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sábado, 14 de março de 2026

PLENARIAS ORGANIZACIONAIS DA FRT * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

PLENARIAS ORGANIZACIONAIS DA FRT
 *CARTA AOS REVOLUCIONARIOS*

Como os companheiros bem sabem, o sistema capitalista vive uma profunda crise estrutural que atinge o seu organismo como totalidade.


Há muito a crise que atinge o modo de produção capitalista, não é apenas somente econômica, mas social, política, civilizatória, etc; enfim, a crise possui um caráter universalizante e ameaça de forma objetiva a própria sobrevivência da humanidade.


O momento atual tem como uma de suas marcas, o auge da contrarrevolução; aberta sobretudo, desde o fim da União Soviética e queda do Muro de Berlim, acontecimentos históricos que expressaram dura derrota do proletariado mundial.


 A fragmentação em que se encontra a esquerda revolucionária brasileira, potencializa seu isolamento em relação a classe, fator que contribui inexoravelmente para a solidificação da contrarrevolução burguesa.


Nesse sentido, torna-se mesmo imperativo construir no país um polo autenticamente revolucionário, que aglutine os melhores, mais combativos e abnegados elementos da vanguarda classista para criar de fato, as bases de um partido comunista da revolução brasileira.


Nesta perspectiva buscamos construir junto às demais organizações proletárias e comunistas este instrumento de Frente de Lutas, que pode tornar-se um embrião do partido revolucionário, não como ficção, mas sim concretamente. Dessa forma propomos a aproximação de todas as correntes, no sentido de atuação pela via política da Frente Única de esquerda.


*Propomos pôr de pé uma imprensa operária, popular e comunista, que saiba fazer seu papel de esclarecer e despertar as massas trabalhadoras. Que saiba, em seu cotidiano e intervenção, fazer a ponte dialética entre o programa mínimo e as necessidades históricas da revolução brasileira em nossa agitação e propaganda;


*Propomos fortalecer a Frente Única Revolucionária dos trabalhadores brasileiros, que centralize as organizações revolucionárias, no sentido de superar nossa fragmentação e fortalecer nossa atuação junto às massas;


*Propomos deliberar uma agenda de atuação e intervenção na atual conjuntura  histórica gravíssima, visto que o tempo corre.


Com a perspectiva de avançarmos para a construção de um instrumental para potencializar as lutas dos explorados, diante de uma conjuntura  marcada pela guerra de classe que a burguesia declarou ao povo brasileiro, é que apresentamos as propostas acima aos demais camaradas. 


Saudações revolucionárias

!!!!!!

Frente Revolucionária dos Trabalhadores

FRT

NÃO PERCA! DIA 18/04 ÀS 10HS VOCÊ RECEBERÁ O LINK DO GOOGLE MET PRA PARTICIPAR CONOSCO DO NOSSO PRIMEIRO ENCONTRO DO ANO.

SUGESTÃO DE PLANEJAMENTO PARA OS NUCLEOS ESTADUAIS DA FRT

TAREFAS PARA ATUAÇÃO DO NUCLEO

1. MORADIA: acompanhar as lutas por moradia no Estado e participar aonde for possível, sempre levando em conta as forças políticas dominantes; buscar inserir-se nós órgãos gestores, como secretárias de habitação ;

2. EDUCACAO: acompanhar a comunidade escolar, verificar as carências, ver se tem CEC - Conselho Escola Comunidade; era se tem grêmio - no caso de escola de ensino médio e superior. Fazer todo esforço para criar um núcleo de pais-alunos por fora desses órgãos formais;

3. SAUDE: acompanhar a situação do posto mais próximo, seu abastecimento, capacidade de atendimento e deficiências, sobretudo o quesito farmácia-doentes crônicos. Buscar construir a mesma dinâmica da educação, criando grupos de atuação, sem negligenciar a inserção no Conselho Municipal de Saúde;

4. CATEGORIAS SOCIAIS: juventude, idosos, profissionais de nível técnico, profissionais liberais e informais;

5. CULTURA: desenvolver atividades musicais, literárias, teatrais, artes plásticas, turismo cultural, tais como visitas a cidades históricas e exposições;

6. FORMAÇÃO POLÍTICA: 

7 . INTERNACIONALISMO: fortalecer o apoio aos povos subjugados pelo imperialismo, como a Palestina, a SIRIA(no Oriente Médio), em seja África e América Latina. Criar grupos de trabalho.

8 . BOLETIM FRT
*
MINUTA DA PAUTA

1 . Informe de conjuntura nac. internac

2 . Perspectivas da FRT

3 . Nucleação

4 . Tarefas de atuação:
PREPARAR O NOSSO 1º DE MAIO

ACESSE O GOOGLE MET
AS 10HS
***

quarta-feira, 19 de março de 2025

FORJAR NA LUTA UMA NOVA CONSCIÊNCIA DE CLASSE * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

FORJAR NA LUTA UMA NOVA CONSCIÊNCIA DE CLASSE
OCAC

A crise de popularidade do governo é consequência direta das ambiguidades que marcam sua gestão. Lula, em seus dois primeiros mandatos, sem alterar o regime de acumulação neoliberal e o papel do Brasil como fornecedor de matérias-primas baratas, conduziu a economia de forma a promover um “ganha-ganha” geral. Os lucros do capital cresceram ao mesmo tempo em que a massas trabalhadora, pela via de empregos precários e acesso ao consumo por endividamento, acessava o mercado de consumo. Isso criou a sensação ilusória de satisfação e acomodamento entre as classes.

O cenário atual é completamente diferente. A crise econômica de 2008 destruiu a ilusão de prosperidade generalizada dos primeiros anos da década. E empurrou o imperialismo, para garantir o lucro capitalista, a aplicar um duríssimo ajuste fiscal e a arrochar os instrumentos de exploração colonial e neocolonial.

No Brasil, esse cenário foi aproveitado pela burguesia, associada ao imperialismo, para aumentar a taxa de exploração do povo. Fez-se a reforma trabalhista, impôs-se o teto nos gastos públicos, abriu-se um novo ciclo de assalto ao patrimônio do Estado via privatizações, o rentismo se tornou uma força ainda mais poderosa e o país se especializou ainda mais no comércio internacional como produtor de matérias-primas agrícolas e minerais baratas. E tudo isso agravado pela devastação do governo proto-fascista de Bolsonaro.

Superar esse cenário, e realizar na prática o lema “União e Reconstrução” do mandato, exigiria que este enfrentasse os interesses do grande capital. Que se revogasse as reformas trabalhistas e da previdência, que se reestatizassem as estatais privatizadas, que se retomassem as 4 mil obras paradas, que se aumentassem os investimentos públicos em saúde e educação, que se fizesse a reforma agrária, que se enfrentasse os interesses do rentismo e dos monopólios.

Todavia, o que estamos assistindo é uma rendição completa do governo a uma agenda que aprofunda o ajuste ultraliberal. Há um retrocesso generalizado nas políticas do governo por causa da política de restrição autoimposta com o Arcabouço Fiscal, inclusive nas políticas sociais. Exemplos são o anúncio recente do corte de R$ 7,7 bilhões no Bolsa Família e, no final do ano passado, a proposta do governo aprovada no Congresso para cumprir a meta do Arcabouço foi de restringir o acesso ao BPC e limitar o aumento do salário mínimo.

E, agora, assistimos a inação do governo diante do aumento do preço dos alimentos. Ao invés de intervir no mercado, combater os preços de monopólio, aumentar a produção agrícola voltada ao mercado interno, fazer a reforma agrária e até mesmo subsidiar a compra de alimentos, o governo espera ser salvo por uma nova supersafra ou pela diminuição do dólar.

O resultado dessa política é que o governo aliena cada vez mais sua base social e eleitoral, que se reflete no aumento da sua reprovação. A resposta do governo a esse cenário é o de buscar uma reaproximação com os movimentos populares, como forma de evitar a dispersão de sua base política de apoio. Porém, ela é mais fruto do desespero de contornar a situação imediata marcada pelo aumento da reprovação, do que uma reação coerente e articulada com um projeto de desenvolvimento.

O movimento popular e sindical não pode ficar na expectativa de uma mudança de rumo do governo. O momento e as condições para isso já se esfumaram. É preciso se colocar em movimento e organizar lutas que mobilizem as massas trabalhadoras em torno de demandas imediatas, como o preço dos alimentos, o fim da escala 6 x 1 e a reforma agrária. Outro exemplo é a luta contra a política de juros do Banco Central que engessa o crescimento econômico e favorece o rentismo. Será por esse caminho, da luta e organização, que a necessária consciência de classe para enfrentar a burguesia brasileira será forjada.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

RETOMAR AS MOBILIZAÇÕES – REORGANIZAR OS SETORES POPULARES * Organização Comunista Arma da Crítica/OCAC

RETOMAR AS MOBILIZAÇÕES – REORGANIZAR OS SETORES POPULARES


Dois fatos na semana que passou evidenciaram o quanto o governo Lula se tornou refém de uma certa institucionalidade, desenhada para manter o status quo e evitar que o capital financeiro tenha alguma perda. O ministro da Defesa José Múcio se colocou como porta-voz da caserna, fazendo críticas abertas à política internacional do Presidente e a Enel, estatal italiana que tem a concessão de distribuição de energia em São Paulo, deixou a maior cidade do país às escuras, sem que a Aneel, agência reguladora, movesse alguma palha em fiscalizar a concessionária.

A fala de José Múcio reitera o papel autoproclamado de poder moderador das Forças Armadas. E mostra que as Forças Armadas são incapazes de prover a defesa nacional, com uma indústria e um sistema de pesquisa e desenvolvimento de equipamentos bélicos. O motivo da fala foi a suspensão de licitação em que uma empresa israelense seria ganhadora do fornecimento de obuseiros autopropulsados. Segundo Múcio, a suspensão foi motivada por “questões ideológicas”. De quebra ainda criticou a recusa de venda de munição 105 mm para a Alemanha, que as repassaria para a Ucrânia.

Pelo raciocínio de Múcio, comprar e vender material bélico a países beligerantes não produziria maiores consequências. O que ele chama de “não ideológico” é a manutenção, na prática, das Forças Armadas brasileiras serem um braço do Comando Sul do Pentágono, inclinação e desejo dos Alto Comandos em sua maioria. O presidente respondeu com um muxoxo, pois, na prática, os deveres constitucionais da Presidência de dirigir a defesa nacional foram retirados de Lula.

Continuando a saga do não-governo, a Agência Nacional de Energia Elétrica tem toda a sua diretoria nomeada por Bolsonaro, com alguns diretores com mandato até 2028 (!). Impichar ministro do STF se tornou papo de botequim, enquanto retirar um diretor omisso e conivente com os regulados é mais difícil do que afastar o presidente da República.

As agências ditas reguladoras são todo-poderosas, com o poder executivo impedido de intervir nos setores regulados. Os paulistanos ficam às escuras, depois de uma chuva de apenas uma hora, e as autoridades municipais, estaduais e o ministério das Minas e Energia fazendo o popular jogo de empurra. Mas não se toca o dedo na ferida. A função da Enel em São Paulo é garantir a solvência da matriz na Itália. Saquear a empresa tem sido uma operação bem-sucedida, haja visto os recordes das cotações das ações da empresa nas bolsas de valores europeias.

O governo Lula não apenas aceitou a armação institucional herdade de Temer e Bolsonaro, e de FHC, no caso das agências reguladoras, como apertou as amarras com o Arcabouço Fiscal, obra e graça de seu ministro da Fazenda. Ao não se dar um mínimo de enfrentamento – a proposta de se criar a agências das agências é risível – caminha-se para a derrota inexorável.

No caso do ministro Múcio, escolher outro ministro da Defesa seria o mínimo para afirmar a autoridade presidencial. Existem instrumentos legais para se intervir na Enel, com o governo assumindo a operação. Basta coragem de assumir o programa pelo qual se foi eleito.

O debate político e ideológico deve ser travado pelo conjunto do movimento operário e popular. Os comunistas têm como tarefa contribuir para que as mobilizações sejam retomadas e que seja realizada a reorganização dos setores populares com vistas à luta política.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2023

MOBILIZAÇÃO * GRAÇA ANDREATTA/ES

MOBILIZAÇÃO
GRAÇA ANDREATTA/ES

Sempre andei “em penca”. Meus pais chegaram a fazer uma linda casinha de madeira do lado de fora de nossa casa para meu irmão e eu podermos receber, mobilizar, celebrar, festejar.

 Estávamos sob seus olhos mas não bagunçando a casa. E nossa casinha estava sempre cheia, cada um no seu “pedaço”. Não conhecíamos ainda a ditadura, nem o capitalismo que já nos atacava, atraia e cegava a muitos. /Pais vigilantes ajudam a não cair nesse canto ambíguo. Depois, pela vida, minha juventude passou... “mobilizando”, panfletando, e até pichando.

 Eram nossas únicas maneiras de dizer: estamos vivos e reagimos./ Aí Cuba foi boicotada e fomos pra rua! Chegaram os Atos Institucionais e... Rua! Prenderam e mataram nossos jovens e... fomos pra rua! Gritamos lindas palavras de ordem, e choramos nas ruas. Alguns até ousaram mais e morreram, isto é, foram mortos./Aí chegou a mídia, um presidente de esquerda, uma mulher na presidência. 

Continuamos na rua, agora mais esperançosos e esquecemos de aproveitar o tempo para nos amar mais, juntar mais e, quem sabe, cantar! – Cantamos músicas de protesto, dançamos nas ruas, manifestamos a alegria de ser e poder ter, coramos a morte, a violência. Prenderam o Lula! Alguns não tinham gostado da redução da pobreza, dos programas sociais, de trabalho farto, de direitos e deveres cumpridos. Enfrentamos e criamos um Brasil de quase amor. Mas... O que diriam os ignorantes privilegiados em suas campanhas? – Prenderam o Lula. Elegemos um “ser estranho’. Aí... pandemia, 700 mil mortos, dores e ranger de dentes. Faltou até oxigênio. Muitos deixaram cair suas máscaras políticas e uma multidão pelo mundo colocou máscara, ficou em casa e acostumou-se à mídia, inventaram as fake News e... o povo acredita mais numa mentira em nome de Deus que numa verdade permitida pelo Mesmo. 

Hoje estou me mobilizando. Ganhei de presente de aniversário uma passagem ida e volta para ver e ouvir Krenak, esse indígena forte, iluminado em palavras e ações e que entrou para a Academia Brasileira de Letras. Gratidão Raquel, Beatriz, Luiz Sérgio, gratidão professor Soler e todos e todas que na ânsia de dias mais amenos vamos aplaudir e celebrar com Krenak. Gratidão, companheiros de viagem pela vida. Nós somos o povo, aquele simplesinho que vai pra manifestações mobilizado pelo ideal. Sim, eu vou ver Krenak para fortalecer minha fé de saber “Onde Aterrar” e poder ajudar a “Adiar o Fim do Mundo”. 

Graça Andreatta 
em 01 de dezembro de 2023, sob o signo de sagitário e benzendo o mundo como nossos avós, ou fazendo a “dança da chuva” como nossos antepassados.

sexta-feira, 12 de maio de 2023

POLÍTICAS SOCIAIS MUDAM A CABEÇA DO POVO? Frei Betto/SP

 POLÍTICAS SOCIAIS MUDAM A CABEÇA DO POVO?

Frei Betto/SP


       Minha resposta à pergunta acima é não. Em setenta anos de União Soviética, o povo foi beneficiado com direitos que o Ocidente ainda não conquistara. Homens e mulheres desempenhavam os mesmos trabalhos e tinham igual remuneração. Já na década de 1920, 600 mulheres ocupavam cargos similares ao de prefeita, enquanto na maioria dos países ocidentais elas nem tinham direito a voto. 


       A União Soviética foi o primeiro país da Europa a apoiar direitos reprodutivos, em 1920. As mulheres detinham plena autoridade sobre seu corpo.[1] O ensino escolar era gratuito, inclusive a pós-graduação. Os estudantes recebiam do poder público livros didáticos e material escolar.[2] Também o sistema de saúde era inteiramente gratuito. O número de usuários de drogas era extremamente baixo e os poucos que conseguiam entorpecentes o faziam através de turistas que contrabandeavam para dentro do bloco.[3] Foram os soldados que ocuparam o Afeganistão, no fim da década de 1980, que infestaram de drogas os países do bloco soviético. 


       Apesar de tudo, a União Soviética colapsou sem que fosse disparado um único tiro. O povo deu boas-vindas ao capitalismo. Hoje, a Rússia é um dos países onde a desigualdade social é mais alarmante.


       O socialismo soviético não fez a cabeça do povo em prol de uma sociedade solidária. Do mesmo modo, o Estado de bem-estar social, predominante na Europa “cristã” até ruir o Muro de Berlim, não fez a cabeça do povo.


      Antonio Candido dizia que a maior conquista do socialismo não se deu nos países que o adotaram, e sim na Europa Ocidental, onde o medo do comunismo levou a burguesia a ceder os anéis para não perder os dedos.


     Findo o socialismo, a burguesia ergueu os punhos e revelou sua verdadeira face: prevalência dos privilégios do capital sobre os direitos humanos; repúdio aos refugiados; privatização dos serviços públicos; alinhamento à política belicista dos EUA. 


Governos do PT


       O Brasil conheceu 13 anos de governos do PT que asseguraram à população de baixa renda vários benefícios: Bolsa Família; salário mínimo corrigido anualmente acima da inflação; Luz para Todos; Minha casa, Minha vida; Fies; cota nas universidades; redução drástica da miséria, da pobreza e do desemprego; aumento da escolaridade etc. 


       No entanto, Dilma Rousseff foi derrubada sem que o povo fosse às ruas defender o governo. E Bolsonaro foi eleito presidente em 2018. Em 2022, perdeu para Lula pela diferença de apenas 2 milhões de votos, de um total de 156 milhões de eleitores.


Freud e Chomsky


       Segundo Freud, “a massa é extraordinariamente influenciável e crédula, é acrítica, o improvável não existe para ela. (...) Os sentimentos da massa são sempre muito simples e muito exaltados. Ela não conhece dúvida nem incerteza. Vai prontamente a extremos; a suspeita exteriorizada se transforma de imediato em certeza indiscutível, um germe de antipatia se torna um ódio selvagem. Quem quiser influir, não necessita medir logicamente os argumentos; deve pintar com imagens mais fortes, exagerar e sempre repetir a mesma fala. (...) Ela respeita a força, e deixa-se influenciar apenas moderadamente pela bondade, que considera uma espécie de fraqueza. Exige de seus heróis fortaleza, até mesmo violência. Quer ser dominada e oprimida, quer temer os seus senhores. No fundo, inteiramente conservadora, tem profunda aversão a todos os progressos e inovações, e ilimitada reverência pela tradição.”[4]


       Quem faz a cabeça do povo é o capitalismo, que exacerba nosso lado mais individualista e narcisista. E promove 24h por dia a deseducação da sociedade ao estimular o consumismo, a competitividade, a ambição de riqueza, o “salve-se quem puder”. 


       Noam Chomsky[5] enumera os recursos do sistema para evitar a consciência crítica: o entretenimento constante (vide a programação de TV); disfarçar os abusos como necessidades, como o aumento das tarifas dos transportes (“Medidas que são, na verdade, prejudiciais à população por favorecer os interesses escondidos de uma minoria, passam a ser implantados como se fossem garantir benefícios em comum”); tratar o público como criança e manter a consciência infantilizada; fazer a emoção prevalecer sobre a razão; manter o público na ignorância e na mediocridade, como a linguagem cifrada utilizada nas matérias sobre economia; autoculpabilização (sou o único responsável por meu fracasso ou sucesso); convencer que a grande mídia sabe mais do que qualquer pessoa etc. São o que Chomsky denomina as “armas silenciosas para guerras tranquilas”. 


       O PT governou por quatro vezes os municípios de Maricá (RJ) e Ipatinga (MG), assegurando grandes benefícios às suas populações. Em 2022, Bolsonaro venceu nos dois turnos nas duas cidades.


       Isso significa que é real o risco de a direita voltar à presidência da República em 2026. Por mais benefícios que o governo Lula venha a garantir ao povo brasileiro. Qual é, então, a saída? Como evitar que isso venha a ocorrer?


Educação política


       Só há uma alternativa: intenso e imenso trabalho de educação popular, pelo método Paulo Freire, utilizando dois recursos preciosos que o governo dispõe, a capilaridade e o sistema de comunicação. Capilaridade seria adotar a pedagogia paulofreiriana na formação dos agentes federais em contato com os segmentos mais vulneráveis da população, como saúde, IBGE, Embrapa etc. Por que não incluir no Bolsa Família, que atende mais de 21 milhões de famílias, uma terceira condicionalidade, além da escolaridade e da vacina? Seria a capacitação profissional. Além de propiciar qualificação aos beneficiários, de modo a que possam produzir a própria renda, as oficinas de capacitação seriam pelo método Paulo Freire. Mulheres que se inscreverem para se capacitarem em oficinas de culinária e costura, por exemplo, aprenderiam esses ofícios segundo o método que desperta consciência crítica.


A rede de comunicação do governo federal

       O outro recurso é a EBC – Empresa Brasileira de Comunicação -, poderoso sistema de comunicação em mãos do governo federal, desde a “Voz do Brasil”, ouvida diariamente por 70 milhões de pessoas.


       A TV Brasil, Canal 2, rede de televisão pública, conta com 50 afiliadas em 21 estados. Em 2021, ficou entre as 10 emissoras mais assistidas do país. O sistema de rádio EBC engloba 9 emissoras próprias em 2 estados e no Distrito Federal. A EBC dispõe do maior sistema de cobertura nacional de rádio, com 14 rádios afiliadas. A Rádio Nacional é uma rede de emissoras da EBC. É formada pelas seguintes emissoras: Rádio Nacional do Rio de Janeiro (alcance em todo o território nacional por transmissão via satélite); Rádio Nacional de Brasília; Nacional FM (Brasília); Rádio Nacional da Amazônia (sede em Brasília, mas programação voltada para a região Norte); Rádio Nacional do Alto Solimões (Tabatinga, AM); e as Rádios MEC e MEC FM (Rio de Janeiro).


       A comunicação do governo federal dispõe ainda da Radioagência Nacional, agência de notícias que distribui áudios produzidos pelas emissoras próprias da EBC e emissoras parceiras. Segundo a estatal, mais de 4.500 emissoras de rádios utilizam os conteúdos da Radioagência. E a Agência Brasil, focada em atos e fatos relacionados a governo, Estado e cidadania, alcança 9,19 milhões de usuários por mês. 


       Há ainda o Portal EBC, plataforma na internet que integra conteúdos dos veículos (Agência Brasil, Radioagência Nacional, Rádios EBC, TV Brasil, TV Brasil Internacional) da Empresa Brasil de Comunicação e da sociedade em um único local. 


       A EBC, além de gerenciar as emissoras públicas federais, também é responsável pela formação da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). A RNCP visa estabelecer a cooperação técnica com as iniciativas pública e privada que explorem os serviços de radiodifusão pública. Atualmente, a rede conta com 38 emissoras espalhadas por todo o país.  


    Dentro da política da RNCP, a EBC pode solicitar a qualquer tempo canais para execução de serviços de radiodifusão sonora (rádio FM), de sons e imagens (televisão) e retransmissão de televisão por ela própria ou por seus parceiros. São as chamadas Consignações da União. Atualmente, 13 veículos são operados dessa forma em todo o país: TV Brasil Maranhão, com o Instituto Federal do Maranhão; TV UFAL, com a Universidade Federal de Alagoas; TV UFPB, com a Universidade Federal da Paraíba; TV UFSC, com a Universidade Federal de Santa Catarina; TV Universidade, com a Universidade Federal do Mato Grosso; e TV Universitária, com a Universidade Federal de Roraima.


       Imagina o leitor ou a leitora toda essa rede voltada para o despertar da consciência crítica do público. Basta para isso mudar a chave epistemológica, passar da lógica analógica, que apenas se foca nos efeitos dos problemas sociais, à lógica dialética, centrada nas causas dos problemas sociais. 


       Quando vemos na TV campanhas em favor de quem tem fome, em geral aparecem indicações de locais de coleta de alimentos e doações de cestas básicas. Em nenhum momento o noticiário levanta as perguntas: por que há pessoas com fome? Por que não têm acesso aos alimentos? É natural que haja abastados e famintos? Como superar essa desigualdade? 


       Há muito a fazer para conscientizar, organizar e mobilizar o povo brasileiro. Recursos existem. E há vontade política por parte de Lula e da Secretaria Geral da Presidência da República, monitorada pelo ministro Márcio Macedo. Faltam apenas maior empenho, produção de material para os veículos de comunicação social e verba para que o governo disponha de uma rede de educadores populares de, no mínimo, 50 mil pessoas!


Frei Betto é escritor e educador popular, autor de “Por uma educação crítica e participativa” (Rocco) e, com Paulo Freire, “Essa escola chamada vida” (Ática), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org


[1] Abortion, Contraception, and Population Policy in the Soviet Union, David M. Heer.


[2] A Geography of Russia and its Neighbors", do geógrafo Mikhail S. Blinnikov


[3] Arquivo da CIA: The USSR and Illicit Drugs: Facing Up to the Problem.


[4] Psicologia das massas e análise do eu, 1921.


[5] Mídia – propaganda política e manipulação, São Paulo, Martins Fontes, 2013.


 Frei Betto é autor de 73 livros, editados no Brasil e várias dessas obras também no exterior. Você poderá adquiri-los com desconto na Livraria Virtual – www.freibetto.org  Ali os encontrará  a preços mais baratos e os receberá em casa pelo correio. 



Copyright 2023 – FREI BETTO – AOS NÃO ASSINANTES DOS ARTIGOS DO ESCRITOR - Favor não divulgar este texto sem autorização do autor. Se desejar divulgá-los ou publicá-los em qualquer  meio de comunicação, eletrônico ou impresso, entre em contato para fazer uma assinatura anual. – MHGPAL – Agência Literária (mhgpal@gmail.com) 

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

SÍNDROME DA CASA GRANDE * Alfredo J. Gonçalves-DF

SÍNDROME DA CASA GRANDE

Parafraseando a metáfora de Gilberto Freire, os moradores da Casa Grande sempre odiaram o pobre sem eira nem beira, o negro, o indígena, o migrante, o povo de rua, muitas vezes a mulher, enfim, aqueles(as) que, de alguma forma, lhes são diferentes, estranhos - "outros". A Casa Grande mantêm um ódio figadal por tudo o que vem da ou cheira à Senzala.

Em tempos idos, quando o rádio surgiu como grande novidade, a Casa Grande escarnecia dos pobres e migrantes que, a partir da cidade, levavam um rádio para os parentes do interior. "Pobre metido a rico", diziam com requintes de desprezo...

Depois, foram o fogão, a televisão e a geladeira que apareceram como objetos cobiçados. Novamente aqui, quando os pobres e migrantes enchiam os porta-malas dos ônibus da Itapemirim, São Geraldo ou Gontijo com essas novidades, a Casa Grande atiravam-lhes olhares oblíquos e com mal disfarçado desdém...

Mas esses olhares se encheram de veneno quando chegou a moda da TV a cores e sobretudo da antena parabólica. Pobres e migrantes faziam sacrifícios inauditos para presentear os pais e irmãos da roça com essas imagens coloridas. A Casa Grande comentava que a tal antena não se adaptava aos casebres miseráveis. Muitos destes sequer tinham estrutura para a novidade, sendo necessário construir um suporte adequado.

Não foi diferente com os casos da moto, do celular ou do computador... a Casa Grande sempre tinha o olhar atravessado quando pobres e migrantes "se metiam" a consumir coisas que "não lhes pertenciam". Capazes de passar fome para comprar o que não podem, não sabem economizar para o futuro...

Pior ainda quando veio o carro e a possibilidade de viajar ao "norte"/nordeste de avião. Que é que essa gente está pensando? - se interrogavam com ironia. Em vez de comprar o necessário, ficam tentando imitar os ricos. Por que não se contentam com o que possuem? Como se somente os privilegiados da Casa Grande pudessem desfrutar da tecnologia e das novidades que ela colocava no mercado!...

É isso! Quem nasceu e cresceu na Casa Grande odeia ver pobres, negros, indígenas e migrantes nos aeroportos e aviões, nos shopping-centers e praias, nos hotéis e casas com algum tipo de luxo, nos colégios e hospitais particulares, nos carros de classe média e nos clubes... como se gritassem com raiva que "o lixo deve estar lixo", deixando o luxo para quem o merece ou desde o berço o herdou...

O ódio chega ao limite, porém, quando um pobre nordestino, vindo lá do sertão de Pernambuco, passa a trabalhar como metalúrgico; mas, ao invés de se contentar com seu lugar, junto com outros companheiros toma o comando do sindicato, depois inventa de fundar o PT e, como se nada fosse, começa a disputar o cargo de Presidente da República. Tenta uma, duas, três vezes... Até que na quarta vez sobe vitoriosamente a rampa do Palácio do Planalto, morando no Palácio da Alvorada. Onde já se viu tamanha ousadia?!...

Mais grave ainda, consegue eleger a sua sucessora. Depois... Bem, depois as forças da Casa Grande, elite branca, se organizam, depõem a Presidente Dilma e levam à cadeia o tal "nordestino atrevido", colocando-o, agora sim, "no seu devido lugar"...

Contudo, a teimosia e a resistência venceram o mal e o medo. Tendo deixado a prisão, o nordestino sem mestrado nem doutorado candidata-se novamente à Presidência da República e... Vence as eleições, apesar de todas as fraudes, armadilhas, dinheiro e truques das forças da Casa Grande. Não há perdão para um "pecado" dessa natureza, para tamanho atrevimento. Daí os dentes arreganhados, as unhas afiadas, os olhos ensaguentados de tantos tigres raivosos...

A Casa Grande, histórica e estruturalmente, jamais suportou que alguém da Senzala ousasse invadir seu território. Enquanto a Casa Grande é movida a benesses e privilégios, a Senzala é movida a favores. Ora, estes últimos são efêmeros, dependem do humor do senhor, ao passo que aqueles são intocáveis. Quando a Senzala tenta transformar os favores em direitos e em dignidade humana, os senhores da Casa Grande apelam para o chicote, o tronco, o capataz, o capitão do mato, a polícia ou e exército... Definitivamente, o esquema da Casa Grande & Senzala mostra-se, uma vez mais e sempre, incompatível com a democracia!

Alfredo J. Gonçalves
Brasília, 06/01/2023

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

CONSCIÊNCIA * Wladimir Tadeu Baptista Soares / Cambuci/Niterói - RJ

 CONSCIÊNCIA 

É preciso consciência negra,

Consciência indígena, 

Consciência da pobreza.

É preciso consciência das desigualdades,

Consciência das injustiças,

Consciência dos privilégios. 

É preciso consciência da história, 

Consciência da memória,

Consciência dos quilombolas.

É preciso consciência das mentiras,

Consciência da verdade,

Consciência do cinismo.

É preciso consciência da hipocrisia, 

Consciência da demagogia,

Consciência da realidade.

É preciso consciência das maldades,

Consciência da desfaçatez,

Consciência da miserabilidade.

É preciso consciência da coragem, consciência da oportunidade,

Consciência das possibilidades. 

É preciso consciência da esperança,

Consciência da mudança, 

Consciência do amor.

É preciso consciência da fraternidade,

Consciência da solidariedade,

Consciência do cuidado.

É preciso consciência da empatia,

Consciência da alegria,

Consciência da compaixão. 

É preciso consciência da liberdade, 

Consciência da dignidade,

Consciência da razão. 

É preciso consciência da vontade, 

Consciência das necessidades,

Consciência da paixão. 

É preciso consciência ambiental,

Consciência da violência, 

Consciência do ilegal.

É preciso consciência da diversidade, consciência da pluralidade, consciência da revolução. 

É preciso consciência da covardia, consciência da intolerância,

Consciência do preconceito e da discriminação. 

É preciso consciência de cidadania, consciência da nostalgia, consciência do que fomos, do que somos e do que queremos e podemos ser.


Wladimir Tadeu Baptista Soares 

Cambuci/Niterói - RJ 

Nordestino 

wladuff.huap@gmail.com 

20/11/2021

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