sábado, 24 de junho de 2023

MANIFESTO DE APOIO À GREVE DA EDUCAÇÃO ESTADUAL RJ 2023 * SEPE RJ

MANIFESTO

As entidades signatárias deste manifesto vêm por meio deste publicizar o apoio aos profissionais da educação da rede estadual e ao seu sindicato, o SEPE-RJ, que estão
completando 30 dias de greve pelo cumprimento da lei Lei 11.738/2008, a lei do piso nacional da educação, e pela revogação da Reforma do Ensino Médio.

A proposta do governo do estado ignora o plano de carreira ao apresentar reajuste apenas para parcela da categoria que ganha abaixo do piso nacional.

É uma tragédia para a educação fluminense que seus profissionais da educação recebam o pior salário entre os Estados da federação. Não há justificativa para os funcionários(as) das escolas
estaduais receberem menos que um salário mínimo regional. Atualmente o seu salário base é de R$ 802,00 e o dos professores(as) de 18h, a maior parte da categoria, é de R$ 1.588,00.

Não há nenhum projeto que tenha como objetivo a consolidação de uma educação pública de qualidade que não passe por uma valorização dos trabalhadores e trabalhadoras da educação.

O que nos parece é que o projeto educacional do Governo do Estado tem muita propaganda e pouca qualidade. É impossível construir uma escola pública que tenha um ensino de qualidade sem o devido investimento na estrutura, sem a real valorização dos trabalhadores(as) da educação, bem como na permanência dos alunos. Em vez disso, o governo estadual vem descumprindo toda a legislação que regulamenta as verbas da educação. Cláudio Castro é mais um governador que deixa de aplicar os 25% do orçamento destinado pela constituição para a Educação e faz o mesmo com a parcela dos royalties que deveria ser investido nesta pasta.

Outra pauta desta greve que subscrevemos é o da revogação da Reforma do Ensino Médio e da BNCC. O que estamos vendo com o produto desta reforma, o Novo Ensino Médio, é muito grave. Matérias como o que “Rola na Rede” e o da receita de brigadeiro são o retrato do verdadeiro objetivo do desastroso NEM, substituindo disciplinas fundamentais para a formação crítica e reflexiva, avançando num projeto alienante que exclui os filhos da classe trabalhadora da formação de qualidade socialmente referenciada

Estamos juntos com os educadores do Estado do Rio de Janeiro pelo fim deste projeto neoliberal que visa formar trabalhadoras e trabalhadores cada vez mais precarizados.

ASSINE AQUI

APOIO:
FRENTE REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES/FRT
PARTIDO COMUNISTA DOS TRABALHADORES BRASILEIROS/PCTB
*

CAPANGA EVAIR DE MELO * FERNANDA COUZEMENCO / Século diário

CAPANGA EVAIR DE MELO
Foto: Pedro Valadares/Câmara dos Deputados
FERNANDA COUZEMENCO

O deputado federal Evair de Melo (PP) é um nome de destaque entre os políticos ligados a invasões de terras indígenas em diversos estados do país, listados no dossiê "Os Invasores – Parte II – Os Políticos", publicado pelo De Olho nos Ruralistas – Observatório do Agronegócio no Brasil.

O capixaba é um dos vice-presidentes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), onde se concentra a maior parte dos parlamentares financiados por empresários donos de fazendas sobrepostas a territórios de povos originários, e também integra a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Segundo o relatório – feito a partir do cruzamento de bases de dados fundiários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) –, 18 integrantes da FPA receberam R$ 3,6 milhões em doações de campanha de fazendeiros ligados a sobreposições em TIs. Além dele, destacam-se o presidente da frente, Pedro Lupion (PP-PR), outro vice-presidente, Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), a coordenadora política e ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PL-MS), e outros nove diretores.

A frente tem ainda três congressistas que possuem fazendas em terras indígenas registradas em nome de empresas ou parentes: o senador Jaime Bagattoli (PL-RO) e os deputados Dilceu Sperafico (PP-PR) e Newton Cardoso Júnior (MDB-MG).

No caso de Evair de Melo, a doação para campanha foi no valor de R$ 20 mil, segundo o dossiê, e partiu do fazendeiro Adelar Mateus Jacobowski, titular da Fazenda Frei Gabriel, que disputa uma área limítrofe à TI Menkü, no Mato Grosso, avançando em 2,58 hectares sobre o território.

No geral, o estudo conclui que, das 1.692 sobreposições de fazendas em terras indígenas – exposto na primeira parte do dossiê, publicada em abril –, "42 pertencem a clãs políticos nacionais e regionais [que], juntos, concentram 96 mil hectares em áreas sobrepostas a TIs — o equivalente à soma das áreas urbanas de Rio de Janeiro e Belo Horizonte". O Mato Grosso do Sul lidera entre os estados, com 17 casos, seguido de Mato Grosso e Maranhão, com sete cada.


"Essa frente política conta hoje com 300 deputados e 47 senadores, constituindo o principal bloco de oposição ao terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT)", afirma o Observatório, ressaltando que o presidente eleito "não recebeu nenhuma doação de invasores de TIs".

O número, salienta o documento, equivale a 58% dos assentos na Câmara e no Senado e é "mais que suficiente para aprovar projetos de lei e instaurar Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI)". Como exemplos, além da CPI do MST, estão a aprovação do PL 490/2023, que tenta legalizar a tese do Marco Temporal e fragilizar a homologação de terras indígenas no país. Essas ações parlamentares são ainda complementadas por campanhas do "braço logístico" da Frente, o Instituto Pensar Agro (IPA).

"As doações de invasores de terras indígenas aos membros da FPA possuem um caráter ideológico: entre os fazendeiros que promoveram campanhas ruralistas, cinco financiaram a tentativa de reeleição de Bolsonaro, em 2022. De Olho nos Ruralistas identificou 41 proprietários rurais com áreas incidentes em TIs que doaram para a campanha do ex-presidente. Esse grupo concentra 107.847,99 hectares em sobreposições — o mesmo tamanho de Hong Kong", pontua o documento.

O dossiê lembra ainda das ramificações internacionais da Frente, por meio de uma "cadeia de financiamento multimilionária composta por 48 associações do agronegócio, que recebem dinheiro de 1.078 empresas brasileiras e multinacionais — e repassam parte dessa verba ao Instituto Pensar Agro (IPA)", entre elas JBS, Cargill, Syngenta, Bunge, Amaggi e Bom Futuro, conforme detalhado no dossiê "Os Financiadores da Boiada", publicado em julho de 2022 pelo De Olho nos Ruralistas.

Prefeito de Linhares

Para além do Congresso Nacional, as invasões de terras indígenas também envolvem prefeitos de várias regiões do país. Do Espírito Santo, figura na famigerada lista o atual gestor de Linhares, no norte do Estado, Bruno Margotto Marianelli (Republicanos), que assumiu o cargo após Guerino Zanon (PSD), de quem era vice, desistir do cargo para concorrer ao governo do Estado, no ano passado.

Reprodução


Segundo apuração do Observatório do Agronegócio, a fazenda do prefeito linharense, Flor do Norte, está registrada em nome de seu pai, Zilmar Marianelli, e possui 273,27 hectares sobrepostos à TI Comexatibá, do povo Pataxó, no município de Prado, extremo sul da Bahia. "Em posse da família pelo menos desde 2010, as terras não aparecem entre os R$ 332 mil em bens declarados por Bruno durante as eleições de 2020", acrescenta o documento.

Bruno Marianelli também é apontado como membro de um grupo de fazendeiros que lidera a formação de uma rede de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) na região, como forma de evitar tanto a delimitação do território Pataxó quanto a ampliação do Parque Nacional do Descobrimento (PND). A RPPN de Marianelli foi criada em 15 de janeiro de 2010 pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação da TI Comexatibá, apresentado em 2006 pelas antropólogas Leila Silvia Sotto-Maior e Sara Braga I Gaia, cita o dossiê, "mostra que a proposta de manejo do entorno do PND apresentada pelos fazendeiros considerava como principal ameaça ao ambiente a 'invasão pelos índios Pataxó', ao mesmo tempo em que pintava os proprietários rurais como defensores do parque — apesar do farto histórico de desmatamento na região" e que "entre os proprietários que compuseram a iniciativa, o relatório lista Dionísio Marianelli, parente do prefeito capixaba".

As 72 páginas do dossiê listam vários outros parlamentares e prefeitos que atuam com veemência no ataque aos direitos dos povos indígenas e na criminalização de movimentos sociais que buscam a justiça fundiária no Brasil.

Com bases nos dados levantados, o Observatório pergunta: "Quem são os reais invasores de terras no Brasil? Os movimentos populares que lutam pela reforma agrária e pela demarcação de terras indígenas, direitos consagrados na Constituição de 1988? Ou os grileiros que invadem milhões de hectares na Amazônia, no Cerrado e nos demais biomas brasileiros? O que impacta mais a segurança pública e o ambiente: a ocupação temporária de poucos hectares dentro de fazendas improdutivas, buscando provocar uma reação política do Estado, ou mega invasões de áreas públicas, em geral acompanhadas de desmatamento, com fins meramente especulativos?"

sexta-feira, 23 de junho de 2023

INESQUECÍVEL SANDRINHA * Jorge Paiva.CE/CRITICA RADICAL

INESQUECÍVEL SANDRINHA
 Jorge Paiva.CE/CRITICA RADICAL


     No dia 23 de junho, sexta-feira às 17 horas, na Igreja de Fátima, haverá uma missa e concelebração da palavra em homenagem á nossa querida Sandrinha.

     Parafraseando Anselm Jappe, Sandrinha era de todas as lutas, de todas as iniciativas do Crítica, uma pessoa insubstituível, adorável, movida pelo mesmo ardor e pela mesma pureza de Rosa. 

     Ela sempre afirmava, quando surgiam obstáculos quase intransponíveis, que onde não haviam caminhos traçados nós voamos ( Rilke) 

     Esta lembrança faz irromper a dialética entre tristeza e alegria que acompanha o grupo. Tristeza porque  perdemos uma combatente imprescindível. Alegria porque o que ela plantou e regou começa a dar seus frutos. 

     Ah! Como ela abriria aquele seu sorriso inconfundível ao saber dos preparativos para o Encontro Transnacional.

    Um abraço Sandrinha!

     Sandra presente!

     Ontem, hoje, e sempre!

20/06/2023

*ATENÇÃO ATENÇÃO!*

 Jorge Paiva.CE/CRITICA RADICAL

     

     É urgente e necessário dizer a você o que está acontecendo.

     O capitalismo está no fim e quer nos arrastar com ele para o abismo. 

      *1-° prova* - Já foi anunciado que o desemprego alcança 800 milhões de pessoas.

     O sistema passou a eliminar o trabalho que constitui a substância do capital.

     Corta, portanto, o galho onde está sentado. Uma prova incontestável de que ele atingiu sua fronteira histórica.

     Daqui pode se originar uma dialética entre imanência e transcendência ao buscar a ruptura com o sistema. Ausência nas jornadas de junho de 2013 e lampejos na ocupação do Cocó.

     *2-° prova* - A política ficou subordinada á economia que gira em falso e com isso a dobradinha entre Mercado e Estado se esgota e seu reflexo imediato é  crise do trabalho, do dinheiro, da educação, da saúde, etc etc. O obscurantismo se pós - moderniza. O mundo do macho se desmancha. Recrudesce a intolerância sobre a diversidade sexual, o racismo e o feminicídio que vai a loucura exigindo que o conjunto do movimento social se fundamente, teórica e praticamente, na critica categorial ao sistema.

     *3-° prova*- O sistema não se desenvolve mais pois está no seu limite e o resultado é miséria, desemprego, violência, opressão, exploração, dominação, genocídio, ecoçídio , guerra, barbárie, inutilidade no ser humano, devastação da terra... evidenciando o fracasso do moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias.

     *4-° prova* - A verdade começa a ofuscar a mentira. Os donos do poder e seus administradores, tanto da direita, como do centro e da esquerda, não estão mais conseguindo esconder que a realidade encostou no pensamento da crítica radical do valor - dissociação. 

      As reflexões e ações dos que explicam as causas desta catástrofe e lutam para transformar o sistema, iniciam vôos emancipatórios confrontam-se com as medidas anunciadas para tentar salvar o capitalismo que estão dando n'água.

     *5-° prova* - o alerta da comunidade científica que afirma, que se não mudarmos essa situação de terra arrasada em curso, teremos apenas 10 anos para o não retorno da extinção da humanidade e da natureza. ( Ver livro   O Decênio  Decisivo - Proposta para uma Política de Sobrevivência do professor Luiz Marques da UNICAMP) 

     Mas, não se avexe não! 

     Irrompeu uma proposta inovadora capaz de enfrentar, derrotar, superar, e suplantar essa sociedade da infelicidade "dos Homens sem Qualidades  á Espera de Godot" (ver  livro do professor Robson de Oliveira da UFC).

     Vem aí o Encontro Transnacional da Emancipação Humana e Ambiental, a nossa libertação do capitalismo.

     Ele será precedido por um Pré-Encontro e ambos serão realizados em Fortaleza e no Sítio Brotando a Emancipação, o Sítio da Rosa da Fonseca.

     São pessoas daqui, do Brasil e de vários países que se encontrarão para iniciarmos a realização da maior façanha histórica da humanidade.

     Venha para acabarmos o sofrimento construindo a Emancipação Humana e ambiental.

     *Lançamento*-  FORCAS  NO FAROL DO TITANZINHO  22 de julho, sábado a partir das17 horas.

     *VAMOS Á LUTA PELA ALEGRIA DE  VIVER!*

ALEGRIA DE VIVER!

     Não existiam caminhos emancipatórios

  traçados. Agora, estão em gestação.

No amadurecimento da crise pulsa uma candente  transformação. Ela faz ganhar corpo uma reinterpretação sobre a  natureza da crise do capitalismo, como crise de sua fronteira histórica, de seu limite.

     Uma prova consistente disso vem das pesquisas recentes sobre o uso da I A. Ela prevê o desemprego de oitocentos milhões de pessoas. Se pensarmos que um de seus integrantes pertence a uma família de cinco componentes teremos a metade da população da terra atingida. Isso mostra que o sistema entrou num beco sem saída ao cortar o galho onde está sentado. Afinal, ao eliminar o trabalho  elimina-se  a substância do capital e como consequência a própria mais-valia ( mais- valor).

     Dos alertas sobre essas consequências, bem como das jornadas de junho de 2013 e a resistência heróica do Cocó que preservou o parque ainda não foram  retiradas as consequências teóricas e práticas para  a

emancipação. Um exemplo eloquente é a  guerra em curso  entre o Oriente e o Ocidente que exibe a disputa pela hegemonia mundial  se desenrolando no Titanic.

     Essas e  inúmeras outras informações demonstram um fracasso da modernização patriarcal capitalista. Mostram que suas administrações não querem ousar transformar o sistema. Apenas, e isto tanto a direita, o centro e a esquerda, refinam novos e velhos estratagemas para tentar salvar o capitalismo. Insistem em administrar sua barbárie e isto já está comprometendo a humanidade e o planeta.

    Uma  prova irrecusável vem da comunidade científica que prevê 10 anos para, se não mudarmos essa situação, entrarmos numa fase de sobrevivência dramática. A extinção em curso já não só mostra como escancara sua cara diante de nossos olhos e de toda a humanidade.

     Estamos então diante de irrefutáveis demonstrações para suplantarmos já o moderno sistema fetichista patriarcal produtor de mercadorias. Afinal, soou o alerta para darmos um fim na história das relações fetichistas e começarmos a história da emancipação humana e ambiental.

     Essas idéias permaneceram durante muitos anos como impensáveis e tudo foi feito para mantê-las desconhecidas. Suas realizações concretas foram consideradas impraticáveis. Mas,  agora, o impensável e o impossível resolveram marcar um encontro em Fortaleza/Sítio Brotando a Emancipação. Pois,  Fortaleza e Sítio sediarão o Encontro Transnacional Emancipação do Capitalismo.

Um evento de tamanha magnitude será precedido por um Pré- Encontro ( a data está em construção) para prospectarmos bem, teórica e praticamente, as complexas questões desta  almejada e até aqui inusitada façanha histórica.

     Vem aí uma arretada programação. 

 Impossível realizá-la sem você. Ainda mais, agora,  que reunimos melhores condições para acabarmos com a quase totalidade do sofrimento humano e ambiental.

     Basta de sofrimento!

     Basta de barbárie!

     Basta de guerra!

     Basta de capitalismo!

     Vamos á luta pela alegria de viver! 

     Emancipação ainda que tardia!

     Um abraço!


 Jorge Paiva.CE/CRITICA RADICAL

Centrão quer assaltar a Saúde * Dr Drauzio Varella&Gabriel Brito e Antonio Martins/Outraspalavras

Centrão quer assaltar a Saúde (II)
Drauzio Varella

É um pesadelo ver a pressão do centrão pelo Ministério da Saúde

Depois do que a Saúde sofreu nos últimos quatro anos vamos retroceder dessa forma humilhante?

Semana passada, passei quatro dias gravando o atendimento médico que a ONG Zoé presta aos habitantes das margens dos rios Tapajós, Guarapiuns e Amazonas.

Sair da correria infernal de São Paulo e cair no mundo silencioso dos ribeirinhos, gente simples que vive em contato íntimo com a natureza, devolve a paz que a cidade grande teima em nos negar. O Tapajós é um rio imenso, que chega a ter 18 km de largura, o Amazonas, nem se fala. Que geografia generosa a nossa.

Estava nesse estado contemplativo quando tive a infelicidade de receber um sinal de internet. Maldita hora.

Os jornalistas comentavam a notícia de que o assim denominado centrão pressionava o presidente para derrubar a ministra Nísia Trindade, com a intenção de entregar o comando do Ministério da Saúde aos deputados que compõem esse grupo.

Se possível "de porteira fechada", termo grosseiro que empregam quando pretendem preencher com apadrinhados todos os cargos com acesso às verbas governamentais.

Parecia um pesadelo: depois dos atentados criminosos que a Saúde sofreu nos últimos quatro anos, vamos retroceder dessa forma humilhante?

Justamente quando nos enchíamos de esperança de que uma profissional respeitada pelos que atuam na área iria organizar a reconstrução do ministério arrasado pela incompetência administrativa, pela estupidez e pelos desmandos de gente prepotente e despreparada para conduzi-lo?

O SUS é o maior programa de saúde pública do mundo. Nenhum país com mais de 100 milhões de habitantes ousou oferecer assistência médica a todos os habitantes. Em pouco mais de 30 anos, fizemos a maior revolução na história da saúde pública brasileira.

O que mais me dói quando vejo o mau gerenciamento do sistema, a falta de financiamento, as interferências políticas da pior espécie, a roubalheira desavergonhada e o desinteresse daqueles que contam com os planos de saúde, é que o SUS dispõe de tudo o que é necessário para funcionar bem.

Não há que inventar nada. Está tudo aí: o programa Estratégia Saúde da Família, em que os agentes batem de porta em porta, mais de 42 mil Unidades Básicas de Saúde, os pequenos hospitais dos municípios para os atendimentos rotineiros, os regionais para os casos mais graves e os hospitais terciários para os procedimentos de alta complexidade, além de programas nacionais como os de imunizações, transplantes de órgãos, hemodiálises, medicamentos de alto custo, o resgate e tantos outros elogiados mundo afora.

O que nos falta são recursos financeiros mínimos, gerenciamento e uma política de saúde pública digna desse nome.

Anos atrás escrevi neste espaço que, apenas no período de 2008 a 2018, o país teve 13 ministros da Saúde. A média de permanência no cargo foi de dez meses. O que dá para construir em período tão curto? Quando eles começam a entender os problemas enfrentados nas grandes cidades e no Brasil profundo, são trocados por outros.

E, pior: não são substituídos por sanitaristas mais competentes, mas por políticos carreiristas que asseguram aos governos maioria no Parlamento.

Por esse caminho, já tivemos ministros sabidamente corruptos, outros eram ignorantes, alheios às dificuldades de acesso à saúde que atormentam o dia a dia dos mais pobres. Um deles confessou não ter ideia do que era o SUS, uma vez que sempre foi atendido em hospitais militares.

O que leva um cidadão a aceitar um cargo nessas condições? Não seria o mesmo que eu aceitar o convite para ser comandante das Forças Armadas sem nunca ter entrado num quartel?

Os desmandos que ocorrem na esfera federal se repetem nos estados e nos municípios.

Quem anda pelo Brasil é testemunha da incompetência dos gestores, das interferências de políticos da pior espécie, dos roubos e dos desmandos que castigam os usuários do SUS.

E enxerga a diferença abissal existente nas cidades em que o secretário municipal e o prefeito são comprometidos com o atendimento à população.

Reconstruir o SUS exigirá trabalho árduo e anos de dedicação dos melhores especialistas em saúde pública.

E estes felizmente existem, embora tenham sido afastados ou rebaixados para posições subalternas, chefiadas por gente com interesses duvidosos e nenhum compromisso com a saúde dos brasileiros.
*
Centrão quer assaltar a Saúde (I)

Por Gabriel Brito e Antonio Martins/Outraspalavras


Captura desviaria recursos do ministério para impulsionar candidatos conservadores nas eleições municipais de 2024. Mas há outro fator decisivo: a transição tecnológica, que pode tanto revigorar o SUS quanto escancarar as portas para sua privatização por dentro

Na semana que passou, escancararam-se as especulações em torno de uma suposta troca de comando no ministério da Saúde, a partir de pressões de “forças ocultas” da política brasileira. O presidente da Câmara dos Deputados e líder principal do “Centrão”, Arthur Lira, encheu a mídia de blefes a respeito de seu interesse em garantir o ministério para seu grupo político. Ao mesmo tempo, a ministra do turismo, Daniela Carneiro, também integrante do grupo, jogou seus dados, fazendo chegar ao público a notícia de que aceitaria sair da pasta, mas com uma “recompensa”: a Diretoria Geral dos Hospitais Federais do Rio de Janeiro, riquíssimo manancial de verbas e alvo de pesadas disputas políticas nos bastidores que antecederam a nomeação do atual diretor, Alexandre Telles. O que está por trás destes movimentos? Qual seu timing preciso? E que consequências adviriam de uma hipotética cedência de Lula?

Um artigo escrito em coautoria pela cientista Sonia Fleury – uma das pioneiras da Reforma Sanitária – e pelo médico e professor Luiz Antonio Neves, ex-prefeito de Piraí (RJ) ajuda a decifrar a questão. Sonia e Luiz Antonio participaram com destaque de uma reunião plenária em que a Frente pela Vida (FpV) examinou o tema, na última quarta-feira (14/6). Seu texto, que será publicado nas próximas horas em Outras Palavras, também ajuda a compreender, de forma mais ampla, a involução das instituições políticas do país. Mostra como os interesses fisiológicos do “Centrão” articulam-se com os apetites de medicina de negócio, no esforço para privatizar o SUS por dentro. Apontam como tais práticas ameaçam corroer a frágil democracia brasileira. E propõem um antídoto: a mobilização social, especialmente nos dias que nos separam da 17ª Conferência Nacional de Saúde e em seus desdobramentos.

Com dotações de R$ 162 bilhões em 2023, o ministério da Saúde é o menos pobre da esplanada, em despesas correntes (mas apenas o quinto, em investimentos). A isso deve-se acrescentar, lembram Sonia e Luiz Antonio, sua imensa capilaridade, fruto do próprio caráter federalista do SUS. As despesas com Saúde são comandadas principalmente por prefeituras e governos de Estado. Mas a fonte de recursos central é a União, que repassa verbas aos demais entes por meio do Fundo Nacional de Saúde. Quase nenhum dos 5.568 municípios brasileiros é capaz de manter os gastos do SUS sem contar com ele.

O ministério da Saúde é, portanto, crucial. Se gerido com espírito republicano, como sob a ministra Nísia Trindade, contribui para dar conforto e construir cidadania entre 160 milhões de brasileiros que recorrem exclusivamente à Saúde pública. Mas se aparelhado para fins eleitoreiros, suas verbas transformam-se em instrumento de chantagem e interferência política espúria. Basta, por exemplo, que irrigue os prefeitos “amigos” e que dificulte o acesso dos adversários a recursos indispensáveis.

Esta ação pode, aliás, ser complementada por outra, a cargo dos próprios deputados e senadores e apontada em reportagem recente da Folha de S.Paulo. Consiste em utilizar as emendas parlamentares, que deveriam beneficiar os municípios, não para seus prefeitos – mas a grupos opositores, que as recebem por meio de entidades civis. A matéria descreve o caso de Amargosa, no interior da Bahia. Lá a Codevasf, alimentada por estas emendas, entrega máquinas de irrigação para grupos políticos ligados a ruralistas enquanto mantém na seca a prefeitura, do PT. Basta imaginar estas práticas multiplicadas pela ação nacional do ministério da Saúde para entender como podem manipular as eleições de 2024, cujas alianças começarão a ser definidas nos próximos meses.

O texto de Sonia e Luiz Antonio chama atenção, a seguir, para um papel mais estratégico do ministério da Saúde: o de definir a configuração futura do SUS – limitando ou ampliando, em especial, a presença da medicina de negócios em seu interior. Os autores descrevem o enorme esforço já realizado por Nísia para recuperar a pasta dos desmandos bolsonaristas. Mas destacam com igual vigor a importância do Complexo Econômico e Industrial da Saúde (CEIS), cuja ampliação é um compromisso de Lula. A partir das encomendas do SUS, lembram eles, o Brasil pode (re)construir uma vasta indústria de medicamentos, vacinas, insumos, equipamentos hospitalares, de diagnóstico e a vasta gama de serviços ligados a eles. Isso será ainda mais importante dado o grande salto tecnológico diante do qual está a Saúde. Nos próximos anos, práticas como as teleconsultas e o uso da Inteligência Artificial irão se tornar onipresentes.

Se bem planejadas, podem ajudar a oferecer serviços de excelência à população e, de quebra, contribuir para a luta contra a reprimarização econômica no país. Caso contrário, desumanizarão os serviços, alienando os profissionais de Saúde da relação com os pacientes e servindo como cavalo-de-tróia para invasão do SUS por corporações privadas. Aqui, é interessante refletir em como entrelaçam-se os interesses da política mais fisiológica com os da medicina de negócios. Sonia e Luiz Antonio lembram, a respeito: “devido à incapacidade do mercado de planos e seguros de saúde de ultrapassar a cobertura além de ¼ da população, mesmo com os subsídios governamentais, sua possibilidade de expandir a lucratividade depende da disputa dos fundos públicos da saúde”…

Há por fim, na investida do Centrão, uma terceira ameaça: a que atinge a própria democracia brasileira. Os autores chamam atenção para uma “conjuntura de disputa político-eleitoral permanente”, na qual “as forças que perderam as eleições presidenciais, mas que são majoritárias no Congresso, buscam emparedar o governo Lula, esvaziando sua força política e impedindo, assim, o cumprimento do programa reformista para o qual foi eleito”. O que está em jogo, demonstra o texto, é “o poder de transformar o país em uma democracia social ou de continuar minando a democracia eleitoral por dentro, destruindo a inteligência do aparato estatal, desmontando as políticas de proteção social, inviabilizando investimentos e construção de uma economia nacional competitiva e uma nação soberana”. O artigo adverte: antecipa-se assim “o cenário eleitoral para as próximas eleições presidenciais que permitiria o retorno de um governo de direita. Esse jogo já está sendo jogado”.

Lula cederá? A depender de sua própria vontade e espírito de sobrevivência, é certo que não. Mas o jogo institucional é bruto. Por isso, Sonia e Luiz Antonio chamam atenção para a necessidade de incluir, no cenário, um elemento hoje ausente: a mobilização social em favor das reformas. E há um cenário muito promissor para exercê-la: a 17ª Conferência Nacional de Saúde (em Brasília, de 2 a 5 de julho). Uma mobilização importante, frisa o texto, já começou nas primeiras etapas (municipais, estaduais, setoriais, e mais de cem “conferências livres”) do grande evento. Este processo se dá, até o momento, sob o silêncio das mídias comerciais.

Mas poderá desabrochar, concluem os autores. Para isso, é preciso que a 17ª Conferência desencadeie ações capazes de demonstrar “que saúde não é mercadoria e que o ministério da Saúde não será moeda de troca, pois o SUS é a maior conquista democrática da nossa sociedade, exatamente porque foi construída no seio das lutas sociais pela democracia”.

quinta-feira, 22 de junho de 2023

NOTA PÚBLICA CONTRA O RACISMO DO SECRETÁRIO DE ESPORTE DA PREFEITURA DE BREJO * Fórum de defesa do baixo Parnaiba - MA

NOTA PÚBLICA CONTRA O RACISMO DO SECRETÁRIO DE ESPORTE DA PREFEITURA DE BREJO

MARANHÃO

O LIVRO QUE ESTOU LENDO * Virginia Loureiro.Utopias Pós-Capitalistas

O LIVRO QUE ESTOU LENDO
ROSA FONSECA - CE
 CANAL UTOPIAS POS.CAPITALISTAS

Nesse domingo (11/6), falamos do livro biografia de Rosa Fonseca, ativista do Grupo Crítica Radical e aguerrida militante das causas anticapitalistas. Não perca a oportunidade de conhecer a trajetória dessa grande mulher!

PLENÁRIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DO DF * Frente Antifascista do DF

PLENÁRIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DO DF
Frente Antifascista do DF


Participe da reunião ampliada da Frente Antifascista.


Não podemos ficar desmobilizados, desorganizados e sem uma ação articulada no enfrentamento ao fascismo.


Não ao novo ensino médio!
Não ao marco temporal!
Não aos juros altos!
Pela reestatização do patrimônio público!
Sem anistia para fascistas


*Dia 27 de junho, terça feira* *19h* - *Sede da CTB*


*Combater o neoliberalismo, as privatizações, o machismo, a misoginia, a homofobia e todas as características do fascismo é uma obrigação.*

O EXÉRCITO E O GOLPISMO * E. Precílio Cavalcante - RJ

O EXÉRCITO E O GOLPISMO 
(Posto isso, passou da hora de proibir, por lei, que militares da ativa participem de partidos políticos, de se candidatarem ao executivo e Legislativo e de assumirem qualquer escalão da administração pública não militar.)
*

 O Exército brasileiro não pode e não deve ser responsabilizado pelos golpes e badernas provocados por uma minoria de generais e coronéis indisciplinados.

Falo como militar que conhece muito bem o quartel, a caserna.   

 Uma facção de desordeiros fardados que age e atua como um “partido fardado”.  

Esta facção do Exército, este “partido fardado”, envenena todo o resto da tropa. 

Não obedecem à disciplina militar nem à hierarquia, princípios sagrados a qualquer corporação armada!

 Desobedecem à Constituição e ao Estatuto dos Militares. Esquecem até o juramento à bandeira a que todos os militares brasileiros são obrigados. 

Não se comportam como um partido qualquer, mas como um superpoderoso partido que, de armas em punho e dedo no gatilho, exige obediência dos poderes Legislativo e Judiciário. 

Tentam transformar o país em um grande quartel. 

 Julgam-se intocáveis, seres superiores, acima do bem e do mal, imunes a quaisquer reparos ou críticas. Quase semideuses! 

Como se tocados pela sabedoria de Minerva julgam as suas escolhas e concepções  políticas  e sociais como sendo as únicas certas e verdadeiras.

 E que devem ser aceitas pelo povo. Ou pelos eleitores, no caso da política partidária. 

Nunca se conformaram nem se conformam com a vitória de uma oposição democrática e popular que atenda aos anseios do povo. Conspiram contra a liberdade, a ordem e a democracia.

 "Pelo amor de Deus, Cidão. Pelo amor de Deus, faz alguma coisa, cara. Convence ele a fazer. Ele não pode recuar agora. Ele não tem nada a perder. Ele vai ser preso. O presidente vai ser preso. E, pior, na Papuda, cara", afirmou Lawand Junior em um áudio a Cid, em 1º de dezembro de 2022.

Os conspiradores devem ser presos e julgados.

 E com toda certeza não serão torturados! 

A tortura que o chefão sempre defendeu! 

 No Exército há centenas de oficiais jovens: capitães, majores e coronéis precisando ser promovidos e alcançarem o generalato.

 Assim o Brasil terá um Exército de oficiais jovens.

 E mandar para a compulsória ou expulsar os golpistas e implantar a ordem nos quartéis. 

Este “partido fardado” é um câncer que deve ser extirpado, com urgência, para evitar o colapso do Exército e a sua substituição por milícias, ao gosto do chefe nacional. 

O “Deus, pátria e família”, da AIB, Ação Integralista Brasileira, de Plínio Salgado, o fascismo brasileiro, não vencerá. 

O Exército brasileiro não é constituído por fascistas. Não e não! 

Estou falando como militar que sabe o que está dizendo, quero repetir!

 O que o atual ministro da defesa está propondo é um Exército de intendentes ricos e orçamento manipulado para beneficiar os fornecedores e resolver a crise atual.

 Isto não resolve e não convém, em absoluto! 

Esta é a solução proposta pelo atual ministro da defesa, que entende tanto de forças armadas quanto o general Pazuello entende de medicina, nada!

 O Presidente Lula precisa de uma assessoria para questões militares séria, competente e confiável. 

E não há ninguém melhor do que o atual comandante do Exército, general Miguel Ribeiro Paiva.


Abaixo o nazifascismo e viva a liberdade!


E. Precílio Cavalcante, capitão de mar e guerra ref. do Corpo de Fuzileiros Navais.

E pesquisador da História militar. Rio de Janeiro, 18 de junho de 2023.


quarta-feira, 21 de junho de 2023

Sobre o Dossiê Bolsonaro * Projeto Capivara

Sobre o Dossiê Bolsonaro

O Dossiê Bolsonaro é um levantamento inédito que lista, categoriza e tipifica as diversas falas, ações e condutas potencialmente criminosas do principal líder da extrema-direita brasileira, Jair Messias Bolsonaro.

Ele foi produzido com a finalidade de criar um registro sólido e duradouro da trajetória política de Bolsonaro com informações verificáveis a respeito de suas atitudes e discursos em temas fundamentais à população e à democracia brasileiras.

Confiamos que a Justiça do país apurará com o devido rigor todas as dezenas de ocorrências aqui listadas.

terça-feira, 20 de junho de 2023

PATRÕES E DITADURAS I * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

PATRÕES E DITADURAS I

"MONTADORA ITALIANA COLABOROU COM ÓRGÃOS DE REPRESSÃO E USOU PROXIMIDADE COM REGIME PARA IMPLANTAR FÁBRICA EM BETIM
Fiat tinha sistema de espionagem e sala exclusiva para interrogar funcionários na ditadura

A Fiat Automóveis S.A. consolidou-se no mercado automobilístico brasileiro nos anos 1980 recebendo benefícios financeiros e isenções fiscais sem precedentes da ditadura militar. Em contrapartida, ela abriu as portas para a espionagem, violação a direitos civis e repressão política no período mais agudo dos anos de chumbo.

A conclusão é da pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), obtida com exclusividade pela Agência Pública, que faz parte do projeto “A responsabilidade de empresas por violações de direitos durante a ditadura”. O levantamento envolveu 55 pesquisadores e foi conduzido pelo Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (Caaf/Unifesp), em parceria com o Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).

De acordo com os documentos, a montadora italiana e suas consorciadas empregaram por muitos anos um ex-guerrilheiro infiltrado na esquerda cuja traição ajudou a ditadura a destruir a Ação Libertadora Nacional (ALN), uma organização de luta armada que enfrentava o regime. José Silva Tavares, conhecido como Severino ou Vitor, não era um militante qualquer: tinha feito treinamento em Cuba como quadro enviado pela ALN e conhecia por dentro a estrutura e os segredos da esquerda armada. Preso em setembro de 1970 em Belém (PA), foi cooptado pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury e por agentes do Centro de Informações da Marinha (Cenimar), com quem fez um acordo para delatar companheiros, que acabaram presos, torturados e assassinados.

Foi através das informações de Tavares que a equipe de Fleury prendeu e matou o jornalista Joaquim Câmara Ferreira, o “Toledo”, sucessor de Carlos Marighella no comando da ALN, numa emboscada executada em 23 de outubro de 1970 em Indianópolis, zona sul de São Paulo. A pesquisa da Unifesp mostra que a traição dele foi recompensada com alterações em seu perfil nos arquivos policiais, antes classificado como subversivo, o que permitiu, independentemente de suas qualificações profissionais, que a Fiat o contratasse. O caso confirma também, segundo a pesquisa, que a ditadura se utilizou de empresas amigas para “honrar” sua parte em pactos ilegais e sigilosos arrancados nos porões do regime, nos quais militantes da esquerda eram torturados e pressionados a mudar de lado, tornando-se delatores responsáveis por assassinatos e desaparecimentos.

O reaparecimento de Tavares entre os metalúrgicos mineiros, nos anos 1980, demonstra, de acordo com os pesquisadores, que a Fiat colaborou com o aparelho repressivo através de seu sistema de segurança comandado por agentes ligados aos órgãos de repressão. Reportagem da revista Exame, de 14 de outubro de 2010, anexada à pesquisa, noticia que Tavares tinha assumido o cargo de diretor financeiro de operações internacionais da Fiat mundial, na Itália. A matéria informa ainda que, desde 1983, ele ocupava o cargo de diretor administrativo e financeiro da Fiat Automóveis América Latina.

Indiretamente, a empresa deu apoio a acordos secretos e ilegais, segundo os quais os “virados”, como eram conhecidos os militantes que trocavam de lado, como Tavares, eram também protegidos do regime. Dados do relatório “Direito à memória e à verdade”, um documento oficial do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, revelam que, de um total de 434 mortos e desaparecidos no Brasil no período ditatorial, pelo menos 52 militantes pertenciam à ALN e foram eliminados entre 1969 e 1974 durante a guerrilha urbana, a maior parte sob tortura após as prisões. Pelo menos 33 deles foram mortos entre 1971 e 1973, quando as traições, infiltrações e execuções se transformaram em decisões envolvendo a cúpula militar para eliminar os focos de resistência urbana.

CONTINUA AQUI
PATRÕES E DITADURAS II

segunda-feira, 19 de junho de 2023

Democracia golpeada * Roberto Amaral/DF

Democracia golpeada
Roberto Amaral*
(O arranjo derrotado nas urnas segue dando as cartas no país)

A definição clássica de golpe de Estado como a tomada do poder por meios ilegais (independentemente do recurso à violência física) não atende aos fatos modernos, e é contestada pela história brasileira, catálogo de intervenções civis e militares na ordem governante operadas, o mais das vezes, nos estritos termos da legalidade formal. Na sequência da ruptura da ordem monárquica, com o golpe militar de 1889, a república sereníssima registra, na plenitude do legalismo, a tomada da presidência pelo marechal Floriano Peixoto e o golpe constitucional de Arthur Bernardes, procedendo, mediante um congresso ordinário sob seu controle, à reforma da Carta de 1891, afeiçoando-a a um projeto autoritário, construído numa sequência de leis complementares restritivas de direitos políticos. O golpe legal, que aliás não nascia ali, faria escola para chegar aos nossos dias com variedade de nomenclatura e diversidade operativa.

Em 1955, a dita legalidade foi restabelecida mediante golpe de Estado executado pelo Congresso Nacional, quando, atendendo a recomendação do ministro da guerra, marechal Teixeira Lott (o Congresso brasileiro desde sempre se tem mostrado sensível aos humores das tropas), decretou a perda do mandato do presidente Café Filho, decisão posteriormente confirmada pelo STF, ao negar pedido de habeas corpus interposto pelo mandatário apeado.

Em 1961, uma vez mais no rigor da ordem constitucional, e ainda atendendo a demanda de generais insubordinados, o Congresso Nacional muda o regime político do país, instaura o parlamentarismo, e capa os poderes do presidente da república, mediante simples emenda à Constituição presidencialista de 1946. O contorcionismo era a justificativa para permitir a posse do vice-presidente João Goulart, chamado ao planalto pela renúncia de Jânio Quadros, e impedido pela intentona dos ministros militares.

Na vida política-institucional brasileira, legalidade e ilegalidade são, como se vê, formulações ideológicas a serviço do poder, que não conta em suas bases com as vozes da soberania popular. Congresso e poder judiciário são seus parceiros, atentos a esse papel de guardiães da ordem que mantém o mando da casa-grande.

Não é sem razão, pois, que, mesmo os golpes grosseiramente ilegais, levados a cabo manu militari, como os que instituíram as ditaduras de 1937-1945 e 1964-1985, consolidadora da preeminência da caserna sobre a vida civil —esta que chega aos nossos dias como arcaísmo histórico apenas explicável pelo atraso político-representativo—, foram recepcionadas pelo poder judiciário, de onde deriva o diploma da legalidade que nos preside.

A história presente registra a forma de “golpe de Estado permanente” ou “continuado”, a experiência que se instaura com a insurreição parlamentar de 2016, consagrada em sessão do Senado Federal (homologatória de decisão da Câmara) dirigida, nos termos do rito constitucional, pelo presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski. À cassação (dentro dos ritos da legalidade) do mandato da presidente Dilma Rousseff, seguiu-se a posse de seu sucessor constitucional, o vice-presidente da república com ela eleito. Fruto imediato do golpe, instala-se, consolidando-o, um regime político autoritário, de direita, antipopular e antitrabalhista, no contrapelo da opção política decretada pela soberania popular no pleito de 2014, que elegera o programa de um governo de centro-esquerda. Sua maior inflexão —determinando o trânsito para a extrema-direita— se conta na manipulação das eleições de 2018. Relembre-se a covarde pressão do comandante do exército, gal. Villas Bôas, ditando ao STF a inelegibilidade do candidato Lula. Ressalte-se, aliás, que o poder judiciário, das instâncias de piso aos tribunais superiores, com destaque para o STF, atuou sistematicamente como sujeito ativo no processo que caminhou do golpe de 2016 ao governo civil-militar do presidente pinçado pelos generais.

O golpe se deu pelos que já controlavam o poder (para garantir e ampliar seu mando), sem surpresa, sem subtaneidade, sem violência, repercutindo as vozes dos generais —como sempre, aliás, mas desta vez sem a necessidade de desfile das tropas e discurso das baionetas. A única encenação foi, num frustrado ensaio de fratura constitucional, o tragicômico desfile dos fumacentos tanques da marinha, desta feita sem deixar vítimas, senão a imagem da corporação. Não há, porém, arte inovadora nessa modalidade de golpe soft, mesmo entre nós. O império inaugura extensa e longa série com o golpe da abdicação (1831), que levou o primeiro Pedro ao exílio, e vai consolidar-se com o “golpe da maioridade” (1840), que apressou a entrega do cetro ao seu filho e herdeiro, infante de 13 anos.

Em nosso continente, o golpe indolor e legal veio mais recentemente substituir as quarteladas. É o histórico que se segue à revogação do mandato de Fernando Lago, no Paraguai, em 2012. São seus sucessores o golpe que levou à renúncia do boliviano Evo Morales (2019), pressionado por relatórios falsos da OEA que falavam em corrupção eleitoral, e a derrubada de Pedro Castillo, no Peru, após acusação de frustrada tentativa de autogolpe (2022). Na Colômbia trama-se uma variante que os juristas batizam como “golpe brando”, surto insurrecional da classe dominante contra o presidente Gustavo Petro, contra o que o mandatário convoca as massas populares. A contribuição brasileira na categoria golpe soft, ou ‘brando”, é a espécie “golpe continuado”. É o título dado aos quatro anos de permanente ação antirrepublicana do bolsonarismo, de cuja sobrevivência estamos ameaçados, em face da correlação de forças nitidamente desfavorável ao nosso governo, minoritário no congresso, malvisto pelo grande capital e seus porta-vozes, indesejado pelos militares, malquerido pelos EUA. E até aqui, pelo menos aparentemente, sem claro plano de resistência e avanço, subsumido por recuos táticos que podem levá-lo a uma derrota estratégica.

Se a essência da política pudesse ser vista a partir de suas aparências, teria sido apropriado supor que o “golpe continuado” seria águas passadas, com seu decreto de morte ditado pelo pleito de 28 de outubro de 2022, quando a soberania popular voltou a falar, e, retomando pronunciamentos anteriores, reiterou sua opção por um governo democrático de centro-esquerda. Este, no entanto, nada obstante empossado e instalado, mal pôde constituir-se: obsta-o a persistência do passado no presente. É que no mesmo pleito em que consagrou Lula e seu projeto de governo de centro-esquerda (em outras palavras, quando negou o protofascismo), o eleitorado elegia um poder legislativo cuja base ideológica se confunde com o finado regime: ideologicamente de direita transitando para a extrema-direita, abrigando consideráveis bolsões fascistóides, majoritariamente devotado a negócios impublicáveis, prática que a imprensa batiza de “clientelismo”, mas que o Código Penal tipifica com outras definições.

Nesse congresso, “empoderado e liberal”, como o define seu capo, o presidente eleito dispõe de algo como 130 integrantes de uma câmara de 513 cadeiras. Para governar, a maioria, apeada das prendas do Planalto pelo voto popular, mas ainda no poder, oferece a Lula uma falsa saída: ceder-lhe o governo. A eventual recusa ao suicídio assistido pode ser o impeachment, se a oposição assim o quiser. Justificativas legais serão achadas pelos juristas de plantão, como as alegadas contra Dilma, e a burocracia já adquiriu expertise na manipulação dos procedimentos cassatórios. E para a grande imprensa tudo não passará de mais um grande espetáculo a ser coberto, como foram os idos de junho de 2013, as tramas da lava jato, o golpe de 2016 e o pleito viciado de 2018.

Por alguma razão pousam na mesa do atual presidente da Câmara seis pedidos de impeachment de Lula, e todos sabemos que o jagunço das Alagoas, de quem Eduardo Cunha é a fôrma, não é nenhum Rodrigo Maia.

Com o poder executivo governado em condomínio com uma Câmara hostil, o presidencialismo, perdido seu caráter e não adotado o parlamentarismo, se reduz a um experimento transformista; esse híbrido, estéril, malformado como um Frankenstein, agudiza a crise institucional e põe em xeque a democracia representativa. No presidencialismo, o impasse entre poderes não conhece solução, fora a derrota de um dos litigantes. O parlamentarismo pratica a dissolução do Congresso e convocação de novas eleições, como na França agiu François Mitterrand em 1986, ao tomar posse na presidência e confrontar-se com uma Assembleia reacionária. É a regra do regime. O presidencialismo, porém, fora das quarteladas e do impeachment, ainda não ajuizou alternativa. Os EUA, nosso sempre modelo, além do impeachment copiado pela província, adotam a pinguela das eleições proporcionais em meio ao mandato presidencial. Jânio intentou o aguçamento do confronto mediante o biombo da renúncia, que era tão simplesmente a gazua com a qual pretendia abrir caminho para sonhada volta triunfal, livre do Congresso. A história registra o resultado.

É curial considerar o legislativo o mais legítimo dos poderes republicanos, e nessa visão radica a simpatia das esquerdas em geral pelo regime parlamentar de governo. No Brasil, porém, o parlamento é poderoso colegiado da reação, do atraso, do conservadorismo mais rasteiro; legisla contra o progresso, é adversário da igualdade social, agente do capital rentista, avesso aos direitos trabalhistas. Há décadas vem, eleição após eleição, decaindo politicamente, ideologicamente, eticamente e moralmente. A fonte do desacerto, por óbvio, assenta-se em sua composição, e a discrepância do voto, depositado pelo mesmo eleitor, no mesmo pleito, entre a chamada majoritária e a proporcional (quando são eleitos os deputados), tem suas raízes no fato de as forças de esquerda haverem renunciado, não de agora, à batalha ideológica. Daí PT e governo, e o que há de progressista em sua base, se acharem manietados diante do desafio representado por um congresso reacionário comandado com mão de ferro por um delegado do atraso. Daí as forças progressistas não terem condições de mobilizar a sociedade em torno de um projeto de salvação nacional. Soubemos, mais uma vez, ganhar as eleições (de novo a muito duras penas), mas carecemos de uma nova maioria política que não ousamos constituir — na suposição, tantas vezes rejeitada pela história, de que o pragmatismo resolve tudo.

Ainda é tempo de reagir.
*
Um centenário esquecido - Passou em branco no dia 14 de junho o centenário de Mário Alves de Souza Vieira (1923-1970), herói brasileiro, assassinado no dia 17 de janeiro no quartel da Polícia Militar, do I exército (na rua Barão de Mesquita, Tijuca, Rio de Janeiro), um dia após ser preso. Mataram-no empalado com um cassetete de madeira com estrias de aço. Até hoje sua família e seus amigos aguardam seu corpo. Era ministro do exército o gal. Orlando Geisel, e comandante do 1º exército o gal. Syseno Sarmento.

Conflito na agenda - A política externa brasileira, que retoma os princípios de Afonso Arinos e San Tiago Dantas, conflita, hoje mais que nunca, com a dependência ideológica do militar brasileiro aos EUA. Frantz Fanon, com a vista voltada para a África, identificava a sujeição do colonizado como um caso psicopatológico: preto, alma branca, ou seja, aspirante a reproduzir o senhor. Nelson Rodrigues famosamente traduziu nossa dependência como “complexo de vira-latas”.

As vítimas da Frente Ampla - A Câmara dos Deputados aprovou, no ano e governo passados, o “Novo Marco Legal de Garantias”, que permite aos bancos tomar até mesmo o único imóvel de uma família para a quitação de dívida. Obscena, a proposta foi criticada por senadores como Renan Calheiros, Álvaro Dias e Randolfe Rodrigues (hoje líder do governo). O Projeto “modernizante”, reclamado pelo andar de cima, ameaça voltar à pauta do Congresso por obra do vice-presidente da República, decerto articulado com a equipe econômica. Não se sabe, ainda, quais ajustes serão feitos para tornar a crueldade “humanizada” e palatável. De todo modo, fica a pergunta: conseguiremos, nesse diapasão, fazer avançar a justiça social?

* Com a colaboração de Pedro Amaral