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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

A marchinha do fake news * Genildo Mateus / RN

A MARCHINHA DO FAKE NEWS
MARCHA FORA BOZO

 A Marchinha do fake News


Nesse Carnaval, vou fazer gracinha 

É melhor já ir se acostumando 

Que não vai ter arminha


Não quero Moro, nem Moradia

Não quero dá-mares

Só quero alegria


Vou cair na farra

Vou fazer asneira

E ficar muito doido

No pé da goiabeira 


Nesse Carnaval, vou fazer gracinha 

É melhor já ir se acostumando 

Que não vai ter arminha


Vou beber cair e ser notícia

Só não quero me misturar 

Com a turma da milícia 


Sem falar de fake News, não tem o dito

Tão querendo tomar meu trono

Assim não serei mais patrono

Conquistado como mito


Nesse Carnaval, vou fazer gracinha 

É melhor já ir se acostumando 

Que não vai ter arminha


A intercept vai lhe derrubar 

A casa vai cair, sem messias pra orar 

Sem sinistros pra blindar

Vamos embora que o bicho vai pegar


Estamos  na casa de noca

A confusão está formada

Que estão querendo consolar o mito

Com a mamadeira de piroca


Nesse Carnaval, vou fazer gracinha

É melhor já ir se acostumando 

Que Não vai ter arminha...


Gente: Estou procurando um músico para colocar a música nesta Marchinha de Carnaval


sexta-feira, 19 de novembro de 2021

A consciência negra e o século XXI * Genildo Mateus / RN

 A consciência negra e o século XXI


Genildo Mateus / RN


Foi no Brasil colonial

Onde tudo começou,

O negro como serviçal 

Sua vida desmoronou.

Cruelmente maltratado,

Ferido e dominado

Começa a escravidão 

Com rotina degradante

Exposto em seu semblante

Num rito de mutilação


Trabalhando de sol a sol

Nas lavouras e cafezais,

Guiados pelo arrebol

Fazendo serviços braçais.

Presos nas mãos dos tiranos,

Todos negros africanos

Perdia sua dignidade

E durante três séculos

Quebrando seus vínculos

Com toda sociedade


Vivendo em uma cenzala

Comparado com animal,

A dor no seu peito exala

Por ser tratado muito mal.

Debaixo do preconceito,

Tirando o seu direito

Sofria muita humilhação

Pois tinha ínfimo valor

Propagado por seu senhor

Levado a toda nação


O tronco e seus açoites

Estralava em suas costas,

Acontecia todas noites

As carnes negras expostas.

Com o capitão do Mato,

Continuava sua missão

Batendo até a morte

Esfolando seu consorte

Esperando uma confissão


A tirania prosseguia

Pelas ordens do coronel,

A matança progredia

Sem luz no fim do túnel.

O negro assim se espremia, 

Rezando uma ave Maria

Para escapar com vida

Com olhar de piedade

Sentindo a crueldade

Entre Chagas, e ferida


Os anos foram se passando

E chegou a "liberdade",

O risco foi aumentando

Até a atualidade.

Através da alforria,

Mas com toda ironia

As coisas não avançaram

O preconceito continua

O negro morando na rua

Os pactos se quebraram


Luta por uma consciência

Daquele que lhe rechaça,

Com toda experiência

Perseguido como caça.

Apelando pro bom senso,

Vendo que é um consenso

A sua descriminação

Briga com toda sua  força

Esperando com bonança

Por essa miscigenação


Viveu sempre no castigo

Querendo do branco  perdão,

Pra ficar bem consigo

Tirar o mal do coração.

Mostrando seu real valor,

Experiênciado na dor

Não se fez prisioneiro

Também não se guarda rancor

De quem desprezava sua cor

Pra sair do desespero


Esperando um dia ser igual

Nada mais lhe deixar triste,

Quebrando esse ritual

Que por muito se persiste.

O negro tem consciência,

Pautado na resiliência

Por ter sido um sofredor

Criado num cativeiro

Que da flor sentia o cheiro

Da liberdade e do amor


E com seu punho cerrado

Erguido  como símbolo,

Revivendo o passado

Lembrando do seu ídolo.

Saido do "eu" interior,

Como um bom navegador

Mudou toda sua história

Prosseguida por muitos anos

Em verdades e enganos

Esperando sua glória



Este poema se refere ao novembro da consciência negra. Que todos possam ter essa consciência, que são iguais...


Natal, 08 de novembro de 2021

*

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Outubro rosa, alerta de salvação * Genildo Mateus / CE

 Outubro rosa, alerta de salvação

GENILDO MATEUS

No mês do outubro rosa

Meu alerta vou deixar,

Sou mulher! Não melindrosa

Com muita garra de lutar,

Quebro todos preconceitos

Retirando os defeitos

Medo, também frustração

Descerro fragilidade

Quebrando a vaidade

Rogando a Deus proteção

 

Faço meu autoexame

Tocando-me pra conhecer,

Com calma sem vexame

Para não esmorecer.

Sentindo algo estranho

Não importa o tamanho

Providencias deve tomar

Procurar o lugar certo

Com o coração aberto

Pra seu destino governar

 

Sigo cumprindo meu dever

Com exames dolorosos,

E a tudo que pode prever

Se se tornar escabrosos.

Não adiante se afligir

Encarar, nunca fugir

Enfrentados sem receios

Pois todo mal deve vencer

Prosseguir, não retroceder

Preservando os seus seios

 

Câncer não é brincadeira

Pode se tornar um drama,

Pois levanto a bandeira

Para cuidar de sua mama.

Com a família unida

Acabando com a dúvida

Assim prevenir sua vida

Com apoio do marido

Se mostrando aguerrido

Para salvar sua querida

 

Jovem também deve cuidar

Fazendo sempre prevenção,

Pra depois não lamentar

De mal constatação.

Aprender desde sedo

Desvendar todo segredo

Cuidando bem de sua vida

Não ter ingrata surpresa

Quebrando sua beleza

Se sentindo arrependida.

 

Quando seu corpo reclamar

E sentir algo estranho,

Deve logo desconfiar

Não importa o tamanho.

A dor pode ser pequena

Que no peito a condena

Mexendo na estrutura

Com incerteza e medo

Tarde ou ainda cedo

Vai causar uma ruptura.

 

Inundar-se sempre de amor

Conquistando esperança,

Derramar coragem, fervor,

Resistir com segurança.

Dentro do outubro rosa

Uma ação muito preciosa

Pra quebrar fragilidade

Assimilando desafios

Se livrando dos anseios

Com amor e fraternidade

 

Vencer todos preconceitos

Construindo uma muralha,

Refazendo os conceitos

Acirrada na batalha.

Esbanjando coragem

Aliada a autoimagem

Coberta de resiliência 

Com o gosto da vitória

Traçada na trajetória

Pela sua eficiência.

 

E olhar-se no espelho

Sentindo longevidade,

Sendo rosa ou vermelho

Persistir na verdade.

De uma mulher guerreira

Sóbria e aventureira

Seguindo o seu instinto

Pela sua confiança

Num desejo de bonança

Me venha o que consinto.

 

Com sua fé sempre presente

E também sua autoestima,

Livrando do incidente

Do mal que se aproxima.

Enfrentar com sabedoria

Sem ter nenhuma histeria

Para curar sua cicatriz

Vindo de dentro da alma

Essa dor que não tem calma

Do DNA e da matriz.

 

Tirar da quimioterapia

O desejo de se salvar,

Extraindo toda alegria

Onde a vida alcançar.

Apagar os dissabores

Abraçada aos seus amores

Se mostrando importante

Pela batalha vencida

Sentindo agradecida

Num sorriso triunfante.

 

Sentir na cura o prazer

No encontro com a glória,

Na humildade refazer

Seu caminho, sua história

Com a mão sempre estendida

E sempre se precavendo 

Pra não ter uma recaída

Cicatrizando a ferida

E a todo mal se vencendo.

 

Por Genildo Mateus

 

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Nas mãos de um genocida * Genildo Mateus / CE

Nas mãos de um genocida

A morte chega mais cedo 



É muito triste rescordá

Desde o ano retrasado,

Que o povo tem passado

Uma sofrença de se lascá.

Cum a praga arrinitente

Levando a nossa gente

Falo sem ter nenhum medo

Que fica assim a vida

Nas mãos de um genocida

A morte chega mais cedo


E muitos achou ser comum

Nada sendo esquisito,

Que não vindo do mosquito

Assim morrendo um por um.

Com muita gente doente

Se tornando paciente

Sem mostra nenhum segredo

Na insistênça vivida

Nas mãos de um genocida

A morte chega mais cedo


Sem nada de esperança

Cum seu peito cheio de mágua,

Vendo toda a matança

Que dos zói iscorri água.

Pru mardade e intenção

Do próprio chefe da nação

Levá todos ao degredo

Com a vida esvanecida

Nas mãos de um genocida

A morte chega mais cedo


Chega no sertanejo

Que morre sem a vacina,

Levado por um lampejo

Interrompendo sua sina.

Que tá morrendo de fome

Com o vírus que cunsome

Sem emenda, nem enredo

Que não é esclarecida

Nas mãos de um genocida

A morte chega mais cedo


Sem saí da própria casa

Morre feito indigente,

Feito pássaro sem asa

Escuitando só quem mente

Tomando a cloroquina

E também a ivermectina 

Enviado feito torpedo

Em nada que elucida

Nas mãos de um genocida

A morte chega mais cedo


O sertanejo lamenta

Chega faz eco lá na serra,

Como uma cabra que berra

Que no grito atormenta.

Sem ter nenhum resultado

Acaba sendo frustrado

E jogado no lajedo

Com a vida falecida

Nas mãos de um genocida

A morte chega mais cedo


Mas nunca perdeu a fé

De vortá cum sua vidinha,

Ir pra casa da visinha

De tumá cum ela seu café.

Sem ter medo de bandido

Não ficando iludido

Espalhando dessegredo

Na palavra exercida

Nas mãos de um genocida

A morte chega maias cedo


Todo sertão tá calado

Parece qui nem tem gente,

Fica parado, paciente

Como gado acurralado.

Só rumina, come grama

E sem fazê nenhum drama

Fica só chupando dedo

Sua vida comprometida

Nas mãos de um genocida

A morte chega mais cedo


O povo mago morreno

Com a praga assassina,

Sem um galo na campina

Pra cantá com o sereno.

Só a coruja agourenta

Que da morte é sedenta 

Canta lá no arvoredo

Está sempre convencida

Nas mãos de um genocida

A morte chega mais cedo


A vida que não fulora

Se vai com a seca do rio,

Morre Zefinha, morre Dora,

Na voz do salafrario.

Fica do povo a zombá

Como vira-lata a rosná

Sempre fazendo seu praguedo

Sem rogá a Aparecida

Nas mãos de um genocida

A morte chega mais cedo


Mas o povo vai vencê

Derrubando o maligno,

Que o sertão vai florecê

Por um homem muito digno.

Vai respingá no cariri

Falado pela C.P.I

Gritando feito bêbado

Na voz estremecida

Nas mãos de um genocida

A morte chega mais cedo



É por isso que eu digo

As vezes me dá vontade,

De fazê uma mardade

Pra saí desse perigo.

De picá-lo bem miudim

Feito um anjo Querubim

Gritá pra seu Figueiredo

Na voz ensandecida

Nas mãos de um genocida

A morte chega mais cedo


Que Jesus me perdôi

Mas é que fico zangado,

E que minha vida eu dôi

Pra acaba com o gado.

E saí desse sufôco

Na palavra do cabôco

Pois nem um pouco eu sedo

Pela voz agradecida

Nas mãos de um genocida

A morte chega mais cedo


Será que com tanta briga

Com mentira espalhada,

 E a fome na barriga

A nação enxovalhada.

Vamos tê um Brasil novo

Pelo direito do povo

Saindo forte do bredo

Sem a fala ressequida

Nas mãos de um genocida

A morte chega mais cedo.



Por: Genildo Mateus/CE