sexta-feira, 25 de março de 2022

Osvaldão guerrilheiro invencível * Vilemar Ferreira da Costa / CE

OSVALDÃO GUERRILHEIRO INVENCÍVEL

Osvaldão foi morto em 1974, aos 35 anos de idade, e para servir de exemplo e acabar de vez com o mito do guerrilheiro invencível, ele teve sua cabeça decepada e exposta em público.


“Vi cortar a cabeça do Osvaldão. O sargento pegou a faca, lubrificou a faca e disse: É bandido, tu agora não mia mais (...). Aí pegou a faca, pegou a cabeça dele, botou um pau em baixo e foi cortando, cortando, cortando. Eu não tive coragem de olhar até ele terminar. Na hora que ele cortava eu não agüentei e afastei.” 


Esse testemunho em detalhe foi publicado no semanário Movimento (9/7/79), na entrevista “Cabeças cortadas do povo da mata” e o nome da testemunha foi omitido.  

Ousar Lutar! Ousar Vencer! Esquecer Jamais! Osvaldão Presente!!!

Para honrar os que lutaram e tombaram por Democracia e Justiça!!


Osvaldo Orlando da Costa, filho de José Orlando da Costa e Rita Orlando dos Santos, nasceu em 27 de abril de 1938, em Passa Quatro, Minas Gerais. 


Entre 1952 e 1954 morou em São Paulo, onde fez o Curso Industrial Básico de Cerâmica, o que lhe assegurou a condição de artífice em cerâmica. Mudou-se para o Rio de Janeiro, onde diplomou-se em técnico de construção de máquinas e motores pela Escola Técnica Federal no ano de 1958. 


Nesse período, participou ativamente das lutas estudantis.

Osvaldo Orlando, do alto de seus 1,98 metros de altura, pesando cem quilos e com seus sapatos número 48 fazia parte da equipe de boxe do Botafogo, e foi campeão competindo pelo time.


Também tornou-se oficial da reserva do exército brasileiro, após servir no CPOR/RJ.


Ingressou no Partido Comunista do Brasil – PCdoB.


Em Praga, Checoslováquia, formou-se em engenharia de minas.

Osvaldão foi um dos primeiros militantes do PCdoB a chegar à região do Araguaia, por volta dos anos de 1966-67 e tinha a tarefa de criar condições para a chegada de novos militantes e mapear a área. 


Embrenhou-se nas matas e percorreu os rios se apresentando como garimpeiro e mariscador. Tornou-se rapidamente conhecido e amigo dos camponeses, participou de caçadas e pescarias, trabalhou na roça, tornou-se grande conhecedor das matas. Em 1969, passou a viver na margem do rio Gameleira.


Foi comandante do destacamento B e dirigiu vários combates. Foi, ao lado de Dina (Dinalva Conceição Oliveira), o mais conhecido e respeitado guerrilheiro entre a população do Araguaia. Ele fazia parte do contingente guerrilheiro que rompeu exitosamente o cerco militar quando atacado por um grande número de tropas do exército em 25 de dezembro de 1973.


Segundo depoimentos de moradores da região, ele foi morto em abril de 1974, perto da localidade de São Domingos, próximo à Semana Santa. 


Foi ferido com um tiro de espingarda 22 na barriga disparado por Piauí, um bate-pau que fez isto por dinheiro. Em seguida foi fuzilado pelos militares. 


Seu corpo foi dependurado por cordas em um helicóptero que o levou de Saranzal, local onde foi morto, até o acampamento militar de Bacaba e de lá para Xambioá. Quando seu corpo foi içado pelo helicóptero, caiu e quebrou o pé esquerdo. 


Posteriormente sua cabeça foi decepada e exposta em público. Na base militar de Xambioá, seu cadáver foi mutilado por chutes, pedradas e pauladas dadas pelos militares e, finalmente, queimado e jogado no buraco, também chamado de "Vietnam" – vala situada ao final da pista de aterrizagem da Base Militar de Xambioá onde eram jogados os mortos e os moribundos. 


Com o término das operações militares nesta área, foi feita uma grande terraplanagem, que descaracterizou o local.

Os depoimentos colhidos pelos familiares nas diversas vezes que estiveram na região e as informações de jornais são coincidentes e se complementam.


O Relatório do Ministério do Exército diz que "foi morto em 7/fev/74". [Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964, Companhia Editora de Pernambuco, 1995]


Em seu artigo O pugilista vermelho, Rui Moura narra duas das histórias que imortalizaram o guerrilheiro Osvaldão na memória da população do Araguaia:


"Um grileiro foi ameaçar tirar a terra de Osvaldão e acordou, na sua casa, com o cano de um 38 cutucando seu rosto e a ordem, dada por ‘um negrão de quase dois metros de altura e com dois braços que pareciam duas pernas’, segundo descrição dos que o conheceram:


— Em vez de você ficar com minha terra, você dá a sua a uma família muito necessitada. A família já está aí, esperando. Vou lhe levar até a rodoviária e você não aparece mais aqui, senão morre. E se achar ruim morre agora que fica mais fácil...


O grileiro saiu com a surpresa de encontrar os novos proprietários e mais de 30 pessoas das redondezas que aplaudiam a atitude de seu Osvaldão, homem justo."


E outra:


Estando de passagem em casa de uma família camponesa, encontrou a mulher desesperada porque não tinha dinheiro para comprar comida para seus filhos. Era uma casa pobre. Não tinham nada. Osvaldo perguntou-lhe se queria vender o cachorro. 


A mulher, sem outra alternativa, disse que sim. Tanto ela como Osvaldo sabiam o que significava a perda do cão: mais fome, pois na região, sem cachorro e arma é difícil conseguir caça. Osvaldão pagou-lhe o preço do cão e, a seguir, disse-lhe: guarde-o para mim que eu não poderei levá-lo para casa agora.

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quinta-feira, 24 de março de 2022

Cidadania digital é um direito * Instituto Telecom

CIDADANIA DIGITAL É UM DIREITO

A sociedade capitalista tem como pressupostos o lucro, a competição destruidora, o consumo exacerbado. Todos esses fatores trazem consequências graves para o meio ambiente, a extinção de valores humanos, bens materiais se sobrepondo às relações humanas, guerras e aprofundamento das desigualdades sociais. É uma sociedade do desperdício, do supérfluo, da exclusão.


Enquanto poucos usufruem das mais avançadas tecnologias, a maior parcela ainda está submetida a condições de saúde, saneamento, tecnologias do século XIX. Exemplo cruel são as telecomunicações, essenciais para o exercício da cidadania.


Análise recente da União Internacional de Telecomunicações (UIT) constatou que os pacotes de internet fixa ficaram menos acessíveis no mundo em 2021, incluindo o Brasil. As pessoas tiveram que dispor de uma parcela maior de sua renda para pagar pelo mesmo serviço.


O levantamento, divulgado pela Teletime, mostra que os preços relativos da banda larga fixa no ano passado representaram em média 3,5% da renda nacional bruta per capita (GNI) em 180 países – ou acima dos 2,9% registrados em 2020. “No Brasil, os dados de 2021 indicam que a Internet fixa exigiu 3,49% da renda nacional bruta per capita – em 2020, o indicador apontava para 2,51%, o que já representava um aumento em comparação com o ano anterior”, diz a publicação.


O fato é que, no Brasil, o acesso digital é um total desastre. Pesquisa TIC Domicílios do CETIC.br 2020 dá ideia do tamanho do fosso digital que existe em nosso país. Entre os indivíduos das classes A (100%) e B (99%), o uso de Internet era quase universal, ao passo que entre os indivíduos das classes D e E a parcela de usuários de Internet era de 64%.O controle da infraestrutura de rede em nosso país está nas mãos das irmãs Vivo, Claro, TIM e Oi que concentram mais de 60% de toda banda larga, redes de celular, TV por assinatura.


A falta de conectividade atinge cerca de 6 milhões de alunos brasileiros que não possuem acesso à internet banda larga fixa ou móvel em casa. Desses, 4,2 milhões são alunos do Ensino Fundamental, conforme levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea. Grave. Como garantir a cidadania plena a essas pessoas que não conseguem nem acessar a internet?


Para o Instituto de Defesa do Consumidor- Idec, “consumidor não é apenas aquele que tem poder aquisitivo e participa do mercado de consumo, mas todos os cidadãos que têm direito ao acesso a bens e serviços essenciais para uma vida digna”. Na semana/mês do consumidor vale a pena refletir sobre quantos são os excluídos numa sociedade capitalista forjada pelo lucro e que não responde às demandas essenciais de cada cidadão.


Para mudar isso é preciso construir uma sociedade da cooperação, da solidariedade, do diálogo. Menos consumo exagerado e mais inclusão social/digital.


Instituto Telecom, Terça-feira, 22 de março de 2022

www.institutotelecom.com.br

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quarta-feira, 23 de março de 2022

GUERRA CONQUISTA CAPITALISMO * JOSÉ LUIS FIORI / SP

GUERRA CONQUISTA CAPITALISMO 

JOSÉ LUIS FIORI / SP

O projeto cosmopolita, pacifista e humanitário da década de 1990 foi atropelado pelo poder americano

OTAN CERCA A RÚSSIA


“Através da história, duas coisas foram ficando mais claras: em primeiro lugar, as guerras aumentam os laços de integração e dependência entre os grandes poderes territoriais deste sistema que nasceu na Europa a partir do séculos XIII e XIV; em segundo lugar, os poderes expansivos no “jogo das guerras” não podem destruir seus concorrentes/adversários, ou então são obrigados a recriá-los…E este talvez seja o maior segredo deste sistema: o próprio “poder expansivo” é quem cria ou inventa – em última instancia – os seus competidores e adversários, indispensáveis para a sua própria acumulação de poder”. (José Luís Fiori. “Formação, expansão e limites do poder global”, em O poder americano, Ed. Vozes).

É muito comum falar da aceleração do tempo histórico, apesar de que ninguém saiba exatamente o que isto significa, ou por que isto acontece.

Todos reconhecem, no entanto, que são momentos em que fatos e decisões importantes se concentram e se precipitam, alterando significativamente o rumo da história.

E hoje existe um grande consenso de que aconteceu algo desse tipo na virada dos anos 1990, provocando uma mudança radical no panorama geopolítico mundial na última década do século XX.

Tudo começou de forma surpreendente, na madrugada de 9 para 10 de novembro de 1989, quando foram abertos os portões e derrubado o muro que dividia a cidade de Berlim, separando o “Ocidente liberal” do “Leste comunista”.

O mais importante, entretanto, ocorreu logo depois, com o processo em cadeia de mudança dos regimes socialistas da Europa Central e Oriental, que levou à dissolução do Pacto de Varsóvia e à reunificação da Alemanha, no dia 3 de novembro de 1990, culminando com a dissolução da União Soviética e o fim da Guerra Fria, em 1991.

Naquele momento, muitos comemoraram a vitória definitiva (que depois não se confirmou) da “liberal-democracia” e da “economia de mercado” contra seus grandes adversários e concorrentes do século XX: o “nacionalismo”, o “fascismo” e, finalmente, o “comunismo”.

RÚSSIA OCUPA O MAR NEGRO E ISOLA A EUROPA

No entanto, o que de fato se concretizou naquela virada da História foi um velho sonho ou projeto quase utópico dos filósofos e juristas dos séculos XVIII e XIX, e dos teóricos internacionais do século XX: o aparecimento de um poder político global, quase monopólico, que fosse capaz de impor e tutelar uma ordem mundial pacífica e orientada pelos valores da “civilização ocidental”.

Uma tese que pôde finalmente ser testada depois da vitória avassaladora dos Estados Unidos na Guerra do Golfo, em 1991.

Trinta anos depois, entretanto, o panorama mundial mudou radicalmente.

Em primeiro lugar, os Estados e as “grandes potências”, com suas fronteiras e interesses nacionais, voltaram ao epicentro do sistema mundial, e a velha “geopolítica das nações” voltou a funcionar como bússola do sistema interestatal; o “protecionismo econômico” voltou a ser praticado pelas grandes potências; e os grandes “objetivos humanitários” dos anos 1990, e o próprio ideal da globalização econômica, foram relegados a um segundo plano da agenda internacional.

Mais do que isto, o fantasma do “nacionalismo de direita” e do “fascismo” voltou a assombrar o mundo, e o que é mais surpreendente, penetrou a sociedade e o sistema político norte-americano, culminando com a vitória da extrema-direita nas eleições presidenciais americanas de 2017.

Nesses trinta anos, o mundo assistiu à vertiginosa ascensão econômica da China, à reconstrução do poder militar da Rússia e ao declínio do poder global da União Europeia (UE).

Mas o mais surpreendente talvez tenha sido a forma como os próprios Estados Unidos passaram a desconhecer, atacar ou destruir as instituições globais responsáveis pela gestão da ordem liberal internacional instaurada nos anos 90, sob sua própria tutela, desde o momento em que declararam guerra contra o Afeganistão, em 2001, e contra o Iraque, em 2003, à margem – ou explicitamente contra – da posição do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Por último, e talvez o mais intrigante, é que a potência unipolar desse novo sistema, que seria teoricamente a responsável pela tutela da paz mundial, esteve em guerra durante quase todas as três décadas posteriores ao fim da Guerra Fria.

Começando imediatamente pela Guerra do Golfo, em 1991, quando as Forças Armadas americanas apresentaram ao mundo suas novas tecnologias bélicas e sua “nova forma de fazer guerra”, com o uso intensivo de armamentos operados à distância, o que lhes permitiu uma vitória imediata e arrasadora, com um mínimo de perdas e um máximo de destruição de seus adversários.
Foram 42 dias de ataques aéreos contínuos, seguidos por uma invasão terrestre rápida e contundente, com cerca de 4 mil baixas americanas e cerca de 650 mil mortos iraquianos.

Uma demonstração de força que deixou claro ao mundo a diferença de forças que havia dentro do sistema internacional depois do fim da União Soviética.

Depois disso, os Estados Unidos fizeram 48 intervenções militares na década de 1990 e se envolveram em várias guerras “sem fim”, de forma contínua, durante as duas primeiras décadas do século XXI.

Nesse período, os norte-americanos fizeram 24 intervenções militares ao redor do mundo e realizaram 100 mil bombardeios aéreos, e só no ano de 2016, ainda durante o governo de Barack Obama, lançaram 26.171 bombas sobre sete países. simultaneamente.[1]

Encerrou-se assim, definitivamente, a expectativa dos séculos XVIII, XIX e XX, de que um “superestado” ou uma “potência hegemônica” conseguiria finalmente assegurar uma paz duradoura dentro do sistema interestatal criado pela Paz de Westfália de 1648.

Ou seja, no período em que a humanidade teria estado mais próxima de uma “paz perpétua”, tutelada por uma única “potência global”, o que se assistiu foi uma sucessão quase contínua de guerras envolvendo a própria potência dominante (Fiori, 2008).

São números que não deixam dúvidas com relação ao fato de que o projeto cosmopolita, pacifista e humanitário da década de 1990 foi atropelado pelo próprio poder americano.

Uma constatação extraordinariamente intrigante, em particular se tivermos em conta que não se tratou de um acidente de percurso, ou apenas de uma reação defensiva datada.

Pelo contrário, tudo aponta para o desdobramento de uma tendência central que foi se desvelando através de uma sucessão de guerras, fossem elas defensivas, humanitárias, de combate ao terrorismo, ou simplesmente de preservação das posições de poder das grandes potências dentro do sistema internacional.

A análise dessas guerras que precederam e explicam em parte a atual Guerra da Ucrânia, somadas às guerras do século XX, permite-nos extrair algumas conclusões ou hipóteses que transcendem esta conjuntura, projetando-se sobre a história de longo prazo da guerra e da paz através da evolução das sociedades humanas.

Em primeiro lugar, a grande maioria das guerras não tem como objetivo a obtenção da paz ou da justiça, nem leva necessariamente à paz. Elas buscam sobretudo a vitória e submissão ou “conversão” dos adversários, e a expansão do poder dos vitoriosos.

A “paz” não é sinônimo de “ordem”, e a existência de uma “ordem internacional” não assegura a paz. Basta ver o que aconteceu nos últimos 30 anos, com a “ordem liberal-cosmopolita” que foi tutelada pelos Estados Unidos depois do fim da Guerra Fria, e que se transformou num dos períodos mais violentos da história norte-americana.

Como já havia acontecido, também, com a “ordem internacional” que nasceu depois da Paz de Westfália, período em que a Grã-Bretanha, sozinha, iniciou uma nova guerra a cada três anos, entre 1652 e 1919, mesma periodicidade que teriam as guerras norte-americanas, entre 1783 e 1945 (Holmes, 2001).

Dentro do sistema interestatal, a “potência dominante”, mesmo depois de conquistar a condição de um “superestado”, segue se expandindo e fazendo guerras, e necessita fazê-lo para poder preservar sua posição monopólica já adquirida.

O envolvimento dos EUA, por isso mesmo, a “potência dominante”, não tem compromisso obrigatório com o status quo que eles tutelam e ajudaram a criar. E, muitas vezes, eles são obrigados a modificar ou destruir esse status quo, uma vez que suas regras e instituições comecem a obstruir o caminho de expansão do seu poder (Fiori, 2008).

A paz é quase sempre um período de “trégua”[2] que dura o tempo imposto pela “compulsão expansiva” dos ganhadores, e pela necessidade de “revanche” dos derrotados.

Esse tempo pode ser mais ou menos longo, mas não interrompe o processo de preparação de novas guerras, seja da parte dos vitoriosos,[3] seja da parte dos derrotados.[4] Por isso se pode dizer, metaforicamente, que toda paz está sempre “grávida” de uma nova guerra.

Em todo tempo e lugar, a guerra aparece associada de forma indisfarçável com a existência de hierarquias e desigualdades, ou mais exatamente, com a existência do “poder” e da “luta pelo poder”.

Se essas hipóteses não forem refutadas, poderíamos concluir que o projeto kantiano da “paz perpétua” não é apenas uma grande utopia; é de fato um “círculo quadrado”, ou seja, uma impossibilidade absoluta.

Apesar disso, a “paz” se mantém como um desejo de todos os homens, e aparece no plano da sua consciência individual e social, como uma obrigação moral, um imperativo político e uma utopia ética quase universal.

Nesse plano, a guerra e a paz devem ser vistas e analisadas como dimensões inseparáveis de um mesmo processo contraditório, perene e agônico de anseio e busca dos homens por uma transcendência moral muito difícil de ser alcançada.

terça-feira, 22 de março de 2022

Rodrigo Amorim ameaça Aldeia Maracanã * Aleia Maracanã / R

 RODRIGO AMORIM AMEAÇA ALDEIA MARACANÃ

Este é o fascista que quebrou a placa de rua com o nome de Marielle Franco
Aqui, no sábado, dia 19/03/2022, rondando a Aldeia Maracanã cercado e capangas.

segunda-feira, 21 de março de 2022

Já pensou na próxima refeição? * Patrick Mateus / SP

JÁ PENSOU NA PRÓXIMA REFEIÇÃO?

Ah, troque o feijão preto por outras leguminosas. Quais? Grão de bico? Vinte golpes o quilo! Lentinha? Ervilha seca? Mais de dez golpes o meio quilo.

Troque carne por ovos! A dúzia: doze reais! Troque óleo de soja por banha de porco! A banha: vinte reais o quilo!

O que restou ao pobre? Já estão vendendo cascas de legumes no supermercado! CASCAS!

O agro que é tech, que é pop, e está na Globo, também está nos matando de fome!

Não existe mais política de segurança alimentar. Vão transformar toda a produção em "exportação, vão vender tudo para o mercado externo, e nosso povo vai morrer de fome, mesmo que seus impostos financiem a safra desses marginais!

Vai faltar fertilizante (pois os nitrogenados e derivados de potássio vem da Rússia) e a produção mundial vai diminuir. O valor dos cereais vai disparar. Eles vão desaparecer da mesa do brasileiro para encher os pratos dos europeus. Quem paga mais, leva!

Em um país que prezasse pelo estado de bem estar social, proibir-se-ia a exportação de todo e qualquer cereal até que o mercado interno estivesse fartamente abastecido, com preços indexados em real, ainda que subsidiados pelo Estado, e apenas o excedente seria exportado. Mas não no Brasil, aqui, primeiro se vende tudo o que puder ser vendido, e se sobrar, alimentem o povo.

O que precisa ser substituído é esse governo nazifascista, miliciano, corrupto, adepto do moralismo, quando na verdade é regado à mais pura devassidão. Um governo sustentado por seitas ditas cristãs, que na realidade não passam de balcões de negócio, onde o produto comercializado é a crença cega dos incautos, enganados pelos estelionatários da fé, em suas fogueiras santas, sua unção milagrosa com óleo perfumado, e suas mil e uma heresias profanas que nada tem a ver com o Jesus crucificado.

Um governo que é sustentado por tipos como um certo bispo católico Romano gaúcho, acusado de pedofilia, e que é expressão da defesa dos valores da "família tradicional cristã", enquanto abusava de jovens seminaristas na sacristia da Igreja. Ou então, pela sogra ultraconservadora de um político de direita, que cheirava cocaína na bunda de outra mulher.

É essa gente que defende o governo da fome, da carestia, da miséria, do desemprego e do ódio.

Não troque mesa farta por miséria! Troque a síndrome da classe média por consciência de classe. Troque o falso moralismo cristão por um cristianismo inclusivo e libertador.

Patrick Mateus

domingo, 20 de março de 2022

Mentira mata mais do que bala perdida * Adão Alves dos Santos / SP

 MENTIRA MATA MAIS DO QUE BALA PERDIDA

SE A VERDADE É A PRIMEIRA VÍTIMA DE UMA GUERRA, DE QUE VERDADE ESTAMOS FALANDO?

(CRÔNICAS PARA DESEMBURRECER TOMO DCXCVII)


Até citaríamos o autor da frase, mas até na origem desta frase, há controvérsias. Já falando em controvérsias, nossos crônicas, não são recomendadas para pessoas mentalmente acomodadas, falando francamente, os bolzominius, sempre de ofendem a ler estas crônicas!


Muito mais que um mergulho no tempo, na busca da verdade histórica, precisamos saber em quê, está verdade impacta na realidade visualizada por nós.


A realidade está fincada em toda a organização da sociedade, até mesmo nas sociedades que não comungam da mesma verdade. Estamos falando do sistema capitalista que tem sua origem do império romano, que por sua vez, está fundamentada no cristianismo, "quando falamos cristianismo, inclui-se aqui diretamente o judaísmo e islamismo". No entanto, a organização de todas a sociedades atuais, são organizadas a partir do capitalismo.


Voltemos pois à pergunta: qual verdade é a primeira vítima de uma guerra e, em que guerra esta verdade morreu?


A resposta infelizmente não é simples, se não é simples, não pode ser simplicista. Na origem desta verdade está a disputa da dominação de duas grandes teorias que tentam explicar a origem da humanidade. Estamos falando do criacionismo e do evolucionismo, sendo que a segunda se sub-divide. Falarmos aqui em "SOPA ORGÂNICA OU ORIGEM ALIENISTA", é uma questão menor.


Fato a espécie humana existe e crê em verdades construídas a partir de percepções de uma realidade que precisamos questionar. Voltamos aqui a pergunta inicial: qual é a verdade que morreu em que guerra?


Não há como iniciar esta resposta sem desmentir uma astronômica mentira. Carl Marx, o ser humano mais odiado por religiosos conservadores, provavelmente seja também o ser humano que mais se debruçou sobre a Bíblia e, grande parte de seus estudos, tem a Bíblia como base de estudo.


Adão Alves dos Santos / SP

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BIETE PRU CABRA CORONAVÍRUS * Cleudson de Araúo Correia / SINDIPERITO - Tocantins

 BIETE PRU CABRA CORONAVÍRUS









sábado, 19 de março de 2022

CARTA ABERTA À SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

 CARTA ABERTA À SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

-"Castrinho bozolóide em guerra com a educação"-

DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Rio de Janeiro, 17 de março de 2022 

Ao Secretario de Educação Alexandre Valle,  

Ao Presidente da Faetec João Carrilho, 

Aos demais responsáveis da Educação do Estado do RJ, 

Com cópia à Coordenação do Iserj 

Com cópia ao Ministério Público do Estado. 

Ao ver o nome de nossos filhos e filhas sorteados para o ISERJ, CAP-Faetec, nós choramos. Choramos de emoção, porque eles teriam acesso ao que deve ser direito  garantido a toda criança brasileira: uma educação pública, de qualidade e socialmente  referenciada. Ainda celebramos essa pequena vitória, mas poucas semanas  pertencendo a essa comunidade já nos fez lembrar que nenhum direito vem por  caridade, é preciso lutar incessantemente pelos direitos. 

Já passou um mês desde o início do ano letivo, uma retomada presencial  possível pelo recuo da pandemia COVID-19 depois que milhões de crianças e  adolescentes foram submetidos à falta de planejamento e condições a uma educação  digna por 2 anos. 

Tudo poderia ser comemoração, porém estamos diante de sérios problemas.  Como já foi divulgado pela imprensa, não há professores concursados e nem há  comida.  

Há professores aprovados em concurso, mas não há a posse dos mesmos. A  Faetec abriu processo seletivo para contratação de temporários há semanas, mas até o  dia de 17/03/2022 não havia profissionais para garantir as aulas de grande maioria das  turmas do ensino infantil, fundamental e do ensino médio. Após 3 adiamentos, a  coordenação do ISERJ tenta garantir o acolhimento das turmas sem aulas, convocando  professoras em processo de aposentadoria, revezando entre profissionais da diretoria  e outras medidas desesperadas a fim de evitar que as crianças fiquem mais tempo  largadas em casa.  

Lembremos a perda pedagógica principalmente para os menores que estão nos  primeiros passos da educação formal. Cada dia sem aula significa um século de  prejuízos para as crianças e para o futuro deste país. 

Para piorar: há poucos suprimentos destinados a lanche e estão sendo  racionados, com previsão de acabarem por completo ainda esta semana. Os alimentos  destinados a almoço e jantar nunca chegaram em 2022. Resultado: temos milhares de  

alunos na Rede sem almoço, sem jantar e com lanche racionado. Ninguém precisa  contar a notícia de que muitas vezes a única refeição do dia dos estudantes é o  alimento oferecido pela escola pública, ainda mais nos dias de hoje com o Brasil  novamente incluído no Mapa da Fome, organizado pela ONU. 

Por isto, considerando a responsabilidade legal, administrativa e social dos  dirigentes desta instituição e à frente da pasta de educação do Estado do RJ, queremos manifestar nosso repúdio diante desse quadro de completo abandono e descaso. A  situação é absolutamente indignante, ilegal, irresponsável e negligente.  

A menos que tal precarização do ISERJ seja parte de um projeto organizado de  desmonte do ensino público, não há nem como nem porque não ter professores  concursados convocados. A opção por contratos temporários como solução 

permanente é por si só uma medida defeituosa grave no serviço público que para se  oferecer eficiente e socialmente referenciado demanda estabilidade e vínculo de seus  funcionários. A experiência concreta demonstra isso. 

A contar pelo orçamento público votado e aprovado, não se trata de falta de  recursos ou dinheiro. Estamos diante da omissão, do deixar de fazer, de gestão pública  leviana e repito do abandono de toda uma comunidade de profissionais de educação,  seus estudantes, suas famílias e da sociedade. 

Diante do exposto, gostaríamos de reivindicar as seguintes medidas urgentes e  emergenciais: 

1. Início das aulas de turmas sem professor, considerando o anúncio que o Estado  havia contratado profissionais em caráter temporário; 

2. a convocação e posse dos professores que já foram aprovados em concurso com  validade; 

3. garantia da proposta pedagógica do próprio ISERJ da biodocência: dois professores  por turma; 

4. realização de concursos pra carreiras ainda não contempladas em concurso anterior;  5. entrega imediata dos insumos para merenda.  

Trata-se de um mínimo essencial. Sem isso, não há esforço e dedicação do atual quadro que resiste bravamente às deficiências estruturais que dê conta do que as  crianças e comunidade precisam. 

Não queremos chorar de decepção. Só de alegrias. 

Assinam em conjunto (atualizado até 17/03/2022): 

01 - Laura Abrantes 

Responsável de aluno de turma da Ed. Infantil – ISERJ 

02 - Pedro Farias Braga 

Responsável de aluno de turma da Ed. Infantil – ISERJ 

03 – Maria Elena Leboso Alemparte 

Avó de aluno de turma da Ed. Infantil – ISERJ 

04 – Celso Luiz Ribeiro Braga 

Avô de aluno de turma da Ed. Infantil – ISERJ 

05 – Anna Claudia L. da S. de Sousa 

Responsável de aluno de turma da Ed. Infantil – ISERJ 

06 – Adriana do Prado Pontes 

Responsável de aluno de turma da Ed. Infantil – ISERJ 

07 – Michele Alves Ferreira Estevão da Fonseca 

Responsável de aluno de turma da Ed. Infantil – ISERJ 

08 – Maria Luiza Rêgo 

Responsável de aluno de turma da Ed. Infantil – ISERJ 

09 - Anna Carolina Batista Bayer de Sá 

Responsável de aluno de turma da Ed. Infantil – ISERJ

Antonio Cabral Filho

Responsável de aluno da Escola Municipal Jornalista Campos Ribeiro

Roseli Brito Cabral

Responsável de aluno da Escola Municipal Hemetério Santos

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Folclore de guerra II * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

FOLCLORE E GUERRA II
Gabriel Doutor Jaci Beaurreau


REVISTA FORUM INFORMA:

O brasileiro Gabriel Santos Matos, que foi para a Ucrânia lutar no Exército contra a Rússia, anunciou pelas redes sociais que abandonou o país e foi para a Polônia. Natural de Canhoba, o mercenário bolsonarista disse que "foi pego de surpresa" com suas fotos "circulando pelas redes sociais e até mesmo nos jornais", já que apenas cinco pessoas sabiam da sua partida.

"Ao total foram sete dias de terreno, tive a oportunidade de filmar algumas coisas", escreveu, acrescentando que "em nenhum momento fui para Ucrânia na intenção de aparecer na mídia".

sexta-feira, 18 de março de 2022

Direito à moradia despejo zero * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

 DIREITO À MORADIA DESPEJO ZERO

O dia 17 de março de 2022 foi mais um dia de luta pela moradia, registrado com manifestações em todo o território nacional. Milhares de sem-teto foram para as ruas demonstrar o seu desespero por um teto ainda que precário. O foco desta vez foi a CAMPANHA DESPEJO ZERO, instituída por medida judicial enquanto durar a pandemia do covid-19. 

Em todos os Fóruns judiciais do pais foram ajuizados recursos ao STF para que prorrogue a medida do ESPEJO ZERO visando garantir esse humílimo direito.




Porta dos Fundos combatendo o crime * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

 Porta dos Fundos combatendo o crime 

PORTA DOS FUNDOS

FOLCLORE DE GUERRA I * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

 FOLCLORE DE GUERRA I

-Bolsonarista mercenário na guerra a Ucrânia-

*Vou desenhar um texto pra quem ainda não entendeu a guerra da Ucrânia* 


A esposa já deitada na cama disse ao marido que a Rússia está errada em invadir a Ucrânia, que a Ucrânia tem todo o direito de ter uma base da Otan no seu território.


O marido não disse nada. Levantou-se e foi até a cozinha. Pegou uma grande faca pontuda e voltou para o quarto.


A esposa, ao vê-lo, ficou assustada e perguntou:  "Mas o que você vai fazer com essa faca?"


"Vou deitar e deixá-la aqui, na mesinha ao meu lado", disse ele.


"Mas...  como é que eu vou conseguir dormir com esta faca enorme aí do seu lado? E se você me matar durante a madrugada?", questionou ela.


O marido finalizou: "Se você, que é minha esposa, não confia em mim, imagine a Rússia, tendo uma base da OTAN na vizinha Ucrânia, com uma ogiva nuclear apontada para sua cabeça, como é que vai conseguir dormir em paz todas as noites?"


Rogério Guimarães Oliveira

*

Episódio de humor involuntário:


"-Eu não sabia o que seria uma Guerra"


Grupo de Milicianos  Brasileiros, sem namoradas e com síndrome de micropenia, resolvem ir para a Ucrânia combater a União Soviética de Vladmir Putin.


E, para provar, para outros machos, que são realmente fodões, postam nas redes sociais selfies com fuzil na mão e cara de mau. Porém, detalhe: MARCAM NAS POSTAGENS A EXATA LOCALIZAÇÃO DO ACAMPAMENTO MILITAR UCRANIANO E A HASHTEG  "#lestedeLvivsetor6👆👆👆🇧🇷🇺🇦🇮🇱".


Os russos até demoram para acreditar e reagir. Acharam que era alguma pegadinha. Afinal, seria impossível alguém fazer algo tão burro.


Por via das dúvidas, mandaram 3 misseis nas ventas dos "heróis voluntários brasileiros" que, por sua vez, imediatamente lembraram que não levavam uma quantidade suficiente de cuecas limpas e vazaram para a Polônia.


Face a cagada, os Ucranianos dispensaram os milicianos brasileiros.


Já na Polônia, foram abordados pela imprensa sobre a experiência adquirida nos campos de batalha. A resposta:

"-Eu não sabia o que seria uma Guerra"