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sábado, 8 de outubro de 2022

DESNAZIFICAR O BRASIL * Antonio Barbosa - sociólogo/CE

DESNAZIFICAR O BRASIL

 Uma maior exposição da região Sudeste na mídia engana sobre o peso real dos governadores na definição de votos no segundo turno. (Atualizado com os dados da Paraíba)

O anúncio do apoio dos governos de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, cria um efeito midiático de cortina de fumaça que pode enganar alguns menos atentos, mas, só para termos noção dos reais pesos entre os governadores do Sudeste e Nordeste em favor de Lula e Bolsonaro, apresento abaixo uma totalização de maioria dos votos no primeiro turno nas regiões Sudeste e Nordeste.

a) Total de votos de Maioria na região Sudeste para Bolsonaro - 2.433.431


São Paulo - 1.749.957


Rio de Janeiro - 984.103


Espírito Santo - 262.682


Minas Gerais (maioria de Lula) - 563.311


b) Total de votos de maioria por estados do Nordeste para Lula - 13.235.519


Bahia - 3.825.482


Ceará - 2.200.528


Pernambuco - 1.927.384


Maranhão - 1.619.593


Piauí - 1.111.111 (tirou onda com tanto 1)


Paraíba - 837.452


Rio Grande no Norte - 641.448


Alagoas - 621.411


Sergipe - 450.110


c) Quando confrontados estes dois números, temos uma diferença favorável a Lula de 10.802.088


Lembrando que no Nordeste a tendência pode ser de crescer um pouco mais.


Do mais, é sempre importante lembrar que eleição se ganha é nas ruas e nas redes!


Lula 13 neles! 

Antonio Barbosa - sociólogo/CE

sexta-feira, 27 de maio de 2022

VAI TER GOLPE? * Frei Betto / SP

VAI TER GOLPE?


Frei Betto / SP

(Creio que o golpe já foi dado, diante da certeza dos milicos em apresentar, sem nenhuma preocupação eleitoral, um plano de governo até 2035, destacando-se o propósito totalmente antipopular de cobrar pelo SUS a partir de 2025.

Agora só falta, como num teatro, abrir as cortinas.)

*

      Meu pai lutou contra a ditadura de Vargas. Esteve preso e assinou o “Manifesto dos Mineiros”, estopim político que detonou o regime de terror implantado pelo caudilho.

      

Meu pai, em 1945, acreditou que nunca mais o Brasil seria governado por outra ditadura. A democracia havia recuperado fôlego.

      

Em 1962, troquei Belo Horizonte pelo Rio, disposto a me dedicar à política estudantil em âmbito nacional. Jânio Quadros havia sido eleito presidente da República em 1961 e renunciado oito meses depois. Houve breve período de instabilidade política. A Constituição, entretanto, prevaleceu, e João Goulart, vice de Jânio, tomou posse.

      

Como candidato, Jânio visitou Cuba em março de 1960 e, poucos dias antes de renunciar, condecorou Che Guevara com a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a principal comenda da República. Para os setores conservadores, era mais um sinal de que o país se deslocava da órbita dos EUA para a comunista. De fato, não eram os países socialistas que atraíam o governo de Jango. 


Era a coalizão dos Não Alinhados que congregava 115 países decididos a ficarem distantes das grandes potências. 

      

Tal independência, contudo, foi encarada pela Casa Branca como alinhamento ao comunismo. Na polarização da Guerra Fria entre EUA e a União Soviética, Tio Sam não admitia neutralidade.

      

Na política interna, Jango apregoava o óbvio: promover reformas de base, como a agrária, tão necessárias ao Brasil ainda hoje. Movimentos sociais, como as Ligas Camponesas, davam respaldo às intenções do governo. 


      Diante das mobilizações de apoio à política reformista de Jango, a direita brasileira, monitorada pela CIA, como hoje comprovam documentos oficiais, desencadeou articulações para impedir que as estruturas anacrônicas do país, tão convenientes aos interesses dos EUA e à elite agroindustrial, fossem alteradas. O fantasma do comunismo ocupou as manchetes da mídia. Entidades foram fundadas para aglutinar as forças de direita, como o IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática). Havia cheiro de golpe no ar...

      

As forças progressistas, no entanto, não tiveram suficiente olfato para captá-lo. Acreditavam que as mobilizações populares, comandadas pela UNE (União Nacional dos Estudantes), a CGT (Comando Geral dos Trabalhadores) e os partidos progressistas e grupos de esquerda (PC, PCdoB, Ação Popular etc.) haveriam de conter qualquer aventura golpista.

      

 Líderes da esquerda garantiam que Jango estava firmemente respaldado por um fiel “esquema militar”. Tinha em mãos o controle da situação. Embora as ruas do país fossem ocupadas pelas Marchas da Família com Deus pela Liberdade, encabeçadas por um sacerdote estadunidense remetido pela CIA ao Brasil, a democracia não sofria ameaça. 


Oito anos de ditadura de Vargas (1937-1945) haviam imunizado o país do vírus golpista.

      

O dilúvio desabou em 1º de abril de 1964. Sem disparar um único tiro, as Forças Armadas derrubaram o governo constitucionalmente eleito, rasgaram a Constituição e disseminaram o regime de terror que cassou políticos e lideranças sociais, prendeu, torturou, assassinou, fez desaparecer e/ou baniu do país militantes de movimentos populares, pastorais, sindicais e políticos. O regime de trevas durou 21 anos!

      

Hoje, o Brasil é governado por um cúmplice das milícias que ostensiva e repetidamente ameaça a democracia e promete sabotar as eleições presidenciais de outubro caso as urnas não lhe deem vitória. 


E, de novo, vozes se levantam em defesa da democracia e asseguram que ela está sólida. São vozes do Judiciário, do Legislativo, da grande mídia, e até de quem admite ter dado, em 2018, seu voto ao neofascista que ocupa o Planalto.

      

Enquanto Carolina, com seus olhos fundos,  vê a banda passar e guarda tanta dor, a defesa da democracia se sustenta, até agora, em mera retórica. “Eu já lhe expliquei que não vai dar / seu pranto não vai nada ajudar”, pois não há mobilizações populares. Não há ações efetivas do Judiciário, do Legislativo e dos movimentos sociais para acuar o presidente nos demarcados limites da Constituição. O tempo passa na janela e só Carolina não vê. 


Ninguém sabe o que pensam as Forças Armadas, exceto que não se queixam do “cala boca” de tantas mordomias asseguradas pelo capitão, que lhes abriu o cofre, encastelou milhares de militares nas estruturas de governo e convoca, altissonante, a população a se armar e desconfiar do processo eleitoral. 

      

Carolina vai continuar na janela e fazer de conta que não vê? Quem garante, hoje, que Lula será eleito e, se eleito, tomará posse? 

      

Frágil não é a democracia brasileira, e sim a nossa capacidade de, como povo, transformar a nossa indignação em mobilização. 

 

Frei Betto é escritor, autor de “O diabo na corte – leitura crítica do Brasil atual” (Cortez), entre outros livros. Livraria virtual:

https://www.ultrajano.com.br/vai-ter-golpe-por-frei-betto/

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sábado, 14 de maio de 2022

Xadrez de como será o golpe da urna eletrônica * Luís Nassif / GGN

 Xadrez de como será o golpe da urna eletrônica

Luís Nassif / GGN


*Ameaça de Jair Bolsonaro ao processo eleitorado, à sombra das Forças Armadas, é o golpe mais antecipado da história*

Luis Nassif - 9 maio 2022


Peça 1 – como será o golpe

O golpe será estritamente dentro dos princípios da guerra híbrida. O tema, mais que conhecido, serão as suspeitas sobre a votação eletrônica. Em algum momento, surgirá algum fato de impacto, ou um factoide ou um fato plantado digitalmente por alguma empresa inadvertidamente contratada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ajudar na segurança..


O episódio deflagará uma guerra de informações, tendo como fornecedores principais a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) e o CDCiber (Defesa Cibernética do Exército Brasileiro).


No meio da guerra, aparecerá a notícia de que Fulano de Tal, membro do Partido Tal, esteve no TSE no dia X, às XX:XX horas, encontrou-se como o Ministro Ypisolene e tratou do tema Alhures, devidamente grampeado. E Beltrano, advogado do político Y, esteve no Supremo Tribunal Federal e se encontrou no dia XXX, às XX:XX horas com o Ministro Dabliú. Em outro momento trocou a mensagem XXX com a autoridade ZZZ, e foi gravado dando informações reservadas para um jornalista.


E tudo isso será despejado em três grupos de mídia. O primeiro deles é francamente bolsonarista; o segundo é sem critério algum para filtragem de notícias, como se conferiu na cobertura da Lava Jato. O terceiro são as redes sociais.


E toda essa atoarda visará a opinião pública em geral, mas, principalmente, atrair para o golpe os componentes das Forças Armadas e das milícias armadas.


Tudo isso já é possível com os sistemas à disposição da da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência)  e da CDCiber (Defesa Cibernética do Exército Brasileiro).


Peça 2 – o acordo com Israel

Nos últimos dias, duas reportagens colocaram foco nos dois principais personagens  militares desse jogo.


Um deles é o comandante de (CDCiber), general Héber Garcia Portella, incluído no grupo de análise das urnas pela ingenuidade absurda do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso.


No dia 6 de maio, o repórter Paulo Motoryn, do Brasil de Fato, deu a reportagem política mais importante do ano. A reportagem “General que questiona eleições contratou empresa israelense de ex-chefe de TI de Bolsonaro” conta as estripulias foi general Portella, , assinando um acordo de cooperação com a CySource, empresa de cybersegurança israelense para monitorar as eleições brasileiras.


A firma tem como um de seus executivos o analista de sistemas Hélio Cabral Sant´anna, ex-diretor de Tecnologia da Informação da Secretaria Geral da Presidência da República no governo Jair Bolsonaro.


Segundo a reportagem, o acordo foi assinado presencialmente em 25 de março, em Tel Aviv. A nota da empresa dizia que haveria capacitação do exército em “análise de malware, fundamentos de rede, respostas a incidentes cibernéticos, red team, perícia forense digital e testes de intrusão a sistemas críticos”.


General Guido Amin Naves

O segundo personagem é o general de Exército Guido Amin Naves, que comanda o DCT (Departamento de Ciência e Tecnologia), que aparece na Folha de hoje, em reportagem de Vinicius Sassine e Marianna Holanda, “Bolsonaro tumultua eleição com dados de urnas tratados com discrição pelo Exército” que, apesar do título temeroso do jornal, traz boas informações. Inclusive a de que o general Portella – do CDCiber -, embora não tenha 4 estrelas, participa das reuniões com as cúpulas militares.


Não se trata apenas de mais um negócio envolvendo militares que passam para a reserva para poder negociar com o Estado brasileiro. Uma análise dos sistemas adquiridos pela ABIN e pela CDCiber reforçará a tese do golpe, dentro dos padrões da guerra cibernética..


Peça 3 – os sistemas adquiridos 


Todas as hipóteses imaginadas na Peça 1 já estão sob controle das duas instituições.


A ABIN teve um começo precário, em termos digitais. Com a entrada de novas pessoas, passou a se modernizar. Após 2016, o jogo digital mudou de escala, especialmente após as manifestações dos caminhoneiros em 2017. Mas a escalada começou definitivamente em 2018, o que reforça a suspeita, manifestada por alguns especialistas, da interferência de ambas as organizações na guerra digital das eleições de 2018.


As duas reportagens não avançam na descrição dos sistemas dominados pela ABIN e pelo CDCiber. Mas uma análise do que existe, hoje em dia, mostra um alcance que vai muito além da missão institucional das Forças Armadas, de defesa do território nacional contra inimigos externos. Os sistemas adquiridos permitirão um controle total sobre todas as atividades digitais internas, uma versão ampliada do chamado “capitalismo de vigilância” ou, para os mais antigos, dos “mil olhos do dr. Mabuse”, o clássico do cineasta Fritz Lang.  


Pesquisa em Fontes Abertas – Solução de busca em fontes abertas em geral, mas com funcionalidades adicionais, como a possibilidade de infiltração em grupos, perfis falsos criados em redes específicas para ter acesso a comunidades fechadas e inclusão de bots.


O que mais chama a atenção é a escala da aquisição. O contrato padrão permite monitorar 500 pessoas. O sistema adquirido permite 60 milhões de perfis, 2/3 da população digital brasileira com diferentes abordagens, como monitorar perfis específicos ou termos específicos.  Provavelmente foi desse  sistema que saiu a lista de funcionários públicos colocados em lista de suspeitos, por suas convicções políticas. Bastou colocar a relação de servidores no sistema, acionar algumas palavras-chave, para listar aqueles com comentários críticos a Bolsonaro.


Transcrição de áudios e reconhecimento facial – permite transcrever áudios por mais horas e traz funcionalidades de identificação facial.


Monitoramento físico –  Funcionalidades de tracking, com monitoramento físico de pessoas. A partir do código IMEI do celular – que é implantado em todo celular -, permite rastrear as pessoas, à medida que se deslocam fisicamente.Trata-se de um heackeamento de uma funcionalidade normal das operadoras. Cada operadora precisa saber a localização da antena do celular para mandar o sinal e cobrar a tarifação. Esse sistema criou uma operadora de telefonia fake para compartilhar as informações do sistema. O sistema pode ser operado a partir de qualquer computador, e não de terminais dedicados. Essa funcionalidade impede a identificação do servidor que opera o serviço e até abre a possibilidade de responsabilizá-lo por utilizações tratadas como indevidas.


O Geosense – Permite uma cerca geográfica em volta de um terreno. Quando algum número monitorado entra no terreno, o sistema acende um alerta. Digamos que haja um mapeamento do Instituto Lula. E uma lista ilimitada de pessoas sob acompanhamento. Qualquer uma delas que chegue no local será imediatamente identificada.


Rastreamento digital – Permite rastrear o investigado não pelo número de telefone, mas pela navegação na Internet. A partir de seu endereço de origem, pode-se levantar todas as buscas feitas no Google ou em serviços específicos, inclusive em nível institucional.


O mapeamento de IPs – Tribunais, instituições, todas têm IPs fixos. Com esse sistema, pode-se monitorar uma organização inteira. E com o tratamento do metadados, pode-se extrair todo tipo de informações. Esse sistema foi inspirado no vazamento da NSA. Uma empresa privada percebeu que poderia implementar uma parte da tecnologia. O Brasil proíbe que as operadoras divulguem os blogs da Internet. Mas a empresa alega ter mapeado 93% de todo tráfego de Internet em suas bases e fornece – ilegalmente – para seus clientes, entre os quais, a ABIN e o CDCiber.


Hackeamento de celulares – Também foi adquirido o sistema Pegasus, israelense, que permite invasão e hackeamento de celulares.


Peça 4 – contratos sigilosos 

Alguns dos contratos são mantidos sob sigilo no Diário Oficial, sem aparecer o nome da empresa. Uma das soluções mais invasoras  foi adquirida em dezembro de 2020. A legislação interna obriga a publicação do extrato com valor e nome da empresa. Para impedir a divulgação, o contrato foi celebrado fora do território nacional, embora com empresa brasileira. No Diário Oficial da União aparece apenas a compra, o valor, e o dia, sem menção à empresa.


Em 2021, essa mesma empresa celebrou contrato com o TSE, oferecendo serviços de segurança por valores muito baixos. Essa mesma empresa tem contratos mais antigos com a própria ABIN. Ela fechou o primeiro contrato que apresentou como motivo para dispensa da licitação a segurança nacional.


As ilegalidades não param aí. Há dois anos, a ABIN adquiriu drones. Seis meses atrás esses drones começaram a sobrevoar a residência do governador do Ceará. A família percebeu, chamou a polícia que prendeu a dupla que operava os drones. Descobriu-se que eram da ABIN. A agência preferiu jogar a responsabilidade nos dois servidores.


Em outubro de 2021 uma comitiva de 7 pessoas da ABIN viajou para os emirados, na mesma época em que Carlos Bolsonaro seguiu para lá com uma enorme comitiva. Dois meses depois soube-se da aquisição de sistemas para monitoramento de fontes abertas.


Peça 5 – as providências a serem tomadas

Em país democrático, as providências óbvias seriam os procuradores do Ministério Público Federal levantarem os sistemas e definirem regras claras de uso e de garantia da privacidade dos cidadãos.


Se o STF, a Procuradoria Geral da República e o Ministério Público do Distrito Federal não agirem a tempo, as cenas desenhadas na Peça 1 serão concretizadas. Será o golpe mais antecipado da história, sem tanque nas ruas, mas com um grande acordão, que garanta os privilégios, os empregos e os negócios militares na vida nacional e o comprometimento irreversível do modelo democrático no país.


https://jornalggn.com.br/destaques-luis-nassif/xadrez-de-como-sera-o-golpe-da-urna-eletronica-por-luis-nassif/


Impressionante…

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quarta-feira, 24 de junho de 2020

Por Que Fora Bolsonaro * Frente Revolucionária Dos Trabalhadores - FRT/BR

Por que Fora Bolsonaro
Eis o conluio contra o
FORA BOLSONARO

As contradições da exploração capitalista se aprofundaram tanto nas últimas décadas, devido à intensidade do seu carácter monopolista, que ninguém vê mais nenhum sinal de desenvolvimento econômico em nenhum lugar do mundo. Aliás, o que mais se constata são falências, fusões de conglomerados empresariais, migrando para regiões sem proteção jurídica ou política contra modos predatórios de exploração, tanto de mão-de-obra quanto de recursos naturais ou industriais. 

Esse fluxo de contradições atingiu seu auge nos últimos vinte/trinta anos e todos podemos constatar o que ocorreu na Europa - com os êxodus migratórios -,  na América - com a predominância de mão-de-obra latina e asiática -, e as crises súbitas de falências econômicas, como as ocorridas na Grécia, na Alemanha, na Inglaterra, e, por conseguinte, nos EUA, que acabaram por levar o "inconcebível" a acontecer: a eleição no coração do mundo capitalista de um negro, de classe média, profissional liberal - advogado - praticamente sem nenhuma projeção política: Barack Obama.
 

A falência política, econômica e moral que se abateu sobre o mundo capitalista naquele período foi o caldo lamacento que afogou os barões do capital - mesmo sob o guarda-chuva do sistema bancário -  e cortou-lhes a via de acesso ao cenário político. Isso abriu caminho para algum oxigênio no mundo da esquerda, que desde a queda do Muro de Berlim, não levantava a cabeça. A acensão da esquerda, a presença da China junta com a Russia e a Índia no mercado mundial, mostrou ao bloco imperialista que um novo poder havia nascido das sombras, nas suas barbas. 


Esses momentos conturbados no âmago do capitalismo geram um descontrole tão grande na sua conduta que seus próceres saem aloprados por aí em busca de fontes de receita. E vão parar aonde as condições apresentam mais facilidades. Assim, o mundo asiático - tigres asiáticos - a África e a América Latina, de repente, se tronam "eldorados".  As guerras no médio oriente geram dividendos rápidos, com o mercado de armas, minérios, contrabandos, drogas naturais e sintéticas etc. Mas a presença do novo poder ascendente - China e Rússia - diz a que veio e entra no jogo. assim, logo as fontes que antes pareciam promissoras, viram fracassos. 

Na África os problemas civilizatórios impedem - ate certo ponto - a exploração sem altos custos das imensas jazidas naturais de minérios e pedras preciosas e a solução se torna apelar para o instrumento bélico. Assim, a promoção de guerras inter-tribais ou entre nações vão garantir algum fôlego lá nas bolsas de valores. Porém, investir em guerra o tempo todo dá prejuízo, tanto pela perda de vidas - que vão virar contestação por aí - perca de mão-de-obra, de infra-estrutura, e até de fontes primárias. Aí entra a necessidade de mudar de rumo e os urubus caem aonde a carniça se anuncia: não há mercado mais promissor e pacífico do que a América Latina. Desde a produção de cocaína, do negócio com armas, do contrabando de minérios de alta preciosidade - litio, nióbio, ouro e pedras preciosas em geral - o sub-continente é a fonte que pode financiar a compra de governos volúveis, a derrubada dos queixudos, e, por que não, a eliminação de algum inoportuno. A eleição de governos progressistas ao sul não vai assustar "os donos do poder". A própria produção doméstica vai financiar o negócio todo.

Dessa forma, o imperialismo - para alguns yankee, para outros norte-americano, e oriundo de outros quadrantes para muitos - limpa o teatro de guerra e assume o comando. Não mais FMI, nem blocos regionais ou câmaras de comércio setoriais. Agora, "Sir Soros, Sir Rotchild, seu isso e seu aquilo" vão assumir os seus lugares no comando da chibata. É nesse contexto que assistimos aos últimos e tão corriqueiros golpes na América Latina. Do Chile ao México, as fraudes eleitorais, os golpes juridico-empresariais, a indústria das fakenews, e o apodrecimento do tecido social através da aliança crime organizado-aparelho de estado com milícias, polícias e narco-tráfico compartilhando o cachimbo da paz. Com essa embalagem, desde Cuba e Nicarágua, passando por Honduras, El Salvador, Peru e Colômbia, as ameaças imperialistas não descansam os coturnos. O resultado são as farsas contra Dilma-PT, encarceramento de Lula, caçada a Evo Morales, pressão e bloqueio econômico contra a Venezuela e as tropas norte-americanas acampadas na Colômbia.

É dentro disso tudo que nasce Bolsonaro. A falta de opções levou à solução Bolsonaro. O apodrecimento das lideranças políticas da direita no Brasil, afogadas até à alma em corrupções, roubos, fraudes, crimes comuns, narcotráfico e contrabando atiraram a burguesia no pântano da milicianada. Juntas viram-se na contingência de cometerem mais crimes, e meteram os pés pelas mãos: desde o golpe 2016 não pararam de se fartar às custas da ilegalidade, criando investigações para culpar e preder quem poderia atravessar seus caminhos e aí foi LAVAJATO pra todos os gostos. Como citei acima, a prisão de Lula foi a garantia de concorrer sem concorrente, pois o nome substituto não possuía o mesmo peso, o que não descartou o coringa na manga: a fraude. Ela envolveu todo o sistema eleitoral mais as fontes de financiamento de propinas. Daí, o sistema bancário. A burguesia precisava assegurar-se da vitória a qualquer custo para pôr fim a todo resquício de "bem-estar--social" promovido pelas gestões Lula/Dilma/PT. Precisava jogar no lixo tudo que se aspirava de direitos sociais, todos os direitos trabalhistas e previdenciários e pôs em risco inclusive as garantias constitucionais, como liberdade de imprensa, de expressão, de inviolabilidade do espaço pessoal, da privacidade, e quem diria, até de magistrados . Para reforçar esse envenenamento do oxigênio político, garantiu a eleição do maior número possível de elementos da escória miliciana, capazes dos piores atos que se possa imaginar, como por exemplo, o financiamento de delinquentes, devidamente doutrinados, para realizar atos de intimidação do judiciário, do parlamento e, por incrível que pareça, até do espaço público, uma vez que instalaram um acampamento em via pública próxima ao Palácio do Planalto e passaram a governar o local. Para isso, tinham um destacamento para-militar denominado "300 do Brasil", comandos por uma miliciana treinada na Ucrânia chamada Sara Winter, atualmente presa.

Poderia seguir enumerando os feitos do capital imperialista no Brasil para garantir o saque das nossas riquezas, mas o pouco citado já por si só justifica a nossa expressão FORA BOLSONARO. Precisamos entender que a pessoa não possui essa "entourage", própria de um "capo fascista". Ele é apenas um excremento da sociedade. Nunca prestou para nada. Mas o CAPITAL precisava de um fantoche e ele cumpriu esse papel. Disse CUMPRIU, porque já foi descartado, já recebeu "sua parte" e ´ja repassou a seus donos tudo que eles querem: trilhões de $$$.  Portanto, a origem da nosso lema é mais do que justa: FORA BOLSONARO / MOURÃO, com cassação da chapa e convocação de eleições gerais já!

Há segmentos sociais relutantes, sobretudo aqueles alinhados ao PT, pois o Sr Lula vem estimulando a acomodação da militância petista, e tem até um argumento para justificar isso, dito em  entrevista lá atrás das grades: deixar o Bolsonaro se desgastar pra cair sozinho, pois derrubá-lo empossaria o Mourão, em sua opinião, muito pior. Ora veja, a chapa é completa e o crime cometido por um atinge também o outro. Logo, se derrubarmos um, vão ambos. Por isso, o surgimento de tantos manifestos e cartas e chamados a formação de frentes, cada vez mais amplas, incluindo inclusive membros do golpe2016. É em função disso que a campanha pela derrubada do fascismo em nosso país ainda não ganhou as ruas, ou seja, falta vontade política e unidade na ação. E como 2020 é ano eleitoral, está todo mundo pisando em ovos, temendo escorregar no teatro  político. Com isso, o oportunismo eleitoreiro está correndo solto, e até a consigna FORA BOLSONARO já encontrou desvios como STOP BOLSONARO. 

Não há dúvida de que é muito mais interessante para o capital um Bolsonaro de bambolê do que esse brucutu desembestado que está aí. Com isso, Sir Lula continuaria, tranquilamente, fazendo lives e recebendo diploma Doctor Honoris Causa por aí e não teria que ir as ruas xingar o seu semelhante... Atualmente não se consegue mobilizar nenhuma direção de partido ou de entidade social para atos públicos, com exceção da "Causa Operária", que tem necessidade de aparecer pra conquistar legenda no PT e lançar seus candidatos. 
(24/06/2020)
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