Mostrando postagens com marcador oriente medio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador oriente medio. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

QUEM FINANCIA O GENOCÍDIO PALESTINO * Ana Paula Rocha/SE

QUEM FINANCIA O GENOCÍDIO PALESTINO
Governo de Sergipe comprou quase R$ 3,7 milhões em armas de ex-estatal israelense ligada a massacres de palestinos.

Ao todo, 274 carabinas da empresa Israel Weapon Industries Ltd foram adquiridas entre 2022 e 2023. A empresa é uma das fornecedoras das forças armadas israelenses, envolvidas em uma guerra genocida contra os palestinos.

Em 2022, nos últimos meses do mandato de Belivaldo Chagas (à época no PSD, atualmente no Podemos) como governador de Sergipe, seu secretário de Segurança Pública, João Eloy de Menezes, acordou a compra de armas da empresa Israel Weapon Industries Ltd, também conhecida pela sigla IWI.

A edição do Diário Oficial de Sergipe de 31 de agosto daquele ano traz o extrato do contrato, no qual consta que as 85 unidades de carabinas calibre 556 – 10 delas com mira holográfica – custariam aos cofres públicos US$ 187.715,15, o equivalente a R$ 1,08 milhões na cotação atual.

Em março de 2023, sob novo governo estadual, porém mantendo João Eloy à frente da segurança pública sergipana, outra compra de carabinas da mesma empresa: o governo do então recém-eleito Fábio Mitidieri (PSD) adquiriu 50 unidades a um custo de pouco mais de R$ 884 mil (US$ 152.501,16).

Seis meses mais tarde e em sua segunda compra de armas da IWI, a gestão Mitidieri divulgava o extrato do contrato para a aquisição de 139 carabinas calibre 556 no valor total de US$300.245,56, pouco mais de R$ 1,7 milhões.

Menos de 30 dias após essa transação, Israel intensificaria seus ataques a Gaza, matando pelo menos 44 mil pessoas até o momento – 70% delas crianças e mulheres. A investida contra a faixa de terra do tamanho do município sergipano de Japaratuba e que abriga mais 2 milhões de habitantes cercados por terra, ar e mar desde 2006 é classificada como genocida pela relatora especial das Nações Unidas (ONU) para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese. No rol de armamentos utilizados por Israel estão justamente armas da IWI.

A Mangue Jornalismo levantou os detalhes dos movimentos de aproximação do governo de Israel e da IWI com Sergipe. São gestos tímidos e concentrados nos últimos seis anos, mas que sugerem o interesse do país no menor estado nordestino, bem como a disposição das duas administrações estaduais sergipanas mais recentes em responder positivamente a estes acenos.

Para além de transações comerciais, as trocas incluem conversas – que não vingaram – para parcerias com a Universidade Federal de Sergipe (UFS), única instituição pública de ensino superior do estado.

“Esse é um armamento de guerra”

Atualmente empenhado em sucessivos bombardeios contra a população civil de seus vizinhos, o autodenominado Estado judeu é pioneiro na exportação de tecnologia de ocupação para dezenas de países – e a Israel Weapon Industries é parte importante desta história.

Privatizada em 2005, ano no qual foi também rebatizada, a IWI foi fundada em 1933 como uma divisão da Israel Military Industries Ltd (IMI). À época, o estado de Israel ainda não havia sido implantado na Palestina, fato que se deu na segunda metade da década de 1940 após ataques coordenados de sionistas (defensores da existência de um Estado só para judeus) majoritariamente europeus a vilas palestinas, com expulsões violentas de seus moradores.

Conhecida por suas armas de fogo portáteis, a criação mais famosa da IWI é a submetralhadora Uzi, concluída em 1950 e utilizada na ocupação de áreas palestinas desde 1954, ano de sua adoção oficial pelas Forças de Defesa de Israel (mais conhecidas pela sigla em inglês IDF). Já as armas do tipo carabina, cujo nome comercial dado pela empresa é “ACE”, são mais recentes e foram pensadas para “atender às necessidades do campo de batalha moderno”.

No final de agosto de 2023, o governador Fábio Mitidieri entregou as 75 carabinas sem mira holográfica compradas ainda na gestão de Belivaldo Chagas. A Polícia Militar sergipana recebeu 55 delas e à Polícia Civil do estado ficou com as 20 restantes.

Já as 139 carabinas da terceira compra foram entregues à Polícia Civil de Sergipe no dia 21 de agosto deste ano. O armamento foi pago com recurso de emenda parlamentar destinada pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que é delegado da Polícia Civil. O dinheiro faz parte de um repasse de 2022 no valor de R$ 3,5 milhões reservado para o “desenvolvimento de políticas de segurança pública, prevenção e enfrentamento à criminalidade”, como informado no Portal da Transparência.

BANCADA SIONISTA
A deputada federal Delegada Katarina (PSD); o senador Alessandro Vieira (MDB-SE); o secretário de Segurança Pública de Sergipe, João Eloy de Menezes; e o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), participaram de evento para entrega das 139 carabinas da empresa israelense IWI em agosto deste ano. Foto: André Moreira/Ascom governo de Sergipe.

Em seu agradecimento ao senador, o atual delegado-geral da Polícia Civil sergipana, Thiago Leandro, disse que “esse é um armamento de guerra” e explicou que a demora na entrega do armamento se deu por conta do conflito entre Israel e o braço armado do grupo palestino Hamas. “Agora vamos disponibilizá-lo para as equipes policiais civis para que possam combater o crime com mais eficácia”, afirmou o delegado-geral em notícia publicada no site do governo estadual.

Testado em combate

A deputada federal Delegada Katarina (PSD); o senador Alessandro Vieira (MDB-SE); o secretário de Segurança Pública de Sergipe, João Eloy de Menezes; e o governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), participaram de evento para entrega das 139 carabinas da empresa israelense IWI em agosto deste ano. Foto: André Moreira/Ascom governo de Sergipe.

Em seu agradecimento ao senador, o atual delegado-geral da Polícia Civil sergipana, Thiago Leandro, disse que “esse é um armamento de guerra” e explicou que a demora na entrega do armamento se deu por conta do conflito entre Israel e o braço armado do grupo palestino Hamas. “Agora vamos disponibilizá-lo para as equipes policiais civis para que possam combater o crime com mais eficácia”, afirmou o delegado-geral em notícia publicada no site do governo estadual.

Os armamentos de guerra vendidos por fabricantes israelenses têm o selo de “testado em combate”, como explica o jornalista australiano Antony Loewenstein no livro Laboratório Palestina, lançado este ano no Brasil. Seu título faz referência ao uso dos mais variados tipos de armamentos contra a população palestina confinada em Gaza e nos territórios ocupados da Cisjordânia, onde estão, por exemplo, cidades como Ramallah, Belém, Jericó e Al Khalil (Hebron, em hebraico).

O site oficial da IWIinforma que “as armas da empresa são desenvolvidas em estreita colaboração com as Forças de Defesa de Israel [IDF]” e que “suas mais recentes configurações são o produto de interações contínuas, testes em campo e modificações resultantes de necessidades de combate e experiência”.

Questionado por e-mail pela Mangue Jornalismo se corrobora com a manutenção de laços comerciais com empresas diretamente envolvidas na morte de civis, o senador Alessandro Vieira disse que “a escolha do fornecedor é feita pelo Executivo, através de processo próprio. O parlamentar apenas atende a demanda orçamentária”.

Ele ressaltou que também destinou emendas parlamentares para áreas como saúde e assistência social, e concluiu sua resposta afirmando que “os resultados da segurança pública em Sergipe são positivos e com amplo reconhecimento nacional”.

Dentre esses resultados, a Mangue Jornalismo mostrou que Sergipe apresenta a maior taxa proporcional de mortes de crianças e adolescentes causadas por agentes da segurança pública, segundo estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Já a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) de Sergipe afirmou que, “assim como outras secretarias estaduais de segurança pública no Brasil, [a SSP-SE] realiza a compra de equipamentos de proteção individual, incluindo armas de fogo, exclusivamente com base na legalidade dos processos e na qualidade dos produtos adquiridos” e que “no caso das carabinas da Israel Weapon Industries (IWI), a escolha se baseia na combinação de características que tornam essas armas especialmente eficazes para o combate urbano e outras operações de alto risco”. Leia a nota completa ao final da reportagem.

Antes da primeira compra de armas da IWI, agentes de segurança em Sergipe já haviam tido contato com o modo israelense de usar a força. Em dezembro de 2017 e de 2018, o ex-IDF Michael “Mike” Milstein deu formação sobre proteção de autoridades para integrantes da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core), anteriormente conhecida como Grupo Especial de Repressão e Busca (GERB).

TREINAMENTO
Em dezembro de 2017 e de 2018, o ex-IDF Michael “Mike” Milstein deu formação para agentes de segurança em Sergipe. Imagem: Reprodução/Facebook.

Visita do embaixador israelense

Após ser eleito presidente da Frente Parlamentar de Amizade Brasil-Israel em 2015, o então deputado federal por Sergipe Pastor Jony Marcos (Republicanos) se movimentou para aproximar Sergipe de Israel. O ato mais expressivo nesse sentido foi a visita de Yossi Shelley, chefe da embaixada israelense no Brasil entre março de 2017 e março de 2021, à UFS. Na mesma passagem pelo estado, Shelley recebeu o título de cidadão sergipano.

A Mangue perguntou à reitoria da UFS se a universidade foi institucionalmente contatada pelo governo de Israel, instituições, grupos ou coletivos israelenses entre janeiro de 2023 e outubro de 2024 e se a reitoria está trabalhando em alguma atividade ou conversas com parceiros israelenses. Em resposta, a Coordenação de Relações Internacionais (CORI) da universidade respondeu negativamente às duas perguntas.

A coordenadoria, que é responsável pelas atividades com parceiros estrangeiros, ressaltou que “A avaliação da CORI é de que a UFS, como instituição pública, em respeito à Constituição Federal do Brasil, que reza sobre a ‘Prevalência dos direitos humanos nas relações internacionais’, o ‘Direito à vida, à liberdade e à segurança’, e sobre o ‘Princípio da dignidade humana’, em solidariedade ao povo palestino, vítima de genocídio por parte de Israel, deve manter cautela e rigoroso escrutínio nas relações com aquele País [Israel].”

Apontado este mês como novo embaixador de Israel para os Emirados Árabes Unidos, Shelley foi acusado por uma mulher brasileira de ter cometido assédio sexual, segundo reportagem do jornal israelense Haaretz publicada no ano passado. A mulher afirmou que, em mensagens por aplicativo e em uma ligação de vídeo com Shelley, o embaixador teria tentado negociar a liberação de um visto de turismo para a brasileira em troca de favores sexuais. Cidadãos do Brasil são isentos da exigência de visto para viagens a Israel desde 2000.

Íntegra da nota enviada pela SSP-SE

A Secretaria da Segurança Pública de Sergipe (SSP), assim como outras secretarias estaduais de segurança pública no Brasil, realiza a compra de equipamentos de proteção individual, incluindo armas de fogo, exclusivamente com base na legalidade dos processos e na qualidade dos produtos adquiridos. Nessas aquisições, não entram em questão ideologias políticas ou preferências baseadas em aspectos específicos de outros países. As aquisições são feitas por meio de registros de preço de compras anteriores ou processos licitatórios, inclusive internacionais, sempre em conformidade com a legislação vigente.

Para a compra de armamentos, a SSP de Sergipe utiliza critérios rigorosos que priorizam a confiabilidade, precisão, durabilidade e adequação ao ambiente de atuação das polícias, levando em conta as necessidades operacionais das diversas unidades. Esses critérios asseguram que os equipamentos adquiridos respondam adequadamente às operações diárias e táticas, incluindo situações de alto risco.

No caso das carabinas da Israel Weapon Industries (IWI), a escolha se baseia na combinação de características que tornam essas armas especialmente eficazes para o combate urbano e outras operações de alto risco. As carabinas da IWI são amplamente reconhecidas por suas características técnicas e operacionais, sendo usadas por forças de segurança em diversos países, inclusive por unidades táticas no Brasil, como a Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) e outras equipes de operações especiais da Segurança Pública.

AQUI TEM MAIS

***

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

NAZISSIONISMO NO BRASIL II * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

NAZISSIONISMO NO BRASIL II

TERRORISTA GIL DINIZ
CONHEÇAM SEU PROJETO DE LEI

*

AS PALAVRAS NÃO SÃO INOCENTES!

Carlos Matos Gomes

Guerra e Terrorismo — A propaganda de Israel e dos seus aliados (cúmplices) desenvolveram um dicionário específico para apresentar a situação em Gaza. Os porta-vozes de Israel e dos Estados Unidos foram treinados para o utilizar e difundir. Estão a fazê-lo e a servirem-no em doses maciças.

Israel está em guerra com o Hamas, garantem. É falso, o estado de Israel está em guerra com os palestinianos desde 1948, o Hamas foi criado em 1987. É um conhecimento de cultura geral. Sem investigação muito aprofundada é fácil saber que ocupação da Palestina foi e está a ser conduzida pelos judeus herdeiros dos movimentos terroristas desde os anos trinta do século vinte, quando começaram a lutar contra os ingleses, que tinham mandato da Sociedade da Nações de protetorado na Palestina desde o final da I Grande Guerra e que se manteve até ao final da II Guerra Mundial, quando os ingleses entregaram formalmente a Palestina à ONU, recém criada e aos Estados Unidos e à URSS para a condução prática do imbróglio do que fazer com os judeus sobreviventes do Holocausto. Esses movimentos lutaram através da imposição do terror para expulsar os palestinianos das suas terras e casas, sem olhar a meios.

O Exército de Israel, que se esconde debaixo da inocente, mas falaciosa designação de Forças de Defesa de Israel (IDF na designação anglo saxónica), tem antepassados que é fácil conhecer e que os jornalistas e comentadores só não apresentam porque esse conhecimento é inconveniente para versão da Verdade Única que deve ser imposta. O mais antigo e direto é o Haganá, uma organização de judeus sionistas, a primeira a utilizar o terrorismo na Palestina. Como é comum nas histórias dos movimentos terroristas, o Haganá, que também agiu como instrumento dos ingleses, sofreu várias dissidências, cada uma mais radical que a organização-mãe. Uma, o Irgun, comandado por Menhachem Begin, que chegaria a primeiro ministro de Israel, realizou a célebre operação de terror contra o Hotel Rei David, que matou 91 pessoas, na maioria quadros ingleses. Outra das dissidências designava-se Lehi, e os ingleses referiam-na como o Stern Gang. Estas organizações foram responsáveis pelo afundamento do navio Patria, com 1600 judeus, que o Reino Unido estava a transferir para as ilhas Maurícias. As organizações de judeus sionistas preferiram matar outros judeus (duas centenas morreram afogados) a deixar que fossem para um local que não a de povoar a “sua Palestina”. Todos estes “respeitáveis” movimentos sionistas se reconverteram de terroristas em Força de Defesa de Israel .

O “Exército de Israel” tem como base ideológica o sionismo e percebe-se assim melhor que o final de “cada ato de defesa” contra os palestinianos se tenha traduzido na conquista mais território, que irá até conseguirem criar a “Grande Palestina”, uma invenção dos sionistas com recurso a mirabolantes interpretações bíblicas.
O objetivo do Exército de Israel nesta operação em Gaza é, numa primeira fase, “limpar o território” dos seus habitantes, criar um espaço vazio, sem habitantes (no men land), para justificar a ocupação por israelitas, numa segunda fase. Não há nenhuma guerra contra o Hamas, que é apenas o mais recente movimento de resistência palestiniana, mas um ataque aos palestinianos de Gaza (que elegeram o Hamas para o seu governo) com a finalidade de deslocar um povo através do terror, porque a alternativa apresentada por Israel à sua fuga será a chacina!

O Hamas é apenas mais um dos vários movimentos organizados de resistência, como foram a OLP, a Fatah, a Frente Popular de Libertação da Palestina, as intifadas. Todas refletem a parcialidade e a violência da injustiça inicial da distribuição de terras da Palestina patrocinada pela ONU com a criação do Estado de Israel, o tal que tem o direito de tudo poder fazer para se “defender”: palestinianos, com 70% da população, tiveram direito a 45,4% do território, os judeus, com 30% da população, tiveram direito a 53,5% do território. Jerusalém seria partilhada. Os sentimentos resultantes de uma violação, de um assalto à mão armada, de uma ocupação não se destroem à bomba, mesmo que de fósforo, nem à metralhadora, nem com carros de combate, nem com F16!

Israel tem o direito de se defender — Todos têm o direito de se defender, mesmo os recém-chegados! A questão não é de direito, é de análise da realidade: tem sido e continua a ser Israel quem ataca para impor o seu modelo de sociedade. Os palestinianos são quem se defende e defende o direito de permanecer num território que nunca abandonaram! Não saíram da sua terra para atacar os judeus, alguns dos quais (os descendentes dos que não foram procurar outros destinos que de Damasco os levaram até à Rússia e à Península Ibérica) habitaram a Palestina em boa convivência com os palestinianos até um judeu austríaco pregar o sionismo no final do século dezanove e, meio século mais tarde, as potências europeias vencedoras da Segunda Guerra Mundial despacharem os judeus para uma terra onde se governassem e que até esteve para ser Angola.

O ataque do Hamas aos colunatos junto à fronteira de Gaza é um terrível ato de terror que merece a mais forte condenação, pois atingiu pacíficos civis que estavam em suas casas ou a divertir-se. A afirmação dos evangelistas ao serviço da verdade única contém vários sofismas (mentiras):

- Os colunatos, que substituíram os Kibutz, militarizando-os e eliminando os princípios de socialismo e de vida em comum que os distinguiu no início, são instalações militares e todos os seus membros (incluindo as famílias) são militares e cumprem funções dentro da manobra militar do Estado e das Forças Armadas. São sentinelas, postos de observação e primeira linha de combate. Desempenham, com as diferenças de tempo e lugar, o importante papel na manobra militar que as aldeias estratégicas desempenharam na guerra colonial portuguesa em Angola, Guiné e Moçambique. Ou o papel dos colonatos criados com portugueses idos da Metrópole para se instalarem em zonas de fronteira da guerra. Esteve prevista instalação de um milhão de colonos na região da barragem de Cabora Bassa, para servirem de barreira, em conjunto com a albufeira ao avanço da FRELIMO. São condenáveis todas as mortes violentas. Sem falsos moralismos, mas há violências mais condenáveis que outras, e há violências condenáveis e violências aceitáveis e há violências que merecem operações mediáticas e há violências silenciadas. Existem com certeza cenas de violência na Ucrânia tanto o mais chocantes do que a do ataque do Hamas ao colunato! Há violências desculpáveis, as dos nossos e violências condenáveis, as dos outros! Há violências cuja exploração e condenação é mais vantajosa para o desenvolvimento de dada a uma estratégia do que outras. Estamos em plena manobra de ação psicológica. A velha Psico da guerra colonial!

Para os portugueses, em particular para alguns dos ditos “especialistas militares” a classificação de terroristas e de ações terroristas devia ser muito cuidadosa, se o conhecimento da História fosse considerado fator indispensável à análise do presente. Em 1972 Marcelo Caetano, chefe do governo, afirmou ao general Spínola, governador e comandante-chefe na Guiné, que preferia uma derrota honrosa do que negociar com terroristas. Um afirmação que Marcelo Caetano iludiu, procurando conversações com o PAIGC, em Londres, com o MPLA através de um assessor da embaixada de Roma, e com a Frelimo através do engenheiro Jardim, que conduziu ao 25 de Abril de 1974 e ao reconhecimento dos “terroristas” como os únicos interlocutores viáveis para a independência das colónias, e que passaram a ser os políticos com quem os governos portugueses vieram a manter relações baseadas no mutuo respeito.

O governo de Israel optou pela política de Caetano afirmar que não negoceia com terroristas. A diferença é que o sionistas que dominam a máquina militar de Israel consideraram os palestinianos animais, seres que devem ser eliminados pelos homens do povo eleito, com que não podem conviver, nem negociar, embora os palestinianos sejam semitas, como os judeus. Os nazis só tinham classificado os judeus como sub-humanos e decidiram para eles a solução final das câmaras de gás. Imagina-se o que preparam os israelitas para os animais palestinianos!

O último sofisma é a introdução do Irão como base desta resistência dos palestinianos. É o inimigo do momento, como anteriormente já foram o Líbano, o Egito, a Síria, até a Jordânia, criados à medida dos interesses da grande estratégia dos EUA. O Irão foi há muito erigido como o objetivo principal e final da estratégia americana de destabilização do Médio-Oriente, que começou com a invasão do Iraque. Israel é a principal base dos EUA no Médio Oriente. É um clássico dos espetáculos de boxe: colocar um lutador em cada canto. Também é um princípio da propaganda de Goebbels: iluminar e referir apenas um inimigo, dar-lhe um rosto e um nome. Agora o que está a dar é apresentar o Hamas como o desafiador do campeão Israel! Resta, silenciada, realidade: a violência de 75 anos imposta por colonos vindos de fora anos sobre uma comunidade autóctone. Mas resta um problema sério: os Estados Unidos terão capacidade para lutar simultaneamente no Médio Oriente contra o Irão e na Eurásia contra a Rússia, na Ucrânia? Com que apoio dos EUA podem contar aqueles que fazem guerras em seu nome? Esta é a pergunta que fazem Netanyahu e Zelesnki. É de ucranianos e de palestinianos a carne que está a sofrer os efeitos do dilema dos Estados Unidos que prometeram apoio eterno e incondicional à Ucrânia e a Israel!

Desmontar as falácias do discurso de apresentar o vilão como vítima não significa a concordância com os métodos do Hamas — que reproduzem os do seu inimigo e devem merecer o mesmo repúdio — nem a preferência pelos valores e tipo de sociedade que propõe. Mas tão só a de recusar a parcialidade do discurso dominante, as grosseiras mentiras em que assenta e a comparar as soluções do sionismo para Gaza com a experiências portuguesas na guerra colonial contra organizações consideradas terroristas, mas que concentravam em si as ansias de afirmação dos seus povos, entidades portadoras de uma cultura e com direito a viver segundo os seus costumes na terra que desde sempre e sem hiatos ocuparam.

Gaza não pode ser um gigantesco massacre de Wiriamu. Mas há quem defenda que sim.
*

Terrorismos ou terroristas?


Para todos que ainda usam o termo terrorista para classificar grupos e organizações que lutam pela liberdade de um país ou região e contra o colonialismo ainda existente no planeta, uma informação. Mandela foi um terrorista. Dilma também, assim como Lamarca, Marighella, "Pepe" Mujica, Salvador Allende, frei Beto, Che Guevara, Zumbi dos Palmares, Patrício Lumumba, até o Lula poderia ser incluído nesta lista, assim como tantos outros líderes e libertadores em vários países. 


O termo terrorista foi e continua sendo, usado intensamente pelos países colonialistas/imperialistas para designar toda e qualquer organização de luta e/ou lideranças dos movimentos de libertação nacional nos países e/ou regiões colonizadas e exploradas pelo Capital. À medida que estas organizações libertárias começaram a lograr êxito, os países colonialistas/imperialistas passaram a usar da mesma forma de luta para manter o controle dos países colonizados ou passar a controlar outros que estejam nos objetivos de exploração capitalista-imperialista. 


Junto dos grupos de oposição das classes sociais oportunistas em países chaves, que concordavam em ter apoio e dinheiros dos países colonialistas/imperialistas, o Capital passa a financiar a existência de organizações político-paramilitares sob o argumento falso de que estariam lutando pela independência do país e/ou da região contra o perigo soviético, durante a guerra fria, ou contra qualquer perigo que os países colonialistas/imperialistas definam como tal . Com ataques de bombas, atentados, assassinatos etc. provocam o caos na sociedade justificando uma intervenção e/ou golpe de estado pró países colonialistas/imperialistas. 


Ou seja, o termo terrorismo ou terrorista, para designar alguém ou alguma organização contrária aos interesses do Capital, virou um meme universal para desclassificar pessoas ou organizações que lutam contra a exploração colonialista/imperialista. Na realidade, são os países colonialistas/imperialistas que usam e abusam de todo tipo de violência brutal e cruel para manter o controle do Capital nas suas mais variadas formas sobre o país colonizado (exploração econômica das riquezas locais e o controle social-político da população contra qualquer tipo de oposição ao colonialismo). 


Alguns exemplos são necessários. A libertação de Angola do colonialismo Português se deu por meio da organização de luta chamada Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA). Haviam, também, dois outros movimentos, a União dos Povos de Angola (UPA) e o Movimento de Libertação do Enclave de Cabinda (M.L.E.C). África do Sul, no tempo do apartheid, os EUA e Portugal apoiavam a UNITA contra o MPLA, por sua vez apoiados pelos soviéticos e pelo Conselho Nacional Africano (CNA). Esse apoio colonialista/imperialista a UNITA resultou num aprofundamento da guerra de independência de Angola. 


De 1961 a 1975, ano em que acabou a guerra de libertação angolana, não significou o fim da guerra civil. EUA e África do Sul bancaram conflitos internos que duraram até o ano 2002, apoiando a continuidade da luta contra o governo angolano recém liberto do jugo colonial português. 


Mais recentemente, a criação do Hamas feita pelos EUA e por Israel, em 1987, para dividir o movimento de libertação da Palestina. Ou a criação do ISIS, grupo armado islâmico iraquiano, que para muitos analistas foi mais uma criação dos americanos e israelenses para intervenção militar e ocupação de regiões na Síria, especialmente aquelas onde tem petróleo e gás. 


Em suma, chamar de terroristas grupos e/ou pessoas tem uma conotação explicitamente colonialista/imperialista. O uso intensivo de grupos armados pelas potências coloniais/imperiais nos mais variados rincões do planeta, para facilitar a ocupação militar, política e a exploração econômica nestes países, carrega uma narrativa histórica. 


Quando interessa ao poder colonial/imperialista, esse ou aquele grupo armado ou pessoas, passam a ser considerados terroristas. Quando os grupos armados estão defendendo os interesses colonialistas/imperialistas, mesmo que usem das mesmas táticas e armamentos dos grupos considerados terroristas, não são considerados como tal, mas "lutadores pelas liberdades democráticas". Essa hipocrisia é proposital, realça bem o que significa desqualificar grupo de lutas em países ou regiões colonizadas, com a pecha terrorista. 


Hamas é terrorista? As organizações de luta sionistas durante a ocupação inglesa na Palestina (1923-1948), Irgun Zvai Leumi (Organização Militar Nacional), o Etzel ou o Lehi, foram terroristas? Lembrando que o Irgun, era liderado por Menahem Begin, fundador histórico da direita israelense e que, em 1977, foi primeiro-ministro de Israel. Begin foi um terrorista? Bibi, o atual primeiro-ministro israelense, é um terrorista? Israel é um estado terrorista?


CEP MAGALHÃES/SP