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domingo, 5 de junho de 2022

TIBIRA DO MARANHÃO * Maria Eugênia Gonçalves / Revista Híbrida

TIBIRA DO MARANHÃO
o índio que foi a primeira vítima da homofobia no Brasil
MARIA EUGÊNIA GONÇALVES

No livro “Viagem ao Norte do Brasil feita nos anos de 1613 e 1614”, o missionário francês Yves d’Évreux, da Ordem dos Capuchinhos, narra a execução de um indígena tupinambá que teve sua cintura amarrada na boca de um canhão instalado no Forte de São Luís do Maranhão. Quando os franceses e nativos rivais presentes lançaram fogo, metade do corpo caiu em terra e, o restante, desapareceu no mar. Este relato cruel trata-se do primeiro registro detalhado de homofobia em território brasileiro, praticado contra um índio conhecido como Tibira do Maranhão.

Tibira, termo tupi utilizado para designar aqueles que não se encaixavam nos padrões ocidentais de sexualidade, foi perseguido e torturado sob ordenação de d’Évreux pela prática da “sodomia” e por, segundo ele, parecer “no exterior mais homem”, mas ser “hermafrodita” e ter “voz de mulher”. Embora tenha tentado escapar, o índio foi capturado e executado em praça pública.

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