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terça-feira, 24 de janeiro de 2023

CIVILIZAÇÃO VEM DE CIVIL * Rosa Freire d'Aguiar - SP

CIVILIZAÇÃO VEM DE CIVIL
Rosa Freire d'Aguiar - SP

- Militares, poder e ditaduras: longe da tentação!

Nos anos em que cobri a redemocratização da Espanha, desde a morte de Franco em 1975 até a eleição do socialista Felipe González, em 82, a questão militar era um tema onipresente. A ditadura de Franco durou 40 anos, as Forças Armadas -- especialmente o Exército -- estavam coalhadas de oficiais de alta patente, medularmente franquistas e de ultradireita. Os dois primeiros governos pós-Franco fizeram grandes reformas, votaram a nova Constituição, mas não conseguiram avançar no front militar. Resultado: em fevereiro de 1981 um alucinado tenente-coronel da Guardia Civil (este aí abaixo) invadiu o Parlamento, de arma em punho, tendo a seu lado 150 soldados, e pôs todos os parlamentares no chão, literalmente, exigindo, para soltar os reféns, que o Exército tomasse o poder.

Cheguei a Madri na manhã seguinte ao golpe e tremi ao conversar com um grupo de velhos exilados que, já de passaporte no bolso, e diante do Parlamento, temiam que os militares voltassem ao poder, obrigando-os a mais um exílio. O receio não era infundado: desde a morte de Franco tinha havido uma dúzia de estados de alerta e sedições potenciais nos quartéis, finalmente abafados.

Tudo isso mudou a partir de 1982, quando Felipe González foi eleito. Seu ministro da Defesa, o economista Narcis Serra, promoveu uma profunda reforma militar que, em poucos anos, afastou de vez a tentação golpista dos militares.

A ideia de González era formar um Exército mais moderno, mais reduzido e mais operacional. A reciclagem deu certo.

A reforma teve três eixos principais:

(1) enterrar de vez a noção de "inimigo interno", que identificava as correntes de esquerda em todos os seus matizes. Dentro da pátria não há inimigos; inimigos são os que estão más allá de la frontera, e podem ameaçar a pátria; sai o conceito de "inimigo interno", entra o de "defesa nacional". Eram essas as diretrizes.

(2) rever de alto abaixo o ensino militar. Multiplicaram-se os contatos entre alunos e professores militares e civis. Lançaram-se programas para levar professores universitários às academias e, inversamente, jovens cadetes às aulas de história e ciências sociais nas universidades. O currículo das academias, que era elaborado apenas por chefes do Estado-maior, passou a ser definido em acordo com o Ministério da Defesa. Simbolicamnte, aboliu-se a disciplina "Guerra civil: cruzada contra o comunismo".

(3) remover das chefias os militares franquistas. Este foi sem dúvida o eixo mais difícil e o mais caro da reforma, pois o governo teve de bancar, com polpudas indenizações, o afastamento de centenas de oficiais superiores. Sob Franco não havia reforma compulsória, e a Espanha tinha 1300 generais , número maior do que o de todos os exércitos da Europa ocidental. A reforma reduziu pela metade o total de generais, e diminuiu de 250 mil para 90 mil os efetivos do Exército. As promoções passaram a obedecer a critérios profissionais e não apenas de antiguidade.

A reforma ainda incluiu mudanças profundas na Justiça Militar, na disciplina dos quarteis etc.

A reciclagem deu certo. Muito hábil e prudente, Felipe González neutralizou o antagonismo de um Exército que ainda era dado a espasmos golpistas.

Gonzalez era desses que afirmavam, com razão, que com militares ou se manda ou se obedece. (sub-texto: nada de contemporização).

E lembro de um grande intelectual espanhol que repetia à exaustão: Civilização vem de civil.

domingo, 22 de janeiro de 2023

USTRINHA: NEPOTISMO DE PORÃO * Leandro Fortes/FSP

USTRINHA: NEPOTISMO DE PORÃO
Marcelo Ustra 
é tenente-coronel do Exército e está curtindo a vida, em Orlando, Flórida, ao lado do chefe e ídolo fascista Jair Messias Bolsonaro.


Foi incluído na lista de 28 servidores da corte de inúteis que Bolsonaro levou para os Estados Unidos quando fugiu, antes de concluir o mandato de presidente. O militar é primo de segundo grau do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, único torturador condenado da ditadura militar, que chefiava o Doi-Codi, em São Paulo, centro de tortura onde mulheres eram estupradas e tinha ratos enfiados na vagina pelo próprio.

Pois bem, via redes sociais, Ustrinha desejou que o primo ressuscitasse para, após uma noite de conversa com Alexandre de Moraes, no Doi-Codi, fazer o ministro do STF voltar às fraldas.

O que se tem registrado é um oficial superior do Exército Brasileiro fazendo apologia a tortura com base no conhecimento existente sobre as sevícias praticadas pelo primo famoso, o coronel Brilhante Ustra, com presos políticos pendurados em paus-de-arara.

Ustrinha deve ter ouvido, nos animados almoços dominicais da família, que a sequência de eletrochoques, pancadas com pedaços de ferro e introdução de fios e cabos no ânus, na vagina e na uretra provocam, ao cabo das sessões de tortura, perda das funções da bexiga e do esfíncter dos torturados.

É sobre isso que essa besta-fera, de férias em Orlando, bancado por dinheiro público, está fazendo piada, ao lado de um delinquente moral, genocida, foragido da nação.

Por isso, repito: se não tratarmos da questão militar, agora, da próxima vez que tiver uma chance, um outro Ustra estará de volta aos porões, pronto para honrar o legado assassino da família.
CAGÃO

CONHECEM?

quinta-feira, 14 de julho de 2022

TEM GENERAL ENVERGONHANDO AS FORÇAS ARMADAS DO BRASIL * Alexandre Santos - PE

TEM GENERAL ENVERGONHANDO AS FORÇAS ARMADAS DO BRASIL

Entre as organizações mais importantes de um país, estão as Forças Armadas - braço armado da diplomacia, um recurso essencial para a defesa do território e elemento de dissuasão nas negociações mais complicadas. Daí a necessidade de elas [as Forças Armadas] serem treinadas, bem equipadas e motivadas para o cumprimento do seu objetivo e, por isso, despertarem orgulho e respeito dos conterrâneos. Naturalmente, esta condição é tanto mais apurada quanto mais evoluída for a nação. No Brasil, infelizmente - especialmente depois de que, com o golpe de 2016, o país regrediu ao patamar das ‘republiquetas das bananas’ -, esta condição foi alterada e, ao que parece, graças à irresponsabilidade de alguns chefetes militares, ao invés de evoluir, as Forças Armadas retrocederam ao estágio mais bruto da força, passando a praticar o ativismo militar e, neste embalo, a funcionar como elemento auxiliar de golpes e golpistas (como o foi por toda a história republicana do País). 

Agora, por exemplo, em comportamento que retira razões para o Povo ter orgulho dos seus soldados, sob o comando do general ministro da defesa Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, as Forças Armadas brasileiras parecem estar empenhadas no projeto subversivo de manter o capitão Jair Bolsonaro na presidência da república a qualquer custo. De fato, parecendo querer colocar as Forças Armadas a serviço do plano antidemocrático de tomar o resultado das eleições na ‘mão grande’, transformando-as numa mera peça do xadrez que já inclui a campanha fora de época, a escalada da violência contra opositores, a disseminação de Fakenews e o uso do dinheiro público para comprar o voto dos mais necessitados (que, diga-se de passagem, empobreceram mais ainda graças ao modelo econômico do governo Bolsonaro), o general-ministro Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira tenta intimidar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, pasme, a serviço daquele que vem sendo o pior presidente da história do Brasil, transformar as Forças Armadas brasileiras em mero órgão do sistema eleitoral. Foi com este espírito que, nos últimos dias, ao tempo que o general-vice-presidente Hamilton Mourão defecou que ‘Lula não tem o respeito das Forças Armadas’, o general-ministro da defesa Paulo Sérgio informou o desejo de fazer uma apuração paralela das eleições presidenciais e pediu que o TSE remetesse às FFAA todo o material relativo às eleições anteriores. Uma vergonha que esquipara o Duque de Caxias a François Duvalier e o Exército Brasileiro a uma versão civilizada do Tonton Macoute. 

Como brasileiro que serviu ao Exército com orgulho e sempre respeitou as Forças Armadas, torço pela existência de algum líder militar que faça valer o bom senso e lembre aos gorilas fardados que, conforme reza a sabedoria militar, LUGAR DE MILICO É NA CASERNA.


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