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domingo, 17 de outubro de 2021

Toda solidariedade ao Povo Kaingang * Marize-Pará Reté / RJ

TODA SOLIDARIEDADE AO POVO KAINGANG
VANGRI KAINGANG

A situação de violência vivida por várias famílias indígenas em suas terras, em várias partes do Brasil é no mínimo revoltante, e por não aceitar me calar, quero compartilhar o que Vãngri Kaingang, pessoa que conheço desde os tempos da ocupação do prédio do Antigo Museu do Índio (RJ), que passou a se chamar Aldeia Maracanã, está sofrendo junto de sua família e também de outros parentes que não aceitam arrendamento em terras indígenas, na esperança de que as pessoas que lerem este documento, possam finalmente entender que o modo que empresas e prefeituras agem seguindo uma política econômica de entreguismo de nossos recursos naturais, de destruição do meio-ambiente e da vida de tudo que pisa este planeta, é também responsabilidade nossa, a situação que Vãngri e vários Kaingang estão vivendo no RS, bem como vários indígenas no Brasil, não é de conhecimento da maioria dos brasileiros, pelo simples fato de que o agronegócio financia a mídia oficial, portanto, é preciso explicar como isto acontece, explicar o que o agronegócio vem fazendo em algumas terras indígenas que cooptam lideranças, injetam dinheiro para que estes comecem a fazer o papel de influenciar outros indígenas, que o plantio de monocultura é bom e trará "progresso" à comunidade. Fundam uma cooperativa para escamotear o arrendamento da terra e vão cobrando por sacas produzidas. Os que não aceitam, vão sendo expulsos ou mortos por uma milícia que estes grupos constituem. Vãngri, liderança Kaingang é de nosso grupo da Aldeia Maracanã da origem. Está fazendo medicina na UFRGS. É escritora, artista plástica e foi expulsa ontem (16/10/2021) de sua casa na terra indígena da Serrinha junto com sua família. Por várias vezes a polícia federal foi acionada, assim como a FUNAI e o Ministério Público. Ninguém deu resposta e ontem na madrugada cinco pessoas foram torturadas e assassinadas.


Esta é a política do agro que expulsa indígenas, do Pop que mata, do agro que é corrompido por milicianos com disfarce de cacique, dos políticos que estão nas câmaras cujas campanhas são financiadas por eles, dos prefeitos e governadores e até do atual presidente da República que fecha os olhos a toda economia predatória que estamos vivenciando neste país e que são beneficiados por este tipo de política. O que quero deixar bem explícito neste documento é que ele é um pedido de socorro e de consciência para os seres humanos, pois estamos vivendo uma crise hídrica não vista
nos últimos 100 anos, sem chuva, não haverá água e sem ela não haverá vida. Nada é mais importante neste momento que a sobrevivência de nossa espécie e ela têm como linha de frente um povo que luta em defesa da vida: da sua vida inclusive. Denunciem nas redes sociais, lutem conosco, exijam políticas que defendam as florestas, os animais, você! As futuras gerações agradecerão. Portanto, esta luta precisa salvaguardar a vida daqueles e daquelas que estão na linha de frente. Não se cale, lute conosco!

Marize-Pará Reté (Presidente da Associação Indígena Aldeia Maracanã e Coordenadora do ISPO-Aldeia Jacutinga).

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