sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Dia do aposentado * Barbosa Neto/PA

 DIA DO APOSENTADO

Hoje é um dia especial,

Que por muitos é esperado.

Ele somente é atingido

Quando há tempo trabalhado.

Desprezo e esquecimento,

Quase não há reconhecimento

Pra quem é aposentado.


Mas para quem aposenta,

É momento de alegrias.

Apesar que privilégios,

Só pra algumas categorias.

Mas  aquele trabalhador,

Que conquistou com labor,

Merece melhores dias!


Se você não é político,

Juiz e nem militar.

Saiba que seu aposento

Ainda não vai lhe salvar.

Pois para muita gente,

Ele é insuficiente,

Obrigando a continuar.


E a nossa previdência 

Virou "bode expiatório".

O desconto todo mês 

Sempre foi obrigatório. 

Mas quando se aposenta,

A família não aguenta,

Com o valor irrisório!


Independente das dores

E do salário minguado.

Agradeçamos a Deus,

Pelo tempo trabalhado.

Nos livrado dos perigos,

Ofertado bons amigos.

Viva o aposentado!!!


(Barbosa Neto - Belém-PA)

***

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Jesus em defesa do povo * José Ernesto Dias / MA

 JESUS EM DEFESA DO POVO!


O judeu Jesus:

Líder dos explorados

Jesus na busca pelo bem comum

De toda a humanidade...


Nunca curvou-se

Às classes dominantes

Desumanos exploradores

Que enricam explorando...


Escravizando os dominados

Acumulando fortunas

Na imoral exploração

Enricam escravizando o povo...


O revolucionário Jesus

Na luta pelo bem comum

Em defesa dos explorados

Incomodou os grupos dominantes...


Que decidiram atacá-lo

Perseguido e difamando 

Taxado de comunista

Por defender os explorados...


Jesus na luta pelo bem comum

Foi perseguido com crueldade

Preso, torturado e julgado.

Executaram e, crucificando na cruz ...


Simplesmente por não curvar-se

Aos selvagens dominantes

Que enricam

Escravizando os dominados...


Os romanos se aproveitaram

Pegando um gancho na história

Decidiram confundir o povo

Distorcendo a luta do revolucionário...


O imortal Jesus

De cabelos e olhos pretos

De cor da pele escura

Foi atacado pelas elites dominantes ...


Os romanos, negando a história:

Na cara de pau, Inverteram tudo; 

Maquiando a imagem de Jesus

Remodelando a imagem...


Pintaram um Jesus

Branco de pele rosada

Cabelos longos, louro

E olhos azuis igual aos europeus....


Com palavras comoventes

Na bíblia, botaram parábolas:

Que confundem muita gente

Comovida, no exagero de milagres...


Se Jesus voltar a terra

Não tenham dúvida 

Que será novamente perseguido 

Pelos dominantes grupos...


Que com facilidade pela mídia

Confundirão os fieis

Dizendo que esse não é Jesus

É o espirito do satanás...

 

São Luís – MA, 20 de Janeiro de 2022

José Ernesto Dias


quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

O QUE É SER CRISTÃO * FREI BETTO/SP

O QUE É SER CRISTÃO
FREI BETTO/SP
CRISTÃO EVANGÉLICO
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Eu declarei guerra à fome * Elza Soares / RJ

EU DECLAREI GUERRA À FOME

 (Texto de Elza Soares, falecida hoje, 20 de Janeiro de 2022, exatamente (no mesmo dia)  trinta e nove anos depois que seu grande amor, o genial Garrincha também morreu.)


"Um dia descobri que cantava

O meu filho mais velho João Carlos estava morrendo e eu já tinha perdido 2 filhos e não queria perder mais um.

Eu não tinha dinheiro pra cuidar do meu filho e ouvi no rádio que o programa do Ary Barroso de calouros Nota 5, estava com o prêmio acumulado. Não sei como, mas eu sabia que ia buscar esse prêmio!

Fiz a inscrição e me avisaram que eu precisava ir bonita. Mas eu não tinha roupa nem sapatos, não tinha nada! Então, eu peguei uma roupa da minha mãe, que pesava 60kg e vesti, só que eu pesava 32kg, já viu ne? Ajustei com alfinetes.

 Tudo bem que agora é moda ne? Hoje até a Madonna usa, mas essa moda aí fui eu que comecei viu? Alfinetes na roupa é muito meu, é coisa de Elza!

No pé coloquei uma sandália que a gente chamava de “mamãe tô na merda”, e fui!

Quando me chamaram, levantei e entrei no palco do auditório. O auditório tava lotado, todo mundo começou a rir alto debochando de mim

Seu Ary me chamou e perguntou:

_ O que você veio fazer aqui?

_ Eu vim Cantar!

_ Me diz uma coisa, de que planeta você veio?

_ Do mesmo planeta seu Seu Ary.

_ E qual é o meu planeta?

_ PLANETA FOME!

Alí, todo mundo que estava rindo viu que a coisa era séria e sentaram bem quietinhos.

Cantei a música "Lama".

O Gongo não soou e eu ganhei, levei o prêmio e meu filho está vivo até hoje, graças a Deus!

De lá pra cá, sempre levo comigo um Alfinete.

Naquela época eu achava que se tivesse alimentos pros meus filhos, não teria mais fome. 

O tempo passou e eu continuei com fome, fome de cultura, de dignidade, de educação, de igualdade e muito mais, percebo que a fome só muda de cara, mas não tem fim.

Há sempre um vazio que a gente não consegue preencher e talvez seja essa mesma a razão da nossa existência."

***

terça-feira, 25 de janeiro de 2022

A copa que não comemorei * Elza Soares / RJ

 A Copa que não comemorei


ELZA SOARES/RJ


Além de ter sido um período muito difícil para o Brasil, a ditadura militar foi quando tive minha casa metralhada. Estávamos todos lá: eu, Garrincha e meus filhos. Os caras entraram, metralharam tudo e nunca soube o motivo.


Era 1970, já tínhamos recebido telefonemas e cartas anônimas, nos sentíamos ameaçados e deixamos o país. Acredito que fizeram isso por conta do Garrincha, mas também por mim, pois eu era muito inflamada e então, como ainda hoje, de falar o que penso. Eu andava muito com o Geraldo Vandré e devem ter pensado que eu estava envolvida com política. Mas eu sou uma operária da música, e qual é o operário que não se revolta?


Fomos para Roma, e lá o Garrincha, que não tinha sido convocado para aquela Copa, estava em desespero por não estar jogando e por não ter onde morar. Estávamos num hotel, vendo o Brasil ser campeão. Foi quando o Juca Chaves foi comemorar na Piazza Navona, onde fica a embaixada brasileira.


Estávamos trancados dentro de um apartamento, e o Garrincha queria sair de qualquer maneira: queria participar da festa, mas ao mesmo tempo estava altamente deprimido. Ele perdeu a casa, teve de deixar o país e não sabíamos como voltar.


Enquanto se celebrava o fato de o país se tornar o primeiro tricampeão na história da Copa do Mundo, o Brasil fazia barbaridades com sua população. O Garrincha sentia um misto de alegria e dor, porque ele queria comemorar, mas, ao mesmo tempo, sentia repulsa por tudo que nos havia acontecido.


Imagine o que é para um homem que, para mim, está acima de qualquer nome no futebol brasileiro, ser mandado embora do país. Isso já é tenebroso, vergonhoso; imagine então esse homem vendo aquela conquista, confinado numa selva de pedra, no exterior, sem entender nada, sem saber o que havia acontecido com nossa casa.


Aquela foi a época em que ele mais bebeu, e não saía de casa, pois tinha vergonha de aparecer embriagado. Eu fazia de tudo para ele não beber, mas não adiantava.


Era tão grande a minha angústia que eu tinha vontade de invadir a embaixada brasileira em Roma. Mas segurei a onda. Continuamos vivendo num hotel e tivemos grande ajuda de Chico Buarque e Marieta. Eles tinham se exilado na cidade e foram dois amigos de alma.


Ali eu tive um bom empresário, trabalhei muito e fui ganhando o dinheiro com o qual pagava todas as contas. Durante um jantar, conheci Ella Fitzgerald, que estava fazendo shows com repertório de bossa nova e teve um problema de saúde. Eu acabei substituindo-a.


Mas, quando descobriram que eu estava trabalhando na Itália sem documentação, tivemos de sair de Roma -então fomos para Portugal por um tempo.


Um dia, estávamos no Cassino Estoril, perto de Lisboa, e encontramos o apresentador Flávio Cavalcanti e o Maurício Sherman, que dirigia um programa na TV Tupi. Eles deram ao Garrincha uma camisa do Brasil, querendo homenageá-lo -mas quem queria camisa da seleção naquela altura?

"Obrigado o..., cadê minha casa, cadê minha moradia? Já vesti a camisa do Brasil anteriormente, já dei tudo que eu poderia ter dado ao Brasil", ele disse.


Passados 50 anos do golpe, ninguém jamais tomou nenhuma atitude sobre o que nos aconteceu naquele 1970, e eu continuo brigando pelo Mané, até hoje.


Quando eu canto "Meu Guri", canto com muita força, e essa é uma maneira que eu tenho de cantar uma música do Chico, mas homenageando o Mané. Eles são os dois guris de "my life".


segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

PROGRESSISTA: PROGRESSISTA? * SERGIO RODRÍGUEZ GELFENSTEIN/VE

PROGRESSISTA: PROGRESSISTA?
SERGIO RODRÍGUEZ GELFENSTEIN/VE

Assim como nas décadas de 1970 e 1980, quando a América Latina e o Caribe lutavam para se livrar das ditaduras de segurança nacional feitas em Washington, o movimento popular da região debate a orientação política e ideológica que terão os combates ao neoliberalismo e ao imperialismo. É preciso dizer que isso é muito mais do que um debate teórico.

Embora agora a situação seja diferente, levando em conta o desenvolvimento dialético dos acontecimentos, mais uma vez as forças revolucionárias se deparam com a busca de soluções reformistas para a crise. Esse pensamento se agrupa sob as ideias de fazer política "na medida do possível" ou a satisfação de ter levado ao poder o "mal menor".

Uma e outra escondem a incapacidade dos setores políticos mais avançados da sociedade para superar as dificuldades que levam à construção de uma alternativa popular e revolucionária. Ninguém poderá dizer que isso ocorre por causa do abandono dos povos em sua luta pela democracia, paz e equidade. É muito fácil culpar o povo quando na realidade foram algumas elites políticas que paralisaram os processos. É até visível o que aconteceu nos últimos anos na região, quando as organizações de esquerda, uma vez conquistadas o governo, priorizaram alianças com a burguesia e a direita, deslocando os setores populares para um papel marginal como “objeto” de governo medidas,

No caso do golpe contra Dilma Rousseff no Brasil, essa situação era mais do que evidente. Depois que a presidente se distanciou do movimento popular, ninguém saiu para defender o PT, seu governo ou ela mesma quando ela foi destituída.

Um elemento fundamental que marca a diferença entre o século passado e este é que essas lutas ocorreram no quadro da guerra fria e do mundo bipolar em que o padrão ideológico era o que ordenava a política e, portanto, as relações internacionais. Hoje, emergiu um grande número de movimentos sociais que lutam por demandas setoriais, sugerindo que a necessidade de uma transformação radical da estrutura social que oprime e exclui a maioria não é mais relevante.

En el plano internacional, la política de principios -propia de la guerra fría- que emanaba de una orientación ideológica de los gobiernos, dio paso al interés nacional (que en algunos casos se ha convertido en necesidad de sobrevivencia) para definir la actuación internacional de alguns países.

Assim, na transição das ditaduras para os sistemas de democracia representativa de cunho neoliberal, na maioria dos quais a doutrina da segurança nacional continua presente em grande parte -se não em sua totalidade- como instrumento de dominação e controle do poder por das elites, os setores reformistas saíram vitoriosos, iniciando processos de perseguição a sindicatos, imprensa livre, organizações sociais e partidos políticos, sob o pressuposto da necessidade de defender o status negociado, aceito e estabelecido que vem sendo chamado de "Estado de direito ", só que só funciona para um setor da cidadania.

Em grande medida, isso foi possível pela domesticação de líderes outrora populares, de esquerda e revolucionários que sucumbiram aos encantos da social-democracia europeia e da democracia cristã, que os transformaram em seus aríetes para a destruição de tudo o que cheirasse a revolução e socialismo. Na segunda metade da década de 1980, Washington descobriu com prazer o trabalho que esses partidos europeus haviam feito e acolheu a possibilidade de sair das já desacreditadas ditaduras para dar lugar a opções gatopardianas que mantivessem seus interesses intactos. Nessa medida, aprovava as transições e até as apoiava com fervor, aplacando a possibilidade de soluções populares para a crise da democracia que havia atingido quase toda a região.

Vale dizer que, em meio a essa situação complicada e difícil, Cuba se manteve firme, defendendo seu processo revolucionário e conseguindo - digo isso sem retórica - ser um farol que irradiava luz para aqueles que lutavam em toda a região, inclusive os convertidos domesticados na Europa que se aproveitaram descaradamente da solidariedade da ilha caribenha.

A implantação de governos neoliberais aguçou os conflitos na sociedade cada vez que o capitalismo não foi capaz de resolver as necessidades mais básicas dos cidadãos. O "caracazo" de 1989 na Venezuela e o levante zapatista de 1994 no México -dois países que não estavam sob a pressão da bota militar no governo- foram uma expressão clara de que o neoliberalismo não poderia estar associado apenas ao domínio direto das forças armadas no poder, mas a todo o arcabouço jurídico e político que a sociedade capitalista comporta.

Nessas condições, Hugo Chávez surgiu como expressão do povo e de setores militares cansados ​​de serem usados ​​para a repressão e a manutenção da ordem das elites. A vitória eleitoral de 1998 foi o estopim que fez explodir um sentimento e um desejo de transformação que a história fez coincidir na liderança de dirigentes que em vários países, como disse Cristina Kirchner, “são mais parecidos com seus povos”.

Os evidentes sucessos sociais que, em maior ou menor grau, esses governos obtiveram e que, juntos, permitiram à região avançar em processos de integração que garantiram sua presença e protagonismo no mundo do século XXI, despertaram - mais uma vez - a preocupação da Casa Branca que ao mobilizar as oligarquias regionais, as instituições mercenárias que não foram removidas, os grandes meios transnacionais de confinamento solitário e as mentes subordinadas da direita, conseguiram deter temporariamente o processo iniciado nos últimos anos do século passado . Desta vez não foi necessário recorrer às forças armadas, bastou colocar os meios de comunicação a trabalhar,

Mas a influência neoliberal que retornou ao poder pelas mãos de Macri, Áñez, Bolsonaro, Lenin Moreno, Piñera e outros personagens semelhantes não foi sólida, pois se baseia no aval e apoio dos Estados Unidos na arena internacional e no apoio dado pela gestão da mídia para a construção de falsas verdades, por um lado, além do peso dos militares e policiais que atuam como gendarmes, por outro. No que diz respeito ao aprendizado dos povos, sua consciência e sua superior (embora ainda insuficiente) capacidade organizativa, o retorno ao momento do fluxo foi muito mais curto do que o tempo entre a queda de Allende em combate em 1973 e a vitória eleitoral de Chávez em 1998.

Nos últimos anos, uma expressão disso foi a vitória eleitoral de Andrés Manuel López Obrador no México, a volta dos peronistas ao governo na Argentina e do MAS na Bolívia, as vitórias de candidatos progressistas no Peru, Honduras e Santa Lúcia, a derrota do neofascismo no Chile, ao mesmo tempo em que Barbados rompeu com a subordinação pós-colonial da Grã-Bretanha, transformando-se em república e nomeando Sandra Mason como sua primeira presidente. Na mesma lógica, pode-se acrescentar que Lula no Brasil e Petro na Colômbia, candidatos progressistas da oposição, lideram as pesquisas antes das eleições que serão realizadas este ano nos dois países.

Vale dizer - e quero reiterar - que tudo isso foi possível devido à resistência à dominação imperial dos povos de Cuba, Nicarágua e Venezuela. Se esses países tivessem caído, a avalanche imperial teria passado impiedosamente sobre a América Latina e o Caribe. Isso me lembra José Martí quando, em 18 de maio de 1895, às vésperas do combate que o levou à morte, em carta a Manuel Mercado ele dizia: e por Meu dever – desde que o compreendo e tenho força para realizá-lo – impedir a tempo com a independência de Cuba que os Estados Unidos se espalhem pelas Antilhas e caiam, com ainda mais força, em nossas terras em América". Mais de 125 anos depois, a situação é a mesma, embora agora Cuba não esteja sozinha.

Mas eis que a direita e principalmente os Estados Unidos também aprenderam, também fazem as contas e também movimentam suas cartas. Assim, eles estão trabalhando para dividir a esquerda e separá-la para facilitar sua tarefa, que em nível estratégico visa evitar que a América Latina e o Caribe configurem um bloco de potência mundial.

Nesta medida, um novo perigo espreita os povos da região. Al igual que en el siglo pasado se busca la mediatización de la lucha de los pueblos para que sus éxitos no superen los cambios cosméticos que permitan a las elites continuar ostentado el poder, mientras ciertos sectores arropados con un discurso de izquierda puedan seguir haciendo política “ na medida do possivel".

Isso decorre do artigo escrito por Andrés Oppenheimer, porta-voz da extrema direita nos Estados Unidos, publicado no Nuevo Herald de Miami em 25 de dezembro, sob o título: "Gabriel Boric liderará uma nova esquerda latino-americana?" O autor cita Heraldo Muñoz, o inefável ministro das Relações Exteriores do governo de Michelle Bachelet - que o autor coloca perto de Boric - que teria afirmado que Boric "referiu-se ao regime venezuelano como uma ditadura e criticou a fraude eleitoral na Nicarágua » , acrescentando que: «Ele tem convicções bastante sólidas em termos de democracia e direitos humanos». Feito, os Estados Unidos e a direita chilena certificaram o papel que o novo presidente daquele país terá que desempenhar, não só internamente, mas também internacionalmente.

Mais tarde, o artigo afirma: “Boric deve mostrar independência do Partido Comunista. Seus críticos o pintaram como um jovem inexperiente que será controlado pelo Partido Comunista. Boric perderia muitos de seus eleitores mais moderados se fosse um fantoche de um partido da esquerda jurássica.

O discurso que visa criar uma "nova esquerda" longe de Cuba, Nicarágua e Venezuela vem ganhando força, mesmo em setores "progressistas" da região. De autores de orientação "socialista" como o chileno Roberto Pizarro a intelectuais como o brasileiro Emir Sader, de quem não há dúvida de sua integridade intelectual, escreveram artigos nos quais se apressam a visualizar uma esquerda latino-americana destacada de Cuba, Nicarágua e Venezuela.

A irrupção do “progressismo” como ideia de libertação, embora não seja nova, ganhou força nos últimos tempos. A Internacional Progressista apoiada pelos setores do "imperialismo de esquerda" nos Estados Unidos que aspiram a devolver seu país ao caminho da "democracia" e da justiça social, a fim de tornar o império mais eficiente em sua intenção de subjugar à mundo, assumiu a batuta desta corrente.

Não devemos esquecer que a ideia de progresso surgiu da possibilidade que se dá à transformação da sociedade de forma gradual. Na realidade, o progresso deve levar à libertação total do ser humano das forças que o oprimem. Enquanto isso não for proposto, é um conceito vazio e enganoso. A Internacional Progressista teve sua contraparte na América Latina e no Caribe no "Grupo Puebla", no qual, embora participem proeminentes e honrados líderes políticos da região, levanta dúvidas porque é liderada por um mercenário chileno de reputação muito duvidosa que fez do "progressismo" um negócio e que também mantém amizades próximas com altas lideranças do chavismo, como o ex-presidente Mauricio Macri. Suspeitamente, em nenhum dos dois casos participam cubanos, venezuelanos ou nicaraguenses.

Mais uma vez, levanta-se a disputa ideológica sobre o caminho que a América Latina e o Caribe terão que percorrer. Nós nos contentamos com o "mal menor" ou somos capazes de construir uma força política e social que produza as mudanças profundas que a sociedade precisa. Em vez de se contentar com o que pode ser feito "na medida do possível", trabalhe para transformar o impossível em realidade. Como eu disse em um artigo anterior citando um amigo, o “mal menor” deve se opor ao “bem maior”.

Isso significa que nosso esforço deve ser direcionado para jogar em nosso campo, não naquele que o inimigo nos impõe. Em um momento em que muitos não querem se posicionar e a política se destina a definir entre centro-direita, centro-esquerda ou centro, cabe aos setores mais avançados da sociedade construir o novo cenário de combate como tem acontecido em pelas ruas do Chile e da Colômbia.

O futuro libertador dos povos não está no progressismo. Está e continuará a estar na revolução. Entendo que no caminho da vitória as alianças táticas devem ser feitas para unir forças, mas elas só terão esse caráter se forem assumidas a partir da hegemonia e do poder. Qualquer aliança construída a partir da fraqueza ou subordinação leva à subordinação dos interesses populares a outros, de setores ou grupos minoritários. Espera-se que aqueles que assumem essas posições de mediação entendam a diferença entre os conceitos de estratégia e tática e os apliquem corretamente, sem esquecer que errar em sua aplicação leva a erros dolorosos de dimensões imprevistas para o movimento popular.
Sergio Rodriguez Gelfenstein
***

Os essenciais * Comandante Tomas Borge / Nicarágua

 *OS ESSENCIAIS.*


"Os que lutaram, 

Os que militam, 

Os que vão lutar; 

Os que não se renderam, 

Os que não se entregam, 

Os que não se entregam; 

Os que sempre souberam que o poder não nasce da ponta do uma caneta e *aqueles que sabem que a consciência não cresce em pedra;* 

Aquele que sabe que as armas não se disparam com a língua; 

Aquele que tem história, 

*Aquele que conhece a história,*

Aquele que quer fazer parte da história; 

* Aqueles que são parecidos com tigres e nunca se confundem com hienas; *

Aqueles que criticam de frente e elogiam por trás; 

* Aqueles que não têm a palavra revolução nos lábios, mas amor revolucionário na superfície;* 

Aqueles que têm não aproveitam os cadáveres e choram seus mortos com os dentes cerrados; 

* Os que substituem os caídos em seus postos de combate e não os transformam em mercadoria; *

Os que não se envergonham da saudade e continuam apostando na vitória; 

Os que nunca foram derrotados apesar dos contratempos e carregam em seus braços você carrega o peso de uma responsabilidade histórica que eles já assumiram mais de uma vez; 

*Aqueles que nasceram muito tempo depois de seus pais e avós e caminham na mesma direção com os mais velhos;*

Os que nasceram há muito tempo e percorrem os caminhos originais apoiados em seus descendentes, orgulhosos de terem semeado; 

Aqueles que não zombam da dor alheia porque sentiram a dor seriamente e sabem do que se trata. *Esses são os essenciais."*

 

CDTE. THOMAS BORGE

Frente Sandinista de Libertação Nacional /FSLN-Nicarágua

domingo, 23 de janeiro de 2022

Vacina sim! * Wladimir Tadeu Baptista Soares / RJ

VACINA SIM!

Eu sou médico 

E professor de medicina. 

E toda a minha formação acadêmica, e tudo o que eu aprendi até hoje na minha profissão, eu devo ao conhecimento científico adquirido pela humanidade ao longo de toda a nossa existência. 

Aprendi com a ciência e, por isso, aprendi a respeitá-la. 

Aprendi a admirar e a respeitar os pesquisadores e cientistas de todo o mundo.

A descoberta de uma vacina, seja para que doença for, é motivo de grande orgulho para todos nós cidadãos do mundo. Porque a descoberta de algo que possa prevenir, evitar ou reduzir danos causados por qualquer doença é uma vitória da inteligência humana e um tremendo avanço civilizatório. 

Discursos negacionistas quanto aos fatos cientificamente comprovados proporcionados pela vacina devem ser lamentados como a expressão de uma desonestidade intelectual ou de burrice mesmo.

Muitos aqueles que combatem a vacina e propagam mensagens desestimulando a população a se vacinar estão vacinados, inclusive com dose de reforço. São hipócritas e agem de má fé; e muitos se dizem muito religiosos - a religião da ignorância e da maldade. 

Vacina é uma das descobertas mais maravilhosas do intelecto humano; é expressão máxima dos Princípios de Humanidade e de Cuidado.

Devemos todos declarar o nosso amor às vacinas

Tendo-as em nossos braços, correndo no nosso organismo, como parceiras do nosso sistema imune.

Vacina é pulsão de vida e um grito de não à morte. 

E vacina é pra todo mundo: crianças, adultos, idosos, gestantes. 

Então, vamos dar um "Viva!" à todas as vacinas já em uso pela humanidade e exigir que elas sejam um direito público subjetivo universal e bem comum da humanidade, porque diz respeito aos direitos à saúde e à vida - Princípios Éticos Universais da Humanidade. 

Sejamos todos pela ciência e pelo bem que ela pode produzir.

Que a gente possa sempre gritar: Vacina sim! Doença não!

Porque o ato de vacinar e de se vacinar é um ato de amor à vida e ao próximo - um dos ensinamentos daquele que nos criou.

Sejamos, assim, uma só voz: "Vacina sim! Vacina agora e sempre!"

 

Wladimir Tadeu Baptista Soares 

Cambuci/Niterói - RJ 

Nordestino 

wladuff.huap@gmail.com


sábado, 22 de janeiro de 2022

NOTA DE REPÚDIO A MANIPULAÇÕES CONTRA O POVO TUPINAMBÁ * Angelo Madson Tupinambá / PA

 NOTA DE REPÚDIO A MANIPULAÇÕES CONTRA O POVO TUPINAMBÁ

Puranga ara se Tupinambá anama itá!


Em nome da justiça e da verdade venho manifestar meu total repúdio em decorrência das falsas declarações, documentadas na “Ata da Assembleia Geral da Eleição e Posse do Cacicado da Associação Tupinambá / Aldeia São Francisco do Parauá” (parawá), visto que, em nenhum momento “foi deliberado poderes” a minha pessoa para “assinar em nome das 21 aldeias”, pois trata-se de “Procuração para Representar Pessoa Física”, meio convencional de representação legitima.

Portanto, é falsa, manipulada e manipuladora toda e qualquer afirmação nesse sentido. A procuração por instrumento particular é a regra, e não a exceção. Este documento foi elaborado no contexto do movimento “II Levante Tupinambá em Belém, de 7 de janeiro de 2001”, elaborado por advogada associada ao movimento para execução de atos comuns do dia a dia. Sendo o Ofício Circular encaminhado à Secretaria de Cultura do Pará - SECULT solicitando permissão para realização de ritual em Memória do Martírio do Cacique Guamiaba Tupinambá, nas dependências do Museu do Forte do Castelo, fundado em 1616 como núcleo da expansão Colonial e exploração do trabalho e recursos, aliado à guerra de extermínio para dominação da terra.
Durante o ritual em Belém contamos com a participação ativa de Raquel Sousa Chaves, que atualmente preside o Conselho Indígena Tupinambá. Por isso nos causa espanto e indignação tais declarações que não se coadunam com a verdade, se mostrando apenas como mecanismo de manipulação dos fatos para justificar a disputa interna de poder. E quem reproduz tais declarações demonstra amplo desconhecimento a respeito do tema e dos fatos históricos que não podem ser manipulados no tempo.

No entanto, após dias do Ritual Manifesto do Forte do Castelo, o movimento sofreu a intervenção direta de agentes políticos em Belém, ligados ao grupo que controla a Prefeitura Municipal (a citar, a Tendência Interna do PSOL – Primavera Socialista), fato que merece a devida averiguação competente. 

Neste momento há uma pré-candidatura à Deputada Federal na Capital paraense, que integra tal grupo político e que utiliza o nome Tupinambá, totalmente à revelia do Protocolo 169 da OIT. Portanto, temos evidências para crer na possível interferência externa destes agentes políticos partidários na ascensão de novas lideranças na região, perseguição de membros da Nação e no atual processo de negação ética dos povos, seja na cidade de Manaus no Amazonas, Belém do Pará ou São Luiz do Maranhão.
Com o desmantelamento deste movimento por tais forças e a eleição da nova diretoria do CITUPI, os efeitos da Procuração de Pessoa Física perderam os efeitos por solicitação do outorgante. Desta forma, não houve ilícito e qualquer declaração que afirme uso indevido da Autonomia e Autodeterminação dos Povos no Tapajós é falsa e manipuladora. Estamos atentos às expressões e atitudes desta natureza e não toleraremos em nenhuma hipótese tais práticas.

Manifesto ainda meu total respeito e consideração à grandiosa Liderança do Cacique Bráz Tupinambá, que em seu cacicado colocou os Tupinambá do Tapajós no mapa social do Brasil. O Encontro Ancestral do Povo Tupinambá no Tapajós é um patrimônio da luta de retomada ancestral na Amazônia e que, portanto, merece todo nosso respeito e valorização. Existem fatores externos que nos atravessam, mas a verdade e a justiça prevalecerá. O Amanhã nos pertence!

Angelo Madson Tupinambá, 

filho da Taba Mortiguera, antiga aldeia Aba Samaúma Mortiguar, atual cidade de Abaetetuba, que do Tupinambá siguinifica “Terra de Homens Verdadeiros!”
Belém do Pará, Território Ancestral Murucutu Tupinambá, 22 de Janeiro de 2022.
 
Kwekatu reté se anama itá!