sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Festival do Livro Vermelho * FLIVRIO

  Festival do Livro Vermelho

O Fliv-Rio, Festival do Livro Vermelho já está pronto para receber o público no Sinttel, Sind dos Trab das Telecomunicações, na rua Morais e Silva 94, Maracanã. É a resistência pela literatura porque livros importam e muito!



Conta com 40 editoras, entre elas Boitempo, Kotter, Alameda e Alma, que vão dar descontos de 30% nos titulos à venda. Os lançamentos têm temática progressista, de  enfrentamento ao fascismo e em defesa da democracia, do meio ambiente e dos povos originários.  Destaque para a biografia da atriz e ativista Lucélia Santos que estará presente no Evento. A expectativa é que a programação cultural, com esquetes teatrais, batalhas de slam e homenagens a grandes autores como João Cabral de Melo Neto e Vianinha, encante corações e mentes. Haverá sessões de autógrafos e muitas mesas de debates para refletir o Brasil que temos e o que queremos. 


A agenda do FLIV-RIO vai das 9h às 21h, nos dias 31 de agosto 01,02,03 de setembro.

A entrada é gratuita.




Mais livros menos Armas!

https://flivrio.org.br/  

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quinta-feira, 25 de agosto de 2022

O MONSTRO DO FASCISMO * E. Precilio Cavalcante / RJ

 O MONSTRO DO FASCISMO

Identificar o Monstro fascista é o que a esquerda precisa aprender. 

E não é difícil! 

Estamos às vésperas das eleições e não podemos vacilar, não podemos mais errar! 

Neste momento errar é desumano, pois é fogo amigo. É atirar contra a nossa própria tropa! 

Já falamos, já exortamos, já dissemos: O fascismo instalado no poder em Brasília, é o monstro que nos ameaça! Esta luta é de vida ou morte!

 E agora foi Lula quem falou! Será que nós, os democratas, os socialistas, a esquerda vamos entender?! Vamos cair na real, como diz a sabedoria popular?!

Disse Lula:  

 Em ato no Ceará, ex-presidente petista fez forte discurso contra Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que "nessa eleição a gente estará jogando o futuro de cada um de nós"



247 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa neste sábado (30) da convenção do Partido dos Trabalhadores no Ceará, em um ato público em Fortaleza que oficializou as candidaturas do deputado Elmano de Freitas ao governo do Estado e do ex-governador Camilo Santana ao Senado.


Em seu discurso, Lula, que lidera a corrida à presidência contra Jair Bolsonaro (PL), afirmou que a eleição deste ano "não é comum." O que estará em jogo, segundo o ex-presidente, "é a democracia contra o fascismo, contra o autoritarismo. É a verdade contra a mentira. É um partido contra um governo. É o amor contra o ódio. É a solidariedade contra a discórdia."

"Nessa eleição a gente estará jogando o futuro de cada um de nós. Vamos estar jogando o futuro dos nossos pais e mães, dos nossos filhos e nossos adolescentes. É por isso que essas eleições são importantes e é por isso que estou de volta", afirmou o petista. 


Dito isto, companheiras e companheiros, vamos à luta!!

Note: nós não estamos lutando contra um adversário político, mas contra um inimigo da liberdade!  

Em todo e qualquer lugar onde houver uma manifestação de eleitores desta nossa luta. Seja um comitê de lutas ou uma panfletagem, devemos gritar alto e em bom tom: 



ABAIXO O FASCISMO! ABAIXO O FASCISMO! ABAIXO O FASCISMO!!!

Este será o nosso grito de guerra!!!


E. Precilio Cavalcante, um combatente antifascista 

Ilha de Paquetá, 23 de agosto de 2022. 

ABAIXO O FASCISMO E VIVA A LIBERDADE!!

quarta-feira, 24 de agosto de 2022

LOTEAMENTO ELEITORAL DO INCRA * Alceu Luís Castilho e Bernardo Fialho / De olho nos ruralistas

LOTEAMENTO ELEITORAL DO INCRA

De Olho nos Ruralistas mapeou as indicações políticas no órgão, do Centrão à bancada ruralista, e a capitalização do Titula Brasil, que libera a venda de lotes em terras públicas; relatório é o segundo da série do observatório sobre governo Bolsonaro e questão agrária

Por Alceu Luís Castilho e Bernardo Fialho

O governo Bolsonaro loteou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) entre parlamentares de origem bolsonarista, do Centrão e da bancada ruralista. Os mesmos deputados e senadores que indicaram os diretores e superintendentes regionais utilizam-se da máquina pública — especialmente capitalizando o programa Titula Brasil — para suas campanhas nos estados.

Esse é um dos principais temas do segundo relatório da série Dossiê Bolsonaro, iniciada na semana passada pelo De Olho nos Ruralistas: “Incra vira Máquina de Votos“. O primeiro relatório foi sobre os conflitos de interesses envolvendo a família Bolsonaro no Vale do Ribeira, em São Paulo: “O Presidente das Bananas“. Você pode acessar o relatório sobre o Incra aqui.

As cerimônias de distribuição de títulos seguem um roteiro: políticos locais se enfileiram ao lado de deputados, ministros e senadores, todos reivindicando algum tipo de paternidade sobre os títulos de propriedade (disfarçados de um programa de reforma agrária) entregues às famílias; ao fim, todos posam sorridentes para a foto oficial.

Desde o início de 2021, as cerimônias do Titula Brasil, programa de regularização fundiária do governo federal, tornaram-se uma importante ferramenta de campanha eleitoral, sobretudo para os caciques partidários que comandam o Incra nos estados. Vários eventos contam com a presença de Jair Bolsonaro. O presidente costuma afirmar que “pôs fim” ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em um movimento de contrarreforma agrária.

O Titula Brasil inverte a lógica da reforma agrária. O programa permite a privatização das terras públicas e sua disponibilização ao mercado para beneficiar o agronegócio — consolidando, em muitos casos, a grilagem das terras. O dossiê sobre o Incra mapeou os políticos e partidos que dão as cartas nas nomeações para as diretorias e superintendências regionais.

Desde a criação do Titula Brasil, em dezembro de 2020, a autarquia emitiu mais de 370 mil títulos individuais, delegando a competência para fiscalizar e acompanhar os processos de titulação aos Núcleos Municipais de Regularização Fundiária. Na prática, transfere para as prefeituras atribuições que eram exclusivas do Incra.
TEREZA CRISTINA E NABHAN GARCIA INDICARAM PECUARISTA PARA PRESIDIR O INCRA

Além da dinâmica nos estados, o relatório identificou indicações políticas para a diretoria nacional do Incra, presidido por Geraldo Melo Filho, fazendeiro, membro da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e filho do ex-governador do Rio Grande do Norte e ex-senador Geraldo Melo (PSDB).

Geraldo Melo Filho foi indicado pela deputada federal Tereza Cristina (PP-MS) para o cargo, com apoio de Nabhan Garcia, secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento — comandado por Tereza ao longo do governo Bolsonaro.

Tanto Tereza Cristina quanto Nabhan Garcia costumam participar das cerimônias de entrega de títulos ao redor do país, mas a ex-ministra tem focado em seu reduto eleitoral, onde é candidata ao Senado. Ela esteve com Bolsonaro em maio em Ponta Porã (MS) para realizar a entrega de 2.600 títulos de propriedade.

Em junho, Tereza Cristina — que esteve entre as principais cotadas para disputar a Vice-Presidência da República — foi a Nioaque (MS) acompanhar a entrega de documentos do Titula Brasil junto de Geraldo Melo Filho e de Humberto Maciel, superintendente da autarquia no Mato Grosso do Sul, também indicado pela ex-ministra para o cargo. À Justiça Eleitoral, a deputada federal acaba de declarar um patrimônio de R$ 5,7 milhões. Em 2014 ela tinha R$ 10 mil.
PADRINHOS DE DIRETORES PARTICIPARAM DE CPI DO INCRA, NA ERA TEMER

Udo Gabriel Vasconcelos Silva e Eleusa Maria Gutemberg, diretor de Gestão Estratégica e diretora de Governança Fundiária, são indicações políticas de parlamentares da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Udo Gabriel é apadrinhado político do deputado federal Fábio Reis (PSD-SE). Eleusa Gutemberg filiou-se ao Republicanos em outubro do ano passado, a convite do deputado federal Carlos Gaguim (União-TO), que migrou para o União Brasil em 2022. Ele é candidato à reeleição.

Ex-governador do Tocantins, Carlos Henrique Amorim, o Gaguim, foi vice-líder do governo Bolsonaro, entre 2019 e 2020, e titular da CPI da Funai e do Incra, em 2016 e 2017. Essa Comissão Parlamentar de Inquérito se propunha a investigar a Funai e a autarquia — mas, durante o governo Temer, já com foco no combate a indígenas, indigenistas e movimentos sociais. Outra integrante da CPI foi a própria Tereza Cristina.

Dono de um patrimônio de R$ 15 milhões, declarados este ano ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gaguim é um notório defensor da política de ocupação do Matopiba. Nas eleições de 2018 ele declarou sete propriedades como “terra nua”. A indicação de Eleusa contou com o apoio do senador Eduardo Gomes (PL-TO), líder do governo no Senado até junho de 2022. Gomes está no meio de seu mandato no Senado. Os três parlamentares são membros da FPA.

O deputado Fábio Reis foi ainda responsável por indicar, em parceria com o deputado federal bolsonarista Bosco Costa (PL-SE), o nome de Victor Alexandre Sande Santos para a superintendência do Incra em Sergipe. Em março de 2022, Fábio Reis realizou duas cerimônias de entrega de títulos, nos municípios sergipanos de Poço Redondo e Canindé de São Francisco, esta última com a presença de Bosco Costa.
LÍDERES DA FRENTE PARLAMENTAR DA AGROPECUÁRIA COMPÕEM AS NOMEAÇÕES

O padrão se repete em diversas regiões do país e inclui velhos conhecidos da política brasileira, como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), os senadores Davi Alcolumbre (União-AL), Luis Carlos Heinze (PP-RS), Eduardo Braga (MDB-AM) e Omar Aziz (PSD-AM), e o deputado Alceu Moreira (MDB-RS). Todos foram responsáveis por indicações dos superintendentes regionais do Incra em seus estados.

Heinze e Moreira presidiram a FPA e estão entre os principais nomes da bancada ruralista. Heinze é candidato ao governo estadual. Alceu Moreira presidiu a CPI da Funai e do Incra, que criminalizou antropólogos e até procuradores da República. Negacionista do clima, ele declarou um patrimônio de R$ 4,3 milhões ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como candidato à reeleição no Rio Grande do Sul. Bem mais que os R$ 2,7 milhões declarados em 2018.

No Amazonas e no Rio Grande do Sul, as indicações se deram através de acordos entre diferentes caciques partidários. O mesmo acontece no Paraná, onde o deputado federal Sérgio Souza (MDB-PR) emplacou o superintendente do Incra no estado por meio de articulação junto a Osmar Serraglio (PP-PR).

Souza é o atual presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária. Ele manteve entre 2018 e 2022 seu patrimônio de R$ 1,5 milhão. Desde maio ele posou para fotos entregando títulos de propriedade em Goioxim (PR) e em Jardim Alegre (PR), ao lado de Robson Luis Bastos, nome que indicou para comandar a superintendência regional.
NOS COMANDOS REGIONAIS, CACIQUES ESTADUAIS LIDERAM AS INDICAÇÕES

A influência política no Incra não se restringe aos nomes mais conhecidos nacionalmente. Políticos que vêm ganhando espaço nos diretórios estaduais estão entre os responsáveis por algumas superintendências. É o caso de Lucas Vergílio (SD-GO), filho de Armando Vergílio (SD-GO), secretário de Desenvolvimento do Distrito Federal, nomeado em agosto por Ibaneis Rocha (MDB) para o cargo.

Lucas Vergílio, 35 anos, comanda o Solidariedade em seu estado de maneira interina. Candidato à reeleição, o deputado federal divulgou em suas redes sociais resultados da regularização fundiária no estado, sentindo-se orgulhoso ao lado de Geraldo Melo Filho, presidente do Incra, e de Alexandre Rasmussen, superintendente em Goiás que ele mesmo indicou.

No Acre, a deputada federal Mara Rocha (MDB-AC), conseguiu indicar o nome de Sergio Antonio Pereira Bayum para a superintendência, enquanto os deputados federais Paulo Azi (União-BA) e Dr. Jeziel (PL-CE), candidatos à reeleição, são padrinhos políticos dos superintendentes na Bahia e no Ceará. Mara é candidata ao governo acreano.
ZEQUINHA MARINHO DIVIDE COM OUTROS DEPUTADOS AS NOMEAÇÕES NO PARÁ

Outro caso emblemático de aparelhamento político do Incra é o do Pará, onde a autarquia possui três superintendências regionais, com sedes em Belém, Marabá e Santarém. Bolsonaro esteve duas vezes no estado para realizar cerimônias do Titula Brasil, sempre acompanhado de Zequinha Marinho (PL-PA), que exerceu influência sobre todas as três nomeações para superintendências do Incra no Pará.

Em junho de 2021, Zequinha lançou com o presidente o programa em Marabá, em uma região marcada por conflitos agrários. Eles fizeram uma entrega simbólica de 50 mil títulos de terra. Um ano depois, em março, Marinho viajou com Bolsonaro até Paragominas, no nordeste paraense, para distribuir mais 30 mil títulos, acompanhado dos deputados federais Éder Mauro (PL) e Joaquim Passarinho (PSD).

Vice-presidente da FPA, Marinho é apontado como o principal articulador das invasões de madeireiros à Terra Indígena Ituna-Itatá. Para a superintendência do Incra em Belém, que responde pelo nordeste do estado, Miguel Fernando Veiga Gualberto foi indicado por Zequinha Marinho em articulação com o delegado Éder Mauro, um bolsonarista raiz.

Para a superintendência de Santarém, Marinho indicou o ex-vereador Chiquinho da Umes (PSDB), em acordo com o deputado federal Junior Ferrari (PSD-PA). Éder Mauro e Junior Ferrari podem ser vistos comemorando as titulações de terra de maneira efusiva, inclusive durante as viagens de Jair Bolsonaro para Marabá e Paragominas.
TITULA BRASIL POSSIBILITA A PRIVATIZAÇÃO DAS TERRAS PÚBLICAS

Os dados das nomeações para as superintendências regionais do Incra mostram que o governo Bolsonaro criou condições para que a autarquia fosse tomada pelos interesses ruralistas, desvirtuando os objetivos da reforma agrária em prol da expansão territorial do agronegócio.

Para garantir novos estoques no mercado de terras, além de impedir que novas terras sejam tornadas públicas via reforma agrária, demarcação de terras indígenas ou criação de territórios quilombolas, estabeleceu-se como estratégia a conversão (ou reconversão) de terras públicas para o setor privado.

“O Incra virou imobiliária para os latifundiários”, afirma o membro da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Alexandre Conceição. Na avaliação dele, o Incra é hoje uma máquina voltada para a destruição da reforma agrária. Ele diz que a chegada de Jair Bolsonaro ao poder resgatou o velho latifúndio, “carcomido no atraso”.

Conceição aponta ainda o aumento do assédio e a pressão destes grupos — e do próprio Incra — às famílias assentadas, tirando dos assentados o próprio direito à terra.

Imagem principal (Aroeira/De Olho nos Ruralistas): dossiê sobre Incra aponta o uso do órgão para campanha de Bolsonaro e aliados

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Gritos de independência e outros gritos * Frei Betto / SP

GRITOS DE INDEPENDÊNCIA E OUTROS GRITOS


 INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

No final do século 18, o Brasil-Colônia tinha pouco mais de 3 milhões de habitantes. A metade era formada por escravos. Eles faziam as atividades produtivas mais importantes da Colônia: agricultura, produção do açúcar, mineração, transporte, abastecimento de água, limpeza urbana, serviços domésticos.

Havia ainda as pessoas livres e pobres. No campo, cuidavam das roças, dos animais e do gado. Nas cidades, trabalhavam no comércio, eram vendedores ambulantes, artesãos ou aprendizes, soldados, empregadas domésticas...

Escravos ou pessoas livres e pobres eram uma gente sem direitos. Só valia quem pertencesse às grandes famílias, ou fosse alto funcionário do governo, grande comerciante ou fazendeiro.

Para as famílias dominantes, o Brasil existia para exportar matérias-primas e produtos agrícolas para o mercado europeu e importar produtos manufaturados.

Toda a riqueza que saía da Colônia ia para Portugal, mas não ficava lá. Portugal era apenas um intermediário. Quem comprava a produção do Brasil era a Inglaterra que aproveitava para vender seus produtos a Portugal por preços muito mais altos. Assim, era a Inglaterra que mais enriquecia com a produção do Brasil.


Que vantagens levavam nisso tudo o Rei de Portugal e sua corte?


Eles também enriqueciam com os impostos que os senhores de engenho e os comerciantes deviam pagar sobre a produção e as mercadorias.

Mais ou menos no começo do século 18 (ano de 1700), começou a extração do ouro em grande quantidade em Minas Gerais. Os proprietários das minas tinham que pagar altos impostos à Coroa Portuguesa.

Outra fonte de enriquecimento para os portugueses era o comércio. Os portugueses dominavam o comércio dos artigos importados: produtos alimentícios, roupas, ferramentas, material de construção, tudo. Mas, o abuso na cobrança de impostos e a exploração no comércio começaram a irritar os proprietários ricos do Brasil.

Esse descontentamento contra o domínio do Rei de Portugal por parte dos colonos brancos expressou-se de diversas formas, inclusive através dos movimentos nativistas. No Maranhão, por exemplo, em 1684, houve a Revolta de Beckman. Em Minas Gerais, no começo do século 18, houve a Guerra dos Emboabas. Na mesma época, houve a Guerra dos Mascates, no Nordeste.

Mas, o que estava acontecendo, na verdade, começa a ser percebido por muito mais gente: a decadência de Portugal. A produção era pouca e a Corte gastava tudo em banquetes e compra de artigos de luxo da Inglaterra e da França. E o Brasil tinha que compensar tudo isso.


Começa a surgir o desejo da Independência


Situa-se aqui a Inconfidência Mineira, com Tiradentes à frente. No mesmo período, surge também a Conjuração Baiana.

A Inglaterra também queria livrar-se dos intermediários e vir negociar diretamente com o Brasil. Ela estava passando por um grande desenvolvimento de suas indústrias e necessitava dos produtos brasileiros: açúcar, ouro, algodão, couro, madeiras e outros.

Mas, enquanto Portugal dominasse o Brasil, não permitiria que outra nação viesse negociar diretamente aqui. Os lucros dos intermediários e os impostos da Coroa Portuguesa encareciam as mercadorias para a Inglaterra. Sem Portugal no meio, a Inglaterra compraria mais barato o que precisava do Brasil.

Assim estava a situação lá por 1800: os ricos do Brasil e da Inglaterra queriam livrar-se do domínio português sobre o Brasil.


Um fato apressa a Independência


Em 1808, a França estava em guerra com a Inglaterra, disputando mercados. Para prejudicar a Inglaterra, o Imperador da França, Napoleão Bonaparte, mandou que todas as nações da Europa fechassem seus portos para os navios ingleses. Assim, a Inglaterra não poderia mais negociar com ninguém.

Portugal era tradicional “aliado” e devedor da Inglaterra. De início, não obedeceu a determinação de Napoleão. Depois, foi obrigado a ceder e fechou os portos à Inglaterra. Esta enviou uma esquadra à Portugal e ameaçou bombardear Lisboa.

Ao mesmo tempo, a Inglaterra apresentou uma solução: os ingleses ajudariam a Corte Portuguesa a fugir para o Brasil e, além disso, comprometiam-se a ajudar as tropas portuguesas a enfrentar o exército de Napoleão.

O Rei de Portugal, Dom João Sexto, foi obrigado a aceitar a proposta e partiu para o Brasil com nobres e ricos lotando 36 navios.

Chegando aqui, os ingleses pediram um favor em troca de sua proteção na viagem. Exigiram que o Rei abrisse os portos às “nações amigas”.

Quem eram estas “nações amigas”? Na prática, era apenas a Inglaterra mesmo. As outras nações estavam em guerra junto com a França e, portanto, eram inimigas. Além disso, Portugal fez um tratado comercial com os ingleses. Por este tratado, os ingleses tinham muitas vantagens nos impostos. Vantagens que não seriam concedidas a outras nações.

O tratado ainda deu direito aos comerciantes ingleses de abrirem suas casas comerciais aqui. Agora, a Inglaterra podia negociar diretamente com o Brasil, ganhando maiores lucros.


Independência para quem?


Em abril de 1821, o Rei voltou para Portugal. A guerra já havia terminado, mas não havia mais condições do Brasil continuar como Colônia Portuguesa. 

Negociando diretamente com os ingleses, os proprietários e comerciantes daqui já não precisavam de Portugal para nada. Por isso, convenceram o Príncipe Dom Pedro I, que tinha ficado no Brasil, a proclamar a Independência. 

O Príncipe assim o fez, com o apoio dos navios de guerra ingleses que ancoraram em nossos portos. Ele, então, passou a ser o Imperador Dom Pedro I. 

A Independência do Brasil foi proclamada em 7 de setembro de 1822. A partir daí, nossa terra passou a ter seu próprio governo formado pelo Imperador, com representantes das classes proprietárias e comerciantes do Brasil. Mas, agora, nosso país dependia muito mais economicamente e financeiramente da Inglaterra.

Os escravos e trabalhadores pobres não ganharam nada com a Independência do Brasil. Para eles, tudo continuou igual. Quem levou vantagem foram as classes dominantes daqui e da Inglaterra. 




Fonte: História do Brasil – Vamos contar melhor essa História (CEAT/CPV)


Gritos de independência
por Frei Betto

O grito dos excluídos ecoa neste bicentenário da independência. Ecoa na contramão dos caminhos que restauram o passado, traçados por aqueles que ainda incensam a ditadura e reforçam o apartheid social.

Comemoram-se no próximo 7 de setembro o bicentenário da independência do Brasil. Consta que não houve sangue, apenas um grito, o do Ipiranga. Teria marcado a ruptura com a tutela portuguesa, assim como hoje somos supostamente soberanos frente ao FMI… E manteve no poder o português D. Pedro I, que se proclamou imperador do Brasil. Terminou seus dias como Duque de Bragança. Figura, na relação dinástica, como o 28º rei de Portugal.

Entre o fato e a versão do fato, a história oficial tende à segunda. Ainda hoje se discute se o grito decorreu do sonho de uma pátria independente ou da ambição de um império tropical. Ficou o grito parado no ar, expresso nos rostos contorcidos das figuras de Portinari, no romanceiro de Cecília Meireles, no samba agônico de Chico Buarque, no coração desolado das mães brasileiras que enterram, todo ano, recém-nascidos precocemente tragados pelos recursos que faltam à área social e são canalizados para abastecer o pantagruélico orçamento secreto. Mães que choram, inconsoladas, seus filhos mortos por balas “perdidas” ou vítimas do belicismo policial que sacrifica Genivaldos sem que os assassinos sejam incriminados pela Justiça.

O Brasil, pátria vegetal, ostenta o semblante de uma cordialidade renegada por sua história. Sob o grito da independência ressoam os gritos dos indígenas trucidados pela empresa colonizadora, agora restaurada pela assepsia étnica proposta pelos integracionistas ogropecuários que julgam os territórios dos povos originários privilégio nababesco.

Ecoam também os gritos das vítimas indefesas de entradas e bandeiras; Fernão Dias sacrificando o próprio filho em troca de um punhado de pedras preciosas; bandeirantes travestidos em heróis da pátria pelo relato histórico dos brancos – versão barroca do esquadrão da morte rural, diriam os indígenas se figurassem como autores em nossa historiografia.

Abafam-se, em vão, os gritos arrancados à chibata dos negros arrastados de além-mar, sem contar as revoltas populares que minam o mito de uma pacífica abnegação só presente no ufanismo de uma elite que julga violento o MST, e não a arcaica existência do latifúndio improdutivo.

Pátria armada de preconceitos arraigados, casa grande que traça os limites intransponíveis da senzala na pendular política de períodos autoritários alternados com ciclos de democracia tutelar, já que, neste país, a coisa pública tende a ser negócio privado, com tabelas para partidos de aluguel.

Indígenas, negros, mulheres, desempregados, sem-terra e sem-teto não merecem a cidadania, reza a prática daqueles que sequer se envergonham de legislar em prol do próprio bolso. Para a galera, as tripas, marca indelével em nossa culinária, como a feijoada. Corrompem-se sonhos, valores e sentimentos ao venderem por trinta dinheiros o projeto libertário de uma geração. Os que querem governar a sociedade não suportam os que querem governar com a sociedade, abraçados aos fundamentos da democracia.

Ferida em sua autoestima e com mais de 30 milhões de famintos e quase 70 milhões endividados, a pátria navega a reboque do receituário neoliberal, que dilata a violência, exalta as milícias, o poder paralelo do narcotráfico, a concentração de renda. Se o salário não paga a vida, a vida parece não valer um salário. Os que proclamam que a única utopia é acreditar no fim das utopias trafegam cercados de esquemas de segurança pelas ruas infestadas de famílias miseráveis e, nos semáforos, se exibem jovens malabaristas do circo de horrores. Não se dão conta de que grades e guardas os fazem prisioneiros da própria ostentação.

No Brasil, a inflação corrói o parco auxílio, a agricultura familiar não merece crédito, os hospitais estão doentes, a saúde se encontra em estado quase terminal, a escola gazeteia, o sistema previdenciário associa-se ao funerário e a esperança se reduz a um novo par de tênis, um emprego qualquer, alçar a fantasia pelo consolo eletrônico das telenovelas.

O grito dos excluídos ecoa neste bicentenário da independência. Ecoa na contramão dos caminhos que restauram o passado, traçados por aqueles que ainda incensam a ditadura e reforçam o apartheid social. Ecoa indignado frente à avalanche de corrupção que ameaça nossa frágil democracia. Ecoa do peito daqueles que exigem o direito dos pobres acima da ganância dos credores. Ecoa do clamor por ética na política, transparência nos poderes da República e severa punição aos que traíram os anseios do povo, inoculando-nos o medo de ter esperanças.

Frei Betto é escritor, autor de “Tom vermelho do verde” (Rocco), entre outros livros.

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

MANIFESTO PELA REESTATIZAÇÃO DA ELETROBRAS * (Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT)

MANIFESTO PELA REESTATIZAÇÃO DA ELETROBRAS
A Eletrobras orgulhou o povo brasileiro ao longo dos seus 60 anos de história como empresa pública, tendo contribuído decisivamente para o desenvolvimento nacional, levando luz e dignidade às pessoas a partir de programas como o Luz para Todos que proporcionou acesso à energia elétrica para mais de 15 milhões de brasileiros.

A Eletrobras é a maior empresa do setor elétrico da América Latina com 125 usinas de geração de energia elétrica (51.125 MW) sendo 95% de base hidráulica. Além disso, detém 71 mil quilômetros de linhas de transmissão, com um patrimônio avaliado em quase R $400 bilhões, tendo sido entregue ao setor financeiro nacional e internacional por um preço 15 vezes inferior, um verdadeiro crime contra o patrimônio público.

Mas o prejuízo da entrega da Eletrobras não está limitado ao roubo do patrimônio do povo. Para maximizar os ganhos dos novos donos da empresa, a lei da privatização prevê um mecanismo chamado descotização, que nada mais é do que obrigar o consumidor que já pagou pela construção das hidrelétricas ao longo de décadas, através da tarifa, a pagar novamente pelas mesmas usinas.

Dessa forma, os consumidores que hoje pagam em média R$ 65 pelo MWh dessas usinas, terão que pagar o valor de mercado, que no ano passado foi de R$ 332 por MWh. Por ano o impacto dessa descotização será de quase R$ 20 bilhões, que vão sair do bolso do consumidor para as contas bancárias dos novos donos da Eletrobras. Só essa descotização terá um impacto de 17% na conta de luz do consumidor e o que é pior, sem nenhuma contrapartida.

Mas não para por aí. Para conseguir apoio do Congresso Nacional para aprovar a venda da Eletrobras, Bolsonaro aceitou a inclusão de diversas emendas, popularmente conhecidas por “jabutis”, em atendimento a interesses particulares de lobistas e parlamentares. Só a contratação de 8.000 MW de termelétricas a gás, em regiões onde não há gasodutos, vai custar mais R$ 50 bilhões aos consumidores brasileiros, além de sujar nossa matriz energética, contribuindo para o agravamento da crise climática global.

Pesquisa realizada pelo IPEC para o ICS (Instituto Clima e Sociedade) mostrou que 22% dos brasileiros já têm que escolher entre pagar a conta de luz e comprar comida. Com a privatização da Eletrobras essa situação vai piorar muito. A Eletrobras, vendendo a energia mais barata do país, contribuia para evitar que a situação que já é dramática ficasse insustentável. Agora privatizada, aumentando o preço da sua energia, será apenas mais uma empresa privada para espremer o orçamento das famílias brasileiras

A conquista civilizatória de retirar milhões de brasileiros e brasileiras da escuridão, proporcionando todos os benefícios da eletricidade, com a privatização da Eletrobras está ameaçada. Se antes as famílias festejavam o acesso à rede elétrica, hoje já sofrem todos os meses quando têm que pagar a conta e acabam tendo que renunciar ao conforto que a eletricidade pode proporcionar. Agora não haverá mais Eletrobras para contrabalançar essa situação, será apenas a lógica do lucro e o Estado fica sem nenhum instrumento efetivo para controlar o preço da energia elétrica.

Energia elétrica não é um produto qualquer, não é algo que se possa substituir, que se possa viver sem, que se possa escolher outro fornecedor. Por mais exorbitantes que sejam os preços, os consumidores só terão duas escolhas. Pagar ou ficar no escuro. Mas não é só na conta que o cidadão vai sentir as consequências da privatização. Praticamente todas as cadeias produtivas e setores têm na eletricidade um insumo básico, assim, desde o preço do arroz até o dos automóveis vai aumentar por conta da política antinacional e antipovo de Bolsonaro.

É preciso cancelar a privatização da Eletrobras, pois só quem ganha com esse crime é o setor financeiro que se apoderou da empresa e o governo, que pretende queimar o dinheiro arrecadado com programas eleitoreiros que não durarão até o fim do ano. Já para a imensa maioria do povo o saldo é uma conta de luz que em breve se tornará impagável.

Em diversos países como Reino Unido, EUA, Alemanha e França serviços públicos, principalmente de água e energia, foram reestatizados nos últimos anos. Nenhum desses países pode ser classificado de socialista, mas em nenhum deles a reestatização é considerada tema tabu.

Reestatizar a Eletrobras é possível, necessário e urgente. Para isso, é fundamental no governo um projeto democrático que esteja alinhado com uma política de desenvolvimento nacional e do interesse dos brasileiros e brasileiras.

Salvemos nossa energia, pelo futuro do Brasil.
PRIVATIZAÇÃO REVOGA JÁ!


Oi, tudo bem? Sou Felipe Araújo, membro da Campanha Salve a Energia.


Nesta fase, estamos coletando assinaturas de pessoas a favor da Reestatização da Eletrobras.


Para assinar, basta preencher os campos do formulário: https://bit.ly/ManifestoCidadaos



Para ver quem já assinou, basta acessar após a nossa conferência em: https://bit.ly/TextoManifestoReestatizacaoEletrobras 


Aproveite para curtir a assinatura do nosso manifesto pela deputada Erika Kokay no Instagram https://www.instagram.com/p/Cgz0l4rvbAo/?igshid=YmMyMTA2M2Y=  

CRÉDITO:

Texto: sindicatos da campanha

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domingo, 21 de agosto de 2022

BOLSONARO E BOLSONARISMO PARA ALÉM DAS URNAS * SÉRGIO FAUSTO / REVISTA PIAUÍ

BOLSONARO E BOLSONARISMO PARA ALÉM DAS URNAS


Fossem tempos normais, não haveria dilema maior. Dois turnos servem exatamente para isso: no primeiro, escolhe-se por convicção; no segundo, mais por exclusão. Ocorre que não vivemos tempos normais, nem no Brasil nem no mundo.

Nunca antes estivemos diante de um fenômeno como o bolsonarismo. A Ação Integralista Brasileira, criada em 1932 por Plínio Salgado, inspirada no fascismo italiano e num catolicismo ultraconservador, não foi um fenômeno de massas. Em democracia, a direita sempre chegou ao Palácio do Planalto por interposta pessoa. Jânio Quadros se mostrou um estranho no ninho em Brasília. Fernando Collor sofreu impeachment. Ambos revelaram desconhecer o jogo do poder. Nenhum, porém, afrontou as instituições (Jânio, ao tentar, fez papel de tolo). Pela primeira vez, a direita chegou ao Palácio do Planalto pelo voto popular, mas para tanto teve de se dobrar ao seu representante mais caricato.

Nem todos os seus aliados políticos são extremistas, muito menos a maioria dos seus eleitores, mas quem hoje ainda tem dúvida do extremismo de Jair Bolsonaro ou da sua condição de líder do bloco de forças políticas e sociais que ele representa? O atual ocupante do Palácio do Planalto é tosco, mas não é tolo. Conhece o jogo do poder, no meio civil e no meio militar. Não tem um partido, mas é líder de um movimento, cuja força motriz é o ataque sistemático à cultura e às instituições democráticas.

O bolsonarismo não é fascista. Mas tem traços fascistas que o distinguem da direita autoritária convencional. O bolsonarismo é mobilizador. Move-se pela ideia de que há um combate a ser travado. A violência ocupa um lugar central no seu imaginário. Bolsonaro não organizou os fasci di combattimento, embriões do Partido Fascista na Itália, mas abusa do poder presidencial para dar armas à população e não hesita em incitar o seu uso contra adversários políticos. Não recruta diretamente soldados, como Benito Mussolini fez com os ex-combatentes da Primeira Guerra Mundial para formar suas tropas de choque, mas mantém acesa a sua base nas forças de segurança, em particular as polícias militares, e chama as Forças Armadas de “meu Exército”. Cultiva uma masculinidade bruta, talhada para o confronto. Mussolini era um homem culto, mas teatralizava a imagem do macho atlético, corajoso e implacável.

O combate bolsonarista extravasa os limites das instituições de representação política. Alcança cada campo da vida social, da igreja aos quartéis, passando pelas escolas. Nisso ele também se assemelha ao fascismo. O uso distorcido do conceito de liberdade não esconde a tendência totalitária do bolsonarismo, visível na tentativa de controlar comportamentos em esferas da vida privada tão íntimas como são a família e a sexualidade. A coação sobre a individualidade é onipresente no campo da cultura. Deus (punitivo), Pátria (excludente) e Família (patriarcal), slogan tomado emprestado ao integralismo de Plínio Salgado, formam a tríade de uma visão retrógrada do indivíduo e da sociedade. A novidade do bolsonarismo é a adesão a um individualismo extremo e destrutivo, avesso a considerações sobre o bem comum.

Outra diferença é que Bolsonaro não quer pôr abaixo todo o edifício da democracia liberal. O fascismo elaborou uma visão sobre a organização do Estado e da sociedade em substituição à democracia liberal. O bolsonarismo não pretende destruí-la frontalmente, mas desfigurá-la pela corrosão. Não se importa em manter a fachada da democracia liberal. Não questiona o princípio da soberania popular expressa pelo voto. Prefere lançar suspeitas infundadas sobre a lisura do processo eleitoral para deslegitimar de antemão qualquer resultado que não o favoreça. Não contesta a primazia do poder civil em geral e do Tribunal Superior Eleitoral em particular, mas busca submeter o TSE à tutela das Forças Armadas para auditar as urnas e apurar os votos. Não convoca cabos e soldados para fechar o STF, mas move uma campanha de execração pública e intimidação dos seus membros e reinterpreta o artigo 142 da Constituição para difundir a tese de que às Forças Armadas caberia a resolução de conflitos entre os diferentes poderes da República. Claro, às vezes, o presidente se excede e diz o que realmente pensa: “Isso, democracia e liberdade, só existe quando a sua respectiva Forças Armadas assim o quer”, disse Bolsonaro, ao maltratar a língua portuguesa em discurso ao Corpo de Fuzileiros Navais no Rio de Janeiro, em março de 2019.

À falta de uma doutrina própria, o bolsonarismo transformou a religião em arma política. O clero sempre teve peso na sociedade e influência na política brasileira. Enquanto o catolicismo conservador reinou inconteste no campo religioso, a Igreja não se furtou a tomar partido das forças da ordem. Em 1964, às vésperas do golpe militar, a classe média engajou-se na chamada “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. A própria laicidade do Estado acomodou-se às demandas da Igreja Católica. Nunca se viu, porém, uso tão amplo e agressivo da religião para traçar as linhas divisórias da disputa política, numa estratégia coordenada de estigmatização dos oponentes do bolsonarismo, dentro e fora das igrejas, em especial das denominações evangélicas (incluindo as mais tradicionais).

Não há um partido evangélico nem uma identidade perfeita entre o bolsonarismo e o evangelismo, mas desde a proclamação da República jamais convivemos com tal grau de politização da religião e uso religioso da política. Isso se reflete num enfraquecimento sem precedente do caráter laico do Estado. Os exemplos vão desde instruções para o aborto legal na rede do sus que respondem a crenças religiosas e não a preceitos constitucionais até a indicação de nomes para os tribunais superiores com base em critério religioso.

Não estamos nos anos 1930 do século passado, quando se deu a ascensão do nazifascismo na Europa. Mas o bolsonarismo não é um fenômeno isolado. Faz parte da onda global antidemocrática que se levantou depois da grande crise financeira da primeira década deste século. Até 2008 era uma marolinha restrita aos países em desenvolvimento.

Depois de crescer rápido durante as duas últimas décadas do século XX, o número de democracias entre esses países começou a estacionar e, logo mais, a diminuir. A observação ficou restrita aos especialistas porque não havia grande surpresa na recaída autoritária de países onde a democracia nunca havia se firmado. Depois da grande crise financeira, o quadro mudou. Partidos, movimentos e líderes antissistema ganharam terreno na Europa e nos Estados Unidos. À esquerda, despontaram o Podemos, na Espanha, e o Syriza, na Grécia, na esteira de movimentos de protesto contra a repartição socialmente injusta do ônus da crise financeira. Apesar do flerte inicial com o bolivarianismo sul-americano, então em alta na América Latina, os partidos antissistemas de esquerda confluíram para o leito da democracia liberal, buscando alargá-lo com a participação de novos atores sociais e revolvê-lo para que temas submersos (desigualdade, meio ambiente, igualdade de gênero) viessem à tona com força. Tiveram êxito limitado.

Maior foi o sucesso da direita antissistema. Prometendo a restauração de um passado idealizado, apelando à xenofobia étnico-religiosa, mobilizando o medo e o ódio aos imigrantes e a frustração contra as perdas reais e imaginárias da globalização, tomou de assalto o Partido Republicano, nos Estados Unidos, empurrou o Partido Conservador, no Reino Unido, para uma posição de ruptura com a União Europeia, entrou para o mainstream da política italiana e francesa, chegou ao poder na Hungria e na Polônia.

Se no passado houve uma Internacional Comunista, hoje quem melhor se articula internacionalmente é a extrema direita. Depois da queda da União Soviética, o fantasma do comunismo se tornou isso mesmo, um fantasma, como aquelas estrelas que já morreram, mas cuja luz ainda se vê. Já a extrema direita cresce e se articula em toda parte, com apoio decisivo nos Estados Unidos e com recursos do Kremlin, que até a eclosão da guerra na Ucrânia financiou partidos nacionalistas e xenófobos na Europa. Maior das repúblicas da defunta União Soviética, a Rússia se tornou, sob Vladimir Putin, parte importante da rede internacional formada por cristãos fundamentalistas, nacionalistas xenófobos e ultraconservadores, da qual fazem parte também os negacionistas da mudança climática. Deus, Pátria e Família, em luta contra o chamado “marxismo cultural”, designação absurda e pejorativa de toda e qualquer ideia que remonte ao Iluminismo e à modernidade, em suas variadas vertentes.

Não se deve desconsiderar esse contexto na avaliação do risco que representa a reeleição de Bolsonaro para a democracia no Brasil e mesmo no mundo. Maior país da América Latina, uma das quinze maiores economias do planeta, aqui se trava uma batalha importante para reverter a onda global antidemocrática.

Dessa perspectiva, não percamos de vista os Estados Unidos, o principal centro de irradiação da extrema direita mundial. São conhecidas as afinidades e ligações entre o bolsonarismo e o extremismo norte-americano de direita. Ambos compartilham a crença de que a política é um combate travado em todas as dimensões da vida social, da família ao Estado, passando pela escola, a mídia, as igrejas. As instituições políticas são espaços a ser conquistados e utilizados como centros estratégicos de poder para vencer o inimigo, e não como um conjunto de regras escritas e não escritas que permite aos adversários políticos resolver seus conflitos de modo não violento. Nesse combate, nem as regras do jogo democrático nem as regras da objetividade factual merecem deferência.

Tão importante quanto o que ocorreu em 6 de janeiro de 2021 no Capitólio é o que vem ocorrendo nos Estados Unidos desde então. O assalto à sede do Congresso, para impedir a confirmação do resultado eleitoral que dera a vitória a Joe Biden, não foi um incidente. Foi o ponto culminante de uma estratégia longamente preparada com base na mentira de que as eleições estavam sujeitas a toda sorte de fraudes. Qualquer semelhança com a sistemática investida do bolsonarismo contra as urnas eletrônicas e o TSE não é mera coincidência.

A mentira visa atingir a democracia no seu pilar central: a alternância no poder determinada pelo resultado eleitoral e a aceitação do veredito das urnas por parte do candidato derrotado. Ela tem um duplo e estratégico propósito: testar ao limite a resistência das instituições democráticas e, na hipótese de não produzir de imediato o efeito pretendido, ou seja, um golpe de Estado, impulsionar em seguida uma campanha de deslegitimação do presidente eleito.

Vista dessa perspectiva, a estratégia da Grande Mentira (The Big Lie) se mostrou um sucesso. Em torno dela, a extrema direita manteve tão ou mais mobilizada a sua base de militantes e o seu controle sobre o Partido Republicano. O assalto ao Capitólio fracassou, mas o ataque às instituições eleitorais continua em cada estado, em múltiplas investidas para dificultar o voto dos grupos sociais e raciais nos quais o Partido Democrata predomina. O Partido Republicano coordena essas investidas, mas a lógica que as coloca em marcha não é a de um partido convencional e sim a de um movimento de fundo religioso, que enxerga a luta política como um combate travado em nome dos valores da cristandade, no caso norte-americano, associados à herança europeia e, portanto, à população branca. Quarenta anos atrás, quando Ronald Reagan se elegeu presidente, o fundamentalismo cristão era uma força ascendente, mas ainda marginal no Partido Republicano. Hoje é a alma do Grand Old Party. Um tipo amoral e oportunista como Donald Trump soube instrumentalizar o fundamentalismo branco evangélico e expandir as suas fronteiras apelando aos trabalhadores industriais empobrecidos pela automatização e remoção de indústrias no Cinturão da Ferrugem (Rust Belt).

Os riscos à democracia norte-americana são crescentes e não decrescentes, como se podia imaginar depois da vitória de Biden sobre Trump. As chances de o trumpismo retornar à Casa Branca em janeiro de 2025, com ou sem o ex-presidente, são reais. Somos testemunhas do mais amplo ataque aos direitos civis e políticos nos Estados Unidos desde o final do século XIX, quando, após a Guerra Civil, o Norte, embora vitorioso, aceitou que os estados do Sul, derrotados, adotassem leis de segregação racial. As conquistas alcançadas cem anos depois da abolição da escravidão, com o Voting Rights Act, aprovado em 1965, que proíbe a discriminação eleitoral com base na raça, estão sob ataque.

O mesmo acontece com os direitos civis. É o que se viu na decisão recente da Suprema Corte sobre o direito ao aborto. Ao derrubar a jurisprudência fixada no caso Roe versus Wade, de 1973, a maioria conservadora do tribunal permite aos estados proibir o aborto mesmo em caso de estupro ou risco à saúde da mulher. Em alguns deles, como o Texas, já entraram em vigor leis que preveem longas penas de prisão para quem praticar o aborto ou facilitá-lo, além de estímulos para denunciar os “criminosos”. A decisão de 1973 se apoiou na ideia de que as liberdades individuais incluem o direito à autonomia e à privacidade no uso do próprio corpo. O mesmo conceito dá base ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, incluído o direito de adotarem crianças e constituir família. A ampla maioria conservadora na Suprema Corte, assegurada pelo bloqueio dos senadores republicanos à nomeação de um juiz indicado por Barack Obama, prenuncia a derrubada de outros direitos considerados anátemas pelo fundamentalismo religioso. Em seu voto contra Roe versus Wade, o juiz Clarence Thomas, casado com uma militante ultraconservadora, já deu o sinal nessa direção para encorajar a base republicana a não se contentar com essa vitória.

Outro alvo da Suprema Corte são as políticas federais de mitigação da mudança climática. Pouco menos de uma semana depois de restringir o direito ao aborto, a maioria republicana no tribunal limitou o poder da Agência de Proteção Ambiental (epa, na sigla em inglês) de estabelecer limites para a emissão de gases do efeito estufa.

Nos Estados Unidos se trava a mãe de todas as batalhas para o futuro da democracia (para não falar na mudança climática). Os resultados são incertos e os ventos não sopram em boa direção.

Voltemos ao Brasil e ao dilema colocado na abertura deste artigo. Não tenho respostas definitivas, mas algumas considerações me parecem importantes para resolvê-lo, nos dois meses que temos até o primeiro turno das eleições presidenciais. A primeira delas diz respeito à caracterização da política brasileira atual como um campo de forças polarizado por dois extremos. A imagem falseia a realidade. Não há dois, mas um só extremista a protagonizar a disputa política, como escreveu Míriam Leitão em O Globo, no artigo intitulado Centro Não É o Ponto entre Dois Extremos. A jornalista é certeira ao escrever: “O centro deve procurar seu espaço, seu programa, seu candidato, ou seus candidatos, porque o país precisa de alternativa e renovação. Mas não se deve equiparar o que jamais teve medida de comparação.”

Aos 45 minutos do segundo tempo da pré-campanha, o centro encontrou uma candidata a presidente, a senadora Simone Tebet (MDB-MS). É um excelente nome. Não tenho dúvida de que a candidata encontrará o seu programa, dada a qualidade das equipes que pode recrutar para esse fim. A questão que resta responder é: encontrará o seu espaço? Faço essa pergunta com um olho nas pesquisas e outro no mapa das identidades político-ideológicas. Não tenho a fórmula mágica da decolagem nas pesquisas de intenção de voto, mas estou convencido de que se apresentar como a opção equidistante entre dois extremos é mais do que um erro de cálculo eleitoral.

Não se trata de apagar diferenças com o PT e seu candidato em temas importantes como o papel das empresas estatais e dos bancos públicos, comércio externo e políticas industriais, regras e gestão da política fiscal, mas de reconhecer com clareza e sem demora que a importância das diferenças nessas áreas é menor do que a importância de um compromisso comum com a democracia.

Não nos enganemos, é isto que está em jogo nessas eleições: o direito de continuarmos a divergir pacífica e democraticamente sobre a melhor maneira de construir um país mais justo, próspero e sustentável, orgulhoso da sua diversidade, onde a liberdade religiosa seja plena, mas as crenças não constranjam a liberdade individual nem sejam critério para a distribuição de recursos públicos, nomeações para instituições do Estado ou definição de políticas públicas, onde haja consideração pelos fatos objetivamente verificáveis e pelos métodos científicos de produção de evidências.

A segunda consideração a fazer é sobre ter ou não o PT aprendido as lições de sua longa passagem pelo poder federal. Não tenho resposta taxativa a respeito. Mas penso que o alcance da pergunta deveria ser estendido: aprendemos todos, do campo democrático, com os erros que contribuíram para impulsionar o bolsonarismo e levar Bolsonaro à Presidência da República? A primeira pergunta não deve ser dispensada. Sozinha, porém, ela bloqueia a possibilidade de construir uma ampla e duradoura aliança em defesa da democracia que não limite diferentes opções eleitorais, mas sirva de barreira de proteção contra o extremismo bolsonarista, agora, depois das eleições e no futuro mandato presidencial, seja quem vier a exercê-lo.

Dessa perspectiva, vejo com bons olhos a movimentação política do candidato do PT desde que recuperou os seus direitos políticos. A aliança com o PSB e outros partidos menores é significativa. Os socialistas atraíram Geraldo Alckmin para ser o vice na chapa de Lula. A vinda do ex-tucano para o partido foi o lance final de uma rodada de filiações que trouxe para o PSB mais três destacados políticos do campo democrático: Flávio Dino, Marcelo Freixo e Alessandro Molon. Esses movimentos, somados à reaproximação de Marina Silva (Rede), são indicações de uma nova possível configuração das forças de centro-esquerda. À falta de uma direita pura e dura, isso não foi possível no passado, quando PT e PSDB eram os partidos dominantes em nível nacional e os estímulos à competição eram mais fortes do que os incentivos à cooperação. Quem sabe agora, com novas forças e (semi) novas lideranças?

A derrota de Bolsonaro é importante também para permitir a reorganização da centro-direita. Nada é mais eloquente do estrago que o atual presidente produziu nesse campo do que o triste fim do DEM, hoje desfigurado e assimilado ao União Brasil. Antes do vagalhão bolsonarista engolfá-lo, o Democratas despontava como o possível polo aglutinador de uma centro-direita liberal com bases nos centros mais desenvolvidos do país. Herdeiro do velho PFL, na origem assentado em esquemas tradicionais da política nordestina, o DEM prometia completar a sua transição do “atraso” ao “moderno”. Também aqui, como é característico na história brasileira, a modernização ficou truncada.

Mais importante do que o dilema eleitoral que alguns sentimos é o desafio comum que todos os democratas têm pela frente. Não é suficiente derrotar Bolsonaro nas urnas e assegurar a posse de quem vier a vencer as eleições. É preciso contribuir para que o próximo seja um governo capaz de superar a herança maldita que receberá do atual. Contribuir não significa adesão acrítica e complacência. Pode-se contribuir fazendo uma oposição leal, ao contrário do que fez o PT durante o governo FHC e o PSDB no segundo governo de Dilma Rousseff.

O país entrará em 2023 com um Estado em más condições de execução de políticas públicas, com órgãos desmantelados, a exemplo do Ibama, ou desestruturados, como o Ministério da Saúde, um orçamento com pouca margem de gasto e capturado secretamente por emendas que retalham programas em pequenas ações locais desarticuladas, sem regra fiscal clara, depois que o atual governo lançou pelos ares o teto de gastos, sem nada colocar no lugar, em um ambiente internacional adverso, devido à combinação de tensões geopolíticas crescentes, pressões inflacionárias e aperto de liquidez – um combo de problemas inter-relacionados que há muito não se via.

Navegar nessas águas exigirá perícia. A nau brasileira está avariada, sem rumo e sem lastro. Com a democracia sob ameaça, não haverá estabilidade política e segurança econômica, e o país poderá naufragar. Evitar o naufrágio requer unidade ampla para afastar a ameaça à democracia. Mas para reencontrar a rota do desenvolvimento, que perdemos ao longo da última década, é necessário mais. Sem uma carta de navegação minimamente comum, voltaremos a enfrentar tempestades e tumulto a bordo. As forças do atual capitão não abandonarão o barco.

Daí a necessidade de construir um programa mínimo comprometido com o estado democrático de direito, a estabilidade macroeconômica, o combate à pobreza e às desigualdades, a preservação e o uso sustentável dos nossos recursos naturais, a começar pelo bioma amazônico. Seria ideal que esse programa mínimo fosse construído na campanha e legitimado nas urnas. Parece pouco provável. Que seja então criado após as eleições, sob a liderança de quem a vencer. Seja quem for, deverá saber que, por maior que for sua vitória eleitoral, ela não lhe será suficiente para governar. Sem um programa claro, que expresse o melhor denominador comum entre as forças democráticas, correrá o risco de se tornar refém do fisiologismo e alvo fácil para uma extrema direita empenhada em deslegitimar desde o início o novo governo.

FONTE

sábado, 20 de agosto de 2022

GENOCIDA BOM É GENOCIDA MORTO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

GENOCIDA BOM É GENOCIDA MORTO

"O coronel da reserva Sebastião Rodrigues de Moura, mais conhecido como Major Curió, morreu na madrugada desta quarta-feira (17) aos 87 anos – completaria 88 em dezembro.

Ex-oficial do Centro de Informações do Exército (CIE) e ex-agente do Serviço Nacional de Informações (SNI), foi um dos principais responsáveis pela repressão à Guerrilha do Araguaia, nos anos 1970, durante a ditadura. Uma de suas últimas aparições públicas foi no Palácio do Planalto. Em 2020, o presidente Jair Bolsonaro, defensor do regime autoritário, o recebeu.

Ele estava internado desde segunda-feira (15) em um hospital de Brasília, e teve septicemia (infecção generalizada).
Acusações

Assim, Curió foi o primeiro réu, no Brasil, devido a crimes cometidos por agentes do Estado na ditadura. O Ministério Público Federal apresentou seis denúncias contra ele, mas nenhuma foi adiante.

Além disso, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Estado brasileiro, em 2010, por não investigar as responsabilidades no caso Araguaia.

“Curió era um ídolo para Bolsonaro”, escreveu em rede social o pesquisador e professor Lucas Pedretti, que publicou no Twitter uma carta escrita em 1986 pelo militar a Jair Bolsonaro. “A admiração era recíproca.”

Militantes executados

O próprio militar cedeu parte de seus arquivos ao jornal O Estado de S. Paulo, em 2009, revelando que 41 militantes do Araguaia foram executados. Isso quando já estavam presos, sem oferecer perigo.

Já nos anos 1980, ele foi enviado pelo governo para a região de Serra Pelada, no período de intensa exploração do ouro. Foi prefeito de uma cidade que leva o seu nome, Curionópolis (PA), e deputado.

Em 2012, o jornalista Leonencio Nossa, do Estadão em Brasília, publicou o livro Mata! O Major Curió e as Guerrilhas no Araguaia (Companhia das Letras). Ele ressalta dois aspectos da biografia do militar.

“Na parte do combate à guerrilha, é preciso ressaltar que foi o primeiro agente a quebrar a lei do silêncio imposta pelo Planalto, ainda no tempo militar”, afirma.

“Quanto à parte de Serra Pelada, o Major Curió ocupou um vácuo de representação em todo o Bico do Papagaio na transição entre a ditadura e a democracia.” O repórter lembra ainda que, passado meio século, a história do Araguaia permanece em aberto. “O arquivo do CIE continua lacrado.”
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TEXTO: BRASIL DE FATO