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sábado, 17 de agosto de 2024

UMA ESQUERDA AQUÉM DAS NECESSIDADES HISTÓRICAS DO BRASIL * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

UMA ESQUERDA AQUÉM DAS NECESSIDADES HISTÓRICAS DO BRASIL
A posição de setores da esquerda brasileira sobre o resultado da eleição venezuelana, alinhando-se com as posições do imperialismo e condenando o governo de Maduro, expôs o quanto ela está aquém das necessidades históricas impostas pela luta de classe.

Política e ideologicamente ela está constituída, em sua maioria, por liberais de esquerda. Sociologicamente predomina em seu interior setores sociais médios. Alguns se radicalizaram a partir de 2013 e outros mais tardiamente, quando o bolsonarismo fez sua entrada avassaladora na cena política com suas pautas de natureza conservadora, provocando uma reação desses setores. Uma parte desses setores avançou para posições comunistas e revolucionárias. Mas outros ainda se mantém presos a uma perspectiva liberal.

Em seu conjunto essa esquerda baseia sua leitura na ideia da democracia como valor universal. Ignora categorias centrais de análise como luta de classe e imperialismo. Há uma adesão quase completa ao eleitoralismo e ao jogo institucional burguês. É movida por referências mais cosmopolitas e menos nacionais. É mais sensível ao debate de cunho moral, escandalizando-se com as propostas retrógradas dos conservadores. Porém, no tema da política econômica já não mostram a mesma indignação.

Carregam consigo alguns vícios de sua situação de classe ao manterem certo elitismo em suas análises. O exemplo está numa certa ideia de superioridade moral e intelectual de que no Brasil haveria uma jabuticaba: o “pobre de direita” que votaria contra seus próprios interesses de classe.

Por sua condição de classe, e sem estarem amparados num movimento popular poderoso, esse segmento vive em estado de constante amedrontamento. Oscila entre a euforia, quando investigações ameaçam com a prisão da família Bolsonaro, ao pavor de um retorno do extremismo de direita, quando em algumas circunstâncias o bolsonarismo ainda mostra força social.

A causa básica desse cenário é a perda de vitalidade, acentuada nas últimas duas décadas, do poderoso movimento de massa surgido entre 1970 e 1980. A fantástica ascensão das massas trabalhadoras na cena política, observada nesses anos, murchou. Coube ao liberalismo de esquerda ocupar o vazio deixado por um movimento popular e operário de natureza contestatória. Porém, esse segmento é incapaz de levar a frente uma luta capaz de neutralizar a força da demagogia reacionária e fascista.

No atual contexto da acumulação capitalista no Brasil, a burguesia se sente à vontade para pisar sobre a classe trabalhadora. E isso acontece porque esta não representa atualmente uma ameaça à ordem burguesa. Se a esquerda em geral, e particularmente os comunistas, quiserem estar à altura das atuais necessidades históricas da luta de classe no Brasil, terão de se mostrar capazes de organizar, estimular e orientar as lutas populares. Será preciso refundar a esquerda brasileira.

É preciso retomar com urgência o debate da pauta econômica, da exploração e do imperialismo. É preciso mobilizar as massas trabalhadoras e pressionar o governo a alterar os rumos da economia. Lula tem reclamado de uma falta de mobilização do movimento sindical e popular que lhe dê suporte político para enfrentar o rentismo. Só por esse meio poderemos superar a influência do liberalismo de esquerda. Caberá aos comunistas esse papel.

quinta-feira, 28 de abril de 2022

OS MOTIVOS PARA O CRESCIMENTO DA EXTREMA-DIREITA ENTRE OS POBRES NA FRANÇA E NO MUNDO * HEITOR SILVA.RJ

OS MOTIVOS PARA O CRESCIMENTO DA EXTREMA-DIREITA ENTRE OS POBRES NA FRANÇA E NO MUNDO
HEITOR SILVA.RJ

O quadro acima mostra que a candidata da extrema-direita na França foi a favorita entre os trabalhadores de mais baixas rendas. Lembramos que além dos que votaram na Le Pen ainda houve 28,3% dos eleitores que não compareceram para votar, ou seja, mais de 1 em cada 4 franceses se recusa a acreditar no sistema eleitoral.

Este não é um fenômeno francês, há uma tendência mundial de ampliação dos votos dos mais pobres na extrema-direita. Por que aqueles que defendem a concentração de riqueza, os que não dão valor a vida humana, conseguem os votos dos mais pobres?

A resposta está, ao nosso modo de ver, na incapacidade da esquerda de garantir emprego, perspectiva de vida ou de apontar para mudanças, o que abre uma insatisfação dos mais prejudicados que só encontram como contestação do status-quo a extrema-direita. A dificuldade é que eles não percebem que o ataque da extrema-direita a democracia não é para ampliar direitos, mas para ampliar a exploração dos trabalhadores.

A esquerda vem se comportando não como parteira de uma nova ordem, mas como guardiã de uma ordem injusta e recolhe a repulsa daqueles que mais sentem na pele as injustiças.

Para fazer frente a extrema-direita precisamos de uma esquerda que também queira, pense e trabalhe pela mudança, mas não mudanças cosméticas, mas sim mudanças radicais.
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quarta-feira, 8 de setembro de 2021

DESMASCARANDO A CONCILIAÇÃO DE CLASSES * Dalton Rosado / CE

DESMASCARANDO A CONCILIAÇÃO DE CLASSES

PODCAST COM DALTON ROSADO

O Partido dos Trabalhadores, como todos os partidos trabalhistas do mundo, não quer superar o trabalho abstrato e a figura do trabalhador, que é a razão de ser da sua existência. 


Precisamos compreender que o trabalho abstrato, e sua personificação no trabalhador, se constituem como a base e a primeira célula da formação do valor abstrato, ou seja, do dinheiro que se transforma em capital. O trabalho e o trabalhador não são a antítese do capital, mas a sua base existencial primária escravizada.


O PT se nutre dessa condição para existir, ou seja, do trabalho escravo do capital, e a questão que se coloca não é libertar o trabalho produtor de valor, mas supera-lo enquanto categoria do capital. Não se trata de nos libertarmos NO Trabalho, mas nos libertarmos DO trabalho!!!


Enquanto existir o trabalho e o trabalhador a luta de classes vai continuar a existir, bem como a divisão das próprias classes sociais, e nessa guerra os que compram a mercadoria salário e os as vendem serão sempre os artífices da segregação social de classes, e com a vitória dos primeiros, detém o capital. Não devemos tentar melhorar a vida dos trabalhadores, impossível de acontecer sob o jugo do capital, mas superar as categorias capitalistas trabalho e trabalhador como fator da emancipação humana. 


Chega de servilismos bem intencionados; destes o inferno está cheio!!!

Dalton Rosado / CE

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