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sábado, 29 de abril de 2023

CARTA ABERTA AOS BABACAS DO FACEBOOK * Moina Lima Taiguara / BA

 CARTA ABERTA AOS BABACAS DO FACEBOOK

(N.E.: para os coxinhas e avessos aos livros entenderem um pouco mais da Ditadura Militar)


“Para aqueles que mandaram eu acordar ou passar pro outro lado, quero dizer o seguinte:

Eu acordei quando eu tinha 4 anos de idade quando meu pai de uma hora pra outra resolveu deixar nossa casa no RJ em Santa Teresa e se auto exilar com a família mais uma vez.

Eu acordei quando nesta mesma idade, viajamos pro Uruguai, Paraguai e Argentina de buzum sem rumo pra tentarmos ter paz fugindo da repressão. Minha mãe grávida da minha irmã mais nova, carregando uma filha pequena nos braços e malas e meu pai com pesos nas costas também, os dois desesperados precisando de proteção.

Eu acordei quando lá em Recife que é onde fomos parar pra termos um pouco de tranquilidade por mais um ano e pouquinho, minha irmã nasceu e descobriram que meus pais estavam lá e lá fomos nós de novo alugar outro lugar pra ficar, dessa vez em SP, onde meu irmão nasceu.

Eu acordei quando eu percebi que eu não me fixava em nenhuma escola, porque eu sempre precisava estar partindo com 4,5,6,7 anos de idade. Que minhas notas na escola não passavam de 4.0.

Que eu reprovei 2 x a terceira série por falta e rendimento.

Acordei quando tivemos nossa casa invadida por terroristas e vi minhas bonecas e meus brinquedos todos amassados, quebrados, sem olhos, sem cabeças (pra aterrorizar mesmo as crianças da casa).

Acordei quando meu pai resolveu peitar tudo e voltar pra sua casa no RJ e jogaram gás lacrimogêneo em cima de mim no Humaitá, eu com apenas 8 anos de idade.

Acordei quando meu pai me colocou na corcunda de suas costas pra fazer manifestação e parou em frente a Câmara dos Vereadores no RJ depois de uma explosão e me mostrou o que era uma ditadura.

Acordei quando comecei a entender que meu pai foi o artista musical mais censurado do Brasil (confirmado pelos órgãos nacionais), muita das vezes por nenhum motivo. Que isso refletia financeiramente em nossas vidas, porque meu pai não tinha mais trabalho, não cantava mais e só recebia dinheiro de direitos autorais e royalties de músicas que não estavam proibidas nas rádios.

Sorte nossa que tínhamos casa própria no RJ, senão a situação seria pior.

Acordei quando minha mãe passou a ser perseguida por garimpeiros quando lutava pela causa indígena e foi listada como "Marcada Pra Morrer" e teve sua cara estampada no Jornal Nacional.

Acordei quando minha mãe sofreu violência dessa mesma corja. 

Acordei quando meu pai adquiriu um câncer de bexiga e morreu aos 50 anos de tanto estresse na vida. Esse câncer que matou o meu pai com apenas 50 anos de idade foi o reflexo de tudo isso. E eu não perdoo quem matou o meu pai: a ditadura.

Então vão se fuder vocês com seus falsos moralismos.

Porque só quem sente na pele é quem pode falar alguma coisa. Ou quem tem no mínimo conhecimento histórico do que foi uma repressão.

E já aviso, quem é apoiador de ditadura, faça o favor de se retirar da minha lista imediatamente. Não aceito, não compartilho, não quero estar NUNCA perto de vocês.

Quanto ao meu posicionamento político é isso: Sou filha de comunista, sou de esquerda e assim me permanecerei. 

Sou socialista e assim serei. Quem não gostar, que se mande também. Tô nem aí. E quem quiser ficar, que me respeite e não me mande acordar, porque acordada eu já estou há muitos anos. Tenho 41 anos e comecei a sacar tudo aos 4.”


Moína Lima Taiguara / BA

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domingo, 14 de fevereiro de 2021

TAIGUARA 25 ANOS DE AUSÊNCIA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

TAIGUARA 25 ANOS DE AUSÊNCIA

TAIGUARA - Taiguara Chalar da Silva -  foi um militante incansável na luta pela construção de um mundo inclusivo, sem explorados nem exploradores.  Suas letras e sua postura pessoal demonstram o que dizemos e confirmam se tratar um combatente pelas causas populares no mais autêntico sentido das palavras. Taiguara não era FORMAL. Ele escrevia, tocava, cantava e vivia por uma causa, a causa dos oprimidos, a causa da libertação nacional, da soberania das nações e do direito delas disporem de si próprias, da edificação da utopia libertadora, sempre empenhado na marcha rumo à sociedade comunista.Vveu e acreditou, como todos nós, a esperança nascida das mobilizações operárias contra a ditadura militar, pela abertura, pelas "DIRETA JÁ!", pela constituinte, enfim, por tudo que a esperança anuncia... 

Faleceu em 1996, com 51 anos de idade, levando um pouco de cada de nós. Hoje, nesses 25 anos de sua ausência, sentimos a falta de sua pessoa e de sua voz. Mas que tal aquecer os corações, ouvindo algumas canções... 

TAIGUARA NA DITADURA/RÁDIO USP

https://jornal.usp.br/cultura/na-ditadura-taiguara-citou-mais-valia-de-forma-lirica-e-metaforica/ 



TAIGUARA


Mais valia eu ter-te amado
Que ter-te explorado tanto
Mais valia o meu passado a teu lado
Do que mais luxo e mais encanto

Fiz capital, te explorando
Fiz o mal, nos separando
E hoje aqui estou derrotado,
Um ladrão desalmado
Que acabou chorando

(Mais Valia, de Taiguara)






Taiguara (1945-1996) foi um dos artistas mais censurados pela ditadura militar brasileira (1964-1985). No entanto, ele se utilizava da criatividade para driblar as imposições do regime, como afirmou o pesquisador Omar Jubran no programa Olhar Brasileiro, da Rádio USP (93,7 MHz), transmitido no dia 22 passado, que apresentou a obra desse cantor e compositor nascido em Montevidéu, no Uruguai, e radicado no Brasil desde os 4 anos de idade.

Um exemplo dessa criatividade é a música Mais Valia, que de forma lírica e metafórica faz referência a um dos mais conhecidos conceitos elaborados pelo pensador alemão Karl Marx (1818-1883), criador do chamado socialismo científico – o conceito de mais-valia, que se refere à diferença entre o valor final de uma mercadoria e a soma do valor do trabalho e dos meios de produção necessários para a produção daquela mercadoria, que é a fonte do lucro.

Além de Mais Valia, outras composições de Taiguara foram apresentadas em Olhar Brasileiro, como Teu Sonho Não Acabou, Universo no Teu Corpo, Hoje, Viagem, Que as Crianças Cantem Livres e Voz do Leste.

Ouça nos links acima a íntegra do programa.

Dedicado à divulgação da música popular brasileira, Olhar Brasileiro vai ao ar pela Rádio USP (93,7 MHz) sempre aos domingos, às 10 horas, com reapresentação na terça-feira, à 0 hora, inclusive via internet, através do site da emissora. Às terças-feiras ele é publicado no Jornal da USP. O programa é produzido e apresentado pelo pesquisador Omar Jubran.
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