O capitalismo está podre. Todos sabemos disso. Mas ele não cai sozinho, ele não morre de morte natural. Precisamos aliar o antifascismo e o antimperialismo ao internacionalismo proletário, e assim somar forças para construir o socialismo. Faça a sua parte. A FRENTE REVOLUCIONARIA DOS TRABALHADORES-FRT, busca unir os trabalhadores em toda sua diversidade, e formar o mais forte Movimento Popular Revolucionário em defesa de todos e construir a Sociedade dos Trabalhadores - a SOCIEDADE COMUNISTA!
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quinta-feira, 2 de novembro de 2023
Um desafio à Marx: lumpens organizados * Fernando Perissé / PB
domingo, 4 de junho de 2023
MIDIOTIZAÇÃO CIDADÃ * JESSÉ DE SOUZA - SP
domingo, 12 de fevereiro de 2023
A LETARGIA DA SOCIEDADE BRASILEIRA * Uribam Xavier/Segunda Opinião
A LETARGIA DA SOCIEDADE BRASILEIRA
Fevereiro de 2023
Quando Euclides da Cunha, na sua obra maior “Os sertões”, publicada em 1902, afirmou que “o sertanejo é, antes de tudo, um forte”, talvez quisesse dizer, embora o sertanejo tenha resistido e derrotado por duas vezes as forças armadas, que ele era capaz de sobreviver às adversidades naturais do sertão e à exploração e ao domínio dos donos do capital, atributo que os dotavam de capacidades diferenciadas para suportar a servidão. Hoje, porventura, estamos constatando que parte dos brasileiros, aquela que se identifica com o pensamento político de esquerda e portadora de um pensamento crítico, seja portadora do medo de rupturas estruturais e do conflito violento com o poder, talvez, por medo de perder os privilégios de classe média num país de desigualdade brutal, comportamento bem diferente dos setores de extrema direita e fascistas que vêm se consolidando no país depois do golpe de 2016. Estes, com objetivos fascistas, colocam-se contra a ordem e forçam as esquerdas a serem o seu guardião, pois renunciaram a um horizonte político emancipador.
Na Argentina, no início de dezembro de 2022, quando a justiça condenou Cristina Kirchner por corrupção e lavagem de dinheiro, uma parte saiu às ruas para defender a prisão e outra para protestar contra esta, afirmando que se tratava de uma manobra política e jurídica para retirar Cristina da disputa pela presidência da República. No Peru, é impressionante a intensa mobilização e enfrentamento com a força policial que a maioria da população vem realizando desde 8 de dezembro de 2022, quando o presidente Pedro Castillo foi destituído e preso após tentar fechar o Congresso ao ser cassado. A população peruana, desde então, ocupa as ruas e vem se deslocando de várias partes do país para a capital pedindo a renúncia da presidenta Dina Boluarte e novas eleições gerais. O confronto da polícia com a população já produz mais de 60 mortos, mas ela não se retira das ruas, não se verga ao poder.
No Brasil, passamos quatro anos de mandato de Bolsonaro, assistindo, de forma pacífica ou adormecida, ao governo patrocinando e participando de atos antidemocráticos que pediam intervenção militar; assistimos, durante dois anos, ao governo comandando uma política genocida como forma de enfrentamento da pandemia da covid-19; assistimos aos atentados golpistas por meio do terrorismo aos três poderes no dia 8 de janeiro de 2023; e assistimos ao fato chocante revelado pelas imagens dos povos originários Yanomami vitimados pela política genocida de Bolsonaro e seus ministros, mas nada de mobilização nas ruas.
É assustador o adormecimento da sociedade brasileira que se diz crítica e de esquerda, parece que ela renunciou a participar do processo de intervenção estrutural da sociedade, aderiu à ideologia do fim da história e do sujeito político, esperando resolução dos problemas a partir de algum tipo de salvador da pátria (Lula), da combinação de ações atrapalhadas dos que mantêm a servidão e exploração dos corpos e das consciências coletivas, da providência divina ou, até mesmo, do acaso.
O comportamento do brasileiro de esquerda é esdrúxulo, ele afirma, por meio das mídias sociais, “não à anistia”, mas espera, juntamente com os seus, tomando cerveja na mesa de bar ou trocando ideias em suas lives, que a partir das instituições políticas de sustentação da reprodução do capital, principalmente o poder judiciário, que se possa fazer justiça e manter a ordem. A indignação como rebelião e resistência à ordem de dominação e exploração é algo que nos falta, é algo que os partidos de esquerda não alimentam como possiblidade de sedimentação de uma nova cultura política.
Não à toa que o paroxismo da política de esquerda passou a ser “democracia sempre”, democracia como respeito às regras do jogo, num ordenamento jurídico de manutenção da ordem que garante a expansão do processo de acumulação do capital e, ao mesmo tempo, da pobreza, da miséria, da violência e da destruição do planeta.
FONTE
https://segundaopiniao.jor.br/o-adormecimento-da-sociedade-brasileira/
*Uribam Xavier* - gosta de café com tapioca e cuscuz, peixe frito ou no pirão, de frutas e verduras, antes de ser hipertenso era chegado a uma buchada e a um sarapatel. Frequenta o espetinho do Paraíba, no boêmio e universitário bairro do Benfica [Fortaleza], e no pré-carnaval segue o bloco Luxo da Aldeia. É professor, ativista decolonial e anti-imperialista, escrever para puxar conversa e fazer arenga política. Seus dois últimos livros são: “América Latina no Século XXI – As resistências ao padrão Mundial de poder”. Expressão Gráfica Editora, Fortaleza, 2016; “Crise Civilizacional e Pensamento Decolonial. Puxando conversa em tempos de pandemia”. Dialética Editora, São Paulo, 2021
ANEXO
sexta-feira, 13 de janeiro de 2023
SÍNDROME DA CASA GRANDE * Alfredo J. Gonçalves-DF
terça-feira, 29 de novembro de 2022
QUEM É INDÍGENA, AFINAL? * PORAKÊ MUNDURUKU
QUEM É INDÍGENA, AFINAL?
É muito fácil deixar de ser indígena, basta sair do território, ou ser expulso dele, ou nascer fora de uma aldeia, ou esquecer as línguas que o colonizador se esforçou em apagar, ou ter um ancestral não indígena. Voltar a ser indígena é que é difícil, para muitos impossível.
O colonizador foi quem criou este conceito, "indígena", e o tornou excludente para sua própria conveniência. Mas somos nós, a quem este conceito foi imposto, que precisamos refletir: O que faremos com ele? Será uma forma de unir e organizar nossas lutas? Ou será uma forma de nos deixar subjugar pela lógica excludente do sistema colonial-capitalista?
#resistênciaíndigena #lutaindígena #retomadaindígena #indigenasemcontextourbano #anticolonial
https://www.instagram.com/p/ClhoXiTsWJo/?igshid=YmMyMTA2M2Y=
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quinta-feira, 13 de outubro de 2022
A pior política na minha casa * Lorran Matheu / RJ
A pior política na minha casa
Sábado, 8 de outubro de 2022
Meu domingo num bairro pobre que elegeu Bolsonaro.
Domingo passado, 2 de outubro, me desloquei até minha velha e conhecida seção eleitoral. Saí dos arredores do Centro e atravessei 50 quilômetros, de trem e ao longo de duas horas, até Inhoaíba, um pequeno bairro na Zona Oeste do Rio de Janeiro. É uma região rural de 60 mil habitantes que tem um dos piores índices de desenvolvimento humano da capital fluminense – ocupa o 115º lugar em um ranking de 126 bairros.
Toda a minha vida, até o ano passado, teve a Zona Oeste como plano de fundo. Bairros como Campo Grande, Paciência, Cosmos e Santa Cruz, com todas as suas peculiaridades, fazem parte da minha história. Por isso, eu já esperava que a onda bolsonarista fosse forte na região. Mas o retrato foi bem mais radical do que eu imaginava.
Enquanto esperava na fila, percebi que pessoas vestidas de verde e amarelo não se acovardaram em recitar mentiras que eram compartilhadas havia dias na internet. Os corajosos que se permitiam usar adesivos de candidatos de esquerda, ou roupas vermelhas, eram hostilizados.
Na Zona Oeste, as igrejas evangélicas estão enraizadas na vida local. A presença é tão forte que é comum ver mais de duas por quadra em bairros pequenos – enquanto não há serviços básicos como saúde, bancos e até mesmo escolas. Em algumas regiões, nem o saneamento básico chega. Mas a igreja está lá.
Eu já vivi essa cultura e por isso sei que, em dias de votação, era comum que a tradicional escola bíblica dominical, realizada desde a manhã até o comecinho da tarde, fosse cancelada. Não foi o que aconteceu desta vez. Vi muitas pessoas pessoas com Bíblias indo votar. O Intercept já mostrou que as Assembleias de Deus adotaram uma estratégia de ataque para o período eleitoral. Nesta semana, o jornal Folha de S.Paulo também revelou que, em São Paulo, a Assembleia de Deus ameaça punir fiéis de esquerda. Essa denominação é maioria na Zona Oeste carioca.
Essa realidade teve impacto nos votos? Bem, na minha seção, em que 484 pessoas estão aptas a votar, houve 251 votos para Bolsonaro e 96 para Lula. Para o governo do estado, Cláudio Castro, do PL, que marcou presença em eventos gospel dos últimos meses, teve 188 votos contra 50 de seu adversário, Marcelo Freixo, do PSB. Ou seja: apesar de a votação de Lula ter sido maior, em geral, em regiões periféricas e de menor renda, isso não aconteceu em Inhoaíba. Lá, o PT perdeu de lavada.
Enquanto as emissoras de TV exibem o mapa do Brasil com a dualidade vermelha e azul, eu via o mapa da cidade do Rio, onde bairros com os piores índices de desenvolvimento votavam em Bolsonaro e alguns mais abastados, como Laranjeiras e Tijuca, iam com Lula.
Ontem, o teólogo e pesquisador Ronilso Pacheco publicou no Intercept um texto sobre a distância dos analistas da realidade dos evangélicos. Para ele, a categoria demorou a ser levada à sério – e, em seguida, foi simplificada sem ser compreendida. "Enquanto isso, a extrema direita no Brasil ascendeu sem ser citada, debatida em rede nacional ou sequer entrevistada. Sem profundidade – não por incompetência, mas pela limitação imposta por um tema complexo do qual se sabia pouco ou nada –, os analistas se ativeram ao trivial", ele escreveu.
O que aconteceu? Segundo Pacheco, a vitória de Bolsonaro em 2018 fez o Brasil entrar para uma articulação global focada na família e nos valores cristãos conservadores. É um movimento que avança no país camuflado de conservadorismo "evangélico" ou "católico", mas é mais profundo e amplo – passa pelo conservadorismo dos EUA e por Viktor Orbán, primeiro-ministro da Hungria, um dos principais expoentes dessa nova extrema direita. "Não havia jornalistas e analistas para discernir as dissimulações da extrema direita e dar nome aos bois", lamentou o teólogo.
Para Pacheco, é preciso "conversar com a sociedade e desarmar esse arcabouço ideológico, desfazer a captura do sentido da vida pela extrema direita". "Enquanto ideologia, o nacionalismo cristão nem de longe está circunscrito aos evangélicos. Não é religião. É política, a pior delas", ele escreveu.
Eu concordo. As regiões dominadas por esse pensamento "moralizador", tão familiares para mim, são onde a extrema direita que se camufla como defensora desses valores se enraizou. Agora finalmente vejo comentaristas tentando explicar um fenômeno que é natural para o povo de Inhoaíba e tantos outros bairros pobres. Isso deixa claro como a realidade demora a ser percebida por um jornalismo que não é feito por ou para nós. Conheço bem Silas Malafaia, Marcos Feliciano e Eduardo Cunha, três dos maiores representantes dessa política descrita por Pacheco. Eles já estavam na minha casa muito antes de estarem nos jornais.
terça-feira, 5 de julho de 2022
Hollywood é um dos grandes motores da invasão cultural do Brasil * André Nunes
Hollywood é um dos grandes motores da invasão cultural do Brasil.
Enquanto não houver mecanismos para diminuir a influência dessa indústria de propaganda yankee, nossa população vai continuar idiotizada, sonhando viver o "american way of life" da fantasia hollywoodiana.
Na guerra do Vietnã, os estadunidenses cometeram mais atrocidades em diversos vilarejos vietnamitas do que os nazistas nas vilas francesas. O massacre de My Lai no Vietnã é equivalente (ou até mesmo pior) à ação dos nazistas em Oradour-sur-Glane na França.
Ao chegar no pequeno povoado de My Lai, em 16/03/1968, os norte-americanos não encontraram guerrilheiros, nem soldados e nem comunistas, não havia ali nenhum vietcong, encontraram apenas meros camponeses, simples e inofensivos, muitos idosos, mulheres e crianças.
Mesmo sem nenhum alvo militar e nenhuma resistência apresentada pelos camponeses, não houve clemência.
Os estadunidenses queimaram as casas e os que tentavam fugir eram fuzilados à queima-roupa. Mulheres, incluindo crianças de apenas 12 anos, foram estupradas por diversos soldados antes de serem assassinadas.
A barbárie foi relatada por um oficial e piloto, Hugh Thompson Jr, que dava cobertura de helicóptero às tropas terrestres. Porém, ao ver a carnificina cometida por seus compatriotas, resolveu intervir e comunicar o ocorrido aos seus superiores. Infelizmente, apesar do ato louvável de Thompson, frente aos horrores levados a cabo por seus companheiros de armas, já não havia tempo suficiente para deter a ação.
Dos mais de 500 mortos pela brutalidade estadunidense, contavam-se 182 mulheres (17 grávidas) e 173 crianças. Apenas 12 pessoas conseguiram sobreviver ao massacre.
A realidade da sociedade e da moral estadunidense é bem diferente da que se pinta nas telas de cinema, onde, na grande maioria dos filmes, os norte-americanos são todos heróis. Hollywood é o reino da hipocrisia yankee!
André Nunes
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
PROGRESSISTA: PROGRESSISTA? * SERGIO RODRÍGUEZ GELFENSTEIN/VE
terça-feira, 21 de dezembro de 2021
ACEITA SER MANIPULADO: TENHA ÓDIO DE POLÍTICA! * FREI BETO / SP
ACEITA SER MANIPULADO: TENHA ÓDIO DE POLÍTICA!
Frei Betto / SP
Há uma tradicional maneira de caçar ratos: basta colocar um pedaço de queijo dentro de uma armadilha. O roedor sente o cheiro da iguaria e, ágil, corre para devorá-la. Ao se aproximar, comete um erro involuntário que lhe custa a vida: pisa no mecanismo que fecha, automaticamente, a ratoeira, aprisionando-o.
É o que faz o populismo de direita para neutralizar potenciais adeptos das teses progressistas. Apregoa o ódio à política. Alardeia que todos os políticos são corruptos! (Inclusive seus adeptos...). Substitui as pautas sociais pela de costumes. Reforça o moralismo farisaico. Assim, convence muitas pessoas a ter aversão à política.
Quem tem ódio da política é governado por quem não tem. E tudo que os maus políticos querem é que tenhamos bastante nojo da política para, então, dar a eles carta branca para fazerem o que bem entenderem. O que mais temem é que participemos da política para impedir que seja manipulada por eles.
Não existe neutralidade política. Existe a doce ilusão de que podemos ignorar a política, abdicar do voto e ficar recolhido ao nosso comodismo. Ao agir desta forma, nos tornamos o rato que come tranquilamente o saboroso queijo, sem ainda se dar conta de que perdeu a liberdade e, provavelmente, a vida.
Ninguém escapa dos dois únicos modos de fazer política: por omissão ou participação. Ao ficar alheio à conjuntura política, ignorar o noticiário, evitar conversas sobre o tema e nos abster nas eleições, assinamos um cheque em branco à política vigente. A omissão é uma forma de adesão à política e aos políticos que, no momento, dirigem a política do país no qual vivemos.
O outro modo é a participação, que tem duas faces: a dos que apoiam a política vigente e a dos atuam para mudá-la e implantar um novo projeto político.
As forças políticas de direita, que naturalizam a desigualdade social, acusam muitos políticos de corruptos (às vezes, com razão!). Mas não propõem ignorarmos a política. Propõem substituir os políticos por empresários, dentro da lógica capitalista de privatização do espaço público e do Estado. Foi o caso do governo fracassado de Macri, na Argentina, e de muitos outros exemplos mundo afora.
Em tudo há política
A política não é tudo, mas em tudo há política. Desde a qualidade do café que tomamos todas as manhãs até as condições humanas (ou desumanas) de nossas moradias. Tudo na vida de cada um de nós depende da política vigente no país: a qualidade de nossa educação escolar, o atendimento à saúde, a possibilidade de emprego, as condições de saneamento, transporte, segurança, cultura e lazer. Não há nenhuma esfera humana alheia à política. Inclusive a natureza depende dela – se as florestas são ou não preservadas, se as águas são ou não contaminadas, se os alimentos são orgânicos ou transgênicos, se os interesses do capital provocam ou não desmatamentos e desequilíbrio ambiental. A qualidade do ar que respiramos depende da política vigente.
Um dos recursos que a direita utiliza para dominar a política é a manipulação da religião, em especial no continente americano, onde a cultura está impregnada de religiosidade. A modernidade logrou estabelecer uma saudável distinção entre as esferas política e religiosa. Isso após longos séculos de dominação da política pela religião. Hoje, em princípio, o Estado é laico e, na sociedade, a diversidade religiosa é respeitada e tem seus direitos assegurados, tanto no âmbito privado (crer ou não crer), quanto no público (manifestação de culto).
Atualmente, os religiosos fundamentalistas querem confessionalizar a política. Usar e abusar do nome de Deus para enganar os incautos. Ora, nem a política deve ser confessionalizada, pois tem que estar a serviço de crentes e não crentes, nem a religião deve ser partidarizada. A Igreja, por exemplo, deve acolher todos os fieis que comungam a mesma fé e, no entanto, votam em candidatos de diferentes partidos políticos.
Isso não significa que a religião é apolítica. Não há nada nem ninguém apolítico. Uma religião que acata a política vigente está, de fato, legitimando-a. Toda religião tem como princípio básico defender o dom maior de Deus – a vida, tanto dos seres humanos quanto da natureza. Se um governo promove devastação ambiental ou privilegia os ricos e exclui os pobres, é dever de toda religião criticar este governo. Sem pretender ocupar o espaço dos partidos políticos, como, por exemplo, apresentar um projeto de preservação ambiental ou de reforma econômica. Em sua missão profética, cabe às confissões religiosas abrir os olhos da população para as implicações éticas da política deletéria do governo.
No caso dos cristãos, entre os quais me incluo, é sempre bom frisar que somos discípulos de um prisioneiro político, Jesus de Nazaré. Ele não morreu de acidente nas escadarias do Templo de Jerusalém, nem de doença na cama. Foi perseguido, preso, torturado, julgado por dois poderes políticos e condenado a morrer assassinado na cruz. Foi considerado subversivo por defender os direitos dos pobres e ousar, dentro do reino de César, propor outro reino, o de Deus, que consiste em um novo projeto civilizatório baseado no amor (nas relações pessoais) e na partilha dos bens da Terra e dos frutos do trabalho humano (nas relações sociais).
Portanto, não há como alguém escapar da política. Estamos todos imersos nela. Se a política que predomina hoje em nosso país e no mundo não nos agrada, busquemos meios para alterá-la. A realidade atual de nosso país e do mundo resulta da política adotada nas décadas precedentes. Cabe a cada um de nós se decidir: acatar ou transformar?
Um dos exemplos mais curiosos de que tudo tem a ver com a política é este: o último mês do ano é dezembro, que equivale ao numeral dez. Antes dele, novembro, nove. Atrás, outubro, oito. Precedido por setembro, sete. E quantos meses tem o ano? Doze!
Eis a política: na Roma antiga o ano compreendia 304 dias e tinha 10 meses: martius, aprilis, maius, junius, quintilis, sextilis, september, october, november e december. Mais tarde foram acrescidos os meses de janus e februarius.
Para homenagear os césares, o senado romano mudou os nomes de quintilis para julho, em honra do imperador Júlio César, e sextilis para agosto, em honra de César Augusto. Como havia a alternância de 31/30 nos dias de cada mês, não era admissível que o mês de Augusto tivesse um dia a menos que o de Júlio. Assim, arrancou-se um dia de fevereiro. Julho e agosto são os únicos dois meses do ano que se sucedem com 31 dias cada um.
Podemos não saber que a política está em tudo, mas está. Porque o ser humano não inventou, e acredito que nem inventará, outra maneira de organizar a sua convivência social a não ser através da política.
Frei Betto é escritor, autor de "A mosca azul" (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org
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quinta-feira, 14 de outubro de 2021
ATLETAS TAMBÉM PODEM SE MANIFESTAR * Cezar Gomes / RJ
ATLETAS TAMBÉM PODEM SE MANIFESTAR
Se os jogadores de futebol, que na sua maioria, vieram de famílias pobres
no momento em que o povo das favelas e periferias está sofrendo com o desemprego, a fome, a miséria, e a violência do poder do estado,
deveriam se posicionar, com a mesma consciência da Carol.
Os artistas famosos, os atletas, e principalmente, os jogadores de futebol, precisam entender, que este povo humilde não tem ânimo para vibrar com emoção ao se deparar com a carestia nos produtos essenciais para sua sobrevivência, diante da pandemia e de um governo desastroso e fascista, que fere os direitos fundamentais do ser humano.
Só tem um caminho:
A nossa luta e união através da consciência de cada um, em busca da construção de um mundo melhor para todos !!!!
Saudações a todos, e vamos a luta !!!





