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domingo, 7 de maio de 2023

BANDITISMO DIGITAL * ARTHUR COELHO BEZERRA/UFRJ.RJ

 BANDITISMO DIGITAL
ARTHUR COELHO BEZERRA*

Gigantes de tecnologia como Alphabet, Meta e Twitter querem impedir a todo custo a aprovação da Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência da Internet

Na breve época de ouro da internet, quando proliferavam blogs pessoais, salas de bate-papo e compartilhamento peer-to-peer de arquivos no ambiente virtual (termos que parecem ter caído em desuso), o pensador franco-tunisiano Pierre Lévy ganhou fama com livros que incensavam uma espécie de utopia tecnoliberal, projetada pelas potencialidades do tal novo mundo virtual. Termos como “inteligência coletiva”, “democracia eletrônica” e “universos de escolha” compunham o ideário de sua cibercultura, cujo substrato humano estaria nas “comunidades virtuais” formadas por pessoas interconectadas em rede.

Os exemplos que Pierre Lévy lista em seu livro Cibercultura, de 1999, para ilustrar as tais comunidades virtuais são prosaicos: “fãs da culinária mexicana, amantes do gato angorá, fanáticos por uma determinada linguagem de programação ou leitores apaixonados de Heidegger, outrora dispersos pelo planeta, agora têm um lugar familiar para se encontrar e conversar”. É curioso que, de todo o panteão da filosofia, a escolha leviana (com trocadilho) tenha recaído sobre um pensador alemão que não escondia sua simpatia pelo antissemitismo e pelo partido nazista, do qual Heidegger fez parte de 1933 até a sua dissolução, no fim da Segunda Guerra.

Se o filósofo antissemita estivesse vivo e no vigor de seus 133 anos, não lhe faltariam comunidades virtuais para bater papo com seus semelhantes: como se sabe, a cibercultura dos novos anos 2020 está coalhada de grupos fascistas, misóginos, homofóbicos, racistas, golpistas e todo tipo de gente que utiliza as redes digitais para compartilhar ódio, raiva e bílis. O ódio é um afeto poderoso, que gera identificação com quem o compartilha e indignação de quem não o compartilha (ou, pior, é dele alvo).

Por isso, tanto nas redes sociais quanto em sites de notícias (sejam verdadeiras ou não), o discurso de ódio gera engajamento – não aquele antigo significado de engajamento, que se refere à participação em protestos, lutas trabalhistas, movimentos sociais ou partidos políticos. Na internet, o engajamento não é qualitativo e sim quantitativo, um fenômeno mensurável pela interação dos usuários da rede com determinado conteúdo. Essa interação gera a produção de dados por meio de cliques, comentários, compartilhamentos e visualizações, engordando o big data das corporações da internet.


Há um outro fator que é fermentado pela cibercultura de nossos dias e que resulta desse compartilhamento afetivo de comunidades misóginas, racistas, homofóbicas, fascistas e golpistas, ou seja, da hipertrofia do ódio: seu corolário é a atrofia da razão, da reflexão, da ponderação, enfim, do pensamento equilibrado, racional e razoável. O definhamento da razão, por sua vez, tem historicamente se mostrado um eficiente método para adubar o terreno no qual mentiras, notícias falsas e demais táticas de desinformação serão plantadas por indivíduos e grupos com interesses políticos e econômicos.

Assim como o ódio, a mentira também gera engajamento nas redes: notícias falsas são compartilhadas por quem acredita nelas ou por quem as faz circular por má fé, interesse pessoal ou canalhice, e são refutadas, desmentidas e denunciadas por quem age em defesa da verdade dos fatos. Em ambos os casos, retomando o livro contábil das big tech, o engajamento é medido pela interação dos usuários da rede com esse conteúdo, que gera a produção de dados por meio de cliques, comentários, compartilhamentos e visualizações, novamente dilatando o big data das corporações da internet.

A socióloga Shoshana Zuboff usa o termo “indiferença radical” para se referir à postura das big tech em relação ao que é curtido, clicado ou compartilhado em suas plataformas, valendo-se do surrado discurso da neutralidade tecnológica para se isentar do conteúdo disponibilizado por seus usuários. No entanto, considere-se a ampla circulação na internet de discurso de ódio, desinformação política e negacionismo científico e ambiental, aliada ao recrudescimento de comunidades virtuais terraplanistas, antivacinas e discriminatórias que financiam o impulsionamento de conteúdo desinformativo nas redes, prática que gera engajamento a partir dos critérios de relevância dos algoritmos que organizam a informação nas plataformas, sendo estes projetados segundo o interesse comercial de corporações bilionárias. São fatos que, mais do que levantar dúvidas, revelam as falácias a respeito da neutralidade moral das plataformas.

A essa altura, parecem estar claros os motivos pelos quais grandes empresas de tecnologia como a Alphabet (proprietária do Google e do YouTube), a Meta (dona do Facebook, do Instagram e do Whatsapp) e o Twitter querem impedir, a todo custo, a aprovação da Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência da Internet, que se propõe a regular as plataformas digitais de comunicação para que tenhamos um ecossistema informacional mais saudável, seguro e confiável. O PL2630, projeto de lei conhecido como “PL das Fake News”, prevê novas regras para o uso de redes sociais, aplicativos de mensagem instantânea e mecanismos de busca.

Nos capítulos do projeto que tratam da responsabilização e regulação das plataformas, figuram temas como a remuneração por conteúdo musical, audiovisual e jornalístico compartilhado nas plataformas digitais, o uso das redes sociais por crianças e adolescentes, a prática de crimes de racismo, discriminação, de terrorismo e de atentados contra o Estado de Direito, bem como a responsabilização (inclusive criminal) pela propagação de mensagens falsas em massa. Todos os itens elencados geram lucro para as big tech, que constantemente se esquivam de assumir responsabilidade sobre o conteúdo que circula em suas redes e tampouco prestam contas sobre as práticas de mediação algorítmica que tornam esta ou aquela informação visível ou invisível.

Passados mais de dois anos de discussões desde a sua apresentação em 2020, e depois de sofrer cerca de 90 emendas em seu texto original (dizia Bismarck que as leis são feitas como as salsichas), o retalhado e já combalido projeto finalmente foi entregue à Câmara dos Deputados pelo relator Orlando Silva na quinta-feira, dia 27 de abril, para ser votado na terça seguinte, dia 2 de maio.

Steve Bannon

Porém, um dia antes da votação, o jornal Folha de S. Paulo veicula uma reportagem sobre a ofensiva da Google contra o PL das Fake News. A jornalista Patrícia Campos Mello, que assina a matéria, apresenta as conclusões de um estudo do Laboratório de Estudos de Internet e Mídias Sociais (NetLab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que aponta que Google, Meta, Spotify e Brasil Paralelo anunciam e veiculam anúncios contra o PL 2630 de forma opaca e burlando seus próprios termos de uso, indicando os resultados de busca da Google para influenciar negativamente a percepção dos usuários sobre o projeto de lei.

No mesmo dia, muitos pesquisadores e usuários do Google compartilharam um print com a frase “O PL2630 pode aumentar a confusão sobre o que é verdade ou mentira no Brasil” estampada na página inicial do buscador, o que contribuiu para a decisão de abertura de um inquérito pelo ministro Alexandre de Moraes para julgar a conduta da empresa. Não obstante, o objetivo da big tech foi alcançado: no próprio dia 2 de maio, sob pressão da Google, da Meta, do Tik Tok e da oposição de direita (com forte atuação da bancada evangélica), a Câmara resolve adiar a votação por tempo indeterminado.

A postura da Google em relação ao PL2630 faz lembrar o escândalo envolvendo a coleta de dados que a Cambridge Analytica fez de milhões de usuários do Facebook, para, dentre outros expedientes, manipular o resultado da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e do Brexit no Reino Unido, em 2016. O caso fez com que Mark Zuckerberg fosse obrigado, como cidadão norte-americano, a passar por uma sabatina de mais de 600 perguntas em cerca de dez horas de depoimento em Washington, às quais respondeu da forma mais evasiva que foi capaz.

Já em relação às três intimações para depor que recebeu do parlamento britânico, o dono do Facebook, em termos metafóricos, apenas mostrou o dedo para os ingleses – e não foi o polegar do famoso “joinha” da rede azul. A insolência de Zuckerberg ao ignorar as intimações levou o parlamento britânico, no relatório sobre desinformação e fake news que publicou em 2019, a afirmar que “empresas como o Facebook não devem se comportar como “gangsters digitais” no mundo online, considerando-se estar à frente e além da lei”. O mesmo deve valer para o Twitter de Elon Musk, o Google de Larry Page e Sergey Brin e para qualquer CEO ou empresa que se julgue o Alpha e o Omega do universo digital.

*Arthur Coelho Bezerra é professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação do IBICT-UFRJ.

sábado, 29 de abril de 2023

CARTA ABERTA AOS BABACAS DO FACEBOOK * Moina Lima Taiguara / BA

 CARTA ABERTA AOS BABACAS DO FACEBOOK

(N.E.: para os coxinhas e avessos aos livros entenderem um pouco mais da Ditadura Militar)


“Para aqueles que mandaram eu acordar ou passar pro outro lado, quero dizer o seguinte:

Eu acordei quando eu tinha 4 anos de idade quando meu pai de uma hora pra outra resolveu deixar nossa casa no RJ em Santa Teresa e se auto exilar com a família mais uma vez.

Eu acordei quando nesta mesma idade, viajamos pro Uruguai, Paraguai e Argentina de buzum sem rumo pra tentarmos ter paz fugindo da repressão. Minha mãe grávida da minha irmã mais nova, carregando uma filha pequena nos braços e malas e meu pai com pesos nas costas também, os dois desesperados precisando de proteção.

Eu acordei quando lá em Recife que é onde fomos parar pra termos um pouco de tranquilidade por mais um ano e pouquinho, minha irmã nasceu e descobriram que meus pais estavam lá e lá fomos nós de novo alugar outro lugar pra ficar, dessa vez em SP, onde meu irmão nasceu.

Eu acordei quando eu percebi que eu não me fixava em nenhuma escola, porque eu sempre precisava estar partindo com 4,5,6,7 anos de idade. Que minhas notas na escola não passavam de 4.0.

Que eu reprovei 2 x a terceira série por falta e rendimento.

Acordei quando tivemos nossa casa invadida por terroristas e vi minhas bonecas e meus brinquedos todos amassados, quebrados, sem olhos, sem cabeças (pra aterrorizar mesmo as crianças da casa).

Acordei quando meu pai resolveu peitar tudo e voltar pra sua casa no RJ e jogaram gás lacrimogêneo em cima de mim no Humaitá, eu com apenas 8 anos de idade.

Acordei quando meu pai me colocou na corcunda de suas costas pra fazer manifestação e parou em frente a Câmara dos Vereadores no RJ depois de uma explosão e me mostrou o que era uma ditadura.

Acordei quando comecei a entender que meu pai foi o artista musical mais censurado do Brasil (confirmado pelos órgãos nacionais), muita das vezes por nenhum motivo. Que isso refletia financeiramente em nossas vidas, porque meu pai não tinha mais trabalho, não cantava mais e só recebia dinheiro de direitos autorais e royalties de músicas que não estavam proibidas nas rádios.

Sorte nossa que tínhamos casa própria no RJ, senão a situação seria pior.

Acordei quando minha mãe passou a ser perseguida por garimpeiros quando lutava pela causa indígena e foi listada como "Marcada Pra Morrer" e teve sua cara estampada no Jornal Nacional.

Acordei quando minha mãe sofreu violência dessa mesma corja. 

Acordei quando meu pai adquiriu um câncer de bexiga e morreu aos 50 anos de tanto estresse na vida. Esse câncer que matou o meu pai com apenas 50 anos de idade foi o reflexo de tudo isso. E eu não perdoo quem matou o meu pai: a ditadura.

Então vão se fuder vocês com seus falsos moralismos.

Porque só quem sente na pele é quem pode falar alguma coisa. Ou quem tem no mínimo conhecimento histórico do que foi uma repressão.

E já aviso, quem é apoiador de ditadura, faça o favor de se retirar da minha lista imediatamente. Não aceito, não compartilho, não quero estar NUNCA perto de vocês.

Quanto ao meu posicionamento político é isso: Sou filha de comunista, sou de esquerda e assim me permanecerei. 

Sou socialista e assim serei. Quem não gostar, que se mande também. Tô nem aí. E quem quiser ficar, que me respeite e não me mande acordar, porque acordada eu já estou há muitos anos. Tenho 41 anos e comecei a sacar tudo aos 4.”


Moína Lima Taiguara / BA

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terça-feira, 25 de outubro de 2022

FAVELADO NÃO É TRAFICANTE * Malu Aires/Facebook

 FAVELADO NÃO É TRAFICANTE

Malu Aires/Facebook

JOÃO ILUDIDO

Ele olha pras comunidades e chama todo mundo que mora nas favelas de traficante. 


Mas a sogra dele era traficante. O tio da Micheque era traficante. O outro tio é um pedófilo que estuprou uma sobrinha. Bolsonaro é tão chegado em traficantes que os leva de carona na aeronave presidencial. Colocou mais armas nas mãos dos traficantes que do exército. 


Rodeado de traficantes, assassinos, pedófilos e bandidos, Bolsonaro sabe que seus ataques (com fake news e tudo) são sua melhor defesa. Mas a melhor defesa desse nojento é a nossa falta de memória. 


O irmão de Pazuello era traficante, raptava e estuprava meninas. O vice-presidente do partido de Bolsonaro foi preso outro dia, por abusar das próprias netas. Seus apoiadores no Rio, um matou um enteado de 5 anos espancado, outro filmava seus abusos com menores. E não foram poucos os pedófilos que faziam sinal de arminha, em 2018.

Guedes chegou a dizer que a economia iria bombar com o turismo sexual. Ele bem sabe que é a exploração sexual de menores que dá lucro pra cafetões da miséria iguais a ele.

Damares jamais foi vista defendendo as crianças indígenas vítimas de garimpeiros assassinos e estupradores. Afinal, dali daquele horror saía o ouro do seu pastor no MEC. 

O lado mais sombrio da humanidade está neste governo. 


Quando Bolsonaro chega numa comunidade e olha "meninas arrumadinhas" de 14 anos, se na cabeça dele "pintou um clima", ele é um pedófilo. 


A mídia minimiza a fala repugnante para um chefe de Estado. Como também minimiza sua responsabilidade pela tragédia sanitária durante a pandemia. Minimiza a tragédia econômica, lançando todo mês "expectativas positivas" pro mês seguinte que é pura inflação e crise. Abafa a verdade e promove as fake news em rede nacional. 


Mesmo sendo canalha, mentiroso, ladrão, assassino e pedófilo, a mídia empurra essa desgraça, com a pança dos seus sócios cheia de dólares que estão faltando pras políticas sociais.  


A mídia brasileira, herança de famílias com o rabo cheio de dinheiro de corruptos e degenerados, contratou esse assassino. 

A mesma mídia que deu filme pra Flordelis "adotar" mais "meninas arrumadinhas" pelas ruas do Brasil. Que transformou um pastor tarado em "heroi pacificador de rebeliões nas cadeias".

Quando pinta um clima entre a mídia e um tarado, nasce um "heroi", um "mito", um "gênio", um "craque", "um empresário de sucesso" que passa o dia "atendendo" a fila de meninas pobres e "arrumadinhas" que trocam sexo por eletrodomésticos. 


Nesse Brasil que não deixou faltar viagra pra tropa de velhos depravados, faltou oxigênio, remédios, vacinas, empregos, escolas, oportunidades, proteção, assistência, comida. 


Mas falta mais coisa...

Falta vergonha na cara do homem brasileiro que acha normal que homens abusem de crianças. Falta vergonha na cara de uma mulher que nunca vê malícia no seu tarado. Falta vergonha na cara de um religioso que esqueceu que Jesus mandou amar as criancinhas, não assediá-las. 


Quem quer combater a pedofilia, combate a causa.

A pedofilia é a consequência. A política de destruição, miséria, abandono e fome é a causa. 

Quem combate a pedofilia combate a fome. 

Quem combate a pedofilia tira as crianças da vulnerabilidade e as leva pras escolas e universidades, as alimenta, constrói creches para a segurança delas , dá teto à elas. 

Quem combate a pedofilia, não naturaliza o machismo que não poupa criança. 


O Brasil voltou pra linha da miséria onde pedófilos dão rolês de moto à caça de "meninas arrumadinhas". Enquanto suas "exemplares esposas" aguardam em casa a rachadinha que compra a descarada conivência. 


Isso não é governo. É uma pornochanchada repugnante que a mídia exibe há 4 anos, como se fosse  bonito. 


Quem quer combater a pedofilia não reelege a fome que impulsiona esse recorde de violência sexual contra crianças. 


Combater a pedofilia é combater a miséria que rouba e toma a infância das crianças. 

Quem quer proteger a infância e juventude das crianças brasileiras, vai eleger Lula. 


#LulaPresidente13

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