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domingo, 16 de novembro de 2025

A GUERRILHA DO ARAGUAIA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

A GUERRILHA DO ARAGUAIA
Sinopse:
A Guerrilha do Araguaia foi uma parcela na longa cadeia das lutas populares do Brasil, como por exemplo, a Cabanagem, Guararapes, Canudos, Contestado, Revolta da Chibata e Quilombo dos Palmares. Foi um movimento rural armado cujo combate mobilizou o maior número de tropas brasileiras desde a II Guerra Mundial, que ocorreu entre 1966 a 1975 no Sul do Pará, numa batalha desigual entre combatentes revolucionários do PC do B e camponeses, contra as forças de repressão do regime civil militar imposto ao país com o golpe de 1964. Foi uma luta pela liberdade e pela democracia em nosso país, que desde então sua luta permanece contra o esquecimento e a falta de justiça por aqueles que as sequelas acompanham até os dias atuais. 40 minutos.
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LIVRO

Uma leitura agradável. Essa é a primeira constatação sobre o livro “Araguaia — histórias de amor e de guerra”, do jornalista Carlos Amorim, com 504 páginas, publicado pela Editora Record. Profissional experiente e caprichoso na escrita, o autor produziu um texto de excelente qualidade, revelando nuances não só da Guerrilha como de toda a resistência democrática à ditadura militar. O Araguaia aparece como recheio, com ênfase nos relatos de duas testemunhas oculares dos acontecimentos — José Genoino e Micheas Gomes de Almeida, o Zezinho do Araguaia. Amorim também se apoiou nos relatos de Ângelo Arroyo, um dos líderes daquele movimento armado, e em sua experiência como pesquisador que pisou o chão onde ocorreram os combates.

O livro registra o apoio da população aos guerrilheiros e denuncia as brutalidades da repressão, que utilizou torturas e corrupção para cooptar moradores locais “a granel”. E reforça os argumentos que pedem o fim da impunidade para os atos criminosos cometidos em nome do Estado pelos que assaltaram o poder com o golpe militar de 1964. Outro aspecto relevante da obra é o reconhecimento da bravura e da abnegação dos combatentes, que sacrificaram suas vidas pelo ideal de democracia e liberdade. Com esses ingredientes, Amorim descreve as precárias condições de vida da população local e reafirma a ideia de que a presença dos guerrilheiros na região levou um pouco de justiça às relações entre os camponeses e o despotismo dos grileiros apoiado em jagunços sanguinários.

A GUERRILHA DO ARAGUAIA
ESSÁ FILMES

sábado, 20 de agosto de 2022

GENOCIDA BOM É GENOCIDA MORTO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

GENOCIDA BOM É GENOCIDA MORTO

"O coronel da reserva Sebastião Rodrigues de Moura, mais conhecido como Major Curió, morreu na madrugada desta quarta-feira (17) aos 87 anos – completaria 88 em dezembro.

Ex-oficial do Centro de Informações do Exército (CIE) e ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI), foi um dos principais responsáveis pela repressão à Guerrilha do Araguaia, nos anos 1970, durante a ditadura. Uma de suas últimas aparições públicas foi no Palácio do Planalto. Em 2020, o presidente Jair Bolsonaro, defensor do regime autoritário, o recebeu.

Ele estava internado desde segunda-feira (15) em um hospital de Brasília, e teve septicemia (infecção generalizada).
Acusações

Assim, Curió foi o primeiro réu, no Brasil, devido a crimes cometidos por agentes do Estado na ditadura. O Ministério Público Federal apresentou seis denúncias contra ele, mas nenhuma foi adiante.

Além disso, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Estado brasileiro, em 2010, por não investigar as responsabilidades no caso Araguaia.

“Curió era um ídolo para Bolsonaro”, escreveu em rede social o pesquisador e professor Lucas Pedretti, que publicou no Twitter uma carta escrita em 1986 pelo militar a Jair Bolsonaro. “A admiração era recíproca.”

Militantes executados

O próprio militar cedeu parte de seus arquivos ao jornal O Estado de S. Paulo, em 2009, revelando que 41 militantes do Araguaia foram executados. Isso quando já estavam presos, sem oferecer perigo.

Já nos anos 1980, ele foi enviado pelo governo para a região de Serra Pelada, no período de intensa exploração do ouro. Foi prefeito de uma cidade que leva o seu nome, Curionópolis (PA), e deputado.

Em 2012, o jornalista Leonencio Nossa, do Estadão em Brasília, publicou o livro Mata! O Major Curió e as Guerrilhas no Araguaia (Companhia das Letras). Ele ressalta dois aspectos da biografia do militar.

“Na parte do combate à guerrilha, é preciso ressaltar que foi o primeiro agente a quebrar a lei do silêncio imposta pelo Planalto, ainda no tempo militar”, afirma.

“Quanto à parte de Serra Pelada, o Major Curió ocupou um vácuo de representação em todo o Bico do Papagaio na transição entre a ditadura e a democracia.” O repórter lembra ainda que, passado meio século, a história do Araguaia permanece em aberto. “O arquivo do CIE continua lacrado.”
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TEXTO: BRASIL DE FATO