmar o domínio de quem tem um poder maior na sociedade, em relação, principalmente, às minorias. Nem sempre suas formas de propagação são sutis. Elas se mostram cada vez mais explícitas, com o advento das redes sociais e da mídia descentralizada, na tentativa de afetar o nosso juízo da realidade, na conformidade de como passamos a produzir e consumir informações.

Para nos protegermos do pânico moral chequemos sempre as informações compartilhadas nas redes sociais e nos portais de notícias. Busquemos outras fontes. Ouçamos atentamente outros pontos de vista, ainda que sejam contrários aos nossos. Nunca deixemos de considerar perguntas como: Será que isso é verdade? Será que alguém realmente faria ou falaria algo assim? Existem dados que corroborem com essa afirmação? Só assim, estaremos vacinados contra o pânico moral.

Rui Leitão
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quarta-feira, 19 de julho de 2023

GUERRA AO FASCISMO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

GUERRA AO FASCISMO
"Comunista!

Este é o xingamento principal desta corja ignorante bolsonarista.
Por não conhecerem nada de história, chamam o ministro Alexandre de Moraes de comunista!
Tenho dito que é extremamente difícil qualquer diálogo com estes ultradireitistas porque eles são muito primários.
Ignorantes mesmo.
Com uma visão pequena, rasa e maniqueísta do mundo.
Em regra são pessoas muito despreparadas, sem nenhuma leitura, com tendência a serem violentos pois não têm argumentos.
Agem como os “imbroxáveis” que por, não conseguirem completar o ato sexual, agridem as mulheres.
A escória da humanidade."
Kakay
JORNAL "O VALE" DENUNCIA EXTREMA DIREITA DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
SUÁSTICA BOLSONARISTA
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REVISTA FOCUS 104
PAULO HENRIQUE AMORIM
JÁ DENUNCIAVA
PERSEGUIÇÃO AOS RUSSOS E DESCENDENTES NA UCRÂNIA NAZISTA
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