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terça-feira, 31 de dezembro de 2024

O QUE É OLIGARQUIA * Roniel Sampaio-Silva/Café com Sociologia

O QUE É OLIGARQUIA

A oligarquia é um conceito político que descreve um sistema de governo onde o poder está centralizado nas mãos de um grupo restrito de indivíduos ou famílias. Este grupo, frequentemente composto por elites financeiras, políticas ou sociais, exerce controle significativo sobre as decisões políticas, econômicas e sociais de uma sociedade. A palavra “oligarquia” tem raízes etimológicas no grego antigo, combinando “oligos” (poucos) e “arkein” (governar), denotando claramente a governança por uma minoria.

Essa forma de governo se distingue pela exclusividade no acesso ao poder. Os membros da oligarquia geralmente mantêm sua influência por meio de uma combinação de riqueza, conexões familiares, controle de recursos cruciais ou domínio sobre instituições-chave do Estado. Esse controle estreito muitas vezes resulta em políticas que beneficiam os interesses do grupo oligárquico em detrimento das necessidades e aspirações da maioria da população.

Historicamente, a oligarquia tem sido observada em várias formas e contextos. Na Grécia Antiga, algumas cidades-estado eram governadas por uma elite aristocrática, onde apenas os cidadãos com determinado status social e financeiro tinham voz ativa na política. Na Idade Média europeia, algumas monarquias também se inclinavam para uma forma de oligarquia, onde conselhos de nobres detinham grande influência sobre os reis.

Nos tempos modernos, embora muitas sociedades se autodenominem democráticas, a presença de oligarquias ainda é percebida. Em muitos casos, a influência financeira desproporcional de certos grupos ou corporações pode moldar as políticas governamentais, influenciando a legislação em seu favor e mantendo um controle indireto sobre as decisões políticas.

A concentração de poder nas mãos de poucos pode resultar em diversas consequências prejudiciais para a sociedade. Uma delas é a perpetuação da desigualdade. As políticas favorecendo a oligarquia podem reforçar divisões econômicas, levando a disparidades sociais cada vez maiores. A falta de representação igualitária também pode minar os princípios democráticos, corroendo a confiança das pessoas nas instituições políticas.

A corrupção é outra preocupação grave em sistemas oligárquicos. Quando um pequeno grupo detém poder absoluto, o risco de corrupção aumenta, com decisões sendo tomadas em benefício próprio em vez de visar o bem-estar coletivo. Isso pode minar a justiça, criar um ambiente de impunidade e impedir o desenvolvimento equitativo da sociedade.

Combater a oligarquia muitas vezes demanda reformas profundas. É essencial fortalecer as instituições democráticas, garantindo a transparência e prestação de contas no governo. Medidas para limitar a influência do dinheiro na política, promover a igualdade de oportunidades e facilitar a participação cívica são passos cruciais na direção de uma sociedade mais justa e equitativa.

Entretanto, desmantelar estruturas oligárquicas não é tarefa simples. A resistência por parte dos grupos no poder pode ser feroz, e mudanças reais podem enfrentar obstáculos consideráveis. Educação cívica, mobilização social e um compromisso contínuo com os valores democráticos são essenciais para promover mudanças significativas e sustentáveis.

Diante do exposto, a oligarquia representa uma forma de governo onde o poder está nas mãos de poucos, criando desequilíbrios de poder, desigualdades e possíveis abusos. Superar os desafios impostos por esse sistema requer um esforço coletivo para fortalecer as bases democráticas, garantir a representação justa e construir uma sociedade mais inclusiva e igualitária.

CONFERINDO...
MERCADO FINANCEIRO
GRANDES EMPRESÁRIOS OLIGARCAS NO BRASIL
OLIGARQUIA PERUANA,
trabalho da Doutora Fabiola Gallegos.Peru
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domingo, 12 de setembro de 2021

BRASIL: ANO ZERO * Berenice Bento / DF

 "Brasil, ano zero: Estado, gênero, violência"- Berenice Bento / DF

berenice.bento1@gmail.com

"Brasil, ano zero: Estado, gênero, violência" - Lançamento 

A obra transforma a perplexidade da realidade contemporânea em instigantes análises. A partir de questões que conectam o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, os reiterados ataques às questões dos gêneros e das sexualidades, o aumento da miséria e a eleição de Bolsonaro, os capítulos oferecem interpretações históricas à conjuntura sócio-política atual e seus personagens. O livro reúne a trajetória acadêmica e militante da autora, tal como suas percepções. Por fim, busca oferecer análises que negam dois tipos de determinismo: o que atribui à natureza biológica a explicação da produção das identidades; e o de caráter epistemológico que se caracteriza por atribuir valores absolutos a uma categoria analítica.

 

Link para lançamento:

YOUTUBE

https://www.youtube.com/channel/UC1debL_DpIp7I_fAGfWcv7w 

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SITE

Berenice Bento – Doutora em Sociologia. Professora da UnB. 

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Sobrevivência e Resistência: Letras e Livros/Pedro César Batista * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

Sobrevivência e resistência. Tempo de pandemia e utopia
Sobrevivência e resistência: Tempo de pandemia e utopia, o 16º livro do jornalista, escritor e poeta Pedro César Batista, reúne uma coletânea de artigos escritos a partir de 15 e março, começo da pandemia da Covid-19 e será lançado durante a edição do Fórum Social Mundial de 2021, que acontecerá, virtualmente, entre os dias 23 e 31 de janeiro.

Os textos analisam a indiferença da sociedade diante da necropolítica do governo federal, que tem causado a perda de centenas de milhares de vidas. Apesar disto, o que se vê é a falta de alteridade com a dor das vítimas e uma ausência de disposição por parte das forças de esquerda no enfrentamento à política governamental, liderada por um ex-capitão, expulso do exército. O chefe do Planalto lidera uma facção das Forças Armadas, especialmente alguns generais, da ativa e reserva, que negam o coronavírus, a ciência e propagam a Covid-19, a principal causa das mais de 210 mil mortes no Brasil.

Como explicar a desmobilização, apatia e desarticulação das forças de esquerda com centenas de milhares de mortes, a retirada dos Direitos Sociais, a destruição do Meio Ambiente, o desmonte do Estado e a entrega do Patrimônio Nacional ao capital internacional? Estes pontos permeiam os textos de Pedro. 

Nunca foi do desconhecimento público os crimes do ex-deputado Bolsonaro, os quais se tornaram mais frequentes e duros após a sua eleição para a Presidência, entretanto, como explicar que dentro do Estado Democrático de Direito, mesmo com pouco tempo de duração, uma pessoa com tantos crimes fosse eleita para o cargo mais importante do país.

Qual o papel desempenhado pelas das forças de esquerda no atual momento histórico? Devem atuar em busca de uma nova composição com as elites, aceitar todas as contrarreformas que retiraram direitos da classe trabalhadora? Organizar-se somente em busca de um bom resultado eleitoral em 2022? Buscar hegemonia no campo popular e democrático, sem atuar para construir uma unidade estratégica com um programa efetivamente popular e de esquerda? 

Não é um livro para acadêmicos, apesar que pode lhes interessar, já que os artigos tratam do distanciamento dos debates teóricos e das direções de esquerda das bases populares, a falta de formação ideológica da militância, o desconhecimento e negação das experiências revolucionárias no processo civilizacional, especialmente na atual fase em que os setores indentitários buscam o protagonismo, negam à luta de classes. 

Sobrevivência e resistência: Tempo de pandemia e utopia é um conjunto de artigos que serve à militância e para gente do povo, que precisa realizar esse debate sobre a ruptura com o capitalismo, única forma de avançar na construção da dignidade humana.

O autor começou a publicar há mais de 40 anos, mesmo tempo que se dedica a militância por democracia, justiça social e a dignidade humana. O conjunto de sua obra é formado por poesia, contos, romance e pesquisas jornalísticas. 

Serviço

Lançamento - 29 de janeiro, às 18h, no Fórum Social Mundial 2021, com debate virtual com os prefaciadores, Marcos Fabrício Lopes da Silva, Doutor e professor em Literatura e José Lima da Silva Filho, advogado e romancista, autor de Tocaieiro Sanguinário e o autor, Pedro César Batista. 

Transmissão pela TV Comunitária de Brasília

Editora ArtLetras

Preço: R$ 20,00 (E-book)

Informações:

pcbatis@gmail,.com

61 98322 9805 

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Mesa no Fórum Social Mundial

*O Silêncio dos homens e o patriarcado: 
28/01, quinta às 18h (Hora de Brasília)* 


Homens tem sido campeões sinistros nas sociedades globais: quem mais morre, mais mata, mais adoece. A sociedade fundamentada no patriarcalismo segue com vítimas preferenciais: mulheres tem sofrido as consequências e suplícios de relações doentias, abusos de toda natureza, relações profissionais e empresariais desfavoráveis. A mesa "O silêncio dos Homens e o patriarcado", traz à tona o debate nesse momento em que o machismo e o patriarcado precisam ter fim! É preciso quebrar esse silêncio.


Organização: Grupo Masculinities (DF-BRA)

- Guilherme Valadares - Site Papo de Homem, diretor executivo do filme O Silêncio dos Homens;

- Fernando Pessoa (Psicólogo, Masculinities ECC);

- Jorge Amâncio - Poeta

- Muna Muhammad Odeh, Departamento de Saúde Coletiva, UNB;

- Rafael Gonçalves (Psicólogo, Conselheiro Regional de Psicologia, grupo Masculinities, Mov. Homens em Conexão)

- Vinícius Borba (Jornalista, poeta)

- Pedro César Batista - Escritor, jornalista e ativista;


TRANSMISSÃO: Facebook.com/MasculinitiesECC e Youtube.com/MasculinitiesECC 
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*Programa Letras e Livros.*

*Pedro Batista entrevista a romancista e poeta pernambucana, Marta Velozo, autora com vários prêmios literários.*

Marta Velozo participou das lutas pela redemocratização, atuou na Pastoral da Juventude, nos Movimentos Estudantil, por moradia e pela liberdade de expressão. 

Participa do Programa Quarta as Quatro (UBE-PE), foi homenageada no programa ‘A ficção em Pernambuco’ e no ‘Poetas da Terra’ (SESC). Ganhou o 2° lugar – Fliporto 2006, na categoria contos. 

Autora dos livros “Saga: poesias e contos”, “Auto de Carnaval (poema em forma de papiro)” , (Ah!) “Recife” (poemas editados em Braile). Em 2020, lançou o romance “Epístolas à Maria Fulô”. 

Em ‘Epístolas à Maria Fulô’, a escritora e poeta, reúne mensagens, cartas, telegramas, e-mails e bilhetes narrados pelas personagens que aos poucos desvendam a conexão entre duas mulheres e revelam sutilezas das relações homoafetivas e desafios das lutas, no contexto da sociedade autoritária e excludente.

ASSISTA AO VIVO

*Sexta-feira (22/1/21)

15h30*


Assista a entrevista pela TV Comunitária de Brasília 

Canal 12 da Net

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quarta-feira, 22 de julho de 2020

Florestan Fernandes 100 Anos * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT/BR

Florestan Fernandes 100 Anos
Quem é Florestan Fernandes
Nasceu em 22 de julho de 1920, em São Paulo - SP. Era filho único de mãe solteira, a portuguesa imigrante Maria Fernandes, empregada doméstica das grandes famílias paulistas. Florestan é o nome do motorista alemão da família na casa da qual veio a nascer. Sem ter conhecido o pai, Florestan Fernandes, praticamente, foi criado na casa da madrinha Hermínia Bresser de Lima, incentivadora dos seus estudos. Foi por essa convivência que tomou contato com os livros. 

Mas não eram poucas as dificuldades de sua mãe, e transitando  de cortiço em cortiço, o ambiente reconfortante era a casa da madrinha, onde se disciplinava através da leitura, mesmo meio desorganizada.

Afastou-se dos estudos no terceiro ano primário e foi trabalhar para ajudar a sua mãe; foi engraxate, ajudante de padaria e de restaurante. Mas ao completar 17 anos, foi incentivado a retomar os estudos. Matriculou-se numa espécie de "supletivo" e cursou em três anos o correspondente a sete séries, concluídas em 1940.  Aí fez provas para ingressar na USP - Universidade de São Paulo, onde iniciou os estudos de sociologia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas em 1941 para bacharelar-se em 1943. 

Nessa época o Brasil vivia sob a ditadura Vargas - implantada pelo gaúcho Getúlio Vargas através de um golpe, denominado Estado Novo. Por isso, Florestan Fernandes começa a escrever em jornais. O Estado de São Paulo e a Folha da Manhã são os primeiros. Através dessa atividade conhece o intelectual, escritor e jornalista Hermínio Sacchetta, que o convida a militar no Partido Socialista Revolucionário - PSR. Dessa militância resulta sua participação na campanha em defesa do ensino público, gratuito e de qualidade, como dever do Estado e direito de todos.

A partir daí Florestan Fernandes se insere no mundo disposto a transforma a vida, não só pessoal, mas da sociedade brasileira como um todo. E começou a produzir livros, quase que um atrás do outro. Seu trabalho de conclusão de curso na USP veio a se tornar a sua tese de doutoramento e foi ela a sua primeira obra, inicialmente intitulada A Organização Social dos Tupinambás, foi reescrita e apresentada com revolucionários conceitos de análise social, para vir a ser A Função Social da Guerra na Sociedade Tupinambá.

Os novos conceitos sociológicos apresentados por Florestan Fernandes levaram-no a se tornar um inovador da chamada "Escola Sociológica Brasileira", e suas obra transformadas em fonte de inspiração para as gerações futuras de pesquisadores e sociólogos não apenas brasileiros.

Alguns livros do Mestre para quem desejar seguir seu caminho:
A Revolução Burguesa no Brasil
Capitalismo Dependente e Classes Sociais na América Latina
Mudanças Sociais no Brasil
O Negro no Mundo dos Brancos
O Significado do Protesto Negro
Que Tipo de República
Florestan Fernandes e seus diálogos intelectuais
O Que é Revolução
Poder e Contra Poder na América Latina

 Paralelo a sua atividade intelectual, Florestan foi professor universitário, pesquisador e exerceu dois mandatos de deputado federal constituinte pelo PT e veio a falecer devido a um transplante de fígado malsucedido por rejeição. Sua morte ocorreu no dia 10 de agosto de 1995.

Creio que é preciso mais do que a morte para matar um homem, pois inútil foram as perseguições sofridas pelo Professor Florestan Fernandes, vítima dos militares e de todos os fascistas que os apoiam, Sempre recebeu a solidariedade dos intelectuais comprometidos com a defesa dos trabalhadores e conseguiu atravessar o tempo recebendo esse carinho, que agora completa 100 anos.

Salve Professor Florestan Fernandes!
Salve o intelectual comprometido com a luta pelo socialismo!! 
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Florestan Fernandes e sua trajetória como intelectual orgânico do socialismo

Leonardo Venicius Parreira PROTO – mestrando em História pela UFG – bolsista da CAPES - leoproto@hotmail.com

Prof. Dr. David MACIEL – orientador (Programa de Pós-Graduação em História da UFG)

Palavras-chaves: Intelectual orgânico, autocracia e socialismo.

INTRODUÇÃO

Esse estudo sobre Florestan Fernandes como intelectual orgânico sustenta- se em termos da História dos Intelectuais a partir dos anos 50 no Brasil, com o referencial marxista como instrumental de análise e aprofundamento das pesquisas em torno da história social dos negros em São Paulo, numa pesquisa patrocinada pela UNESCO, que marcaria sua militância acadêmica e política em favor dos marginalizados na história do Brasil (KONDER, 2000).

Sua condição de sociólogo marxista foi ampliada à medida de sua formação acadêmica e atuação em torno das questões sociais do debate nacional a respeito da condição social dos negros, em defesa da escola pública e no próprio fazer acadêmico e termos de pensamento social posto a partir da década de 50 em diante (SOARES, 1997; CANDIDO, 2001).

Para Octávio Ianni (2004), na história da sociologia, o esforço intelectual de Florestan Fernandes está para consolidar esse campo das ciências humanas num sistema de saber, desenvolvendo toda uma sistemática de fundamentação da sociologia brasileira a partir das condições históricas da sociedade na conjuntura do pós-30 e da institucionalização da universidade brasileira.

O percurso intelectual de Florestan Fernandes no desenvolvimento do pensamento da história social no Brasil deve ser entendido não somente na singularidade de sua trajetória, mas como parte de um movimento histórico em que situa sua inserção na vida universitária e na consolidação da carreira acadêmica (a partir de 1940), sua aproximação inicial com o trotskismo (entre 1940 e 1950), seu envolvimento na luta contra a ditadura militar e seu exílio (a partir de 1969) e mais ao final sua militância partidária (a partir de 1985) e publicista na coluna que escrevia semanalmente para a Folha de São Paulo, na qual desenvolve os mais variados temas e debates das questões nacionais (a partir de 1983).

Nessa apresentação da trajetória histórica de Florestan Fernandes temos o intelectual militante, ultrapassando os limites somente teóricos, aplicando o método da práxis (GRAMSCI, 1995; MARX, 2002) em sua atuação teórica/prática, sendo um defensor do público quanto ao tratamento das questões sociais nesse país concentrador de riquezas e marginalizador dos/as trabalhadores/as, enfim, da maioria da população.

Essa imagem do intelectual envolvido com o debate público traz nessa pesquisa uma oportunidade para podermos polemizar com o conceito de intelectual orgânico de Antônio Gramsci (1995)1 o papel do sujeito do mundo das idéias efetivamente envolvido nas lutas sociais e na reflexão política das décadas de 50-70 (TOLEDO, 1998).

Para Eliane Veras (1997) a condição intelectual de Florestan Fernandes é que o teria feito atuar como político na organização partidária, desenvolvendo assim uma militância diferenciada no que diz respeito a seu papel político “de natureza intelectual”. Para esta autora, Florestan Fernandes teve uma atuação radical na política no processo da Assembléia Nacional Constituinte (em 1987), com destaque para o aprofundamento dos debates no país acerca da educação, da democracia, do desenvolvimento técnico-científico; além de sua presença atuante como publicista na imprensa nacional debatendo “temas candentes” dos rumos da nação brasileira. 

1 A influência ou mesmo o contato com a produção de Gramsci no Brasil só foi lida a partir da década de 60 pelos intelectuais de esquerda. A princípio, as idéias gramscianas não influenciaram os pensadores mais antigos da militância do PCB. Somente após o golpe de 64 é que veremos florescer entre os intelectuais do partido e da universidade a apropriação de seus referenciais teóricos (COUTINHO, 1998).

Essa característica de publicista do socialismo, advinda de sua condição de intelectual orgânico foi trabalhada por Paulo Silveira (1987) ao definir Florestan Fernandes em seu marxismo revolucionário. Para este autor, a atuação publicista de Florestan Fernandes reunia três condições de sua formação e trajetória histórica: a primeira está em seu conhecimento aprofundado da história estrutural da sociedade brasileira; a segunda está em sua


intransigência com as formas de manutenção do status quo burguês e a terceira condição situa a luta de classes não somente como desenvolvimento das condições objetivas, mas na relação entre a realidade objetiva e o campo de possibilidades envolvidos na forma expressão subjetiva.

MÉTODO

O estudo desse intelectual da esquerda brasileira se pautará  pelas idéias marxistas, de seu método materialista histórico dialético de análise e da influência de Gramsci no contexto brasileiro. Esse estudo do marxismo brasileiro deverá levar em conta a historiografia das idéias na interpretação sócio-histórica do Brasil dos governos de Jânio Quadros (61), João Goulart (61-

64) e todos os governos militares no pós-64, propício para a renovação do ideário das esquerdas em nosso país.

Em termos teórico-metodológicos, o conceito de intelectual orgânico nos acompanhará nessa pesquisa como referencial analítico das idéias de Florestan Fernandes e do desdobramento de suas análises e influências teóricas e políticas. A respeito desse conceito, a acepção gramsciana do termo refere-se à questão do intelectual como

Na análise de Macciocchi (1977), o intelectual orgânico para Gramsci é associado ao proletariado. Segundo essa autora, “orgânico é o intelectual cuja relação com a classe revolucionária é fonte de um pensamento comum” (p. 198). Sua atuação intelectual está diretamente vinculada há um projeto político de engajamento na luta pela transformação da ação histórica dos sujeitos sociais.

Em nossa metodologia de pesquisa buscaremos destacar na figura de Florestan a representação do intelectual engajado, assumindo a práxis como projeto militante-acadêmico, aproximando teoria e prática, mesmo em uma conjuntura repressiva daquele Estado autoritário. Nos termos da perspectiva marxista, a partir da década de 50,

MATERIAL

As fontes serão utilizadas até o final da pesquisa. As mais acessadas são:


   Nas referências bibliográficas do próprio Florestan Fernandes, especificamente o texto Revolução Burguesa no Brasil e o que é revolução?

   Entrevistas: Encontros/Florestan Fernandes. Org. Amélia Cohn. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2008. As entrevistas presentes nessa coletânea são dos seguintes veículos:

   Folha de São Paulo (23/03/1968); Folha de São Paulo (30/03/1968); Revista Trans/form/ação (1975); Folha de São Paulo (24/06/1977); Jornal Movimento (21/11/1977); Jornal Em Tempo (agosto/1980); Depoimento realizado no Museu da Imagem e do Som/SP (26/06/1981); Revista Ciência Hoje (outubro de 1983); Programa Radiofônico Certas Palavras (maio/1989); Revista Teoria e Debate (30/03/1991); Entrevista realizada em 1992 e inclusa no DVD do filme Cafundó em (2006);Revista Tempo Social (outubro de 1995); 17/18 Ensaio. Florestan Fernandes: Constituinte e Revolução. Entrevista concedida a: J. Chasin, Ricardo Antunes, Antôio Rago Filh, Paulo Douglas Basrsotti e Maria Dolores Prades (fevereiro/1989).

   Programa Roda Viva da Emissora de Televisão Cultura em 05 de dezembro de 1994 (em DVD e transcrita).

   DVD – Programa Intérpretes do Brasil da TV Cultura. Comentado pela socióloga Maria Hermínia Arruda (USP).

CONCLUSÃO

O Estado burguês era nessa visão de Florestan Fernandes uma autocracia e a democracia dele manifestada tinha características de um sincretismo, pois “partia do fascismo, passava pelo autoritarismo e chegava à democracia, sem que o conteúdo autocrático e sincrético do Estado burguês fosse questionado e colocado em xeque” (MACIEL, 2010, p. 03).

Maciel (2010) enfatiza a importância do sociólogo na leitura sobre o Brasil e reconhece nele o esforço teórico-metodológico que não teria o mesmo rigor sem a apropriação do marxismo como recurso heurístico e proposição política. Sua forma de compreensão e explicitação da realidade histórica brasileira é


advinda, segundo este autor, de um profundo conhecimento das categorias da dialética marxista, o que favoreceu na práxis uma “leitura original do marxismo”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

FALCON, Francisco. História das Idéias. In: CARDOSO, Ciro Flamarion e VAINFAS, Ronaldo (Orgs.). Domínios da História: ensaios de teoria e metodologia. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

FERNANDES, Florestan. Capitalismo dependente e classes sociais na América Latina. 2 ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975.

. Sociedade de classes e subdesenvolvimento. 3 ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1975.

 

. Mudanças sociais no Brasil. 3 ed. São Paulo/Rio de Janiero: Difel, 1979.

 

.                                            A  revolução         burguesa  no    Brasil:   ensaio   de interpretação sociológica. 3 ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987.

 

KONDER, Leandro. História dos intelectuais nos anos 50. In: Historiografia brasileira em perspectiva. 3 ed. São Paulo: Contexto, 2000.

PORTELLI, Hugues. Gramsci e o bloco histórico. 5 ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1990.

MACIEL, D. . Florestan Fernandes e a questão do transformismo na trasição democrática brasileira. In: IV Simpósio Lutas Sociais na América Latina, Londrina - PR. Anais do IV Simpósio Lutas Sociais na América Latina. Londrina

- PR : GEPAL, 2010. v. 1. p. 102-112.

MORAES, João Quartim (Org.). História do marxismo no Brasil. Campinas: Editora da Unicamp, v. 3, 1998, p. 201-244.

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