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domingo, 23 de fevereiro de 2025

VIRA-LATAS COMPLEXADOS ABANAM A CAUDA PARA TRUMP * Emerson Barros de Aguiar/PB

VIRA-LATAS COMPLEXADOS ABANAM A CAUDA PARA TRUMP
Emerson Barros de Aguiar/PB


Quando trato de viralatismo é importante dizer não estou me referindo ao nosso querido e respeitável “cão caramelo”, oficialmente reconhecido como patrimônio cultural imaterial do Brasil por meio do Projeto de Lei 1897/23. O verdadeiro “vira-lata” é o direitista e o extremo-direitista que se envergonham da sua brasilidade, do seu povo e de sua história.
O fenômeno viralatista já foi cantado por Beth Carvalho em sua interpretação da canção “Corda no Pescoço”, de autoria de Adalto Magalha e Almir Guineto. “(...) morde o osso, mas da fruta que eles gostam, come até o caroço...”, dizia nossa afinada diva sambista, referindo-se ao cordão de puxa-sacos da gringaiada rica. Em sua composição “O Patrão Mandou”, Paulinho Soares tratou do mesmo tema: “O patrão mandou cantar com a língua enrolada. Everybody, macacada! Everybody, macacada! E também mandou servir uísque na feijoada. Do you like this, macacada? Do you like this, macacada? E ainda mandou tirar o nosso samba da parada. Very good, macacada! Very good, macacada!”

Jackson do Pandeiro, apesar do nome próprio anglo-saxão, também defendeu a nossa cultura frente ao “viralatismo”, ao cantar o primeiro verso da canção “Chiclete com Banana”: “eu só ponho be-bop no meu samba quando o Tio Sam pegar no tamborim..."

A expressão nelsonrodriguiana "complexo de vira-lata" sintetiza o sentimento de inferioridade e autodepreciação que a direita e a extrema-direita brasileiras nutrem em relação à sua própria cultura e identidade. O termo sugere que, diante de modelos estrangeiros considerados superiores, há uma tendência de minimizar ou desvalorizar as qualidades e realizações nacionais.

Os nazipobres, bonecos de ventríloquo da plutocracia rentista, acusaram injusta e falsamente o Ministro Haddad de aumentar impostos. Contudo, diante da tributação voraz de Trump, que anunciou a imposição de tarifas de até 25% sobre as importações, comemoraram.

Desde sua posse em janeiro de 2025, o presidente Donald Trump, implementou uma série de medidas tarifárias com o objetivo de proteger a economia americana e reduzir o déficit comercial, num conjunto de ações que incluem majorações brutais nas tarifas de importação e a introdução de novas taxas sobre produtos de diversos países.
Ao impor tarifas elevadas sobre produtos importados, Trump provoca os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, que tendem a retaliar com medidas semelhantes, numa escalada que cria um ciclo de represálias que torna o ambiente de comércio internacional cada vez mais tenso, imprevisível e instável. O aumento das tarifas encarece os produtos para os consumidores, induz à inflação, diminui o volume de comércio e gera incerteza no mercado, o que desestimula investimentos e afeta as cadeias de suprimentos globais. A adoção de tais medidas não só impacta negativamente a economia dos países envolvidos, mas também pode desencadear uma série de retaliações que só agravariam a já delicada situação econômica global.

O isolamento da economia norte-americana estimula retaliações de outros países, gera instabilidade e incerteza, prejudica a cooperação econômica e aprofunda crises em economias mais vulneráveis. Trump tenta favorecer a economia norte-americana de maneira artificial, sem resolver seus problemas estruturais de produtividade e competitividade. Em vez de promover um desenvolvimento sustentável, a sobretaxação sobre as importações apenas transfere os custos para consumidores e empresas que dependem do aço estrangeiro, resultando em aumento de preços e perda de eficiência. Esse tipo de barreira comercial também intensifica as desigualdades globais, prejudicando países fornecedores, como o Brasil, que têm no setor siderúrgico uma importante fonte interna de empregos e exportações. Trata-se de uma ação de imperialismo econômico, que impõe dificuldades para nações que competem no mercado internacional enquanto favorecem grandes corporações domésticas.

A cegueira imposta pelo viralatismo é tão grande que os pobres de direita saúdam as medidas trumpistas que prejudicam as exportações nacionais. O aumento das taxas sobre a importação de aço brasileiro, anunciado por Trump, afeta negativamente o Brasil ao encarecer os seus produtos no mercado norte-americano, reduzindo sua competitividade. Com a elevação dos custos, as exportações de aço ficarão menos atrativas, o que provocará uma queda acentuada na demanda por parte dos compradores. Essa redução nas vendas afetará a produção e os empregos no setor siderúrgico e nas indústrias que dele dependem, além de desequilibrar a balança comercial do país.

O paradoxo de celebrar o seu algoz, transcende o mero complexo de vira-lata e já ingressa no campo das enfermidades psicológicas. Quem desenvolve um vínculo afetivo com o seu agressor sofre de “síndrome de Estocolmo”, o fenômeno assim batizado pelo criminologista e psiquiatra sueco Nils Bejerottor, em que a vítima passa a demonstrar simpatia por quem a ataca. Comemorar medidas que só prejudicam o Brasil, é um ato patológico que confirma uma mentalidade de submissão e de comemoração do próprio prejuízo.

Os vira-latas direitistas admiradores de Trump se inspiram na invenção de Thomas Adams, o chiclete, que apesar de só levar dentada, ainda gruda no dente.

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sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

RACISMO E MERCADO DE TRABALHO * Rômulo Jr/PR

RACISMO E MERCADO DE TRABALHO

O problema é que a própria formação da classe trabalhadora no Brasil é fruto de uma herança escravocrata, colonialista, que tem o povo preto como um dos seus principais marcadores sociais, e isso não pode ser ignorado, pois é muito claro quando falamos de racismo estrutural.


Isso faz com que não seja possível discutir uma emancipação da classe trabalhadora sem falar no racismo enquanto estrutura fundadora da sociedade de classes que temos. O mercado de trabalho racista de hoje é o puro e concreto reflexo disto tudo, porém muito além disto vale acrescentar que o mercado de trabalho também é elitista e segregacionista.

Porém para compreender este processo de formação dentro de uma linha cronológica histórica, é preciso que se volte um pouco no tempo e se faça uma análise do período histórico do Brasil e do mundo desde o período do fim da "escravidão" em meados do início do fim do século XIX com a aprovação favorável pelo senado a favor da lei áurea criada pela princesa Isabel em 13 de maio de 1888 que aboliria, e colocaria o fim na era escravocrata no Brasil.

Período este marcado por grandes agitações e mudança na estrutura mundial, principalmente pelo mais impactante e tendencioso de todos eles, a Revolução francesa, que instaurava uma nova classe dominante mundial, hoje conhecida como burguesia. Este processo de mutação na estrutura dominante mundial, não deixaria de impactar de forma avassaladora o Brasil e toda sua estrutura econômica que ainda resistia como um dos únicos países a manter a utilização de mão de obra escrava em sua atividade econômica, enquanto as principais nações do mundo que se utilizavam do mesmo modelo de força de trabalho já haviam dado "liberdade" aos negros escravizados.

Diante disto era preciso pensar um plano de ação alternativo, para que a estrutura econômica agora regida por uma nova casta continuasse a funcionar e manter suas engrenagens, pois por mais que não houvesse mais mão de obra " escrava" o negro ainda continuava sendo negro, estigmatizado, pobre e sem nenhuma perspectiva de se auto sustentar ou alimentar-se, pois não trabalhava mais nos campos de engenho. Era " livre"; diante disto e de uma série de outras razões surge o" mercado de trabalho" que traria em seu DNA não somente toda a bagagem do período escravocrata colonialista nacional, mas também se apropriaria da necessidade de toda mão de obra necessária de negros, brancos, imigrantes e desprovidos de posses que fora gerado desta nova estrutura burguesa conhecida hoje como capitalismo.

O mercado de trabalho capitalista que fora criado para manter sua própria estrutura, utilizando-se de mão de obra barata, logo percebeu que devido a real necessidade dos negros, agora "livres", que poderiam colocá-los nos bolsões de suas estruturas e assim disponibilizar os "piores" cargos, afim de massagear o ego de uma parcela de trabalhadores, que se sentiam superiores por serem brancos, imigrantes ou descentes de europeus, e assim foi-se construindo o mercado de trabalho até os dias de hoje.

Contudo, não é difícil entender que o mercado de trabalho ao longo dos anos, foi formado apenas para ampliar o modelo de dominação/escravidão da classe trabalhadora e de bônus ampliou o modelo e o seu contingente, acrescentando em sua estrutura o pobre necessitado ao qual faz parte o negro "livre" , fruto do passado escravocrata, e tudo sob uma falsa óptica de liberdade, assim preenchendo o ego daqueles que não se enxergam pertencentes a esta engrenagem ou aqueles que são tidos com excepcionais ( Pelé, Milton Nascimento, Joaquim Barbosa) por terem 'vencido na vida", desconstruindo assim qualquer narrativa de um falso vitimismo. 

O mercado/sistema é PHDD.... Mas somente sobre a mente daqueles que não são críticos e não tem conhecimento de sua própria história!!!
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