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segunda-feira, 4 de abril de 2022

O golpe militar * E. P. Cavancante / RJ

O GOLPE MILITAR
E. P. CAVALCANTE / RJ

O golpe militar de 1964 foi executado no dia 1° de abril, mas os golpistas passaram a comemorá-lo em 31 de março e batizaram-no com o nome de “revolução redentora”.

Por ter sido dado em 1° de abril, data tida pelo povo como o dia da mentira, os tais “revolucionários” só se envergonhavam da data! Faz sentido!

Com as cadeias, navios de guerra e fortalezas abarrotados de presos políticos e a repressão nas ruas, lançaram a legislação revolucionária que teve início com o Ato Institucional.

O primeiro, que planejavam ser o primeiro e único, pois iria resolver todos os problemas do país.

Assim, parido pela “revolução” de 1º de abril, o tal Ato Institucional não tem número. É uma espécie de mula sem cabeça.

O arquiteto do golpe foi o general Golbery do Couto e Silva.

O general Golbery era um militar e intelectual. Coisa raríssima entre generais brasileiros.

Mas neste caso, ele estava a anos-luz das cavalgaduras que ocupam o planalto nos dias de hoje.

Um general intelectual, mas inimigo da liberdade. Êmulo do Departamento de Estado ianque e defensor ardoroso dos interesses do Tio Sam. Este era o general Golbery.

Golbery foi o arquiteto. Com esse fim criou o IBADE, Instituto Brasileiro da Ação Democrática e o IPES, Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais

Ele, foi o arquiteto. Os construtores foram outros. Três figuras célebres de especialistas em golpes de estado:

O chefe do grupo era o embaixador americano Lincoln Gordon, um diplomata ousado, formado na escola do Big Stick, onde o porrete grande, big, é o último argumento.

Lincoln Gordon vivia dando entrevista contra o governo João Goulart como se fosse um político da oposição brasileira.

Os outros dois trabalhavam a quatro mãos. Eram eles: o general brasileiro Castelo Branco e o coronel norte americano Vernon Walters.

Este último um profissional de reconhecida competência em matéria de golpes de estado. Posteriormente veio a ser chefe da CIA.

Castelo Branco ganhou por prêmio a Presidência da República. Foi o primeiro ditador de plantão.

O golpe militar de 1964 foi um entre os diversos golpes que a nossa história registra. O mais cruel e torpe, diga-se a bem da verdade.

A tortura brutal caiu em cima dos inimigos do regime, que não eram poucos.

Os principais visados e presos foram os professores, estudantes, sindicalistas e intelectuais em geral.

O CENIMAR, na Marinha e seus congêneres, irmãos siameses, no Exército e na Aeronáutica não faziam por menos.

Os delegados dos DOPS ou DEOPS foram ultrapassados, em muito, pelos oficiais chefes de IPMs (Inquéritos Policiais Militares), e os bate paus, torturadores.

Dentro dos quartéis a luta foi séria. Aqueles que se negavam a participar da quartelada foram presos.

Muitos graduados, sargentos, cabos e marujos foram presos e enviados para navios e quartéis transformados em prisões.

Centenas de parlamentares foram cassados e presos.

Na Câmara dos Deputados, 150 deputados federais da Frente Parlamentar Nacionalistas foram cassados e presos. Pois nacionalismo passara a ser um crime hediondo.

E voltando à “revolução” de 31 de março lembremos que ela foi comemorada na embaixada americana com um jantar em 1° de abril.

As causas do golpe de 64 são ocultas e secretas, mas nem tanto.

Para conhecê-las faz-se necessário um mergulho na história.

E a principal causa é não sermos um país livre e soberano. E sim, a colônia

Brazil com “Z” do Império ianque.

Se o político eleito para a presidência da república não for um lacaio servil, será defenestrado após a eleição.

Se não estiver de acordo com o figurino do Departamento de Estado ianque não deve ser candidato, se for candidato não deve ser eleito, se for eleito deve ser impedido de governar.

Para o último caso deve ser feita uma revolução como a de 1° de abril de 64.

Se o eleito for empossado e governar até o fim, ao deixar o governo, deverá ser perseguido, caluniado, preso e humilhado. O caso do ex-presidente Lula foi típico!

Até o dia de hoje, 31 de março de 2022, vivemos a tragédia de uma intervenção militar permanente. Submetidos ao mando de uma facção do Exército que atua como um “partido fardado”.

Mesmo sem vestir a farda verde oliva, este grupo de generais fala em nome das forças armadas. Mas ignoram a disciplina militar e a hierarquia, elementos fundamentais de qualquer organização armada.

O atual ocupante da cadeira de presidente da república quando capitão foi processado por quebra de disciplina e hierarquia militar e por ser indigno do oficialato.

Para os militantes do “partido fardado” a Constituição brasileira, o Estatuto dos Militares e até o juramento à bandeira, que todo militar brasileiro é obrigado a fazer, não têm qualquer valor. Não faz qualquer sentido. Os seus projetos pessoais de poder estão acima de tudo.

Em Conversa com o Comandante, livro de entrevistas com o ex-comandante do Exército general Villas Bôas, ele declara:

Que reuniu o alto comando do Exército e tirou uma nota ao STF, Supremo Tribunal Federal, advertindo para que mantivesse o ex-presidente Lula preso.

Vamos aos fatos:

Não tem cabimento a atitude inusitada e desabusada do general Villas Bôas. Tomando-se em consideração que ele visava impedir que o ex-presidente, que era o preferido por 70 por cento do eleitorado, concorresse com o candidato do “partido fardado”, o seu candidato.

“ No Brasil, a democracia depende das forças armadas e não da constituição!” disse o atual detentor do cargo de Presidente da República, em uma das suas primeiras entrevistas.

Desta forma vivemos submetidos a uma democracia tutelada, consentida e limitada pelos generais militantes do “partido fardado”.

Portanto, o golpe militar de 64 tem causas e motivos. Foi dado em defesa dos interesses do Tio Sam, do Império ianque.

Na colônia Brazil com “Z” ser nacionalista é crime. É crime se amar o Brasil e lutar em defesa do interesse nacional!

No início da década de cinquenta o povo foi às ruas das principais cidades brasileiras aos brados de “ O petróleo é nosso!”

Aquele movimento fez história, era a Campanha de o Petróleo é Nosso.

Houve choques violentos com a polícia, milhares de brasileiros foram presos e torturados pela ousadia de defenderem os interesses do Brasil.

Eram nacionalistas, mas demonizados como “agentes comunistas”.

Muitos morreram nas câmaras de torturas.

Mas a PETROBRÁS foi criada e os técnicos brasileiros compraram a briga. Hoje, após desenvolver alta tecnologia e descobrir as jazidas do Pré-sal, a empresa está sendo esquartejada e ameaçada pelas petroleiras internacionais.

E o atual governo antinacional, apoia a destruição da empresa!

A marca registrada do governo João Goulart foi o nacionalismo.

Que como já vimos no Brazil com “Z” é crime.

Foi um governo curto, três anos apenas, mas havia liberdade, paixão e luta pelos interesses nacionais.

Eis aí a razão do golpe militar de 1964.

E. P. Cavalcante, capitão de mar e guerra, ref. do Corpo de Fuzileiros Navais.

OBS.:
O Big Stick (grande porrete, em tradução livre) é o nome dado à política externa americana sob o comando de Roosevelt, de 1901 a 1909. A expressão foi baseada em um provérbio americano, que diz, mais ou menos, “fale manso e carregue um grande porrete”.
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