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domingo, 17 de julho de 2022

Bolsonaro é terrorista * Fernando Horta/BRASIL247

 Bolsonaro é terrorista

Fernando Horta

10 de julho de 2022

brasil247.com

É preciso chamar as coisas pelo nome. Passamos anos chamando fascistas de “coxinhas” e, de alguma forma, me parece que demos tempo demais para essa gente se organizar, naturalizando monstruosidades com tom de humor.


De fato, precisamos abrir os olhos. Quaisquer ações que impliquem no uso da violência para atacar a sociedade civil (ou suas instituições) com objetivos políticos ou com a restrição de alguma das garantias estabelecidas em lei é sim terrorismo. A ação pode ser pensada para efetivamente causar dano (como bombas em garrafas pet, ou ataques com drones em comícios políticos) ou visando apenas incutir medo na população toda ou parte dela. Se, nos últimos dias, as ações em comícios e atos políticos e Lula SÃO SIM enquadradas como terrorismo, é preciso reconhecer que as ameaças contra as instituições, feitas pelo próprio Bolsonaro e seu filhos, também o são.


A forma de agir político de Bolsonaro não mudou ao longo do tempo. Sempre foi terrorista. Ele foi expulso do exército exatamente por esse motivo. O processo desta expulsão termina num grande “acordão” em segundo grau, garantindo que Bolsonaro não iria continuar no exército mas dando a ele os proventos da reserva. O gesto que fez nascer o líder fascista brasileiro é um acordão político, realizado nas instâncias superiores do judiciário militar para que um militar não aparecesse novamente ao povo brasileiro explodindo coisas. Bolsonaro foi para a reserva em 1988 e o atentado ao Rio-Centro (outro momento em que militares foram pegos planejando explosões terroristas no Brasil) ocorreu em 1981. O esforço para fazer parecer que que os militares envolvidos no atentado ao Rio-Centro eram “lobos solitários” poderia ir por água abaixo com um capitão-terrorista explodindo bombas nas vilas militares em troca de “aumento de salário”. Além disso, no início da redemocratização, não estava claro se os civis iriam manter o acordo velado de não investigar nem punir nenhum militar pelos crimes cometidos entre 1964-1988.


Aqui, quero um pouco mais de atenção do leitor. Temos os três níveis possíveis de atos terroristas em exercício, hoje, no Brasil. Por um lado, o terrorismo de Estado, engendrado pelas autoridades que ameaçam instituições ou garantias individuais pétreas (como faz TODO DIA Bolsonaro), que sonegam informações públicas com o objetivo (ou resultado) de promover medo e mortes (como Bolsonaro fez durante a pandemia) ou que usam as ferramentas de violência do Estado não para proteger o corpo social, mas para ameaçá-lo. Terrorismo de Estado que Bolsonaro aprendeu exatamente com os militares no regime ditatorial iniciado em 1964.


Por outro lado, já temos no Brasil grupos organizados e perpetrando ações terroristas. Os assaltos espetaculosos a bancos que o Brasil viu nos últimos anos não são apenas assaltos. Na prática de amarrar reféns no capô de carros, de usar sirenes e luzes para amedrontar a população, fechar ruas e atirar a esmo para o alto está claramente estampada a vontade de gerar medo e incutir desespero na população. É terrorismo. Jair Bolsonaro armou, com suas políticas criminosas, toda uma quantidade de loucos e insanos que estão organizados em “clubes de tiro”, de clubes de colecionadores de armas, mas que são – de fato – grupos paramilitares organizados a serviço do fascismo de Bolsonaro esperando apenas “uma ordem do capitão”. São esses grupos que estão “testando a água”, fazendo explodir artefatos em comícios da esquerda. Estão treinando terroristas de baixo dos nossos narizes. Testando engenhocas e práticas para quando surgir a oportunidade serem mais efetivos e mortais. Essas organizações criminosas são parte da base de apoio do presidente fascista e já estão organizadas para serem a vanguarda dos ataques contra a democracia. São compostas por pessoas com efetivo treinamento militar e policial ou apenas idiotas úteis que se pensam serem o Rambo (e são incentivados a isso) para “dar a vida pelo Brasil”. A lógica doentia do ultranacionalismo ensinado pelos velhos quarteis é nada mais do que um adágio fascista há muito usado por Hitler e Mussolini.


O ponto aqui é desvelar o terceiro nível do terrorismo numa sociedade: o nível dos “lobos solitários” dispostos a “fazer sacrifícios” pelo capitão. Jorge José Rocha Garanho, o policial federal que invadiu e assassinou o petista Marcelo Arruda provavelmente, em seus últimos minutos de vida (eis que também foi alvejado) realmente acreditou que estava morrendo “por uma causa nobre”. “Matar um comunista” é algo nobre para os apoiadores do fascista-presidente. Bolsonaro diz, prega e incentiva isso a todo momento em todas as suas falas. A doença social transmitida por Bolsonaro já chegou na cabeça dos mais insanos dos seus apoiadores que estão dispostos sim a invadir festas de aniversário, matar e morrer, pela ideologia fascista que Bolsonaro representa e professa. Assim como o louco do atirador Jorge Garanho, milhares de indivíduos perversos estão esperando a oportunidade para fazer atos semelhantes.


É impossível prever onde e quando isso vai voltar a acontecer no Brasil. O certo é que vai. E o responsável direto por tudo isso é Jair Bolsonaro. Bolsonaro nunca mudou sua forma de operar. Foi sempre um terrorista. Antes, a serviço dos militares. Passou a usar seu aprendizado para objetivos políticos pessoais e foi expulso pelo exército. A instituição, porém, preferiu se proteger, entregando um louco perverso à sociedade sem nenhum demérito.


O resultado serão 90 dias de medo até as eleições. O presidente sonha com levantes de seus apoiadores atacando mesários e seções eleitorais para que ele possa tentar evitar a derrota em primeiro turno. Os sonhos de Bolsonaro deviam, há muito, estarem sendo construídos na Papuda. A prisão é o local que terroristas devem ficar, sendo ou não um ex-presidente. 

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sexta-feira, 10 de setembro de 2021

COMO BOLSONARO CAIU * Fernando Horta

 COMO BOLSONARO CAIU

(Frente Revolucionária dos trabalhadores

FRT)

*Exército e PM's estavam prontos para apoiar o golpe. Vejam porque tiveram que voltar atrás.* 


     A análise de Fernando Horta


       Bolsonaro tentou o golpe, e ele não aconteceu. O que teria dado errado? O que efetivamente aconteceu para que os planos golpistas fossem frustrados? Seria apenas um erro de cálculo de Bolsonaro? Seria o fato de o Brasil ter "instituições fortes"?

        É completo consenso que o que ocorreu no dia 07 de setembro foi uma tentativa de golpe. Por isso, todos os jornais e todos os partidos falam que "Bolsonaro acabou". Sabem todos que a tentativa falha não faz com que Bolsonaro pare de tentar. E esse é todo o problema de Arthur Lyra.

        Para entender o que aconteceu precisamos olhar para o dia 06 de setembro e não para o dia 7. Em especial para o final do dia. O que sabemos até agora já nos permite algumas interessantes explicações.

       Desde o início da semana, os hotéis de Brasília foram sendo tomados. Especialmente os hotéis de menores preços. Isso indicava o deslocamento antecipado de um bom número de pessoas com alguma capacidade financeira ou que estavam sendo financiados.

       No dia 06, quase todos os hotéis mais baratos de Brasília estavam lotados. Esse movimento não passou despercebido pelo STF e todo o aparato de inteligência por ele montado (já que a PF e a ABIN são tributárias de Bolsonaro).

        A partir das 12 horas do dia 06 a PM do Distrito Federal iniciou os planos de isolamento da região central da cidade (a esplanada dos ministérios) como parte do plano de segurança que é SEMPRE imposto em caso de manifestações.

       Da forma como foi planejada, Brasília fecha a entrada do povo nos locais de poder de forma muito fácil e efetiva. Apesar de planejada por um comunista, essa é uma característica urbana de Brasília muito útil aos poderes constituídos. Basta que a PM coloque barreiras no lugar.

         Por volta das 18 horas, numa ação claramente planejada aos moldes militares, bolsonaristas resolveram "testar a água". Um grupo de cerca de 600 pessoas passou a retirar as barreiras e os isolamentos e abrir espaço para os grandes caminhões que já estavam na cidade.

          Esse "destacamento avançado" com missão de reconhecimento foi abrindo espaço SEM A OPOSIÇÃO DA PM DO DF. A PM do DF é talvez uma das mais bolsonaristas do país. Aqui, 7 em cada dez homens votaram em Bolsonaro. As PM aplaudiam literalmente os manifestantes contra Dilma.

        Ibaneis, o governador, além também de bolsonarista, está envolvido até o talo com as maracutaias da saúde juntamente com Precisa e Ricardo Barros. Para saber mais acompanha o Deputado @leandrograss. Ocorre que o governador convenientemente NÃO ESTAVA NO DF.

         Estava tudo arrumado para uma "pequena" indisciplina da PM de Brasília que seria o aviso para que o movimento incendiasse no país inteiro. Tudo passaria como uma azarada "falta de ordenamento" porque o governador não estava no seu lugar. Brasília, pela manhã, daria o tom do golpe.

           Caso as mobilizações prometidas em número chegassem a Brasília, Bolsonaro faria da Paulista apenas seu palco de completo sucesso. O presidente contava com pelo menos 1 milhão de pessoas em Brasília e, com isso, a pressão sobre as outras polícias dos Estados seria insustentável.

         Para entender o que deu errado precisamos voltar à noite e madrugada do dia 06. Percebendo a fúria com que os bolsonaristas progrediram destruindo as barreiras na esplanada e a complacência inicial da PM, vários atores políticos (como o @DeputadoFederal e o @BlogdoNoblat) passaram a ligar incessamente para o governador Ibaneis, e usar suas redes para denunciar o estopim do golpe. Essa "gritaria" inicial chegou ao presidente do Supremo que, com a corte em uníssono, entrou em contato direito com a PM do DF exigindo providências.

         A resposta da PM, pelo que apurei, foi puramente protocolar. O STF não é a autoridade imediata a que a PM precise dar satisfação. No fim, a constituição fala que as PM's estão subordinadas ao Exército e aí veio o segundo golpe de mestre do STF.

         Fux ligou direto para os comandantes militares, ainda durante a madrugada, avisando que caso as PM's seguissem o comportamento leniente ele (Fux) chamaria a GLO e convocaria as forças armadas para deter os manifestantes. É preciso compreender este ato para entender o dia 07.

      O que o STF fez foi adiantar uma tomada de decisão do Exército Brasileiro. As Forças Armadas esperavam PRIMEIRO a mobilização popular prometida, para ENTÃO apoiarem o levante. Estavam naquela madrugada, portanto, aguardando. O STF, contudo, exige uma posição imediata do exército.

        Do ponto de vista do STF a ação era simples. Negasse o exército a ordem de Fux e o golpe estava consumado. Não haveria necessidade da pantomina do 7 de setembro. Por outro lado, ao adiantar a tomada de decisão o STF elevava exponencialmente o custo desta ação para os militares.

          Na prática, tivessem os militares desobedecido Fux e no dia 7 as manifestações "flopassem" e os comandantes militares seriam processados por insubordinação e sairiam culpados de sedição. O preço era alto demais. A exigência da decisão ainda no dia 06 quebrava o plano bolsonarista.

            No meio deste imbroglio todo duas figuras trabalhavam. Por um lado Alexandre de Morais de posse das informações de inteligência mapeava o financiamento dos movimentos e bloqueando as contas certas e as chave-pix asfixiava os financiadores de bolsonaro.

           Muitas "caravanas" de locais perto de Brasília não puderam sair por conta do dinheiro. O resultado foi o pífio número de apoiadores para que Bolsonaro fizesse o que estava planejado. Como era possível ver em Brasília, tinha muito mais "carro do que gente" segundo o @RODRIGOPILHA.

           O outro ator que em silêncio que agia era o vice-governador do DF atuando diretamente com as PM's. Na falta de Ibaneis a desculpa das PM's para a inação não seria mais possível. O comportamento dual do governo (ora apoiando bolsonaro, ora obedecendo o STF) já é em si golpista . Mas o vice governador compreendeu que recairia sobre ele toda a culpa de uma malfadada sedição que ocorresse nas PM's de Brasília. Novamente, o STF aumentava o custo da tomada de decisão e o vice precisou garantir as PM's na linha.

       Com a recomposição das linhas hierárquicas do Exército - a partir da cobrança do STF na madrugada do dia 06 - e com a lealdade das PM's (ainda que a contragosto) garantidas, a margem de sucesso do golpe de Bolsonaro era pequena.

         No final do dia 06, percebendo seus planos diminuírem a possibilidade de se realizar, os filhos do presidente foram até os manifestantes que faziam a "frente" para o movimento na tentativa de insuflar o apoio necessário para a sedição no dia seguinte e também para impactar a PM

         Não funcionou. Tirando os apoiadores do fascismo de Bolsonaro, os outros agentes são o que chamamos de "atores racionais" e fazem um cálculo de custo e benefício das suas ações. Precisam, contudo, de informações completas e corretas para esse cálculo. E isso eles não tiveram.

        A tensa madrugada do dia 06 de setembro, que virou com fogos de artifício o tempo todo, determinou o fracasso do golpe do dia 07. O STF subiu o custo das ações políticas dos outros agentes e diminuiu o acesso destes agentes às informações que precisavam para a tomada de decisão.

      As ações não foram coordenadas entre os atores políticos que saíram denunciando a posição claudicante da PM no dia 06 e o STF que colocou "a faca nos peitos" dos comandantes militares, mas, de alguma forma, elas foram complementares. O golpe naufragou.

        Não podemos, contudo, achar que ele não foi dado. Que Bolsonaro não cometeu crime porque "o resultado não foi alcançado" como é o argumento dos defensores do governo na CPI. Se deixarem Bolsonaro solto, ele tem mais um 7 de setembro para tentar. E mais um ano para planejar.

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terça-feira, 13 de julho de 2021

A História do Exército Brasileiro * Fernando Horta

A HISTÓRIA DO EXÉRCITO BRASILEIRO


FERNANDO HORTA

Por favor, parem de dizer que "o exército brasileiro foi formado na Batalha dos Guararapes". Isso é de uma imbecilidade de quem NUNCA estudou história do Brasil minimamente. Que milico burro acredite nisso é ruim, mas ver gente nossa defendendo este absurdo é inaceitável.


O exército brasileiro foi formado para a Guerra do Paraguai, também conhecida como genocídio do povo paraguaio. Foi formado com batalhões de negros cuja promessa era que se eles sobrevivessem seriam libertados. Eram, portanto, escravos.


Seus comandantes eram TODOS agraciados com títulos de nobreza para que ficassem sob tutela de encantamento do imperador. O único estado que cumpriu a promessa de libertar os negros foi o RS e isso depois da traição do Massacre de Porongos.


As forças armadas, em pleno século XX, ainda aplicavam "castigos físicos" contra negros. Como mostra a Revolta da Chibata de 1910. Foram essas forças armadas que se colocaram contra os tenentes que buscavam a mudança do regime aristocrata do "café-com-leite" na década de 20.

Atacaram seus próprios quadros jovens para defender a aristocracia rica cafeeira e depois até 1945 se prestaram a defender a ditadura do Estado Novo. Isso enquanto expulsavam de seus quadros os oficiais de esquerda como o grande Prestes.


Prestes cuja memória foi apagada da instituição do exército (como também Lamarca) sendo que só no início do século XX sua nota final na academia militar conseguiu ser superada. Enquanto idolatram generais genocidas, escondem as violências contra seus integrantes não alinhados.


Em 1945 dão um golpe em Vargas para atender aos interesses norte-americanos. Eurico Gaspar Dutra (general) é eleito e faz o governo mais alinhado com os EUA até a dobradinha Bolsonaro-Trump. Ali se atacou diretamente o controle do país sobre seu subsolo. Especialmente o petróleo.


Entreguistas e subservientes foram cooptados por medalinhas e divisas com a formação da "Escola das Américas". Batiam palmas por receberem o equipamento obsoleto que os EUA usaram na segunda guerra mundial e se contentavam em serem os "feitores" dos EUA na América do Sul.


Não suportaram ver Juscelino, Jango e Brizola que longe de serem "comunistas" na época, faziam uma política com um mínimo de nacionalismo e distribuição de renda no país. O projeto de desenvolvimento do país irritou os americanos que colocaram seus serviçais verde oliva no golpe.


De 64 a 85 foi o absurdo que todos conhecemos. Corrupção em tudo. Só a construção de Itaipu teve uma "empresa" própria para gestão da obra que se aponta custou mais que o dobro do preço real para o país. Malas de dólares entregues a oficiais e foi neste período que surgiu Maluf.


Aqui também criaram o conceito de "inimigo interno" para poderem prender, torturar, sequestrar e matar cidadãos brasileiros. Foi sempre um exército que atacou o povo. Gente falsa que chora pela bandeira e espanca cidadão nas ruas a mando das elites ricas ou dos EUA.


Agora, os mesmos doentes que eram tenentes e capitães entre 64 a 85 voltam com a idiotia do "anticomunismo". Eram esses que hoje são generais os encarregados das ordens sujas no regime de 64. Não é à toa que figuras como Heleno ou Mourão sejam tão despreparados.


Ou contamos a história de violência e submissão desta instituição ou vamos ficar tomando golpes em looping o resto de nossa existência. Eles se acham fundadores do país (através do golpe de 1891) e uma espécie de "poder moderador". Em realidade são capatazes das elites.


Deodoro da Fonseca, o marechal do golpe contra o império era monarquista e só apoiou o golpe por interesses pessoais. Floriano Peixoto (o marechal de ferro) manteve o regime com violência e degola.

O Duque de Caxias, quando se recusou a matar paraguaios indo até Assunción foi retirado do comando pelo imperador e passou a fazer oposição. Dizia que soldado não era assassino. E suas lições nunca foram seguidas por uma tropa de traidores do povo.


Cândido Rondon tinha uma visão paternalista sobre a região norte. E isso, para a época, era algo revolucionário. Defendia a obrigação do exército para com as populações indígenas e a região para além da simples manutenção das fronteiras. Hoje o exército apoia garimpos e desmata.


Henrique Teixeira Lott evita uma ruptura institucional que tentava não permitir Juscelino assumir. Evita um golpe contra a democracia e se coloca como figura legalista na década de 50. O General Machado Lopes evita o golpe militar em 1961. Outra figura constitucionalista.


Os diversos oficiais que foram torturados e tiveram suas famílias mortas pelo regime de 64 são escondidos pela instituição que nunca escolhe os bons exemplos de seus oficiais. Prefere render homenagens a torturadores, assassinos, genocidas e golpistas. A instituição é doente.


Hoje, vivem do dinheiro do estado com todas as benesses possíveis (os oficiais, claro). Têm justiça própria, escolas próprias, hospitais próprios, condomínios próprios, hotéis próprios e consomem cerveja, picanha e leite condensado enquanto o povo passa fome.

Sentem-se superiores ao mundo civil mas quem conhece qualquer quartel sabe que não resistem a uma auditoria minimamente atenta. 


#VoltemProQuartel e deixem o povo resolver os problemas que vocês criaram.


quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Macartismo: Perseguição à Cultura / Fernando Horta

MACARTISMO: PERSEGUIÇÃO À CULTURA



"Em 1952, a histeria anti-comunista tomou conta dos EUA. Era a segunda vez que isto acontecia. O alvo eram os professores. No final do seu mandato, Truman passou lei dizendo que comunistas não poderiam ser professores. Apenas o sindicato reagiu. Mais de 1500 professores em todo o país foram demitidos. Na maioria dos lugares, bastava a palavra do diretor ou de alguém da comunidade para caracterizar o docente como comunista.

Em NY, o sindicato resolveu resistir e exigiu processos com direito de defesa. Dois casos impressionam. Uma professora, de origem judaica, acusada de comunismo, foi descrita por seu diretor como "tendo uma imensa capacidade de ensinar o marxismo-leninismo com bloquinhos de madeira com letras". Ela era alfabetizadora. E começou a receber cartas da comunidade com os dizeres "comunismo é judeu e judeus não são bons americanos" ou "hitler estava certo!". Quando recebeu o veredicto, a professora se suicidou. O comitê investigativo usou o suicídio como prova da culpa e da competência das investigações.


Outro caso, outra professora, desta vez trabalhava no Harlem. A comunidade negra se mobilizou em sua defesa. Testemunhos diziam que nenhum professor tinha o cuidado e a paciência de Bella Dodd para ensinar as crianças negras. O comitê usou isto como prova de que ela era comunista. Entre as "provas" tinha o depoimento de um carteiro informando que via seguidamente Bella nas áreas mais pobres do Harlem "perguntando por e ajudando crianças, inclusive doando roupas no inverno". O carteiro completou dizendo que achava isto "bem comunista".


Nos anos 50 a CIA, em memorandos internos, reclamava que o custo para infiltrar agentes no mundo soviético era muito alto e que todos eles eram descobertos e mortos. Entretanto, o comunismo exercia "um papel mágico no encantamento dos americanos, sobretudo os mais bem formados". Segundo a CIA "todo professor é um espião soviético em potencial" e "quanto mais estudado mais vulnerável". Professores com doutorado eram quase certamente espiões.


Não é a primeira vez que a burrice e a ignorância torcem os discursos para se fazerem superiores. Nos EUA, consciência social e trabalho pelos mais pobres era prova de "comunismo" e os mais bem formados inclinarem-se pelo comunismo não era prova da correção ou mesmo de viabilidade destas ideias, mas a demonstração da "mágica" comunista e um argumento contra a ciência e os intelectuais.


Todo regime de ignorantes ataca essencialmente professores, universidades, as artes e a história. Atacam irracionalmente e usam a irracionalidade como argumento de defesa contra a ciência e a lógica. Estamos vendo tudo isto de novo. "

(Fernando Horta)