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quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Nós e a república * Eni Carajá Filho * MG

NÓS E A REPÚBLICA

Eni Carajá Filho

Jokãntyhy Novembro 2022.


O Grande Espírito ainda chama, convoca nos a refletir sobre que República é essa que proclamada segue pisoteando sobre os povos Originários dessa terra, que são os indígenas.


Pisoteiam também sobre toda diáspora Africana que habita esse território e que foram escravizados junto aos que aqui já estavam e que boa parte haviam sido chacinadas a exemplo dos Karajá, invisibilizam os povos tradicionais, Quilombolas, Marisqueiros,os das Vazantes, apanhadores de flores, castanhas, dos faxinais,  Congadeiros, Moçambiqueiros, e todos aqueles que ousassem  a lutar por dias melhores para todos, mas a República seguiu perversa, engordou se nas diversas e diferentes ditaduras.


Seguiu concentrando a riqueza adquirida sob o lombo desses povos e dos demais que viviam na Terra se Santa Cruz, e quem usufruiu   foi uma elite reacionária, militarizada e que arrota ordem e progresso, para quem?


Essa República ainda tem concerto e as eleições no Brasil de 2022 mostrou um novo desenhar na política, uma reaglutinação de forças democráticas de centro, esquerda, com potente acompanhamento da imprensa, de setores que não concordam com a forma de gestão que usa o Deus como escudo para tampar as falcatruas e blindar escondendo por mais de 100 futuros anos aquilo que se fez e deveria estar difundido no portal da transparência para pleno conhecimento de todos os 215 milhões de brasileiros e das demais nações.


Essa tirania promoveu a mais contundente disseminação de práticas anti o culto alheio e de intolerancia religiosa que se percebeu, a ponto de na campanha eleitoral disseminar notícias falsas, comprar Pastores e subverter a Divindade.


A república do orçamento secreto será sepultada com a troca de comando, Luiz Inácio Lula da Silva, que liderou todas as pesquisas de intenção de votos desde o início da campanha, retorna ao topo desse poder, eleito em segundo turno e o Brasil demonstrava que assim como sua história republicana, não reelegeriam um despota, dando ao Ex Operário o direito legítimo de conduzir pela terceira vez essa nação e sabemos que o mesmo não fará milagres e sim fará a diferença a essa nação, restituindo minimamente aos nossos povos e aqueles em situação de vulnerabilidade, o direto a comer pelo menos três refeições dia, ter conforto de encostar a cabeça no travesseiro e dormir, seja na cama, na rede ou onde quiser, é preciso trazer empregos de volta, revogar as imbecilidades dos últimos seis anos praticadas no planalto central.


Que bom que estamos aqui para ver e escrever esse novo momento.


Faça sua parte nessa história e ajude a combater o feminicídio, a negação, a mordaça, o chicote, a matança que vinha sendo corriqueira em nosso país  que só clama pela verdadeira democracia.

sábado, 5 de novembro de 2022

DECÁLOGO PARA UMA RUNASUR PLURINACIONAL * EVO MORALES - BOLÍVIA

DECÁLOGO PARA UMA RUNASUR PLURINACIONAL

EVO MORALES - BOLÍVIA

PARA UMA AMÉRICA PLURINACIONAL

Irmãs, irmãos, povos de Abya Yala:

Vivemos múltiplas crises no mundo, é tempo de unidade, de construir e forjar nossa América Plurinacional, nossa identidade com dignidade. Por isso, do Sul do continente, propomos um Decálogo que orienta nosso caminho, nosso Qhapaq Ñan.

1. Defendamos a Autodeterminação dos Povos. América Plurinacional, lute contra todas as formas de dominação, contra a interferência e o racismo, para consolidar a autodeterminação e a identidade dos povos. Propõe-se o processo de reconstrução e refundação dos Estados onde o primordial não é o capital ou o consumo excessivo, mas os seres humanos e a natureza, onde os governos são dos povos e para os povos, um Estado sem discriminação nem classes.

2. Fortaleçamos a democracia, os direitos humanos e os direitos coletivos. A América Plurinacional, é a expressão da pluralidade e reconhece todas as democracias que respondem à vontade e ao exercício soberano dos povos. Promovemos o pleno respeito aos direitos individuais dos homens e mulheres que vivem em nosso extenso território, bem como aos direitos coletivos dos povos indígenas e/ou afrodescendentes. Promovemos o diálogo dos povos, sob princípios comuns que nos permitem construir uma aliança para articular processos conjuntos que potencializem nossas vozes. Devemos tornar a liberdade de expressão emancipatória para que a verdade do povo fale.

3. Fortaleçamos a Integração dos Povos. A América Plurinacional é a expressão dos movimentos indígenas, dos diferentes setores sociais e operários, com clareza político-ideológica, princípios e valores que têm sido nossos instrumentos de resistência e luta desde os tempos coloniais. A integração de nossos povos é unidade com solidariedade como bloco de luta, defesa e reivindicação de nossos direitos históricos. Nosso propósito é fortalecer as organizações de integração para consolidar nossa unidade como movimento que promove a libertação dos povos da América Latina, do Caribe e do mundo.

4. Reafirmemos nossa Plurinacionalidade, Pluriculturalidade e Plurilinguismo. A América Plurinacional é a unidade na diversidade, é a reunião dos nativos antigos e contemporâneos. Somos povos diversos; o conhecimento, a sabedoria ancestral e a identidade dos nossos povos são a nossa riqueza.

A América Plurinacional é nos reconhecermos como seres humanos iguais, com os mesmos direitos e obrigações.

5. Consolidemos a Luta Anti-imperialista. A América Plurinacional é a resposta dos povos, movimentos e organizações sociais, contra todas as formas de intervencionismo e interferência. Rejeitamos as ações do imperialismo e do capitalismo que impõem sanções econômicas, organizam golpes e promovem o fascismo e o racismo que ameaçam a soberania dos povos.

A América Plurinacional defende os recursos naturais, a redistribuição da riqueza e a solidariedade entre os povos. Rejeitamos o capitalismo e o consumismo por ser um sistema falido que causa desigualdade, morte e destruição.

6. Construamos a paz com justiça social. A América Plurinacional promove o direito dos povos à paz, bem como a cooperação e a solidariedade entre Estados e regiões do mundo. Rejeitamos intervenções militares que usam o pretexto de buscar a paz. A paz se constrói com mais democracia e mais desenvolvimento, com serviços básicos, com educação, saúde, moradia, onde a riqueza é redistribuída em prol da igualdade.

7. Vamos promover o Viver Bem ou o Bem Viver. A América Plurinacional propõe a recuperação de Sumaq Qamaña, Sumaq Kawsay, Ivi Marey como forma de convivência, bem-estar e desenvolvimento, ao invés de viver melhor para poucos. Viver Bem busca a harmonia entre os povos e com a Mãe Terra, onde todos exercemos nossos direitos e cumprimos nossas obrigações.

8. Fortaleçamos a Defesa da Mãe Terra e seus Direitos. A América Plurinacional promove e promove os direitos da Mãe Terra. Os povos indígenas vivem sempre em interdependência com a natureza. O ser humano sem a natureza não pode viver, a natureza sem o ser humano talvez possa viver melhor.

9. Recuperemos nossos antigos princípios de vida, aceleremos a Descolonização e a Despatriarcalização. A América Plurinacional é a expressão dos povos que recupera, reavalia e promove o conhecimento ancestral de nossos povos, luta contra toda imposição herdada da era colonial, promovendo processos de descolonização em nível continental e intercontinental, para garantir nossa libertação.

América Plurinacional, lutar pela despatriarcalização para construir sociedades mais justas e equitativas, onde os direitos das mulheres sejam plenamente reconhecidos, maior igualdade entre mulheres e homens significa também maior desenvolvimento de nossos povos.

10. Vamos desenvolver um Modelo Econômico Plural e Social. A América Plurinacional, promove a distribuição justa da riqueza entre os povos. A propriedade individual e coletiva faz parte das construções históricas de nossas sociedades, portanto, devemos reconhecê-las e respeitá-las. O objetivo final da economia não deve ser a acumulação de capital, mas o bem-estar e o Bem Viver dos seres humanos e da Mãe Terra.

PELA NOSSA IDENTIDADE... PELA NOSSA DIGNIDADE... PELA UNIDADE DAS PESSOAS...

JALLALLA AMÉRICA PLURINACIONAL!!!

EVO MORALES AYMA

Presidente Constitucional 2006-2019

Estado Plurinacional da Bolívia