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sexta-feira, 19 de julho de 2024

A BOLA ESTÁ COM O GOVERNO * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

A BOLA ESTÁ COM O GOVERNO


A principal pergunta no interior do campo progressista é como neutralizar a influência da extrema-direita na consciência das massas trabalhadoras. Muitos sugerem a necessidade de um longo trabalho educativo de caráter civilizatório, capaz de forjar uma consciência política impermeável a essa influência, acompanhado da formação de uma frente democrática. Em resumo essa concepção conclui que a ascensão da extrema-direita se deve a uma falta de ilustração go povo. É uma concepção elitista que ignora a situação real da classe trabalhadora brasileira e suas demandas por reformas de caráter igualitário, menosprezadas pela classe dominante e seu sistema político.

A potência do discurso conservador se aproveita da destruição do tecido social causada pelo ultraliberalismo. É o desemprego, os baixos salários, a péssima qualidade dos serviços públicos, a destruição dos mínimos direitos sociais etc., com o consequente ressentimento e desesperança, quem aumenta a audiência do discurso proto-fascista. Neutralizar sua influência exige enfrentar as políticas de ajuste ultraliberal e abandonar a ideia de que o horizonte da esquerda é gerir de maneira “humanizada” um capitalismo que exclui as massas trabalhadoras de qualquer ganho material significativo.

Orientados por essa concepção de que faltaria ao povo consciência democrática e ilustração intelectual, setores progressistas se perguntam se na atual conjuntura haveria espaço para o governo aplicar uma política que enfrente a agenda ultraliberal. A pesquisa divulgada semana passada pela Genial-Quaest mostra que no universo dos pesquisados, o governo conta com apoio significativo para emplacar uma agenda mínima de importantes mudanças econômicas.

Ainda que haja uma sensação de piora no quadro econômico e de diminuição do poder de compra, a popularidade de Lula cresceu. A causa desse paradoxo talvez seja o fato de Lula ter se exposto e se posicionado de maneira mais enfática sobre questões importantes na conjuntura. Sua crítica à política de juros do Banco Central é apoiada por 66%; a defesa do aumento do salário mínimo acima da inflação por 90%; e a ideia de que o governo não deve satisfação ao mercado, mas aos mais pobres, é apoiada por 67%. Entre os eleitores de Bolsonaro, 51% concordam com as críticas de Lula à política de juros do Banco Central. Ainda que não tenha sido objeto da pesquisa é possível que a posição do governo, especialmente de Lula, contra o “PL do estupro” e a Emenda Constitucional que privatiza as praias, ambas apresentadas pela bancada de extrema-direita, alvo de grande rechaço popular, tenha ajudado.

Diferente do que certa esquerda ilustrada tenta apresentar, a pesquisa mostra que não se sustenta a ideia de que a consciência popular estaria tomada em termos absolutos pelo conservadorismo. Como tudo numa sociedade dividida em classes, a consciência da massa trabalhadora, num cenário de refluxo da luta de classe, é marcada por contradições. A tese do “pobre de direita”, defendida por setores progressistas é não só arrogante e preconceituosa, como justifica políticas de governo marcadas pelo esforço da conciliação de classe.

O resultado da pesquisa revela a existência, no seio do povo, de importantes reservas de apoio popular ao governo, quando este se posiciona em pautas contrárias ao liberalismo econômico. É importante destacar que esse apoio se situa nos estratos mais empobrecidos da massa trabalhadora: pessoas com renda familiar de até 2 salários mínimo (69%); entre os nordestinos (69%); entre os pardos e negros (59%).

A neutralização da influência da extrema-direita depende de se avançar numa pauta de melhoria das condições de vida do povo. Para isso, o governo precisa transformar o discurso crítico em ação concreta, o que até agora não vimos. Exemplo está no anúncio de corte de R$ 26 bilhões programados pelo governo no orçamento de 2026, após semanas de embate com Campos Neto por causa da política de juros do BC.

A bola está com o governo. Há espaço político para enfrentar o campo liberal-fascista. Mas depende dele a sinalização de que é preciso lutar contra o “mercado” e mobilizar sua base social de apoio para lhe dar sustentação.
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domingo, 14 de julho de 2024

SERVIÇO MILITAR OPCIONAL * (Antonio Cabral Filho/RJ)

SERVIÇO MILITAR OPCIONAL


O serviço militar obrigatório, amplamente implementado em muitas nações capitalistas, tem sido objeto de crítica para os comunistas. Nesta perspectiva, defende-se que o serviço militar opcional apresenta uma alternativa mais justa e eficaz.

Primeiramente, o serviço militar obrigatório pode ser visto como uma imposição estatal que desconsidera as liberdades individuais. Em uma sociedade capitalista onde os trabalhadores já enfrentam diversas formas de opressão, forçar indivíduos a servir contra sua vontade é mais uma maneira de manter o controle sobre as massas. O serviço militar opcional, por outro lado, respeita a autonomia dos cidadãos, permitindo que aqueles que têm interesse e vocação para a carreira militar sigam esse caminho por escolha própria, e não por coerção.

Além disso, o serviço militar obrigatório frequentemente reflete desigualdades sociais. Em muitos casos, jovens de classes menos favorecidas são mais propensos a serem recrutados, enquanto aqueles de classes mais altas encontram maneiras de evitar o serviço. Isso perpetua um ciclo de injustiça e desigualdade. 

A implementação de um serviço militar opcional elimina essa disparidade, garantindo que todos tenham a mesma oportunidade de decidir seu próprio destino sem a imposição de um fardo desigual.

Por outro lado, ao invés de obrigar os jovens a servirem no exército, o estado deveria focar em proporcionar uma educação integral que inclua o entendimento crítico sobre a defesa nacional e a participação consciente na vida pública. Isso prepararia os cidadãos para contribuir de diversas maneiras para a sociedade, de acordo com suas habilidades e interesses, fortalecendo assim o tecido social de forma mais ampla e democrática além de permitir a alocação mais racional de recursos.

Assim, em vez de gastar em treinamento e manutenção de uma força que inclui indivíduos desmotivados ou inaptos, os recursos poderiam ser direcionados para programas que incentivem o desenvolvimento de competências técnicas e civis, beneficiando a sociedade como um todo. Porém isso não interessa as classes dominantes/dominadas do capitalismo dependente.

Marx e Engels, em seus escritos, destacaram a importância de uma milícia popular em detrimento de um exército permanente, defendendo que as forças armadas deveriam estar sob controle direto dos trabalhadores e servir aos seus interesses. Na obra "A Guerra Civil na França", Marx elogia a Guarda Nacional da Comuna de Paris, que era composta por cidadãos armados voluntariamente, como um modelo de defesa proletária. Engels, em "Princípios do Comunismo", sugere que a defesa nacional deve ser uma responsabilidade compartilhada, mas enfatiza que a formação militar deve ser baseada na participação voluntária e consciente dos cidadãos.

Lenin, por sua vez, em "O Estado e a Revolução", também critica os exércitos permanentes como instrumentos de opressão burguesa e defende a necessidade de armar o povo trabalhador. Para Lenin, um exército composto por voluntários, motivados pela consciência de classe e pelo compromisso com a revolução, seria muito mais eficaz e justo. 

Ele argumenta que a obrigatoriedade do serviço militar, como praticada pelos estados burgueses, serve para manter as estruturas de poder opressivas e não para a verdadeira defesa dos interesses do povo.

Em resumo, a defesa nacional deveria ser vista como uma responsabilidade coletiva, mas isso não implica necessariamente a obrigatoriedade do serviço militar. Através de um serviço militar opcional, é possível criar uma força de defesa composta por cidadãos verdadeiramente comprometidos com a proteção e o desenvolvimento da nação. Isso, combinado com uma educação pública robusta e igualitária, poderia assegurar que todos os cidadãos estejam preparados para contribuir para a sociedade de maneira significativa, seja na defesa ou em outras áreas vitais.


(ANTONIO CABRAL FILHO/RJ)


SERVIÇO MILITAR FACULTATIVO

O Projeto de Lei 6/23 torna facultativo o alistamento militar. O texto em análise na Câmara dos Deputados altera a Lei do Alistamento Militar, que atualmente prevê, para fins de seleção ou regularização, a apresentação de todos os brasileiros no ano em que completarem 18 anos de idade.


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terça-feira, 18 de abril de 2023

A DESINTELECTUALIZADA INTELECTUALIDADE BRASILEIRA * Adão Alves dos Santos/SP

 A DESINTELECTUALIZADA INTELECTUALIDADE BRASILEIRA

CRÔNICAS PARA ORGANIZAR TOMO MLXXXVI


a) ai um falecido jornalista comunista amigo disse: sem uma imprensa intelectualizada, não haverá elite intelectualizada.


Não digam que eu escrevi isto, estou apenas repetindo o quê está escrito nos livros da nossa fajuta história: o Brasil precisa ser redescoberto.  Pois só o Brasil revisitando este passado nefasto, poderia, ao menos em tese, se livrar desta elite chupim, que sofre de maneira irreversível da "síndrome de sabujo".


Se infelizmente até entenderíamos dado a toda historicidade, que as camadas populares fossem privadas do sonho de uma nação independente, não poderíamos nem mesmo imaginar que as elites optassem covardemente pela submissão. O processo infelizmente é histórico, voltaríamos assim à expansão napoleônica do início do séc XIX, quando inclusive o "tal acordo do vinho" impedia o desenvolvimento das tecelagens, no início daquele século. A ainda então colônia, limitada ao papel de colônia, exaltou o rótulo de "vice-reino", mas seguia as vontades de vossa majestade, a rainha da Inglaterra. Os três séculos passados, já não reina aqui a rainha britânica, "mariotendo", os nobres lisboetas, quem as elites chupins, querem seguir submissa, são os burgueses da terra do Tio Sam, sempre que houve uma oportunidade histórica de independência, a elite chupim, tratou rapidamente de fechar estas janelas.


Foi assim com as siderúrgicas de Sorocaba, construídas durante a primeira guerra, foi assim também em "61", episódio que levou ao golpe do parlamentarismo, e ao golpe e ditadura de 64, quando as janelas do futuro se abriu, as elites intelectuais, optam pelos financiadores dos jornais, invés da ousada construção de um projeto de nação.


A cobertura de setores desta  corporativa da visita do presidente Lula à China, é simplesmente vergonhosa, vergonhosa mas sacra, visto que aqueles mesmos pensamentos das elites religiosas do primeiro ano do séc XVI, "catequizar" novos povos, ainda é a única lição aprendidas por amplos setores do cleto, ah, se, "e apenas quando", a igreja católica não seguir este roteiro, trata-se de bispo, que também passa por uma troca de império, mas a nação precisa, ao menos até que haja um novo "descobrimento", seguir sempre submissa.


Adão Alves dos Santos.SP