quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

LULA: DIREITA VOLVER! * Editorial de LA JORNADA - México, Janeiro de 2023

LULA: DIREITA VOLVER!
Editorial de LA JORNADA -México, Janeiro de 2023
O QUE A DIREITA DIZ E O QUE ELA FAZ

Os novos movimentos e grupos de reação contribuem para uma polarização baseada não em antagonismos reais, mas em fobias e preconceitos diante de tudo o que é percebido como uma ameaça a interesses que, ainda por cima, são distorcidos pela manipulação de demagogos.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, descreveu a ultradireita como um novo monstro que deve ser enfrentado e derrotado tanto em seu país quanto em escala global. Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, sede do Executivo assaltada e vandalizada neste domingo, 8, por partidários de seu antecessor, o fascista Jair Bolsonaro, Lula convocou para enfrentar a ascensão de uma extrema-direita fanática e raivosa que odeia tudo o que não corresponde ao que você pensa.

O líder histórico da esquerda eleitoral brasileira destacou que não basta derrotar os radicais nas urnas, é preciso também triunfar sobre o ódio, a mentira e a desinformação que as figuras da nova ultradireita têm semeado em amplos setores da sociedade .

O desafio é supremo, pois em sua ascensão as forças reacionárias varreram os alicerces da democracia e até mesmo um mínimo de civilidade. Vale ressaltar que Lula localiza a origem do ódio que corrói seu país na negação da política: de fato, demonizar partidos políticos e qualquer organização que levante demandas coletivas (particularmente sindicatos e comunidades) é parte central do discurso neoconservador , que aponta para a atomização, o individualismo autodestrutivo e o esbatimento ou cancelamento dos espaços em que é possível o debate de ideias, o contraste de pontos de vista e a construção de consensos.

Assim, os novos movimentos e grupos de reação contribuem para uma polarização baseada não em antagonismos reais, mas em fobias e preconceitos diante de tudo o que é percebido como uma ameaça a interesses que, ainda por cima, são distorcidos pela manipulação de demagogos, como o próprio Bolsonaro, Donald Trump, o espanhol Santiago Abascal, Le Pen (pai e filha) na França, o colombiano Álvaro Uribe, os bolivianos Jeanine Áñez e Luis Fernando Camacho (ambos presos por participação no golpe de 2019), o guatemalteco Alejandro Giammattei, o chileno José Antonio Kast e a classe política dessa nação viciada em pinochetismo, entre outras figuras, que também não faltam no México.

Para explicar a proliferação desse tipo de personagem na América Latina, não se pode ignorar a cumplicidade dos governantes americanos e europeus. Embora muitas vezes não concordem com as posições cavernosas da direita latino-americana em questões como direitos das minorias, questões de gênero, proteção ambiental ou mesmo sobreexploração do trabalho, os líderes ocidentais os elevam ao poder ou lhes oferecem um apoio inestimável, seja por causa de sua fobia patológica de qualquer coisa que em seu entendimento estreito se pareça com o socialismo ou para sustentar seus próprios interesses geopolíticos e os lucros de suas corporações transnacionais. O mesmo pode ser dito da mídia que repudia oficialmente os ataques às estruturas democráticas e aos direitos humanos, mas está pronta para apoiar quem mais favorece os lucros de suas empresas controladoras.

O risco que esses ultradireitos representam para ambos os lados do Atlântico não deve ser subestimado. Nos Estados Unidos, eles mantêm as instituições sob controle desde 2008, quando encontraram sua bandeira na sabotagem sistemática à presidência de Barack Obama; na Itália já governam com uma agenda xenófoba e machista (apesar de sua atual líder ser uma mulher, Giorgia Meloni); na Espanha chegaram ao poder regional pelas mãos da suposta direita moderada do Partido Popular, e podem estar perto de entrar em La Moncloa graças aos seus pactos com esta formação; na América Latina depuseram governos democráticos, em Honduras (2009), Paraguai (2012), Brasil (2016), Bolívia (2019), Peru (2022); além de tentativas fracassadas no Equador e na Venezuela (nesta, repetidas vezes). Esses golpes de estado no subcontinente substituíram os tanques de outrora por uma combinação de conspirações jurídico-legislativas com autênticas campanhas goebbelsianas de manipulação midiática que incitam o ódio de setores da população propensos ao classismo e ao racismo, de maneira não muito diferente a permanente difamação, propagação do ódio e indução do pânico por parte de uma oligarquia que não se resigna a ter perdido o controle da Presidência no México.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

O ÚLTIMO DISCURSO * Charlie Chaplin

O ÚLTIMO DISCURSO 
O GRANDE DITADOR
CHARLIE CHAPLIN

VEM AÍ O AGRODÓLAR * DERF.AR

VEM AÍ O AGRODÓLAR

NOTA

No mundo todo, o agronegócio não passa de uma roleta de apostas do sistema financeiro, e, assim como no Brasil, o é na Argentina. 

Confira:

"O mercado assume o lançamento do novo Soy Dollar em julho
É que a seca veio complicar todos os planos do Governo neste 2023 e por isso a especulação é que após a revisão das metas de junho com o FMI, algum tipo de ferramenta terá que ser utilizada.

Embora se saiba que a seca continua reduzindo a projeção da safra de soja e a liquidação das moedas para o primeiro bimestre do ano seria a menor desde 2007, o mercado futuro de grãos local já assume que em julho próximo o governo lançar uma nova edição do Soy Dollar ou outro mecanismo para acelerar a entrada de novos dólares. Isso fica evidente nos valores ofertados para o contrato de julho, que estão em torno de US$ 403 a tonelada, enquanto para maio deste ano o preço ofertado é de US$ 376 a tonelada. Esse prêmio de preço de US$ 27 por tonelada está muito longe da média das últimas cinco campanhas, quando a passagem entre maio e julho ofereceu um diferencial em torno de US$ 4,5 por tonelada.Tradicionalmente, maio é um dos meses mais fortes para a entrada de divisas provenientes da safra de soja, por isso o mercado especula que após a enxurrada de vendas feitas por produtores que precisam financeiramente, para julho aqueles que retêm o grão serão alcançados por algum tipo de mecanismo que o governo lançaria para obter moeda nova. Enquanto isso, o governante está longe de confirmar a implementação de um novo dólar de soja, mas ao mesmo tempo reconhece a necessidade de ter dólares de soja como teve em 2022 e mais ainda tendo em conta que a colheita de 2023 seria uma das a mais baixa dos últimos 15 anos.

Paralelamente, a soja disponível na safra passada também está valorizando o mercado local. A oleaginosa foi cotada ontem no mercado rosário a US$ 455 a tonelada, um valor impensável para esta época do ano, mas que é validado pelas fábricas de moagem dadas as poucas vendas que os produtores estão realizando . Segundo estatísticas oficiais, até agora restam cerca de 7,7 milhões de toneladas do ciclo passado para serem vendidas e apenas cerca de 70 mil toneladas foram movimentadas na semana passada.

Daqui para frente, a projeção de receita em moeda estrangeira para este 2023 com as exportações agrícolas é de US$ 47 bilhões, o que representa um recuo de mais de US$ 13 bilhões em relação ao ano passado. Espera-se uma queda mais do que considerável não apenas em exportadores complexos como soja e milho, mas também em carne bovina e no setor de lácteos. É que a seca veio complicar todos os planos do Governo neste 2023 e por isso a especulação é que após a revisão das metas de junho com o FMI, algum tipo de ferramenta terá que ser utilizada para validar uma grande receita de moeda estrangeira no segundo semestre do ano.

Outra questão fundamental é que no próximo mês de agosto acontecerá o PASO e tradicionalmente os produtores esperam conhecer os rumos econômicos e políticos do país para não só realizar a venda do grão, mas também planejar a próxima campanha agrícola. Pensando nisso, a equipe econômica comandada por Sergio Massa buscaria superar esse possível patamar com o relançamento de um novo dólar soja ou algum outro mecanismo. De qualquer forma, o mercado já está confirmando e isso está sendo refletido nas lousas."

FONTE
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domingo, 12 de fevereiro de 2023

A LETARGIA DA SOCIEDADE BRASILEIRA * Uribam Xavier/Segunda Opinião

 A LETARGIA DA SOCIEDADE BRASILEIRA

Por Uribam Xavier, no Segunda Opinião

Fevereiro de 2023


Quando Euclides da Cunha, na sua obra maior “Os sertões”, publicada em 1902, afirmou que “o sertanejo é, antes de tudo, um forte”, talvez quisesse dizer, embora o sertanejo tenha resistido e derrotado por duas vezes as forças armadas, que ele era capaz de sobreviver às adversidades naturais do sertão e à exploração e ao domínio dos donos do capital, atributo que os dotavam de capacidades diferenciadas para suportar a servidão. Hoje, porventura, estamos constatando que parte dos brasileiros, aquela que se identifica com o pensamento político de esquerda e portadora de um pensamento crítico, seja portadora do medo de rupturas estruturais e do conflito violento com o poder, talvez, por medo de perder os privilégios de classe média num país de desigualdade brutal, comportamento bem diferente dos setores de extrema direita e fascistas que vêm se consolidando no país depois do golpe de 2016. Estes, com objetivos fascistas, colocam-se contra a ordem e forçam as esquerdas a serem o seu guardião, pois renunciaram a um horizonte político emancipador.


Na Argentina, no início de dezembro de 2022, quando a justiça condenou Cristina Kirchner por corrupção e lavagem de dinheiro, uma parte saiu às ruas para defender a prisão e outra para protestar contra esta, afirmando que se tratava de uma manobra política e jurídica para retirar Cristina da disputa pela presidência da República. No Peru, é impressionante a intensa mobilização e enfrentamento com a força policial que a maioria da população vem realizando desde 8 de dezembro de 2022, quando o presidente Pedro Castillo foi destituído e preso após tentar fechar o Congresso ao ser cassado. A população peruana, desde então, ocupa as ruas e vem se deslocando de várias partes do país para a capital pedindo a renúncia da presidenta Dina Boluarte e novas eleições gerais. O confronto da polícia com a população já produz mais de 60 mortos, mas ela não se retira das ruas, não se verga ao poder.


No Brasil, passamos quatro anos de mandato de Bolsonaro, assistindo, de forma pacífica ou adormecida, ao governo patrocinando e participando de atos antidemocráticos que pediam intervenção militar; assistimos, durante dois anos, ao governo comandando uma política genocida como forma de enfrentamento da pandemia da covid-19; assistimos aos atentados golpistas por meio do terrorismo aos três poderes no dia 8 de janeiro de 2023; e assistimos ao fato chocante revelado pelas imagens dos povos originários Yanomami vitimados pela política genocida de Bolsonaro e seus ministros, mas nada de mobilização nas ruas.


É assustador o adormecimento da sociedade brasileira que se diz crítica e de esquerda, parece que ela renunciou a participar do processo de intervenção estrutural da sociedade, aderiu à ideologia do fim da história e do sujeito político, esperando resolução dos problemas a partir de algum tipo de salvador da pátria (Lula), da combinação de ações atrapalhadas dos que mantêm a servidão e exploração dos corpos e das consciências coletivas, da providência divina ou, até mesmo, do acaso.


O comportamento do brasileiro de esquerda é esdrúxulo, ele afirma, por meio das mídias sociais, “não à anistia”, mas espera, juntamente com os seus, tomando cerveja na mesa de bar ou trocando ideias em suas lives, que a partir das instituições políticas de sustentação da reprodução do capital, principalmente o poder judiciário, que se possa fazer justiça e manter a ordem. A indignação como rebelião e resistência à ordem de dominação e exploração é algo que nos falta, é algo que os partidos de esquerda não alimentam como possiblidade de sedimentação de uma nova cultura política.


Não à toa que o paroxismo da política de esquerda passou a ser “democracia sempre”, democracia como respeito às regras do jogo, num ordenamento jurídico de manutenção da ordem que garante a expansão do processo de acumulação do capital e, ao mesmo tempo, da pobreza, da miséria, da violência e da destruição do planeta.


FONTE

https://segundaopiniao.jor.br/o-adormecimento-da-sociedade-brasileira/


*Uribam Xavier* - gosta de café com tapioca e cuscuz, peixe frito ou no pirão, de frutas e verduras, antes de ser hipertenso era chegado a uma buchada e a um sarapatel. Frequenta o espetinho do Paraíba, no boêmio e universitário bairro do Benfica [Fortaleza], e no pré-carnaval segue o bloco Luxo da Aldeia. É professor, ativista decolonial e anti-imperialista, escrever para puxar conversa e fazer arenga política. Seus dois últimos livros são: “América Latina no Século XXI – As resistências ao padrão Mundial de poder”. Expressão Gráfica Editora, Fortaleza, 2016; “Crise Civilizacional e Pensamento Decolonial. Puxando conversa em tempos de pandemia”. Dialética Editora, São Paulo, 2021


ANEXO

VALTER EUDES - PE

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

ENTREVISTA MARIA MARIGHELLA * Jornalistas Livres

ENTREVISTA MARIA MARIGHELLA
Maria Marighella é a entrevistada no Programa JORNALISTAS LIVRES ENTREVISTA.

Atriz, mãe, militante e produtora cultural. Herdeira de uma família de tradição militante. Maria é neta do político e guerrilheiro comunista que chegou a ser considerado o inimigo número um da ditadura militar (1964-1985), Carlos Marighella. Defensora de uma “política feminista e antiracista”, Maria foi coordenadora da Funarte no Governo Dilma, atuou na construção da Lei Aldir Blanc, também foi gestora pública na área da cultura do estado da Bahia.

Atualmente exerce o mandato de vereadora em Salvador pelo partido dos Trabalhadores (PT). Participou do grupo da cultura durante transição do governo federal e no último dia dois de janeiro, Maria foi convidada pela Ministra da Cultura, Margareth Menezes, para assumir a presidência da Fundação Nacional das Artes (a FUNARTE).

“Assumo com muita honra a missão que me foi confiada pela ministra Margareth Menezes – a quem celebro e agradeço. É uma grande responsabilidade ser a primeira mulher nordestina a ocupar esta Presidência”, disse Maria.
Fundação Nacional de Artes (Funarte) é uma fundação do governo brasileiro, que voltou a estar vinculada ao Ministério da Cultura, com atuação em todo o território Nacional. É o órgão responsável pelo desenvolvimento de políticas públicas de fomento às artes visuais, à música, à dança, ao teatro e ao circo. Hoje, a Funarte mantém espaços culturais no Rio de JaneiroSão PauloMinas Gerais e Distrito Federal, e disponibiliza parte de seu acervo gratuitamente na internet.

domingo, 5 de fevereiro de 2023

REAL VERSUS VIRTUAL * Crônicas Anônimas

REAL VERSUS VIRTUAL


Entrei apressado e com fome no restaurante.

Escolhi uma mesa bem afastada, pois queria aproveitar os poucos minutos de que dispunha para comer.

Abri meu notebook e levei um susto com aquela voz baixinha atrás  de mim:

- Tio, dá um trocado

- Não tenho menino.

- Só uma moeda para eu comprar pão...

- Está bem, compro um para você.

Para variar, minha caixa de entradas estava lotada. Fico distraído vendo poesias, e dando risadas com as piadas malucas.

- Tio, pode por margarina e queijo também?

Percebo que o menino tinha ficado ali.

- Ok, mas depois me deixe trabalhar.

Chega a minha refeição. Faço o pedido do menino e o garçom me pergunta se quero que mande o garoto sair. 

Minha consciência me impede de dizer sim. Digo que está tudo bem.

Deixe-o ficar, traga pão e mais uma refeição decente para ele.

Então o menino se senta à minha frente e pergunta:

- Tio o que está fazendo?

- Estou lendo uns e-mails

- O que são e-mails?

São mensagens eletrônicas mandadas por pessoas via internet, é como se fosse uma carta, só que via internet.

- Tio, você tem internet?

- Tenho sim, é essencial no mundo de hoje.

- O que é internet?

É um local no computador onde podemos ver e ouvir muitas coisas, notícias, músicas, ler, escrever, sonhar, trabalhar, aprender. 

Tem tudo no mundo virtual.

- O que é virtual tio?

Dou uma explicação simples, certo de que ele pouco vai entender, e  vou poder comer sem culpas.

- Virtual é um local que imaginamos algo que não podemos pegar, tocar. É lá que criamos um monte de coisas que gostaríamos de fazer, criamos nossas fantasias, transformamos o mundo em quase como queríamos que fosse.

- Legal isso, gostei.

- Mocinho, você entendeu o que é virtual?

- Sim tio, eu também vivo neste mundo virtual.

- Você tem computador?

- Não, mas meu mundo também é desse jeito. Minha mãe fica todo dia fora, só chega muito tarde, quase não a vejo. Eu fico cuidando do meu irmão pequeno que vive chorando de fome, e eu dou água para ele pensar que é sopa. 

Minha irmã mais velha sai todo dia, diz que vai vender o corpo, mas não entendo, ela sempre volta com o corpo dela.

Meu pai está na cadeia há muito tempo, mas sempre imagino nossa família toda junta em casa, muita comida, muitos brinquedos de natal e eu indo para a escola para virar médico um dia. Isso não é virtual tio?

Fechei meu notebook, não antes que as lágrimas viessem aos olhos.

Esperei que o menino terminasse de literalmente "devorar" o prato dele, paguei a conta e dei o troco para o garoto, que me retribuiu com um dos mais belos e sincero sorriso que eu já recebi na vida, e com um "brigado tio, você é legal".


Ali naquele instante, tive a maior prova do virtualíssimo insensato em que vivemos todos os dias, enquanto a realidade cruel rodeia de verdade, e fazemos de conta que não percebemos!


Vamos sair do virtual e ter ações e atitudes concretas.

Participar da vida dos nossos irmãos, da nossa Comunidade e da nossa Família.

sábado, 4 de fevereiro de 2023

África Brasil * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

ÁFRICA BRASIL
ANGOLA BRASIL
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O futuro chegou depressa * Boaventura de Sousa Santos/Portugual

 O futuro chegou depressa

Boaventura de Sousa Santos/Portugual*


Dificilmente se encontrará na política internacional um começo tão turbulento de um mandato democrático como o que caracterizou o do presidente Lula. 


A democracia esteve por um fio e foi salva (por agora) devido a uma combinação contingente de fatores excepcionais: o talento de estadista do presidente, a atuação certa no momento certo de um ministro no lugar certo, Flávio Dino, logo secundado pelo apoio ativo do STF. 


As instituições especificamente encarregadas de defender a paz e a ordem pública estiveram ausentes, e algumas delas foram mesmo coniventes com a arruaça depredadora de bens públicos. Quando uma democracia prevalece nestas condições dá simultaneamente uma afirmação de força e de fraqueza. Mostra que tem mais ânimo para sobreviver do que para florescer. 


A verdade é que, a prazo, só sobreviverá se florescer e para isso são necessárias políticas com lógicas diferentes, suscetíveis de criarem conflitos entre si. E tudo tem de ser feito sob pressão. Ou seja, o futuro chegou depressa e com pressa.


O Brasil não volta a ser o que era antes de Bolsonaro, pelo menos durante alguns anos. O Brasil tinha duas feridas históricas mal curadas: o colonialismo português e a ditadura. A ferida do colonialismo estava mal curada porque nem a questão da terra nem a do racismo antinegro, anti-indígena e anticigano (as duas heranças malditas) foram solucionadas. A última só com o primeiro governo de Lula começou a ser enfrentada (ações afirmativas, etc). A ferida da ditadura estava mal curada devido ao pacto com os militares antidemocráticos na transição democrática de que resultou a não punição dos crimes cometidos pelos militares. 


Estas duas feridas explodiram com toda a purulência na figura de Bolsonaro. O pus misturou-se no sangue das relações sociais por via das redes sociais e aí vai ficar por muito tempo por ação de um lúmpen-capitalismo legal e ilegal, racial e sexista, que persiste na base da economia, uma base ressentida em relação ao topo da pirâmide, o capital financeiro, devido à usura deste. Esta ferida mal curada e agora mais exposta vai envenenar toda política democrática nos próximos anos. 


A convivência democrática vai ter de viver em paralelo com uma pulsão antidemocrática sob a forma de um golpe de Estado continuado, ora dormente ora ativo. Assim será até 2024, data das eleições norte-americanas, devido ao pacto de sangue entre a extrema-direita brasileira e a norte-americana.


A tentativa de golpe de 8 de janeiro alterou profundamente as prioridades do presidente Lula. Dado o agravamento da crise social, a agenda de Lula estava destinada a privilegiar a área social. De repente, a política de segurança impôs-se com total urgência. Prevejo que ela vá continuar a ocupar a atenção do Presidente durante todo o tempo em que o subterrâneo golpista mostrar ter aliados nas Forças Armadas, nas forças de segurança e no capital antiamazônico.


Este capital está apostado na destruição da amazônia e na solução final dos povos indígenas. A fotos dos Yanomanis que circularam no mundo só têm paralelo com as fotos das vítimas do holocausto nazista dos anos de 1940. Como poderia eu imaginar que, oito anos depois de dar as boas-vindas na Universidade de Coimbra aos lideres indígenas de Roraima (comitiva em que se integrava a agora Ministra Sônia Guajajara) e de receber deles o cocar e o bastão da chuva – uma grande honra para mim – assistiria à conversão do seu território, por cuja demarcação lutamos, num campo de concentração, um Auschwitz tropical? O Brasil precisa da cooperação internacional para obter a condenação internacional por genocídio do ex-presidente e alguns dos seus ministros, nomeadamente Sérgio Moro e Damares Alves.


Quando o futuro chega depressa faz exigências que frequentemente se atropelam. O drama midiático causado pela tentativa de golpe exige muita atenção e vigilância por parte dos dirigentes. Contudo, visto das populações marginalizadas a viver nas imensas periferias, o drama golpista é muito menor do que o de não poder dar comida aos filhos, ser assassinado pela polícia ou pelas milícias, ser estuprada pelo patrão ou assassinada pelo companheiro, ver a casa ser levada pela próxima enxurrada, sentir os tumores a crescer no corpo por excessiva exposição a inseticidas e pesticidas, mundialmente proibidos mas usados livremente no Brasil, ver a água do rio onde sempre se buscou o alimento contaminada ao ponto de os peixes serem veneno vivo, saber que o seu jovem filho negro ficará preso por tempo indefinido apesar de nunca ter sido condenado, temer que que o seu assentamento seja amanhã vandalizado por criminosos escoltados pela polícia. 


Estes são alguns dos dramas das populações que no futuro próximo, responderão às sondagens sobre a taxa de aprovação do Presidente Lula e seu governo. Quanto mais baixa for essa taxa mais champanhe será consumida pelos golpistas e pelas lideranças fascistas nacionais e estrangeiras. Confiemos no gênio político do presidente Lula, que sempre viveu intensamente estes dramas da população vulnerabilizada, para governar com uma mão pesada para conter e punir os golpistas presentes e futuros e para com uma mão solidária, amparar e devolver a esperança ao seu povo de sempre.


*Boaventura de Sousa Santos é professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Autor, entre outros livros, de O fim do império cognitivo (Autêntica).

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2023

MANIFESTO CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO PERUANO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

 MANIFESTO CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO PERUANO

Abaixo-assinado de entidades, personalidades, organizações,  professores e movimentos populares em apoio à população e aos  trabalhadores peruanos.

Em apenas 16 meses de governo, o presidente Pedro Castillo, eleito  em 2021 no Peru, com apoio de trabalhadores e camponeses, enfrentou  imensa pressão da extrema-direita fujimorista, do congresso conservador,  da elite do país e dos meios de comunicação.  

Mesmo levando-se em conta possíveis erros de Pedro Castillo, o fato  é que o objetivo permanente da maioria do Congresso peruano foi  impedir Castillo de governar, culminando com os acontecimentos de 7 de  dezembro de 2022, com o afastamento e a prisão do presidente eleito. 

Isso provocou grande indignação e uma poderosa mobilização dos  trabalhadores e camponeses, exigindo a saída de Dina Boluarte, a  convocação de novas eleições presidenciais e parlamentares, a  convocatória de uma constituinte que enterre a Constituição fujimorista e  a liberdade para Pedro Castillo. 

Como resposta, Dina Boluarte e o Estado peruano desencadearam  uma feroz repressão que já causou cerca de 50 mortes. Nada, no entanto,  detêm o movimento popular. Na recente onda massiva de protestos, em Lima, houve a prisão inaceitável de 200 manifestantes na Universidad San  Marcos.  

Neste contexto, de aumento das mobilizações no país, nos  somamos às pautas das organizações peruanas que exigem das  autoridades do país:  

1. Saída de Dina Boluarte; 

2. Novas eleições presidenciais no país; 

3. Convocatória de uma Constituinte que redesenhe o Estado  peruano; 

4. Pela liberdade de Pedro Castillo e todos/as presos/as políticas  peruanos/as.

Assinam:  

Parlamentares:  

1. Deputada Federal Carol Dartora (PT/PR) 

2. Deputado Federal Tadeu Veneri (PT/PR)  

3. Deputada Federal Fernanda Melchionna (Psol/RS) 

4. Deputada Federal Juliana Cardoso (PT/SP) 

5. Deputada Federal Sâmia Bomfim (Psol/SP) 

6. Deputado Distrital Fabio Felix (Psol/DF) 

7. Vivi Reis (ex-deputada federal / Psol PA) 

8. Deputada estadual Cida Ramos (PT/PB) 

9. Deputado Estadual Goura (PDT/PR) 

10.Deputada Estadual Márcia Lia (PT/SP) 

11. Deputado Estadual Renato Freitas (PT/PR)  

12. Deputada Estadual Luciana Genro (Psol/RS) 

13. Deputado Estadual Josemar Carvalho (Psol RJ) 

14. Deputada Estadual Rosa Amorim PT-PE 

15. Mandato Coletivo e Popular do Vereador Bruno Pedralva  (PT/MG)  

16. Vereadora Luana Alves (Psol/ SP) 

17. Vereadora Jô Oliveira, Campina Grande (PCdoB/PB) 18. Vereador Roberto Robaina (Psol/RS) 

Entidades, movimentos populares e organizações políticas:  

19. ALBA Movimentos - Capítulo Brasil 

20. Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) 

21. CEBRAPAZ-PR 

22. Central de Movimentos Populares (CMP)  

23. Central Única dos Trabalhadores (CUT)  

24.Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)  25. Central dos (as) Trabalhadores (as) do Brasil - PR 

26. Centro de Direitos Humanos de Palmas/TO (CDHP) 27. Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo (Cefuria)  28. Centro de Estudos Barão de Itararé  

29. Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD) 30. Coletivo Feminista Coritibano 

31. Coletivo Soylocoporti  

32. Comitê Antiimperialista General Abreu e Lima 

33. Comitê Popular Praça Tiradentes - Curitiba  

34. Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE)  35. Consulta Popular 

36. Comunidade Liberta  

37. Esquerda Marxista  

38. Federação Única dos Petroleiros (FUP)  

39. Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)  

40. Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense (FMAP) 41. Frente Brasil Popular  

42. Frente Povo Sem Medo  

43. Jovens pelo Clima (SP)  

44. Jovens Pelo Clima (BSB)  

45. Juventude Travessia  

46. Levante Popular da Juventude 

47. Livia Sampaio - Economista 

48. Marxismo 21 

49. Movimento de Atingidos por Barragens (MAB – Brasil) 50. Movimiento de Afectados por Represas Internacional (MAR) 51. Movimento Brasil Popular  

52. Movimento Camponês Popular (MCP)  

53. Movimento em Defesa da Soberania Nacional 

54. Movimento de Esquerda Socialista (MES/Psol)  

55. Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM) 56. Movimento Negro Evangélico do Paraná (MNE-PR) 57. Movimento Nacional da População em Situação de Rua (MNPR) 58. Movimento Popular por Moradia (MPM)  

59. Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)  

60. Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos  (MTD) 

61. Movimento de Trabalhadores Sem Teto (MTST)  62. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)  63. Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) 64. Núcleo de Estudos e Pesquisas em Aprofundamento Marxista – PUCSP (NEAM) 

65. Partido Comunista do Brasil (PC do B)  

66. Pastoral Popular Luterana 

67. Psol Uberlândia (MG)  

68. Secretaria de Mulheres do PCdoB-PR  

69. Sindicato de Jornalistas do Paraná (Sindijor-PR)  70. Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares 71. Rede Social de Justiça e Direitos Humanos 

72. Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (ASFOC-SN)

73. Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos Estaduais  (SindSaúde-PR)  

74. Sindicato dos Docentes da UTFPR (Sindiutfpr)  

75. Sindicato dos Escritores do Estado de São Paulo 

76. Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de  Uberlândia (ADUFU -Seção Sindical) 

77. Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica,  Profissional e Tecnológica (SINASEFE-SP) 

78. União Brasileira de Mulheres (UBM-PR)  

79. União da Juventude Socialista (UJS)  

80. União de Moradores e Trabalhadores (UMT)  

Adesões individuais, personalidades e lideranças políticas:  

81. Ademir Assunção, poeta e escritor  

82. Altamiro Borges, jornalista  

83. Anísio Garcez Homem, escritor e militante  

84. Antonio Carlos Mazzeo, dirigente nacional PCB  

85. Armando Boito, professor da Unicamp, dirigente da Consulta  Popular  

86. Beatriz Bissio, professora associada da UFRJ 

87. Beatriz Vieira, professora Universitária, UERJ 

88. Bia Abramides, professora da PUC-SP 

89. Breno Altman, jornalista e coordenador do site Opera Mundi  90. Bruno Magalhães, dirigente do MES/Psol  

91. Caio N. de Toledo, professor aposentado da Unicamp 92. Camila Souza, dirigente do MES/Psol 

93. Carol Proner, advogada e professora da UFRJ 

94. Claudio Ribeiro, advogado trabalhista aposentado  

95. Cecilia Castillo Nanjarí, teóloga feminista e pentecostal 96. Danilo Enrico Martuscelli, professor da UFU 

97. Dario G. Schaffer, pastor luterano 

98. Démerson Dias, funcionário público 

99. Diana Abreu, diretora do Sismmac Magistério Municipal de Ctba  100. Edilson José Graciolli, professor da UFU 

101. Edward Guimarães, teólogo e professor universitário 102. Eliel Machado, professor da UEL 

103. Flávio Antônio de Castro, aposentado 

104. Gisele Cittadino, professora associada da PUC-RJ 105. Gustavo Erwin Kuss, dirigente municipal do PT- Ctba  106. Igor Fuser, professor da Universidade Federal do ABC  (UFABC)

107. Israel Dutra (Secretário-geral do Psol) 

108. Jales Dantas da Costa, professor, UnB Brasil 

109. João Ricardo Dornelles - Professor do Programa de Pós graduação em Direito da PUC-RJ;  

110. John Kennedy Ferreira, professor da UFMA 

111. José Oscar Beozzo. Padre e historiador 

112. Luiz Bernardo Pericás, professor de história da USP 113. Luiz Eduardo Motta, professor UFRJ 

114. Luiz Felipe Osório, CPDA/UFRRJ 

115. Luiz Bernardo Pericás, professor de história da USP 116. Lusmarina Campos Garcia, pesquisadora de direito pela UFRJ, teóloga luterana 

117. Manfredo Araújo Oliveira, professor de Filosofia no  doutorado da UFC 

118. Maria Luiza Flores da Cunha Bierrenbach, advogada 119. Maria Luiza Quaresma Tonelli, advogada 

120. Maria Teresa Toribio Brittes Lemos, Universidade do Estado  do Rio de Janeiro (UERJ - PPGH-UERJ) 

121. Manuel E. Gándara Carballido, instituto Joaquín Herrera  Flores (AL)  

122. Maristhéla Cândida Garcia de Campos Freitas, trabalha na  Câmara Municipal de Cuiabá, filiada ao PT, profissional do direito 123. Marly de Almeida Gomes Vianna, professora aposentada da  UFSCar 

124. Nanny Alves, bailarina e coreógrafa – Catalunha (Espanha)  125. Otto Leopoldo Winck, escritor  

126. Osvaldo Coggiola, historiador  

127. Patrícia Vieira Trópia, Professora da UFU 

128. Paulo Henrique Furtado de Araújo, professor da Faculdade de  Economia da UFF 

129. Pedro Carrano, escritor, jornalista, dirigente da Consulta  Popular  

130. Pedro Cesar Batista  

131. Priscila Faulhaber Barbosa, pesquisadora Titular do Museu de  Astronomia e Ciências Afins 

132. Migdáleder Mazuera, iglesia Presbiteriana de EEUU,  presbiterio de Tampa Bay 

133. Ricardo Figueiredo de Castro (Historiador - UFRJ) 134. Ricardo Gebrim, advogado, dirigente da Consulta Popular 

135. Roberto E. Zwetsch, pastor luterano, professor e pesquisador  de Teologia no sul do Brasil. Membro da Pastoral Popular  Luterana (PPL)  

136. Rogerio Dultra dos Santos - Professor da Faculdade de Direito  da UFF 

137. Sidnei J. Munhoz, Historiador (UFSC e UEM) 

138. Mariana Riscali, tesoureira nacional do Psol 

139. Juliana Neuenschwander Magalhães - Professora da  Faculdade de Direito da UFRJ 

140. Leandro Recife, secretaria nacional de Formação do Psol 141. Lúcia Skromov, professora, pertencente ao Comitê Pró-Haiti e  ao Comitê pela reabertura de Hospitais Públicos na cidade de São  Paulo (Brasil) 

142. Marcus Giraldes - servidor da Fundação Oswaldo Cruz 143. Neila Ruiz Alfonzo, professora de música, regente coral 144. Pedro Fuentes, dirigente do MES/Psol 

145. Ricardo Azambuja, economista e jornalista 

146. Roberto Ponciano, escritor e professor 

147. Sinivaldo S. Tavares, franciscano, professor de teologia  148. Tania Jandira Rodrigues Ferreira, Umbandista, Militante da  Ccir - Comissão de Combate à intolerância religiosa do RJ 149. Valério Arcary, professor, dirigente nacional do Psol  150. Wilma Ferreira de Jesus, mestre em História Social  (INHIS/UFU), professora aposentada. 

151. Zé Maria, coordenador do Setorial de Energia e Recursos  Minerais do PT

152. PCOA BRASIL - Plataforma da Classe Operária Antiimperialista

153. Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

154. Partido Comunista dos Trabalhadores Brasileiros/PCTB