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sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

SOLIDARIEDADE AO PROF. ALYSSON MASCARO * Dom Orvandil/RS

SOLIDARIEDADE AO PROF. ALYSSON MASCARO

Creio em cada palavra dita neste vídeo pelo prof. Alysson Mascaro. Por isso me solidarizo incondicionalmente com ele, com seus familiares, alunos, militantes que o leem e com todo o povo brasileiro que o reconhece e respeita.

Já me manifestei pessoalmente em solidariedade ao prof. Alysson, por isso me sinto incluído no agradecimento que ele faz às pessoas que, ancoradas na verdade, na justiça e na luta contra o capitalismo em sua forma fascista, o abraçam e consolam neste comento de guerra e carnificina no ato satânico de cancelamentos de imagens e até das pessoas, fisicamente.

O objetivo de mais esta minha manifestação pública é a de reiterar a solidariedade ao intelectual perseguido, a de demonstrar fé na verdade e de apelar pela investigação dos criminosos e assassinos.

Abraços profundamente sensibilizados e solidários, companheiro Prof. Alysson Mascaro.

REVOLUÇÃO, JUSTIÇA E PAZ. VENCEREMOS!

Dom Orvandil.RS

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MASCARO COMENTA NOTA PÚBLICA
ALYSSON MASCARO - DOM ORVANDIL

domingo, 16 de junho de 2024

FORA LIRA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT


VIDA PREGRESSA

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A perversidade tomou conta do Brasil
Rudá Ricci

Tenho a impressão de que giramos a chave no Brasil. A perversidade, revestida de fundamentalismo religioso, foi além do imaginável com a PL do Estupro. Foi como um soco no estômago de quem tem um mínimo de empatia com a vida de crianças que sofreram abusos e atrocidades.

Ao ver o rosto impassível de Arthur Lira após encaminhar nebulosamente a votação simbólica da urgência deste projeto de lei da perversidade, veio à mente uma passagem de uma minissérie sobre Marco Polo. A cena se passa na segunda temporada desta série é uma das mais angustiantes que já assisti: Kublai Khan abraça a criança Zhao Xian e o sufoca até a morte. A criança representaria uma ameaça ao avanço do poder mongol no sul da China porque fazia parte da dinastia que acabava de ser destruída.
A repulsa que a cena causa tem relação direta com a PL do Estupro. A reação das mulheres que saíram às ruas em tantas cidades brasileiras na noite de quinta-feira, dia 13, um dia após o dia que o comércio comemora as vendas do dia dos namorados foi um alento, mas não limpou o gosto amargo que permanece na boca de quem não consegue entender como a maldade avança em nosso país com tanto desembaraço.
Acredito que tudo começou com o arrombamento da “Janela de Overton” a partir de 2015. Esta janela indicaria a tolerância de uma sociedade ou comunidade a respeito de comportamentos ou ideias que passam a ser aceitáveis. Em 2015, o Brasil sofreu um ataque de escroques que articularam ofensas gratuitas no parlamento brasileiro e que se somaram aos ataques em massa desferidos nas redes sociais. A fusão das duas frentes atordoou os setores progressistas que demoraram a reagir. O ataque que alargou os batentes da Janela de Overton brasileira envolveu um enorme investimento de setores empresariais. Somente entre janeiro de 2019 e agosto de 2021, período do desmando do governo Bolsonaro, onze canais bolsonaristas no YouTube, responsáveis por propagar fake news sobre as urnas eletrônicas e defender o governo federal, lucraram mais de 10 milhões de reais, segundo o TSE.

Segundo o Intercept Brasil, o governo Bolsonaro entregou mais de R$ 11 milhões ao Google, entre maio de 2019 e julho de 2020, para que o gigante da internet distribua anúncios do governo de extrema direita pela internet. Parte considerável desse dinheiro (até 68%, segundo o próprio Google) foi parar no bolso dos editores dos sites que veiculavam fake news.

A enorme manipulação da opinião pública disseminada por 7 anos seguidos gerou um esgoto informacional que quebrou parte dos limites morais que definia a identidade pública dos brasileiros.

Tenho para mim que o impacto desta quebra de limites morais foi tão significativo que atingiu a leitura dos segmentos democráticos organizados em partidos políticos. A convicção sobre a aliança necessária para se vencer o extremismo fascista no Brasil criou uma chancela para construção de uma amálgama estranho, desequilibrado, quase amorfo.

E é este cenário que liberou as maldades na Câmara dos Deputados. Não se trata de um parlamento majoritariamente conservador. O pensamento conservador, a começar pelos princípios do seu grande formulador, Edmund Burke, nunca rompeu com princípios morais básicos, de defesa da infância, por exemplo. O que temos no parlamento brasileiro não é conservadorismo, mas escárnio. Uma ambição política tão desmedida que não teme dizer seu nome em canais de TV à cabo, declarando que vão impor o fim do aborto “custe o que custar”, incluindo o futuro de crianças abusadas, o que criará um ciclo sem fim de sofrimento e segregação social.

Não há como respirar ar puro num país que não consegue conter mais a maldade dos fundamentalistas que colocam seu poder e ideário acima da vida e da humanidade. Não há como alimentar esperança num país em que fundamentalistas zombam de quem consideram que vivem à sua mercê.

No Império Mongol não havia o conceito de sociedade civil. Os mongóis eram caçadores e exploravam rebanhos, passando a maior parte da sua vida na sela de seus pôneis das estepes. Aprendiam a cavalgar e usar armas ainda com pouca idade. Autores, como o consagrado Reinhard Bendix, sugerem que as sociedades que foram dominadas pelo Império Mongol não conseguem, ainda hoje, consolidar uma democracia porque vivem sob o manto da violência e imposição das elites nacionais.
Não temos na nossa história qualquer vínculo com o Império Mongol. Porém, o fundamentalismo desumano que toma conta da Câmara dos Deputados procura, de todas as formas, negar os princípios da sociedade civil e sufoca o futuro de muitas crianças brasileiras. Um basta seria pouco para este tipo de ataque à democracia e humanidade em nosso país. É preciso algo grandioso para restabelecermos as bases da nossa Janela de Overton.
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quinta-feira, 26 de outubro de 2023

REDE GLOBO OFENDE O POVO PALESTINO * REVISTA FORUM

REDE GLOBO OFENDE O POVO PALESTINO
-DOIS PAUS-MANDADOS DA GLOBO-

Nas coberturas internacionais da grande imprensa brasileira, a linha editorial predominante sempre será aquela que esteja em acordo com os interesses das agendas externas das potências imperialistas. Não há exceção.

Nesse sentido, para tentar atrair a adesão do público, os discursos geopolíticos da mídia recorrem a determinados atalhos cognitivos (recursos linguísticos para tornar inteligível para o cidadão comum a caótica configuração das relações internacionais) e utilizam estratégias de manipulação como enquadramentos, fragmentação dos fatos, ocultação de condicionantes históricos e escolha de certas fontes em detrimento de outras.

No último sábado (7), a manchete dos noticiários internacionais dos principais veículos de comunicação do país (com poucas variações) foi a seguinte: “Ataque do grupo terrorista palestino Hamas surpreende Israel”.

Para o leitor/telespectador/ouvinte que não está familiarizado com a geopolítica palestina, a impressão é a de que o Estado de Israel foi “vítima” de um “ataque gratuito” dos “terroristas do Hamas”.

No entanto, se trata de pura manipulação midiática.

Conforme afirmou o professor Reginaldo Nasser, em entrevista à Fórum, o rótulo de “terrorista” ao Hamas é completamente inadequado, haja vista que o grupo, atualmente, é uma organização política que, na verdade, deflagrou uma operação militar contra o cerco ao seu território (Faixa de Gaza). Ou seja, não houve um “ataque à Israel”, mas uma “reação legítima” à ocupação israelense exercida sobre o território pertencente, por direito, ao povo palestino.

Mas as manipulações midiáticas não pararam por aí. Como já bem apontou Perseu Abramo, uma das principais estratégias de manipulação da grande imprensa brasileira é o chamado “padrão de ocultação”, que se refere à ausência e à presença dos fatos reais na produção jornalística. Não se trata, evidentemente, de fruto do desconhecimento, e nem mesmo de mera omissão diante do real. É, ao contrário, um deliberado silêncio militante sobre a realidade.

Desse modo, é ocultado nos noticiários a informação de que Gaza – cercada por terra, mar e ar pelo Estado de Israel – apresenta uma das piores situações humanitárias no mundo (onde a insegurança alimentar é extremamente alta, chegando a 75-80% e, ainda por cima, há um controle rigoroso sobre a entrada de alimentos).

Além disso, é importante lembrar do silêncio midiático sobre a recente onda de ações do governo de extrema direita de Benjamin Netanyahu contra os palestinos, sobretudo em locais sagrados para o Islã, como a Mesquita de Al-Aqsa. Trata-se do motivo alegado pelo Hamas para a ofensiva contra Israel. Qualquer jornalismo minimamente plural, que ouve os dois lados de um conflito, teria mencionado esta questão.

Consequentemente, na grande mídia, as investidas do grupo palestino contra o Estado Sionista não tiveram causas; somente consequências. Desse modo, ocultando os fatos citados acima, é possível construir a narrativa de “ataque terrorista surpresa contra Israel”.

Mas não basta rotular o Hamas como “terrorista” e Israel como “vítima”, constituindo o atalho cognitivo maniqueísta de dividir o mundo entre “bem” e o “mal”. É preciso gerar aquilo que o linguista francês, especialista em Análise do Discurso, Patrick Charaudeau, chama de “efeito patêmico”, cujo objetivo é o engajamento/envolvimento da instância da recepção, por meio de performance no mundo dos afetos, despertando no público sentimentos como ódio, compaixão, tristeza e/ou solidariedade.

Assim, são incessantemente mostradas imagens das vítimas israelenses dos “ataques do Hamas”. As perdas do outro lado, diga-se de passagem, em número muito maior, são estrategicamente negligenciadas. Não por acaso, as reportagens em Israel privilegiam as perdas humanas; enquanto as notícias sobre Gaza enfatizam as perdas materiais.

Também nessa linha, é construído o discurso de que o exército de Israel visa somente “instalações militares” e o Hamas “ataca, sobretudo, a população civil; logo, é terrorismo”.

Felizmente, essa manipulação foi desmentida pela professora Isabela Agostinelli dos Santos, em plena Globonews, no programa Edição das 17h, ao afirmar que, qualquer pesquisa rápida, é suficiente para se constatar que os bombardeios de Israel atingiram civis e hospitais em Gaza. Portanto, segundo a professora, “os palestinos têm o direito de se defender, da forma como puder”.

No entanto, ao contrário de Isabela, a maioria dos “especialistas” ouvidos pela mídia sobre o conflito Israel-Hamas se limitaram a repetir os mesmos chavões, maniqueísmos e lugares-comuns presentes nas “análises” de articulistas “isentos”, como Demétrio Magnoli, Jorge Pontual e Guga Chacra. “A Comunidade Internacional condena os ataques terroristas do regime do Hamas a Israel”, foi o que mais se ouviu/leu nos noticiários nos últimos dias.

Aqui, os discursos geopolíticos da mídia recorrem a um recurso metonímico, que visa difundir os interesses das grandes potências como se também fossem os interesses de todo o planeta. A expressão “Comunidade Internacional” não está relacionada a um possível consenso entre as diferentes nações sobre uma questão geopolítica. Ela geralmente reflete tacitamente os posicionamentos dos Estados Unidos e seus aliados.

Países como China, Rússia, Noruega e Suíça, membros da “Comunidade Internacional”, não rotulam o Hamas como uma “organização terrorista”.

Já o termo “regime” está associado a autoritarismo, desrespeito aos direitos humanos ou ausência de liberdades individuais. Nessa lógica, não vemos nos noticiários referências como “o regime de Israel” ou “o regime dos Estados Unidos”.

Por fim, remetendo à memória geopolítica do público, a mídia hegemônica está tentando emplacar a narrativa de que o “ataque terrorista do Hamas” é o “11 de setembro israelense”.

Isso não é por acaso. O “11 de setembro” talvez seja o maior exemplo de como o “evento midiático” substituiu o “acontecimento histórico” no imaginário coletivo. A maioria das pessoas não lembra do “11 de setembro” em toda sua complexidade, como uma “resposta” dos povos muçulmanos a anos de humilhações impostas pelos Estados Unidos (o “acontecimento histórico”); mas a partir das imagens de indivíduos se jogando desesperadamente das Torres Gêmeas do World Trade Center (o “evento midiático”). Ou seja, lembram da “forma” em detrimento do “conteúdo”.

Assim, os ataques de Al Qaeda e Hamas – contra Estados Unidos e Israel, respectivamente – podem ser percebidos como algo que “aconteceu do nada”, por meio das ações de “fanáticos muçulmanos”.

No entanto, ao contrário de duas décadas atrás, quando os grandes grupos de comunicação reinavam praticamente soberanos no tocante à difusão de informações sobre os principais acontecimentos planetários; atualmente, com as redes sociais, temos acesso a visões alternativas sobre a geopolítica global, o que torna mais difícil para a mídia hegemônica transformar sua construção discursiva em “versão oficial” de um determinado acontecimento (naquilo que Noam Chomsky designava como “consenso fabricado”).

Por isso, mais do que nunca, é importante desvelar a ideologia dos noticiários internacionais, seus mecanismos manipuladores e armadilhas discursivas.

Receptores críticos, que checam informações e comparam diferentes tipos de fontes dificilmente serão alvos vulneráveis às narrativas da grande mídia.

Assim, ao compreendermos a linguagem utilizada pelos veículos de comunicação, não ficamos reféns de uma linha editorial que busca explicações simplórias e tendenciosas para os mais complexos temas da atualidade. Significa, sobretudo, não se tornar um “analfabeto geopolítico”.

quinta-feira, 31 de agosto de 2023

COMO A MÍDIA MENTE * Bepe Damasco/Pátria Latina

COMO A MÍDIA MENTE
Bepe Damasco/Pátria Latina
Imaginemos um país no qual um governante de esquerda monta uma frente contra o fascismo e obtém uma épica vitória eleitoral, derrotando um Estado corrompido e autoritário, posto a serviço do presidente de turno?

Só que o novo mandatário, por motivos que dariam margem a estudos aprofundados, elege poucos deputados e senadores afinados política e ideologicamente e se vê forçado a negociar com a majoritária banda conservadora e reacionária do legislativo de seu país.

É a única maneira de aplicar o máximo possível seu programa de governo e não trair promessas de campanha. Até agora a missão vem sendo cumprida, pois apresenta um cipoal de realizações, em apenas oito meses de mandato, digno de nota.

Mas, nesta nação, existe um oligopólio midiático, liderado por uma poderosa empresa de comunicação. Esse grupo diverge radicalmente dos ideais do chefe do governo e tem urticária só de ouvir falar em soberania popular e nacional, justiça social, estado como indutor do desenvolvimento, bem como de inclusão de pobres no orçamento.

Ato contínuo, monta-se um cerco ao governo, na linha do “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.”

Vejamos:

Fato 1: Governo encontra dificuldade na tramitação de algumas matérias de seu interesse no parlamento.

Imprensa corporativa: “A articulação política do governo é incompetente e não consegue formar uma base de apoio forte no Congresso.”

Fato 2: Governo consegue aprovar novas regras fiscais e quebra o tabu da reforma tributária.

Imprensa corporativa: “Na verdade quem saiu vitorioso foi o presidente da Câmara dos Deputados. O governo não tem mérito no resultado, pois mais atrapalhou do que ajudou.”

Fato 3: Para emplacar matérias relevantes para o país, o governo, nas negociações com o parlamento, flexibiliza alguns pontos e desiste de outros.

Imprensa corporativa: “Governo foi emparedado pelo presidente da Câmara dos Deputados.”

Fato 4: Governo resiste a pressões para entregar ministérios estratégicos ao bloco conservador, liderado pelo presidente da Câmara.

Imprensa corporativa: “Presidente prejudica o país ao adiar indefinidamente a reforma ministerial.”

Fato 5: Mudanças no ministério ganham contornos mais nítidos e seu anúncio é questão de dias.

Imprensa corporativa: “Governo sacrifica aliados e se rende aos partidos de centro e de direita.”

Fato 6: Resultados positivos da economia já se refletem nas pesquisas.

Imprensa corporativa: “Os números promissores da economia nada tem a ver com o governo, mas sim com outros fatores. O atual presidente da República é um sujeito de sorte. Além disso, seu avanço nas pesquisas deve-se, principalmente, ao desgaste do ex-mandatário.”

Moral da história: deve ser exasperante viver em um país cujos veículos de comunicação fazem da desonestidade intelectual e da manipulação política as molas-mestras de sua atuação.

sexta-feira, 19 de maio de 2023

DEMOCRACIA SEGUNDO TIO SAM * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

DEMOCRACIA SEGUNDO TIO SAM
Os Estados Unidos se apresentam como uma democracia, mas na realidade são uma ditadura disfarçada. Seu sistema eleitoral é injusto e antidemocrático, pois não respeita o voto popular dos cidadãos, mas se baseia em um colégio eleitoral de representantes que podem votar contra a vontade da maioria. Além disso, os Estados Unidos são dominados pelo capitalismo, um sistema econômico e social que explora os trabalhadores. O capitalismo é uma ditadura do capital, que impõe seus interesses acima dos direitos humanos e da preservação do planeta. Por essas razões, os Estados Unidos não são uma verdadeira democracia, mas uma ditadura que oprime seu povo e o resto do mundo.
FRENTE REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES

domingo, 7 de maio de 2023

BANDITISMO DIGITAL * ARTHUR COELHO BEZERRA/UFRJ.RJ

 BANDITISMO DIGITAL
ARTHUR COELHO BEZERRA*

Gigantes de tecnologia como Alphabet, Meta e Twitter querem impedir a todo custo a aprovação da Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência da Internet

Na breve época de ouro da internet, quando proliferavam blogs pessoais, salas de bate-papo e compartilhamento peer-to-peer de arquivos no ambiente virtual (termos que parecem ter caído em desuso), o pensador franco-tunisiano Pierre Lévy ganhou fama com livros que incensavam uma espécie de utopia tecnoliberal, projetada pelas potencialidades do tal novo mundo virtual. Termos como “inteligência coletiva”, “democracia eletrônica” e “universos de escolha” compunham o ideário de sua cibercultura, cujo substrato humano estaria nas “comunidades virtuais” formadas por pessoas interconectadas em rede.

Os exemplos que Pierre Lévy lista em seu livro Cibercultura, de 1999, para ilustrar as tais comunidades virtuais são prosaicos: “fãs da culinária mexicana, amantes do gato angorá, fanáticos por uma determinada linguagem de programação ou leitores apaixonados de Heidegger, outrora dispersos pelo planeta, agora têm um lugar familiar para se encontrar e conversar”. É curioso que, de todo o panteão da filosofia, a escolha leviana (com trocadilho) tenha recaído sobre um pensador alemão que não escondia sua simpatia pelo antissemitismo e pelo partido nazista, do qual Heidegger fez parte de 1933 até a sua dissolução, no fim da Segunda Guerra.

Se o filósofo antissemita estivesse vivo e no vigor de seus 133 anos, não lhe faltariam comunidades virtuais para bater papo com seus semelhantes: como se sabe, a cibercultura dos novos anos 2020 está coalhada de grupos fascistas, misóginos, homofóbicos, racistas, golpistas e todo tipo de gente que utiliza as redes digitais para compartilhar ódio, raiva e bílis. O ódio é um afeto poderoso, que gera identificação com quem o compartilha e indignação de quem não o compartilha (ou, pior, é dele alvo).

Por isso, tanto nas redes sociais quanto em sites de notícias (sejam verdadeiras ou não), o discurso de ódio gera engajamento – não aquele antigo significado de engajamento, que se refere à participação em protestos, lutas trabalhistas, movimentos sociais ou partidos políticos. Na internet, o engajamento não é qualitativo e sim quantitativo, um fenômeno mensurável pela interação dos usuários da rede com determinado conteúdo. Essa interação gera a produção de dados por meio de cliques, comentários, compartilhamentos e visualizações, engordando o big data das corporações da internet.


Há um outro fator que é fermentado pela cibercultura de nossos dias e que resulta desse compartilhamento afetivo de comunidades misóginas, racistas, homofóbicas, fascistas e golpistas, ou seja, da hipertrofia do ódio: seu corolário é a atrofia da razão, da reflexão, da ponderação, enfim, do pensamento equilibrado, racional e razoável. O definhamento da razão, por sua vez, tem historicamente se mostrado um eficiente método para adubar o terreno no qual mentiras, notícias falsas e demais táticas de desinformação serão plantadas por indivíduos e grupos com interesses políticos e econômicos.

Assim como o ódio, a mentira também gera engajamento nas redes: notícias falsas são compartilhadas por quem acredita nelas ou por quem as faz circular por má fé, interesse pessoal ou canalhice, e são refutadas, desmentidas e denunciadas por quem age em defesa da verdade dos fatos. Em ambos os casos, retomando o livro contábil das big tech, o engajamento é medido pela interação dos usuários da rede com esse conteúdo, que gera a produção de dados por meio de cliques, comentários, compartilhamentos e visualizações, novamente dilatando o big data das corporações da internet.

A socióloga Shoshana Zuboff usa o termo “indiferença radical” para se referir à postura das big tech em relação ao que é curtido, clicado ou compartilhado em suas plataformas, valendo-se do surrado discurso da neutralidade tecnológica para se isentar do conteúdo disponibilizado por seus usuários. No entanto, considere-se a ampla circulação na internet de discurso de ódio, desinformação política e negacionismo científico e ambiental, aliada ao recrudescimento de comunidades virtuais terraplanistas, antivacinas e discriminatórias que financiam o impulsionamento de conteúdo desinformativo nas redes, prática que gera engajamento a partir dos critérios de relevância dos algoritmos que organizam a informação nas plataformas, sendo estes projetados segundo o interesse comercial de corporações bilionárias. São fatos que, mais do que levantar dúvidas, revelam as falácias a respeito da neutralidade moral das plataformas.

A essa altura, parecem estar claros os motivos pelos quais grandes empresas de tecnologia como a Alphabet (proprietária do Google e do YouTube), a Meta (dona do Facebook, do Instagram e do Whatsapp) e o Twitter querem impedir, a todo custo, a aprovação da Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência da Internet, que se propõe a regular as plataformas digitais de comunicação para que tenhamos um ecossistema informacional mais saudável, seguro e confiável. O PL2630, projeto de lei conhecido como “PL das Fake News”, prevê novas regras para o uso de redes sociais, aplicativos de mensagem instantânea e mecanismos de busca.

Nos capítulos do projeto que tratam da responsabilização e regulação das plataformas, figuram temas como a remuneração por conteúdo musical, audiovisual e jornalístico compartilhado nas plataformas digitais, o uso das redes sociais por crianças e adolescentes, a prática de crimes de racismo, discriminação, de terrorismo e de atentados contra o Estado de Direito, bem como a responsabilização (inclusive criminal) pela propagação de mensagens falsas em massa. Todos os itens elencados geram lucro para as big tech, que constantemente se esquivam de assumir responsabilidade sobre o conteúdo que circula em suas redes e tampouco prestam contas sobre as práticas de mediação algorítmica que tornam esta ou aquela informação visível ou invisível.

Passados mais de dois anos de discussões desde a sua apresentação em 2020, e depois de sofrer cerca de 90 emendas em seu texto original (dizia Bismarck que as leis são feitas como as salsichas), o retalhado e já combalido projeto finalmente foi entregue à Câmara dos Deputados pelo relator Orlando Silva na quinta-feira, dia 27 de abril, para ser votado na terça seguinte, dia 2 de maio.

Steve Bannon

Porém, um dia antes da votação, o jornal Folha de S. Paulo veicula uma reportagem sobre a ofensiva da Google contra o PL das Fake News. A jornalista Patrícia Campos Mello, que assina a matéria, apresenta as conclusões de um estudo do Laboratório de Estudos de Internet e Mídias Sociais (NetLab), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que aponta que Google, Meta, Spotify e Brasil Paralelo anunciam e veiculam anúncios contra o PL 2630 de forma opaca e burlando seus próprios termos de uso, indicando os resultados de busca da Google para influenciar negativamente a percepção dos usuários sobre o projeto de lei.

No mesmo dia, muitos pesquisadores e usuários do Google compartilharam um print com a frase “O PL2630 pode aumentar a confusão sobre o que é verdade ou mentira no Brasil” estampada na página inicial do buscador, o que contribuiu para a decisão de abertura de um inquérito pelo ministro Alexandre de Moraes para julgar a conduta da empresa. Não obstante, o objetivo da big tech foi alcançado: no próprio dia 2 de maio, sob pressão da Google, da Meta, do Tik Tok e da oposição de direita (com forte atuação da bancada evangélica), a Câmara resolve adiar a votação por tempo indeterminado.

A postura da Google em relação ao PL2630 faz lembrar o escândalo envolvendo a coleta de dados que a Cambridge Analytica fez de milhões de usuários do Facebook, para, dentre outros expedientes, manipular o resultado da eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e do Brexit no Reino Unido, em 2016. O caso fez com que Mark Zuckerberg fosse obrigado, como cidadão norte-americano, a passar por uma sabatina de mais de 600 perguntas em cerca de dez horas de depoimento em Washington, às quais respondeu da forma mais evasiva que foi capaz.

Já em relação às três intimações para depor que recebeu do parlamento britânico, o dono do Facebook, em termos metafóricos, apenas mostrou o dedo para os ingleses – e não foi o polegar do famoso “joinha” da rede azul. A insolência de Zuckerberg ao ignorar as intimações levou o parlamento britânico, no relatório sobre desinformação e fake news que publicou em 2019, a afirmar que “empresas como o Facebook não devem se comportar como “gangsters digitais” no mundo online, considerando-se estar à frente e além da lei”. O mesmo deve valer para o Twitter de Elon Musk, o Google de Larry Page e Sergey Brin e para qualquer CEO ou empresa que se julgue o Alpha e o Omega do universo digital.

*Arthur Coelho Bezerra é professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação do IBICT-UFRJ.

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Quem teme a lei das fake news * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

QUEM TEME A LEI DAS FAKE NEWS
O CRIME DA FAKE NEWS

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Quem é contra censurar Fake News? Quem é contra censurar a mentira, o racismo, LGBTfobia, ataques à democracia, incentivo à violência?

A liberdade religiosa está protegida pela lei.

Quem espalha Fake News é contra essa lei!

E quem não quer pagar direito autorais também!

Lei da transparência no Ambiente Digital!!!


CONHECIMENTO DE CAUSA

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sábado, 10 de dezembro de 2022

O QUE O JN SEMPRE ESCONDE DE VOCÊ * Ângela Carrato - G1

O QUE O JN SEMPRE ESCONDE DE VOCÊ

Ângela Carrato / https://www.globo.com/


Roberto Marinho sempre disse que tão importante quanto o que os seus veículos de comunicação publicavam era o que deixavam de publicar.


Como o silenciamento seletivo do Jornal Nacional é historicamente um crime cometido contra o direito da população brasileira à informação, passo a fazer, a partir de hoje, a relação dos assuntos que não foram notícia ou foram abordados de forma superficial por este telejornal. 


Até porque ninguém com um mínimo de discernimento  pode acreditar que está tudo tranquilo e que as instituições funcionam plenamente. 


A edição desta noite do JN (5/12) dedicou 85% do seu tempo à  Copa do Mundo, com destaque para a vitória da seleção brasileira sobre a Coreia do Sul. 


Esse tempo absurdamente excessivo acaba encobrindo o que os irmãos Marinho preferem não abordar. A saber:


NO PLANO NACIONAL


1. A tramitação da PEC do Bolsa Família, que tem semana muito importante no Congresso Nacional. É  fundamental para o futuro governo Lula que ela seja aprovada, mas o jogo será bruto. Os Marinho não  querem desagradar o Arthur Lira, o Centrão e menos ainda facilitar a vida de Lula. O que está  em jogo é  o combate à  fome de 33 milhões de brasileiros e recursos para a saúde e educação. Mas para a Vênus Platinada, o povo que se dane. O importante é tentar manter o futuro governo em rédeas as mais curtas possíveis.


2.  A Justiça embargou a compra de 90 tanques de guerra por parte do governo Bolsonaro. O custo seria de R$ 5 bilhões. Em final de governo e Bolsonaro alegando falta de recursos até  para pagar os aposentados, esse assunto ganha a maior relevância. Mas os Marinho preferem não falar nada por causa das velhas amizades com os milicos. Ninguém pode se esquecer que a TV Globo cresceu servindo à ditadura e ainda tem um pé  nos quartéis.


Detalhe: os tanques seriam comprados da Itália, hoje governada pela extrema-direita.


3. O STF vota, na quarta-feira, uma importante ação envolvendo o orçamento secreto. Como se sabe, esse orçamento é  a grande arma de que dispõe Lira para controlar a maioria na Câmara dos Deputados e peitar o Executivo. Derrotar o orçamento secreto é  fundamental para a democracia no Brasil, mas a família Marinho não admite notícia que possa  criar qualquer embaraço para o "coronel" Lira. 


4. O trabalho da Equipe de Transição de Lula e a preparação para a posse do novo presidente. É  inaceitável que faltando 26 dias para a posse não haja nenhuma informação sobre o assunto. "Esquenta"  na Globo só vale para Copa do Mundo e Carnaval?


5. A ação do ministro Alexandre de Morais contra as fake news, em especial no caso da deputada Carla Zambelli. A fake news de Carlos Bolsonaro sobre a ferida na perna do pai. Mostrar isso para o público é  fundamental para desconstruir a narrativa golpista da extrema-direita. Mas a Globo se cala. E quem cala, consente.


6. Passou da hora do JN mostrar o golpismo dos "patriotários". O não mostrar não tem nada a ver com não dar espaço a eles. Tem a ver com não se indispor com a milicaiada golpista. Mas o papel da mídia não é  informar?


6. O governador eleito de São Paulo prepara a bolsonarização do seu secretariado. Vale dizer: o Palácio dos Bandeirantes vai ser transformado em trincheira para os derrotados no plano federal.


NO PLANO INTERNACIONAL


1. O presidente eleito recebeu hoje a visita do assessor de Relações Internacionais do governo Joe Biden, Jack Sullivan. Oficialmente, Sullivan veio convidar Lula para um encontro com Biden antes da posse. Isso foi dito. Faltou, no entanto, contextualizar a tal visita. Qual a situação do governo Biden? Qual a posição do governo Biden diante do mundo multipolar ? Qual a importância de Lula neste momento em relação a esse mundo multipolar? O que os Estados Unidos querem efetivamente de Lula?


2. A guerra na Ucrânia acabou? Claro que não. Apenas sumiu do JN, exatamente no momento em que Biden percebe que o feitiço voltou-se contra o feiticeiro. Os estadunidenses estão indignados com a inflação e querem colocar um ponto final em mais esta aventura belicista do Partido Democrata.


3. A extrema-direita e a direita peruana tentam, pela terceira vez, o impeachment do presidente de esquerda Pedro Castillo. No poder a menos de dois anos, ele vem enfrentando pressões e cerceamentos. As mobilizações internas levam todo o jeito de contarem com as digitais do Tio Sam. Aliás, foi o cúmulo da cara de pau do presidente da OEA, Luis Almagro, se oferecer como "mediador" para os problemas no Peru, logo ele que teve papel fundamental no golpe contra Evo Morales.

Por falar em Bolívia, o atual presidente, Lucio Arce, enfrenta movimento separatista na região de Santa Cruz de la Sierra. Já Evo Morales tem denunciado o apoio aos golpistas pelos Estados Unidos.


4. Na vizinha Argentina estoura um escândalo super parecido com algo recente no Brasil. Lá, a ex-presidenta e atual vice, Cristina Kirchner, vem sendo vítima de lawfare. A Justiça investe contra ela da mesma forma que aqui Lula foi vítima da Operação Lava Jato. Se aqui foi preciso um hacker para mostrar o conluio de setores da Justiça com apoio até do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, lá as armações contra Cristina foram divulgadas pelo jornal Tiempo Argentino e envolvem juízes e o maior conglomerado de mídia local, o Grupo Clarin. Qualquer semelhança entre a Operação Lava Jato e a parceria da Globo com Sérgio Moro não é mera coincidência.

Por tudo isso, o JN está longe de fazer jornalismo. 


O que a família Marinho fez e continua fazendo é a defesa dos próprios interesses, associado ao apoio à  direita da qual é parte integrante.


Que se dane a informação para o seu respeitável público.

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sábado, 8 de outubro de 2022

DESNAZIFICAR O BRASIL * Antonio Barbosa - sociólogo/CE

DESNAZIFICAR O BRASIL

 Uma maior exposição da região Sudeste na mídia engana sobre o peso real dos governadores na definição de votos no segundo turno. (Atualizado com os dados da Paraíba)

O anúncio do apoio dos governos de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, cria um efeito midiático de cortina de fumaça que pode enganar alguns menos atentos, mas, só para termos noção dos reais pesos entre os governadores do Sudeste e Nordeste em favor de Lula e Bolsonaro, apresento abaixo uma totalização de maioria dos votos no primeiro turno nas regiões Sudeste e Nordeste.

a) Total de votos de Maioria na região Sudeste para Bolsonaro - 2.433.431


São Paulo - 1.749.957


Rio de Janeiro - 984.103


Espírito Santo - 262.682


Minas Gerais (maioria de Lula) - 563.311


b) Total de votos de maioria por estados do Nordeste para Lula - 13.235.519


Bahia - 3.825.482


Ceará - 2.200.528


Pernambuco - 1.927.384


Maranhão - 1.619.593


Piauí - 1.111.111 (tirou onda com tanto 1)


Paraíba - 837.452


Rio Grande no Norte - 641.448


Alagoas - 621.411


Sergipe - 450.110


c) Quando confrontados estes dois números, temos uma diferença favorável a Lula de 10.802.088


Lembrando que no Nordeste a tendência pode ser de crescer um pouco mais.


Do mais, é sempre importante lembrar que eleição se ganha é nas ruas e nas redes!


Lula 13 neles! 

Antonio Barbosa - sociólogo/CE

terça-feira, 6 de setembro de 2022

A Fantástica Fábrica de Golpes * Por César Locatelli / PÁTRIA LATINA

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE GOLPES

Por César Locatelli / PÁTRIA LATINA

Criticar os meios hegemônicos de comunicação envolve dificuldades inimagináveis. Só com criatividade e arte é possível não se render a seu poder. Ao não terem autorização para usar imagens da Globo, Victor Fraga e Valnei Nunes, diretores do longa A Fantástica Fábrica de Golpes, usaram ilustrações, elaboradas por Fernando Carvall e Leandro Araújo, bem como detalhes da tela de Flávio Tavares “Brasil, O Golpe: A Ópera do fim do mundo”,

Chico Buarque autorizou de bom grado o uso de duas de suas músicas, os fonogramas, entretanto, pertenciam à Globo. A solução foi recorrer ao grupo Francisco el Hombre, que regravou “Roda Viva” e à cantora Josyara, que interpretou “Pelas Tabelas”,. A trilha sonora original conta ainda com o trabalho de Erika Nande. As soluções com as ilustrações e com a trilha conseguiram converter problemas de difícil solução em agradáveis surpresas para os espectadores.

Padrão Globo

Já nos momentos iniciais do filme é contada a história da armação de uma roleta no Largo da Carioca por dois jornalistas de A Noite, dirigido por Irineu Marinho, jornal que seria sucedido por O Globo. O evento ilustra bem a postura adotada pelo grupo desde então.

Corria o ano de 1913, quando os dois jornalistas montaram uma roleta em pleno Largo da Carioca, no Rio de Janeiro, para dar como notícia a licenciosidade do chefe da polícia, tido pelo jornal como conivente com a jogatina. “O Rio está se transformando num Mônaco licencioso e despudorado” estampava a edição de A Noite de 02/05/1913. O samba “Pelo Telefone”, considerado o primeiro gravado no Brasil, ironizou o evento: “O chefe da polícia pelo telefone manda me avisar / Que na Carioca tem uma roleta para se jogar.”

“Ressurge a Democracia”

Com o título acima, a edição de O Globo de 02/04/1964, trazia um radiante editorial em que saudava a desobediência militar ao chefe do Executivo, eleito democraticamente, e os agradecia por protegerem os brasileiros de seus inimigos. “Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto. Sejamos dignos de tão grande favor”, concluía o editorial narrado por Fraga.

Uma continuação informal do documentário Muito Além do Cidadão Kane

Para demonstrar que a TV Globo e a grande mídia mantêm sua firme atuação política de anos atrás, Fraga e Nunes consideram seu novo filme como uma continuação informal do documentário inglês Muito Além do Cidadão Kane, de 1993. “O filme de quase três décadas atrás denunciou como a TV Globo do Brasil manipulou impiedosamente a opinião pública desde os anos 1960, legitimou a ditadura que governou o país por 21 anos e demonizou as vozes progressistas que lutam pelos valores mais caros da democracia (particularmente o ex-presidente Lula)”, afirmam.

A monocultura mais perigosa é a das mentes

As monoculturas de soja, de milho e outras, atravessadas por agrotóxicos, excluem os pássaros, os sapos, os insetos, interditam a diversidade, tolhem a vida. Do mesmo modo, a monocultura nos meios de comunicação transmite alto grau de toxicidade para a consciência dos membros de uma sociedade. Esta é a forma que o prêmio Nobel da paz Adolfo Pérez Esquivel, um dos ouvidos por Fraga e Nunes, entende o monopólio na mídia e o pensamento único nos meios de comunicação.

“A monocultura mais perigosa é a das mentes. A monocultura das mentes traz consequências, porque se chega ao totalitarismo, se chega a querer silenciar a mídia da oposição, a mídia de informação, os meios jornalísticos que se opõem a este ou qualquer outro governo; e aí chegamos aos totalitarismos. Apenas um passo separa os totalitarismos das ditaduras”, complementa ele.

Esperança

“Nosso filme é tanto um registro histórico quanto uma ferramenta de denúncia. Brasileiros e pessoas de outras nacionalidades devem aprender com os erros cometidos nos últimos anos. A regulamentação da mídia é necessária para corrigir isso. Queremos evitar que a história se repita e ajudar o Brasil a romper com sua longa tradição de golpes de Estado. Esperamos que um terceiro documentário sobre o viés da mídia não seja necessário em três décadas”, concluem Victor Fraga e Valnei Nunes

Serviço

Filme: A Fantástica Fábrica de Golpes
Direção: Victor Fraga e Valnei Nunes
Produção: Dirty Movies
Duração: 105 minutos