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quinta-feira, 11 de novembro de 2021

METRÓPOLIS PENETRAM NA FLORESTA! * José Ernesto Dias / MA

 METRÓPOLIS PENETRAM NA FLORESTA!


No enganoso desenvolvimento

Os gigantes programando a farsa

Na corrida incoerente

Desrespeitam os nativos animais...


Derrubando a floresta

Sem medir as consequências

Dos indígenas que dependem da mata

Para a sobrevivência...


Desde a invasão do Brasil

Os indígenas são atacados

Escorraçados do natural paraíso

Invadido:- por violentos piratas...


Que se embrenhavam na mata

Raptando o pau brasil

Escravizando o nato povo

Forçados, a carregar os navios...


Estranhos piratas inventando leis

Legalizavam as invasões

Dizimando os indígenas nas aldeias

Passaram a terra aos ladrões...


Nas crescentes invasões:

Na floresta:- aflorando as cidades

Incomodando os nativos

E os inocentes animais...


Que na frenética expansão

Das cidades penetrando na floresta

Na cidade os moradores se espantam

Em ver os animais silvestres...


Circulando na cidade

A procura de alimento

Que na floresta; ficou escassa

Devido, ao criminoso desmatamento...


No enganoso progresso

Vão degradando o meio ambiente

A sociedade no regresso

Segue:-  sem enxergar, a frente... 


Os habitantes da floresta

Desde a invasão do Brasil

São assassinados na terra!

Ninguém sabe, ninguém viu!!!...

 

São Luís – MA – 22 de Outubro de 2021

Autor: José Ernesto Dias


segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Pra quem sonha com libertação * Rose Bitencourt / RS

Pra quem sonha com libertação

-A liberdade guiando o povo, Eugene de Lacroix*-

no coração de uma revolucionária

pulsa uma paz inquieta

uma alma toda repleta

de sonhos e utopias


no coração de uma revolucionária

repousa amor e compaixão

por todo seu povo

por toda uma causa que não é em vão


no coração de uma revolucionária

está toda ternura e encanto

e um lamento e um pranto

por todo aquele que sofre


no coração de uma revolucionária

bate uma grande indignação

por ver seu povo oprimido

esmagado pela Nação


no coração de uma revolucionária

cabe um sentimento de luta

uma vontade bruta

de fazer a diferença


no coração de uma revolucionária

toca o tambor da esperança

de uma nova consciência

com sabor de liderança


está em todo seu ser 

numa alma libertária

na ânsia por viver

no coração de uma revolucionária.


Rose Bitencourt/RS


quarta-feira, 21 de julho de 2021

O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO * Vinicius de Moraes / RJ

O OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO



Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com as casas
Que lhe brotavam da mão.
Mas tudo desconhecia
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo a sua liberdade
Era a sua escravidão.

De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia…
Mas fosse comer tijolo!
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além uma igreja, à frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.

Mas ele desconhecia
Esse fato extraordinário:
Que o operário faz a coisa
E a coisa faz o operário.
De forma que, certo dia
À mesa, ao cortar o pão
O operário foi tomado
De uma súbita emoção
Ao constatar assombrado
Que tudo naquela mesa
- Garrafa, prato, facão —
Era ele quem os fazia
Ele, um humilde operário,
Um operário em construção.
Olhou em torno: gamela
Banco, enxerga, caldeirão
Vidro, parede, janela
Casa, cidade, nação!
Tudo, tudo o que existia
Era ele quem o fazia
Ele, um humilde operário
Um operário que sabia
Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento
Não sabereis nunca o quanto
Aquele humilde operário
Soube naquele momento!
Naquela casa vazia
Que ele mesmo levantara
Um mundo novo nascia
De que sequer suspeitava.
O operário emocionado
Olhou sua própria mão
Sua rude mão de operário
De operário em construção
E olhando bem para ela
Teve um segundo a impressão
De que não havia no mundo
Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão
Desse instante solitário
Que, tal sua construção
Cresceu também o operário.
Cresceu em alto e profundo
Em largo e no coração
E como tudo que cresce
Ele não cresceu em vão
Pois além do que sabia
– Exercer a profissão —
O operário adquiriu
Uma nova dimensão:
A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu
Que a todos admirava:
O que o operário dizia
Outro operário escutava.

E foi assim que o operário
Do edifício em construção
Que sempre dizia sim
Começou a dizer não.
E aprendeu a notar coisas
A que não dava atenção:

Notou que sua marmita
Era o prato do patrão
Que sua cerveja preta
Era o uísque do patrão
Que seu macacão de zuarte
Era o terno do patrão
Que o casebre onde morava
Era a mansão do patrão
Que seus dois pés andarilhos
Eram as rodas do patrão
Que a dureza do seu dia
Era a noite do patrão
Que sua imensa fadiga
Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!
E o operário fez-se forte
Na sua resolução.

Como era de se esperar
As bocas da delação
Começaram a dizer coisas
Aos ouvidos do patrão.
Mas o patrão não queria
Nenhuma preocupação
– “Convençam-no” do contrário —
Disse ele sobre o operário
E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário
Ao sair da construção
Viu-se súbito cercado
Dos homens da delação
E sofreu, por destinado
Sua primeira agressão.
Teve seu rosto cuspido
Teve seu braço quebrado
Mas quando foi perguntado
O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário
Sua primeira agressão
Muitas outras se seguiram
Muitas outras seguirão.
Porém, por imprescindível
Ao edifício em construção
Seu trabalho prosseguia
E todo o seu sofrimento
Misturava-se ao cimento
Da construção que crescia.

Sentindo que a violência
Não dobraria o operário
Um dia tentou o patrão
Dobrá-lo de modo vário.
De sorte que o foi levando
Ao alto da construção
E num momento de tempo
Mostrou-lhe toda a região
E apontando-a ao operário
Fez-lhe esta declaração:
– Dar-te-ei todo esse poder
E a sua satisfação
Porque a mim me foi entregue
E dou-o a quem bem quiser.
Dou-te tempo de lazer
Dou-te tempo de mulher.
Portanto, tudo o que vês
Será teu se me adorares
E, ainda mais, se abandonares
O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário
Que olhava e que refletia
Mas o que via o operário
O patrão nunca veria.
O operário via as casas
E dentro das estruturas
Via coisas, objetos
Produtos, manufaturas.
Via tudo o que fazia
O lucro do seu patrão
E em cada coisa que via
Misteriosamente havia
A marca de sua mão.
E o operário disse: Não!

– Loucura! — gritou o patrão
Não vês o que te dou eu?
– Mentira! — disse o operário
Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se
Dentro do seu coração
Um silêncio de martírios
Um silêncio de prisão.
Um silêncio povoado
De pedidos de perdão
Um silêncio apavorado
Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas
E gritos de maldição
Um silêncio de fraturas
A se arrastarem no chão.
E o operário ouviu a voz
De todos os seus irmãos
Os seus irmãos que morreram
Por outros que viverão.
Uma esperança sincera
Cresceu no seu coração
E dentro da tarde mansa
Agigantou-se a razão
De um homem pobre e esquecido
Razão porém que fizera
Em operário construído
O operário em construção.

Rio de Janeiro, 1959.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

ELEGÍA A LA MUERTE DE LENIN * Vicente Ruidobro / Chile

ELEGÍA A LA MUERTE DE LENIN

(1924)

Vicente Huidobro / Chile

«Más que el canto de la vida,

más que la muerte misma,

más que el dolor del recuerdo,

más que la angustia del tiempo

es tu presencia en el alma del mundo.


Tú, hombre de alto clima.

Tú, corazón de fuegos dominados

al entrar en la tumba

fuiste como un sol de repente en el invierno,

fuiste como un verano en la muerte,

contigo la muerte se hace más grande que la vida.


Los siglos reculan ante tu tumba,

selvas y ríos vienen en peregrinación

y los países se arrodillan,

las ciudades desfilan como banderas

y como quioscos de música

las aldeas más lejanas son coronas ardientes,

el sol distribuye flores en los caminos 

para tu fiesta,

que es la fiesta del hombre.


Las olas saltan unas sobre otras 

para llegar primero

a traerte el saludo de sus comarcas remotas,

el ruido de los mares

se confunde en el canto de las multitudes,

tu muerte crea un nuevo aniversario

más grande que el aniversario de una montaña.


Has vencido, has vencido,

una fecha tan profunda como ésta

no han labrado los hombres,

has abierto las puertas de la nueva era,

tu estatura se levanta

como un cañonazo que parte en dos 

la historia humana.


Un hombre ha pasado por la tierra

y ha dejado cálida la tierra para muchos siglos,

contigo la muerte se hace 

más grande que la vida.


Tú eres la nobleza del hombre,

en ti empieza un nuevo linaje universal

y así como tu vida era la vida de la vida

tu muerte será la muerte de la muerte.


Un hombre ha derrumbado las montañas,

al fondo de los siglos se oyen los pasos de millones de esclavos,

se van alejando sobre el tiempo y el tiempo retumba de eco en eco,

no hay más distancia de una tribu a otra,

tu voz de semilla que traen los vientos venerables,

tu voz, Lenin, cambia la raza humana

y hace una sola tierra de tantas tierras hostiles,

tú eres la forma de los siglos que vienen,

tú eres el Sosías del futuro,

el bramido del odio vuelto canto de amor,

obedeciendo los impulsos de la tierra

gritaste a las conciencias que no sentían el gran ritmo.


Tu clarín no permite que haya disidentes

sombras que se caen del hombre y se dejan morir sobre las rutas,

un hombre ha pasado por la tierra

y ha dejado su corazón ardiendo entre los hombres.

Tú eres la imagen de los siglos que vienen

y ésa es la voz del sembrador

y los hombres levantan sus martillos

y los martillos se quedan suspensos en el aire,

levantan sus hoces y las hoces 

se quedan en la luz,

todos oyen, todos oímos

ese latir de tu corazón más allá de la muerte,

ese latir de tu corazón que te vuelve a nosotros y te hace presente.


Podrías decir desde la muerte,

estrellas yo puse en marcha a los hombres.

Eres el ruido de una aurora que se levanta,

eres el ruido de todo un mundo que trabaja, 

de todo un mundo que canta,

eres el ruido de un astro victorioso recorriendo el espacio.


Qué lenguaje es ese que golpea 

a las rocas de la orilla,

qué alimento es ese que ondea 

los trigales infinitos,

qué palabras son esas 

que iluminan la noche

y ese latir más allá de la muerte.

Hemos recogido tus palabras

para que todo sea humano y verdadero,

para hacer hombre al hombre

y cuando tu voz haya resonado 

en todo el mundo

los tristes los siervos, los ilotas

desaparecerán en las profundas madrigueras

y saldrán hombres por todos los caminos,

qué lenguaje es ese que mata el hambre 

y apaga la sed,

qué palabras son esas que visten de calor.


Saltan las cadenas y con ellas salta el hombre.

Murieron los últimos esclavos,

los últimos mendigos

que tenían todas las lejanías de la tierra en sus manos tendidas

y se oye ese latir de tu corazón más allá de la muerte.

El hombre que hace gemir el yunque,

el hombre que hace llorar la piedra,

el hombre que lanza las semillas cerradas a los surcos,

el hombre que levanta casas,

el hombre que construye puentes

y el que escucha el canto de los pájaros

y el que cuenta las estrellas sentado en medio de la noche,

el hombre que fabrica instrumentos y máquinas,

el hombre que cambia la manera de las cosas

y las formas de la tierra,

el hombre que amasa el pan y tiene olor a levadura en la mirada,

el hombre que conduce rebaños de montaña en montaña,

el hombre que guía caravanas en los desiertos más largos de su propia memoria.


Todos oyen

ese latir de tu corazón más allá de la muerte.

El hombre que piensa, el hombre que canta,

el hombre solitario 

como la campanada de la una,

las muchedumbres que se mueren lentamente,

todos oyen tu corazón más allá de la muerte,

tu corazón repicando adentro del sepulcro,

contigo la muerte se hace 

más grande que la vida,

los siglos reculan ante tu tumba,

selvas y ríos vienen en peregrinación

y los países se arrodillan.


Desde hoy nuestro deber es defenderte de ser dios.» 


VICENTE RUIDOBRO

http://www.memoriachilena.gob.cl/602/w3-printer-7676.html

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