Mostrando postagens com marcador central unica dos trabalhadores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador central unica dos trabalhadores. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de julho de 2022

GREVE GERAL ENFRENTA A DITADURA! * Ernesto Germano Parés / RJ

 GREVE GERAL ENFRENTA A DITADURA!

Ernesto Germano Parés


37 anos o Brasil vivia um importante momento histórico. Em plena ditadura militar, três milhões de trabalhadores foram às ruas! A greve teve a adesão de 35 entidades sindicais e de associações de funcionários públicos. O destaque da época é que entidades da sociedade civil que hoje estão caladas diante do fascismo imposto participaram e deram apoio ao movimento: Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e outras se solidarizaram com os trabalhadores e divulgaram notas e apoio público às manifestações.
*
O país tinha o general João Batista de Figueiredo como presidente e o chamado “milagre econômico” dos militares já tinha naufragado. A economia arrasada, inflação descontrolada (chegando a 100% ao ano), a crise da dívida externa e o desemprego em massa.
*
Em 1981, como já relatamos e ilustramos em um texto anterior, havia sido criada a “Comissão Nacional Pró-CUT”, durante o encontro que foi conhecido como Conclat. E foi a “Comissão Pró-CUT” que conclamou os trabalhadores para a 1ª greve geral no país depois do golpe militar de 1964.
*
“Foi a primeira grande luta nacional que unificou os trabalhadores, após as greves de 1978, 1979, e obteve muita repercussão, contribuindo para termos um forte movimento pelas Diretas Já, alguns meses depois. Sem dúvida, foi um marco fundamental da resistência à ditadura, que já se encontrava em forte declínio, tanto que conseguimos derrotar um dos seus decretos na votação da Câmara”, lembrou em um depoimento o ex-deputado federal José Genoíno (PT-SP).
*
Atendendo às determinações do FMI, o governo aumentava os juros para conter a inflação e cortava despesas, chegando ao ponto de baixar em maio o Decreto-Lei 2.025, que extinguia todos os benefícios dos empregados das empresas estatais. A reação dos trabalhadores foi imediata. No dia 16 de junho, 35 entidades sindicais e associações de funcionários públicos aprovam o estado de greve, em protesto contra o decreto.
*
Metalúrgicos, petroleiros, bancários, professores e outras categorias assumiram aquela bandeira e mostraram que os trabalhadores já não suportavam o arrocho e a violência.
*
O governo recuou, mas no dia 29 de junho Figueiredo assinou um novo decreto, o 2.036, atacando diretamente os direitos dos funcionários das estatais acabou com o abono de férias, as promoções, os auxílios alimentação e transporte, o salário adicional anual e a participação nos lucros, só para citar alguns. Em todo o país o exército entra em prontidão!
*
“Fora Daqui o FMI” foi o grito que explodiu com toda a força por tanto tempo represada. E a Greve Geral de 24 horas em todo o país se tornou uma realidade. Setores reformistas da esquerda não acreditavam na greve, não aconselhavam a greve, não desejavam a greve, mas tiveram que engolir também os trabalhadores nas ruas gritando que não suportavam mais.
*
Importante destacar que aquela greve impactou profundamente mais 40 milhões de pessoas e foi o caminho encontrado pelo conjunto de mais de cem entidades sindicais para a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores.
*
Pouco mais de um mês depois, no dia 28 de agosto de 1983, em um Congresso de Trabalhadores era fundada a Central Única dos Trabalhadores!
*
VIVA A GREVE GERAL DE 1983!
*
VIVA A LUTA DA CLASSE TRABALHADORA!
*
A GREVE É UM DIREITO LEGÍTIMO DOS TRABALHADORES.
*