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terça-feira, 9 de julho de 2024

OS CÓDIGOS DO BOLSONARISMO * Hudson/SP

OS CÓDIGOS DO BOLSONARISMO

O bolsonarismo como aliado do nazifascismo ortodoxal ou do neofascismo contemporâneo constitue a face mais cruel do obscurantismo, hoje, no Brasil. 
EXTREMISMO CARA-DURA

Por isso, há tanto fanatismo relígio político e ideológico e tanta desinformação, em nosso país, perpetrados por uma soma avultosa de ignorância intelectual , que despolitiza e aliena uma parcela considerável da população brasileira que se autointitula de 'bolsonarista ou seguidores de Bolsonaro, seu líder', e que a remete ao mais profundo ostracismo da realidade factual e histórica, ou seja, a uma realidade paralela, mítica e sem rumos, onde a fantasia mental, a religiosidade exarcerbada e as fake news são para essa sociedade seus 'códigos da verdade' (ainda que sofismáveis) e suas 'fontes de (des)informação', aos quais se apegam para construir suas visões de mundo, tanto do concreto como do subjetivo, seus conceitos, consciência social e dogmas.

 Vale ressaltar, que sua cosmovisão vem sempre acompanhada pela leitura de fatos reais alijados (isolados) de seus contextos ou distorcidos; por que os códigos desse segmento da nossa sociedade não se assemelham aos códigos da verdade, da sensatez, da lucidez e da reflexão, que servem de estrutura para análise e compreensão minimamente plausível da realidade factível, da história e da vida. Para esse segmento social, seus códigos e sua percepção de mundo não cabem na contemporaneidade ou na existencialidade da vida cotidiana real - pois vivem em um mundo abstrato, paralelo, com muito pouco ou nenhum grau de realidade. Lamento, bolsomínions!!*

sexta-feira, 14 de julho de 2023

CAIU NA REDE É PEIXE! * Frei Betto/SP

CAIU NA REDE É PEIXE!
Frei Betto/SP

Há consenso de que saímos piores da pandemia. Nos exigiu isolamento e coincidiu com o acirramento da polarização política. O isolamento somente não se transformou em cela solitária porque tínhamos algumas janelas abertas, como as redes digitais. Mas a polarização política irrompeu na esfera da emoção, não da razão. Muito diferente das polarizações anteriores, nas quais os debates se apoiavam em autores dotados de luzes (Marx, Smith, Gramsci, Keynes, Lenin, Arendt etc.) e em propostas para o futuro da humanidade.
Agora não há citações, projetos ou propostas. Há disputas acirradas na base do ódio, da difamação, da infâmia, enfim, da violência. O adversário é encarado como inimigo. Não deve ser convencido, e sim vencido. E virtualmente assassinado; às vezes, literalmente.

O que nos levou a esse nível de desumanidade? Por que tantas relações de parentesco e amizade foram sumariamente cortadas? Por que o debate cedeu lugar ao ódio, à exclusão, ao cancelamento?

Há muitas respostas e hipóteses. Entre elas, a de que a dependência psíquica às redes digitais esgarçou os vínculos sociais. Hoje, mais de 5 bilhões de pessoas estão conectadas à internet (a população mundial é de 8 bilhões), e o Brasil ocupa o quinto lugar no número de usuários. Há mais smartphones em nosso país (249 milhões) que os 203 milhões de habitantes.
Somos tragados, literalmente, pelas bolhas nas quais transitamos. E elas exacerbam em nós o individualismo e o narcisismo. Somos espectadores de nós mesmos. Abrimos a ferramenta digital como quem descerra a cortina do teatro ou o véu que cobre o espelho. É a mim mesmo que eu quero ver. O outro só me interessa enquanto plateia do que posto. E caso manifeste alguma discordância com o que posto, então disparo todo tipo de agressão ou simplesmente o silencio pelo cancelamento. Já não suporto conviver com a diferença, o pluralismo, a diversidade.

Se é assim, por que milhões de usuários das redes haveriam de votar em candidatos tolerantes e democráticos? Preferem aqueles que são à sua imagem e semelhança: raivosos, sectários, violentos. Homens e mulheres se lixam para o debate democrático. Estão imbuídos de certezas, ainda que sejam desafiados a prová-las.

Como peixes atraídos por suculentas iscas, caímos nas redes! E elas sugam-nos tempo e energia psíquica. Aceleram-nos a ansiedade. Exigem-nos atenção múltipla. Induzem-nos a tomar partido frente a cada tema exposto. Aplaudimos o que reforça o nosso ponto de vista e demonizamos quem contraria a nossa ótica. “Huis clos”: como se estivéssemos fechados numa dessas caixas de laboratório onde colocam camundongos submetidos a reações automatizadas. Reagimos por instinto, não pela lógica.
A doença mais em voga atualmente é o estresse. Hipnotizados pelo smartphone, não podemos deixar de estar conectados a ele, ainda que estejamos na mesa de refeição, no culto religioso, no trabalho ou no transporte. “Dormimos” ligados a ele, pois mantê-lo apagado é quase um auto banimento. Se a TV é a extensão dos nossos olhos; o rádio, de nossos ouvidos; o celular é de nosso ser. A sensação de estar tribalizado ameniza-nos a solidão, ainda que as nossas relações sejam meramente virtuais. E as redes digitais suscitam sérios desafios éticos, como livre acesso à pornografia, postagens que incentivam o terrorismo e o neonazismo, quebra de privacidade familiar e pessoal, crimes cibernéticos etc.

Não há que ser contra a inovação tecnológica. Há que reconhecer, inclusive, que as redes têm muito de positivo, como democratizar a informação (malgrado as fake news), quebrar o monopólio ortofônico dos grandes veículos da mídia, facilitar o contato entre as pessoas, difundir ideias e propostas, favorecer cursos online e acesso a obras de arte, agilizar pesquisas (o Google processa mais de 9 bilhões de pesquisas por dia, e o Brasil se destaca como um entre os cinco países que mais o acessam).

Mas estejamos atentos: é preciso criar marcos regulatórios para as plataformas digitais, de modo a aprimorar a democracia. Como assinala Eugênio Bucci em seu excelente livro, “Incerteza, um ensaio” (BH/SP, Autêntica, 2023): “No totalitarismo o núcleo do Estado é perfeitamente opaco e blindado, enquanto a privacidade pessoal é transparente e vulnerável (ao poder). Ora, troque a palavra “Estado” pela palavra híbrida “capital-técnica” e você terá o retrato fidedigno de nossos dias. Nós não somos apenas seres olhados, vigiados, vasculhados, inspecionados e capitalizados no espetáculo do mundo. Quanto ao centro nervoso e financeiro desse espetáculo, este não é para os nossos olhos e muito menos para o nosso juízo crítico. O nome disso é totalitarismo – um totalitarismo de tipo diferente, admito, mas, ainda assim, totalitarismo” (p. 133-134).

Frei Betto é escritor, autor de “Minha avó e seus mistérios” (Rocco), entre outros livros. Livraria virtual: freibetto.org
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domingo, 2 de julho de 2023

8 DE JANEIRO OU O "ENTERRO DE BOLSONARO" * FLAVIO AGUIAR/A TERRA É REDONDA

8 DE JANEIRO OU O "ENTERRO DE BOLSONARO"

FLAVIO AGUIAR/A TERRA É REDONDA

O oito de janeiro foi o estertor de um golpe que não deu certo, mas isto não quer dizer que o karma golpista tenha sido anulado

Um pouco antes da eleição de 2022 publiquei no site A Terra é Redonda uma série de seis artigos sobre os muitos golpes de Estado que deram certo na tradição brasileira e os poucos que, desfechados ou planejados, não vingaram. Analisei estes eventos desde o golpe da Independência, em setembro de 1822, até o impeachment sem base jurídica de Dilma Rousseff e o até então inédito impeachment preventivo da candidatura de Lula em 2018, entrando pelos assanhos golpistas desenhados e ensaiados a partir do Palácio do Planalto por seu usurpador e lacaios conexos.

Agora, quando as balizas que levaram ao oito de janeiro próximo passado começam a se delinear de modo mais claro, a análise desta tentativa fracassada de golpe se impõe.

A efeméride dos dez anos das manifestações de junho de 2013 trouxe à tona a reflexão sobre se não foi aí que se implantou o ovo da serpente que levou à tomada do Palácio do Planalto pelo usurpador em 2018, depois da pinguela para o futuro de Michel Temer, com o golpe parlamentar contra Dilma, liderado por Eduardo Cunha, e o golpe togado contra Lula, liderado pela dupla Conje Moro e Deltan Fominha desde Curitiba, mas com amplo apoio em vários escalões jurídicos disseminados pelo país.

Pode ser. O fato é que a partir de janeiro de 2019 instalou-se no Palácio do Planalto e arredores um pseudópode do estamento militar e um bandarilho de civis, todos altamente incompetentes, que, instigados pelo usurpador, começaram de imediato a tramar as mais diversas hipóteses de golpe que possibilitasse sua permanência onde estavam.

Por que “pseudópode”? A palavra, derivada do grego, quer dizer “falso pé”. Designa um prolongamento que se instala na”pele” de uma célula animal, e que serve para lhe facilitar a locomoção e a captação de alimento. É a palavra justa: não se pode dizer que a camarilha fardada ou apijamada que se instalou ao redor do usurpador fosse exatamente representativa do estamento militar como um todo, embora assim se apresentasse. Eram sobretudo amigos da boquinha financeira. Entretanto, fosse como fosse, levaram para dentro do Palácio a bandeira das Agulhas Negras.

E com eles se aboletaram também civis avessos a tudo que fosse uma conquista civilizatória, de direitos civis a proteção do meio-ambiente, de proteção social a saúde e ensino públicos, de vacinas a universidade, cultura e ciência, de urna eletrônica a voto secreto e etc. “Voto secreto”? Sim, porque um dos objetivos do tal de “voto impresso” era dar aos milicianos do Rio de Janeiro o poder de controlar quem tinha votado em quem. Ao redor desta camarilha a mídia tradicional e as direitas seduzidas pelo poder do usurpador sonhavam com seu Brasil pré-1930, desindustrializado e reduzido a um imenso parque agro-exportador e importador de miçangas eletrônicas ou outras. Sem uma força urbana motriz, como um proletariado nos anos 1930, que pudesse contestar ou mesmo disputar os favores de Estado. E com a sufocação do MST.

Projeto nacional? Zero. Inserção geopolítica? Zero. Em seu lugar, alinhamentos automáticos mais com Miami e com Olavo de Carvalho do que com Washington, com fornecedores de joias para os coroados, armas para os milicianos e de artefatos repressores para sua proteção. Foi neste perverso caldo de cultura que o novo golpe contra as eleições de 2022 começou a ser tramado.

Houve muitos ensaios, planos e motivações, com os setes de setembro, as perorações nos cercadinhos, e as tramas de bastidor. Com tudo isto, e quatro anos de tempo, admira que não tenha dado certo. Por quê não deu?

(1) Não houve liderança. O usurpador não é um líder. É um cabeça-de-ponte, como se diz no jargão militar. Alguém que vai na frente, estabelecendo um perímetro para que os outros possam vir. Mas nem para isto ele presta. Por quê? Porque é um covarde. Fala grosso com os que vê fragilizados: mulheres, negros, gays, índios, os vizinhos sulamericanos, etc. E pia fino diante dos que vê com poder: Estado Unidos, príncipes sauditas, até generais de algumas estrelas, etc.

(2) Por isto, o usurpador sempre terceirizou o golpe. Atribuiu sua organização a outros. No final, deu uma de Jânio Quadros em 1961. Safou-se. Saiu do Palácio antes do tempo. Talvez imaginado ser reconduzido ao poder nos braços do povo ou nas esteiras de um tanque. Não deu certo. Nem havia povo, nem houve esteira.

(3) Por falta de liderança, o objetivo do golpe nunca ficou bem definido. Qual era? Melar as eleições? Melar seu resultado? Fazer nova eleição? Impor o usurpador? Tirar Lula e entronizar Geraldo Alckmin?

(4) O usurpador ameaçou um alicerce da corporação militar: a hierarquia. Lembrando: entre 1961 e 1964 as revoltas dos sargentos em Brasília, em 1963, e dos cabos e marinheiros, em 1964, jogaram muitos oficiais de alta patente, legalistas antes, nos braços dos golpistas, como os generais Machado Lopes e Pery Bevilacqua. Este seria cassado depois pelo regime golpista, mas o mal já fora feito. O usurpador e sua quadrilha de fominhas mexeram na hierarquia. Basta lembrar o número de demissões que houve nas altas patentes de comando para proteger os apaniguados.

(5) Em suma, não houve coesão capaz de armar o golpe entre a pré- e a pós-eleição. Estes foram fatores internos de fracasso do golpe. Vamos aos externos.

(a) O golpe não conseguiu apoio no exterior. As personalidades obtusas do usurpador, de Ernesto Araújo, de Olavo de Carvalho deram contribuição decisiva para tanto. O establishment norte-americano mandou sete – sete! – emissários antes das eleições, sendo três militares, avisando que não apoiariam um golpe. Ou seja, faltou o imprimatur potest e o nihil obstat de Washington. Joe Biden e o Deep State dos EUA preferiram enfrentar o risco Lula a aguentar mais tempo da certeza negativa do usurpador e seus asseclas. E desde a Guerra das Malvinas Washington vê com desconfiança aventuras militares na América do Sul. Prefere os golpes jurídicos e parlamentares, se for o caso.

(b) Ninguém na União Europeia negou apoio a Lula. Até governos de extrema direita, como os da Polônia e Itália, apoiaram Lula. Viktor Órban ficou num silencio obsequioso. O isolamento prometido orgulhosamente por Ernesto Araújo enquanto era chanceler tornou-se uma realidade!

(c) Lula deu uma jogada de mestre ao convidar Geraldo Alckmin para vice. Ouvi de fonte segura que a sugestão veio do Fernando Haddad. Os dois milhões de votos decisivos na diferença eleitoral podem ter vindo daí.

(d) Em algum momento a cúpula corporativa do sistema judiciário se deu conta do erro que cometera ao impedir a candidatura de Lula em 2018. O establishment norte-americano, tão influente na operação Lava Jato, pode ter influenciado também a cúpula do STF naquele outro sentido. Viagens de ministros do STF aos EUA foram eloquentes.

Em suma, quando o atentado de 8 de janeiro aconteceu, as condições de derrota do golpe eram muito fortes, e o ministro Flávio Dino soube capitaliza-las muito bem. O propalado apoio da baixa oficialidade das FFAA e das PMs estaduais não era tão forte assim. Prova disto é que foi a PM do Distrito Federal, sob o comando do interventor Ricardo Cappelli, que começou a debelar os vândalos invasores dos Três Poderes. Os golpistas, com forte esquema em Brasília, não conseguiram apoio militar significativo fora da Capital Federal.

Em suma, o oito de janeiro foi o estertor de um golpe que não deu certo.

Atenção: isto não quer dizer que o karma golpista tenha sido anulado. Reduzido a cinzas desta vez, como Drácula ele pode voltar, de dentes a mostra.

*Flávio Aguiar, jornalista e escritor, é professor aposentado de literatura brasileira na USP. Autor, entre outros livros, de Crônicas do mundo ao revés (Boitempo).

quinta-feira, 3 de novembro de 2022

GALINHAS VERDES BOLSONARISTAS * Igor Mello - RJ

GALINHAS VERDES BOLSONARISTAS

O golpe de hoje marca, na minha opinião, um novo momento da estratégia de mobilização Bolsonarista, que se tornou um grande problema para democracia brasileira.
LAÇOS NAZISTAS DE BOLSONARO

1- Eu cobri muitos atos Bolsonaristas desde 2018,mas o de hoje teve aspectos inéditos. Pela primeira vez , não foi preciso nenhuma convocação (aberta ) de figuras públicas do bolsonarismo.Ninguém pautou publicamente isso.

2- A mobilização para os atos ocorreu quase exclusivamente por meio de correntes de Whatsapp e Telegram, com informações bem específicas.

3- Dezenas de milhares de pessoas foram para portas dos quartéis. E não foram só os radicais, alguns nazistas, como em SC. Tinha muita gente "normal" no Rio. O perfil estava bem distante dos atos de Copacabana : gente rica, velha e abertamente fascista.

4- Em comum, essas pessoas foram capturadas pelo sistema de comunicação fechado do bolsonarismo. Articulam App de msg,YouTube e etc. Não pode ler jornal, nem ver TV. Até a Jovem Pan tinha 'se rendido ao sistema" por demissões dessa semana.

5- Essa rede não só se vende como suficiente para o público ficar " bem informado " , como demoniza qualquer informação que venha de fora - imprensa , influencers não alinhados. TUDO. Vemos nos grupos que qualquer pensamento independente é reprimido, muitas vezes até com expulsão.

6- É um comportamento típico de seita: os participantes fazem um pacto de silêncio e são compelidos a se fechar para o mundo. Ao mesmo tempo, é CLARAMENTE ARTICULADO E COM *COMANDO CENTRAL*. Não fosse assim , as mensagens não seriam tão coerentes entre si.

7- As mensagens de convocação tinham instruções bem diretas: *NADA DE MENÇÕES A BOLSONARO*, *SÓ CHAMAR O GOLPE DE "INTERVENÇÃO FEDERAL"*, não manifestar pautas abertamente golpistas, como fechamento do STF , por exemplo.

8- As pessoas atenderam. As camisas do " mito" sumiram , os ataques ao STF baixaram o tom e o canto "INTERVENÇÃO FEDERAL" era constante. Não houve ênfase em ataques à imprensa. Não ouvi .

9- Muitos presentes eram evangélicos, por exemplo. Gente humilde e totalmente capturadas por essa rede. Demonstram desespero porque foi vendido que a derrota de Bolsonaro era, literalmente, a Vitória do diabo. Em manifestações mulheres falam em línguas em frente ao CML-Comando Militar do Leste.

10- Como não podia entrevistar ninguém para não ser exposto, fiquei bem atento às conversas nas rodinhas. Acreditam no fechamento das igrejas, satanismo, etc. Como sabemos, isso foi dito à exaustão por pastores e padres que fizeram campanha aberta nos templos religiosos.

11- Um ambiente de total desinformação é terreno fértil . Muita gente com dificuldade de usar a internet do celular, buscavam teorias da conspiração: "eles" cortaram a internet.

12- A mobilização e coesão do movimento, não dependeu de Bolsonaro , sem falarem dele, inclusive usando a mídia tradicional. Tudo foi feito nos bastidores! Dessa vez, as pessoas cobriram ou rasparam o nome de Bolsonaro do material que levaram porque *a orientação era essa*.

13- São atos menores do que já vimos o bolsonarismo realizar? Sem dúvida, mas as pessoas realmente acreditam que vão conseguir um golpe de Estado. Há até a crença, com base nas correntes, que se a mobilização durar 72 horas haverá respaldo legal para o exército agir . O comando passa essa ilusão.

14-Surgiu no wathsapp um boato que Bolsonaro havia decretado a tal ' intervenção federal". As pessoas ficaram eufóricas . Arrisco dizer que com o objetivo de reverter a desmobilização causada pelo temporal que caía nessa hora. Muita gente estava saindo.

15- Como disputar a arena democrática com quem está completamente apartado dela? Não sei a resposta, mas vi gente chorar festejando um golpe que não passava de ficção.

Esse é o desafio que precisamos enfrentar.

Igor Mello - jornalista/RJ
MAIS GALINHAS VERDES BOLSONARISTAS
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sexta-feira, 29 de julho de 2022

BOZONAZI CONTRA AS MULHERES * Instituto Datafolha / SP

BOZONAZI CONTRA AS MULHERES

PM BOLSONARISTA

 O Instituto Datafolha apurou que cerca de 17 milhões de mulheres sofreram violência física ou psicológica em 2021 – um aumento de 42% para 48,8% das agressões ocorridas dentro de casa. E mesmo assim o governo Bolsonaro gastou apenas R$ 36,5 milhões em ações voltadas para mulheres. O valor investido em políticas públicas para mulheres diminuiu 74% entre 2015 e 2020. A título de comparação, no último ano da gestão da ex-presidenta Dilma Rousseff, foram investidos R$ 139,4 milhões.

As mudanças no Estatuto do Desarmamento também colocam a vida das mulheres brasileiras em risco. No Brasil, foram registrados oficialmente 1338 homicídios de mulheres por condição de gênero em 2020. A maioria desses assassinatos foi praticada por companheiros e ex-companheiros. Especialistas afirmam haver indicativos de aumento do risco às mulheres na pandemia, além do impacto negativo das políticas de afrouxamento das regras de controle de armas e munição patrocinadas pelo presidente Jair Bolsonaro.

Nesse cenário desolador, seria fundamental o apoio do governo, mas Bolsonaro cortou em mais de 50% a verba federal para políticas públicas voltadas para as mulheres. Segundo levantamento feito pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), os recursos orçamentários autorizados em 2021 sofreram corte de 51,8% em relação a 2020.

Em 2020, ano em que já se sofria com o aumento da violação de direitos humanos em decorrência da pandemia da covid-19 e das diferentes crises que o Brasil vem atravessando desde 2016, o Ministério da Família e Direitos Humanos, de Damares, deixou de executar 70% do orçamento da pasta, segundo dados do Inesc. Estudos inéditos mostram que a verba para combate à violência contra as mulheres é a menor em 4 anos.

segunda-feira, 11 de julho de 2022

CUIDADO COM OS FASCISTAS * Alexandre Santos - PE

CUIDADO COM OS FASCISTAS
BOLSONARISTA DA MUZENA - JACAREPAGUÁ.RJ
O BOZO DA MUZEMA É EMPRESÁRIO NA BARRA DATIJUCA

Os fascistas estão por aí. Eles agem segundo a sua própria natureza para dar vazão a estupidez que os anima. Na realidade, embora todos [fascistas] usem a mentira como instrumento regular de ação e comunguem o objetivo de criar um mundo pardo, monótono e de poucas notas, os fascistas diferem entre si em função do DNA que trazem do berço. Assim, uns conseguem ser mais intragáveis do que outros. 

Neste momento, quando todos fascistas] estão preocupados em subverter a lei e a vontade dos brasileiros para manter Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, ganham destaque os fascistas que atuam junto aos órgãos de comunicação e aqueles que tentam impor seu pensamento através da força física. 

De fato, se por um lado, vê-se que, com a complacência (ou com a cumplicidade, como interpretam alguns), o noticiário fascistóide tenta abafar a manipulação imoral e ilegal que o governo pretende fazer com a vontade das pessoas. 

Por outro [lado], percebe-se o crescimento da violência política com objetivo de intimidar opositores - isto ficou claro no atentado ao veículo do juiz Renato Borelli, que determinou a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro, nas fezes lançadas a partir de um drone num comício de Lula em Uberlândia, na bomba lançada contra a multidão reunida na Cinelândia para aclamar Lula e nos tiros disparados contra a redação do jornal Folha de S. Paulo. 
Os fascistas estão por aí e todo cuidado com eles é pouco, pois eles são capazes de fazer qualquer coisa para manter o fascistão-maior no comando do Brasil.
Leia mais em 
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Fetiche de Jacarta * Luciano Martins Costa

 Fetiche de Jacarta

*Não se deve depreciar o potencial destruidor do bolsonarismo.*

Luciano Martins Costa

FASCISMO ÓDIO MORTE


A leitura das principais publicações do País, a audiência de podcasts jornalísticos e dos programas de análise política do rádio e da TV deixam a impressão de que o presidente da República não se incomoda nem um pouco com as críticas, mesmo aquelas feitas em tom de deboche e de alta agressividade. É como se ele não apenas tolerasse, mas parece  receber tais agressões com enorme prazer, como parte do preço a pagar por um projeto inconfessável.


A outra alternativa para entender esse comportamento seria considerar que Bolsonaro enlouqueceu.


Sim, de fato o presidente dá sinais de que transita num terreno muito próximo da insanidade. Mas não por esse comportamento. Bolsonaro age aparentemente como louco porque tem em mente um projeto que extrapola o campo do razoável. Bolsonaro e seus milicianos estão investindo num velho fetiche da extrema direita militar: a amputação do pensamento progressista da cena pública brasileira.


O desejo inconfessável


Em agosto de 1975, quando ainda estudante, participei de uma entrevista com o então comandante do II Exército, general Ednardo D’Ávila Mello, para um jornal-laboratório da FAAP, em São Paulo. Foi a primeira vez que ouvi, de um representante das Forças Armadas, uma referência direta ao fetiche que alimentava a extrema direita militar, um conjunto de crenças e desejos que explicam em boa parte a mentalidade que dominou o período da ditadura e sobrevive, ainda hoje, nas fileiras do bolsonarismo.


D’Ávila Mello era integrante da chamada “linha dura”, que se opunha ao projeto de distensão “lenta, segura e gradual” então conduzido pelo presidente, general Ernesto Geisel. Sob a liderança do general Sylvio Frota, oficiais de alto escalão conspiravam abertamente contra as medidas que sinalizavam o caminho para o fim do regime de exceção.


Em determinado momento daquela entrevista, o comandante, irritado com uma pergunta de uma das duas colegas que estavam comigo na sala, disse claramente: “É por isso que vamos levar adiante a operação Jacarta. O comunismo está envenenando os jovens, precisamos conter isso”.

O que o havia irritado era a insistência dessa colega em discutir com ele se o Brasil vivia ou não sob uma ditadura. “O Brasil é um país democrático”, ele havia dito. “Todos têm o direito de ir e vir – eu mesmo acabo de viajar para Fortaleza e ninguém me impediu”. A estudante de jornalismo riu de sua platitude e argumentou com referências a prisões, censura, e foi interrompida pela citação emblemática sobre Jacarta.


Para ser muito claro, o general Ednardo d’Ávila Mello declarou, sem sutileza: “Vamos neutralizar dois mil comunistas aqui em São Paulo, que estão na imprensa, na televisão e nas universidades doutrinando os jovens”.

Uma morte no caminho


Dois meses depois dessa entrevista, que nunca foi publicada, o Doi-CODI de São Paulo, sob ordens diretas do general Ednardo, começou a prender jornalistas, professores, sindicalistas, quase todos ligados de alguma forma ao Partido Comunista Brasileiro. A operação só foi interrompida pela morte do jornalista Vladimir Herzog, então diretor de jornalismo da TV Cultura, que havia se apresentado espontaneamente para o depoimento e foi barbaramente torturado.


A reação que se seguiu ao assassinato, com manifestações de protesto de muitas entidades, inclusive de governos estrangeiros, suspendeu as prisões. Mas o projeto foi retomado logo em janeiro do ano seguinte, quando também foi morto sob tortura o operário Manuel Fiel Filho, que não era ligado ao PCB mas militava nas Comunidades Eclesiais de Base da igreja Católica.


Geisel trocou o comando do II Exército, mas o núcleo ligado à linha dura seguiu conspirando, até 1981, quando um grupo de militares organizou um atentado que poderia matar centenas de pessoas num show comemorativo do Dia do Trabalho, no centro de convenções Riocentro. Um erro do sargento encarregado de armar uma bomba no local onde se juntavam milhares de espectadores causou a explosão antecipada do artefato.


A intenção dos terroristas era causar uma tragédia e, com a ajuda de jornalistas favoráveis à ditadura, lançar a culpa em grupos de oposição, para justificar a reversão do processo de abertura democrática e colocar em andamento a tal “operação Jacarta”.


Por que essa lembrança agora?


O jornalista americano Vincent Bevins foi correspondente do Los Angeles Times no Brasil entre 2011 e 2016, tendo trabalhado antes para o Financial Times em Londres. Em 2017, assumiu a cobertura do Sudeste asiático para o Washington Post, com sede em Jacarta, Indonésia. No ano seguinte, ele começou a escrever a reportagem que, hoje, é uma fonte essencial para entender o Brasil sob o fascismo de Jair Bolsonaro.


Sua investigação rendeu o livro, ainda não publicado em português, intitulado “The Jakarta Method: Washington's Anticommunist Crusade and the Mass Murder Program that Shaped Our World”. Foi considerado por várias fontes o livro do ano de 2020. A obra relata como a CIA atuou na Indonésia, entre os anos de 1965 e 1966, criando condições para os assassinatos em massa de cerca de um milhão de pessoas, entre militantes do Partido Comunista, estudantes, professores, ativistas sociais e jornalistas que defendiam reformas no regime de governo e a modernização da sociedade.


A Indonésia passou a receber massivos investimentos estrangeiros e se transformou numa sociedade amorfa, dominada por uma casta militar, incapaz de produzir um pensamento original sobre si mesma. A inteligência foi eliminada.


O livro se estende a outros países, entre os quais o Chile, Argentina, Peru e Brasil, onde operações semelhantes foram executadas ou planejadas nos anos seguintes. Esse era o projeto do general Ednardo d’Ávila em 1975, ressuscitado em 1981 no Rio de Janeiro e ainda animando o núcleo fascista do atual governo brasileiro. Até 1987, por exemplo, o Doi-CODI seguia atuando, ainda que dissimuladamente, espionando os parlamentares constituintes, jornalistas e intelectuais, ainda na alimentação do fetiche.

Essa lembrança é relevante porque Jair Bolsonaro e os militares que servem ao seu governo, quase sem exceção, representam o que resta do núcleo do Exército que tem saudades da ditadura. O general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, que, quando capitão, foi ajudante de ordens de Sylvio Frota, é o chefe do Gabinete de Segurança Institucional do atual governo. Em muitas posições estratégicas há militares com semelhante perfil antidemocrático.


Desejo de matar


Nas entrelinhas das ameaças que o presidente continua a proferir semanalmente rosna o fetiche ensandecido: nas milícias bolsonaristas, acalanta-se o desejo de cortar as cabeças da oposição progressista e de esquerda, eliminar o pensamento crítico, reduzir à insignificância a massa crítica da sociedade.


Mas a matemática da insanidade também é inflacionada: em 1975, o então comandante do II Exército calculava que a eliminação de 2 mil comunistas tornaria mais fácil a vida da ditadura. Em 2019, o deputado Eduardo Bolsonaro disse em uma rede social que é preciso “neutralizar com morbidade” 30 mil brasileiros que lideram essa oposição ou se destacam na disputa que rola nas mídias sociais.


Recentemente, os jornalistas Jamil Chade e Lucas Valença, da Folha de S. Paulo, revelaram que o “gabinete do ódio”, núcleo estratégico do atual governo, está tentando adquirir em Israel um programa de hackeamento, supostamente para ser usado na espionagem de candidatos oposicionistas durante a próxima campanha eleitoral.


Os dois jornalistas, principalmente Chade, passaram a ser ameaçados por milicianos digitais.


A agressiva reação da milícia indica que o objetivo não é apenas espionar candidatos: trata-se de nova tentativa de colocar em movimento a “operação Jacarta”, na ocasião em que, tendo perdido a eleição presidencial, Bolsonaro decidir detonar o caos no Brasil.


Os indivíduos que, neste momento, ocupam postos relevantes nas instituições da República, não podem continuar se omitindo diante da loucura anunciada. Não é aconselhável depreciar o potencial destruidor do bolsonarismo.


Qual seria, afinal, o significado de “neutralizar com morbidade”?

https://prensa.li/@luciano.martins/o-fetiche-de-jacarta/