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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

NAS ENTRELINHAS * Patrícia Souza&Raimundo Fraga/BA

 NAS ENTRELINHAS

NAS ENTRELINHAS – 30ª EDIÇÃO

Por que fingir que está tudo bem dá mais trabalho do que dizer a verdade?

Prepare-se! A nova edição do Nas Entrelinhas não vem com filtro, não vem com anestesia e muito menos com nota oficial para “esclarecer”. Vem com fatos e ironia... muita ironia.
Nesta edição especial você vai descobrir que:
A Vassalagem no Serviço Público não é coisa da Idade Média.
Ela só trocou o castelo por cargos, o feudo por gratificação e o juramento de lealdade por silêncio conveniente.
Faces de uma Tragédia mostram que ambientes educacionais também podem ser palco de dor, violência e sofrimento — enquanto alguns fingem que tudo se resolve com nota institucional e foto para rede social.
Quando a Máquina Pública Funciona Contra o Interesse Público, você entende como o sistema foi calibrado para servir a poucos, enquanto muitos pagam a conta.
Nota de Indignação: Oportunismo Inaceitável sobre Saúde Mental no IFBA
Porque nada mais moderno do que usar sofrimento como marketing institucional. Cuidar de verdade? Aí já é opcional.
TCU Suspende RSC no IFBA por Suspeita de Irregularidades
Reconhecimento de Saberes e Competências?
Aqui parece mais Reconhecimento de Silêncios Convenientes e Concessões Criativas.
Nota Pública X Crise de Credibilidade da Gestão do IFBA
Uma batalha épica entre a realidade e o departamento de “vamos soltar uma nota e ver se cola”.
Justiça Federal Anula Remoções no IFBA
Porque quando a gestão inventa regra, a Justiça lembra: Edital vencido não vira eterno só porque alguém quer.
O NAS ENTRELINHAS: O FAROL DA TRANSPARÊNCIA QUE O IFBA QUER APAGAR
Se incomoda, é porque ilumina. Se querem apagar, é porque tem coisa que não pode ser vista.
Carta Aberta – 30ª Edição: Para quem ainda acredita que o silêncio é uma virtude…
Spoiler : não é!
Silêncio não é virtude.
É ferramenta de quem se beneficia do escuro.
NAS ENTRELINHAS – 30ª Edição fazendo o que muita gestão não faz:
Lendo a lei
Ligando os pontos
Chamando o problema pelo nome
Porque transparência incomoda.
Mas improviso administrativo dá processo.
*Leia! Compartilhe! Espalhe!*
Se eles não gostam da luz, é sinal de que o farol está funcionando.
Para baixar a revista no formato PDF click no link abaixo:

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sexta-feira, 11 de julho de 2025

No Extremo Sul da Bahia pataxós seguem a luta pela soltura do Cacique Suruí Pataxó * BRASIL DE FATO

No Extremo Sul da Bahia, pataxós seguem em luta pela soltura do Cacique Suruí Pataxó
No início da semana, manifestantes bloquearam por dois dias a BR-101 em luta contra a prisão, considerada arbitrária.

Após dois dias de mobilizações que interditaram a BR-101 próximo a Itamaraju, no Extremo Sul da Bahia, indígenas seguem em luta pela soltura do Cacique Suruí Pataxó, presidente do Conselho de Caciques da Terra Indígena (TI) Barra Velha e também Cacique da Aldeia Mãe Barra Velha. Iniciado na segunda-feira (7), o bloqueio da estrada foi realizado por manifestantes das TIs Barra Velha e Comexatibá até a tarde da terça-feira (8). Além da liberação da liderança, as comunidades também lutam pela demarcação dos territórios e pelo fim da violência e criminalização dos indígenas. Os manifestantes apontam que podem retomar as mobilizações ainda nesta semana caso as reivindicações não sejam atendidas.

Em nota, o Conselho de Caciques aponta que a prisão de Suruí Pataxó, realizada no dia 2 de julho pela Força Nacional de Segurança Pública, ocorreu sem mandado judicial e foi motivada por perseguição política, com o objetivo de criminalizar uma liderança atuante na defesa dos direitos dos povos indígenas.

“O Cacique Suruí está sendo punido por cumprir seu dever ancestral e constitucional de defender seu povo, seu território e seus direitos. Ele é símbolo de resistência e dignidade, e sua prisão atenta contra todos os povos originários do Brasil”, aponta o documento.

Além disso, a entidade denuncia abusos cometidos por agentes durante o transporte do cacique e de três adolescentes indígenas, com relatos de tortura física e psicológica.

“Durante o trajeto, os policiais pararam o veículo diversas vezes na estrada, obrigando os detidos a descer, correr e se submeter a insultos e humilhações. O cacique foi chamado de ‘falso cacique’, teve sua identidade questionada e ouviu dos agentes que ‘o cano da arma deles estava quente'”, destaca a nota.

O Brasil de Fato entrou em contato com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, responsável pela atuação da Força Nacional, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.

Violência sistemática

Os manifestantes também denunciam a escalada da violência contra os povos indígenas e a criminalização das suas lideranças. Casos como o de Vitor Braz, assassinado com disparos de armas de fogo no dia 10 de março, do adolescente Gustavo Pataxó, de 14 anos, morto com um tiro de fuzil na nuca em setembro de 2022, e dos assassinatos de Nawir Brito de Jesus, de 17 anos, e Samuel Cristiano do Amor Divino, de 25 anos, seguem impunes.

Além disso, uma operação conjunta da Polícia Civil e da Polícia Militar da Bahia no dia 20 de março cumpriu 12 mandados de prisão e sete de busca e apreensão na Terra Indígena (TI) Barra Velha do Monte Pascoal, no município Prado, resultando na prisão de 24 indígenas Pataxó. À época, indígenas denunciaram invasão de casas e emprego de violência policial contra os moradores. De acordo com nota da Polícia Civil da Bahia, divulgada após a operação, a ação foi parte de uma investigação que apura supostos casos de violência de indígenas na região.

De acordo com o Relatório de Conflitos no Campo 2024 da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o ano passado apresentou o 2º maior número de conflitos da série histórica da CPT, com 2.185 casos registrados. Dos 13 assassinatos, 5 foram contra indígenas, a categoria que mais sofreu com a violência. O documento também destaca a atuação do “Movimento Invasão Zero“, grupo ruralista, fundado na Bahia, composto por grandes fazendeiros e proprietários de terras, conhecido por ações violentas contra famílias em situação de acampamento, ocupações e retomada de territórios.

Mãdy Pataxó, Cacique da TI Comexatibá, salienta que, ao invés de investigar e punir os crimes cometidos contra os povos indígenas, os aparatos do Estado avançam na criminalização de suas lideranças. “Enquanto os pistoleiros, os milicianos, os mandantes dos crimes, os assassinatos do sangue Pataxó derramado no caminho do agronegócio estão soltos, estão aí prendendo e criminalizando nossas lideranças”, denuncia.

“Pedimos a soltura do Cacique Suruí e a demarcação do território Barra Velha e Comexatibá. O meio ambiente está sendo destruído. A luta de Suruí é pelas águas, pela terra, pela floresta, espiritualidade de nossa mata, pela criança, ancião, mulher, jovem, pelo guerreiro. Então não podemos deixar que isso aconteça. Estamos juntos com eles”, completa o Cacique.

sexta-feira, 30 de junho de 2023

O QUE É QUE BAHIA TEM * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

O QUE É QUE A BAHIA TEM

A INDEPENDÊNCIA DA BAHIA, 

EM BAIANÊS

POR LOUTI BAHIA 

Oxe! Colé de mermo? Você fila aula e eu tenho que contar tudo de novo? Mas é niuma. Se ligue que você não sabe da terça-metade. Tá ligado que a Família Real partiu a mil de Portugal pra cá em 1808? Vazou com medo de Napoleão e quando chegou, deu uma de porreta e chamou a gente de Reino Unido.


Ficou todo mundo de boa e a gente comeu essa pilha. Tempo vai, tempo vem, rolou a crocodilagem: D. João VI e a Família Real partiram a mil de volta pra Portugal e ainda queriam que o Brasil voltasse a ser colônia. Aoooooooonde! Quem anda pra trás é caranguejo, mô pai. O povo se retô, pegô ar e o pau comeu. 


Aí, D. Pedro I deu o zig na família e disse assim pra Portugal: “Quem vai é o coelho. Diga ao povo que fico!” Pô, véio, D. Pedro brocô. Mas aí, o bicho pegô. Portugal ficou virado no estopô e a gente recebeu a galinha pulano: as tropas de Madeira de Melo armaram uma bocada nas ruas de Salvador e foi aquela muvuca. 


Nosso povo lutou, mas ximbou e se lenhou: o exército português tomou a cidade na tora. O povo ficou injuriado e fugiu picado para o Recôncavo junto com nossos soldados. Lá, eles usaram o tutano pra organizar a reação: tiveram uma ideia massa e criaram o Exército Libertador. Tinha poucos soldados e muita gente do povo: pobres, negros libertos, negros escravizados, índios, agricultores, etc. Só tinha uma mulher que se alistou na cocó dizendo que era homem: Maria Quitéria. 


Já tinha pra mais de 10 mil pessoas, mas era tudo feito a migué: tinha poucas armas, ninguém sabia lutar, um mangue da porra. E eu falo mesmo que eu não sou baú: o exército de Portugal virado no diabo e a gente ia lutar de badogue e barandão? Aí é barril dobrado. Mas o povo tava na pilha e o couro comeu. 


Um barco português chegou em Cachoeira atirando e os baianos renderam eles a bordo de canoas. Ô povo retado! Ô povo virado no estopô. Enquanto isso, em Salvador, o exército português tava bagunçando, mandando e desmandando: uma esculhambação da porra. Foi então que eles invadiram o Convento da Lapa e mataram a Sóror Joana Angélica. Aí fedeu. Aí escancarou tudo. Eles foram fuleiro. 


A notícia deixou o povo agoniado e o Exército Libertador decidiu que ia arrodear Salvador. Lá em Itaparica, o povo também deu testa ao exército português e não deixou invadir a ilha. Maria Felipa, uma negra retada, se juntou com mais 40 marisqueiras: elas ficaram de butuca e, na calada da noite, foram chavecar os vigias dos barcos. 


Levaram os donzelos pro mato e quando eles acharam que iam fazer ozadia, receberam foi uma surra de cansanção. Arde coma porra! É pior que tomar zunhada. Enquanto os vigias tavam nuzinhos, se coçando e se bulino, as mulheres colocaram fogo em mais de 40 barcos dos portugas. Receba, sinha miséra!


Já nas águas da Baía de Todos os Santos e no Rio Paraguaçu, foi João das Botas que lutou contra mais de 40 barcos portugueses com sua “Flotilha Itaparicana” que só tinha barco de pescador. É brincadeira um esparro desse? Mas ele tirou onda e segurou os portugueses. 


Até então, a briga era essa: o povo baiano contra Portugal. Mas aí, D. Pedro entrou na dança e mandou reforço. Pra terra, ele contratou o general francês “Labativs” (se falar Labatut, use o “lá ele” porque Labatut tem rima). Ele chegou com mais soldados do resto do Brasil e deu um trato no nosso Exército Libertador. Um tapinha aqui, outro ali, mas tudo continuou meio nas coxas, feito a facão. 


Mas como a guerra já era daqui pra li, e como baiano é baiano: se não guenta vara, peça cacetinho. Só tem tu, vai tu mesmo: imagine a paletada de Cachoeira até Salvador. Já para o mar, D. Pedro contratou o Lord Cochrane (mas pode chamar de “Croquete” que é niuma). O cara era escocês e já tinha fama de mau lá nas Europa. Isso já assustou a marinha portuguesa: ponto pra D. Pedro. 


O Exército Libertador tinha muita garra mas pouca experiência. Chegou e cercou a cidade mas levou um baculejo daqueles do exército português. Foi na Batalha de Pirajá: os caras bagunharam a gente. Foi barril de mil. Nem dava pra brincar de esconde-esconde ou gritar “um, dois, três, salve todos”. Já era, pai! 


Só que o nosso Corneteiro Lopes recebeu uma ordem pra tocar “borimbora” (Tradução: recuar), deu revertério e tocou “se joga” (Tradução: Cavalaria avançar e degolar). Oxe! Aí, esculhambou tudo. O nosso exército sacudiu a poeira e pra se amostrar, deu-lhe uma carreira e passou a porra nos portuga que não entenderam nada. Os portuga vazaram quando ouviram o toque de “se pique” e a galera do mau correndo pra dentro. 


Foi o maior migué da história da Bahia, do Brasil e do mundo porque a gente não tinha nem um cavalo pra contar história, que dirá uma cavalaria inteira. Só mesmo baiano pra ganhar uma guerra no grito. Isso né culhuda não, véio: foi assim mermo. O Corneteiro Lopes se armou porque deu certo, mas se desse merda, uzoto ia dizer que foi ideia de jerico. 


Com isso, isolamos os portugueses dentro de Salvador e aí deixamos eles sem água e sem comida: não entrava nem geladinho, nem bolinho-de-estudante, nem um real de big big.


Aí, quando a esquadra de Lord “Croquete” (Lord Cockrane) chegou e se juntou à flotinha de João das Botas, o sacrista do Madeira de Melo viu que já tava com a moral de jegue, chamou o rebanho de soldado dele na surdina e se picou de madrugada. 


Saiu no lixo mas João das Botas foi na cola deles até alto-mar e uns e oto “me disseram” que ele largou o doce assim, ó: Se plante, vú, seu Madeira! Não se abra não que eu não sou cupim. E nem volte aqui paroano! Na moral, véio, o nosso povo tirou onda: Salvador fiou livre e o Brasil consolidou sua independência. 


E quem não lutou com armas, lutou cuidando dos feridos, conseguindo comida para os soldados, doando dinheiro para as batalhas. Eita povo guerreiro! Eita povo boca de zero nove. E aí, painho, foi um arerê nas ruas de Salvador: o Exército Libertador entrou triunfante: todo mundo solto na buraqueira indo cumê água. A rua chega ficou apertada e assim nasceu o desfile do 2 de Julho. Né não é? 


Tá rebocado que você não sabia dessa história. Agora, tá ligado porque a tocha vem do Recôncavo, passa por Pirajá e chega na Lapinha, né? Tá ligado porque a festa é do povo, né? E tá ligado porque tem o Caboclo e a Cabocla, né? Ó paí! Não tá ligado não, seu leso. Me faça uma garapa! É porque eles representam a mistura popular que nos deu força pra lutar pela independência. Tá vendo aí? Fiz um texto grande pra apertar sua mente, mas a história é de lenhar, né não?


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Texto de Louti Bahia 

autor da página @amoahistoriadesalvador, pesquisador de cidades, especialista em Desenvolvimento Urbano, em Desenvolvimento Regional e em Planejamento Ambiental.

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DOIS DE JULHO, A VERDADEIRA DATA DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL


Hoje, dia 2 de julho de 2023, celebra-se na Bahia o verdadeiro bicentenário da independência do Brasil. Não foi no dia 7 de setembro de 1822, uma data de opereta, que a independência aconteceu de fato. Nada disso. A história é bem outra e por isso mesmo é pouco conhecida no país.


A coroa portuguesa não se importou muito em perder terras nas hoje conhecidas regiões Sul e Sudeste do Brasil. Outra coisa era perder a rapadura, o açúcar, minérios, cachaça etc. no Nordeste. Não mesmo. Os nordestinos, especialmente pernambucanos e baianos, foram pro pau. Houve guerra, muitas lutas e mortes até que no dia dois de julho de 1823, os portugueses foram derrotados e a independência do país se concretizou. Pronto...


Então, apesar de todo preconceito ainda existente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil contra nordestinos, vê-se que o Nordeste tem uma grande tradição histórica de salvar o país. Não foi só nas eleições elegendo o Lula. Aqui, especialmente na Bahia, há um forte sentimento de pertencimento, de brasilidade acima de tudo. E não é gratuito, afinal foi no litoral sul baiano, especificamente em Porto Seguro, onde tudo começou em 1500.


Não se avexe em desconhecer esta história. A Historiografia oficial privilegia o 7 de setembro de 1822, o "Independência ou Morte", aquele lorota de que não houve lutas pela independência, de que foi tudo "civilizado". Nada disso. Não fosse a luta que nordestinos travaram por 10 meses, talvez o Brasil não tivesse se separado da coroa portuguesa tão cedo. Na realidade, hoje festeja-se na Bahia, com muita festa e alegria, os 200 anos da independência verdadeira do Brasil. Venha, essa gente é arretada, lutadora, aguerrida.


"Um baiano, um coco. Dois baianos, dois cocos. Três baianos, uma cocada. Quatro baianos, uma baianada"... 


CEP MAGALHAES.SP

*
ODE AO 02 DE JULHO
(Castro Alves, São Paulo, junho de 1868)

Era no Dous de Julho
A pugna imensa
Travava-se nos cerros da Bahia…
O anjo da morte pálido cosia
Uma vasta mortalha em Pirajá.
“Neste lençol tão largo, tão extenso,
“Como um pedaço roto do infinito …
O mundo perguntava erguendo um grito:
“Qual dos gigantes morto rolará?! …

Debruçados do céu. . . a noite e os astros
Seguiam da peleja o incerto fado…
Era tocha — o fuzil avermelhado!
Era o Circo de Roma — o vasto chão!
Por palmas — o troar da artilharia!
Por feras — os canhões negros rugiam!
Por atletas — dous povos se batiam!
Enorme anfiteatro — era a amplidão!

Não! Não eram dous povos os que abalavam
Naquele instante o solo ensangüentado…
Era o porvir — em frente do passado,
A liberdade — em frente à escravidão.
Era a luta das águias — e do abutre,
A revolta do pulso — contra os ferros,
O pugilato da razão — com os erros,
O duelo da treva — e do clarão! …

No entanto a luta recrescia indômita
As bandeiras – como águias eriçadas —
“Se abismavam com as asas desdobradas
Na selva escura da fumaça atroz…
Tonto de espanto, cego de metralha
O arcanjo do triunfo vacilava…
E a glória desgrenhada acalentava
O cadáver sangrento dos heróis!

Mas quando a branca estrela matutina
Surgiu do espaço e as brisas forasteiras
No verde leque das gentis palmeiras
Foram cantar os hinos do arrebol,
Lá do campo deserto da batalha
Uma voz se elevou clara e divina.
Eras tu — liberdade peregrina!
Esposa do porvir — noiva do Sol!…

Eras tu que, com os dedos ensopados
No sangue dos avós mortos na guerra,
Livre sagravas a Colúmbia Terra,
Sagravas livre a nova geração!
Tu que erguias, subida na pirâmide
Formada pelos mortos do Cabrito,
Um pedaço de gládio — no infinito…
Um trapo de bandeira — n’amplidão!. ..

CASTRO ALVES - BA

quinta-feira, 9 de março de 2023

EMPATE CONTRA O AGRO * Gabriela Moncau/Brasil de Fato.SP

EMPATE CONTRA O AGRO


Gabriela Moncau/Brasil de Fato.SP

'Não comemos eucalipto', diz MST sobre ocupação de área da Suzano; Justiça determina despejo

O movimento exige que empresa cumpra acordo firmado em 2011 e critica os impactos da monocultura de eucalipto na Bahia

A entrada nas três áreas da maior produtora mundial de celulose aconteceu simultaneamente na madrugada de 27 de fevereiro - MST-BA

O juiz Renan Souza Moreira, da Vara Criminal de Mucuri (BA), determinou a reintegração de posse de uma das três fazendas da empresa Suzano Papel e Celulose S/A que foram ocupadas por 1.500 militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na última segunda-feira (27). As outras duas áreas ficam em cidades vizinhas: Teixeira de Freitas (BA) e Caravelas (BA).

A decisão, publicada pelo magistrado nesta quarta-feira (1), autoriza o uso da força policial e prevê multa de R$ 5 mil por dia em caso de descumprimento.

“As famílias continuam na área. Até o momento nenhum oficial de justiça esteve no local para notificar. E nós permaneceremos até que haja a reintegração”, afirma Eliane Oliveira, da direção Estadual do MST na Bahia.

Pressão e denúncia

A ocupação das áreas da Suzano, que se autodenomina como a “maior empresa de celulose do mundo”, acontece, segundo o MST, por dois motivos.

O primeiro é pressionar para que se cumpra um acordo firmado em 2011 entre a Suzano e o movimento, com a participação do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

“A empresa se comprometeu a ceder áreas para assentar 750 famílias. Isso não ocorreu até hoje”, critica Oliveira. “Temos disposição de continuar fazendo luta até que ela cumpra o acordo que fez com essas famílias, que estão há 12 anos esperando que as áreas sejam cedidas para desapropriação.

Em nota ao Brasil de Fato, a corporação diz que não violou o acordo. “A completa entrega das áreas pela Suzano depende de processos públicos que ainda não ocorreram ou foram implementados pelo Incra”.

Latifúndio na Bahia é ocupado por 120 mulheres do MST

O segundo objetivo das ocupações, segundo o MST, é denunciar os danos “do ponto de vista hídrico, social e econômico” causados pela presença da Suzano no extremo sul baiano, intensificada nas últimas três décadas. A monocultura de eucalipto é cultivada com o uso de agrotóxicos, pulverizados inclusive de forma aérea.

“Aqui no extremo sul da Bahia, a Suzano possui 900 mil hectares de terra plantados. São plantadas 500 milhões de mudas todos os dias dentro desse território. A Suzano possui três milhões de hectares de eucalipto ao todo”, descreve Eliane. E completa: “Não comemos eucalipto”. Atualmente, segundo a Rede Penssan, há 33,1 milhões de pessoas passando fome no Brasil.

A Suzano informou que “reconhece a relevância da sua presença nas áreas onde atua e reforça seu compromisso por manter um diálogo aberto e transparente, de maneira amigável e equilibrada”.

Reação do agro

Só no ano de 2022, o lucro líquido da maior produtora mundial de celulose aumentou 20% em relação a 2021, chegando a R$ 22,56 bilhões. A ocupação de suas áreas pelo MST deixou em alerta outros setores do agronegócio.

A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que reúne centenas de entidades do agro, soltou uma nota dizendo que as ações do MST podem “alimentar a polarização ideológica”. A organização reúne entidades como a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e empresas como o Carrefour e o Bradesco.

Em nota, a Suzano caracterizou a ocupação do MST como “ilegal” e afirmou que espera receber a Reintegração.
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terça-feira, 27 de setembro de 2022

TREM DO SUBÚRBIO, TRILHOS DE RESISTÊNCIA | Documentário completo de Carlos Pronzato

TREM DO SUBÚRBIO, TRILHOS DE RESISTÊNCIA
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A Tv Kirimurê está passando aqui no seu feed convidando a todas, todos e todes para assistir ao documentário Trem do Subúrbio - Trilhos de Resistência, uma bela obra do cineasta Carlos Pronzato que retrata a relação das comunidades do subúrbio com o sistema ferroviário da capital baiana.
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Através de relatos dos moradores, lideranças comunitárias, pescadores e marisqueiras que em seus depoimentos revelam a importância desse meio de transporte na vida de todos!

domingo, 29 de maio de 2022

NAS ENTRELINHAS EDIÇÃO Nº 5 * PROFª PATRÍCIA SOUZA - BA

 NAS ENTRELINHAS EDIÇÃO Nº 5

Está disponível on-line a edição de maio do informativo *“Nas entrelinhas”*. A revista traz um ensaio crítico sobre *“Os desafios da mobilização de luta da classe trabalhadora em tempos de neofascismo.”* de autoria do professor Michel Torres IFRJ;  *“Abril indígena e indianidade: como é o seu cocar de cartolina?“*, uma reflexão crítica sobre uma prática docente ainda comum, mas que reforça o racismo contra a população indígena no país. Texto de autoria da professora Taise Chates.

 

A edição traz também uma análise sobre os caminhos e descaminhos trilhados pela Educação à distância (EaD) no IFBA ao longo dos últimos anos. O que vai acontecer com todo conhecimento e prática acumulados mesmo que de forma precária pelos docentes durante a pandemia? Este e outros questionamentos no texto *“EaD na encruzilhada”*.


Diante dos últimos acontecimentos relacionados à prática de assédio sexual na instituição, propomos a seguinte reflexão: *Seria o combate ao assédio sexual no IFBA um simples “cala a boca?* Ainda, uma grave denúncia sobre como a gestão do IFBA está postergando há mais de um ano a abertura de PAD contra servidores que são seus aliados políticos. *“Denúncia sem instauração de PAD faz aniversário no IFBA: É pra comemorar? é pra rir, ou chorar?”* e convida as figuras políticas do IFBA a refletir com o texto intitulado: *“Onde estão as figuras políticas do Instituto Federal da Bahia?”*.


PROFª PATRÍCIA SOUZA - BA

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