Manuel Inacio da Silva Alvarenga
Interior de uma "boteca"
Aqueduto do Rio de Janeiro
Porto do Rio de Janeiro
Lutas separatistas no Brasil
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Ernesto Germano Parés / RJ
Sei que pouquíssimos ouviram falar e eu conhecia superficialmente. Sempre ouvimos histórias sobre a Conjuração Mineira, mas não sabíamos de outra que também teve importância e significado.
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Em 1786 foi criada a Sociedade Literária do Rio de Janeiro. Originalmente composta por um grupo de intelectuais (poetas, escritores e médicos – basicamente) que debatiam textos e ideias que chegavam da Europa. Discutiam a Revolução Francesa, a criação dos EUA, livros dos pensadores iluministas e temas como eclipse lunar, alcoolismo e muitos outros.
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Depois de poucos anos o grupo foi crescendo e admitiu a entrada de professores, médicos, padres, advogados, marceneiros, sapateiros e ourives que discutiam ideias filosóficas e políticas de Rousseau e Voltaire. E, é claro, isso começou a preocupar os poderes da Metrópole portuguesa.
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Em 1789 a Conjuração Mineira chega ao seu auge e sabemos toda a repressão havida. Temendo o mesmo caminho, em 1794 o vice-rei português, Conde de Resende, manda fechar e prender todos os integrantes da Sociedade Literária sob acusação de subversão. Foram presos os principais líderes da Sociedade: Ildefonso Costa Abreu (professor de grego), Silva Alvarenga, Mariano José Pereira da Fonseca, Vicente Gomes, João Manso Pereira e João Marques Pinto. Todos acusados de conspiração contra a Coroa Portuguesa.
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Mariano José Pereira da Fonseca, foi acusado de ter uma obra de Jean Jacques Rousseau depois, Mariano defendeu a independência e tornou-se marquês de Maricá.
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Dez integrantes da Sociedade Literária permaneceram presos por três anos e em 1799 foram enforcados, esquartejados. Os soldados Luis Gonzaga e Lucas Dantas, e os alfaiates João de Deus e Manuel Faustino tiveram partes e de seus corpos expostos. A maior parte dos prisioneiros eram escravos, soldados e artesãos. Dos membros mais ilustres apenas quatro foram presos, sendo estes integrantes da Maçonaria.
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Com princípios muito parecidos com a Inconfidência Mineira, a Conjuração Fluminense (ou conjuração carioca ou conjuração do Rio de Janeiro) criticava a monarquia, a dependência do Brasil frente a Portugal e defendia a sua emancipação. Tinha clara afinidade com os ideais iluministas, sendo inclusive acusados de defenderem um Brasil dependente não de Portugal, mas sim da França napoleônica.
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Poucos sabem, principalmente os mais novos, mas, na época, não existiam farmácias e grandes laboratórios farmacêuticos dominando o mercado, como hoje. Quando o médico prescrevia um medicamento era preciso procurar uma “botica”: estabelecimento onde se preparam e/ou se vendem medicamentos. Levava-se a receita e, muitas vezes, era preciso ficar esperando o remédio ser preparado.
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A maior parte dos membros que criaram a Sociedade Literária era formada de médicos e boticários (os que faziam os remédios). Na rua do Cano (hoje Sete de Setembro) funcionavam as principais boticas da cidade. Ali a população do Rio de Janeiro podia encomendar medicamentos, unguentos e outros tratamentos.
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Mas, uma curiosidade: ao chegar na “botica”, como dissemos acima, o cidadão precisava ficar esperando o preparo do seu remédio. Isso fez com que fossem criados no espaço da loja, locais onde as pessoas ficavam lendo, conversando, ouvindo novas ideias, etc. Dos balcões das boticas para espaços públicos como o Chafariz do Mestre Valentim, na atual praça Quinze de Novembro e outro local de encontros do Rio antigo, as ideias se espalhavam pelo ar na velocidade do som.
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Vale lembrar que, ao contrário do que muitos pensam, Tiradentes não foi enforcado em Minas Gerais. Foi preso no Rio de Janeiro e enforcado no Campo de São Domingo, hoje Praça Tiradentes (1792).
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A prisão dos participantes da Sociedade Literária tem muito com esse episódio. Não havia qualquer prova ou acusação de que pretendiam lutar pela separação do Brasil de Portugal ou algo parecido. Era um grupo intelectual movido pelas ideias iluministas. Mas a Coroa Portuguesa via “fantasmas” em todo canto.
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A chamada Conjuração do Rio de Janeiro não chegou a constituir um plano para derrubar o poder colonial. Mas o vice-rei do Brasil, temendo o mal maior, manteve os letrados suspeitos trancafiados por dois anos, sem acusação formal.
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CONTRA TODO TIPO DE DOMÍNIO IMPERIAL!
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VIVA A CONJURAÇÃO DO RIO DE JANEIRO!
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Nas imagens: 01) o Aqueduto da Carioca; 02) Manuel Inácio da Silva Alvarenga; 03) o interior de uma “boteca”
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