terça-feira, 31 de março de 2026

ABAIXO O GOLPISMO HOJE E SEMPRE * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

ABAIXO O GOLPISMO HOJE E SEMPRE
"COMEÇA O GOLPE MILITAR
(Ernesto Germano Parés)
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No início da década de 1950, a UDN, coligação de extrema direita e envolvida com grandes empresários nacionais e internacionais, temia a vitória de Getúlio em sua volta ao governo. Na época vivíamos a disputa entre dois projetos: um desenvolvimento nacionalista, com fortalecimento da economia interna e do poder de compra dos trabalhadores, ou uma economia voltada para a associação com os grandes capitais internacionais.
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Carlos Lacerda, dono do jornal Tribuna da Imprensa (uma espécie de Globo da época) era o grande representante dessa direita e, em seu jornal, ele conclamou os militares a não permitirem que Getúlio Vargas concorresse ou tomasse posse: “O Sr. Getúlio Vargas, senador, não deve ser candidato à presidência. Candidato, não deve ser eleito. Eleito não deve tomar posse. Empossado, devemos recorrer à revolução para impedi-lo de governar”.
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Mas Vargas foi eleito e tomou posse. No dia 24 de agosto de 1954, sabendo da sanha dos golpistas, Getúlio Vargas comete o suicídio. A reação popular foi imediata. No dia seguinte, 25 de agosto, o povo incendiou a gráfica de O Globo e invadiu a Folha de São Paulo. Caminhões que sairiam para distribuir os jornais foram virados e incendiados. Carlos Lacerda, o covarde de sempre, fugiu do país com medo de ser pego pelos trabalhadores. O “golpe” foi adiado para nova data.
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Depois de uma conturbada fase, o Brasil volta à normalidade e Juscelino Kubitschek é eleito, tomando posse em janeiro de 1956. Menos de dois meses depois da sua chegada à presidência, na noite de 10 de fevereiro de 1956, oficiais da Aeronáutica (sempre um foco da ultradireita no país), liderados pelo major Haroldo Veloso e pelo capitão José Chaves Lameirão, partiram do Campo dos Afonsos (RJ) para instalar um golpe contra o governo na base aérea de Jacareacanga, no sul do Pará. A “rebelião” foi sufocada 19 dias depois e todos os “revoltosos” receberam “anistia ampla e irrestrita do governo”.
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No dia 2 de dezembro de 1959 vamos viver a nova tentativa de golpe dessa mesma direita. A Revolta de Aragarças teve início no dia 2 de dezembro de 1959, mas já vinha sendo articulada desde 1957. Curiosamente, teve a participação do líder da revolta de Jacareacanga, Haroldo Veloso, e contou com a participação de muitos outros militares, entre eles o tenente-coronel João Paulo Moreira Burnier, que foi o seu principal líder e depois foi figura de destaque no golpe de 1964.
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Ainda para conversar sobre a “preparação” do golpe, vamos lembrar outro fato, esse ocorrido em fevereiro de 1954, quando oficiais das Forças Armadas divulgam um documento que ficou conhecido como o “Manifesto dos Coronéis” e se colocavam contrários ao aumento de 100% no salário mínimo que foi proposto por João Goulart (na época ministro do Trabalho). Acreditem ou não, o tal documento estava assinado por muitos dos que, 10 anos mais tarde, foram os protagonistas do golpe: Siseno Sarmento, Jurandir Bizarria Mamede, Antonio Carlos Murici, Amaury Kruel, Sylvio Coelho Frota, Ednardo Dávila Melo e Golbery do Couto e Silva.
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Para o movimento dos trabalhadores, um marco foi o Congresso Sindical ocorrido em dezembro de 1961 quando os sindicalistas mais afinados com a esquerda, muitos membros do PCB, e com as propostas nacionalistas conseguem desbancar a velha direção da CNTI (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria). Na época, a CNTI controlava nada menos do que 4 milhões de trabalhadores!
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No dia 07 de outubro de 1963, os trabalhadores da USIMINAS (que ainda era uma empresa multinacional) param reivindicando aumento salarial, melhores condições de alojamentos e mudanças no quadro de vigilância interna da empresa. Dos 30.000 trabalhadores ligados às atividades da siderúrgica apenas 6.000 eram registrados, os demais eram vinculados a empreiteiras (falaremos mais sobre isso na data – “O massacre de Ipatinga”).
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No dia 13 de março de 1964 João Goulart convoca o Comício da Central do Brasil. No palanque, diante de milhares de trabalhadores e populares, estavam Miguel Arraes, Leonel Brizola e muitos líderes da CGT. Naquele dia ele anunciou a nacionalização das refinarias privadas de petróleo e a desapropriação de uma faixa de terra de 10 quilômetros à beira das estradas de ferro ou de rodagem (também dos açudes) para a Reforma Agrária. Já falamos sobre um dos reflexos desse discurso quando tratamos da “Marcha da Família”!
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Dias depois do discurso na Central acontece o que pode ter sido “a gota d’água” para os militares que ainda se mantinham legalistas. No Rio de Janeiro, dia 25 de março, cerca de 2 mil marinheiros se reúnem na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro para comemorar o segundo aniversário da fundação da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil. O ato contou com a presença de sindicalistas, líderes estudantis, de Leonel Brizola e do marinheiro João Cândido, líder da Revolta da Chibata de 1910. Só para registrar, a Marinha considerava a entidade ilegal.
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O ministro Silvio Mota enviou um contingente de fuzileiros navais do Batalhão da Ilha das Cobras para “acabar com a indisciplina e prender a marujada”. Mas teve uma grande surpresa: os fuzileiros arriaram os seus fuzis e se aliaram aos marinheiros no interior do prédio. Contei essa história recentemente (27/03). O movimento só foi vencido quando o Exército cercou o prédio com tanques de guerra e tropas do Batalhão de Guardas.
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O governo do EUA havia inaugurado, com a eleição de John F. Kennedy (1961), uma nova estratégia de combate ao socialismo. Novas verbas governamentais são liberadas para renovação do arsenal nuclear e a política internacional é de conceder maior participação aos países aliados nas decisões estadunidenses. Por outro lado, autoriza uma intervenção direta contra o recém-criado governo socialista de Cuba ao sustentar uma tentativa de invasão na Baía dos Porcos por alguns exilados cubanos apoiados por soldados mercenários contratados pela CIA, em abril de 1961. Depois de derrotado, quando milícias populares cubanas “botaram para correr” os bem treinados marines, Kennedy declara o embargo comercial à Cuba com um bloqueio naval. Em janeiro de 1962, convence a Assembleia da OEA a expulsar Cuba de seu quadro.
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Entre os políticos brasileiros esta proposta tinha como defensores o prof. Eugênio Gudin, o economista Roberto Campos, o jornalista Júlio de Mesquita e muitos políticos abrigados na UDN. Entre os militares, uma jovem oficialidade criada no período posterior a II Guerra e que se formara dentro de uma nova mentalidade nas Forças Armadas.
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Já em 1963, as atitudes do Governo dos EUA haviam mudado. Nenhum novo acordo econômico era assinado com o governo Goulart, enquanto vários negócios e empréstimos eram realizados diretamente com governadores estaduais que atendessem aos projetos de Aliança Para o Progresso. Estados como a Guanabara e o Rio Grande do Norte, governados pela UDN, recebiam amplo apoio financeiro para realização de programas de desenvolvimento.
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Por alguns documentos e depoimentos posteriores vamos entender que os “golpistas” esperavam que João Goulart fosse deposto pelos militares no dia 1º de maio, mas algo não saiu de acordo com os planos e, na noite do dia 30 de março, madrugada do dia 31, o general Olympio Mourão Filho colocou em movimento soldados da IV Região Militar, com sede em Juiz de Fora.
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Mourão Filho, que havia sido importante personagem no movimento integralista (fascista) da década de 1930 e um dos organizadores do famoso Plano Cohen (já falamos sobre isso) resolve antecipar o movimento.
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O fato é que no dia 1º de abril de 1964 o Rio de Janeiro, centro das atenções políticas, amanhece com o centro da cidade tomado por tropas. Tanques de guerra cercavam o prédio do antigo Ministério da Guerra e soldados fechavam todas as vias públicas para que não ocorressem protestos. A sede a União Nacional dos Estudantes, na Praia de Botafogo, foi incendiada na madrugada por grupos de direita.
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Nelson Werneck Sodré, historiador e ex-militar, escreve: “... ao contrário do que, honesta e sinceramente, acreditaram muitos do que dele participaram, ativa ou passivamente, correspondeu para as Forças Armadas não ao restabelecimento da disciplina e da hierarquia, mas, ao contrário, ao agravamento de sua subversão”. (Em História Militar do Brasil – Editora Expressão Popular, 1965)
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Como dissemos, Olympio Mourão Filho tinha sido integralista. Em sua biografia vamos ver que, muito menos motivado pela doutrina fascista e mais pelo sentimento contra o comunismo que nutria. Ele via o “comunismo” em toda parte, inclusive “infiltrado no Exército”.
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Um mês depois do golpe de 1964, entrevistado por um jornal, Mourão Filho sai com uma frase que o marca até hoje: “Em matéria de política, não entendo nada. Sou uma vaca fardada”.
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Nota: tenho um longo texto sobre o golpe militar de 1964, mas estou revisando porque, desde a década de 1990, quando o escrevi, tive novas e importantes informações.
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GOLPE MILITAR NUNCA MAIS!
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DITADURA NUNCA MAIS!
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CHEGA DE VACAS FARDADAS!
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VIVA A DEMOCRACIA!
O GOLPE MILITAR DE ABRIL

O golpe militar de 1964 leva a marca do primeiro de abril.

Foi nesta data, primeiro de abril de 1964, que os generais e coronéis deram uma punhalada pelas costas no Presidente João Goulart.
Os golpistas mudaram a data para 31 de março, pois o primeiro de abril é o dia da mentira, na tradição popular.
Os golpistas só se envergonhavam da data!
E apelidaram o golpe de revolução de 31 de março, a redentora, uma patacoada!
O comandante-em-chefe do golpe foi o embaixador dos EUA, Lincoln Gordon.
Esse embaixador Lincoln Gordon vivia dando entrevistas acusando o Presidente
João Goulart de estar levando o Brasil para o comunismo.
Uma gravíssima acusação à época, pois estávamos em plena Guerra Fria!
Gordon dividiu a conspiração em duas frentes.
A frente interna dirigida, pelo general Golbery do Couto e Silva e a externa, comandada pelo adido militar da embaixada ianque, coronel Vernon Walters.
O coronel Walters dominava o português sem qualquer sotaque.
E era amigo e companheiro de conspiração de diversos generais brasileiros. Entre eles Castelo Branco, com quem traçou a arquitetura do golpe no Brasil, a quatro mãos.
No fim da tarde de primeiro de abril, com o golpe consumado, os golpistas gritaram vitória!
Uma vitória, sem derramamento de sangue, fora conseguida, propalavam.
E até parecia.
Uma parte da esquerda pretendia conciliar e conviver pacificamente com o governo golpista.
Mas, por outro lado, havia muita indignação e o propósito de resistir ao regime militar!
A resistência começou com atos de protestos pacíficos, músicas de protesto e atos públicos com grande participação popular.
O protesto pelo assassinato do Estudante Edson Luiz e a marcha dos 100 mil foram grandes movimentos de massa contra o regime!
Na tentativa de reprimir os protestos, o governo golpista apelou para a legislação de exceção, com o Ato Institucional.
Este ato foi o primeiro e não levou número. Não existe o Ato Institucional de número 1.
Por força do Ato Institucional, dezenas de milhares de brasileiros perderam os seus empregos e cargos, e a instabilidade se fez presente. Uma tragédia!
Os intelectuais eram o alvo predileto!
Livro é coisa de comunista! Berrou a ditadura.
Editoras, livraria, e escritores passara a ser vigiados.
Professores, e estudantes, eram enquadrados em crime político!
Quem não fosse a favor da ditadura militar, era considerado inimigo, até prova em contrário.
Expulsos dos seus empregos e perseguidos pela repressão política, muitas famílias ficaram à beira do desespero!
Castelo Branco foi posto na presidência da república, por obra do embaixador Lincoln Gordon e do adido militar da embaixada coronel Vernon Walters.
E o Brasil passou ser, de fato, colônia Brazil com “Z” sem necessidade de um pacto colonial, que existira durante o mandato colonial português.
A chamada grande imprensa, todos os jornalões e redes de TVs, sem exceção, apoiaram o golpe e a ditadura militar.
E a revolta contra o regime militar não se fez esperar!
No dia 9 de maio, após uma intensa perseguição, o ex-deputado Carlos Marighella foi localizado no Cine Eski na Tijuca.
As luzes do cinema acenderam-se, e um tira do DOPS, apontando uma arma para Marighella, deu voz de prisão!
Em troca tomou um chute no revólver e a arma disparou, ferindo Marighella no peito!
Coberto de sangue Marighella enfrentou os policias na porrada!
Ali começou, de fato, a resistência à ditadura militar.
No vai e vem da ditadura, brigalhada e roubalheira, entre os que se julgavam mais revolucionários do que outros.
Resolveram trocar de ditadores: Costa e Silva substituiu Castelo Branco.
Sentindo que, com as medidas repressivas tomadas até então, não conseguiam domar a população, em 13 de dezembro de 1968 a ditadura editou o AI-5, Ato Institucional número cinco.
E a sociedade brasileira se transformou num inferno, nos porões escuros e profundos das câmaras de torturas, dos DOI-CODISs e Casas da morte!
Desta última instituição infernal, veio a público a casa da morte de Petrópolis, que não foi a única!
Conta-se cerca de meia dúzia!
O golpe sem sangue veio a se transformar na mais terrível das ditaduras que já conhecemos!
Esta é uma tentativa de se fazer um retrato sem retoque do golpe militar de 1964.

E P Calcante
Capitão de mar e guerra ref. do Corpo de Fuzileiros Navais.
Pesquisador da história militar.
Companheiras e companheiros se acharem este texto importante repassem a todos os seus contatos.
Rio de Janeiro,1de abril (primeiro de abril) de 2026
A LUTA CONTINUA, POIS É A NOSSA ÚNICA
RAZÃO DE VIVER!
GLÓRIA ETERNA A TODAS AS COMPANHEIRAS E
COMPANHEIROS QUE “CAIRAM” NA LUTA CONTRA
A DITADURA MILITAR!!"
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