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quinta-feira, 8 de setembro de 2022

A INDEPENDÊNCIA FOI FAJUTA IMAGINE RADICALIZAR * Adão Alves dos Santos / SP

 A INDEPENDÊNCIA FOI FAJUTA, IMAGINE RADICALIZAR 


Se a duzentos anos a falsa independência, foi entisimaticamente comemorada, afinal, o Brasil poderia ter um governo livre das imposições da metrópole, só que não, o governo de cá era o príncipe herdeiro de lá, se isto já não fosse pouco, o novo país ainda inaugurou e encerrou uma nova moda na história mundial, o vencedor da guerra, "guerra da independência", pagou tributos de guerra ao perdedor, a metrópole, ou a coroa Lusitana. Tais tributos ainda encarecem nossas dívidas externas.


Assim historicamente falando, neste quinhentos e dois anos deste país, a história dele, nunca foi história dele, ao menos até 01/01/03, quando o primeiro governante não pertencente a elite, chegou ao poder 


Nos doze anos que se seguiram, nossa pátria, passou a ter relevância no cenário mundial, influir em acordos de paz, na criação de grupos de países, para contrapor as potências hegemônicas mundiais. É justamente aqui que as elites com síndrome de "sabujo", articularm e dão um golpe de estado, para demover do poder o partido que ousou impor uma verdadeira independência. Não contava porém a inútil burguesia, com sua atroz incompetência, não logrou a vitória nas eleições. O eleito foi um digno representante de nossas indignas forças armadas, (estas forças armadas até hoje, só foram proeminentes em dar golpes).


E justamente assim que o digno representante da indigna golpistas forças  armadas, além de "bufar um outro golpe", ainda importa da antiga metrópole o coração do invasor.


Em outras palavras, o digno representante da indigna e golpista forças armadas, além de "peidar" um novo golpe, ainda faz vassalagem ao invadir.


Adão Alves dos Santos / SP

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

GRITO DOS EXCLUÍDOS ÀS RUAS 7 DE SETEMBRO 200 ANOS DA INDEPENDÊNCIA * BRASIL DE FATO / MST

GRITO DOS EXCLUÍDOS ÀS RUAS
7 DE SETEMBRO 200 ANOS DA INDEPENDÊNCIA


No próximo 7 de setembro se completam 200 anos da proclamação formal da Independência do Brasil, às margens do rio Ipiranga. Dois séculos depois, o dia parece condensar a tensão política no país às vésperas de um pleito atípico. A comemoração conta com a chegada do coração de Dom Pedro I, trazido de Portugal e exposto em Brasília; ato de tom golpista convocado por Bolsonaro no Rio de Janeiro; e manifestações de movimentos populares pelo Brasil.

Engrossando o caldo, a data é marcada pela 28ª edição dos atos do Grito dos Excluídos e das Excluídas, sob o eixo "Brasil: 200 anos de (In)dependência. Para quem?".

O objetivo é reverberar a voz dos que não foram incorporados a esse Brasil considerado independente. Com o tema permanente "Vida em primeiro lugar", o Grito tem marchas previstas em todo o país (confira a lista ao final desta matéria).

Desde 1995, a manifestação faz do 7 de setembro uma data de luta, exatamente pelo avesso do orgulho nacionalista que a versão militar e institucional busca emplacar. A ideia de fazer um contraponto ao "Grito do Ipiranga" surgiu há 28 anos durante 2ª Semana Social Brasileira, evento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cujo lema era "a fraternidade e os excluídos".

Momento crítico

"É simbólico que a gente esteja realizando o Grito no momento mais grave que o país vive desde a sua redemocratização. Questionar e refletir sobre as bases fundantes da nação brasileira tem muito a ver com o que a gente está vivendo", avalia Ângela Guimarães, presidenta da União de Negras e Negros pela Igualdade – UNEGRO e integrante da Coalizão Negra por Direitos.


Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (1), Ângela afirmou que "a luta por liberdade e por independência nunca se completou. A construção da nossa soberania é um projeto em disputa na sociedade".

Para Dom José Valdeci Santos Mendes, bispo de Brejo (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sócio Transformadora da CNBB, o bicentenário da Independência faz refletir sobre "a situação que estamos enfrentando".

"Estou pensando na situação dos povos negros, dos quilombolas, dos que estão na periferia e que ao longo da nossa história foram sempre deixados de lado", diz. "Por outro lado eu vejo o Grito dos Excluídos como um momento importante de retomarmos nossos compromissos, sobretudo com a justiça e os direitos."

"Hoje o nosso grito não vem de alguém montado num cavalo às margens do rio", atesta o bispo maranhense. "O nosso grito é também o grito do rio que está sendo aterrado e envenenado, é o grito das florestas sendo derrubadas e de tantos irmãos e irmãs que lutam por vida com dignidade."

"O nosso grito vem do nosso coração. Que está no nosso corpo. E não, com todo o respeito, de um coração que vai passando de mão em mão", completa Dom José.

"Que esse grito ecoe"

Márcia Mura, do povo Mura, de Baixo Madeira (RO) e integrante do grupo Wayrakuna, formado por mulheres indígenas, também participou da coletiva. "Nós lutamos para continuarmos livres e independentes desde a chegada das caravelas", recordou.

A indígena Mura mencionou dois projetos de empreendimentos que estão, nesse momento, ameaçando o território das comunidades tradicionais em Rondônia: o de uma hidrelétrica binacional entre Brasil e Bolívia no rio Mamoré e a hidrelétrica de Tabajara, prevista para barrar o rio Machado.

"Todos que estão nesse ato podem tomar conhecimento do que está acontecendo e lutar junto contra esses projetos que são ditos desenvolvimentistas, mas que só nos trazem morte", defende Márcia. "Porque independente de esquerda ou direita, enquanto houver a política neoliberal como prioridade, nós - povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, de periferia - vamos ser o alvo", afirma.

"A gente quer que esse grito ecoe pelo mundo inteiro. Não porque a gente não sabe lutar ou defender nosso território. A gente faz isso há 522 anos", salienta a Márcia Mura: "Mas essa luta precisa ser do mundo inteiro porque ao defender nossos territórios, defende-se a vida do planeta".

Confira a lista preliminar de atos no 7 de setembro:

Boa Vista (RR) às 15h na Igreja São Raimundo Nonato.

Fortaleza (CE), às 9h no Terminal da Lagoa, no bairro de Parangaba.

Maceió (AL), às 8h, Vergel/Lagoas, próximo à Igreja Virgem dos Pobres.

Teresina (PI), às 9h, embaixo da ponte Frei Serafim.

Belo Horizonte (MG) às 9h na praça Vaz de Melo.

Montes Claros (MG), às 8h30, na praça do bairro Maracanã.

Rio de Janeiro (RJ), às 15h, grupo Brilho do Samba no bar Pingo de Ouro, na Cinelândia.

Nova Friburgo (RJ), às 15h na praça do Paissandu.

São Paulo (SP), às 9h, na Praça da Sé.

Itupeva (SP), às 9h na Paróquia São Sebastião.

Piracicaba (SP), às 8h na praça José Bonifácio.

Vitória (ES), às 8h, na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), campus de Goiabeiras.

Porto Alegre (RS), às 9h, na frente da Igreja São José do Murialdo, no bairro Partenon.
*
CARTA DO MST AO POVO BRASILEIROS

Neste 7 de Setembro de 2022, completam-se 200 anos da Independência política do Brasil em relação à Portugal. 

Nosso país jamais conquistou plenamente sua Soberania Nacional e Popular. 

Desde a chegada da colonização europeia, em 1500, o modelo de desenvolvimento econômico foi feito à custa de quatro séculos de escravização. Foi estruturado para atender os interesses externos e para a promoção da desigualdade social, desde a sua origem.

Uma economia forte no cenário internacional, que gera a pobreza do seu povo e destruição ambiental em seu território.

Um país privilegiado por suas riquezas naturais extraordinárias e um povo valoroso, dirigido por uma elite, ainda hoje, antinacional, antissocial e antidemocrática. Uma elite que se contenta em ser o capitão do mato do capital internacional, para assegurar o saque das riquezas do nosso país.

Para assegurar a existência desse modelo, as classes dominantes não hesitaram em recorrer, sucessivas vezes, a golpes de Estado, ditaduras e a institucionalização da violência contra o povo brasileiro.

O resultado desse modelo é o país que temos hoje: totalmente servil aos interesses do capital internacional, com uma economia situada entre as maiores do planeta, às custas da exploração do nosso povo, de nossas terras e riquezas naturais. Um modelo econômico que promove e se alimenta da gigantesca desigualdade econômica e social existente em nosso país.

A burguesia jamais se dispôs a construir uma Nação. Quando os povos indígenas, negros e pobres, em geral, ousaram lutar pela Liberdade e Igualdade, foram vilmente reprimidos em seu próprio país. 

A perpetuação de verdadeiras mazelas estruturais, como a concentração de terras, da riqueza e renda, servem tanto para aumentar a desigualdade social quanto para as classes dominantes exercerem seu domínio sobre as classes subalternas. Cercaram tudo: a educação, o conhecimento, a cultura, a comunicação e a informação, como se fossem privilégios exclusivos das classes dominantes. 

Não! O Brasil é dos brasileiros e das brasileiras e não de suas elites. Essa terra tem dono, já gritava Sepé Tiarajú!

Chegamos a uma situação de subordinação extrema aos interesses internacionais. Temos um Presidente da República que, sob a conivência dos militares que se enriquecem em seu governo, batem continência à bandeira dos Estados Unidos para manifestar o quanto é servil ao império. Nossa bandeira jamais será a dos EUA!

Um presidente que hipocritamente usa a bandeira nacional nos ombros; promove negociatas das nossas riquezas naturais e de empresas estatais em benefício ao capital internacional; servil às corporações transnacionais das sementes transgênicas, dos agrotóxicos e da mineração, e incentiva a violência contra os territórios dos povos indígenas, tradicionais e quilombolas.

Não há democracia quando o patrimônio do povo brasileiro, como a Petrobras ou a Eletrobrás, está subordinado aos interesses e ganância do mercado internacional.

Não se constrói uma Nação tendo um governo que ataca as instituições do Estado e desrespeita os processos eleitorais. Apropria-se das cores e símbolos nacionais para promover o fascismo e o ódio entre as pessoas. Exalta torturadores, ditaduras e golpes de Estado.

Não se fortalece a democracia tendo um governo que adota políticas que promovem a fome e a pobreza; facilita a aquisição de armas que acabam nas mãos do crime organizado e das milícias; incentiva a destruição ambiental e as queimadas, destrói todos os biomas, principalmente do Cerrado e o Amazônico.

É um governo que, com suas políticas e ações, aprofunda a dependência e se afasta cada vez mais da Soberania Nacional e Popular. Assim, inexistem motivos para comemorarmos os 200 anos de Independência. 

Só é possível ser um país soberano se conduzirmos nosso destino em direção ao bem-estar de todo povo brasileiro, garantindo acesso igualitário à educação, à saúde, ao trabalho, à renda e à cultura.

Um projeto de país onde os bens da natureza são considerados bens sociais, destinados a atender os interesses da população e não os do mercado. 

Um projeto de desenvolvimento econômico que promova a distribuição da riqueza e renda produzida, fortaleça as cadeias produtivas nacionais, a ciência e a tecnologia.

Um projeto que radicalize a democracia, democratizando o Estado e assegurando a participação popular na definição dos rumos do nosso País. 

Um projeto Popular que garanta as igualdades, as diversidades e os direitos, combatendo todas as formas de preconceitos e violências. Que democratize o acesso à terra, fazendo Reforma Agrária Popular para produzir alimentos saudáveis. E que amplie a oferta de serviços públicos universais, assegurando vida digna ao povo brasileiro.

Um projeto Popular de integração com os povos latino-americanos e do continente africano. Jamais saldaremos a dívida que temos com esses povos, mas podemos revertê-la em ações de solidariedade e generosidade, exigindo que nosso governo se submeta a esse desejo de reparação histórica e projeto de futuro. 

Agora, urgentemente, precisamos realizar uma grande mobilização nacional para derrotar, nas urnas e nas ruas, o neofascismo, o racismo, o machismo, a LGBTQIA+fobia e a violência pregada por Bolsonaro.

A organização popular é a nossa principal força. Precisamos, desde já, construir Comitês Populares, em todos os espaços e no maior número possível de municípios, para que o povo brasileiro seja o protagonista das transformações estruturais necessárias.  

Só seremos independentes se construirmos um Projeto Popular e Soberano em nosso país.

Viva o Povo Brasileiro!

Viva o Brasil!


Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST

7 de Setembro de 2022

terça-feira, 23 de agosto de 2022

Gritos de independência e outros gritos * Frei Betto / SP

GRITOS DE INDEPENDÊNCIA E OUTROS GRITOS


 INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

No final do século 18, o Brasil-Colônia tinha pouco mais de 3 milhões de habitantes. A metade era formada por escravos. Eles faziam as atividades produtivas mais importantes da Colônia: agricultura, produção do açúcar, mineração, transporte, abastecimento de água, limpeza urbana, serviços domésticos.

Havia ainda as pessoas livres e pobres. No campo, cuidavam das roças, dos animais e do gado. Nas cidades, trabalhavam no comércio, eram vendedores ambulantes, artesãos ou aprendizes, soldados, empregadas domésticas...

Escravos ou pessoas livres e pobres eram uma gente sem direitos. Só valia quem pertencesse às grandes famílias, ou fosse alto funcionário do governo, grande comerciante ou fazendeiro.

Para as famílias dominantes, o Brasil existia para exportar matérias-primas e produtos agrícolas para o mercado europeu e importar produtos manufaturados.

Toda a riqueza que saía da Colônia ia para Portugal, mas não ficava lá. Portugal era apenas um intermediário. Quem comprava a produção do Brasil era a Inglaterra que aproveitava para vender seus produtos a Portugal por preços muito mais altos. Assim, era a Inglaterra que mais enriquecia com a produção do Brasil.


Que vantagens levavam nisso tudo o Rei de Portugal e sua corte?


Eles também enriqueciam com os impostos que os senhores de engenho e os comerciantes deviam pagar sobre a produção e as mercadorias.

Mais ou menos no começo do século 18 (ano de 1700), começou a extração do ouro em grande quantidade em Minas Gerais. Os proprietários das minas tinham que pagar altos impostos à Coroa Portuguesa.

Outra fonte de enriquecimento para os portugueses era o comércio. Os portugueses dominavam o comércio dos artigos importados: produtos alimentícios, roupas, ferramentas, material de construção, tudo. Mas, o abuso na cobrança de impostos e a exploração no comércio começaram a irritar os proprietários ricos do Brasil.

Esse descontentamento contra o domínio do Rei de Portugal por parte dos colonos brancos expressou-se de diversas formas, inclusive através dos movimentos nativistas. No Maranhão, por exemplo, em 1684, houve a Revolta de Beckman. Em Minas Gerais, no começo do século 18, houve a Guerra dos Emboabas. Na mesma época, houve a Guerra dos Mascates, no Nordeste.

Mas, o que estava acontecendo, na verdade, começa a ser percebido por muito mais gente: a decadência de Portugal. A produção era pouca e a Corte gastava tudo em banquetes e compra de artigos de luxo da Inglaterra e da França. E o Brasil tinha que compensar tudo isso.


Começa a surgir o desejo da Independência


Situa-se aqui a Inconfidência Mineira, com Tiradentes à frente. No mesmo período, surge também a Conjuração Baiana.

A Inglaterra também queria livrar-se dos intermediários e vir negociar diretamente com o Brasil. Ela estava passando por um grande desenvolvimento de suas indústrias e necessitava dos produtos brasileiros: açúcar, ouro, algodão, couro, madeiras e outros.

Mas, enquanto Portugal dominasse o Brasil, não permitiria que outra nação viesse negociar diretamente aqui. Os lucros dos intermediários e os impostos da Coroa Portuguesa encareciam as mercadorias para a Inglaterra. Sem Portugal no meio, a Inglaterra compraria mais barato o que precisava do Brasil.

Assim estava a situação lá por 1800: os ricos do Brasil e da Inglaterra queriam livrar-se do domínio português sobre o Brasil.


Um fato apressa a Independência


Em 1808, a França estava em guerra com a Inglaterra, disputando mercados. Para prejudicar a Inglaterra, o Imperador da França, Napoleão Bonaparte, mandou que todas as nações da Europa fechassem seus portos para os navios ingleses. Assim, a Inglaterra não poderia mais negociar com ninguém.

Portugal era tradicional “aliado” e devedor da Inglaterra. De início, não obedeceu a determinação de Napoleão. Depois, foi obrigado a ceder e fechou os portos à Inglaterra. Esta enviou uma esquadra à Portugal e ameaçou bombardear Lisboa.

Ao mesmo tempo, a Inglaterra apresentou uma solução: os ingleses ajudariam a Corte Portuguesa a fugir para o Brasil e, além disso, comprometiam-se a ajudar as tropas portuguesas a enfrentar o exército de Napoleão.

O Rei de Portugal, Dom João Sexto, foi obrigado a aceitar a proposta e partiu para o Brasil com nobres e ricos lotando 36 navios.

Chegando aqui, os ingleses pediram um favor em troca de sua proteção na viagem. Exigiram que o Rei abrisse os portos às “nações amigas”.

Quem eram estas “nações amigas”? Na prática, era apenas a Inglaterra mesmo. As outras nações estavam em guerra junto com a França e, portanto, eram inimigas. Além disso, Portugal fez um tratado comercial com os ingleses. Por este tratado, os ingleses tinham muitas vantagens nos impostos. Vantagens que não seriam concedidas a outras nações.

O tratado ainda deu direito aos comerciantes ingleses de abrirem suas casas comerciais aqui. Agora, a Inglaterra podia negociar diretamente com o Brasil, ganhando maiores lucros.


Independência para quem?


Em abril de 1821, o Rei voltou para Portugal. A guerra já havia terminado, mas não havia mais condições do Brasil continuar como Colônia Portuguesa. 

Negociando diretamente com os ingleses, os proprietários e comerciantes daqui já não precisavam de Portugal para nada. Por isso, convenceram o Príncipe Dom Pedro I, que tinha ficado no Brasil, a proclamar a Independência. 

O Príncipe assim o fez, com o apoio dos navios de guerra ingleses que ancoraram em nossos portos. Ele, então, passou a ser o Imperador Dom Pedro I. 

A Independência do Brasil foi proclamada em 7 de setembro de 1822. A partir daí, nossa terra passou a ter seu próprio governo formado pelo Imperador, com representantes das classes proprietárias e comerciantes do Brasil. Mas, agora, nosso país dependia muito mais economicamente e financeiramente da Inglaterra.

Os escravos e trabalhadores pobres não ganharam nada com a Independência do Brasil. Para eles, tudo continuou igual. Quem levou vantagem foram as classes dominantes daqui e da Inglaterra. 




Fonte: História do Brasil – Vamos contar melhor essa História (CEAT/CPV)


Gritos de independência
por Frei Betto

O grito dos excluídos ecoa neste bicentenário da independência. Ecoa na contramão dos caminhos que restauram o passado, traçados por aqueles que ainda incensam a ditadura e reforçam o apartheid social.

Comemoram-se no próximo 7 de setembro o bicentenário da independência do Brasil. Consta que não houve sangue, apenas um grito, o do Ipiranga. Teria marcado a ruptura com a tutela portuguesa, assim como hoje somos supostamente soberanos frente ao FMI… E manteve no poder o português D. Pedro I, que se proclamou imperador do Brasil. Terminou seus dias como Duque de Bragança. Figura, na relação dinástica, como o 28º rei de Portugal.

Entre o fato e a versão do fato, a história oficial tende à segunda. Ainda hoje se discute se o grito decorreu do sonho de uma pátria independente ou da ambição de um império tropical. Ficou o grito parado no ar, expresso nos rostos contorcidos das figuras de Portinari, no romanceiro de Cecília Meireles, no samba agônico de Chico Buarque, no coração desolado das mães brasileiras que enterram, todo ano, recém-nascidos precocemente tragados pelos recursos que faltam à área social e são canalizados para abastecer o pantagruélico orçamento secreto. Mães que choram, inconsoladas, seus filhos mortos por balas “perdidas” ou vítimas do belicismo policial que sacrifica Genivaldos sem que os assassinos sejam incriminados pela Justiça.

O Brasil, pátria vegetal, ostenta o semblante de uma cordialidade renegada por sua história. Sob o grito da independência ressoam os gritos dos indígenas trucidados pela empresa colonizadora, agora restaurada pela assepsia étnica proposta pelos integracionistas ogropecuários que julgam os territórios dos povos originários privilégio nababesco.

Ecoam também os gritos das vítimas indefesas de entradas e bandeiras; Fernão Dias sacrificando o próprio filho em troca de um punhado de pedras preciosas; bandeirantes travestidos em heróis da pátria pelo relato histórico dos brancos – versão barroca do esquadrão da morte rural, diriam os indígenas se figurassem como autores em nossa historiografia.

Abafam-se, em vão, os gritos arrancados à chibata dos negros arrastados de além-mar, sem contar as revoltas populares que minam o mito de uma pacífica abnegação só presente no ufanismo de uma elite que julga violento o MST, e não a arcaica existência do latifúndio improdutivo.

Pátria armada de preconceitos arraigados, casa grande que traça os limites intransponíveis da senzala na pendular política de períodos autoritários alternados com ciclos de democracia tutelar, já que, neste país, a coisa pública tende a ser negócio privado, com tabelas para partidos de aluguel.

Indígenas, negros, mulheres, desempregados, sem-terra e sem-teto não merecem a cidadania, reza a prática daqueles que sequer se envergonham de legislar em prol do próprio bolso. Para a galera, as tripas, marca indelével em nossa culinária, como a feijoada. Corrompem-se sonhos, valores e sentimentos ao venderem por trinta dinheiros o projeto libertário de uma geração. Os que querem governar a sociedade não suportam os que querem governar com a sociedade, abraçados aos fundamentos da democracia.

Ferida em sua autoestima e com mais de 30 milhões de famintos e quase 70 milhões endividados, a pátria navega a reboque do receituário neoliberal, que dilata a violência, exalta as milícias, o poder paralelo do narcotráfico, a concentração de renda. Se o salário não paga a vida, a vida parece não valer um salário. Os que proclamam que a única utopia é acreditar no fim das utopias trafegam cercados de esquemas de segurança pelas ruas infestadas de famílias miseráveis e, nos semáforos, se exibem jovens malabaristas do circo de horrores. Não se dão conta de que grades e guardas os fazem prisioneiros da própria ostentação.

No Brasil, a inflação corrói o parco auxílio, a agricultura familiar não merece crédito, os hospitais estão doentes, a saúde se encontra em estado quase terminal, a escola gazeteia, o sistema previdenciário associa-se ao funerário e a esperança se reduz a um novo par de tênis, um emprego qualquer, alçar a fantasia pelo consolo eletrônico das telenovelas.

O grito dos excluídos ecoa neste bicentenário da independência. Ecoa na contramão dos caminhos que restauram o passado, traçados por aqueles que ainda incensam a ditadura e reforçam o apartheid social. Ecoa indignado frente à avalanche de corrupção que ameaça nossa frágil democracia. Ecoa do peito daqueles que exigem o direito dos pobres acima da ganância dos credores. Ecoa do clamor por ética na política, transparência nos poderes da República e severa punição aos que traíram os anseios do povo, inoculando-nos o medo de ter esperanças.

Frei Betto é escritor, autor de “Tom vermelho do verde” (Rocco), entre outros livros.

terça-feira, 16 de agosto de 2022

HISTÓRIA DO FERIADO 15 DE AGOSTO NO PARÁ * Assessoria de Comunicação da UFPA

HISTÓRIA DO FERIADO 15 DE AGOSTO NO PARÁ
O dia 15 de agosto é feriado, mas você sabe por quê? A data é dedicada à Adesão do Pará à Independência do Brasil, ocorrida em 1823, um ano depois da Independência do Brasil. A professora da Faculdade de História da Universidade Federal do Pará (UFPA), Magda Ricci, explica que a adesão do Pará é o momento histórico no qual se desenvolve uma identidade brasileira entre o povo paraense, que, até então, tinha muito mais vínculos com os portugueses do que com o resto do Brasil.

“É um momento especial de formação de uma identidade local. O que nasceu mais rápido foi um sentimento de pertencimento ao Pará. A adesão do Pará e a dos paraenses à causa brasileira em 15 de agosto de 1823 foi o primeiro passo para a formação de uma identidade patriótica maior, porém esse processo identitário foi longo e cheio de reveses”, explica a historiadora.

O processo de adesão - O Grão-Pará foi a última Província a aderir à Independência, entretanto foi o primeiro a apoiar os portugueses na Revolução liberal de 1820. A pesquisadora da UFPA explica que isso aconteceu por causa da forte ligação da Província com comerciantes de Portugal. “Belém, por exemplo, tinha o mesmo status que a cidade lusitana do Porto e o bispado daqui esteve, até 1826, institucionalmente atrelado ao Patriarcado de Lisboa, o que fortalecia os laços entre paraenses e portugueses. Também a distância e a navegação (à época feita por velas e dependente dos ventos) era bem mais segura e rápida para Lisboa do que para o Rio de Janeiro, o que facilitava o comércio e as relações sociais e políticas com Portugal.”

Entretanto, após a Independência do Brasil, em 7 de setembro de 1822, a relação da Província com as Cortes de Lisboa ficou estremecida. “As Cortes de Lisboa foram se radicalizando e se tornando menos propícias a ouvirem deputados de fora de Portugal, mesmo assim, os três deputados do Pará e do Rio Negro estavam entre os poucos brasileiros que ficaram até o final das Cortes e assinaram a constituição portuguesa”, detalha a professora.

Outro fato que colaborou para a assinatura do termo de adesão do Estado à Independência foi o blefe realizado por uma frota de militares enviada por D Pedro I com o intuito de unir o país e incentivar a adesão à causa da independência. Os militares afirmavam que eram o primeiro de uma frota de navios que invadiria o Estado, caso os paraenses não aceitassem pacificamente se tornar brasileiros. Entretanto tudo não passava de um golpe e, quando as elites locais perceberam, já era tarde demais e já estavam politicamente obrigadas a assinar o documento de adesão.

“Contudo esta tomada não mudou muita coisa na vida dos paraenses, especialmente na vida dos mais pobres e dos escravos, dos povos indígenas e dos mestiços. Deixamos de pertencer ao império português com sede em Lisboa e passamos a pertencer ao império brasileiro, com sua Corte no Rio de Janeiro. Havia uma expectativa de mudanças, especialmente entre os paraenses natos. Contudo nada disso ocorreu e rapidamente eclodiram revoltas. A do brigue palhaço foi a mais conhecida e trágica”, aponta a historiadora.

Revoltas após a adesão - O processo de adesão no Pará foi complexo e delicado, já que bastava assinar um documento e jurar fidelidade ao novo monarca Pedro I para ser considerado brasileiro e manter seus títulos e poderes no novo Estado imperial carioca. Essa situação revoltou parte da população paraense, especialmente os funcionários públicos e militares.

“Três meses após a adesão, uma revolta das tropas paraenses em Belém foi duramente reprimida”. Exatos 256 paraenses que lutavam por direitos iguais aos dos portugueses que aqui viviam foram confinados no porão do navio São José Diligente e morreram asfixiados, sufocados ou até mesmo fuzilados. Esse episódio marcou um momento de consciência política e de identidade local. Nasceu ali um forte sentimento de identidade paraense que irá explodir mais tarde, em outros movimentos, como na revolucionária Cabanagem, que eclodiu em Belém em janeiro de 1835.

“A dúvida maior era a de se descobrir como se tornar ‘brasileiro’”, explica Magda Ricci. Para alguns paraenses, ser brasileiro era aderir ao movimento liderado por Pedro I a partir da Corte carioca; para outros, era ter nascido no Estado Imperial. “Assim, depois da adesão de 1823, houve ainda um tempo de incertezas e dúvidas. Se a elite local estava dividida, a população mais pobre e os escravos de origem africana perceberam rapidamente que a independência não mudou suas vidas e, diante da fragilidade da elite, poderiam também fazer uma revolução mais ampla. Tudo isso culminou em muitos levantes e mortes, que chegaram ao seu ponto culminante com a eclosão cabana de 1835-1840.”

Construção de uma identidade brasileira - De acordo com a pesquisadora, este processo de construir uma identidade brasileira no Norte do Brasil ainda não se encerrou e permanece “até os nossos dias, quando, mais do que nunca, ainda se faz necessário lutar para se demarcar uma identidade nacional mais ampla. Aquela formadora de uma cidadania plena não só de direitos legais e constitucionais (que ainda assim são insuficientes), mas também, sobretudo, uma cidadania agregadora de práticas sociais e políticas mais igualitárias e justas”, considera.
Texto: Assessoria de Comunicação da UFPA
Arte: Reprodução / Google

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

INDEPENDÊNCIA DE QUÊ? * Gepifhri / PE

INDEPENDÊNCIA DE QUÊ?


A Setorial de Extensão e Cultura do Centro de Educação da UFPE, em parceria com o PPGE e o Portal do Bicentenário e com o apoio do ERER, do Gepifhri e do Laberer, tem a honra de convidar a todas, todes e todos para o Seminário “Independência de que?”. O evento tem por objetivo escutar outras narrativas sobre o processo de independência no Brasil e promover debates sobre os caminhos de nossas independências. Contamos com a participação de /todas/todes/todos vocês nesta disputa de narrativas sobre o bicentenário da independência do Brasil. Transmissão ao vivo pelo 
*canal do YouTube do Gepifhri*:
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