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sexta-feira, 4 de março de 2022

DISCUTIR RELIGIÃO, SIM! * Ricardo Gondim / SP

DISCUTIR RELIGIÃO, SIM!

O movimento evangélico, em sua esmagadora maioria, se neopentecostalizou. Deus a serviço das pessoas e fé virou senha de acessar os favores divinos. O objetivo do culto se reduziu em
produzir fé para que o mundo fique protegido e previsível. Para viabilizar esse mundo, televangelistas e bispos se veem gabaritados para mandar em Deus. Os neopentecostais se mostram afoitos: “ ganhe um existência garantida”. Capazes de eliminar as contingências, não concebem imprevisibilidade ou contratempos e assim essa religiosidade preventiva, que promete controle sobre os solavancos da vida, atrai. As promessas neopentecostais não passam de delírio (ou enganação). “O que acontece com o homem bom, acontece com o pecador; o que acontece com quem faz juramentos acontece com quem teme fazê-lo - Ec 9.2.

Ao prometerem aos fiéis o poder de controlar o amanhã, eliminando infortúnios, premissa é horrível. Pedir a Deus para nunca nos contrariar, ou nos poupar de acidentes, significaria querer uma bolha sagrada. A vida precisa ser contingente. Uma existência sem o imprevisto nos infantilizaria. O cotidiano só é fantástico porque vivemos no perigo da tempestade e na chegada da bonança, com a dor da doença e na alegria da saúde, com a riqueza do instante e conscientes da iminência da morte. Verdade não produz necessariamente felicidade; verdade tem compromisso com lucidez. O triste é que a paz da alucinação não se sustenta diante da vida real. Cedo ou tarde o dia mau se impõe. Jesus nunca fez promessas mirabolantes e jamais prometeu aos seguidores um mundo seguro. Avisou: “serão como ovelhas no meio de lobos” e “entregues à morte”.

O mundo neopentecostal se distanciou de Jesus. Seus seguidores vivem em negação; confundem esperança com deslumbre, virtude com magia e espiritualidade com narcisismo religioso.

Soli Deo Gloria

RICARDO GONDIM

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