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quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Margem Equatorial - Petrobrás: A soberania vendida em lotes * Reynaldo José Aragon Gonçalves/AEPET

Margem Equatorial - Petrobrás: A soberania vendida em lotes

Defender o meio ambiente é imperativo. Mas enquanto a estatal brasileira se tornava vilã ambiental, o país entregou à Chevron, ExxonMobil e Shell direitos de exploração da Margem Equatorial. Sinal de que além de ecológica, a questão é geopolítica

A Petrobras passou mais de uma década bloqueada por exigências técnicas, pareceres contraditórios e campanhas ambientais seletivas. Enquanto isso, empresas estrangeiras como Chevron e ExxonMobil conseguiram acesso à Margem Equatorial sem resistência. Este caso não é sobre preservação ambiental. É sobre quem realmente decide o futuro do Brasil. E, neste episódio, quem decidiu não foi o Brasil.

No dia 17 de junho de 2025, o Brasil entregou à Chevron, ExxonMobil, Shell e outras multinacionais o controle sobre uma das regiões mais estratégicas de sua matriz energética: a Margem Equatorial.

O leilão promovido pela ANP ofertou 192 blocos exploratórios, sendo 63 nessa região, arrecadando R\$ 1,2 bilhão. O que a mídia tratou como sucesso financeiro foi, na verdade, a culminância de uma longa operação de deslegitimação simbólica da Petrobras e de esvaziamento da capacidade do Brasil de decidir soberanamente sobre seus recursos energéticos.

Durante mais de 13 anos, a Petrobras tentou, sem sucesso, obter licença ambiental para perfurar um poço exploratório na região. Apesar de ter cumprido exigências técnicas e apresentado estudos robustos, a estatal foi sistematicamente bloqueada por pareceres ambíguos, entraves regulatórios e uma campanha pública que a transformou em vilã ambiental.

O Ibama, por exemplo, indeferiu o pedido da Petrobras com base na ausência de uma Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS) que, tecnicamente, não era obrigatória.

Em paralelo, ONGs ambientalistas, muitas delas financiadas por fundações internacionais, atuaram com intensidade contra o projeto da Petrobras, ampliando o discurso do “risco à Amazônia” em editorias, redes sociais e pareceres públicos.

Mesmo com evidências técnicas indicando que os blocos estavam a centenas de quilômetros da foz do Amazonas e que o impacto sobre os biomas seria controlado, a narrativa dominante foi a da destruição iminente.

O curioso é que o discurso ambiental evaporou quando empresas estrangeiras demonstraram interesse. Durante o processo que antecedeu o leilão da ANP, não houve protestos relevantes, notas de repúdio ou mobilização digital contra a participação da Chevron, da ExxonMobil ou da Shell.

A mesma Margem Equatorial que era intocável para o Estado brasileiro tornou-se, subitamente, uma nova fronteira de oportunidade para o capital estrangeiro. Sinal de que o problema nunca foi apenas ambiental — era geopolítico.

Após o leilão, com os contratos assinados, algumas ONGs voltaram a se manifestar contrariamente à exploração. Mas o estrago já estava feito. A omissão estratégica durante o período crítico permitiu que o leilão ocorresse com fluidez e sem pressão social. Essas idas e vindas não revelam incoerência, mas método: o objetivo foi bloquear a Petrobras, não necessariamente o projeto de exploração.

O caso escancara uma das formas mais sofisticadas de guerra do século XXI: a guerra informacional. Trata-se da ocupação do campo das ideias, da percepção e das narrativas que moldam o senso comum. A opinião pública brasileira foi lentamente induzida a rejeitar qualquer iniciativa de soberania energética que envolvesse o Estado.

A Petrobras passou a ser tratada como uma empresa obsoleta, burocrática, ineficiente e poluidora. Esse processo não foi espontâneo: foi articulado por um ecossistema formado por editorias econômicas, ONGs transnacionais, influenciadores digitais, consultorias regulatórias e plataformas tecnológicas.

A erosão simbólica da Petrobras foi essencial para que o leilão não gerasse repúdio. Quando a população já não reconhece sua estatal como ferramenta de soberania, não há resistência organizada à sua exclusão. O Estado foi convencido a agir como despachante do capital externo, e a sociedade, treinada a acreditar que qualquer alternativa nacional é automaticamente ineficaz.

Essa é a dimensão mais perigosa da guerra híbrida: o inimigo não precisa mais invadir; basta convencer. E o convencimento se faz com mídia, métricas, pareceres, hashtags e relatórios. O que se perde não é apenas a capacidade de explorar um bloco de petróleo. O que se perde é a capacidade de existir como sujeito político autônomo.

Defender o meio ambiente é imperativo. Mas permitir que essa causa seja instrumentalizada por interesses que não respondem à população brasileira é um erro grave. A Margem Equatorial é apenas um exemplo. A verdadeira disputa é pela soberania informacional. E nenhum país soberano entrega sua narrativa e seu petróleo ao mesmo tempo. A menos que já tenha perdido os dois.

quinta-feira, 3 de julho de 2025

ABAIXO O LOTEAMENTO DA MARGEM EQUATORIAL * Emanuel Cancella/RJ

ABAIXO O LOTEAMENTO DA MARGEM EQUATORIAL
Emanuel Cancella 

Marina Silva em parceria com George Soros entregou a Chevron, Exxomobil, Shell e outras a Margem Eguatorial!

 Soberania ameaçada: multinacionais avançam sobre a Margem Equatorial (16).
Veja no Brasil 247 o que postou Outras Mídias em 18/06/2025 (1): 

"Petrobrás: A soberania vendida em lotes

Defender o meio ambiente é imperativo. Mas enquanto a estatal brasileira se tornava vilã ambiental, o país entregou à Chevron, ExxonMobil e Shell direitos de exploração da Margem Equatorial. Sinal de que além de ecológica, a questão é geopolítica.

A Petrobras passou mais de uma década bloqueada por exigências técnicas, pareceres contraditórios e campanhas ambientais seletivas. Enquanto isso, empresas estrangeiras como Chevron e ExxonMobil conseguiram acesso à Margem Equatorial sem resistência. 

Este caso não é sobre preservação ambiental. É sobre quem realmente decide o futuro do Brasil. E, neste episódio, quem decidiu não foi o Brasil.

No dia 17 de junho de 2025, o Brasil entregou à Chevron, ExxonMobil, Shell e outras multinacionais o controle sobre uma das regiões mais estratégicas de sua matriz energética: 

a Margem Equatorial. O leilão promovido pela ANP ofertou 192 blocos exploratórios, sendo 63 nessa região, arrecadando R\$ 1,2 bilhão. 

O que a mídia tratou como sucesso financeiro foi, na verdade, a culminância de uma longa operação de deslegitimação simbólica da Petrobras e de esvaziamento da capacidade do Brasil de decidir soberanamente sobre seus recursos energéticos.

Durante mais de 13 anos, a Petrobras tentou, sem sucesso, obter licença ambiental para perfurar um poço exploratório na região. Apesar de ter cumprido exigências técnicas e apresentado estudos robustos, a estatal foi sistematicamente bloqueada por pareceres ambíguos, entraves regulatórios e uma campanha pública que a transformou em vilã ambiental. 

O Ibama, por exemplo, indeferiu o pedido da Petrobras com base na ausência de uma Avaliação Ambiental de Área Sedimentar (AAAS) que, tecnicamente, não era obrigatória.

Em paralelo, ONGs ambientalistas, muitas delas financiadas por fundações internacionais, atuaram com intensidade contra o projeto da Petrobras, ampliando o discurso do “risco à Amazônia” em editorias, redes sociais e pareceres públicos. 

Mesmo com evidências técnicas indicando que os blocos estavam a centenas de quilômetros da foz do Amazonas e que o impacto sobre os biomas seria controlado, a narrativa dominante foi a da destruição iminente.

O curioso é que o discurso ambiental evaporou quando empresas estrangeiras demonstraram interesse. Durante o processo que antecedeu o leilão da ANP, não houve protestos relevantes, notas de repúdio ou mobilização digital contra a participação da Chevron, da ExxonMobil ou da Shell. 

A mesma Margem Equatorial que era intocável para o Estado brasileiro tornou-se, subitamente, uma nova fronteira de oportunidade para o capital estrangeiro. Sinal de que o problema nunca foi apenas ambiental — era geopolítico.

Após o leilão, com os contratos assinados, algumas ONGs voltaram a se manifestar contrariamente à exploração. Mas o estrago já estava feito. 

A omissão estratégica durante o período crítico permitiu que o leilão ocorresse com fluidez e sem pressão social. Essas idas e vindas não revelam incoerência, mas método: o objetivo foi bloquear a Petrobras, não necessariamente o projeto de exploração ".

Não podemos esquecer: Na Margem Equatorial são prováveis 30 BI de barris de petróleo, equivalentes a US$ 2 TRI variando de acordo com o dólar e o preço do barril de petróleo que agora com a guerra Israel X Iran disparou (8). Margem Equatorial é a maior descoberta petrolifera no mundo contemporaneo.

Para confirmar que o golpe do século: A ANP no dia 17/06/25 leiloou na Margem Equatorial, mais de US$ 2 TRI em petróleo e arrecadou menos de R$ 1 BI (9).

Marina Silva com a história de defender os peixinhos a fauna e flora fechou as portas a Petrobrás e abriu uma porteira para as petroleiras estrangeiras.

George Soros, o sabotador, é reincidente já que tambem quebrou o banco da inglaterra, agora junto com Marina Silva quebrou a Petrobrás (10)!

A sabotagem da Petrobrás pelo ongueiro George Soros (2).

Diario da Causa Operária - DCO: George Soros veta exploração de petróleo no Brasil. A serviço de George Soros e da Open Society, IBAMA, ligado a Marina Silva, rejeitou pedido da Petrobrás para explorar região (3).

Brasil 247: Greenpeace financia expedição para evitar exploração de petróleo pelo Brasil na Margem Equatorial. Empresas multinacionais como Exxon e Total já estão explorando petróleo na Guiana Francesa (4).

Pesquisa mostra que 2 a cada 3 brasileiros (62,4%) são favoráveis à Petrobras explorar petróleo na Foz do Amazonas (11). 

“Nós vamos explorar a Margem Equatorial”, diz Lula (14). 

Petrobrás cumpriu todas as exigências do Ibama, diz presidentes da Petrobrás (Jean Paul e Magda) para conseguir a licença ambiental (12,13)!

A Petrobrás e o Brasil agradece a Aepet (5), Clube de Engenharia (7) Universidade Federal Fluminense (6) que defenderam a Petrobrás na Margem Equatorial!

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

CÚPULA DA ÁGUA * OBSERVATÓRIO DA ÁGUA

OBSERVATÓRIO DA ÁGUA
Inscripción Cumbre del agua

21 de Septiembre, 9 am, Universidad Distrital Francisco José de Caldas, sede Macarena A. Organiza Observatorio del Agua de la Universidad Distrital francisco José de Caldas- Alianza por el Agua - Unión popular la Calera. mas información
Amigos do território onde brotam água e vida de acordo com a realidade climática que vivemos e o açambarcamento extrativista abusivo de água no país, apelamos às organizações ambientais, conselhos de ação comunitária, grupos de investigação, aquedutos comunitários, activistas e todas as pessoas que queiram fazer parte da primeira Cimeira para a Defesa da Água e do Território, encontramo-nos no próximo dia 21 de Setembro, pelas 9h00 na Universidade Distrital Francisco José de Caldas, Sede Macarena, 

você deve se cadastrar no QR do convite ou no seguinte Link

quarta-feira, 17 de julho de 2024

TEM LADRÃO NOS RECURSOS ESTRATÉGICOS BRASILEIROS * FLAVIA MARINHO/CLICKPETRÓLEOEGÁS

TEM LADRÃO NOS RECURSOS ESTRATÉGICOS BRASILEIROS
FLAVIA MARINHO/CLICKPETRÓLEOEGÁS

"Revelada no Brasil a maior jazida de diamante da América do Sul: com produção estimada em 340 mil quilates anual, o Nordeste brasileiro é um dos maiores exportadores de diamantes de alto teor do planeta.

Descoberta no Sertão da Bahia mudou a história do Brasil, colocando o país como um dos principais produtores e exportadores de diamantes no mundo!

Vamos falar sobre um assunto fascinante na mineração: a maior jazida de diamantes do Brasil e da América do Sul, encontrada em 19 de abril no pequeno Município de Nordestina. Localizada no Sertão da Bahia, em uma região árida e pouco conhecida, a mina Braúna é uma descoberta recente que possui um potencial altíssimo.

Neste artigo, vamos explorar todos os detalhes sobre essa mina, desde sua localização até a quantidade e o valor dos diamantes encontrados. Prepare-se para se surpreender com essa incrível história!

Maior jazida de diamante do Brasil

A Descoberta da Mina Braúna: a maior mina de diamantes do Brasil e da América Latina
Localizada a cerca de 10 km da pequena cidade de Nordestina, a mina Braúna está situada em uma região praticamente plana, nas proximidades do Rio Itapicuru. Poucas pessoas sabem da existência dessa super jazida, mas isso está prestes a mudar.

A cidade de Nordestina, com pouco mais de 12 mil habitantes, se tornará conhecida como o lar da maior jazida de diamantes do Brasil e da América Latina. A mina Braúna é explorada pela Lipari Mineração Limitada, uma empresa canadense que investiu mais de 100 milhões de dólares nesse projeto em busca de diamantes.

Fenômeno do Kimberlito: a rocha fonte primária de diamante

Você já se perguntou por que existem diamantes em determinados lugares? A resposta está nos tubos de kimberlito. A mina Braúna está localizada sobre um desses tubos, que são formações geológicas responsáveis pela concentração de diamantes. Mas o que é exatamente um kimberlito? O kimberlito é uma rocha de origem vulcânica que se forma nas profundezas da Terra, abaixo da camada de lava comum.

Nesse ambiente, há calor e pressão suficientes para transformar o carbono em diamantes. Em algum momento do passado remoto, essa lava vulcânica encontrou uma brecha nas rochas da crosta terrestre e conseguiu chegar à superfície. Essa erupção vulcânica causou a dispersão de diamantes em um raio de mais de 50 km. A jazida Braúna é um exemplo perfeito desse fenômeno.

Está localizada em uma região árida do Sertão da Bahia, onde ninguém esperaria encontrar diamantes. No entanto, os geólogos acertaram em cheio ao descobrir esse tubo de kimberlito, que abriga uma quantidade impressionante de diamantes.
Exploração da Mina Braúna: capacidade de produção anual de 340 mil quilates de diamante

Antes da mina Braúna, a exploração de diamantes no Brasil ocorria apenas em fontes secundárias, como rios e cascalhos. Essas fontes secundárias são formadas quando os diamantes se separam das rochas de kimberlito e são levados pela ação da água. No entanto, a mina Braúna é a primeira jazida da América Latina explorada em uma fonte primária de diamantes.

Isso significa que os diamantes estão diretamente ligados ao tubo de kimberlito, o que torna a exploração mais eficiente e produtiva em larga escala. A mina Braúna se destaca não apenas pelo tamanho, mas também pela qualidade dos diamantes encontrados. Durante a fase de pesquisa, entre 2014 e 2016, foram extraídos cerca de 2.500 diamantes de alta qualidade.

A projeção é que a mina consiga extrair aproximadamente 340 mil quilates de diamantes por ano, em um período de vida útil de pelo menos sete anos. Isso representa quase meia tonelada de diamantes durante todo o período de atividade da mina.

O Futuro da Mina Braúna

A Mina é uma operação de mineração a céu aberto que utiliza frota e equipamentos próprios para alimentar uma planta de processamento de 2.000 toneladas de minério kimberlítico por dia, 24 horas por dia, 7 dias por semana.

A mineradora Lipari planeja aprofundar ainda mais as pesquisas para verificar a viabilidade de extrair diamantes do fundo da mina, a cerca de 260 metros de profundidade. Caso seja possível, a mina Braúna passará de uma mina a céu aberto para uma mina subterrânea, ampliando seu potencial de produção.

Atualmente, a mina Braúna emprega mais de 300 funcionários, e as operações de extração e processamento de diamantes. Essa é uma operação de grande escala, com investimentos de mais de 100 milhões de dólares e projeção de lucros de aproximadamente 750 milhões de dólares ao final do processo.

Descoberta da mina Braúna no Sertão da Bahia representa um marco para o Brasil

A descoberta da mina Braúna no Sertão da Bahia representa um marco para o Brasil. Essa mina, que se tornou a maior do país e da América Latina, e reafirma o Brasil como um destaque mundial na produção de diamantes. Além disso, essa descoberta abre novas possibilidades de exploração de diamantes em outras regiões do país.

Enquanto aguardamos o avanço da ciência e da tecnologia brasileira para a descoberta de mais tubos de kimberlito, podemos continuar admirando e valorizando essa riqueza natural.
Você sabia? a maior jazida de nióbio do planeta é no Brasil: com 90% da produção global e capacidade anual de 150 mil toneladas, o nióbio brasileiro é a matéria-prima crucial para salvar e revolucionar a indústria no mundo

Você provavelmente já ouviu falar dos filmes de Indiana Jones, nos quais ele sai em busca de tesouros escondidos nos cantos mais remotos do planeta. Mas a história que você lerá hoje é igualmente fascinante, porém, real. Trata-se da descoberta da maior província de nióbio do mundo, que mudou a história da mineração no Brasil!

O Serviço Geológico dos EUA classifica o nióbio como o segundo mineral “crítico”, estimando que 90% da produção global vem do Brasil. “Nosso país pode se destacar como um fornecedor essencial de materiais para a transição energética”, afirma Ricardo Lima, presidente da CBMM. “A principal vantagem que oferecemos é o carregamento rápido”, explica. “Na indústria de baterias, temos uma grande oportunidade de sucesso.” Clica aqui e confira na íntegra.

Adoraria saber se você já conhecia a mina da Braúna. Conte para nós na seção de comentários o que você achou. Não se esqueça de deixar 5 estrelas e ativar as notificações do CPG para acompanhar todas as novidades do mundo da mineração. Até a próxima! "

FONTE


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quinta-feira, 27 de julho de 2023

A verdadeira transição energética justa * Felipe Coutinho/AEPET

A verdadeira transição energética justa

Para que a transição energética seja justa é necessário reduzir as desigualdades da renda, da riqueza, do consumo de energia e das emissões per capita, tanto entre os países quanto dentro de cada país.

Os termos sustentabilidade e transição energética são tão repetidos quanto indefinidos, e usados como peças de propaganda, manipulação e agitação. Recentemente, o atual presidente da Petrobrás, Jean Paul Prates, trouxe um adjetivo com sua “transição energética justa”. [1]
política de privacidade.

Matriz energética brasileira e mundial

O termo “transição energética” traz a ideia que deixaremos de usar certas fontes para usar outras, geralmente se pressupõe que as piores fontes ficam para trás e as melhores chegam para as substituir, também é comum se assumir que será rápida esta mudança.

A realidade é bem distinta. As transições energéticas são historicamente lentas; as fontes anteriores não são simplesmente substituídas por novas, mas se somam a elas. Se no passado energias piores foram somadas a energias melhores, como a biomassa (lenha) ao se somar com o carvão mineral e o petróleo, por exemplo, nas futuras transições não existe essa garantia. As melhores energias, mais baratas de serem produzidas, mais concentradas em energia, mais flexíveis e confiáveis, podem ser gradativamente extintas e se somarem a energias de pior qualidade.

CONTINUA
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domingo, 13 de novembro de 2022

MANIFESTO PELA REESTATIZAÇÃO DA ELETROBRAS * (FRT)

MANIFESTO PELA REESTATIZAÇÃO DA ELETROBRAS

A Eletrobras orgulhou o povo brasileiro ao longo dos seus 60 anos de história como empresa pública, tendo contribuído decisivamente para o desenvolvimento nacional, levando luz e dignidade às pessoas a partir de programas como o Luz para Todos que proporcionou acesso à energia elétrica para mais de 15 milhões de brasileiros.
A Eletrobras é a maior empresa do setor elétrico da América Latina com 125 usinas de geração de energia elétrica (51.125 MW) sendo 95% de base hidráulica. Além disso, detém 71 mil quilômetros de linhas de transmissão, com um patrimônio avaliado em quase R$ 400 bilhões tendo sido entregue ao setor financeiro nacional e internacional por um preço 15 vezes inferior, um verdadeiro crime contra o patrimônio público.
Mas o prejuízo da entrega da Eletrobras não está limitado ao roubo do patrimônio do povo. Para maximizar os ganhos dos novos donos da empresa, a lei da privatização prevê um mecanismo chamado descotização, que nada mais é do que obrigar o consumidor que já pagou pela construção das hidrelétricas ao longo de décadas, através da tarifa, a pagar novamente pelas mesmas usinas.
Dessa forma, os consumidores que hoje pagam em média R$ 65 pelo MWh dessas usinas, terão que pagar o valor de mercado, que no ano passado foi de R$ 332 por MWh. Por ano o impacto dessa descotização será de quase R$ 20 bilhões, que vão sair do bolso do consumidor para as contas bancárias dos novos donos da Eletrobras. Só essa descotização terá um impacto de 17% na conta de luz do consumidor e o que é pior, sem nenhuma contrapartida.
Mas não para por aí. Para conseguir apoio do congresso para aprovar a venda da Eletrobras, Bolsonaro aceitou a inclusão de diversas emendas, popularmente conhecidas por “jabutis”, em atendimento a interesses particulares de lobistas e parlamentares. Só a contratação de 8.000 MW de termelétricas a gás, em regiões onde não há gasodutos, vai custar mais R$ 50 bilhões aos consumidores brasileiros, além de sujar nossa matriz energética, contribuindo para o agravamento da crise climática global.
Pesquisa realizada pelo IPEC para o ICS (Instituto Clima e Sociedade) mostrou que 22% dos brasileiros já têm que escolher entre pagar a conta de luz e comprar comida. Com a privatização da Eletrobras essa situação vai piorar muito. A Eletrobras, vendendo a energia mais barata do país, contribuía para evitar que a situação que já é dramática ficasse insustentável. Agora privatizada, aumentando o preço da sua energia, será apenas mais uma empresa privada para espremer o orçamento das famílias brasileiras
A conquista civilizatória de retirar milhões de brasileiros e brasileiras da escuridão, proporcionando todos os benefícios da eletricidade, com a privatização da Eletrobras está ameaçada. Se antes as famílias festejavam o acesso à rede elétrica, hoje já sofrem todos os meses quando têm que pagar a conta e acabam tendo que renunciar ao conforto que a eletricidade pode proporcionar. Agora não haverá mais Eletrobras para contrabalançar essa situação, será apenas a lógica do lucro e o Estado fica sem nenhum instrumento efetivo para controlar o preço da energia elétrica.
Energia elétrica não é um produto qualquer, não é algo que se possa substituir, que se possa viver sem, que se possa escolher outro fornecedor. Por mais exorbitantes que sejam os preços, os consumidores só terão duas escolhas. Pagar ou ficar no escuro. Mas não é só na conta que o cidadão vai sentir as consequências da privatização. Praticamente todas as cadeias produtivas e setores têm na eletricidade um insumo básico, assim, desde o preço do arroz até o dos automóveis vai aumentar por conta da política antinacional e antipovo de Bolsonaro.
É preciso cancelar a privatização da Eletrobras, pois só quem ganha com esse crime é o setor financeiro que se apoderou da empresa e o governo, que pretende queimar o dinheiro arrecadado com programas eleitoreiros que não durarão até o fim do ano. Já para a imensa maioria do povo o saldo é uma conta de luz que em breve se tornará impagável.
Em diversos países como Reino Unido, EUA, Alemanha e França serviços públicos, principalmente de água e energia, foram reestatizados nos últimos anos. Nenhum desses países pode ser classificado de socialista, mas em nenhum deles a reestatização é considerada tema tabu.
Reestatizar a Eletrobras é possível, necessário e urgente. Para isso, é fundamental no governo um projeto democrático que esteja alinhado com uma política de desenvolvimento nacional e do interesse dos brasileiros e brasileiras.

Salvemos nossa energia, pelo futuro do Brasil.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

As quinta e sexta colunas brasileiras * Quantum Bird

As quinta e sexta colunas brasileiras
Quantum Bird [*] 

Recentemente, em seu amplamente elogiado artigo "Revisiting Russia’s 5th and, especially, 6th columns" (disponível em inglês e português ), Andrei Raevsky, do Blog do Saker, retomou o seu conceito – bastante original – de sexta coluna, focando-se no panorama político e conjuntura geopolítica russa.

Neste pequeno artigo, pretendo aplicar os conceitos expostos por Raevsky ao Brasil e, tanto quanto possível, identificar, pelo menos indiretamente, os principais membros e facções que compõem a sexta coluna brasileira.

Antes de analisarmos a sexta coluna propriamente dita, convém relembrar que os tipos que compõem a quinta coluna no Brasil são basicamente os membros da elite e classe média compradoras locais. Essas pessoas – políticos, militares, empresários, acadêmicos, artistas ou intelectuais – são notórias por seu anti-nacionalismo explícito, vulgar e, despudoradamente, servil. Desprovidos de qualquer traço de brio nacional ou civilizatório, passaram a ser referidos como vira-latas na cultura popular.

Os quinta colunistas brasileiros gostam de se apresentar como neoliberais ou neoconservadores, mas na verdade são desprovidos de verdadeira ideologia. São apenas um resquício do passado colonial e escravista brasileiro; sempre dispostos a servir à metrópole estrangeira dominante no momento, contra os interesses nacionais. Mais especificamente, falamos de adeptos do consenso de Washington – com muitos portadores de diploma de economia egressos das Universidades de Chicago, Harvard e outras da Europa e dos EUA . São defensores explícitos, ou implícitos, da Doutrina Monroe e violadores seriais de direitos humanos.

Historicamente, essa gente se aglutina politicamente em torno dos partidos de direita locais e de uma certa rede local de televisão. E esse é um aspecto importante, pois em toda América Latina, e o Brasil não é uma exceção, as pautas principais de esquerda são a justiça social, o anti-imperialismo e o nacionalismo, no sentido de conquista e manutenção da soberania plena.

O que é a sexta coluna ?

O último parágrafo da seção anterior já contém a resposta. Concisamente, os integrantes da sexta coluna, parecem atuar como anti-imperialistas, nacionalistas e defensores dos direitos humanos etc, mas suas ações consistentemente promovem os mesmos interesses perseguidos pelos quinta colunistas. Esta aparente contradição entre fins, meios e, principalmente, consequências, fornece aos integrantes da sexta coluna a cobertura necessária para realizar operações psicológicas complexas e infectar setores importantes da sociedade, sempre promovendo a agenda imperial.

O wokeismo tropical ou "o ultimato Borg"

O movimento woke tem sido discutido na mídia corporativa e alternativa, e existem bons artigos sobre isso, de forma que não pretendo me aprofundar muito na definição do wokeismo em si. Em vez disso, escolhi esse trecho do Manual do Mentícidio: Wokeness, que no meu entender basta para compreender o conceito:

Wokeness é a euforia sobre gênero e raça.
A euforia em psicologia é o estado mental de felicidade agravada. ... Os wokes estão extremamente eufóricos com a descoberta de todas as raças e gêneros. Para eles, ser woke é a coisa mais importante do mundo.
É causada pela liberação excessiva de neurotransmissores dopamina e serotonina em seus cérebros, levando a uma sensação de extrema felicidade. As pessoas wokes estimulam seu sistema de prazer entregando-se ao sexismo e ao racismo incessantes.

Então é isso. O wokeismo é uma doutrina identitarista radical, instrumentalizada com uma série de mecanismos bastante intrusivos, divisivos e perturbadores que tenta ditar como as pessoas devem agir e pensar. O objetivo final dos identitaristas wokes é substituir a diversidade real por uma versão falsa e simplificada, restrita à questões raciais superficiais e definições de gêneros artificiais.

Os identitaristas wokes fazem parte da sexta coluna porque num primeiro momento seu identitarismo pode soar honesto, e de fato dialogar causas legítimas como as reivindicações por justiça racial, direitos das mulheres, povos indígenas etc.

Entretanto, fica logo evidente que o identitarismo woke não é sobre as condições sociais objetivas, mas sobre a difusão do próprio identitarismo, que promove na população hospedeira, agitação social, fragmentação e anomia. A decorrente fragilização das estruturas sociais e a perda de foco no debate político, impossível de ser seguido por indivíduos agora confusos sobre sua própria raça e seu gênero, cria um ambiente propício para a infiltração das estruturas e agendas imperiais.

O caráter violento da agenda identitarista woke se manifesta explicitamente através do fenômeno popularmente conhecido como cancelamento, aplicado pela coletividade identitarista woke contra aqueles que resistem à sua doutrinação.

O comportamento dos identitaristas wokes com aqueles que não aderem às suas causas se assemelha muito com o comportamento dos Borgs, proferindo seu famoso ultimato,

"A resistência é inútil. Você será assimilado".

De fato, o website Memory Alpha, mantido pelos fans de Jornada nas Estrelas, documenta:

Os Borg são uma pseudo-espécie de organismos cibernéticos mostrados no universo ficcional da franquia Star Trek.
[...] os Borg usam melhoramentos cibernéticos reforçados como um meio de atingir aquilo que eles acreditam ser a perfeição.
[...]
Os Borg se tornaram um símbolo na cultura popular para qualquer rolo compressor contra o qual "a resistência é inútil".
[...] A procura da perfeição é a única motivação dos Borg, uma perfeição mecânica e sem emoção. Isso é alcançado através da assimilação forçada, um processo que transforma indivíduos e tecnologia em Borg, melhorando-os — simultaneamente controlando — por meio de implantes sintéticos.

E assim são os identitaristas wokes.

Os tucanos vermelhos

Os tucanos são uma família de aves que vivem nas florestas tropicais da América Central e América do Sul. Como todos sabem, um tucano com penas nas cores da bandeira brasileira é também o mascote do PSDB, partido social-democrata brasileiro, notório pela sua política de extrema direita e neo-liberalismo econômico radical e privatista, que arruinou o Brasil na década de 90, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso – outra similaridade com a Rússia, que sofreu do mesmo mal no mesmo período. Tudo isto faz dos tucanos verde-amarelos membros orgânicos da quinta coluna. Até aqui, nenhuma novidade.

Acontece que no panorama político brasileiro, os tucanos verde-amarelos não são os únicos membros da família Ramphastida. Existem os exóticos tucanos vermelhos. Refiro-me aos quadros políticos que na prática compartilham da mesma ideologia, mas infestam os partidos de esquerda. O número exato desses elementos é difícil de estimar, pois na maior parte do tempo esses personagens interpretam bem o papel de esquerdistas, evitando expor sua verdadeira filiação ideológica simplesmente não abordando temas como soberania, anti-imperialismo, combate e erradicação efetiva da pobreza, estatização dos setores estratégicos da economia etc.

Entretanto, a plumagem vermelha desses tucanos cai, inexoravelmente eles exercem o poder e tomam decisões. Claro, geralmente é tarde demais, pois já foram eleitos e, de fato, é daí que vem boa parte do dano que eles causam. Quando não estão traindo o povo legislando ou implementando leis e atos que amplificam a penetração do imperialismo no país, os tucanos vermelhos gastam seu tempo sabotando as organizações populares. Isso é feito promovendo pautas divisivas, alienantes e desmobilizadoras. Muitos tucanos vermelhos da atualidade são também identitaristas wokes. Outros, mais sutis, mas não menos perigosos, posam como intelectuais e produzem conteúdo deturpador da história e da cultura nacional e internacional, promovendo mitos claramente contra-producentes para a agenda da consolidação da soberania. Os tucanos vermelhos são mestres em implodir, alienar e cooptar organizações populares.

Três exemplos, antes de passarmos à próxima categoria:

1. O ex-candidato a presidente pelo Partido dos Trabalhores (PT), que como ministro da educação no governo Lula promoveu um aumento significativo do financiamento, e consequente endividamento, dos estudantes brasileiros ao priorizar a ampliação do setor privado do ensino superior no país, tudo enquanto pousava como um construtor de universidades públicas. Atualmente, o mesmo personagem dedica-se a torpedear todo e qualquer avanço da luta anti-imperialista na América Latina, atacando da Venezuela até a Nicarágua. Recentemente sentiu que deveria também atacar a Rússia, por promover o multipolarismo e respeitar o Brasil, re-estabelecendo os contatos normais e protocolares com o governo atual.

2. Os líderes do MST, Movimento dos Sem Terra, que cuspiram na história da organização e a envolveram com o turbo-capitalismo financista predatório global. O MST hoje tem títulos na bolsa de valores e participa de organizações sediadas em Washington DC, em parceria com entidades com tubarões do capitalismo global.

3. A rede de influenciadores digitais e youtubers wokes, que se vendem como esquerdistas, mas não passam de impostores intelectuais que aceitam de bom grado, quando não concorrem por, doações das fundações dos imperialistas do capitalismo central, para comprar pacotes de likes e visualizações, a fim de promover suas atividades perturbadoras da coesão social.

O terceiro setor

No Brasil, o complexo obscuro e emaranhado das Organizações Não-Governamentais (ONGs) é, por motivos igualmente crípticos, chamado de terceiro setor.

Críptico porque as ONGs estão repletas de funcionários e ex-funcionários públicos e tipicamente interagem com as organizações governamentais via um esquema clássico de porta giratória, seguido geralmente de escadas rolantes ascendentes.

As ONGs fornecem o ambiente perfeito para a distribuição das pautas e financiamentos das entidades do imperialismo, sob o disfarce de prestação de serviços úteis ao público, por isso as classifico como integrantes da sexta coluna. Como se costuma dizer

"Quem paga a banda, escolhe a música".

O dinheiro é injetado no topo do sistema, via editais temáticos e doações pelos suspeitos usuais, e em seguida é redistribuído de forma capilarizada, de modo que é muito fácil de ser seguido. De fato, não é incomum encontrar pessoas que contribuem doando dinheiro e trabalho para ONGs sem nunca perceberem que estão colaborando com a promoção de guerras híbridas, por exemplo. A ausência de uma legislação específica para rotular essas entidades como agentes estrangeiros e regular mais atentamente suas atividades, transformou o Brasil no paraíso das ONGs.

Conclusões

O conceito de quinta, e principalmente, sexta colunas são muito úteis para entender o cenário político brasileiro, ininterruptamente agitado por operações psicológicas e uma confusão ideológica enorme. Existem milhares de outros exemplos e cobri-los exigiria um livro, provavelmente volumoso. Felizmente não é necessário cobrir todos os casos para identificar os sexta colunistas. De fato, basta aplicar o critério já indicado por Andrei Raevsky: "cui bono?" Ou seja, quem ganha ou sai fortalecido com as operações dos agentes suspeitos, mas aparentemente bem intencionados ? A resposta indicará o caminho.

20/Fevereiro/2022

CONFIRA
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