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sexta-feira, 26 de maio de 2023

CONGRESSO APROFUNDA RACISMO * César Fonseca/PÁTRIA LATINA

CONGRESSO APROFUNDA RACISMO
César Fonseca/PÁTRIA LATINA
EDUARDO GALEANO

Desde 2016, quando os neoliberais deram o golpe político-parlamentar que derrubou Dilma Rousseff, o Congresso se esmera, com uma maioria conservadora, em adotar políticas que aprofundam desigualdade social, base para a expansão da injustiça e violência, gerada pelo desemprego e, consequentemente, fortalecimento do ódio e do racismo histórico vigente no Brasil; o arcabouço/calabouço fiscal, aprovado por acachapante maioria conservadora e reacionária, na Câmara dos Deputados, sob comando do líder do Centrão, Arthur Lira(PP-AL), eterniza subdesenvolvimento econômico e impede trabalhadores de alcançar, na democracia representativa, as conquistas de classe que levariam o país a um novo patamar civilizatório.

De 2016 a 2022, o PIB teve crescimento médio de 1,5%, incapaz de atender as demandas essenciais da sociedade por saúde, educação e infraestrutura; as consequências decorrentes da pandemia do novo coronavírus contribuíram para aprofundar as distorções sociais e econômicas, dado que a alocação de recursos liberados pelo Congresso, em caráter emergencial, resultou em maior desigualdade social, na medida em que foram beneficiados, não os setores produtivos, mas, principalmente, o sistema financeiro.

De posse dos recursos repassados pelo tesouro, com destino à base social da economia, composta de micro e pequenas empresas, responsável pela oferta de cerca de 60% dos empregos, os bancos empossaram o dinheiro e o canalizaram para compra de títulos do tesouro; aumentou dessa maneira o endividamento público encarecido pela cobrança de juros altos em nome de riscos crescentes enfrentados pelo avanço da inadimplência econômica etc.

A população de rua se ampliou e, mesmo passada a pandemia, não se restabeleceu o status quo anterior da desigualdade; ao contrário, ela aumentou; o bolsonarismo, vitorioso em 2018, no rastro das reformas ultraneoliberais, aproveitou a pandemia para promover maior acumulação de renda e capital, especialmente, no curso da supressão de direitos trabalhistas e previdenciários, responsáveis pela redução da renda disponível para consumo dos trabalhadores e aposentados.

AVANÇO DA EXCLUSÃO SOCIAL

Resultado: 30 milhões de pessoas passando necessidades e cerca de 100 milhões com renda média na faixa de R$ 3 mil, configurando baixo crescimento no ambiente da desigualdade, cujas consequências são escassos investimentos, frente ao subconsumismo que leva os empresários à fuga da produção para a especulação.

No final do seu governo, Bolsonaro não suportou os limites do teto de gasto neoliberal, que levou a economia ao desemprego, fome, violência etc; desesperado, temeroso da derrota eleitoral, mandou aos ares os limites neoliberais e gastou absurdamente além da conta, deixando herança financeira, agora, enquadrada numa retomada neoliberal violenta por parte da política monetária adotada por Banco Central Independente(BCI), cuja função, mediante taxa absurda de juros, é sustentar a desigualdade social e avanço do racismo.

Lula ganhou eleição com o discurso de combate à fome, mas está perdendo a batalha, porque a maioria conservadora, que ele derrotou na disputa presidencial, ampliou-se nas duas Casas do Congresso, onde sustenta o modelo neoliberal derrotado nas urnas; o impasse entre a vontade popular vitoriosa na eleição, mas descolada do triunfo eleitoral dos conservadores, joga o país na sua maior contradição: o presidente, isolado por uma base contrária a sua orientação política e social, não consegue aprovar agenda desenvolvimentista, pautada pela promessa de maior distribuição da renda, única forma de romper a desigualdade econômica e social.

LUTA DE CLASSE EM ASCENÇÃO

Oriundo da classe social proletária, que o modo de produção capitalista germina no processo de seu próprio desenvolvimento contraditório, Lula, historicamente, atrai o preconceito e ódio de classe antagônica à que pertence, no país mais desigual do planeta; torna-se, no ambiente de crise capitalista em ascensão, como nos tempos presentes, alvo dos que temem o avanço dos trabalhadores ao poder, já que o acesso a ele pelos poderosos fica mais difícil, pela via democrática, quanto mais cresce a desigualdade.

O presidencialismo virou, com Lula no Planalto, empecilho à poderosa elite econômico-financeira, que compra maioria pelo processo de emendas parlamentares, subjugando prefeitos e governos estaduais; buscam impedir, pela guerra institucional, a conquista social e a remoção das desigualdades.

O exemplo, do momento, é a tentativa de reversão do cronograma do governo Lula de promover, por meio de ocupação legítima, ancorada pelo voto popular, maior espaço para os trabalhadores sem-terra e para os índios.

RESISTÊNCIA INSTITUCIONAL DA ELITE

O racismo econômico, político e social, está na base da ação conservadora que busca estabelecer marco legal para expulsar os indígenas de suas terras; os povos originários estão ameaçados; o meio ambiente está exposto à sanha dos caçadores de lucros a qualquer custo; igualmente, os trabalhadores sem-terra, idem, cuja ação de ocupação de terras devolutas, objetivando produção de alimentos, é, radicalmente, considerada invasão de propriedade privada etc.

O ataque ao organograma do governo Lula pelos grandes proprietários, verdadeiros invasores e caloteiros de dívidas, quando entram em inadimplência, como tem demonstrado a história, é declaração de guerra; da mesma forma, a ira conservadora, com ajuda do Banco Central Independente(BCI), serviçal dos credores, inviabiliza, no arcabouço/calabouço fiscal, aprovado nessa semana, expansão dos gastos sociais.
Tentam os conservadores, a elite racista, reverterem conquistas nas áreas de educação e saúde, sem as quais se torna impossível desenvolvimento com justa distribuição da renda nacional, eternizando a discriminação econômica e racial.

É essa regra geral que, mesmo atenuada, em sua essência, pelo substitutivo do ministro Haddad, expressa em teto neoliberal de gastos, cria a base antissocial propícia à permanência e avanço do racismo, característica do programa anti-desenvolvimentista aprovado pelas elites racistas no Congresso.

quinta-feira, 25 de maio de 2023

LULA TREME, A DIREITA CERCA * César Fonseca/Pátria Latina

LULA TREME, A DIREITA CERCA


César Fonseca/Pátria Latina

A direita amplamente majoritária no Congresso, que perdeu a vergonha de se proclamar conservadora, antinacionalista etc., sob liderança do neoliberal deputado Arthur Lira (PP-AL), será ou não responsável por aprovar ajuste fiscal que impeça retomada de crescimento sustentável sob comando de Lula, ou busca desmoralizar a esquerda, levando-a à conciliação, cujas consequências seria redução ainda maior da sua representatividade parlamentar, fragilizando-a para a sucessão de 2026?

O histórico da esquerda mundial, a partir da vitória do neoliberalismo, com a queda da União Soviética e consequente derrubada do Muro de Berlim, mostra que a tendência da esquerda social democrática, ao alinhar-se às teses neoliberais, abandonado o nacionalismo e enterrando o socialismo, foi perder importância, favorecendo, na sequência, a direita e o neofascismo.

Os fascistas, favorecidos pelo colapso eleitoral da falsa social-democracia tucana brasileira, que a eles se uniu, para derrubar Dilma e promover ascensão de Bolsonaro (2018-2022), vitorioso sobre Haddad, enquanto Lula estava preso pela Operação Lava jato, só voltariam ao governo, então, se conseguissem cooptar parte da esquerda para as teses neoliberais.

SOCIAL-DEMOCRACIA PETISTA DERROTADA

Esse projeto só seria factível se a direita, embora perdesse a eleição presidencial, em 2022, para Lula, conseguisse triunfar, no parlamento, fazendo ampla maioria capaz de evitar a volta da verdadeira social-democracia, com o PT e aliados, liderados pelo lulismo.

Foi, exatamente, o que aconteceu: Lula, liberado pelo poder judiciário, para disputar, venceu a eleição, mas não conseguiu fazer maioria parlamentar, sendo obrigado, agora, a sujeitar-se ao neoliberal fascismo majoritário.

A aprovação do regime de urgência para tramitação do ajuste fiscal conservador liberal, talhado sob pressão de Arthur Lira, nessa semana, deixou claro o tamanho da base petista = 102 votos, enquanto a oposição faturou 367.

Comprovou-se, de forma inquestionável, a força conservadora que impõe sua vontade ao governo Lula, pretensamente, progressista.

A urgência aprovada veio acompanhada da ordem palaciana para sua exígua e frágil força parlamentar ficar calada e não questionar o ajuste que os conservadores aceitarem negociar, apertando as tarraxas da proposta lulista, formulada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

LULISMO CONCILIADOR ABALADO

Evidenciou o óbvio: a força relativa de Lula impõe a sua base um perfil conciliador obrigatório, sujeito a chuvas e trovoadas.

Ficam barradas as pretensões sociais-democratas lulistas de promover desenvolvimento com justa distribuição de renda, diante da exigência da direita, concentradora de riqueza, lastreada pelos fascistas, propensos ao alerta capaz de impedir qualquer grau de liberdade política para fortalecer esquerda.

A palavra de ordem direitista é inviabilizar a competitividade eleitoral lulista, em 2026, impedindo o deslanchar exuberante dela, conforme as promessas eleitorais do presidente na campanha eleitoral.

O jogo duro do mercado financeiro, essencialmente, fascista, de sustentar Banco Central Independente (BCI), ancorado por maioria parlamentar sob o comando do neoliberal Arthur Lira, objetiva manter a conciliação conservadora petista, no compasso de crescimento econômico insustentável, incapaz de alavancar emprego e renda na escala necessária para garantir à esquerda o sonho de vitória eleitoral em 2026.

O teste eleitoral da direita, frente ao PT conciliador, que o desgasta diante de suas próprias bases, ocorrerá, já, nas eleições municipais de 2024, quando Lira redobrará, diante das suas bases, exigência do jogo de emendas parlamentares aos deputados para ganhar apoio amplo dos prefeitos.

PARLAMENTARISMO X PRESIDENCIALISMO

Com o ajuste fiscal monitorado pelos neoliberais, para que continue a política paroquial, Lira terá a força de sustentação do modelo político colonial que persiste no país, desde o seu descobrimento pelo colonialismo português, no qual a essência é a conciliação das elites.

A esquerda social-democrata petista, crítica dessa conciliação, historicamente, persistente, está diante da realpolitik concilidadora/conservadora/pró-fascista de viés parlamentarista.

A direita, dominante no legislativo, essencialmente, pró-parlamentarismo, enterrou o presidencialismo, deixando-o sem oxigênio e respiradouro.

Quais as consequências para a esquerda conciliadora senão aprofundamento lógico de sua própria divisão em busca de sobrevivência no cenário democrático parlamentar no qual é minoritária em grau elevado?

Restará, sem dúvida, à esquerda se reorganizar, politicamente, nas ruas e instituições dos trabalhadores, a partir das próprias contradições decorrentes do arcabouço fiscal que a condena ao desaparecimento, diante do presidencialismo prisioneiro dos que a querem pelas costas.

A direita, certamente, esfrega as mãos de contentamento ao conseguir seu objetivo: expor uma esquerda conciliadora passível de desmoralização para tentar voltar ao poder em 2026.

segunda-feira, 10 de abril de 2023

59 ANOS DEPOIS A HERANÇA É BOZOZÓDIO * César Fonseca/SP

59 ANOS DEPOIS A HERANÇA É BOZOZÓDIO
César Fonseca/SP

 #BolsonaroDerrotadoCassadoCondenadoPreso afirma que no caso das joias o criminoso é o Bento Albuquerque (Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior é um almirante de esquadra brasileiro. Foi ministro de Minas e Energia do Brasil entre 1 de janeiro de 2019 e 11 de maio de 2022) por ter usado o “santo” nome dele em vão.

BOLSONARO VOLTA PARA LANÇAR GERME DA GUERRA CIVIL NO CAOS ECONÔMICO PRODUZIDO PELO SEU ALIADO CAMPOS NETO

4 CRIANÇAS VÍTIMAS DO ÓDIO

O retorno de Bolsonaro ao Brasil ocorre no momento em que a chantagem do BC Independente(BCI) comandada pelo bolsonarista Campos Neto cria expectativas de paralisações nos setores dinâmicos da economia, inviabilizando, completamente, a estratégia desenvolvimentista do presidente Lula lançada em campanha eleitoral; como os resultados nesse sentido não se apresentarão no curto prazo, mantida elevada a destrutiva taxa de juro Selic de 13,75%, inviável para promover retomada dos investimentos, da renda, do consumo, da produção e da arrecadação, enfim do giro capitalista, que depende dos trabalhadores como geradores de valor que se valoriza, Bolsonaro só espera as coisas se agravarem para agitar suas bases a uma reação conservadora fascista para derrubar Lula; essencialmente, sua estratégia é a guerra civil depois da morte da economia, prenunciada pelos prêmios Nobel da economia, Josef Stiglitz e Jeffrey Sachs, se for mantida política monetaristas do BCI.

Todas as promessas eleitorais caem por terra, diante da armadilha neoliberal que Bolsonaro e Campos Neto armaram para deixar Lula mal diante do seu eleitorado; ao se mostrar incapaz de atender a demanda das massas, que, essencialmente, são as ligadas a maior oferta de educação, saúde, infraestrutura, emprego e melhor qualidade de vida, o presidente se desmoraliza e perde credibilidade; os bolsonaristas fascistas se esfregam as mãos diante dessa possibilidade e têm certeza de que serão ouvidos pelos seus seguidores nas redes sociais, porque, simplesmente, sem retomada do desenvolvimento, impedido pela política monetarista, seus fake News ganharão foros de verdade.

Certamente, a cervejinha e a picanha, nos finais de semana, não acontecerão, na prática, como prometidos por Lula, sem a retomada desenvolvimentista ; os empregos não serão recuperados, pois os empresários não investirão diante da queda de demanda global, decorrente da queda do poder de compra dos assalariados.

A decepção com Lula, impossibilitado de retomar as 14 mil obras paradas, devido à falta de recursos barrados pela política econômica monetarista neoliberal, acentua-se diante da queda da oferta de emprego; sem novos investimentos para dinamizar produção, consumo, renda, arrecadação, os empresários perceberão – ou melhor, já estão percebendo – que sua sobrevivência depende do descolamento da economia real para a economia fictícia, onde se realiza a taxa de lucro, impossível de ser realizada no ambiente do subconsumismo que derruba a taxa de lucro; quem vai investir em máquinas novas para dinamizar produção e produtividade, se a economista está parada?

Bolsonaro e seu grande aliado Campos Neto terão construído o contexto ideal para expansão da crítica ao lulismo, incapaz de, diante dos juros pornográficos, como diz o presidente da Fiesp, Josué Gomes, de cumprir suas promessas de campanha eleitoral; se Lula não for capaz de promover aliança dos trabalhadores e dos empresários em favor das condições necessárias à retomada do desenvolvimento, favorecerá o ex-presidente; este estará, com sua volta ao país, a cavaleiro para iniciar campanha eleitoral municipal de 2024, capaz de fomentar sua força eleitoral na disputa presidencial em 2026.

Será nesse ambiente que Bolsonaro apostará tudo para destruir Lula, incensando polarização política, carregada do elemento bolsonarista destrutivo, ou seja, o sentimento de ódio diversionista, capaz de promover a violência; se Lula não for capaz de reverter a loucura neoliberal acelerada pela política neoliberal do BC, tocada por aquele que Bolsonaro colocou lá, para destruir a economia, jogando bomba atômica nela, como alertou o ex-ministro nacionalista Guido Mantega, perderá o controle político para o fascista neoliberal e seu exército de ódio.

Tal estratégia bolsonarista, não devem enganar-se os democratas, representa, inequivocadamente, o germe da violência política que o nazifascista Bolsonaro julga ideal e fundamental para promover a guerra civil com a qual, como já disse, eliminariam, no mínimo, 30 mil pessoas; essa taxa de mortandade é a que julga necessária para colocar nos trilhos a realidade brasileira adequada aos interesses nazifascistas.
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