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quinta-feira, 30 de novembro de 2023

SÍTIOS HISTÓRICOS DA DOR * Joãozinho Ribeiro/MA

SÍTIOS HISTÓRICOS DA DOR
Joãozinho Ribeiro(*)


Tive a imensa honra de participar nesta terça-feira, 28/11, na condição de artista convidado, da abertura simultânea de dois eventos bastantes significativos, fruto da cooperação internacional entre a Universidade de Licungo de Moçambique e a Fundação Souzândrade (Universidade Federal do Maranhão), a saber:

- 1ª Conferência Internacional sobre Contextos, Desafios e Possibilidade: Cooperação Fundação Souzândrade e Universidade Licungo de Moçambique.

- 2ª Conferência Internacional sobre Educação, Tecnologia e Cultura no contexto dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável.

Na breve fala que me concederam, antes de apresentar a canção inédita de minha autoria “Pequena Grande África”, fiz menção a dois acontecimentos que têm um elo de ligação bastante estreito: o tráfico e a comercialização de milhares de meus ancestrais escravizados, trazidos do continente africano, e desembarcados nestes espaços, onde estão sendo erguidos monumentos vinculados a estas memórias – o Cais de Valongo e o Monumento à Diáspora Africana.

O primeiro, localizado na região reconhecida popularmente como Pequena África, que compreende os bairros da Saúde, Santo Cristo e Gamboa, na cidade do Rio de Janeiro; o segundo, na recém inaugurada Praça das Mercês, no coração do Centro Histórico de São Luís, no tradicional bairro do Desterro.

Por ter passado grande parte da infância, adolescência e juventude nesta região da capital ludovicense, as águas da memória me conduzem, literalmente, para outras águas, quando ainda não havia sido construído o Aterro do Bacanga, e costumávamos tomar banho de maré, saltando de uma enorme pedra, situada nas imediações da Fábrica Oleama, uma das maiores indústrias oleaginosas da época do Maranhão.

Lembro também de muitas peladas disputadas num campinho, naquela localidade que chamávamos de “Dique”, e de uma curiosidade das irregularidades geográficas deste inusitado estádio, que abrigou memoráveis partidas entre times formados por inesquecíveis nomes do nosso futebol: Djalma Campos, Assis, Pindura, Pelé, Campos (goleiro do Moto Clube) etc. Este local, de certa forma também nos protegia das investidas da polícia, que costumava caçar os dedicados peladeiros, associados à vadiagem.

Além do completo desnivelamento, quem estivesse postado em uma das cidadelas (trave na linguagem popular) não conseguia enxergar a outra, pois o prédio de uma usina de arroz (Cruzeiro, se não me engano) impedia a visualização completa da outra meta. Só mesmo muita secura de bola para atuar naquelas condições e circunstâncias totalmente improváveis, com direito a torcida e ao concorrido “desafiado”.

No livro “Tia Ciata e a Pequena África no Rio de janeiro”, do pesquisador e cineasta carioca Roberto Moura, há uma destacada referência ao mercado de escravos de Valongo (1774 – 1831), situado na Pedra do Sal (memória da migração dos baianos e da criação dos ranchos carnavalescos). Logradouro também lembrado pela letra do poeta e compositor Aldir Blanc, na música em parceria com o também compositor e cantor João Bosco, censurada pelo regime militar, “O Mestre-Sala dos Mares”: “Salve o navegante negro / Que tem por monumento / As pedras pisadas do cais”. Na letra original o verso continha a expressão “almirante negro”, o que era considerado um verdadeiro acinte para as forças armadas.

A premiada arqueóloga carioca Tania Andrade Lima, em 2011, durante escavações na zona portuária do Rio de Janeiro, descobriu vestígios do Cais de Valongo, que haviam sido propositadamente soterrados; quem sabe para esconder a vergonhosa chaga da escravidão, e o local por onde se estima terem aportado mais de um milhão de africanos escravizados. Em 2017, o Cais de Valongo entrou para o rol dos doze sítios históricos da dor, assim reconhecidos pela Unesco, como locais de memória e testemunho de verdadeiras tragédias pelas quais passaram consideráveis contingentes de pessoas humanas. Agora, Patrimônio Mundial.

Uma das artistas negras maranhenses selecionadas para construir um dos painéis do Monumento à Diáspora Africana, a ser inaugurado no próximo dia 30 de novembro na citada Praça das Mercês, a escultora Tassila Custodes, em publicação divulgada recentemente na internet pelo Instituto Cultural Vale, ressalta a importância do monumento com a seguinte ressalva: “Obviamente, sem esquecer ou até mesmo sem romantizar todo o processo criminoso a que nossos antepassados foram submetidos.”

Conforme informações contidas nesta mesma postagem do Instituto Cultural vale: a Praça das Mercês abrigará o Monumento da Diáspora Africana, que busca visibilizar a contribuição do povo negro para a cultura e a identidade do Maranhão. Informações sobre as datas, os nomes dos portos de embarque, os nomes dos navios e a quantidade de africanos de diversas nações desembarcados no Maranhão entre os anos de 1693 e 1844. Oito artistas negros do estado elaboram painéis que irão compor um monumento para resgatar o enraizamento afro cultural deixado na culinária, na fé, na dança, nos ofícios e nos modos de fazer.

Cotejando estes informes históricos e arqueológicos, podemos inferir que também por aqui tivemos o nosso sítio histórico da dor, local matizado pelo desembarque de milhares de negros escravizados trazidos do continente africano. As proporções podem não ser equivalentes, porém a tragédia não pode e nem deve ser minimizada e/ou banalizada.

“Valongo, portal de tanta desdita / Um sítio, memória da nossa dor / Merece uma outra versão escrita / Com a letra e a tinta / Dos versos retintos da minha cor”

(*) poeta e compositor

domingo, 20 de novembro de 2022

NEGRITUDE DE LUTA E DE CLASSE * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

 NEGRITUDE DE LUTA E DE CLASSE 

NEGRÓIDE - TAIGUARA


OUVE MEU CANTO

NEGRA LINDA, AMADA

COR DA MADRUGADA...


E do meu canto

Nasce, cresce, vence minha esperança

Deixa eu cantar...

Quando eu canto sou mais negro, sou mais forte

Tenho a vida e tenho a morte

Liberdade, se ela é branca eu tenho o que eu quis


Pois do meu canto

Nasce, cresce, vence minha liberdade

Ganha do amor...

E o amor é bem maior que o preconceito

É mais meu que o meu direito

Faço dele o que eu quiser, sem lei, nem juiz


Se muito branco cantasse

Se o mundo me amasse

Se tudo pudesse ser mais feliz


OUVE MEU CANTO

NEGRA LINDA, AMADA

COR DA MADRUGADA.

A EXPOLIAÇÃO DO POVO NEGRO
*


O AGRO AGORA É QUILOMBOLA?

*
Nasce a Ocupação Luiz Gama, do MLB, no Rio de Janeiro!

✊🏾 Desde a noite de segunda-feira (14), mais de 70 famílias de trabalhadoras e trabalhadores ocuparam um prédio abandonado há anos no centro da cidade do Rio de Janeiro para denunciar a miséria, a fome e todo o descaso do governo fascista de Bolsonaro e, principalmente, para reivindicar o direito básico à moradia digna!

Ao ocupar o prédio, as famílias prontamente se organizaram para dividir os espaços e as tarefas de cada um, para garantir um creche para as crianças e uma cozinha para o preparo das refeições, garantindo que todos pudessem se alimentar. Com o trabalho coletivo dessas famílias, em poucas horas o prédio já estava completamente diferente.

A Ocupação Luiz Gama, como foi batizado pelas famílias, recebe esse nome em homenagem ao advogado, jornalista, escritor e um dos maiores abolicionistas do país, que ajudou a libertar mais de 500 negras e negros escravizados e lutou a vida toda pelo fim absoluto da escravidão.

Apoie a Ocupação Luiz Gama!
📌Endereço: Rua da Alcântara Machado, 24, Centro - Rio de Janeiro/RJ
*

No tempo da escravidão

A solidão é uma certeza

E no abraço do guerreiro

Nasceu o laço da firmeza

Pois o caminho do sertão

Está o cheiro da natureza

Mas no matuto da gratidão

Nasce o templo da burguesa

Na semente cresce o recomeço

E no galope nasce o vaqueiro.


Na tangente do sofrimento

Existe o ser da escolhida

Naquele prisma do silêncio 

Habita o corpo da alforria

Onde o engenho do perdão 

Ressurgi no ser da primícia 

E no misterio da tradição 

Vivi o sertão da harmonia

Na semente cresce o recomeço

E no galope nasce o vaqueiro.


GLOSA E MOTE: Joaquim Hudson.


DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA 


Morte de Zumbi 

Adquire significado 

O líder que aqui 

Deixou seu legado 

Onde se vê aqui 

Um lamento gerado 


Contar escravidão 

Quilombo é resistência 

E hoje a luta em ação 

Busca consciência 

Para que nossa geração 

Saiba da resiliência 


O povo africano 

Não é escravo não 

Foram vítimas de um insano  

Modelo de ação 

Um rito desumano 

Chamado escravidão


O legado da negritude 

Está aí para romper 

Qualquer tola atitude 

De racismo a se fazer 

Um crime tolo e rude 

Que pode sim prender 


O crime de racismo 

Não tem fiança 

É fruto de egoísmo 

E ignorância que se lança 

Num ato sem altruísmo 

De uma tola desconfiança 


A negritude construiu 

Cultura , língua e amor 

O sincretismo uniu 

E com vida mostrou 

Chegando no Brasil 

Este país multicor 


É preciso afirmar 

E consolidar a igualdade 

Onde é preciso buscar 

Uma grande verdade 

Para evitar 

Racismo ou desigualdade 


A lógica da igualdade 

Deve vir com firmeza 

Buscando uma sociedade 

Que preze pela singeleza

De buscar de verdade 

Amor com toda certeza


Djacyr De Souza.CE
























A EXPOLIAÇÃO DA ÁFRICA
DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA