sábado, 21 de janeiro de 2023

RECONSTRUÇÃO SE FAZ COM MOBILIZAÇÃO * Frei Betto.SP

RECONSTRUÇÃO SE FAZ COM MOBILIZAÇÃO
Frei Betto.SP

A vitória eleitoral de Lula sinaliza a derrota das forças destrutivas que se apoderaram da administração federal nos últimos quatro anos. Não sei se o lema do novo governo – “União e Reconstrução” – se transformará em fato. União nacional não é tarefa fácil.

IMPOSTO DE RENDA

A cultura bolsonarista, impregnada de ódio, contaminou inúmeras pessoas que se somaram aos 58 milhões de votos recebidos por Bolsonaro no segundo turno. E não há possibilidade de união nacional nessa sociedade injustamente marcada por gritante desigualdade social.

Contudo, reconstrução é viável. Lula tem plena consciência do que precisa ser feito. Seus discursos de posse expressam o caráter deste terceiro mandato, onde se destacam três prioridades: combater a fome e a insegurança alimentar; reduzir a desigualdade social; proteger nossos biomas e fortalecer as políticas socioambientais.

Lula está atento ao que deveria ter sido feito em seus primeiros mandatos e, por força da conjuntura, não aconteceu. Sabe que, agora, é talvez sua última oportunidade de governar o Brasil. Na conversa privada que tivemos no Itamaraty, na noite de 1º de janeiro, eu disse a ele que este é o início de seu penúltimo mandato. Ele sorriu. Estou convencido de que será candidato à reeleição em 2026, aos 81 anos. A quem alega a idade avançada, lembro do cardeal Roncalli, eleito papa João XXIII com 77 anos, em 1958, e com 80 promoveu uma revolução na Igreja Católica ao convocar o Concílio Vaticano II.

Nos mandatos anteriores, Lula assegurou sua governabilidade pelo modelo “saci-pererê”, apoiada em uma só perna: o Congresso Nacional. Agora sabe que a perna mais importante é a da mobilização popular. Espero que ministros e ministras se deem conta de que apoio popular não se confunde com os 60 milhões de votos recebidos por Lula. Depende de intenso trabalho pedagógico. Não brota do espontaneísmo nem resulta automaticamente das políticas de inclusão social. Feijão não muda automaticamente a razão.

Participação cidadã advém de consciência crítica, organização e mobilização. E o governo federal dispõe de amplos recursos para promovê-las, desde poderoso sistema de comunicação à seleção de livros didáticos. Sobretudo valorizar a capacitação política de seus representantes em contato direto com a população, como os 400 mil agentes comunitários de saúde.

Sem povão não há solução!











Frei Betto é escritor, autor de “Tom vermelho do verde” (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

PÁTRIA GRANDE * Alexandre dos Santos/ARTE AGORA - PE

PROGRAMA PÁTRIA GRANDE
Na 5ª feira, dia 26 de janeiro de 2023, às 17h, em encontro no âmbito do programa ‘Pátria Grande’ transmitido ao vivo pelo YouTube, o escritor Alexandre Santos e o jornalista argentino Ernesto Lucero receberão o jurista Raúl Zaffaroni

O endereço do Canal Arte Agora no YouTube é www.youtube.com/c/ArteAgora.
Aproveite para se inscrever no Canal Arte Agora.

RACISMO E MERCADO DE TRABALHO * Rômulo Jr/PR

RACISMO E MERCADO DE TRABALHO

O problema é que a própria formação da classe trabalhadora no Brasil é fruto de uma herança escravocrata, colonialista, que tem o povo preto como um dos seus principais marcadores sociais, e isso não pode ser ignorado, pois é muito claro quando falamos de racismo estrutural.


Isso faz com que não seja possível discutir uma emancipação da classe trabalhadora sem falar no racismo enquanto estrutura fundadora da sociedade de classes que temos. O mercado de trabalho racista de hoje é o puro e concreto reflexo disto tudo, porém muito além disto vale acrescentar que o mercado de trabalho também é elitista e segregacionista.

Porém para compreender este processo de formação dentro de uma linha cronológica histórica, é preciso que se volte um pouco no tempo e se faça uma análise do período histórico do Brasil e do mundo desde o período do fim da "escravidão" em meados do início do fim do século XIX com a aprovação favorável pelo senado a favor da lei áurea criada pela princesa Isabel em 13 de maio de 1888 que aboliria, e colocaria o fim na era escravocrata no Brasil.

Período este marcado por grandes agitações e mudança na estrutura mundial, principalmente pelo mais impactante e tendencioso de todos eles, a Revolução francesa, que instaurava uma nova classe dominante mundial, hoje conhecida como burguesia. Este processo de mutação na estrutura dominante mundial, não deixaria de impactar de forma avassaladora o Brasil e toda sua estrutura econômica que ainda resistia como um dos únicos países a manter a utilização de mão de obra escrava em sua atividade econômica, enquanto as principais nações do mundo que se utilizavam do mesmo modelo de força de trabalho já haviam dado "liberdade" aos negros escravizados.

Diante disto era preciso pensar um plano de ação alternativo, para que a estrutura econômica agora regida por uma nova casta continuasse a funcionar e manter suas engrenagens, pois por mais que não houvesse mais mão de obra " escrava" o negro ainda continuava sendo negro, estigmatizado, pobre e sem nenhuma perspectiva de se auto sustentar ou alimentar-se, pois não trabalhava mais nos campos de engenho. Era " livre"; diante disto e de uma série de outras razões surge o" mercado de trabalho" que traria em seu DNA não somente toda a bagagem do período escravocrata colonialista nacional, mas também se apropriaria da necessidade de toda mão de obra necessária de negros, brancos, imigrantes e desprovidos de posses que fora gerado desta nova estrutura burguesa conhecida hoje como capitalismo.

O mercado de trabalho capitalista que fora criado para manter sua própria estrutura, utilizando-se de mão de obra barata, logo percebeu que devido a real necessidade dos negros, agora "livres", que poderiam colocá-los nos bolsões de suas estruturas e assim disponibilizar os "piores" cargos, afim de massagear o ego de uma parcela de trabalhadores, que se sentiam superiores por serem brancos, imigrantes ou descentes de europeus, e assim foi-se construindo o mercado de trabalho até os dias de hoje.

Contudo, não é difícil entender que o mercado de trabalho ao longo dos anos, foi formado apenas para ampliar o modelo de dominação/escravidão da classe trabalhadora e de bônus ampliou o modelo e o seu contingente, acrescentando em sua estrutura o pobre necessitado ao qual faz parte o negro "livre" , fruto do passado escravocrata, e tudo sob uma falsa óptica de liberdade, assim preenchendo o ego daqueles que não se enxergam pertencentes a esta engrenagem ou aqueles que são tidos com excepcionais ( Pelé, Milton Nascimento, Joaquim Barbosa) por terem 'vencido na vida", desconstruindo assim qualquer narrativa de um falso vitimismo. 

O mercado/sistema é PHDD.... Mas somente sobre a mente daqueles que não são críticos e não tem conhecimento de sua própria história!!!
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TERRORISMO SEM CAUSA * Antônio de Pádua Elias de Sousa - Formiga-MG

TERRORISMO SEM CAUSA
"João 8, 32: Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará."


IMPRESSIONANTE 

é o termo que posso utilizar, neste momento, para expressar minha decepção e indignação com tais cenas de terrorismo e vandalismo, acontecidas dia 08/01/23, até então, num país considerado pacífico, progressista e acima de tudo, ordeiro, qual presa, em sua Constituição Federal, por sua soberania e democracia.

Num domingo, quando achamos que, as pessoas, supostamente de bem, estão com o tempo mais livre, portanto, acreditando que irão usufruí-lo para seus descansos merecidos, curtirem um passeio com a família, participarem de seus cultos religiosos, um lazer com churrasquinho e cerveja, ainda sem o tradicional jogo de futebol, acompanhados de boa música, aparecem uns idiotas, imbecis, ignorantes, pra não dizer com lavagem cerebral, se é que possuem um, servindo-se de massa de manobra, com a finalidade de mobilizar, alguns cidadãos(ãs) brasileiros(as), para em atos insanos, invadirem Brasília-DF, afrontando as leis constituídas, para depredação de patrimônios públicos, diga-se de passagem, de todos os brasileiros em nome de um “pseudo patriotismo”, fomentado por ideais neonazistas.

As perguntas que eu faço são:

- Será que essas pessoas tinham noção, ou estavam em sã consciência ao cometerem tal afronta?

- Estavam respaldadas e acobertadas para essas ações?

- Acreditavam ser imunes, e não seriam responsabilizadas? Sob qual garantia?

- Se acham superiores aos demais compatriotas?

- Ou a intuição golpista e terrorista, justifica por si só o vandalismo?

Contudo, na verdade, essa ação descabida, foi apenas uma cortina de fumaça, para encobrir o objetivo maior, qual era a usurpação da legitimidade das eleições de 2022, tentando tomar o poder à força, sob intimidação em um golpe de estado. Ledo engano.

Porém, nossas leis, apesar de apresentarem ainda algumas falhas, deverão ser utilizadas para a elucidação destes casos, punindo severamente, tanto os mentores, como os patrocinadores e seus executores, evidentemente que excluindo as crianças, que ao meu entender foram utilizadas irresponsavelmente, por seus tutores, quais deveriam responder com a perda do poder familiar – (antigo pátrio poder) alterado pelo Código Civil de 2002, pelo mal exemplo, usando-as como escudo humano, para a prática do mau.

Pois é!

Há de se apurar ao rigor das leis e aí, vou lembrar-vos a utilização indevida por um ex-presidente, que no afã de sua auto proteção, ou covardia foi se refugiar em outro país, como um menino travesso que joga a pedra e esconde a mão:

- “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” – Jo: 8-32.

Somente assim, acredito que a “ficha” deste povo cairá, voltando reinar no nosso país, a “Ordem e Progresso”, onde em seu hino nacional nos invoca:

- “Verás que um filho seu não foge à luta”...

Mas aqui ainda merece uma explicação:

Essa luta, é pela Soberania e Democracia, no Brasil e jamais de brasileiros contra seus compatriotas ou suas instituições.

Antônio de Pádua Elias de Sousa
Formiga-MG

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

AMÉRICA LATINA: SOCIALISMO E PEDAGOGIA * PROF ROMERO VENÂNCIO - SE

AMÉRICA LATINA: SOCIALISMO E PEDAGOGIA
PROF ROMERO VENÂNCIO

Na próxima quinta (19/1) as 19:30h. seguiremos a segunda aula do curso: AMÉRICA LATINA. SOCIALISMO E PEDAGOGIA: J. C. Mariátegui, Enrique Dussel e Maria Lacerda de Moura. A obra de Mariátegui e a educação será o tema. O livro de Deni Alfaro Rubbo é uma referência importante. O livro fruto de pesquisa rigorosa num país que não tem tradição de estudar Mariátegui e sua obra. Fica a dica.
*CANAL NÃO É HERESIA – YOUTUBE*
*AMÉRICA LATINA. SOCIALISMO E PEDAGOGIA: J. C. Mariátegui, Enrique Dussel e Maria Lacerda de Moura.*
Com o Prof. Romero Venâncio (DFL-UFS)
Dias 17,19,20 (Terça, quinta e sexta) - Janeiro/2023. Sempre as 19h.
*PRIMEIRO MÓDULO:*
- América Latina e um projeto pedagógico socialista: As bases - De Mariátegui a Paulo Freire
- A herança colonial nos processos educativos
- Apresentação do ensaio de Mariátegui: “A crise universitária: crise de mestres e crise de ideias”
- De uma “universidade popular” à “Érica comunitária”. Mariátegui e Dussel
- O modelo colonial de ensino na América Latina precisa ser superado ou por uma “práxis de libertação pedagógica”
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
BOUFLEUER, José Pedro. Pedagogia latino-americana. Freire e Dussel. Ijuí: editora da UNIJUÍ, 1991.
DUSSEL, Enrique. Ética comunitária. Liberta o pobre! Petrópolis: Vozes, 1986.
FREIRE, Paulo. Conscientização. São Paulo: editora Moraes, 1980.
FREIRE, Paulo e BETTO, Frei. Essa escola chamada vida. São Paulo: Ática, 1987.
MARIÁTEGUI, José Carlos. Sete ensaios de interpretação da realidade peruana. São Paulo: Expressão Popular, 2008.

CANAL NÃO É HERESIA

ENTREGADORES EXISTEM * Pedro Marin / Revista Ópera

 ENTREGADORES EXISTEM


Expressas: greve é chance de governo mostrar que entregadores existem e são valiosos.

Greve de entregadores convocada para o dia 25 é oportunidade para governo se fortalecer frente liberais e avançar regulação de aplicativos. Por Pedro Marin | Revista Opera
Por Pedro Marin
-janeiro 6, 2023
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Um entregador em Campo Grande, no Estado do Mato Grosso do Sul. (Foto: Vinícius Soares Pereira / WikiCommons).

Afrase foi reconhecida pela simplicidade, que em verdade só aumentou sua valentia: “trabalhadoras e trabalhadores do Brasil […] mulheres […] homens e mulheres pretos e pretas […] povos indígenas […] pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais, intersexo e não-binárias […] pessoas em situação de rua […] pessoas com deficiência, idosas, anistiados, filhos de anistiados, vítimas da violência, da fome, da falta de moradia […] vocês existem, e são valiosas para nós”. O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, não fez menção específica aos entregadores e motoboys, que cortam as cidades do País e põem a própria vida em risco para levar comida – para os outros e para a casa –, quando fez seu discurso de posse no qual, segundo ele mesmo, disse “o óbvio, o óbvio que no entanto foi negado nos últimos quatro anos”. Nem precisava: implícita e explicitamente, em algumas das categorias mencionadas pelo ministro, estes trabalhadores estavam incluídos.

Os entregadores de aplicativo, que trabalham, segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, em um regime de semiescravidão, organizam para o próximo dia 25 uma greve que já conta, de acordo com a Aliança dos Entregadores de Aplicativos (AEA), com mobilizações em 15 Estados. Os entregadores reivindicam participação nas discussões sobre a regulação dos aplicativos de entrega, um canal permanente de diálogo com as empresas, melhores condições de trabalho, reajuste das taxas de entrega, apólice de seguro e fim das chamadas entregas duplas e triplas, nas quais o entregador, numa mesma viagem, realiza mais de uma entrega. “A nossa luta é contra as empresas de aplicativo, e o que nós queremos do atual governo é uma porta de diálogo. Mas também não deixa de ser uma cobrança em cima daquilo que o próprio presidente eleito vem falando nas suas campanhas. Agora que ele está exercendo o cargo de chefe de Estado, a gente quer que ele cumpra as promessas”, afirmou à Folha Jr. Freitas, liderança do movimento em São Paulo, que fez questão de pontuar que a greve não é bolsonarista, nem contra o governo Lula.

O anúncio da greve, no entanto, incomodou alguns setores do petismo, que nela viram uma ameaça à estabilidade do governo recém-empossado, indagaram “por que não houve greve dos entregadores quando Bolsonaro governava?” e questionaram se este era o “momento certo” de realizar paralisações.

Na realidade, houve mais de uma greve dos entregadores durante o governo Bolsonaro, que inclusive aconteceram em momentos em que setores e lideranças importantes do PT tentavam desmobilizar os atos contra o presidente (no Grito dos Excluídos em 2021 e 2022, bem como ao longo de toda a campanha “Povo na Rua, Fora Bolsonaro”). O argumento de muitos era o mesmo de agora: aquele não seria o “momento certo” para manifestações. Tendo em vista que agora repetem o enredo, revelam que seu problema não é com o “momento” das manifestações e greves, mas com as greves e manifestações em si.

Não há razão para supor que a greve ameace a estabilidade do governo. Pelo contrário: em um momento em que os jornais já pressionam Lula para que aplique programa similar ao do candidato derrotado, mantendo todo o entulho neoliberal intocado, a greve dos entregadores, sobre quem a pandemia teve peso especial, bem pode servir de contrapeso popular às investidas da direita. E, se o governo Lula manejar bem as pautas dos grevistas, de forma favorável aos trabalhadores, certamente conquistará o apoio de ao menos parte das centenas de milhares de entregadores brasileiros.

A greve portanto não só é justa e vem em momento certo – logo no início do governo –, do ponto de vista dos trabalhadores de aplicativo. É também uma oportunidade para que o governo Lula transmita um recado óbvio: “entregadores, vocês existem e são valiosos para nós”.

Por que 08.01.23 foi um “tiro pela culatra’? * Flavio Lara/RJ

Por que 08.01.23 foi um “tiro pela culatra’?

Antes de mais nada, hoje nenhum tiro de armas modernas pode sair pela culatra, a não ser, figurativamente, para ser comparado a um “tiro no pé”. Mas, no século 18, os mosquetes (tipo de carabinas) eram carregados por traz (próximo da culatra) com pólvora e munição em sequência, E se essa sequência fosse invertida, no calor da luta, ou da burrice, haveria uma explosão e o tiro poderia sair pela culatra.

Posto essa digressão militar, passemos a reflexão dos fatos de caráter fascista perpetrados no 08.01.23 em Brasília – DF.

Então, por que não foi “um tiro pela culatra’? Ora, tudo estava bem planejado há tempos suficientes para a construção de uma rede de apoio (infraestrutura, orientação política ideológica doutrinária entre outros recursos),

Então, pode ser um “tiro no pé” do fascismo a brasileira? Pode ser, cometeram se erros. Alguns destes elementares, por sua descontrolada exibição. Mas não foi por ingenuidade e nem por burrice. Foi por descontrole de massa estourada como gado sob excitação.

Porém, todavia, data vênia, a figura “tiro pela culatra” nos remete a ações armadas, de FFAA, que desenharam e apoiaram essa agressão fascista antidemocrática.

Perguntas que não quererem se calar; quantos desses criminosos estavam armados? Participaram diretamente da invasão e depredação das instalações do Palacio da Alvorada, do Congresso e do STF? Houve participação indireta em que qualidade, quantidade e localização?

O Sistema de Defesa policial militar, civil, da guarda palaciana estava atuante? Em que nível estava? E onde estava? E o estranho episódio do GSI, sua localização e fácil acesso, ou facilitado?

Novamente “tiro pela Culatra” ou não se referem a armamentos que devem ser rastreados, localizados e identificados os seus detentores. Já havia postado isso aqui antes neste grupo, sobre a importância e a necessidade de uma auditoria rigorosa desses eventuais ninhos de extremistas de direita e sua camuflagem civil militar como inocentes clubes de atiradores, colecionadores e milhares de portadores diversos de armas leves e pesadas e grande quantidade de munição respectiva. Quem deve fazê-lo a partir do Ministério da Justiça: PF, PRF, Guarda Nacional e outros serviços secretos? Mas e a Polícia Militar e Civil sob o comando dos Governos Estaduais? Quem controla o que? Paiols de armas e munições existem nestas polícias e também nas FFAA. Lembro ainda dos Governos Municipais e sua Guarda Municipal armada ou não, assim como das milhares de empresas de vigilância e segurança pública e privada que devem ser auditadas.

Está claro os muitos ninhos de incubação fascista, e como vamos enfrentá-los, isolá-los e barra-los sem esse conhecimento estratégico na defesa da democracia que devemos começar construir nesse mandato do nosso Presidente Luiz Inácio Lula da Silva?

É uma longa marcha que exige passos firmes, braços fortes e muita inteligência.

Flavio W. Lara
Ativista Político
Militante do Movimento Geração 68 Sempre na Luta
Membro do Comitê Popular de Lutas das Comunidades PPG
Rio de Janeiro 11/012023
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ANEXOS





terça-feira, 17 de janeiro de 2023

SE SÓ ME RESTASSEM * Giovana Madalosso - FSP

SE SÓ ME RESTASSEM

Giovana Madalosso - FSP

Se só me restassem duas palavras: sem anistia

Se só me restassem três palavras: Bolsonaro sem anistia

Se eu fosse cravar alguma coisa numa árvore, dentro de um coração: sem anistia.

Se eu tivesse que batizar dois cachorros: Sem e Anistia.

Se eu fosse uma atriz de novela: para aqueles salafrários, nenhuma anistia.

Se eu fosse uma atriz de filme pornô: oh, no, oh, no anistia!

Se eu fosse um barítono: SEM ANISTIA.

Se eu errasse no português: cem anistia.

Se eu fosse crente: Senhor, sem anistia.

Se eu nomeasse um planeta: 100 Anistia.

Se eu mandasse uma mensagem na garrafa: S.O.S.em anistia.

Para os terroristas que rasgaram a obra-prima de Di Cavalcanti a facadas, arrancaram do pedestal a bailarina de Brecheret, espancaram o cavalo inocente da polícia, quebraram as vidraças e cadeiras que nós vamos pagar, furtaram togas do STF, usaram uma picareta para arrancar pedras da Praça dos Três poderes, levaram documentos e HDs do governo: sem anistia.

Para os policiais do Distrito Federal que abandonaram a barreira e foram comprar água de coco enquanto os manifestantes invadiam o STF e, especialmente, para quem dava ordens a eles: sem anistia.

Para quem me fez perder a poesia no meio do texto: sem anistia.

Para os homens brancos que subiram a rampa do Planalto certos de que podem seguir cometendo impunes os crimes que os homens brancos cometem impunes nesse país há 500 anos: sem anistia.

Para a mulher que invadiu o STF com uma Bíblia aberta sobre a cabeça desrespeitando a crença de tantos milhões: um milhão de vezes sem anistia.

Para o homenzinho que mostrou a bunda sob a nossa bandeira e atestou que não há distinção entre o que vai no seu cérebro e no seu intestino: sem anistia.

Para os empresários e madeireiros que bancaram as viagens de ônibus e agora se escodem, como covardes que sempre foram, por trás dos rostos da massa de manobra: sem anistia.

Para quem faz pouco de uma democracia reconquistada com a saúde física e mental de 2.000 torturados e com a vida de mais de 500 mortos pela ditadura: sem anistia.

Para quem permanece no silêncio vexatório dos coniventes: sem a minha anistia.

Se só me restassem três palavras: Bolsonaro sem anistia.

E se eu te convidasse para repetir alguma coisa comigo?

*#frenteamplapelademocracia #SEManistia*

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

FRENTE AMPLA CARIOCA CONTRA O FASCISMO * Carlos Santana / RJ

FRENTE AMPLA CARIOCA CONTRA O FASCISMO
Rio de Janeiro, 16 de janeiro de 2023


Passada uma semana dos ataques terroristas protagonizados por bolsonaristas sobre os Três Poderes da República, recebemos com muita animação e esperança a notícia da decisão do diretório municipal do PT na cidade do Rio de Janeiro de compor quadros da gestão do prefeito Eduardo Paes.

Refletindo exemplos históricos, como as formações de frentes contra o nazisfascimo durante e depois da Segunda Guerra Mundial, ou como a ampla composição política e partidária democrática para estruturar a redemocratização no Brasil para dar fim à ditadura militar, a abertura de espaços para o Partido dos Trabalhadores junto a Eduardo Paes sintetiza um amadurecimento político e do senso de urgência para manutenção do enfrentamento ao bolsonarismo em nossa cidade, berço desse movimento.

Importante lembrarmos do papel fundamental que teve o prefeito Eduardo Paes na campanha presidencial que levou Lula à vitória. Paes, que pela terceira vez é chefe do executivo da segunda maior cidade do Brasil, colocou à disposição de nosso presidente todo seu conhecimento administrativo e habilidade política para que o palanque carioca de Lula não sucumbisse à avalanche de seguidores e seguidoras de Bolsonaro no município.

Levamos Lula no coração da Zona Oeste, a região mais populosa da cidade, assim como fizemos questão de termos Lula no Complexo do Alemão, em encontro com a população e produtores de cultura locais. Um importante movimento nos subúrbios da cidade do Rio de Janeiro com grande peso social e simbólico que deixou enfatizado não só importância das regiões suburbanas, mas também os rumos pelos quais as políticas públicas do terceiro mandato presidencial de Lula caminhariam.

A indicação de quadros de nosso partido ao secretariado da prefeitura do Rio é a oportunidade de fortalecermos o enfrentamento aos focos bolsonaristas que se mantêm acesos, prestes a causarem incêndios, quando animados. Vamos lembrar que, mesmo com a iminência da inelegibilidade de Jair Bolsonaro, estamos diante da gestação de novos nomes para herdar seus espólios políticos para as eleições municipais que se aproximam. Com a possibilidade de um de seus filhos como concorrente à prefeitura do Rio em 2024, o alerta de nossa vigilância militante ainda precisa permanecer ligado.

Tomar o Rio com nossas ideias através de políticas públicas objetivas e eficientes que poderão ser elaboradas e colocadas em práticas nos espaços dados ao PT na prefeitura carioca é a prioridade dessa nossa adesão ao grupo de Eduardo Paes. Estamos certos de que com sua habilidade e peso político no estado do RJ e prestígio junto a Lula, teremos as melhores e mais eficientes ferramentas para não permitirmos mais o florescimento de ideias fascistas, autoritárias e retrógradas em nossa querida cidade!


Carlos Santana

Ex-deputado federal por cinco mandatos pelo PT-RJ; Presidente do Sindicato dos Ferroviários da Central do Brasil; Presidente estadual da CUT-RJ; Professor universitário; Doutor em História pela UFRJ e Bacharel em Direito.
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VII Cúpula de Chefes de Estado da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) * PCOA

VII Cúpula de Chefes de Estado da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos
CELAC

Declaração de forças políticas, centrais sindicais, organizações e movimentos sociais no marco da VII Cúpula de Chefes de Estado da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC)

As forças políticas signatárias, centrais sindicais, organizações e movimentos sociais,

Considerando:

- Que o mundo vive atualmente uma situação de crise estrutural, disputa hegemônica e crise ambiental, que apresentam novos desafios para o sistema internacional em geral e para a América Latina e o Caribe em particular.

- Que os povos da América Latina e do Caribe têm uma inexorável vocação e destino de unidade, independência e paz;

- Que a unidade da América Latina e do Caribe é condição para: alcançar a verdadeira independência; consolidar a região como zona de paz; trilhar um caminho de desenvolvimento que acabe com as inaceitáveis ​​lacunas com os países centrais; obstruir a possibilidade de que nossa geografia se torne um território de disputa entre potências alheias a ela; garantir a estabilidade política;

- Que a América Latina e o Caribe é e se reafirma diariamente na vontade de seus povos como zona de paz, conforme estabelecido na Proclamação da América Latina e Caribe como Zona de Paz, na II Cúpula da CELAC realizada em Havana, Cuba, em 29 de janeiro de 2014;

- Que a América Latina e o Caribe são indiscutivelmente um território multinacional;

- Que a América Latina e o Caribe são a região mais desigual do mundo, agravada pela pandemia do COVID-19 e pela guerra na Ucrânia, bem como pela já mencionada crise estrutural do capitalismo.

- Que a América Latina e o Caribe são a região mais endividada do mundo em desenvolvimento, o que condiciona severamente seu desenvolvimento e autonomia política. Este problema transcende a não menos importante questão do peso da dívida (pagamento de juros, por exemplo), mas afeta dimensões económicas e sociais fundamentais, com consequências distributivas, do emprego, da precariedade laboral, do género e da segurança social. É inegável, nesse sentido, a responsabilidade de organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) como instrumentos de uma estratégia de subjugação de

países periféricos ao capital transnacional, com destaque para o apoio dos Estados Unidos, em aliança com grupos locais.

- Que a América Latina e o Caribe têm uma dívida histórica com o trabalho e os direitos humanos;

- Que a democracia na América Latina e no Caribe está ameaçada por novas formas de desestabilização e rupturas institucionais, baseadas na vontade de atores nacionais e estrangeiros de instalar democracias funcionais supervisionadas por interesses antipopulares.

- Que a unidade da nossa região deve ser construída de baixo para cima, com a participação dirigente das forças políticas e das organizações e movimentos sociais.

Celebramos:

- A realização da VII Cúpula da CELAC e a vocação e compromisso dos governos da região para avançar em um caminho de maior integração regional, bem como de posicionamentos conjuntos em temas-chave das agendas global e regional, em busca dos interesses dos nossos povos.

Declaramos:

- Que é imperativo que a CELAC mantenha uma posição firme em relação ao fim da guerra na Ucrânia, defendendo e articulando todos os recursos diplomáticos disponíveis em prol de um diálogo político que conduza à paz naquela região do mundo, assumindo o compromissos relevantes em relação à manutenção de uma ordem internacional multilateral baseada no direito internacional. Nesse sentido, é imperativo que se detenha o avanço da OTAN na área, bem como a inclusão da Ucrânia nessa organização. Para além da inegável centralidade atual desta guerra, o compromisso com a paz e a ordem multipolar deve ser inabalável e considerar outros conflitos. A título de exemplo, as guerras recentes como o Afeganistão ou as chamadas guerras esquecidas, como o Iémen.

- Rejeitamos todas as formas de colonialismo ou neocolonialismo na América Latina e no Caribe.

- Denunciamos que a base da OTAN, representada pela Grã-Bretanha, no território usurpado da República Argentina, representa um perigo para toda a região e faz parte de um mais amplo e ambicioso dispositivo de domínio anglo-saxão sobre a região. Exortamos os governos da CELAC a tomar as medidas necessárias para acabar com esta situação de forma pacífica, de acordo com o direito internacional.

- Reafirmamos os direitos legítimos da República Argentina na disputa de soberania sobre as Ilhas Malvinas, Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul e as

envolvendo os espaços marítimos, no sentido em que foi novamente estabelecido pela CELAC na Declaração Especial de setembro de 2021.

- Repudiamos qualquer bloqueio exercido contra qualquer país da região, e exigimos não só o fim dos bloqueios atualmente existentes, mas também a definição de mecanismos de reparação para os povos que os sofrem. No caso do bloqueio de 62 anos a Cuba, exigimos que os Estados Unidos apliquem a resolução trinta vezes votada na Organização das Nações Unidas para revogá-lo. Exigimos também que os Estados Unidos retirem Cuba da lista arbitrária de patrocinadores do terrorismo internacional na qual foi colocada. No caso específico do bloqueio contra a Venezuela, destaca-se o fato de impedir o Estaleiro Río Santiago, na Argentina, de cumprir o compromisso de entrega do petroleiro Eva Perón e a continuidade da construção de seu gêmeo, o navio Juana Azurduy.

- Pedimos aos governos da CELAC que iniciem ações coordenadas para desmantelar as bases militares instaladas pelos Estados Unidos na América Latina e no Caribe. No ano em que se completam os 200 anos da Doutrina Monroe, condenamos veementemente o que ela implica e qualquer tipo de ingerência dos Estados Unidos em nossa região.

- Exigimos que a CELAC tenha voz articulada sobre as necessárias transformações da arquitetura financeira internacional e da dívida externa dos países.

- Acreditamos que é necessária uma Nova Arquitetura Financeira Internacional, orientada para o desenvolvimento produtivo com inclusão social. Esta Nova Arquitectura Financeira Internacional deve começar por uma revisão contundente do desenfreado processo de endividamento dos nossos países pelos centros financeiros e seus agentes especulativos, bem como pelo desenho de estratégias onde o reembolso das dívidas soberanas recaia sobre os actores económicos que têm beneficiado desses processos, e não no conjunto dos setores populares da região. Acordos fiscais entre países, para detectar a fuga de capitais de grandes especuladores de origem local, é o primeiro passo para construir um espaço monetário mais soberano.

- Consideramos imperativo que a questão da estrangeirização da terra em nossa região seja enfrentada de forma decisiva, flagelo que se agrava com a atual disputa hegemônica mundial. Nesse sentido, alertamos para a gravidade e risco gerados pelos processos de estrangeirização de terras e espaços marítimos e fluviais em benefício de empresas estatais e privadas ou particulares de fora da nossa região. Existe a possibilidade de se tornarem instrumentos de apropriação e pilhagem dos nossos recursos naturais e pretexto para a intervenção de potências estrangeiras.

- Defendemos uma integração regional que constitua o melhor instrumento para fortalecer a soberania e autonomia de nossa região, para que os destinos deste território sejam definidos democraticamente de acordo com a vontade de seus povos.

- Condenamos os golpes de Estado ocorridos na região. Recentemente, o perpetrado no Peru e o atentado no Brasil. Da mesma forma, condenamos as recentes tentativas de assassinato da ex-presidente e atual vice-presidente da Argentina, Cristina Fernandez de Kirchner, e da atual vice-presidente da Colômbia, Francia Marquez.

- Buscamos promover uma integração regional que fortaleça a independência econômica da América Latina e do Caribe, reduzindo as condições econômicas externas com base na inserção internacional e acordos regionais que criem e fortaleçam suas próprias capacidades produtivas e tecnológicas, buscando a redução dos hiatos de desenvolvimento com países centrais.

- É imperativo abordar a questão da crise climática, com uma posição firme da CELAC em relação às responsabilidades comuns, mas diferenciadas sobre esta questão, promovendo uma transição justa em nível global.

- Sustentamos que sejam retomados os princípios e mandatos reconhecidos nas Declarações das II, III, IV, V e VI Cúpulas da CELAC relacionados com a geração de trabalho decente e produtivo, a redução das desigualdades, o estabelecimento de salários mínimos de subsistência. e sua progressiva elevação, proteção, assistência e seguridade social, erradicação do trabalho infantil, fortalecimento do ensino técnico e da formalização profissional, promoção da igualdade e equidade de gênero, empregabilidade juvenil, promoção da liberdade sindical e negociação coletiva, respeito à direito de greve e o fortalecimento da administração trabalhista. Acreditamos na necessidade de a CELAC adotar uma Carta Social e Trabalhista Latino-Americana, a fim de garantir, por meio de um instrumento internacional, uma série de pisos mínimos em matéria de direitos trabalhistas que obriguem os Estados Partes a se comprometerem a respeitá-los e a não promover qualquer reforma ou legislação que os viole.

- Com base nos compromissos assumidos na resolução sobre a inclusão de um ambiente de trabalho seguro e saudável no âmbito da OIT, em relação aos princípios e direitos fundamentais no trabalho (CIT 110 – 20229, solicitamos aos patrões e Chefes de Estado da CELAC que promovam a preparação de um roteiro para América Latina e Caribe em Saúde e Segurança Ocupacional e a criação de um grupo de trabalho técnico para a elaboração do roteiro.

- Afirmamos que sem igualdade de gênero não há justiça social, por isso é necessário o compromisso dos Estados na geração das condições que assegurem o pleno exercício dos direitos e liberdades de todas as pessoas, em

especialmente para mulheres e diversidades. Exigimos medidas urgentes para erradicar a violência de gênero.

- Exigimos a proteção dos migrantes e suas famílias, de acordo com os instrumentos de direito internacional que regem a região.

- Exigimos a institucionalização de espaços permanentes de diálogo entre governos e organizações e movimentos sociais, bem como a participação da sociedade civil organizada. A região possui um patrimônio importante nesse sentido que é fundamental recuperar com agilidade. Voltamos à demanda apresentada antes da VI Cúpula da CELAC realizada no México, na Declaração Aberta das organizações sociais da América Latina e do Caribe que apela a direcionar, junto com os governos, um espaço de diálogo sobre as grandes tarefas e desafios que o nosso continente.

- Exigimos a promoção, por parte dos governos da CELAC, de processos de democratização dos poderes judiciários da América Latina e do Caribe, cooptados por interesses internacionais e locais que não correspondem aos de nossos povos, a fim de dar uma fim da disciplina social, da criminalização da pobreza, da juventude e do protesto, bem como da perseguição político-judicial ou da guerra legal contra lideranças populares. Exigimos a libertação de todos os presos políticos da região, sem cuja libertação não há verdadeira democracia. Exigimos a libertação do líder argentino Milagros Sala.

- Exigimos a criação de um espaço para a elaboração de estratégias conjuntas de comunicação, que permitam não só a formulação de políticas e o desenvolvimento de atividades contra as notícias falsas (fake news), como a atuação de grandes corporações de mídia com claro senso de dominação , mas também refletem e expressam a bagagem cultural latino-americana, as experiências organizativas, as lutas populares, as histórias de resistência, o cotidiano dos povos.

- Exigimos que a CELAC ative todos os dispositivos e a coordenação necessária para garantir a plena vigência dos direitos humanos na região.

- Exigimos que os Estados garantam os direitos econômicos, sociais e culturais dos Povos Originários, reivindicando a Plurinacionalidade do Território da América Latina e Caribe.

- Exigimos que a região dê uma resposta própria à questão haitiana, respeitando o princípio da não intervenção e o direito do povo haitiano de definir soberanamente seu destino.

- Reafirmamos o caráter latino-americano e caribenho de Porto Rico e abraçamos seu povo exigindo o fim de todas as formas de colonialismo naquele território.

- Comprometemo-nos a articular a solidariedade e a organização dos povos para a efetiva realização do que aqui se apoia e com o apoio ao longo do tempo de espaços como a CELAC social.

Buenos Aires, Pátria Grande, janeiro de 2023

Acessos:

CTA dos Trabalhadores
CTA Autónoma
Confederação Geral do Trabalho da República Argentina CGT-RA Confederação Sindical das Américas (CSA)
sem camisa
A Campora
Instrumento Eleitoral de Unidade Popular
Frente Transversal Nacional e Popular
Associação Estadual dos Trabalhadores
Grupo para a Soberania GPS Linha Fundadora
Organizações Populares Livres
unidos e organizados
Frente Grande
Confederação Latino-Americana de Trabalhadores do Estado CLATE Assembleia Permanente de Direitos Humanos
Populismo K
Associação de Educadores da América Latina e Caribe
Confederação Geral dos Aposentados e Pensionistas
Alexandre Pétion Instituto de Pesquisas e Análises Geopolíticas Movimento Argentino de Solidariedade com Cuba (MAS CUBA)
Rede de Comunicadores do Mercosul
Rede Nacional de Migrantes da Argentina REDMA
Rede de Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade (REDH) Popular Konfluence
Movimento Operário Organizado
Movimento Evita
Associação Americana de Advogados
Peronismo 26 de julho
Frente Nacional das Malvinas
Frente Nacional Camponesa
Movimento Popular pela Vitória - Peronismo pela Soberania Partido Comunista da Argentina
Espaço Puebla
Parte intransigente
Nova Reunião
Fundação Interativa para a Promoção da Cultura da Água.
Corrente Nacional La Juan Perón
Popular atual K
FORJAMENTO
Fórum de Direitos e Democracia
Sindicato dos Trabalhadores da Economia Popular
Associação Latino-Americana de Advogados Trabalhistas Rede Continental Latino-Americana e Caribenha de Solidariedade com Cuba e Justas Causas Federação Judicial Argentina
Associação para a Unidade da Nossa América
MP A Dignidade
reunião patriótica
festa de solidariedade
Compromisso social
Agrupamento Frontal
Instituto de Memória do Povo
Partido do Trabalho e do Povo – Confederação Geral de Economia do Partido Comunista Revolucionário
Movimento Nacional Camponês Indígena – Estrada do Camponês
Movimento de Outubro
Movimento Federal pela Soberania Nacional
Public Services International (ISP) América
Centro Latino-Americano de Análise Estratégica (CLAE)
Plataforma da Classe Trabalhadora Antiimperialista (PCOA)
Classe Combativa Atual
Atual Nossa Pátria
Nós movemos
Soberana
Movimento Territorial de Libertação
Observatório de Relações Internacionais da Fundação VICTORIA
FUNDAL - Fundación Dr. Oscar Alende
Mesa de Advogados pela Democracia (Peru)
Frente de Sindicatos Estaduais da América Latina e Caribe
Usina do Pensamento Nacional Nacional e Popular
Participação cuidadosa (grande discussão frontal)
CLOC Via Campesina
Marcha Mundial das Mulheres (MMM)
Movimento de Atingidos por Barragens (MAR)
Amigos da Terra América Latina e Caribe (ATALC)
Jubileu em diante
Movimentos da ALBA
PITCNT do Uruguai
GGJ de EEUU
CUT Brasil
Capítulo Cubano dos Movimentos Sociais;
Rede Latino-Americana por Justiça Econômica e Social (LATINDADD) Confederação Socialista Bolivariana dos Trabalhadores Venezuelanos (CBST) Movimento 138 (Resistência Cultural da Migração Paraguaia) Associação pela Unidade de Nossa América - Costa Rica
Abrindo estradas
Movimento Popular de Libertação
Movimento Popular Nossa América
Federação Rural de Enraizamento e Produção
Centro de Estudos Agrários
Encontro da União Nossa América
Articulação continental dos movimentos populares em direção a Alba - Albamovimientos
Instituto para Mulheres em Migração
Movimento de Participação Estudantil
Rádio Comunitária Punta del Indio
Frente Produtiva Nacional

Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT.Brasil
Partido Comunista dos Trabalhadores Brasileiros/PCTB
***

domingo, 15 de janeiro de 2023

PERDEU NAS URNAS PERDEU NAS RUAS * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

PERDEU NAS URNAS PERDEU NAS RUAS
QUE ENREDO MARAVILHOSO!

Lula contou hoje, no café com jornalistas, que militares queriam que ele decretasse a GLO (Garantia de Lei e Ordem) e, assim, as forças armadas assumiriam a responsabilidade pela segurança pública da capital . O presidente disse que, se fizesse isso, estaria entregando o governo dele para os militares. Segundo se conta, um que defendeu a GLO foi josé múcio (não sei se é verdade).

Agora vem a parte cinematográfica da coisa. Senta que lá vem textão!

Lula estava em Araraquara. Dino, em Brasília. A horda ataca. O ministro conta que, diante do caos, houve a decisão de decretar a intervenção em Brasília. Ele redigiu o documento da intervenção numa sala (parece de hotel). Tudo improvisado. Mandou por whatsapp para Lula.

O presidente perguntou como assinava. Dino disse para ele fazer o decreto (devem ter feito a impressão na prefeitura, ainda bem que era de um aliado, Edinho do PT) e mandar a foto porque, na situação de emergência em que se encontravam, isso tornava o documento válido. Lula, ah! mas não tem número do decreto. Dino: Presidente, assina esse documento! Haha

Lula fez isso, assinou o decreto redigido por Flávio Dino, enviou por whatsApp e foi determinada a intervenção em Brasília. Lula leu o documento em rede nacional (dava para ver que foi tudo rápido mesmo).

Dino nomeou o interventor Roberto Cappelli, que é jornalista, gente. Dino disse para ele: Desça e assuma o comando. Mas eu tenho filhos. Desça e comande. Ele foi no peito e na raça para a avenida comandar as forças de segurança e conter a turba. Assumiu na unha a segurança de Brasília. CENA DE FILME!!!!!

FLÁVIO DINO e RICARDO CAPPELLI, HERÓIS! NUNCA CRITIQUEI!

Segundo o ministro, a rápida decisão de decretar a intervenção federal em Brasília e o governo assumir a segurança do local foram fundamentais para evitar o sucesso do golpe. O ataque seria o estopim para os militares colocarem tanques nas ruas, contar com apoio popular e o resto seria história.

Ele defende, no entanto, que faticamente houve o golpe no país, porque os meliantes ocuparam os três poderes. Mas não houve o golpe jurídico (a tomada de poder pelos mentores do golpe) devido a alguns fatores.

Não houve vácuo de poder. Dino estava em Brasília no dia e tomou as providências para intervir na capital, sem colocar as forças armadas no comando. Lula também estava no país, apesar de em Araraquara. E isso possibilitou que não fosse decretada vacância do poder. (No golpe de 64, João Goulart estava se deslocando, e os militares aproveitaram para decretar o vácuo de poder por meio de um deputado no Congresso).

Para Flávio Dino, outro fator que impediu a completude do golpe foi que os mentores do ato terrorista nos prédios dos três poderes não imaginavam o ódio visceral da turba, principalmente ao STF.

Pelo que ele contou, imagino que a ideia era a horda invadir o prédio de modo organizado, não sair de lá, as forças policiais darem apoio (como vimos em algumas cenas). Lula seria obrigado a decretar GLO, o exército assumiria a capital e determinaria intervenção em outros estados, Os apoiadores do genocida sairiam às ruas em apoio à intervenção miliatra (o que os bozofascistas reivindicavam e diziam que ia ocorrer). Estaria aberto o caminho para a tutela militar e/ou a destituição do governo Lula.

Voltando a Flávio Dino, ele disse que o papel do STF foi fundamental também. Enquanto ele agia com Lula e Cappelli, Rosa Weber ligava para o governador de Brasília cobrando providências, a vice-governadora foi para a sala onde Dino estava.

Por whatsApp, ibaneis demitiu o secretário de segurança, anderson torres, um dos artífices do golpe. E Alexandre, o grande, já preparava a caneta para decretar a prisão do ex-secretário e afastar o governador. TIA ROSA WEBER, HEROÍNA!!!!!!

Agora a cena de Lula descendo a rampa e caminhando com os ministros do STF, os governadores e outras autoridades para a sede da Corte, dias após o ato terrorista, ganha novas dimensões históricas e simbólicas. Que enredo, amigos, que enredo!

IRONIA DO DESTINO: O WHATSAPP SALVOU O BRASIL DO GOLPE. O meio que o bozofascismo usa para engendrar seu golpismo foi o responsável pela comunicação entre as autoridades democráticas, para o trâmite dos documentos que barraram o golpe.

QUEREMOS ESSE ÉPICO NO CINEMA DJÁ!


*Brasília, a Capitólio oculta dedo de militares, diz antropólogo*

Para Piero Leirner, que estuda as Forças Armadas há 30 anos, generais tinham informações, mas deixaram que invasões ocorressem.

(
Recurso exclusivo para assinantes conteúdos da Folha 14.jan.2023 às 4h03

Fernanda Mena

TOULOUSE (FRANÇA)
)

Omissão, negligência, incompetência ou cumplicidade. As explicações possíveis para o comportamento do Exército antes, durante e depois das invasões que vandalizaram as sedes dos três Poderes em Brasília seguem indefinidas uma semana após o famigerado 8 de janeiro de 2023.

"Entre as pessoas que protagonizaram os ataques estavam militares da reserva e parentes de militares. Estavam acampados há tempos na frente aos quartéis. Em Brasília, estavam ao lado do Centro de

Inteligência do Exército", aponta o autor de "O Brasil no Espectro de uma Guerra Híbrida" (Alameda Editorial, 2020).

Para ele, "o modo de ação de militares é minimizado, como um programa que está rodando, e a gente não vê, porque eles produziram algo extremamente vantajoso para si: um laranja, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para que absorvesse todos os males".

"Tudo é feito em nome de ‘bolsonaristas radicais’. Mesmo os generais que começaram a produzir ameaças foram chamados de generais bolsonaristas. O uso desse adjetivo faz parecer que se trata de adesão pessoal, e não de projeto", afirma.

Sugere que esse projeto vem de longa data, visando a estabelecer um centro de governo fincado na inteligência militar como grande dispositivo avaliador do Estado e suas políticas no Brasil. "Para isso, é preciso um mega dispositivo de informações e um arcabouço legal que dê blindagem efetiva aos militares."

Segundo Leirner, o efeito mais visível desse projeto são os milhares de militares alocados em cargos civis nas instituições de Estado. Mas o mais importante são os atos e decretos dos últimos anos que concentraram controles em órgãos comandados por generais, como o GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

A transição da área da Defesa, diz, é um índice do problema. "Foi a única área em que não houve discussão, num processo pouco transparente que sugere que as escolhas na Defesa foram, na verdade, acordos ou imposições", aponta Leirner.

Em resumo, diz, só há dois modos de entender a ausência de medidas de contenção dos manifestantes golpistas por parte do governo. "Ou Lula não foi informado sobre o que estava acontecendo, ou foi omisso."

*Há sentido em comparar as invasões do Palácio do Planalto, STF e Congresso Nacional à tomada do Capitólio nos EUA em 2021?* O roteiro disponível para o pessoal que fez as invasões em Brasília era o roteiro da invasão do Capitólio. O ponto de divergência que eu tenho em relação a considerá-las como uma simples cópia é que isso oblitera completamente o dedo dos militares nesse processo no Brasil e sua responsabilização.

*Nos EUA, as Forças Armadas se opuseram publicamente ao movimento golpista*. *E por aqui?* No Brasil, as Forças Armadas são agentes operacionais que, de certa forma, estão produzindo esse negócio há anos. Se, no dia seguinte ao segundo turno, o comandante do Exército se pronunciasse sobre a lisura das eleições e reconhecesse o resultado das urnas, uma vez que eles estavam inseridos no processo eleitoral, ele teria tirado o combustível desse movimento.

*Qual foi então o papel dos militares nas invasões em Brasília?* Os militares estavam dando o direcionamento desse movimento e sustentando esses acampamentos, mesmo que não fosse uma ordem direta. As pessoas que protagonizaram os ataques formavam um grupo heterogêneo, mas com uma variável comum: a tal família militar. Havia militares da reserva e parentes de militares entre eles. Quando esse pessoal começava a perder o gás, aparecia um militar ali no acampamento para dar gás de novo. Esse foi, por exemplo, o papel do general Villas Bôas, que chegou a passear de carro pelo acampamento de Brasília.

Além disso, o Centro de Inteligência do Exército (CIEx) fica ao lado do QG de Brasília e uma de suas funções é monitorar o que eles chamam de "o nosso pessoal". É evidente que os generais estavam sabendo do que estava acontecendo e não fizeram nada para reverter o movimento. Esperaram acontecer. Quando o pessoal começou a sair do acampamento rumo à praça dos Três Poderes, as forças de segurança deveriam ter sido colocadas ali. Se não o foram é porque havia interesse em que a invasão ocorresse.

*A ação de indivíduos pertencentes às Forças Armadas é capaz de tornar a instituição cúmplice das invasões do dia 8 de janeiro?* A noção de indivíduo dentro da instituição militar é muito diferente da nossa –os civis que eles chamam de paisanos. Lá, o indivíduo está dentro de uma cadeia de comando. Ele não faz algo só da cabeça dele. É preciso autorização.

O modo de ação deles é minimizado porque fizeram algo que lhes é extremamente vantajoso, que é botar um laranja para absorver todos os males. Produziram Bolsonaro para que ele absorvesse, como uma espécie de para-raios, toda a pecha de radical. Tudo é feito em nome de "bolsonaristas radicais". Mesmo os generais que começaram a produzir ameaças foram chamados de generais bolsonaristas. O uso desse adjetivo faz parecer que se trata de adesão pessoal, e não de projeto.

Produzir a desordem para depois se apresentar como os elementos que podem recompor a ordem é uma equação que precisa do Bolsonaro para funcionar.

*Mas não é um tiro no pé os militares apoiarem ações capazes de desacreditar o mesmo bolsonarismo que os trouxe de volta ao poder?* Não se os militares quiserem descartar Bolsonaro, uma vez que ele perdeu as eleições e não tem mais muita utilidade. A segunda coisa é jogar no colo de Bolsonaro o máximo possível da responsabilização pelo que aconteceu. Até agora, figuras como o [ministro das Relações Institucionais] Alexandre Padilha, o [ministro da Justiça] Flávio Dino e o [ministro da Defesa] José Múcio rapidamente se pronunciaram no lugar deles, ao dizerem, logo após as invasões, que o envolvimento dos militares era algo pontual, e não institucional.

*O que os militares ganham com as invasões de 8 de janeiro?* Todo mundo está falando em terrorismo. Eles podem produzir uma nova lei antiterror a partir da caneta da esquerda, como foi em 2016, na esteira dos grandes eventos do Rio. E, assim, criar estados de exceção e de monitoramento permanente no Brasil. Se as ações de 8 de janeiro forem consideradas terrorismo, são os militares que irão gerenciar a informação e ter controle sobre o que se enquadra nessa tipificação. É muito semelhante ao Patriot Act, a lei antiterrorismo aprovada após os atentados de 11 de setembro nos EUA.

*Como chegamos até aqui?* 

Os movimentos que ocorreram dentro do campo militar foram publicizados a partir da ida de Bolsonaro à Academia Militar das Agulhas Negras, em 2014, quando se anunciou a candidatura dele à Presidência, semanas após a reeleição de Dilma Rousseff. Antes disso, em 2007 e 2008, grupos de militares que ocupam o topo da cadeia de comando criaram tensões com o governo petista no âmbito das discussões sobre a terra indígena Raposa Serra do Sol.

Certas ações do PT retroalimentaram essas tensões, em especial a criação da Comissão Nacional da Verdade, que galvanizou toda a tropa e a jogou no colo dos caras que estavam produzindo alternativas. Mas há outras questões mais sutis, como a reforma ministerial de 2015, quando Dilma subordinou o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) à Secretaria de Governo, dando um aspecto mais civil à Abin (Agência Brasileira de Inteligência), que antes respondia ao general chefe do GSI. E se tem uma coisa que militar não suporta é ter de obedecer a paisano.

A maneira que os militares encontraram de resolver isso foi produzir uma espécie de procurador deles. Bolsonaro cumpriu essa função e se tornou uma espécie de agente operacional dos interesses militares. Ele fez isso de forma muito histriônica, o que camuflava a tomada da máquina do Estado pela máquina militar.

*O sr. se refere aos milhares de militares que hoje atuam em órgãos civis do Estado?* Isso é efeito colateral. Na verdade, aconteceu a partir de dispositivos legais e infralegais que centralizaram ações no GSI ligadas a políticas públicas, contratos, licitações e compras. Ainda no governo Temer, um decreto criou a Força Tarefa de Inteligência para enfrentamento ao crime organizado no Brasil, coordenada pelo GSI e que abrange todas as agências de inteligência: o Coaf, a secretaria da Receita Federal, a Polícia Federal, a PRF, o departamento penitenciário, a Secretaria Nacional de Segurança Pública. Tudo que se fazia em termos de investigação, que a gente pode chamar de grampo Geral da República, caía na gaveta do [então titular do GSI, general Sérgio] Etchegoyen.

O laboratório disso se deu durante a intervenção militar no Rio de Janeiro, em 2018. O general Braga Netto falou numa entrevista em fevereiro daquele ano que eles estabeleceriam um centro de comando de controle que serviria de modelo para toda a inteligência no Brasil.

*Como avalia a recusa do presidente Lula em decretar uma GLO para lidar com o rescaldo das invasões?* Ele quis passar a impressão de que tudo estava na mão do controle civil. E agora está todo mundo interessado em falar que a situação foi resolvida, e a democracia triunfou. É um jogo de aparências.

*Como o clamor popular que diz "sem anistia" reverbera nos meios militares?* *Mas "sem anistia" para quem?* Para as Forças Armadas, que entraram nesse processo de cabeça, ou para os ditos bolsonaristas? Parece perfeito para as Forças Armadas que elas surjam no papel de quem tolerará uma transição de regime em que o "sem anistia" simplesmente não toque neles e tudo recaia sobre o homem-bomba que criaram.

*Se surgirem evidências de participação de militares na invasão, qual é a chance de se responsabilizá-los no âmbito da Justiça Militar?* Zero. Só serão responsabilizados aqueles que os militares elegerem como instrumentos para gerar, por contraste, a isenção da instituição. Se é que isso vai acontecer. Não comprometer a cadeia de comando é uma prática secular no Brasil. Fizeram isso com a tortura.

*E como se responsabiliza a instituição como um todo?* Fazendo como a Argentina, que processou toda a cúpula? Exatamente. A cúpula e a cadeia de comando e todos aqueles que participaram efetivamente da ação. No livro do general Villas Bôas, ele revela que os militares se assustaram com o que ocorria na Argentina, e que isso modulou sua relação com os civis. Eles montaram uma rede de proteção legal, informacional e ideológica contra esse movimento. E isso tinha a ver com não deixar iniciativas como a da Comissão Nacional da Verdade chegarem às últimas consequências. De fato, não chegaram.

RAIO-X | PIERO LEIRNER, 54

É professor titular de antropologia da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e pesquisador das Forças Armadas há mais de 30 anos. É autor de "O Brasil no Espectro da Guerra Híbrida" (Alameda Editorial, 2020) e coautor, com Celso Castro, de "Antropologia dos Militares" (FGV, 2009), entre outros.

ANEXOS