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segunda-feira, 25 de abril de 2022

OLGA BENÁRIO VIVE E LUTA * Edmundo Aguiar

 OLGA BENÁRIO VIVE E LUTA

PINTURA / KOSTA / ARTMAJEUR

Em 23 de abril de 1942, Olga Benário Prestes, militante comunista alemã de origem judaica, que fora deportada para a Alemanha durante o governo de Getúlio Vargas, é executada pelo regime nazista num campo de extermínio.


Olga Benário tornou-se uma revolucionária, lutava para ver o fim das desigualdades e das injustiças sociais. Em 1929 foi para a cidade de Berlim, junto com seu namorado, o militante comunista Otto Braun. Foi acusada de atividades subversivas e presa. Depois de solta foi para a União Soviética, onde fez treinamento militar na intenção de fomentar guerrilhas em outros países, para estabelecer governos socialistas , seguindo as determinações da Internacional Comunista.

Nesse mesmo período, Olga conheceu o brasileiro Luís Carlos Prestes que desde 1931 estava residindo na União Soviética. Em 1934, Prestes foi eleito membro da comissão executiva da Internacional Comunista e encarregado de voltar ao Brasil e liderar o levante que instalaria um governo socialista no país. Olga Benário foi destacada para fazer parte do grupo de estrangeiros que iriam acompanhar Carlos Prestes em seu retorno ao Brasil e responsavel por sua segurança. Mas não ficou só  nisso, apaixonaram-se.

Olga Benário e seu companheiro Carlos Prestes chegaram ao Brasil em 1935, mantendo-se na clandestinidade. Em novembro do mesmo ano uma revolta armada insurgiu na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, e deveria ser estendida por todo o país, mas apenas as unidades do Recife e do Rio de Janeiro se levantaram contra o governo de Getúlio Vargas, que estava preparado para esmagá-la.

A intentona fracassou e todos os organizadores, entre eles, Olga Benário e Carlos Prestes foram presos. Mesmo grávida Olga foi deportada para a Alemanha nazista e entregue a Gestapo. Foi levada para um campo de concentração, onde nasceu sua filha Anita Leocádia Prestes, que depois de várias campanhas, foi entregue a sua avó paterna, D. Leocádia.

Em 1942 Olga Benário foi enviada para o campo de concentração de Bernburg, Alemanha, onde foi executada na câmara de gás no dia 23 de abril de 1942.

Camarada Olga, presente!


Edmundo Aguiar

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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

113º ANIVERSÁRIO DE OLGA BENÁRIO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

 113º ANIVERSÁRIO DE OLGA BENÁRIO

12 02 1908  ( 113 anos de #OlgaBenárioPrestes )

#OlgaBenárioVive #OlgaBenárioPresente


“Queridos:


Amanhã vou precisar de toda a minha força e de toda a minha vontade. Por isso, não posso pensar nas coisas que me torturam o coração, que são mais caras que a minha própria vida. E por isso me despeço de vocês agora. É totalmente impossível para mim imaginar, filha querida, que não voltarei a ver-te, que nunca mais voltarei a estreitar-te em meus braços ansiosos. Quisera poder pentear-te, fazer-te as tranças – ah, não, elas foram cortadas. Mas te fica melhor o cabelo solto, um pouco desalinhado. Antes de tudo, vou fazer-te forte. Deves andar de sandálias ou descalça, correr ao ar livre comigo. Sua avó, em princípio, não estará muito bem. Deves respeitá-la e querê-la por toda a tua vida, como teu pai e eu fazemos. Todas as manhãs faremos ginástica… Vês? Já volto a sonhar, como tantas noites, e esqueço que esta é a minha carta de despedida. E agora, quando penso nisto de novo, a idéia de que nunca mais poderei estreitar teu corpinho cálido é para mim como a morte.


Carlos, querido, amado meu: terei que renunciar para sempre a tudo de bom que me destes? Conformar-me-ei, mesmo que não pudesse ter-te muito próximo, que teus olhos mais uma vez me olhassem. E queria ver teu sorriso. Quero-os a ambos, tanto, tanto. E estou tão agradecida à vida, por ela haver-me dado ambos. Mas o que eu gostaria era de poder viver um dia feliz, os três juntos, como milhares de vezes imaginei. Será possível que nunca verei o quanto orgulhoso e feliz t sentes por nossa filha?

Querida Anita, meu querido marido, meu Garoto: choro debaixo das mantas para que ninguém me ouça, pois parece que hoje as forças não conseguem alcançar-me para suportar algo tão terrível. É precisamente por isso que esforço-me para despedir-me de vocês agora, para não ter que fazê-lo nas últimas e difíceis horas. Depois desta noite, quero viver para este futuro tão breve que me resta. De ti aprendi, querido, o quanto significa a força de vontade, especialmente se emana de fontes como as nossas. Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão por que se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue.


Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas… Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte.


Beijo-os pela última vez.


Olga Benário Prestes”.


Esta carta jamais chegou ao seu destino, prisioneira ficou da documentação dos facínoras, tendo sido publicada somente 73 anos após escrita


Fernando Morais

12/02/21