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sábado, 8 de outubro de 2022

DESNAZIFICAR O BRASIL * Antonio Barbosa - sociólogo/CE

DESNAZIFICAR O BRASIL

 Uma maior exposição da região Sudeste na mídia engana sobre o peso real dos governadores na definição de votos no segundo turno. (Atualizado com os dados da Paraíba)

O anúncio do apoio dos governos de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, cria um efeito midiático de cortina de fumaça que pode enganar alguns menos atentos, mas, só para termos noção dos reais pesos entre os governadores do Sudeste e Nordeste em favor de Lula e Bolsonaro, apresento abaixo uma totalização de maioria dos votos no primeiro turno nas regiões Sudeste e Nordeste.

a) Total de votos de Maioria na região Sudeste para Bolsonaro - 2.433.431


São Paulo - 1.749.957


Rio de Janeiro - 984.103


Espírito Santo - 262.682


Minas Gerais (maioria de Lula) - 563.311


b) Total de votos de maioria por estados do Nordeste para Lula - 13.235.519


Bahia - 3.825.482


Ceará - 2.200.528


Pernambuco - 1.927.384


Maranhão - 1.619.593


Piauí - 1.111.111 (tirou onda com tanto 1)


Paraíba - 837.452


Rio Grande no Norte - 641.448


Alagoas - 621.411


Sergipe - 450.110


c) Quando confrontados estes dois números, temos uma diferença favorável a Lula de 10.802.088


Lembrando que no Nordeste a tendência pode ser de crescer um pouco mais.


Do mais, é sempre importante lembrar que eleição se ganha é nas ruas e nas redes!


Lula 13 neles! 

Antonio Barbosa - sociólogo/CE

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Derrotar o Bolsonarismo como importante passo para rearticular as forças populares * FRT/PCTB

 MANIFESTO ELEIÇÕES 2022


Derrotar o Bolsonarismo como importante passo para rearticular as forças populares
ESPECIAL LEONARDO STOPPA
DESNAZIFICAR O BRASIL

1 - O crescimento do fenômeno bolsonarista expressa sem dúvidas, o avanço de tendências fascistóides no interior da sociedade brasileira (e mundial). Isso é produto direto da crise geral do capitalismo, que aponta claramente para o recrudescimento da barbárie social: o regime burguês sustentado na exploração e opressão sobre o povo trabalhador, parece caminhar para ativar seus limites "absolutos";

2 - Neste sentido, os países de capitalismo dependente e subdesenvolvidos são convocados a pagarem o maior preço da crise estrutural, aprofundando qualitativamente o arrocho e a miséria de nosso povo, a profunda depredação de nossas riquezas sociais e naturais, para socorrer as taxas de lucros e o padrão de vida luxuosos dos grandes magnatas do capital;

3 - Para garantir tal padrão selvagem de acumulação, a burguesia títere brasileira tem necessariamente de lançar mão de regimes de força, que controle a ferro e fogo o movimento popular dos trabalhadores;

4 - Nestas condições, o avanço das tendências de fascistização no país, corresponde às próprias necessidades imperativas da atual fase de acumulação de capital dependente. E, neste caso, a barbárie bolsonarista é o produto inerente, objetivo mesmo, dessa conjuntura histórica, caracterizada pela crise generalizada do modo de produção burguês por um lado, e profunda crise de direção da classe operária por outro;

5 - Concretamente falando: a atual paralisia e apatia do movimento dos trabalhadores e sua vanguarda, fortalece as posições da extrema direita no país; e tal avanço do monstro fascista corresponde um sério risco, que deve nos deixar alertas;

6 - Diante de correlação de forças tão adversa ao proletariado e sua vanguarda, pensamos que no imediato e taticamente falando, não podemos permitir uma vitória eleitoral de Jair Bolsonaro e assim facilitar a completa fascistização do conjunto do aparelho estatal no país, fator que pode de forma real, fazer avançar ainda mais as posições da extrema direita e consequentemente as engrenagens de um Estado policial-terrorista contra as organizações operárias;

7 - Diante de tal conjuntura histórica concreta, avaliando a correlação de forças entre as classes, defendemos o voto crítico em Lula. Deixamos claro aos trabalhadores que não nutrimos qualquer ilusão quanto ao caráter de classe e os limites históricos do petismo e do lulismo. No entanto, comparar o oportunismo social democrata lulista com o fascismo bolsonarista, é cair no mais infantil e trágico ultraesquerdismo "anarquilóide";

8- É imperativo a rearticulação de uma autêntica esquerda revolucionária e de vanguarda no país. Que se disponha a fazer avançar um duro e sistemático trabalho de enraizamento no interior da classe operária e seus aliados, minando dessa forma o crescimento da extrema direita . Em tal perspectiva a Frente Revolucionária dos Trabalhadores faz um chamado aos demais agrupamentos da esquerda brasileira, para que possamos dar juntos passos concretos, visando colocarmos de pé uma vanguarda comunista e revolucionaria, que se prepare para a mudança da maré histórica que logo ocorrerá na arena real da luta de classes e assim, não sermos pegos de surpresa.

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domingo, 4 de setembro de 2022

CARTA CONTRA AS REMOÇÕES FORÇADAS AOS CANDIDATOS E CANDIDATAS ÀS ELEIÇÕES DE 2022 * CAMPANHA DESPEO ZERO

CARTA CONTRA AS REMOÇÕES FORÇADAS AOS CANDIDATOS E CANDIDATAS ÀS ELEIÇÕES DE 2022

CAMPANHA DESPEO ZERO


Os movimentos e organizações articulados no âmbito da “Campanha Despejo Zero - Em defesa da vida no campo e na cidade” levantaram que, entre março de 2020 e maio de 2022, ao menos 125 mil pessoas foram despejadas de suas casas e outras  569 mil encontram-se ameaçadas de remoção. Tratam-se de processos que não foram iniciados com a pandemia do coronavírus e sequer serão encerrados com o fim dela. Pelo contrário, os despejos e remoções forçadas tem sido parte estruturante da (re)produção de nossas cidades, atingindo famílias de baixa renda, em situação de vulnerabilidade, que são expulsas muitas vezes pela própria intervenção do Estado no território.


Temos notado que são cada vez mais recorrentes os casos de famílias que já passaram por mais de uma remoção, evidenciando a situação de insegurança permanente vivida pelas famílias mais vulneráveis e em situação de rua. 


Até o momento, mais de 20 mil idosos, 21 mil crianças e 75 mil mulheres já foram despejadas desde março de 2020. A perda da moradia impacta também no acesso a outros direitos já que o acesso às escolas, creches e UBS, por exemplo, estão muitas vezes vinculados ao endereço em que as famílias vivem. 


Por essas razões, a Campanha Despejo Zero elaborou uma *carta-compromisso contra as remoções forçadas aos candidatos e candidatas nas eleições de 2022*, para, diante de situações de ameaça de remoção, possam atuar no sentido da permanência e das melhorias de condições habitacionais.


Para assinar a carta-compromisso, basta preencher o formulário: 

*https://bityli.com/DespejoZero*.

terça-feira, 19 de julho de 2022

Tigrada na jaula mas com porta aberta * João Batista Damasceno / RJ

 Tigrada na jaula mas com porta aberta

João Batista Damasceno 
domingo, 17 de julho de 2022 - O DIA


Ao fim da ditadura empresarial-militar foi difícil recolocar a tigrada na jaula. Todo o esforço de parcela da sociedade por um pacto civilizatório não eliminou as ameaças à democracia, porque a porta da jaula ficou aberta. Neste momento a tigrada ruge, incomodando a ordem democrática. No seio do regime empresarial-militar havia, dentre outros, os oriundos do movimento tenentista de 1922, socializados para o convívio com a parcela não fardada da sociedade e com melhor formação intelectual, e a Linha Dura, amestrados para a truculência. A disputa entre estes dois grupos foi analisada com maestria por Paulo Mercadante, no livro ‘Militares e Civis: A Ética e o Compromisso’.


http://resistencialirica.blogspot.com/2022/07/tigrada-na-jaula-mas-com-porta-aberta.html 


A derrota, em 1974, do partido que apoiava o regime propiciou que os militares, estrategicamente, iniciassem o processo de volta aos quartéis antes que fossem apeados do poder. Isto enfureceu a Linha Dura que passou a sabotar o próprio regime que compunha. Em 12 de outubro de 1977 o general-presidente Ernesto Geisel exonerou o todo poderoso ministro do Exército Sylvio Frota, antes que este desse um golpe. O general Augusto Heleno, então capitão, era o ajudante de ordens do ministro golpista. O general Hugo de Abreu participou da articulação para exonerar Sylvio Frota. Exonerar um ministro é banal numa democracia. Mas não numa ditadura. Dois meses depois Hugo de Abreu foi defenestrado do governo e escreveu um livro, narrando o infortúnio de ser oposicionista numa ditadura, intitulado ‘O Outro Lado do Poder’. Sylvio Frota também escreveu livro narrando as bandalheiras do poder militar: ‘Ideais Traídos’.


O general-presidente Ernesto Geisel tentou racionalizar os crimes do regime, implantado o Projeto Radar, com lista de pessoas do Partido Comunista Brasileiro (PCB) que deveriam ser mortas para que a redemocratização lenta, gradual e segura acontecesse sem abrir a possibilidade de influência dos comunistas no meio operário. A Linha Dura queria endurecer ainda mais um regime que sequestrava, torturava, matava, desaparecia com pessoas e roubava os bens de suas vítimas. Afastada do poder a tigrada não se aquietou. Ao contrário, passou a colocar bombas em instituições públicas e residências de articuladores da reabertura. Foram colocadas bombas na Câmara de vereadores do Rio de Janeiro, na ABI, na OAB, na casa do advogado Marcelo Cerqueira, na casa de Roberto Marinho e em bancas que vendiam jornais alternativos e de oposição.


A lei de agosto de 1979, que anistiou presos políticos que se opuseram ao regime, igualmente anistiou os agentes do Estado e grupos paramilitares. Mas muitas das bombas foram colocadas pela ‘direita explosiva’, depois da lei que anistiou fatos passados. A última bomba foi a do Riocentro que explodiu em 30 de abril de 1981 no colo dos terroristas oficiais. O sargento Rosário morreu em serviço e o Capitão Machado sobreviveu, seguiu carreira e foi reformado no posto de coronel. O Exército protegeu o terrorista, segundo relato do Almirante Bierrenbach, ex-ministro do Superior Tribunal Militar.


As ameaças e assassinatos que estão sendo realizados pela direita arruaceira no presente momento não é resultado da polarização eleitoral. Todas as eleições diretas após a redemocratização foram polarizadas. Mas o único atentado efetivamente ocorrido foi em 2010 quando uma bolinha de papel acertou a cabeça do candidato José Serra, jogada pelos mata-mosquitos da SUCAM, que haviam perdido os empregos. Não é a polarização política nem as armas as responsáveis pelos assassinatos. Quem mata são pessoas e estas são as responsáveis. Igualmente tem responsabilidade política quem incentiva este tipo de incivilidade.


O assassinato de Marcelo Arruda, em Foz do Iguaçu, enquanto comemorava seu aniversário, é expressão do que é capaz a tigrada, que tem sido incentivada a tais comportamentos, tal como Donald Trump incentivou a barbárie no Capitólio. O arranjo institucional que possibilitou a redemocratização do país conteve a tigrada quando foi pega com a bomba no colo no Riocentro, a mandou de volta aos quartéis e a enjaulou. Mas deixou a porta aberta, o que a deixa à vontade para nos mostrar os dentes. Se a Lei da Anistia tivesse sido revista, porque o Estado não se pode anistiar por seus atos; se os autores de atos terroristas posteriores à Lei da Anistia tivessem sido responsabilizados e se não tivesse havido tolerância com as pregações contra a democracia e apologia à tortura, inclusive no âmbito do Congresso Nacional, a tigrada saberia o seu lugar. Mas ainda é tempo de rever a Lei da Anistia e impor responsabilização aos algozes das liberdades, com cessação das remunerações e pensionamentos indevidamente pagos aos que deveriam ter sido destituídos de seus postos, por indignidade para a função.


Publicado originariamente no jornal O DIA, em 16/07/2022, pag. 14. Link: https://odia.ig.com.br/opiniao/2022/07/6443452-joao-batista-damasceno-tigrada-na-jaula-mas-com-porta-aberta.html

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sábado, 26 de junho de 2021

LULA MAS ATÉ QUANDO? * MARLENE SOCCAS / SC

LULA  MAS ATÉ QUANDO?

 Cada  vez me convenço mais que  Lula  não  aprendeu  nada  com  o  golpe que  deram nos Trabalhadores e  no  Brasil, em 2016,   nem  com  a  sua prisão , onde leu  vários  livros.  Ele não  entendeu  nada  da  luta  dos  trabalhadores.  Não percebeu, ou não quer perceber,   que  os  BANQUEIROS ganharam  muito  mais, com  os  governos do  PT , com  Lula e com Dilma,  do  que  ganharam os  trabalhadores.  Lula  não  aprendeu  que  nossos  trabalhadores perderam, com o golpe, todos  os direitos  que foram  arrancados à  burguesia,  com  muita  luta,  desde  antes , durante  e  depois  do  governo  Getúlio  Vargas.


Lula  não  entendeu  que  são  os  trabalhadores  que  precisam  estar  no  poder ( e  não  somente  no  governo) para  alcançarem  a  libertação  da  exploração  que  sofrem no  sistema  capitalista,  e  que  podem  e  devem  conquistar  o  poder para  se  libertarem dessa  exploração ,  e,  além  disso,  libertarem  todas  as outras  demais  classes oprimidas  e  exploradas  pelos  capitalistas ,  construindo o sistema  socialista,  onde  a  figura  do  patrão desaparece,  com  o  desaparecimento da  exploração  do  trabalho  do  Homem  por  outro Homem.  Lula  não  fez  o  que  os  Trabalhadores  mais  precisavam: acabar  com  a  exploração capitalista, nem fez qualquer tentativa, nos 40 anos do PT, de colocar aos trabalhadores os passos iniciais desta grande luta . 


Lula  nunca  percebeu  isso  porque  nunca  teve  consciência  de  classe. Na verdade, Lula nunca entendeu direito o que é Exploração de Classe, muito embora tenha sofrido na pele tudo o que ela representa.  E  como  não  tinha essa Consciência de Classe,  como nunca  aprendeu  o  que  é  uma  escravidão  assalariada, ele  jamais  pensaria  em  libertar a  classe dos  trabalhadores  dessa  escravidão  assalariada. 

A  consciência  de  Lula  só  vai  até  aí, como ele mesmo diz, no texto acima, de sua autoria :  salário,  emprego, renda, direitos,  coisas que  podem  ser  retiradas  no  próximo golpe,  da  maneira  mais  fácil,  como nos aconteceu  no  golpe  de  2016  ,  sem  nenhuma  greve  geral consistente, planejada e forte, sem  nenhum  apito  de  fábrica. Lula não  aprendeu  nada,  em  40  anos de  História  do  Brasil e do  Partido  que  ele próprio  ajudou a  criar. Não aprendeu que esse   golpe  pode  ser  novamente  dado,  quando  a  Burguesia entender  que o  trabalhador  está ganhando muito, mas que  merece  é  relho  nas  costas  para  nunca pensar  em ser  mais  que  um  animal  de  carga.


 Por isso, é necessário que os Trabalhadores do Brasil ultrapassem Lula, ultrapassem o PT, mesmo votando em Lula para derrotar o Bolsonaro, mas que se livrem de sua ideologia social democrata, que nada mais é do que a perna esquerda da Burguesia, para iludir e enganar os Trabalhadores, para que continuem,  sem questionar, a serem submissos á ditadura do Capital, á ditadura  da Burguesia, aos interesses da Burguesia, saindo de um golpe, para sofrerem outro, logo alí adiante, alguns anos depois.


Como já aconteceu com o Brasil, de 1954 a 2016. Por isso, é necessário que os Trabalhadores fiquem independentes da ideologia do Partido dos Trabalhadores e de Lula. Podem até votar em Lula, enquanto não aparece uma liderança superior ao Lula,  mas sabendo direito dos limites que configuram um governo do PT, ou seja,  bilhões para os banqueiros versus esmolas para os trabalhadores,  que serão retiradas depois,  exatamente como  aconteceu com golpe de 2016, bastando, para isso, aprenderem com o que representou  a Reforma Trabalhista e a Reforma  da Previdência.


Ficou muito claro  que logo ali, mais á frente, quando a Burguesia entrar em crise novamente,  nas famosas Crises do Sistema Capitalista, que acontecem de tempos em tempos,  mais ou menos de 12 em 12 anos, que são globais, e que não podem ser evitadas, posto que são da essência do capitalismo,   ela, a Burguesia  vai retomar tudo de volta. Como tem sido feito, desde a tentativa de golpe em Getúlio Vargas, em 1954,  levando-o ao suicídio,  e que com esse gesto, ele suspende, momentaneamente, o golpe. Que se concretiza,  depois,  em João Goulart, em 1964,  levando-o ao exílio e á morte. E se repete, em 2016, levando Lula á prisão, desmantelando toda a economia do País. Atacando uma Classe Trabalhadora, sem a menor proteção de seus Sindicatos, em sua grande maioria , pelegos, e que hoje sofre um desemprego de cerca de 14,4%, atingindo 14,4 milhões de Trabalhadores, o golpe mostrou que tinha endereço certo: minar a Classe que poderia ter salvo o Brasil.   


Os Trabalhadores precisam saber muito mais do que um simples aumento de salário, que vai ser engolido pela própria inflação.  Os Trabalhadores precisam saber muito mais o que significa não trabalhar para nenhum patrão, mas sim, trabalhar para si próprios, se apossando de uma riqueza que eles  próprios construíram. Os Trabalhadores precisam entender que a riqueza somente é criada pelo Trabalho, e que, se são os Trabalhadores que criam as riquezas, elas tem que ser geridas pelos próprios trabalhadores, em benefício de toda a classe dos Trabalhadores e de todo o Povo.    

 

MARLENE SOCCAS / Criciúma-SC, 24 de junho 2021.


terça-feira, 22 de junho de 2021

CONJUNTURA ELEITORAL VIA 22 * George Kunz /PCTB

CONJUNTURA ELEITORAL VIA 22



Dino e Freixo vão para o PSB.

ESQUERDA PRECISA DE PARTIDOS FORTES

NÃO DE PARTIDOS PARA CARREIRAS INDIVIDUAIS


O governador do Maranhão, Flávio Dino, e o deputado federal Marcelo Freixo, do Rio, foram para o PSB. Dino saiu do PCdoB, e Freixo do PSOL.

Tanto PCdoB quanto PSOL apresentam muitos problemas de identidade política e ideológica em relação a uma coerente política de esquerda, democrática e popular.


Mas, certamente, mesmo com suas debilidades, são siglas mais programáticas e menos fisiológicas do que o PSB.


A sigla na qual Dino e Freixo agora desembarcam teve, por exemplo, maioria de deputados federais em apoio ao bolsonarista Arthur Lira (PP-AL), cacique do “Centrão” (Direitão), para a presidência da Câmara.

Muitos dos deputados do PSB votaram a favor do golpe parlamentar do “impeachment” em 2016.


E em Recife, seu candidato eleito à prefeitura, João Campos, recebeu a adesão do MBL na campanha eleitoral. Este grupelho fascista, o MBL, aderiu a Campos numa campanha histérica e extremista de que “o PT não pode voltar, a esquerda não pode voltar, são a desgraça do Brasil”. Não foram repudiados nem sequer desmentidos.


Estes poucos episódios mostram que o “socialismo” do PSB limita-se ao nome da sigla e é um escárnio a qualquer posição efetivamente socialista.

Dino e Freixo vão para o PSB pelo que consideram conveniências eleitorais. Podem se discutir tais “conveniências”. Mas é estranho que se troque de partidos na base de supostos cálculos eleitorais.


Pelo menos é estranho ao que deva ser uma política de esquerda.

A adesão a um partido político, a dedicação de um militante de esquerda a seu partido, são atos centrais desta militância.


Um militante de esquerda sabe – ou deveria saber – que partidos de esquerda, populares, e democráticos, são essenciais à política de esquerda, à democratização profunda da vida nacional, à necessária solução dos gravíssimos problemas sociais que afetam nosso sofrido povo. E isso vale ainda mais para militantes, quadros destacados, em posição de liderança.

Então não se pode pensar em política de esquerda que fique ao sabor do “socialismo” do PSB.


NITIDEZ POLÍTICA E IDEOLÓGICA

É INDISPENSÁVEL À ESQUERDA


Freixo, na sua projetada campanha ao governo do Rio, contratou, segundo noticiado, o marqueteiro Renato Pereira para dirigir sua campanha. Entre outras, Pereira foi o idealizador do pato golpista da Fiesp, e dirigiu campanhas de Eduardo Paes, Pedro Paulo, Cabral, Pezão (todos políticos da direita do estado do Rio).


O ex-deputado do PSOL chamou Raul Jungmann, carreirista com décadas de oportunismo, ex-ministro de Temer, para elaborar seu programa de segurança.


Se tais posições não favorecem uma política democrática e popular, têm um mérito. A quem é consequentemente de esquerda interessam posições as mais claras, tornar nítido qualquer escamoteamento político.

Freixo nunca se propôs ir além de uma carreira parlamentar, ou nos marcos do jogo da política burguesa.


No entanto, tinha (ainda tem em parte para desavisados) uma imagem de ser muito à esquerda, "socialista" - fosse assim, não teria sido apoiado pela Globo contra Crivella quando foi candidato a prefeito do Rio, em 2016.

Sua saída do PSOL tem o mérito de mostrar que ele está longe de ser tão de esquerda.


Pode-se dizer o mesmo da saída de Flávio Dino do PCdoB, uma legenda pretensamente comunista. Dino sempre foi o que os comunistas chamam acertadamente de companheiro de viagem.

Cada macaco no seu galho: vale para Freixo e o PSOL, Dino e o PCdoB.


O BURACO É

MAIS EMBAIXO


Na verdade, o enorme problema da esquerda institucional brasileira é a sua grande precariedade política, ideológica, e orgânica de seus principais partidos, de base democrática e popular, PT, PSOL, e PCdoB.


Isso é obscurecido diante da unidade imperiosa da luta contra Bolsonaro.

Mesmo essa unidade não se dá com poucos percalços, viciados que estão estes partidos na mera política puramente eleitoreira, submersa nos seus mesquinhos interesses particularistas.


O peso dos mandatos governamentais e parlamentares atropela a vida democrática desses partidos.


A vida democrática interna, a ligação com as bases populares, fundamentais a partidos populares, são abandonadas em favor de interesses eleitoreiros.

No PT, por exemplo, um partido "social-democrata tardio", ocorrem fraudes em processos eleitorais internos, sem que tais “eleições” sejam anuladas ou fraudadores punidos. Decisões vitais não são tomadas pelas instâncias de direção, mas por bancadas parlamentares.


No PCdoB há uma política que não tem como centro a unidade popular, fica-se muitas vezes a reboque de um político arrivista burguês como Ciro Gomes (recordista que já passou por uma dezena de siglas partidárias), e prega-se abertamente o abandono da própria identidade comunista.


O PSOL é muito mais uma federação de tendências do radicalismo pequeno-burguês, com peso crescente não apenas da política meramente parlamentar, mas também do identitarismo (que às vezes nem de esquerda é e se contrapõe à luta de classes).


Majoritariamente a esquerda deságua na candidatura Lula, o que é bom, mas, sem resolver seus problemas programáticos, estaremos todos condenados a novas acachapantes derrotas.


Não é à toa que a própria maioria petista – apesar das convulsões permanentes em contrário de setores da esquerda petista - foge como o diabo da cruz da avaliação crítica do período 2003-2016.


Evita-se a todo custo discutir o hábito de Lula chamar patrões de companheiros, o “companheiro” Meirelles (do Bank of Boston); aberrações como Palocci (que foi pioneiro em propor o “ajuste fiscal” como emenda constitucional), o Chicago boy Joaquim Levy como ministro de Dilma (gasolina na fogueira golpista), ou os cerca de R$ 700 milhões dados pelos “governos de esquerda” à Globo.


Precisamos mais do que nunca de partidos de esquerda fortes, ideológicos, consistentes politicamente, programáticos.

Sem isso não afirmaremos o Brasil como nação, não conseguiremos uma vida digna para o nosso povo; não faremos a necessária Revolução nem alcançaremos a libertação nacional e social. A luta pelo socialismo se limitará a palhaçada retórica sem qualquer efetividade, apenas servirá à demagogia de oportunistas.

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