Mostrando postagens com marcador mobilizacao. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mobilizacao. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 4 de julho de 2025

O SEQUESTRO DO BRASIL* Roberto Amaral/SP

O SEQUESTRO DO BRASIL
Roberto Amaral/SP
A EXTREMA DIREITA CERCOU LULA
"Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo.”
Darcy Ribeiro, O povo brasileiro.
GOLPISMO DOMINA O CONGRESSO
"
A ordem político-institucional herdada da re-constitucionalização de 1988 foi posta em recesso com o impeachment de Dilma Rousseff. Morria ali a Nova República anunciada por Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. O golpe de Estado de 2016 se consolidou com o regime-tampão do vice perjuro, ponte para a ascensão do neofascismo, pela vez primeira no Brasil a escalar o poder pela via eleitoral.

O presidencialismo espatifa-se como bola de cristal caída ao chão e, com seus estilhaços, a direita concerta o quebra-cabeça como novo Leviatã: poderoso mostrengo que devora as instituições republicanas e impõe a ingovernabilidade como estágio preparatório do caos, indispensável para a revogação do que ainda podemos chamar de “ordem democrática” – frágil, nada obstante sua permanente conciliação com o grande capital, no que se esmera o atual Congresso, implacável no desmonte do que quer que seja que possa sugerir um Estado de bem-estar social.

Esta é a circunstância que nos domina: um Poder Executivo acuado, impedido de exercer o dever da governança; um Legislativo que não arrecada, mas é senhor dos gastos; uma democracia representativa que prescinde da soberania popular. Um Executivo se esvaindo numa sangria de poder que parece não ter fim, prisioneiro de um Congresso abusivamente reacionário, na tocaia contra qualquer sinal de avanço civilizatório. Em seu nome fala e age sua escória, chorume poderosíssimo que não cessa de crescer em número de militantes, em ousadia e em chantagens contra o governo. O quadro funesto se completa com uma Faria Lima descolada do país e de seu povo: seus interesses deitam raízes em Wall Street.

Lição dos dias que demoram a passar: no Brasil de hoje, em cenário no qual o centro e a social-democracia (depois da falência dos liberais) aderiram ao conservadorismo larvar, a direita e a extrema-direita governam independentemente do resultado das eleições que ainda se realizam – as quais, assim, deixam de ser decisivas, e sobretudo deixam de ser instrumento de mudança, pois qualquer mudança que não aprofunde a exploração de classe será vista como subversiva da ordem na qual a classe dominante (que também atende pela alcunha de “mercado”) se alimenta.
O processo eleitoral é mantido e, por seu intermédio, a soberania popular conserva seu direito de fala. Mas a única voz realmente ouvida é a do sistema. E assim ele é mantido porque somente são permitidas as mudanças que asseguram que nada mude. A ordem se sobrepõe ao movimento, e a promessa de futuro é a regressão.

Por fim, somos um país impedido de ser. Esta é a contradição fundamental entre a necessidade de um projeto de país – de que carecemos desde a raiz colonial – e os interesses da classe dominante, governante desde sempre. Nosso mal de origem.

O variegado campo da esquerda em crise, governante ou não, enfrenta o rescaldo de nossos erros: os muitos erros táticos e os graves erros estratégicos, como o de não havermos compreendido o processo histórico e, assim, havermos fracassado como instrumento de mudança. Nem revolução, nem reforma. Somam-se quase quatro mandatos de quadros da centro-esquerda controlando a Presidência da República – neles vivendo a ilusória sensação de poder! – e, ao fim e ao cabo, quando os sinais de hoje sugerem novas ameaças à nossa liderança, nenhum abalo no sistema de poder temos por registrar. Permanecemos jungidos pelo patrimonialismo.

Nenhuma reforma – nem as reformas estruturais prometidas e necessárias, nem as reformas exigidas pela necessidade de modernizar o capitalismo dependente, que transita do projeto industrialista para o reino do agronegócio fundado nas exportações de commodities e matérias-primas in natura. Nem a reforma política, nem a reforma social – razão de nossa existência. Tampouco a reforma eleitoral, ou a reforma do Judiciário, ou uma reforma fiscal que penalize o rentismo e proteja os assalariados.

Entre nós, quem faz as reformas é a direita: a reforma previdenciária, a trabalhista, a reforma administrativa (em curso) – por óbvio, à feição de seus interesses de classe.

Conservamos intocadas as estruturas herdadas em 2003, e intocadas as entregamos à direita em 2019, e caminhamos para de novo devolvê-las intocadas à direita em 2027. Confundindo recuo permanente com habilidade política, trocamos o avanço pela conciliação e, de tanto perseguirmos acordos com as forças dominantes, nos vemos hoje apartados de nossas bases sociais originárias. Os marqueteiros do terceiro andar do Palácio do Planalto não sabem explicar a crise de popularidade do presidente Lula.

Eleito em 2022, a duras penas, mas renovando o compromisso de resgatar a imensa dívida social do Estado brasileiro, e tendo diante de si uma extrema-direita que acumulava – como acumula ainda – condições objetivas e subjetivas de voltar ao poder (assim reeditando a longa noite bolsonarista – que não pode ser esquecida, embora represente uma memória dolorosa), o presidente Lula teria tudo para não se auto imolar no altar do rentismo. Pesaram mais, porém, as condições desfavoráveis sob as quais assumiu, e o antigo líder sindical, tido e havido como bom negociador, se afirma sobre o estadista.

O governo é presa do “ajuste fiscal” – o mantra do sistema que se impõe contra qualquer expectativa de desenvolvimento, conditio sine qua non para qualquer projeto de geração de emprego e renda, as carências fundamentais de nosso povo.

O sistema econômico é dominante porque seus mecanismos – objetivos e ideológicos – pervadem toda a estrutura econômica, social e política. A privatização é um processo econômico, mas também um processo político-ideológico, que não se mede apenas com a transferência do controle acionário do Estado para o setor privado, mas se revela, fundamentalmente, quando a política submete a gestão pública à lógica das corporações privadas.

É a vitória do neoliberalismo regendo um governo originário das lutas dos trabalhadores, porque a esquerda no governo assimila os padrões político-ideológicos do mundo que sonha, ou sonhou, pôr por terra – como o colonizado reproduz a ideologia do colonizador, o dominado se põe a serviço do dominador – e assim caímos na cilada de aparecermos, diante do povo oprimido, como defensores da ordem que condenamos.

Sabidamente, o eixo do poder político no Brasil mudou, e o fenômeno não é de hoje. Seu ponto de referência exemplar é o golpe de 2016 – golpe parlamentar, manobra de cúpula que prescinde de fardados nas ruas e toques de recolher, e pode efetivar-se sem repressão policial. Mas o quadro de hoje não caiu do colo dos deuses: resulta de transformações político-ideológicas fermentadas por largos anos nas bases da sociedade, para as quais não tivemos olhos para ver antes que viessem à tona e explodissem como aluvião que não cessa de crescer – e diante do qual a esquerda, em todos os seus matizes, não cessa de se surpreender. Assustada, recua.

O eixo do poder mudou porque a ordem social que lhe dá vida mudara antes, determinando uma nova correlação de forças que pode consolidar-se se não for bem compreendida para ser bem enfrentada. Esse enfrentamento, porém, depende da capacidade da esquerda de, a partir da construção de um projeto de país contemporâneo com a realidade histórica, construir, na sociedade, uma nova maioria política. Nestes termos, a sustentabilidade do governo, revisto, se torna necessária, e as eleições de 2026 assumem características decisivas – mas não encerram a história toda, pois permanecem tão-só como ponto de partida de um projeto de poder seguidamente desviado pelas distorções impostas pelo eleitoralismo que confunde meio com fim.
O que fazer é um óbvio ululante (aproveitando a expressão grafada por Nelson Rodrigues): fazer política.

Como nos ensinou Marx n’O 18 Brumário de Luís Bonaparte: “Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha, e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado.”
No labirinto no qual foi enredado pelas circunstâncias, Lula é um Teseu desamparado; sem o fio de Ariadne – um projeto político claro que fale ao povo – busca saída pedindo ajuda, ou benevolência, ao carcereiro mortal: a elite político-financeira que o sequestrou, e que o detesta. O 1% de rentistas que concentra aproximadamente 48% da riqueza nacional.
É hora de mudar o rumo."

domingo, 22 de outubro de 2023

AGENDE SEU APOIO À PALESTINA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

AGENDE SEU APOIO À PALESTINA
29/11 
DIA MUNDIAL DE APOIO À CAUSA PALESTINA
PASSEATA



MOBILIZAÇÃO

URUGUAI
BRASIL - RJ 19/10
SÃO PAULO, 22/10
BELO HORIZONTE - MG 22/10

A PAZ QUE LUTAMOS NÃO É A DOS CEMITÉRIOS

A ideia de paz que permeia o imaginário dos indivíduos e que, de certa forma, se tornou conceito quase absoluto é a ausência de guerra, conflito armado entre partes.


Trata-se de uma concepção simplista e ideologicamente sorrateira.


Paz pode até ser um estado de espírito, mas quando falamos de sujeito coletivo o entendimento é mais complexo 


Como podemos falar de paz quando um exército armado invade corriqueiramente nossas casas e estupra nossas mulheres, nossas filhas e mata nossos maridos e nossos filhos?


Como podemos falar e até mesmo pensar em paz quando a comida não chega à nossa mesa e nossas crianças choram de fome?


Como podemos encontrar a paz quando nossos salários não nos permitem um só dia de lazer ou comprar aquele presente no dia do aniversário do nosso filho?


Vivemos em estado de massacre, esta é a verdade, e se um dia resolvermos reagir, nos chamarão de terroristas.


Se não nos matam com um tiro de fuzil, nos metralham com a agonia da fome, da miséria, do abandono e da exploração.


A paz que queremos não é a dos mortos. 


Queremos que o lucro das grandes empresas não nos tire a dignidade, o direito de ir e vir, de comer e dançar nas noites de lua cheia.


O clamor da paz não pode servir de alento para a dor das nossas costas lanhadas pela chibata do capital.


Queremos a paz, mas sem a invasão dos nossos lares e a violentação das nossas mulheres; sem o assassinato das nossas crianças e adolescentes.


O colonizador e o capitalista explorador nunca nos trarão a paz. A colonização e a exploração são armas de guerra, que tiram vidas ou aprisionam nossas almas com a dizimação da nossa cultura.


Queremos o fim da guerra colonizatória e da escravização e assassinato dos nossos povos. Só assim teremos paz na terra aos seres humanos de boa vontade.


Lúcio Carril

Sociólogo


quarta-feira, 9 de junho de 2021

A retomada das manifestações nas ruas e as eleições 2022 * George Kunz / RJ

 A retomada das manifestações nas ruas e as eleições 2022


 O que vale uma eleição no contexto atual? Isso pode trazer mudanças profundas? 

E a conciliação de classes que Lula fez de maneira magistral nos seus governos  pode repeti-la hoje? Ou será uma conciliação muito mais à direita? 

O que vale para a política revolucionária entrar numa política submetida ao  imperialismo? 


A saída para a brutal crise atual é institucional ou o povo mobilizado nas ruas? 

Estas perguntas se tornaram críticas considerando a aproximação das eleições  de 2022 e a retomada das manifestações nas ruas, depois de quatro anos de  congelamento, embora que direcionadas pela via institucional. 


O contexto geral é o da crise capitalista mais profunda de toda a história com o  crescimento imparável dos volumes obscenos de capitais fictícios, que pendem  qual uma espada de Dâmocles sobre as cabeças do mundo capitalista. 


As burguesias e o imperialismo buscam desesperadamente uma saída para a  crise. Esta tem se tornado cada vez mais impossível pelas vias tradicionais  devido à impossibilidade de colocar em pé uma política alternativa ao chamado  “neoliberalismo”. 


Com a “pandemia”, os repasses de recursos públicos aos grandes capitalistas têm  se tornado obscenos. Isso é a base da disparada dos preços das matérias primas  e da carestia da vida. 


Com o objetivo de conter a crise, as burguesias e o imperialismo têm imposto  brutais estados de sítio, disfarçados de confinamentos pela “pandemia”,  rebaixado as condições de vida dos trabalhadores e das massas de maneira  escandalosa, impulsionado o fascismo e as ditaduras militares semi disfarçadas.  E o mais central, direcionam o mundo a uma grande guerra como o componente  central da sua crise. 


Os problemas reais dos trabalhadores e dos povos 

Enquanto a crise capitalista avança rumo a confrontos ainda mais duros, as  burguesias e o imperialismo tentam canalizar o cada vez mais profundo  descontentamento pelas vias institucionais. 


No Brasil, até retiraram (pelo menos temporariamente) os processos criminais  contra Lula, que agora voltou à ação política. Cabe destacar que Lula agora é um  destacado militante do Grupo de Puebla, teleguiado pelo Partido Democrata de  Joe Biden e Kamala Harris. 


Os trabalhadores e o povo brasileiro precisam de mais comida, empregos, saúde,  educação, transporte.

As eleições de 2022 poderão resolver esses problemas gravíssimos em benefício  do povo brasileiro? 

Lula pode vencer as eleições? Ou fará o papel de palhaço que o PT e a “esquerda” oficial fizeram em 2018 para legalizar a vitória do bolsonarismo? E que o repetirá  em 2022?


E no caso, muito pouco provável, de Lula vencer as eleições reverterá os brutais  ataques impostos pelo bolsonarismo contra o povo brasileiro? E a doação da Vale  de 1999? E as concessões de TVs e rádios que são tratadas como capitanias  hereditárias? E a destruição do Brasil operada pela Operação Lava Jato? E a PETROBRÁS? E os  “acordos” impostos pelo imperialismo contra os trabalhadores e a soberania  nacional? 


Sobre os programas assistenciais devemos lembrar que, quando a luta de classes  está acirrada o povo apresenta a tendência ao ascenso, à luta, eles têm como  objetivo por um curativo para um tumor e principalmente manter o povo  controlado. 


Precisamos unificar as palavras de ordem em torno da luta. É uma questão  urgente. 

Devemos ir às ruas no dia 19 de junho para gritar: 

Fora o Governo Bolsonaro e a pandemia!

Chega de geladeiras vazias e cemitérios cheios! 

Revogação das reformas neoliberais!!

Revogação das privatizações!!!


Por um governo dos trabalhadores,

Levante Brasil!!!!

**
*

quinta-feira, 27 de maio de 2021

É HORA DE IR ÀS RUAS * Partido Comunista do Povo Brasileiro/PCPB

É HORA DE IR ÀS RUAS

O primeiro de maio, dia de luta dos trabalhadores, demonstrou aquilo que já denunciávamos. Não existe espaço vazio em política, e a extrema direita sabe muito bem disso. No primeiro de maio, as ruas deveriam ter sido ocupadas pelos trabalhadores, denunciando o genocídio, exigindo o Fora Bolsonaro, Vacina Para Todos e Auxilio Emergencial Digno. Mas quem saiu às ruas foram os defensores dessa política suicida, que não é só a pandemia, mas também a política econômica que agravada pela pandemia empurra milhões à pobreza, à miséria, ao desemprego, ao subemprego e o enriquecimento da burguesia monopolista. A não ida às ruas organizadamente enquanto esquerda, num movimento político organizado pelo Fora Bolsonaro, demostra claramente a ideia da subestimação política.

*

É algo muito estranho quando se diz que o fascismo está aí, que tem golpe, que é preciso agir, e na prática deixar o caminho aberto para os fascistas e para os golpistas, ou seja, abandono das ruas que sempre foram um local de tradição da esquerda e dos trabalhadores sindicalizados.

*

Da mesma forma, jogar as soluções dos problemas do povo para as eleições em 2022 é um absurdo diante de tamanho massacre, causado pelo arrocho econômico e pela pandemia. O significado dessa situação deveria ser logicamente, a mobilização com todos os meios, para pôr o fim de um governo que promove tal genocídio político. A questão de pensar ou não em relação à eleição não é o fator central. A centralidade está em lutar ou não lutar, pois só agindo na atualidade se consegue unir de forma positiva o hoje com o amanhã.

*

Diz-se que o movimento está em descenso no Brasil e que, portanto, a luta de resistência é o elemento principal. Mas quando se abandona as ruas, em tempo que ainda é permitido usá-las como forma de denunciar nossos inimigos (e mesmo que não fosse deveríamos sempre buscar) e atrair o povo para a luta, e passar a atuar contra aqueles que estão querendo usá-las para isso, só pode ser uma resistência Social Democrata, daqueles que já fizeram os votos, que o institucional é o caminho máximo de toda a tática antifascista. Ora, que resistência é essa, sem mobilização do povo, nem mesmo no primeiro de maio, nem mesmo que seja de uma pequena parte do povo que denuncie a conjuntura genocida e passe à ação prática? Como abrir clareiras no golpe, sem que o lado de lá não sofra nenhuma pressão popular das ruas, de forma organizada? Se é possível contar com algumas ações no institucional, essas só terão consequências na luta, pela ação das ruas.

*

A Esquerda e o povo nas ruas são os únicos elementos que farão o genocídio e a pandemia tomar outro caminho, pois enquanto permanecer Bolsonaro, Mourão e toda essa corja, a situação não só vai continuar, também irá se agravar. Além do mais, o quadro que se avizinha é um quadro que, se o proletariado sentir a sua força, irá bem mais longe, não só do que estamos pensando, isto é, de tirar Bolsonaro, Mourão e sua corja ou de ganhar as eleições em 2022, mas de uma retomada de luta do povo brasileiro em defesa da soberania, de sair das cordas e partir para a ofensiva. Parece que a concepção de resistência é o invólucro para não lutar com toda a força. Resistir é o momento em que as forças que resistem devem estar preparadas em todos os campos para todos os embates. Parece que o que se quer, é entregar as armas para não lutar. Em épocas de resistência é que se avança a passos firmes e ambiciosos, pois caso contrário, quando a resistência é vitoriosa, pensa que já se ganhou a guerra, e daí põe se tudo a perder.

*

A negação que leva a negação tornou-se o episódio mais emblemático de nossa luta no Brasil. E o primeiro de maio comprova isso. Ao tratarmos os bolsonaristas de negacionistas, nós próprios estamos negando a luta na rua contra aqueles que são os responsáveis pela pandemia e pela miséria sem precedentes do povo brasileiro. Não é uma negação da negação logicamente, como lei da dialética, pois se assim fosse, o movimento confrontaria o golpe, contra aquilo que está caduco e não vacilaria em sair ao ataque. Além disso, se essa dialética da negação fosse usada, se entenderia que quando os saltos estão prestes a ocorrer, o objeto a ser transformado (no caso o golpe e o fim do governo Bolsonaro) se apega àquilo que mais lhe dá a aparência de que não há mudanças, às forças mais conservadoras, e dessa forma, exige que as novas forças deem um passo à frente, mostrando se são realmente o novo, demostrando a que vieram.

*

Por isso, se a esquerda pensa em derrotar o golpe, pôr fim ao governo Bolsonaro e sua corja, de buscar um novo caminho para o povo, é hora de tomar a história nas mãos e sair as ruas e colocar esse governo de imediato pra correr, e não ficar escondido e contemplando medidas e decisões da direita, que podem até ser interessantes diante do contexto, mas acreditem, são medidas e soluções para eles e contra o próprio povo e a esquerda. Pois mirem-se nos exemplos de Biden, o grande democrata que veio armado até os dentes para rebentar os movimentos progressistas e Socialistas do mundo inteiro.

*

Às ruas pelo Fora Bolsonaro, Mourão e sua corja.

Abaixo o Fascismo.

Em defesa do povo colombiano, atacado pelo governo fascista de Ivan Duque.

Por um Brasil soberano e socialista.

Dia 29 povo nas ruas!

terça-feira, 27 de abril de 2021

DECLARAÇÃO DO 1º DE MAIO DO PCPB * Partido Comunista do Povo Brasileiro/PCPB

 DECLARAÇÃO DO 1º DE MAIO DO PCPB

POR UM 1º DE MAIO DOS TRABALHADORES

INTERNACIONALISTA, OPERÁRIO, REVOLUCIONÁRIO E SOCIALISTA

Passado mais de um ano do início da crise sanitária provocada pela pandemia do COVID-19, é, nos marcos de um recrudescimento dessa crise, que se converteu rapidamente em uma profunda crise humanitária e acelerou o metabolismo da crise mundial do capitalismo que ocorrerá o 1º de maio, que é o dia internacional dos trabalhadores e tem suas raízes socialistas nos primórdios do século passado, ao contrário do que afirmou o pinochetista Paulo Guedes, Ministro da Economia do governo genocida de Bolsonaro,  para justificar criminosamente cortes draconianos no setor de Saúde, como no kit covid de intubação, no programa de vacinação, etc. de que a pandemia está arrefecendo.

O sistema capitalista mundial, que encontra-se respirando por aparelhos, demonstrou nessa crise que a acumulação do capital, baseada na exploração do homem pelo homem é um vetor que vai totalmente no sentido contrário à defesa da vida e que, portanto não possui outra escolha senão levar milhões de seres humanos à infecção e à letalidade por conta da busca obstinada da produtividade contra a permanente queda tendencial da taxa média de lucro provocada pela crise de superprodução de mercadorias, por um lado, e, por outro lado, pela enorme desvalorização da força de trabalho, reforçada proporcionalmente pelo aumento vertiginoso do exército industrial de reserva de milhões de desempregados.

A crise atual é a maior crise capitalista da história, até referendado pelos principais observatórios do grandes capitalistas como o Financial Times. Por meio de repasses de trilhões de recursos públicos os lucros foram mantidos e até aumentados no ano passado. O efeito colateral foi o aumento da inflação e a disparada dos preços das matérias primas, o que tem impactado diretamente os ingresso.

As medidas do capital e seus governos no mundo inteiro tem sido a da defesa da produção de mercadorias e o lucro, pouco importando se a força de trabalho é a força produtiva que está sendo destruída, o que provoca um aumento das tendências do sistema capitalista à sua própria autodissolução.

Os salários e os direitos dos trabalhadores têm sido degradados. Há milhões de micro, pequenas e médias empresas que têm quebrado ou se encontram prestes a quebrar.

A produção de vacinas monopolizada pelos principais laboratórios do mundo e concentrada na sua maioria em um punhado de países imperialistas expressa o enorme abismo entre estes e os países periféricos, não restando senão para os trabalhadores dos países oprimidos pelo imperialismo a defesa de um programa de nacionalização e expropriação de toda a indústria farmacêutica e o desconhecimento da propriedade intelectual desses monopólios com a quebra das patentes.

O ano de 2021 iniciou espetacularmente marcando o completo fracasso e fim da era Trump nos EUA, com sua tentativa de golpe de estado na ocupação do Capitólio, com o antecedente histórico das multitudinárias mobilizações de 2020 contra o assassinato cruel de um policial branco a Georg Floyd, que ascendeu o estopim de uma enorme rebelião popular que chegou a cercar a Casa Branca em Washington e obrigar o presidente e seus arroubos fascistóides a se esconder em seu bunker de guerra. Joe Biden que venceu as eleições questionadas por fraudes é o outro lado da moeda do imperialismo norte-americano que tem que se haver com a guerra comercial acirrada com a China e com a contenção do descontentamento das massas dentro do seu próprio país.

A “saída” do capitalismo mundial para a brutal crise, que tem elevado os montantes de capitais fictícios a níveis estratosféricos, é a guerra, que implica em nova escala de destruição de forças produtivas e na militarização das sociedades. Esta política está sendo colocada em prática em todo o mundo. Em América Latina, o pinochetismo tem se generalizado. A imposição generalizada de estados de sítio, sob a máscara de supostamente combater o Covid, é a pior desde as sangrentas ditaduras militares.

No Brasil, a burguesia enquanto classe dominante está por detrás da política de genocídio deliberado do governo Bolsonaro, que já se aproxima de 400 mil mortes pelo COVID-19, não havendo mais nenhuma tergiversação em relação à necessidade vital para a classe trabalhadora de por um fim a esta situação insuportável.

O governo Bolsonaro é a correia de transmissão dos interesses da poderosa federação patronal, a FIESP, Paulo Skaf, e os maiores empresários e banqueiros do país, bem como dos representantes do agronegócio, o setor que mais lucra com a pandemia através da exportação de commodities em muitos casos com antecipação de contratos de venda de mercadorias de até 4 anos.

O Congresso Nacional aprovou a semi privatização do programa nacional de vacinação com o direito das empresas privadas adquirirem as vacinas sem que seja necessário doar todo o seu estoque ao sistema público de saúde. A defesa do SUS só pode se dá acompanhada da luta pela estatização da saúde com expropriação dos hospitais e clínicas e os planos privados de saúde, que se beneficiaram com a municipalização da saúde. Por um sistema de saúde 100% estatal sob controle dos trabalhadores.

A MP 936 de redução da jornada de trabalho com redução salarial de 25% a 75% ou suspensão dos contratos através de acordos (coação) entre os patrões e os trabalhadores, e pagamento do BEm (Benefício Emergencial proporcional ao benefício do Seguro-desemprego) que vigorou de abril a dezembro de 2021, cinicamente autoproclamada como de Preservação do Emprego e da Renda, volta à tona no Congresso Nacional como exigência do G-20 tupiniquim, o grupo dos 20 maiores empresários do país, em vídeo-conferência direta com Bolsonaro, em abril do ano passado, com o objetivo de reter o FGTS, o valor integral do benefício do Seguro-desemprego e a multa rescisória dos trabalhadores.

No bolso do Centrão, no interior do Congresso Nacional, o governo Bolsonaro reteve verbas da saúde, seguro-desemprego, educação, previdência social, moradia, ciência e tecnologia, etc. para garantir um montante de 33,5 bilhões para as emendas parlamentares, e mesmo assim, ver ameaçada a sua governabilidade. 

Na Cúpula de Líderes sobre o Clima convocada por Joe Biden, nos EUA, Bolsonaro para agradar o imperialismo fez falsas promessas para logo depois cortar milhões no Orçamento na Fiscalização ao combate ao desmatamento. Um dirigente sindical da Associação Nacional dos Servidores do IBAMA denunciou que em 2020 mesmo o orçamento destinado à Fiscalização e proteção ao meio ambiente já ter sido barbaramente encolhido, nem sequer foi utilizado pelo governo Bolsonaro integralmente.

Bolsonaro e o Centrão não conseguiram evitar a instalação da CPI da pandemia, que terá como alvo principalmente seu ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazzuelo, que por mais controlada que possa ser pela bancada governista, e venha a ter a complacência da oposição com a sua governabilidade, é mais um componente na “usina de crises” que se tornou um método sistemático de governo.

Bolsonaro acuado pelo Congresso Nacional com a instalação da CPI da pandemia, pelo STF com as últimas decisões que este tomou principalmente em relação à liberação da candidatura de Lula, ameaçou colocar o exército nas ruas para impedir que os governadores e prefeitos apliquem o lockdown invocando a Constituição Federal, escancarando o verdadeiro conteúdo da democracia burguesa que em última instância é a ditadura de um punhado de capitalistas, que impõem à fórceps o direito de exploração da força de trabalho, enquanto que para os trabalhadores o único direito que possuem nos marcos dessa democracia é o de serem explorados, e nessa situação de excepcionalidade que passa a humanidade, doando sua própria vida.

A outra tentativa de saída do capital passa por uma nova etapa de privatização das empresas estatais que ainda restam, que no Rio Grande do Sul escandalosamente foi o pontapé inicial com a entrega do que restava da Companhia Estadual de Energia Elétrica – CEEE, a troco de banana, pelo valor de todo o ativo e patrimônio da empresa por R$ 100 mil. O governo Bolsonaro já enviou para o Congresso Nacional os projetos de privatização da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e da Eletrosul. 

Os maiores interessados na luta contra a privatização das empresas estatais em primeiro lugar são seus próprios trabalhadores, que sofrerão com as demissões e demais consequências nefastas; os maiores interessados na privatização das mesmas são setores da burguesia nacional que parasitam historicamente nestas mesmas empresas e o imperialismo; mas é do interesse geral de toda a classe trabalhadora que essas empresas não sejam privatizadas e passem a ser controladas pelos próprios trabalhadores. Esse é um ponto que deve estar inscrito no programa de transição desse beco sem saída do sistema capitalista para um governo de trabalhadores, uma sociedade socialista.

Há 25 anos da chacina dos sem-terras em Eldorado dos Carajás, no Pará, sob os auspícios dos governos federal de FHC e estadual de Almir Gabriel, ambos do PSDB, a CUT, a CTB e a Intersindical junto com outras centrais sindicais diretamente ligados aos patrões e à direita convocou um ato do 1º de maio aonde estarão no mesmo palanque Lula, Dilma, Boulos, Flávio Dino, Marina Silva, Ciro Gomes, João Dória, FHC e outros representantes do capital e da direita, como o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira do PP de Alagoas e o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco do DEM de Minas Gerais. 

Uma frente ampla sem limites à direita, do PT, PC do B, PSOL, PDT, REDE, PSDB, PP, DEM tendo a burocracia sindical cutista e as demais centrais a função de dar um verniz “classista” no ato do 1º de maio, que é para ser justamente um ato de luta contra os interesses patronais e do grande capital nacional e internacional.

O governo Bolsonaro quando supostamente estaria prestes a cair foi anabolizado pelo novo governo Biden/ Kamala. Todo o regime político, desde a extrema direita até a “esquerda” oficial são instrumentos da política do imperialismo de massacrar os povos brasileiro e latino-americanos para salvar-se da sua crise. É um governo Bolsonaro 2.0 e muito mais inimigo do povo brasileiro.

Lula, depois de anunciada a liberação da sua candidatura, em uma entrevista para a Rede Bandeirantes afirmou que Bolsonaro devia começar a governar o país, dando um verdadeiro talão de cheques em branco para o presidente genocida e deixando-lhe com as mãos e os pés livres até as eleições de 2022, e que é favor da privatização de algumas estatais, explicando porque mormente exista um genocídio deliberado no país, o qual o governo Bolsonaro é o principal responsável, como dizem nossos hermanos latino-americanos “no se pasa nadie!”. A governabilidade de Bolsonaro/Mourão, Guedes, e todos os bandidos instalados no Palácio do Planalto está garantida, desde que a candidatura de Bolsonaro se desidrate, mesmo que seja às custas de milhares de mortes e milhões de infectados pelo COVID-19.  

Por isso, neste 1º de Maio afirmamos que é um dia da classe trabalhadora do mundo inteiro, um dia de luta classista dos trabalhadores.

Convocamos todas as organizações e agrupamentos operários independentes a constituir uma frente única de luta por um 1º de maio internacionalista, operário, revolucionário e socialista, que levante a defesa das necessidades mais prementes dos trabalhadores.

Dentre elas e para começar, a Constituição de um Comitê Independente dos trabalhadores para centralizar a luta pelo combate à pandemia, por um programa de vacinação em massa e imediato, desde que haja uma investigação realizada por esse Comitê sobre os efeitos colaterais graves e sobre a agressão à soberania nacional imposta pelos monopólios.

Contra a redução dos salários e a suspensão dos contratos, pela redução da jornada de trabalho nos setores vitais como a saúde e alimentação sem redução dos salários.

Pela escala móvel da jornada de trabalho e dos salários e a garantia de uma verdadeira quarentena para os trabalhadores que dure pelo menos 60 dias para liquidar com o ciclo de reprodução do vírus do Covid. O governo deve viabilizar ajuda dignas para todos os brasileiros durante o período, da mesma maneira que em março de 2019 repassou prontamente R$ 1,250 trilhões aos bancos.

Pela imediata ruptura de pagamento da fraudulenta dívida pública, e a estatização do sistema financeiro e do comércio exterior. Esses processos também devem ser controlados pelo Comitê independente de trabalhadores.

Não às privatizações, colocar as estatais sob controle dos trabalhadores, reestatização de todas as empresas estatais que foram privatizadas sob controle dos trabalhadores.

Não ao genocídio, a escravidão, a fome e a miséria que assolam os trabalhadores.

Por um Congresso de bases com delegados eleitos nos locais de trabalho, moradia e estudo, para discutir e aprovar um programa que coloque na ordem do dia a organização dos trabalhadores contra o massacre generalizado, na direção de uma verdadeira GREVE GERAL, que seja capaz de desenvolver lutas e generalizá-las, para colocar abaixo o governo genocida de Bolsonaro/Mourão, que neste momento representa todo o regime político a serviço dos grandes capitalistas.

A saída dos trabalhadores para a crise é lutar por um governo dos trabalhadores da cidade e do campo e pelo socialismo, que implica na expropriação dos grandes capitalistas e o rompimento com o imperialismo.

***