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quinta-feira, 31 de outubro de 2024

RETOMAR AS MOBILIZAÇÕES QUE FALEM ÀS NECESSIDADES DA CLASSE TRABALHADORA * OCAC

RETOMAR AS MOBILIZAÇÕES QUE FALEM ÀS NECESSIDADES DA CLASSE TRABALHADORA
Organização Comunista Arma da Crítica
OCAC

O resultado do segundo turno confirmou o quadro do que se configurou no primeiro turno. Vitória dos partidos da direita tradicional, com alguns avanços da extrema-direita. Nas capitais, a estrala solitário do campo dito de esquerda foi Fortaleza. Nas cidades com mais de cem mil eleitores, o PT logrou eleger Pelotas. No antigo cinturão vermelho da Grande São Paulo, o prefeito petista de Mauá se reelegeu, mas não compensando as derrotas em Diadema e Guarulhos, onde o antigo prefeito petista se lançou pelo Solidariedade.

Em São Paulo e Porto Alegre, as derrotas da esquerda são emblemáticas. Os prefeitos das enchentes e do apagão foram reeleitos. O que se percebe é que há uma rejeição aos candidatos ligados ao PT e ao governo, que faz parte de uma rejeição à política em geral, traduzida nos índices recordes de abstenção eleitoral.

A avaliação do quadro pós-eleições varia do negacionismo – a base do governo foi vencedora – ao diagnóstico de que para vencer as eleições a esquerda tem de deixar de ser esquerda, assumido o discurso da direita. A inflexão ao centro, dita como necessária pela maioria dos dirigentes petistas, é na verdade uma rendição à direita. Essa rendição à direita não trouxe ganhos eleitorais, como mostra a derrota do candidato do PT em Cuiabá. Em São Paulo, o candidato da esquerda fez juras de bom-moço, rebaixou o programa e até compareceu à live do ex-candidato da extrema-direita, ao fim repetindo, no máximo, o resultado do pleito anterior.

As análises primam por uma ausência que grita. A política econômica do governo Lula. Os ministros Haddad e Tebet anunciaram, entre o primeiro e segundo turno, a preparação de um amplo corte de gastos, sinalizando mudanças no seguro-desemprego, BPC e mínimos constitucionais do orçamento da saúde e educação. O ministro Haddad chegou a manifestar estranheza porque os bons resultados econômicos não refletiram na campanha de Guilherme Boulos. A síndrome de Polyana comemora melhoria meramente estatística da economia, que não se reflete na vida dos trabalhadores e do povo.

O governo Lula anuncia mais uma rodada de ajuste fiscal. Ameaça aprofundar as reformas da previdência e trabalhista. Abandona a política externa soberana. Permite o caos administrativo e o saque do erário pelo Centrão. Acreditar que essa política não se reflete na disputa eleitoral é pavimentar o caminho da derrota política e, consequentemente, a eleitoral.

A extrema-direita avança e a direita tradicional, cognominada Centrão se rearticula. Dessa vez em uma composição com a extrema-direita. Acena para o atual governador de São Paulo, que pôs a garra a Sabesp e sinaliza com a privatização da Petrobras e dos bancos públicos, uma vez no poder executivo federal.

A situação é grave. Os comunistas da Organização Comunista Arma da Crítica alertamos, desde o início do mandato do governo, que a política econômica levaria ao descrédito e à perda de apoio popular. O fascismo e a direita tradicional crescem no desencanto da população, em desespero pela deterioração das condições vida. Resta a defesa de uma democracia em abstrato, sancionada pelo grande capital financeiro.

Mais uma vez, é necessário retomar as mobilizações, independente do governo, com bandeiras que falem às necessidades dos trabalhadores e do povo. A luta contra o fascismo é de largo fôlego. 

Urge iniciar a organização e a mobilização.

OCAC

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

DEPOIS NÃO ADIANTA CULPAR O “POBRE DE DIREITA” * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

DEPOIS NÃO ADIANTA CULPAR O “POBRE DE DIREITA”

Lula venceu Bolsonaro com o voto das camadas mais pobres da classe trabalhadora. A expectativa não era a de que Lula fizesse a revolução socialista, mas que tirasse o Brasil do abismo social em que foi jogado.

Algumas medidas atenuaram as consequências desse desastre, mas são minúsculas diante da tragédia enfrentada pelo povo. A insegurança alimentar grave teve redução insignificante, entre 2018 e 2023/2024, de 4,6% para 4,1%. O desemprego caiu, mas os empregos gerados são precários, com longas jornadas e pagam mal. O baixo crescimento do PIB em relação ao seu potencial é desanimador. A destruição do tecido social e a falta de perspectivas em relação ao futuro produz um mal-estar generalizado.

Diante dessa tragédia social, as medidas deveriam ser no sentido de fortalecer a produção, gerar empregos de qualidade, aumentar a renda salarial, elevar o investimento público, reduzir a jornada de trabalho, realizar um programa de obras públicas, reestatizar as empresas públicas privatizadas etc.

Mas a estratégia política do governo é outra. Sua meta se resume a gerir de maneira mais humana a agenda ultraliberal enquanto não mexe nos interesses do grande capital. O ministério da Fazenda, entregue a Fernando Haddad, um liberal convicto e homem de confiança do capital financeiro, impõe uma política de austeridade via Arcabouço Fiscal.

Para que ele funcione e ganhe a confiança do rentismo, anunciam-se vários cortes em direitos sociais. O alvo são os pisos constitucionais mínimos de investimento em educação, atualmente de 18% da receita líquida de impostos, e da saúde, atualmente de 15% da receita corrente líquida. Mas também está na mira o Benefício de Prestação Continuada, que assegura uma renda mensal de 1 salário mínimo para idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de extrema pobreza.

A política de austeridade não se aplica a todos. Os cortes profundos em direitos sociais são para compensar a permanência da política de desoneração da folha de pagamento para 17 setores econômicos, contidos no PL 1847/2024.

E agora, se não bastasse, Haddad e Tebet anunciam que o governo estuda mexer na multa de 40% do FGTS, reduzindo a parcela que cabe ao trabalhador demitido. Quer também alterar o valor e o número de parcelas do seguro-desemprego. E não acabou: quer ainda mexer no abono salarial, reduzindo o valor pago que é hoje de 1 salário mínimo para quem recebe até 2 salários mínimos médios mensais.

No atual momento histórico, muito se fala sobre as causas da perda de apoio popular da esquerda, demonstrada na fragorosa derrota nas eleições municipais. Ela tem várias causas. Mas um setor da esquerda, situada numa classe média progressista que ocupa postos de comando em estruturas partidárias e no interior do Estado, a culpa seria do “pobre de direita”, desprovido de consciência de classe.

O conceito “pobre de direita” é elitista e se tornou uma espécie de fuga da realidade desses setores da esquerda. Ele retira do governo as responsabilidades por sua opção em manter uma política agressiva de austeridade. E justifica a falta de coragem em peitar os interesses do rentismo, do agronegócio e do imperialismo.

Se o governo insistir na agenda de ataques contra o povo, o resultado será a decepção com a “esquerda” crescer. O que no senso comum reforçará a ideia de que entre esquerda e direita não existem diferenças.

Ainda há tempo para mudar esse destino. O movimento operário e popular precisa se mobilizar e promover ações com centralidade na defesa dos direitos sociais e do trabalho, do resgate da completa soberania nacional e da defesa das liberdades democráticas para o povo, em uma agenda que não dependa das iniciativas do governo.

Caso contrário, estará pavimentado o caminho para derrota eleitoral em 2026. E, depois, não adianta acusar o pobre de direita.

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quinta-feira, 17 de outubro de 2024

RETOMAR AS MOBILIZAÇÕES – REORGANIZAR OS SETORES POPULARES * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

RETOMAR AS MOBILIZAÇÕES – REORGANIZAR OS SETORES POPULARES


Dois fatos na semana que passou evidenciaram o quanto o governo Lula se tornou refém de uma certa institucionalidade, desenhada para manter o status quo e evitar que o capital financeiro tenha alguma perda. O ministro da Defesa José Múcio se colocou como porta-voz da caserna, fazendo críticas abertas à política internacional do Presidente e a Enel, estatal italiana que tem a concessão de distribuição de energia em São Paulo, deixou a maior cidade do país às escuras, sem que a Aneel, agência reguladora, movesse alguma palha em fiscalizar a concessionária.

A fala de José Múcio reitera o papel autoproclamado de poder moderador das Forças Armadas. E mostra que as Forças Armadas são incapazes de prover a defesa nacional, com uma indústria e um sistema de pesquisa e desenvolvimento de equipamentos bélicos. O motivo da fala foi a suspensão de licitação em que uma empresa israelense seria ganhadora do fornecimento de obuseiros autopropulsados. Segundo Múcio, a suspensão foi motivada por “questões ideológicas”. De quebra ainda criticou a recusa de venda de munição 105 mm para a Alemanha, que as repassaria para a Ucrânia.

Pelo raciocínio de Múcio, comprar e vender material bélico a países beligerantes não produziria maiores consequências. O que ele chama de “não ideológico” é a manutenção, na prática, das Forças Armadas brasileiras serem um braço do Comando Sul do Pentágono, inclinação e desejo dos Alto Comandos em sua maioria. O presidente respondeu com um muxoxo, pois, na prática, os deveres constitucionais da Presidência de dirigir a defesa nacional foram retirados de Lula.

Continuando a saga do não-governo, a Agência Nacional de Energia Elétrica tem toda a sua diretoria nomeada por Bolsonaro, com alguns diretores com mandato até 2028 (!). Impichar ministro do STF se tornou papo de botequim, enquanto retirar um diretor omisso e conivente com os regulados é mais difícil do que afastar o presidente da República.

As agências ditas reguladoras são todo-poderosas, com o poder executivo impedido de intervir nos setores regulados. Os paulistanos ficam às escuras, depois de uma chuva de apenas uma hora, e as autoridades municipais, estaduais e o ministério das Minas e Energia fazendo o popular jogo de empurra. Mas não se toca o dedo na ferida. A função da Enel em São Paulo é garantir a solvência da matriz na Itália. Saquear a empresa tem sido uma operação bem-sucedida, haja visto os recordes das cotações das ações da empresa nas bolsas de valores europeias.

O governo Lula não apenas aceitou a armação institucional herdade de Temer e Bolsonaro, e de FHC, no caso das agências reguladoras, como apertou as amarras com o Arcabouço Fiscal, obra e graça de seu ministro da Fazenda. Ao não se dar um mínimo de enfrentamento – a proposta de se criar a agências das agências é risível – caminha-se para a derrota inexorável.

No caso do ministro Múcio, escolher outro ministro da Defesa seria o mínimo para afirmar a autoridade presidencial. Existem instrumentos legais para se intervir na Enel, com o governo assumindo a operação. Basta coragem de assumir o programa pelo qual se foi eleito.

O debate político e ideológico deve ser travado pelo conjunto do movimento operário e popular. Os comunistas têm como tarefa contribuir para que as mobilizações sejam retomadas e que seja realizada a reorganização dos setores populares com vistas à luta política.

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

BURACO SEM FUNDO QUE NOS ENFIAMOS * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

 BURACO SEM FUNDO QUE NOS ENFIAMOS

A última pesquisa Quaest revelou que a aprovação do governo Lula caiu em sua base social. A maior queda foi entre idosos e pessoas que recebem até dois salários-mínimos. A queda entre os idosos, de 59% para 49%, é fácil de entender. Lula anunciou cortes do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o ano de 2026, pois teria ficado assustado com o aumento do benefício nos últimos anos. O BPC vem sendo usado por pessoas acima de 60 anos que não conseguem mais se aposentar, assim como por famílias cujos filhos adultos com alguma deficiência não conseguem trabalho.

Mas o governo ficou satisfeito?

Não! Lula obteve aprovação no Congresso de uma Lei que permite que o INSS corte a aposentadoria de forma sumária, sem direito de defesa. As medidas atendem à “necessidade” de uma política econômica neoliberal capitaneada por Haddad, que prometeu à Faria Lima déficit zero, o que vem exigindo medidas de contenção de investimentos e direitos sociais. Podem até disfarçar no discurso com papinho de taxar os ricos – o que na prática não ocorreu até agora, pois lucros e dividendos continuam isentos –, mas os dados mostram que o aposentado entendeu o recado do governo.


Os trabalhadores que recebem até dois salários-mínimos também desconfiam do governo – a desaprovação subiu de 26% para 32%. Por mais que os dados gerais da economia apontem alguma melhora, o emprego criado é péssimo, precarizado, com jornada de mais de 10 horas, sem contar o tempo gasto no transporte público, de péssima qualidade e dominado por máfias empresariais e ligadas ao crime organizado, melhorias mínimas são insuficientes para criar algum grau de expectativa positiva. Embora um pouco mais do que antes, os empregos criados pagam pouco, reflexo da reforma trabalhista, que na campanha de 2022 o governo prometeu revogar, junto com a reforma da previdência, mas que até agora não fez nada. 


O PIB pode crescer 10%. Em contrapartida, o emprego, não. No contexto do capitalismo brasileiro, em que as taxas de exploração foram ainda mais acentuadas, a ocupação será sempre ruim, sem qualquer perspectiva de melhora. O neoliberalismo é tão violento que o crescimento do PIB, outrora com recepção mais positiva, não impacta mais na expectativa popular.


Isso explica por que a esquerda tomou um pau nas eleições municipais. Qual política do governo chegou nos municípios para que pudesse ser defendida por candidatos de esquerda? Se o campo progressista quiser ter alguma chance na eleição de 2026, uma mudança de rumo radical precisa ser feita. Caberá essa tarefa às forças populares, operárias e democráticas, que devem construir uma agenda de luta que não dependa das iniciativas do governo.

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quinta-feira, 3 de outubro de 2024

É INCONTORNÁVEL TER QUE ENFRENTAR A FINANCEIRIZAÇÃO E A AGROMINERAÇÃO * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

É INCONTORNÁVEL TER QUE ENFRENTAR A FINANCEIRIZAÇÃO E A AGROMINERAÇÃO
Organização Comunista Arma da Crítica
OCAC

Durante a Assembleia Geral da ONU, Lula, com Haddad a tiracolo, visitou agências de classificação de risco em Nova York. Haddad, em entrevista à imprensa, pontuou sobre as perspectivas de o Brasil obter o grau de investimento. A despeito da estranheza do fato de um presidente se reunir com agências de classificação de risco, isso denota uma linha política, uma situação em que se meteu o governo.

No mesmo diapasão, Lula se reuniu com Úrsula van der Leyen, a burocrata que comanda a União Europeia sem voto e que promove a guerra na Ucrânia. Certamente, a tertúlia entre os dois dignatários deve ter tratado das desventuras de Zelensky. Mas só en passant. O objetivo do encontro era tratar do travado acordo de livre comércio União Europeia-Mercosul.

E mais um fato. A adesão do Brasil à Iniciativa Cinturão e Rota da China só seria discutida após as eleições americanas, em novembro.

Três episódios aparentemente desconexos que só podem levar a uma conclusão. O governo Lula aposta na captação de investimento estrangeiro. Ou seja, Lula tenta sair da sinuca de bico em que seu ministro da fazenda enfiou o seu governo.

Outro exemplo dessa encalacrada que Haddad enfiou o governo por causa do arcabouço fiscal, com sua busca desesperada por economizar os gastos, é a sanção por Lula da Lei 14.973. Para garantir por mais alguns anos a desoneração da folha de salário, o que interessa aos grupos capitalistas, a lei faculta ao INSS suspender benefícios com indícios de fraudes. Os maiores atingidos serão aposentados e pensionistas, que poderão ter seus benefícios suspensos automaticamente sem uma investigação completa. Abre-se espaço para a violação do direito ao contraditório e da ampla defesa.

A nova versão da lei do Teto, o Arcabouço Fiscal, impede o governo de fazer investimentos e completar as obras paralisadas. As diversas regras fiscais engessam a ação governamental. O empresariado se contenta em receber juros da dívida pública à taxa Selic, especular com ações da Petrobrás, importar mercadorias da China e plantar soja. A burguesia brasileira não aportará um parafuso de capital constante. A taxa de formação de capital fixo não repõe sequer a depreciação.

A experiência histórica mostra que capital estrangeiro por si só não vai garantir desenvolvimento. Só nos últimos doze meses, o Tesouro Nacional pagou 780 bilhões de serviço da dívida. Capital existe. Porém, a burguesia brasileira consome o capital acumulado. Enquanto isso, Lula gasta seu prestígio para arrumar uns caraminguás com EUA, União Europeia e China.

Essas medidas do governo buscam contornar um conflito cada vez mais incontornável: o enfrentamento da agromineração exportadora e da especulação financeira como eixos da acumulação do capital. Ambos proíbem a economia de crescer mesmo nos marcos do capitalismo. Por isso que mesmo a economia apresentando alguns dados positivos, eles são insuficientes para reverter a destruição do tecido social provocada pelo projeto ultraliberal. Medidas mais profundas e radicais se fazem necessárias se quisermos esvaziar as ameaças representadas pelo fascismo.

Caberá essa tarefa às forças populares, operárias e democráticas, que devem construir uma agenda de luta que não dependa das iniciativas do governo.
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quarta-feira, 25 de setembro de 2024

O QUE É ISSO COMPANHEIRO? * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

O QUE É ISSO COMPANHEIRO?
LULA TEVE MICROFONE CORTADO NA ONU
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Semana que passou, o ministro do TCU, ex-secretário geral da Presidência sob Bolsonaro, suspendeu medida provisória emitida pelo Presidente Lula. Na mesma semana, o Copom do Banco Central aumentou a taxa Selic, com deflação no IPVA e corte dos juros nos Estados Unidos e Europa.

No caso do TCU, independente do mérito, que poderes tem um ministro do TCU, que nem tribunal é, de suspender um diploma legal emitido pela Presidência da República? E o que faz a bancada do Copom, nomeada por Haddad, em seguir os ditames do presidente do Banco Central nomeado por Paulo Guedes?

No plano internacional, Lula teve seu microfone cortado em seu discurso em atividade da ONU. E foi obrigado a abandonar evento promovido por Clinton devido a abuso da segurança presidencial estadunidense.

A política externa errática do governo cobra seu preço, em prestígio internacional. Maduro tomará posse, independente da posição subalterna do Brasil. Mais, Venezuela pediu adesão aos BRICS. O que fará a diplomacia brasileira?

Os resultados econômicos numéricos são bons, comparados com o desempenho de Temer e Bolsonaro. Mas insuficientes para serem sentidos pela população.

A crise ambiental é fruto do desmonte dos governos passados. O governo, porém, se orgulha de dar financiamento subsidiado recorde ao agronegócio. E a inação do ministério do meio ambiente é admitida pela própria titular do cargo.

O sinal amarelo está aceso há muito para o governo. Pode passar para vermelho a depender dos resultados das eleições municipais. O desempenho nas pesquisas dos candidatos da esquerda reflete os dois anos de política de rendição, nos planos econômico, ambiental, social e educacional.

A mudança de rumos tem de ser agora. Se o grau de rendição e desarticulação do governo continuar nesse patamar, o caminho do fascismo estará pavimentado.

É mais necessário do que nunca, que o movimento operário e popular se mobilize e promova ações em torno dos direitos sociais e do trabalho, da soberania nacional e da defesa das liberdades democráticas, em uma agenda que não dependa das iniciativas do governo.

Organização Comunista Arma da Crítica
OCAC

quarta-feira, 24 de julho de 2024

NÃO HÁ DIFERENÇA ENTRE DEMOCRATAS E REPUBLICANOS * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

NÃO HÁ DIFERENÇA ENTRE DEMOCRATAS E REPUBLICANOS

A desistência de Joe Biden de concorrer à presidência dos Estados Unidos abriu caminho para a atual vice, Kamala Harris, substituí-lo na corrida presidencial. O anúncio provocou alvoroço nos setores liberais da esquerda brasileira. Numa mistura de falta de noção básica de realismo político, abandono do conceito de imperialismo como categoria central de análise e ilusão com uma suposta representatividade de gênero e etnia, algumas de suas personalidades saudaram efusivamente a potencial candidatura de Kamala. Tudo feito em nome de se combater a extrema-direita, definida como um mal maior que justificaria toda sorte de frente ampla.

Não se ignora a ascensão de uma extrema-direita articulada a nível mundial. E Trump nos Estados Unidos é sua representação. Porém, vença quem vencer a eleição norte-americana, seja o republicano Trump ou a democrata Kamala, será eleito um presidente, ou uma presidenta, de uma potência imperialista. E governarão tendo por prioridade atender os interesses de seus oligopólios financeiros. Não existe diferença essencial entre ambos, a não ser formas cosméticas de exercer o domínio imperialista sobre o mundo. Quando esses interesses estão em jogo, democratas agem de modo tão violento como os republicanos.

Importante lembrar os desmemoriados que o golpe contra Dilma se deu sob o governo do democrata Barack Obama. E a Operação Lava Jato tocada por Sérgio Moro, que mandou Lula para a cadeia e o impediu de se candidatar à presidência em 2018, deixando o caminho aberto para a eleição de Bolsonaro, foi um jogo combinado com o Departamento de Estado dos gringos. O resultado, como sabemos, foi a destruição da economia nacional e do tecido social brasileiro.

Em seus movimentos mais recentes foi o governo democrata de Obama, cuja secretária de Estado era Hillary Clinton, quem apoiou um golpe que destruiu o Estado nacional líbio e afundou a Síria em uma guerra contra o Estado Islâmico, apoiado pelos Estados Unidos. Atualmente é com apoio de um governo democrata que ocorre a olhos vistos o genocídio do povo palestino. O número de mortos diretamente pelos bombardeios e indiretamente com o bloqueio à entrada de ajuda humanitária, ao provocar fome e surtos de doenças, já pode ter atingido mais de 180 mil pessoas em Gaza.

Não cabe a esquerda brasileira entrar nessa disputa, como se estivesse em jogo o destino do nosso país. Não somos eleitores nos Estados Unidos, ainda que as políticas dos diferentes governos que passam pela Casa Branca nos afetem. Sem dúvida que há um perigo na ascensão da extrema-direita. Mas o inimigo central é a permanência do ajuste ultraliberal. Seus beneficiários são o imperialismo e as burguesias nacionais pró-imperialistas dos países periféricos. E sua aplicação não escolhe tintura partidária, com governos de partidos ditos progressistas e socialdemocratas aderindo a essa agenda. É a destruição do tecido social causada pelo ultraliberalismo, apoiada pela ingerência imperialista, quem alimenta o discurso demagógico da extrema-direita. Inclusive nos Estados Unidos, cuja classe trabalhadora também assiste a uma profunda deterioração em suas condições de vida. Cabe verdadeiramente à esquerda brasileira, e aos comunistas em particular, a tarefa há muito abandonada de organizar as massas trabalhadoras em torno de um projeto de orientação socialista que afirme em fatos, e não em discursos, a completa soberania nacional: alimentar, econômica, tecnológica, industrial, política, cultural e militar. A maior salvaguarda a influência nefasta do extremismo de direita é a realização de mudanças políticas e econômicas que derrotem o ajuste ultraliberal.

ANEXOS

Por esses motivos, Kamala Harris é lembrada quando era promotora na Califórnia, antes de assumir a vice-presidência dos Estados Unidos... 
Eles destruíram a população nativa americana através do genocídio e falam conosco sobre democracia.
Mosaico da traficante de escravos Kamala Harris feito com as fotos de todos os homens negros que ela manteve ilegalmente na prisão, estendendo as suas penas para serem usados como mão de obra gratuita na Califórnia.
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sexta-feira, 19 de julho de 2024

A BOLA ESTÁ COM O GOVERNO * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

A BOLA ESTÁ COM O GOVERNO


A principal pergunta no interior do campo progressista é como neutralizar a influência da extrema-direita na consciência das massas trabalhadoras. Muitos sugerem a necessidade de um longo trabalho educativo de caráter civilizatório, capaz de forjar uma consciência política impermeável a essa influência, acompanhado da formação de uma frente democrática. Em resumo essa concepção conclui que a ascensão da extrema-direita se deve a uma falta de ilustração go povo. É uma concepção elitista que ignora a situação real da classe trabalhadora brasileira e suas demandas por reformas de caráter igualitário, menosprezadas pela classe dominante e seu sistema político.

A potência do discurso conservador se aproveita da destruição do tecido social causada pelo ultraliberalismo. É o desemprego, os baixos salários, a péssima qualidade dos serviços públicos, a destruição dos mínimos direitos sociais etc., com o consequente ressentimento e desesperança, quem aumenta a audiência do discurso proto-fascista. Neutralizar sua influência exige enfrentar as políticas de ajuste ultraliberal e abandonar a ideia de que o horizonte da esquerda é gerir de maneira “humanizada” um capitalismo que exclui as massas trabalhadoras de qualquer ganho material significativo.

Orientados por essa concepção de que faltaria ao povo consciência democrática e ilustração intelectual, setores progressistas se perguntam se na atual conjuntura haveria espaço para o governo aplicar uma política que enfrente a agenda ultraliberal. A pesquisa divulgada semana passada pela Genial-Quaest mostra que no universo dos pesquisados, o governo conta com apoio significativo para emplacar uma agenda mínima de importantes mudanças econômicas.

Ainda que haja uma sensação de piora no quadro econômico e de diminuição do poder de compra, a popularidade de Lula cresceu. A causa desse paradoxo talvez seja o fato de Lula ter se exposto e se posicionado de maneira mais enfática sobre questões importantes na conjuntura. Sua crítica à política de juros do Banco Central é apoiada por 66%; a defesa do aumento do salário mínimo acima da inflação por 90%; e a ideia de que o governo não deve satisfação ao mercado, mas aos mais pobres, é apoiada por 67%. Entre os eleitores de Bolsonaro, 51% concordam com as críticas de Lula à política de juros do Banco Central. Ainda que não tenha sido objeto da pesquisa é possível que a posição do governo, especialmente de Lula, contra o “PL do estupro” e a Emenda Constitucional que privatiza as praias, ambas apresentadas pela bancada de extrema-direita, alvo de grande rechaço popular, tenha ajudado.

Diferente do que certa esquerda ilustrada tenta apresentar, a pesquisa mostra que não se sustenta a ideia de que a consciência popular estaria tomada em termos absolutos pelo conservadorismo. Como tudo numa sociedade dividida em classes, a consciência da massa trabalhadora, num cenário de refluxo da luta de classe, é marcada por contradições. A tese do “pobre de direita”, defendida por setores progressistas é não só arrogante e preconceituosa, como justifica políticas de governo marcadas pelo esforço da conciliação de classe.

O resultado da pesquisa revela a existência, no seio do povo, de importantes reservas de apoio popular ao governo, quando este se posiciona em pautas contrárias ao liberalismo econômico. É importante destacar que esse apoio se situa nos estratos mais empobrecidos da massa trabalhadora: pessoas com renda familiar de até 2 salários mínimo (69%); entre os nordestinos (69%); entre os pardos e negros (59%).

A neutralização da influência da extrema-direita depende de se avançar numa pauta de melhoria das condições de vida do povo. Para isso, o governo precisa transformar o discurso crítico em ação concreta, o que até agora não vimos. Exemplo está no anúncio de corte de R$ 26 bilhões programados pelo governo no orçamento de 2026, após semanas de embate com Campos Neto por causa da política de juros do BC.

A bola está com o governo. Há espaço político para enfrentar o campo liberal-fascista. Mas depende dele a sinalização de que é preciso lutar contra o “mercado” e mobilizar sua base social de apoio para lhe dar sustentação.
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quinta-feira, 11 de julho de 2024

É PRECISO QUE A CRÍTICA GERE EFEITO PRÁTICO * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

É PRECISO QUE A CRÍTICA GERE EFEITO PRÁTICO


O avanço da extrema-direita se apoia na destruição do tecido social. As políticas de ajuste ultraliberal geram, além de desemprego, precariedade e perda de direitos, grande ressentimento social. É desse ressentimento que a extrema-direita se nutre para propagar sua demagogia de aparência antissistêmica. Mas, no fundo, ela se mostra hábil em manipular essa decepção generalizada com o reformismo sem reformas, para aprofundar a política de ajuste ultraliberal.

No momento em que muitos se perguntam como se faz um eficaz combate a extrema-direita, respondemos que a única alternativa possível é a de enfrentar as políticas de ajuste ultraliberal, sempre apoiado na mobilização popular. Só por esse meio se derrotará o campo liberal-fascista em nosso país. E na conjuntura atual, o elo mais débil desse domínio é o controle que os parasitas do sistema financeiro têm sobre ramos fundamentais do aparelho de Estado. Especialmente do Banco Central, cuja política é o de privilegiar exclusivamente os interesses da especulação financeira.

Ainda em junho o presidente do Banco Central “autônomo”, Roberto Campos Neto, um pau mandado dos banqueiros indicado para a presidência do BC por Bolsonaro, provocou um ataque especulativo contra a moeda brasileira. Como a estrutura produtiva do Brasil tem sido desmontada, aumentou-se a dependência do país de importações. Com um aumento do dólar os custos de produção provocariam elevação de preços e, consequentemente, da inflação.

Pelas regras da política econômica em curso, o único remédio para conter a inflação é o Banco Central elevar a taxa básica de juros, a Selic. Mas se essa medida faz a alegria de grandes setores burgueses cujos lucros dependem do controle da dívida pública, por outro encarece o custo dos empréstimos e desestimula a atividade econômica. Em suma, para que grandes setores burgueses, principalmente bancos, continuem a ter lucros fabulosos, é preciso proibir qualquer tipo de desenvolvimento no Brasil do capital funcionante, que nos termos propostos por Marx seria o capital produtivo (comércio e indústria).

Lula, ao perceber o movimento de Campos Neto, fez uma crítica correta ao presidente do BC. Acusou-o de agir contra os interesses do povo e em favor dos banqueiros. E sua descarada aproximação com Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, deixa explícita sua intenção de conduzir o país a recessão como forma de reduzir a já estreita margem de aprovação do governo em relação ao regular e ruim. Com isso, Campos Neto age para pavimentar o retorno à presidência de uma candidatura do campo liberal-fascista, como Tarcísio. E ainda ganharia como prêmio pelos serviços prestados o cargo de ministro da Fazenda.

Porém, as críticas de Lula não avançaram para além de uma troca de farpas. Na semana passada, num claro sinal de recuo, o governo anunciou corte de R$ 25,9 bilhões de despesas obrigatórias para o projeto de Orçamento de 2025. O peso maior cairá, como é de praxe, nos benefícios sociais. Tudo para alcançar a prometida política de déficit zero do ministro Haddad e manter intocados os interesses da alta burguesia, cujos grandes lucros dependem da especulação financeira.

Essa tática do morde-assopra, feita costumeiramente pelo governo, provoca muita gritaria sem qualquer consequência prática. Se o governo quiser realmente barrar a ameaça de retorno da extrema-direita em 2026 é preciso desmontar a política de ajuste ultraliberal. Para tanto ele precisa produzir efeito pertinente ao discurso, enfrentar o campo liberal-fascista e convocar o povo à luta. Só assim se derrotará a extrema-direita nas urnas e, principalmente, na consciência popular.

quinta-feira, 27 de junho de 2024

É POSSÍVEL FAZER O LIBERAL-FASCISMO RECUAR * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

É POSSÍVEL FAZER O LIBERAL-FASCISMO RECUAR



A reação popular contra o PL 1.904/24, que pune duramente a vítima de estupro e com pena mais leve o estuprador, impôs um recuo ao campo liberal-fascista. Em poucos dias o país foi tomado por manifestações de repúdio.

Artur Lira (PP/AL) e a bancada evangélica, diante das manifestações e da repercussão negativa do PL, mesmo entre vários congressistas, recuaram da urgência do projeto. Mas para não assumirem a derrota falam em criar uma comissão especial para analisa-lo.

A derrota momentânea do PL 1.904/24 foi antecedida por outra. Trata-se da repercussão negativa da Proposta de Emenda Constitucional 3/2022, que abre brecha para a privatização das praias.

Ambos os casos mostram claramente que há espaço para construir uma resistência ao projeto liberal-fascista. Porém, a grande dificuldade da esquerda de modo geral e dos comunistas em particular, é como construir um sentimento de repúdio à deterioração dos direitos sociais e trabalhistas. Esses temas, somados à condução da política econômica, ainda não geram um repúdio generalizado das massas trabalhadoras.

Um exemplo está na Proposta de Emenda Constitucional 18/11, parada há 13 anos na Câmara. Ela reduz a idade mínima para um menor de idade ter um contrato de trabalho formal de 16 para 14 anos. A tramitação da PEC foi retomada dia 17 de junho passado e a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara já se preparava para votá-la.

Contudo, essa PEC, que também representa um duro ataque à juventude proletária, não recebeu do conjunto da sociedade o mesmo grau de repúdio. A crítica está restrita por enquanto aos movimentos que atuam há décadas na defesa dos direitos das crianças e adolescentes. É preciso considerar a gravidade dessa PEC, que ao reduzir a idade mínima de trabalho, fará aumentar a oferta de trabalhadores e produzirá um barateamento generalizado dos salários. Além disso, exporá esses jovens a várias formas de violência, inclusive a abusos sexuais.

O silêncio em torno de temas como direitos sociais e trabalhistas, além da condução da política econômica, é revelador. Ele indica o predomínio na consciência popular de uma espécie de normalização do programa ultraliberal, em que o destino das massas trabalhadoras é o de serem superexplorados.

As manifestações contra o PL 1.904/04 precisam ser mantidas. Não se pode confiar no recuo de Artur Lira. É preciso exigir o arquivamento dessa aberração. Os protestos mostram que há reservas de indignação contra a política do campo liberal-fascista que podem ser mobilizadas. É possível fazer o liberal-fascismo recuar.

A tarefa dos comunistas é como gerar indignação e fazer as massas despertarem para pautas de natureza ligadas diretamente aos direitos sociais e a política econômica.

ORGANIZAÇÃO COMUNISTA ARMA DA CRÍTICA
OCAC

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Greve nas Instituições Federais de Ensino * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

 Greve nas Instituições Federais de Ensino

Desde o final de março deste ano, diversas instituições federais de ensino decretaram greve por tempo indeterminado. A situação atinge Colégios de Aplicação, Colégio Pedro II, CEFETs, Institutos e Universidades Federais em todo o país. A despeito de um reajuste para todos os servidores em 2023, é preciso compreender os fatos que levaram a essa situação na educação:


  1. Os servidores Técnico Administrativos em Educação (TAEs) não receberam nenhum reajuste desde o acordo da greve de 2015. Na ocasião, a categoria firmou um acordo com o governo para uma reposição das perdas inflacionárias ocorridas entre 2013 e 2015. A reposição das perdas até 2015 foi parcelada para 2016 e 2017. Logo, apesar de toda a inflação acumulada desde 2015, os TAEs não tiveram qualquer reposição. E permaneceram sem qualquer mudança salarial entre 2017 e 2023, significando uma perda de poder de compra superior a 40%.

  2. Os professores das Universidades (MS - Magistério Superior) e dos Colégios, Institutos e CEFETS (EBTT - Professores do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico) firmaram um acordo para repor as perdas salariais de 2013 a 2015 com uma reestruturação de carreira. O acordo foi parcelado entre 2016 e 2019. Não ocorreram mudanças salariais entre 2019 e 2023, significando perdas de poder de compra de aproximadamente 30%.

  3. Para encerrar as pautas econômicas, a greve cobra a recomposição dos orçamentos das instituições federais de ensino, reduzidos desde 2014 e, principalmente, entre 2019 e 2022. A redução orçamentária afeta a qualidade do ensino, as condições de trabalho, os recursos para bolsas de projetos (extensão, ensino, iniciação, etc.), as diversas modalidades de auxílio permanência-êxito que permitem aos estudantes de famílias pobres estudar. Ademais, a falta de recursos tem colocado essas instituições em uma situação de dependência de emendas parlamentares, favorecendo a utilização dos recursos públicos para fins eleitorais por diversos parlamentares.

  4. No caso dos CEFETs, Colégios e Institutos Federais, que é o nosso foco, há ainda pautas não econômicas, mas cruciais para a qualidade das instituições. A primeira delas é a cobrança pela revogação do chamado Novo Ensino Médio. A Reforma do Ensino Médio (Novo Ensino Médio) constitui uma ameaça pedagógica e pode afetar milhares de estudantes que encontraram nessas instituições uma opção de educação pública, gratuita e de qualidade. O espaço aqui não nos permite aprofundar o debate, por isso indico textos que explicam o risco à classe trabalhadora, os riscos aos estudantes e docentes e, ao contrário do que dizem as propagandas pagas para serem veiculadas como notícia, a maioria que vivenciou, vivencia e conhece o Novo Ensino Médio reprova o modelo (é só verificar as pesquisas da Rede de Escola Pública e Universidade e da UNESCO).

  5. A segunda é a revogação da Portaria 983, de 18 de novembro de 2020. A proposta da portaria é tratada de modo simplista na imprensa, dizendo que os professores são contra a elevação da sua carga horária. É uma mentira, posto que professores dessas instituições são contratados por cargas horárias fixas: 20 horas, 40 horas ou 40 horas com dedicação exclusiva. O que a portaria faz é ampliar a carga horária em sala de aula em prejuízo das atividades administrativas e - mais grave - da pesquisa e da extensão. Posto que CEFETs, Institutos e Colégios federais são, por lei, vinculados à tríade Ensino-Pesquisa-Extensão a portaria fere de morte o formato bem-sucedido dessas instituições. Logo, haverá menor tempo para orientação de trabalhos de conclusão de cursos, orientação de projetos de ensino, de extensão e iniciação científica. As atividades administrativas referem-se às comissões de reformulação de cursos, Núcleos Docentes Estruturantes, Colegiados e, como a gestão é realizada por servidores de carreira, coordenadores e diretores são docentes e/ou técnicos administrativos. A portaria, portanto, não aumenta a carga horária de trabalho - fixada em lei e pelo regime de contratação -, ela piora as condições de trabalho e de oferta de uma educação articulada com a pesquisa científica, com as necessidades da comunidade e relacionada às demandas do arranjo produtivo local (como preconiza a lei de criação dos Institutos Federais). 


Retornando à questão salarial, os servidores públicos federais não contam com uma data-base e nem com o direito ao dissídio coletivo. Portanto, toda reposição das perdas inflacionárias depende de negociação com o governo. É importante salientar que se trata de uma negociação assimétrica. Apenas uma das partes dispõe da “caneta” para assinar qualquer acordo. Isso quer dizer que a interrupção dos serviços não deve ser colocada na conta dos servidores - profissionais dependentes de remuneração para a sua subsistência -, que não contam com dispositivos legais para o dissídio anual. Ademais, a greve só foi deflagrada após meses - desde meados de 2023 até março de 2024 - sem propostas aos profissionais da educação para o ano de 2024. Tratamento muito diferente de outros servidores que receberam reajustes para este ano, como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal Penal.

Há, portanto, um tratamento discriminatório, pois o reajuste de 2023 foi igual para todas as categorias e algumas das carreiras que receberam reajuste também em 2024 já haviam sido contempladas por reajustes no governo anterior. Portanto, os profissionais de educação, preteridos no governo anterior, estão sendo preteridos em 2024 mesmo em situação de perda do poder de compra maior que as demais categorias do serviço público federal.

Existe no debate público uma mentira sobre a ausência de mobilizações durante os governos Temer e Bolsonaro. Como se a presença de um governo de esquerda fosse mais permissiva para greves. A mentira inventa uma suposta “autoridade” diferenciada dos presidentes anteriores. Mas, esses fatos não resistem à análise séria do contexto:


I) Com os acordos da greve de 2015 vigentes até 2017 (TAEs) e 2019 (docentes), legalmente uma nova greve não poderia ocorrer sem contestações jurídicas nesse período. Mas isso não significou ausência de mobilizações dos trabalhadores da educação no Governo Temer: em 2016 e 2017, ocorreram mobilizações e manifestações contrárias à Reforma do Ensino Médio (logo, o tema não veio à pauta agora em um governo de esquerda) e à Reforma Trabalhista; em 2018, houve greve de alguns dias em vários campi do Instituto Federal de São Paulo contra a divisão do IFSP, que seria feita sem critérios geográficos, econômicos e pedagógicos claros por meio do acordo entre a reitoria da época e o Ministério da Educação de Temer, encabeçado por Mendonça Filho. Isso, sem contar as ações estudantis em vários locais do Brasil - incluindo instituições federais - de ocupações de escolas no período - severamente estigmatizadas por mentiras disseminadas pelo MBL.

II) Em 2019, no governo Bolsonaro, ocorreram paralisações de alguns dias em diversas Universidades e Institutos Federais contra os cortes de até 30% do orçamento das instituições. Na ocasião, militantes bolsonaristas e o próprio ministro, Abraham Weintraub, participaram da divulgação de uma série de mentiras sobre as Universidades, os estudantes e professores. Ademais, diversas ações de oposição ao projeto do Future-se, do mesmo ministro. Em 2020 e 2021, vivemos a pandemia de Covid-19, obviamente os servidores públicos não fizeram greve e nem fariam em um cenário de emergência sanitária e de necessidade de direcionamento do orçamento público. Ao contrário, apesar da estrutura deficitária, agiram para oferecer aulas, plantões e atividades em formato remoto. Por fim, 2022 foi ano eleitoral e há algumas restrições para reajustes salariais em parte do ano, além da certeza de que uma paralisação dos servidores da educação seria tratada como ação político-partidária contra o governo Bolsonaro. Logo, mentem aqueles que omitem as articulações dos profissionais de educação.


Há partidários do próprio governo reproduzindo essa mentira para vender uma imagem republicana dos membros do governo. No entanto, a greve ocorre em reação à política econômica neoliberal de Haddad, à conversão do Ministério da Educação de Camilo Santana e Izolda Cela - exonerada em 30 de maio para as eleições municipais - em agência para as organizações empresariais interessadas na educação, como Fundação Lemann e Todos pela Educação. Longe de aproveitar a benevolência de Lula, os trabalhadores da educação querem ser tratados com isonomia em relação aos outros servidores federais e, como profissionais, terem seus direitos respeitados.

Há que se denunciar as manobras de José Lopez Feijóo, nomeado negociador pelo governo. Desde outubro de 2022, o processo n.° 1833-05.2012.5.10.0010 transitou em julgado impedindo o PROIFES Federação de realizar atividade sindical em relação às categorias representadas pelo SINASEFE. Ou seja, há quase dois anos, está pacificado que professores EBTT (CEFETs, Colégios e Institutos Federais) não estão entre os profissionais representados pelo PROIFES (vinculado à CUT). Apesar disso e da reduzida base entre os professores das Universidades Federais, o governo assinou com essa federação o acordo e alardeou que havia finalizado as negociações com os professores. Não foi por acaso que a Justiça Federal do Sergipe anulou o acordo em 29 de maio. Portanto, o governo sabia que a assinatura com o PROIFES/CUT não passava de mera estratégia para enfraquecer a greve e a decisão da Justiça Federal do Sergipe apenas reconheceu o que já estava pacificado.

As manobras para deslegitimar o movimento continuaram. Para dar ares de institucionalidade ao acordo que atacou o direito constitucional à greve, a Coordenação-Geral de Registro Sindical, vinculada ao Departamento de Relações de Trabalho, publicou um despacho deferindo registro sindical ao PROIFES. No despacho de 06 de junho de 2024, o governo insiste em incluir no rol de representados pelo PROIFES os professores universitários e os professores EBTT. No caso desta última categoria o despacho está em flagrante oposição à decisão judicial.

É fundamental ressaltar que nenhuma associação representativa dos TAEs assinou qualquer acordo, o que afeta também as Universidades. Isto é, não há acordo com representantes legítimos dos professores EBTT, não há acordo com nenhuma representação dos TAEs e o PROIFES/CUT possui uma base reduzida de professores das Universidades. Outro expediente de propaganda, beirando a desinformação, foram os cards sobre os valores dos salários dos docentes: o Ministério da Educação divulgou como salário inicial o valor de um professor doutor com carga horária de 40 horas com dedicação exclusiva. Ora, o salário para comparar com o Piso Nacional da Educação Básica deveria ser do docente ingressante com carga horária de 40 horas semanais sem dedicação exclusiva e apenas graduado.

Por fim, Lula realizou em 10 de junho uma reunião com os reitores das Universidades e Institutos Federais. A intenção foi realizar o anúncio de recursos às instituições federais e reiterar que não haverá proposta para reajuste aos trabalhadores da educação em 2024. O presidente utilizou o termo “reunião” para um anúncio de recursos, afirmação de que não há razões para a greve e para, indiretamente, cobrar ações dos gestores para finalizar a greve.

Quanto aos anúncios de recursos, o valor é insuficiente para retomar o valor de custeio que Bolsonaro herdou no primeiro ano de governo (PLDO de Temer). Isto é, sem correção monetária, os valores recompostos ainda são menores do que o aprovado para 2019. Claro, nos anos seguintes, o governo anterior realizou cortes sobre cortes, quase inviabilizando as instituições. Porém, o fato é que os recursos parcelados totalizando R$3,4 bilhões para obras incluem campi que já foram abertos e a estrutura não entregue. Desse dinheiro, R$800 milhões são para obras interrompidas ou reformas estruturais. Roberto Leher, ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, explica que esses R$800 milhões significam apenas o que a UFRJ precisa para retomar obras e reformar instalações com problemas. Ou seja, longe de garantir devidamente a expansão dos Institutos Federais em cerca de 100 campi anunciada no início do ano, o valor precisa ainda dar conta, por exemplo, de campus prometidos em governos anteriores (ou com funcionamento iniciado precariamente). Além disso, esse valor deve servir para as 10 novas unidades de Universidades Federais anunciadas na reunião, como a de São José do Rio Preto (SP). Ironicamente, nesta cidade há um campus do Instituto Federal, aprovado no governo Temer, que funciona em uma estrutura doada pela prefeitura local e que ainda está sem professores suficientes para iniciar o Ensino Médio Integrado, que é prioridade segundo a Lei 11.892/2008 (criação dos Institutos Federais). 

Em todo caso, se tais atos devem ser tomados como sinalização de boa-vontade, a assinatura com o PROIFES, a concessão de registro sindical (apesar de decisões judiciais) e as falas de Lula e Camilo classificando a greve como indevida (questionando até a coragem de sindicalistas para encerrar a greve) indicam o contrário. Para quem quiser saber mais, neste link há uma entrevista esclarecedora do professor Valter Pomar, da Universidade Federal do ABC.  Além disso, não há menções às pautas não-econômicas, como a questão do Novo Ensino Médio e a Portaria 983/2020. O resumo é: o governo não realizou uma negociação efetiva sobre as pautas da greve dos profissionais da educação, não recompôs o orçamento das instituições federais de ensino e utilizou diversos expedientes para dar sequência à estigmatização das Universidades, Institutos Federais e dos profissionais da educação. Será preciso lembrar sempre esse tratamento. Está em curso uma traição às promessas feitas pelo próprio Lula de valorização da educação.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

ENFRENTAR AS AMEAÇAS DA EXTREMA-DIREITA * ORGANIZAÇÃO COMUNISTA ARMA DA CRÍTICA /OCAC

ENFRENTAR AS AMEAÇAS DA EXTREMA-DIREITA

A extrema-direita está organizada e age com desenvoltura no cenário político. Apesar das derrotas judiciais e nas eleições de 2018, a extrema-direita consegue pautar a vida política nacional.

Os governos estaduais dirigidos pela extrema-direita avançam no programa político do bolsonarismo, como se não houvesse um novo governo federal. Implantam o projeto das escolas cívico-militares, privatizam das grandes empresas públicas às escolas, dão todo poder às polícias militares.

No espaço paramentar, seja no Congresso Nacional, seja nas Assembleia Legislativas e Câmaras de Vereadores, os deputados e vereadores da extrema-direita agem de maneira intimidatória. Fato grave foi o ataque contra a deputada Luiza Erundina na Comissão de Direitos Humanos na Câmara. Qualquer parlamentar que ouse enfrentar a sanha fascista é agredido verbal e fisicamente

Patrocinam uma ofensiva contra o movimento operário e parlamentar, como mostram os episódios de repressão policial e perseguição judicial nas recentes lutas no Paraná e São Paulo. As campanhas midiáticas na internet se avolumam e ganham tom de ameaça, como na campanha promovida pelo canal Brasil Paralelo contra Maria da Penha, não apenas contra a lei, mas contra a pessoa física Maria da Penha.

A violência política é naturalizada na vida nacional. O governo e a dita esquerda parecem não reconhecer a situação. Não basta contar com a toga do ministro Alexandre de Moraes

É preciso enfrentar a extrema direita, barrar a intimidação e a ameaça. Seja na rua, no espaço parlamentar, na rede social. Não se pode permitir que os fascistas se sintam livres e à vontade.

E mais. A política do ministro Haddad deve ser revertida, pois a falta de perspectivas econômicas vai empurrar os trabalhadores formais e autônomos, pequenos empreendedores e aposentados para os braços do fascismo.

ORGANIZAÇÃO COMUNISTA ARMA DA CRÍTICA
OCAC