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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

SÓ O POVO PODERÁ DEFENDER O BRASIL * LIGA COMUNISTA BRASILEIRA-LCB

SÓ O POVO PODERÁ DEFENDER O BRASIL
José Múcio, ministro da Defesa, protagonizou uma das maiores infâmias políticas dos últimos tempos. Perguntado sobre qual seria a reação do Brasil em caso de invasão dos Estados Unidos declarou que a única saída seria “abrir o portão”. Ou seja, deixar o imperialismo tomar conta do país sem oferecer qualquer resistência. A frase é um exemplo do entreguismo de setores das classes dominantes brasileiras e de expoentes de um ramo do aparelho de Estado, as forças armadas, cuja tarefa básica seria defender as fronteiras nacionais e garantir a integridade territorial da nação.

No mesmo dia da declaração feita por Múcio, os presidentes dos clubes militares lançam uma nota de teor golpista. Depois de anunciarem riscos à Nação, por não ter se dobrado aos ditames imperialistas de Trump, declaram ser “pouco provável que soluções consistentes surjam de um ambiente político marcado por sucessivas crises”.

Essas declarações foram precedidas por outra, feita pelo comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen. No final de julho, em entrevista à CNN Brasil, ele declarou, mesmo diante da escalada do conflito de Trump contra o Brasil, não acreditar em um ataque militar dos Estados Unidos, pois existiria um alinhamento doutrinário entre as forças navais de ambos os países.

Essas falas, feitas num intervalo de poucas semanais, revelam mais uma vez a atuação das forças armadas como um aparelho de Estado com agenda e interesses próprios. Elas não se subordinam aos interesses do povo e do país, mas ao funcionamento de uma burocracia estatal com interesses próprios, contrários aos interesses da coletividade nacional. Reclamam constantemente da falta de verbas, mas dos R$ 118,66 bilhões executados do orçamento em 2025, R$ 103,43 bilhões, ou 87,17% do total, foram gastos com soldos do pessoal ativo, mais pensões e pagamento dos inativos.

O problema central não se resume à necessidade de modernizar as forças, mas em uma doutrina de segurança nacional alinhada de modo subordinado aos interesses dos Estados Unidos. Como forças armadas de um país capitalista dependente elas historicamente tem atuado como primeira linha de defesa dos interesses imperialistas dentro do próprio país. Sua doutrina de segurança se preocupa muito mais com a “ameaça interna”, leia-se, os movimentos e organizações populares que lutam por transformações mesmo mínimas nas estruturas da sociedade brasileira.

Por isso, a fala de Múcio pode ser entendida, no contexto de aumento da escalada de ataques de Trump contra o Brasil, como um “convite”. Podem nos invadir à vontade que não ofereceremos resistência.

Com a soberania nacional ameaçada pela agressividade do imperialismo, vai ficando cada vez mais evidente quem pode e quer defender o Brasil de quem quer vendê-lo ao imperialismo.

Que Múcio, os presidentes dos clubes militares, o almirante e toda uma patota de lambe botas do imperialismo falem por si. O povo é diferente da classe dominante que o explora e oprime. Se alguns preferem a covardia de se esconderem em acordos e associações com o imperialismo, com certeza haverá gente do próprio povo disposta a lutar junto a setores militares nacionalistas.

A conjuntura está evoluindo cada vez mais para separar os vendilhões do Brasil dos verdadeiros filhos do povo dispostos a defender nossa soberania.

LIGA COMUNISTA BRASILEIRA-LCB

sábado, 27 de setembro de 2025

25 ANOS DA 2ª INTIFADA * Brasil de Fato

25 ANOS DA 2ª INTIFADA

Segunda Intifada Palestina, iniciada em 2000, completa 25 anos em um cenário de recrudescimento da violência contra o povo palestino. Ao BdF Entrevista, da Rádio Brasil de Fato, Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal), avaliou que o atual genocídio em Gaza escancara ao mundo a verdadeira face de Israel.

“Nesse momento, nós temos a humanidade enxergando a cara feia do sionismo, a cara feia de Israel, que nunca tinha aparecido. Essa cara não é nova, só que as pessoas estão vendo essa cara agora, porque este é um genocídio televisionado”, disse.

Rabah destacou que a Segunda Intifada nasceu de uma grande frustração com os Acordos de Oslo, firmados em 1993. Para ele, a morte de Yitzhak Rabin, então premiê israelense, e a ascensão de figuras como Ariel Sharon, ex-primeiro-ministro de Israel, e Benjamin Netanyahu, atual premiê israelense, sabotaram qualquer possibilidade de paz.

“Ariel Sharon se opunha a qualquer solução negociada. Ele chega ao poder [em 2001] e, imediatamente, começa a invadir cidades palestinas da Área A e, logo em seguida, cerca Hebron, a própria Ramallah. Inclusive, ao invadirem Ramallah, cercam a Muqata, a sede do governo palestino em que ficava [o ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, Yasser] Arafat”, recordou.

A chamada Área A é a parte da Cisjordânia que deveria estar sob controle palestino, conforme os Acordos de Oslo, enquanto Hebron e Ramallah são duas das principais cidades da região. A Muqata, em Ramallah, era o complexo governamental onde Arafat ficou sitiado até sua morte, em 2004.

Segundo o presidente da Fepal, a militarização da Segunda Intifada também foi usada como justificativa por Israel para ampliar a repressão. “Há quem diga que ela se militariza no seu segundo momento e, ao se militarizar, teria dado a Israel argumentos públicos e midiáticos. Em história não existe ‘se’. Nós temos o que aconteceu”, afirmou.

11 de setembro e fim da liderança de Arafat

Para Rabah, os ataques de 11 de setembro de 2001 mudaram drasticamente a percepção mundial sobre os árabes e reforçaram a repressão israelense. Ele lembra que o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, deu o aval a Sharon para isolar e eliminar lideranças palestinas.

“Bush filho autoriza Ariel Sharon a implementar medidas de eliminação política e física de Yasser Arafat. Há também uma coordenação para a eliminação da liderança do Hamas”, apontou. O falecimento de Arafat em 2004 e a prisão de Marwan Barghouti, considerado uma espécie de “Nelson Mandela palestino”, simbolizaram o enfraquecimento das lideranças internas da resistência.

Reconciliação palestina e papel internacional

Apesar das divisões, Rabah se mostrou otimista com o processo de reconciliação nacional, mediado pela China em 2023, que tenta uma reunificação política entre as facções palestinas. Ele defendeu a integração do Hamas e da Jihad Islâmica à Organização para a Libertação da Palestina (OLP). “A OLP assume todo esse processo, em um governo de unidade nacional, com uma administração provisória exclusivamente para a reconstrução de Gaza”, explicou.

O dirigente também celebrou os reconhecimentos do Estado da Palestina por países ocidentais como Reino Unido, França, Canadá, Austrália e Japão, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), iniciada na última terça-feira (23). “Esses países não poderão, pelo menos em tese, apoiar o genocídio na Palestina ou a eliminação da população palestina porque eles reconhecem o Estado da Palestina”, afirmou.

Genocídio em curso

Para Rabah, a ofensiva israelense atual busca não apenas exterminar palestinos, mas também apagar provas de crimes de guerra. “Nós vamos impedir que se investigue. Então nós vamos matar todos os jornalistas, todos os médicos, destruir todos os hospitais, todos os prontuários médicos, destruir todos os documentos, destruir tudo para dificultar a investigação do genocídio”, denunciou, referindo-se às ações de Israel e dos EUA.

Apesar da gravidade do momento, ele aposta que o processo de descolonização da Palestina seguirá a mesma trajetória de resistência que derrubou o apartheid na África do Sul. “A luta é uma sequência de vitórias, derrotas, acúmulo, e há um momento em que o Apartheid deixou de ser admissível. Nesse momento, nós temos a humanidade enxergando a cara feia do sionismo. Esse genocídio nunca custou tão caro”, projetou.

25 anos da Segunda Intifada palestina | BdF Entrevista Ualid Rabah
RÁDIO BRSIL DE FATO

sábado, 10 de maio de 2025

FRENTE POLISÁRIO 52 ANOS * Jorge Alejandro Suárez Saponaro/AR

FRENTE POLISÁRIO 52 ANOS 
Jorge Alejandro Suárez Saponaro

Em 10 de maio de 1973, nasceu a Frente Popular de Libertação de Saguía El Hamra e Río de Oro ou Frente Polisário .

A situação dos saarauis era incerta, dada a pressão do Marrocos e da Mauritânia sobre reivindicações territoriais e a abordagem ambígua e até contraditória da Espanha sobre o assunto.

 Cinquenta e dois anos se passaram e, apesar das condições adversas e da indiferença de grande parte da comunidade internacional, a Frente Polisário continua existindo, mantendo firmemente sua reivindicação de reconhecimento da liberdade do povo saarauí da ocupação.

O 52º aniversário da Frente Polisário encontra esse movimento de libertação nacional, após trinta anos de "paz, não guerra" desde o cessar-fogo assinado com o Marrocos, sob os auspícios das Nações Unidas, em 1991, mais uma vez se envolvendo em uma campanha militar de baixa intensidade como uma tentativa de aumentar a visibilidade global do conflito. Os chamados países democráticos, como a Espanha — a potência administradora de jure —, os Estados Unidos e a França, foram fundamentais na ocupação marroquina, que foi caracterizada por violações sistemáticas dos direitos humanos.

O veto francês, a indiferença dos Estados Unidos e o conflito geopolítico com a Rússia e a China impedem que o Conselho de Segurança das Nações Unidas não só estabeleça poderes de monitoramento de direitos humanos para a MINURSO , mas também de desempenhar um papel mais relevante desde os chamados incidentes de Guerguerat ocorridos em novembro de 2020, onde Marrocos violou claramente o cessar-fogo e os acordos de 1991.

A Frente Polisário , devido a uma série de fatores externos, não conseguiu desbloquear o processo de negociação com Rabat. O governo marroquino, durante o primeiro governo Trump, teve um sucesso real, de natureza mais política do que real, quando tornou o reconhecimento da soberania marroquina sobre as áreas ocupadas uma condição em troca do restabelecimento das relações com o Estado de Israel .

O Makhzen, apesar de não ter conseguido que nenhum país reconhecesse sua ocupação, fez progressos para legitimá-la. Uma estratégia inteligente de estabelecer consulados de vários países africanos nas zonas ocupadas, em aberta violação do direito internacional. Rabat mostrou-se uma “aliada” fiel à causa ocidental em África, o que lhe permitiu financiar um ambicioso programa militar com dinheiro das petromonarquias do Golfo . Na "frente espanhola", a Polisário foi abertamente traída por setores políticos que teoricamente poderiam ser simpáticos.

O presidente Pedro Sánchez serviu aos interesses marroquinos em um verdadeiro ato de traição ao seu próprio país. Os incidentes de 2021, em Melilla , com ondas de imigrantes, numa espécie de invasão pacífica. Ao mesmo tempo, o governo marroquino não hesitou em dar a conhecer os seus alegados direitos sobre os territórios soberanos espanhóis, que incluem as cidades de Melilla e Ceuta . A Espanha optou por uma política de apaziguamento, que incluiu a famosa "carta de traição" divulgada pela mídia espanhola, pela qual Madri aceitou o plano de autonomia como solução para o conflito no Saara Ocidental.

A guerra, travada pelas forças saharauis, dissipou as tensões internas na República Saharaui . Anos de frustração foram uma fonte de problemas, e a liderança da Frente Polisário, nas mãos de um "falcão" como Brahim Ghali , decidiu pegar em armas. Em última análise, Marrocos, ao invadir a zona-tampão, violou o Acordo Militar n.º 1 e quebrou o cessar-fogo, o que se somou à recusa em seguir o roteiro estabelecido no Plano de Resolução de 1991. O distanciamento e o aumento da competição geopolítica entre Argélia e Marrocos criaram as condições ideais para a mobilização das forças militares saarauís.

O XVI Congresso , realizado de 13 a 17 de janeiro de 2023, sob o lema: "intensificar a luta armada para expulsar o invasor e conquistar a soberania completa" , destacou os objetivos nacionais do povo saharaui, nesta fase da sua história, sob a liderança da Frente Polisário . O caminho armado é resultado de um intenso debate estratégico que já dura vários anos. O cenário global de intensa competição entre os Estados Unidos e seus aliados, versus Rússia e China, está paralisando as Nações Unidas.

Os saharauis também foram vítimas da “realpolitik” . Enquanto Marrocos garantir o fornecimento de fosfatos e não afetar os interesses ocidentais no Norte da África, ele terá carta branca para abusar dos saarauis. A Frente Polisário reconheceu esta situação, destacando o valor de dois atores regionais: Mauritânia e Argélia.

No caso do primeiro, a pressão de Rabat é intensa, mas os setores nacionalistas continuam sendo aliados em potencial da Polisário, dado o medo de que o estado mauritano seja satélite de Rabat. A travessia ilegal de Guerguerat está ligada a essa manobra, bem como à hábil política de "soft power" do rei marroquino na região. A Argélia é um ator importante que, graças à guerra na Ucrânia , se tornou um elemento-chave como fonte de energia alternativa ao gás e petróleo russos para os europeus.

O último Congresso da Polisário aprovou uma estratégia nacional para mobilizar todos os recursos nacionais para enfrentar a campanha militar. Do ponto de vista interno, os saharauis mantêm, sem dúvida, uma forte unidade graças a um discurso nacionalista, apesar de certas manobras promovidas pelo Marrocos por setores dissidentes da Polisário sediados na Mauritânia, que acabaram por não dar em nada. No plano internacional, a Frente conta com o apoio da União Africana , especialmente nos países de língua inglesa, liderados pela África do Sul.

Marrocos não reconhece abertamente a existência de uma guerra , mantendo uma estratégia defensiva com respostas limitadas, especialmente através do uso de veículos aéreos não tripulados, ou drones, dos quais possui um arsenal significativo graças às compras da China, Israel e Turquia.

Muitos ataques resultaram em mortes de civis, provocando protestos na Mauritânia e especialmente na Argélia. Embora o tom do discurso não tenha ido além do exagero, a possibilidade de conflito armado continua descartada por enquanto. O grande desafio é dar visibilidade ao conflito e mobilizar a opinião pública internacional. Não menos importante é o recente pedido do Conselho da Europa ao governo espanhol para suspender a cooperação fronteiriça com o Marrocos, após graves incidentes entre forças de segurança marroquinas e imigrantes que tentaram cruzar a cerca de segurança em junho de 2022. Este foi um escândalo internacional. A reação da União Europeia foi bastante tímida.

A liderança da Polisário mantém seu compromisso de manter um conflito de escala limitada, em um contexto em que o Ocidente está perdendo terreno na África e onde o papel da Argélia como potência do Magrebe é fortalecido por importantes acordos energéticos. Até a França observou de perto o crescente poder de Argel. Os saarauis estão aproveitando esta situação para obter maior apoio político e material para encontrar algum tipo de solução para o conflito.

No contexto de uma situação verdadeiramente adversa, a liderança da Frente Polisário conseguiu manter a sua unidade, os mecanismos de consenso através dos Congressos e impediu com sucesso que o vírus do islamismo radical afetasse os saarauis, ao contrário de outros países da região, como o Mali ou a zona do Saara Sahel , que têm de sofrer as ações de poderosos grupos terroristas que causaram milhares de deslocados. A República Saaraui conseguiu sobreviver num período sem paz, sem guerra, de 1991 a 2020.

Tentativas de obter novo reconhecimento têm sido muito limitadas desde a década de 1990. A América Latina , que ofereceu um espaço favorável para isso, teve resultados apenas parciais, mas com marcos muito relevantes como a Colômbia, com o presidente Petro, que estabeleceu relações diplomáticas entre seu país e a República Saaraui.

No Uruguai, apesar da pressão do Marrocos , uma embaixada saarauí ainda permanece. A estratégia de obtenção do reconhecimento internacional da existência de um Estado saarauí não teve definições claras.

A pressão do regime marroquino – que este correspondente vivenciou em primeira mão em 2017 – sobre os governos para que não reconheçam a República Saharaui , ou pelo menos não recebam os Delegados da Frente Polisário , tem sido muito intensa na América Latina . A abertura dos políticos locais à corrupção ajuda o regime de Makhzen a "convencer" as pessoas a não reconhecer a República Saaraui e até mesmo a ganhar apoio para sua posição anexacionista, ao mesmo tempo em que oculta os crimes contra a humanidade que cometeu desde a invasão de 1975.

O contexto geopolítico da região do Magrebe , e outras razões, levaram a Frente Polisário a tomar medidas armadas. Não há dúvida de que a cumplicidade do Ocidente, especialmente dos Estados Unidos, da Espanha, da França e do resto da União Europeia, contribuiu de uma forma ou de outra para apoiar a ocupação marroquina.

O seu silêncio é cúmplice e está sujeito a um verdadeiro duplo padrão, dado que a invasão marroquina foi condenada na Assembleia Geral das Nações Unidas e os tribunais da União Europeia têm sido contundentes quanto ao estatuto jurídico do Saara Ocidental.

Os políticos espanhóis, com sua indiferença à Frente Polisário, apenas prejudicam os interesses da Espanha ao serem cooperativos com seu adversário geopolítico, Marrocos, e cúmplices na violação dos direitos humanos nos territórios ocupados.

Acreditamos que, no futuro, o grande desafio da Frente será retomar o caminho da obtenção de um novo reconhecimento da República Saharaui como Estado . O papel das Nações Unidas nesse processo ficou completamente obscuro e, dado o cenário internacional, a Polisário terá que repensar caminhos alternativos para substituir o roteiro do Plano de Resolução de 1991.

NO TE OLVIDES DEL SAHARA OCCIDENTAL

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domingo, 8 de janeiro de 2023

SIMON BOLÍVAR E SUA HISTÓRIA * Dilhermando Campos/NETFLIX

SIMON BOLÍVAR E SUA HISTÓRIA

Assim que tive notícia da estreia de uma série sobre a vida de Simon Bolívar no Netflix, em junho de 2019, refiz a minha concorrida lista de filmes de fim de semana. Porém, já com a pipoca, cobertor e companheira de jornada devidamente ordenados, uniformizados em impecáveis moletons e perfilados no sofá aguardando o momento de prestar continência ao General, tive duas decepções.

A primeira é que a série tinha 60 episódios com mais de 50 minutos cada – haja sábado, domingo e madrugadas! Bem, podia aguardar as férias que teria em agosto daquele ano e fazer essa maratona de 50 horas. Se Bolívar cruzou os Andes e atravessou os Llanos no inverno com seu exército para libertar a América, quem sou eu para reclamar de 50 horas no sofá, comendo pipoca e dando empolgados spoilers históricos para minha generala. Concluí que a causa valia o nosso sacrifício!

No entanto, a segunda decepção me obrigou a abortar a jornada revolucionária. Na verdade, Bolívar: una lucha admirable não é propriamente uma série, nem é um épico como eu esperava. É uma telenovela produzida pela Caracol Televisión da Colômbia. Não que eu não reconheça os méritos do gênero mais apreciado da teledramaturgia latino-americana e as potencialidades de explorá-lo na pedagogia popular. Mas, tenho que confessar, não é o meu predileto. E, por isso, assim como o general Francisco de Miranda, capitulei diante da minha missão.

Um ano depois, cá estou eu de quarentena no meio de uma pandemia global, também cumprindo pena pela traição à causa. Pelo ofício de professor, que virou trabalho remoto no confinamento, e pela asma que trago da infância, sigo trancado em casa há… sei lá, já perdi a conta!… e, por isso, tive agora a chance de me redimir ante El Libertador.

Antes de retomar a missão, talvez inconscientemente tentando buscar motivos para ser dispensado dela, resolvi ler um pouco sobre a série e sua repercussão ao longo desse último ano. Descobri que antes mesmo da estreia houve uma polêmica entre os produtores e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Na semana anterior ao lançamento, Maduro disse: “Las televisoras de la oligarquía colombiana van a inaugurar una miniserie de Bolívar. ¿Cuántas mentiras, difamaciones y basura pondrán en la miniserie?”

A fala do presidente foi respondida de forma veemente pela roteirista, Juana Uribe, e pelo ator, Luis Gerónimo Abreu, que interpreta o Bolívar adulto, dizendo que Maduro devia primeiro assistir a obra para depois fazer comentários a respeito e que tinham certeza que o povo venezuelano se orgulharia do Bolívar retratado na produção.

Só que eu entendi perfeitamente a desconfiança do presidente Maduro. Eu mesmo tenho como meta nunca assistir ao filme sobre Getúlio feito pela Globo Filmes. Não assisti, não vou assistir, não quero saber a respeito, pois tenho a absoluta certeza de que a obra é um insulto à memória do Presidente Vargas, feita pela oligarquia que o perseguiu até a morte e que tenta destruir seu legado até os dias de hoje. Pronto! O comandante Nicolás Maduro havia me dispensado da árdua tarefa.

Porém, no clique seguinte, descubro que Maduro, após a polêmica, não só assistiu à série com sua esposa, como se desculpou com os produtores pela manifestação precipitada, elogiando os atores, o roteiro e se lastimando pela série não ter 1.000 episódios, ao invés de apenas 60. Com isso, não tive escapatória e parti, com um ano de atraso, para uma longa marcha que começa na San Mateo do século XVIII.

A série se divide nas fases da vida de Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar y Palacios Ponte-Andrade y Blanco, o homem mais rico da Venezuela que se converte no maior revolucionário do continente americano. Meu incômodo inicial se deu pela primeira parte da história, que retrata a infância do jovem Simón, lembrar um pouco novelas de época, dessas que a Rede Globo costuma veicular no horário das 6 da tarde. Mas essa parte é importante para a composição dos personagens e do ambiente cultural, econômico, político e sanitário da Venezuela de então. Caso se encoraje por este texto a empreender a mesma marcha e não seja grande admirador desse gênero da dramaturgia, lembre-se nesse ponto da jornada que está vendo a história de ninguém menos que Simón Bolívar! Continue.


Os primeiros capítulos mostram Simón aos 9 anos (interpretado pelo ator Maximiliano Gómez), nas vésperas da morte de sua mãe, María de la Concepción Palacios, que se apressa em resolver questões burocráticas para resguardar o patrimônio da família. Viúva e tuberculosa, María de la Concepción corria contra o tempo pela ambição dos parentes sobre a herança de seus filhos, especialmente por parte de seu inescrupuloso irmão, Carlos Palacios. Nesse período, a rica família Bolívar enfrenta a corrupta e implacável burocracia colonial, comandada pelos chapetones, como eram conhecidos os colonos brancos vindos da Espanha, que discriminavam e subjugavam os criollos, descendentes dos espanhóis nascidos na América.

A brutalidade da escravidão também é retratada na produção. As cenas de violência contra os negros, especialmente contra os escravos fugitivos, são muito impactantes. Historicamente, sabe-se que Bolívar foi acompanhado por toda a vida pelo ex-escravo José Palacios, seu fiel escudeiro que esteve ao lado do Libertador até seus últimos dias, o que foi bem mostrado na série. Sobre o personagem Dionísio, outro ex-escravo da fazenda dos Bolívar-Palacios, sabe-se que era filho de Negra Hipólita, figura importante na vida de Bolívar, a quem ele chamava em suas cartas como “su madre y su padre“. Porém, não há registros de que Dionísio tenha fugido para um quilombo, onde viveu até ser incorporado ao Exército Patriota, como mostrado na série.


A produção usa essa estratégia narrativa de introduzir alguns fatos e personagens ficcionais que concentram histórias, contradições, sofrimentos e anseios de grupos que realmente estiveram envolvidos nas guerras de libertação das colônias. Segundo a roteirista da série, 80% do que é mostrado é baseado em personagens e fatos reais, comprovados pela historiografia, e 20% são ficcionais para permitir a fluidez narrativa e romancear partes da trama, adaptando-a ao gênero dramatúrgico da produção.

É uma estratégia que funciona bem, mas pode confundir um pouco o público brasileiro que, infelizmente, desconhece a história da América Latina. Das resenhas que li em espanhol, foi muito comum ver a frase “é uma série muito boa para revisarmos os conteúdos dos cursos de história da escola”. Mas, como sabemos, as elites brasileiras sempre se esforçaram muito, desde o Império, para que o nosso povo não descubra que o Brasil faz parte do continente latino-americano. Sempre lembro disso quando vejo o jornalismo da Globo chamar a “correspondente para América Latina”, que mora na Argentina, como se São Paulo fosse parte da Europa ou da América Anglo-saxônica.

Como não estudamos, ou estudamos muito pouco na escola a história latino-americana, vale a pena ir pesquisando a respeito dos personagens, fatos e locais à medida que aparecerem na série (com cuidado de não ir na leitura além do ponto em que está assistindo, caso não queira tomar spoilers). Essa metodologia pode converter a série em um pequeno supletivo da história da América Latina, talvez envergonhando o espectador mais curioso que conhece com detalhes a travessia dos Alpes realizada por Aníbal na guerra de Roma contra Cártago, mas nunca tinha ouvido falar do Paso de los Andes, quando o exército maltrapilho de Bolívar cruzou a gélida cordilheira pelo páramo de Pisba para surpreender os espanhóis na tomada de Tunja e Bogotá. Outra recomendação de pesquisa, se não conhecer bem as diversas formatações dos países ao longo das guerras de libertação e a divisão dos vice-reinos que a coroa espanhola fazia no continente americano, é buscar por essas informações geográficas para se localizar melhor nas partes da história apresentadas na série.

Outra dica importante: caso não vá assistir só e conheça um pouco da história latino-americana, por questões de segurança pessoal, sugiro ter cuidado redobrado com spoilers. Fui advertido, em grau crescente de rispidez, que frases como “isso foi antes da derrota em Puerto Cabello”, “depois que destruírem a Segunda República”, “ele ainda não foi exilado na Jamaica”, “só depois que ele ficar viúvo” ou chamar pessoas que aparecem pela patente militar com a qual são conhecidas hoje, especialmente se naquele momento da história o personagem for um simples civil, configura uma, cito literalmente, “sequência irritante de spoilers”. Após o ultimato, “no próximo eu paro de assistir”, me contive, guardando o melhor de todos para o fim, onde terei meu momento pernóstico de ouro, na Conspiración Setembrina: “La Libertadora del Libertador”, “La Libertadora del Libertador”, “La Libertadora del Libertador” – repeti mentalmente por dias aguardando o momento certo para me antecipar alguns milésimos de segundo quando a fala aparecesse.

De um modo geral, a série é muito bem produzida, com cenas incríveis de batalhas famosas, figurinos impecáveis, atores excepcionais – valendo destacar a espetacular atuação de Luis Gerónimo Abreu que deu vida ao Bolívar na maturidade. Na terceira fase da história, quando Bolívar retorna da Jamaica para libertar definitivamente a Grã-Colômbia, a produção ganha uma dinâmica nova, pois é baseada nos diários de Daniel O’Leary, importante documento das batalhas e do dia a dia da guerra. O’Leary foi membro da brigada britânica que lutou ao lado de Bolívar e que passa a ser o narrador da série a partir desse ponto.


A produção é muito rica em detalhes biográficos de Simón Bolívar e também de Manuela Sáenz, ‘la amante y patriota de usted’– interpretada de forma excepcional pela atriz equatoriana, Shany Nadan –, cuja história é apresentada em paralelo à do Libertador até se cruzarem e se apaixonarem em Lima, quando Manuelita se incorpora ao Exército Patriota. Além de possibilitar as situações românticas necessárias ao gênero da teledramaturgia, essa forma de mostrar as duas vidas correndo em paralelo permitiu uma valorização do papel da mulher nas guerras revolucionárias, que ocuparam todos os fronts, precisando ainda confrontar a cultura ultraconservadora da época. Talvez a atuação militar de Manuelita pudesse ter sido mais bem explorada em sua participação na Batalla de Ayacucho, sob comando do General Sucre, onde teve brava atuação, mas foi mostrada de forma muito breve na série.


Sobre o conteúdo histórico, valeria aparas também na forma como retratam o general Francisco de Miranda, o precursor da independência hispano-americana, apresentado como um mercenário decadente, o general Rafael Urdaneta, dando muito enfoque a algumas vacilações desse fiel seguidor de Bolívar, e o general José Antonio Páez, mostrado apenas como um homem chucro dos Llanos, que se alfabetizou depois de adulto. Páez é uma figura interessante, pois, apesar dessa origem simples, foi um homem que se superou incrivelmente ao longo da vida, não apenas liderando o exército de llaneros que foi fundamental nas guerras de libertação, como se tornando o primeiro presidente da Venezuela, após a dissolução da Grã-Colômbia – cargo que ainda veio a ocupar por mais duas vezes –, além de ter aprendido idiomas e se dedicado à música quando teve oportunidade nos interregnos de seus mandatos.

Sobre a história dos confrontos clássicos, apesar da superprodução da Batalla de Pantano Vargas e da Batalla de Boyacá, há a ausência inexplicável da Batalla de Carabobo, na qual Bolívar conseguiu finalmente expulsar os espanhóis da Venezuela e libertar o país. Talvez pela série ser colombiana não julgaram central retratar esse fato histórico, mas é uma ausência notável em uma produção que visa contar a história de Bolívar.


Em relação à biografia do Libertador, há que se levar em consideração que as telenovelas, além serem compostas por inúmeras cenas de romances e mais romances próprias do gênero dramatúrgico, tendem a apresentar as decisões dos personagens como impulsos individuais, desatrelados de sentidos mais transcendentes ou de mudanças na visão de mundo fruto da maturidade. Para a história funcionar, as paixões devem estar no comando, surpreendendo o espectador pela imprevisibilidade e audácia dos apaixonados.

Nesse sentido, é compreensível porque o regresso de Bolívar da Europa para libertar a América é apresentado como uma decisão de um jovem rico em busca de sentido para a vida, que deseja incluir no currículo um feito grandioso que o distinga na História. Talvez por esse motivo, não apareça na série a cena do Juramento del Monte Sacro, episódio em que Bolívar, diante de seu ex-professor venezuelano, a quem reencontra na Europa, o revolucionário filósofo e pedagogo Simón Rodríguez, faz um juramento se comprometendo a lutar até seu último dia pela causa independentista hispano-americana.

Apesar de não ter frequentado cursos formais, além da escola militar, Bolívar teve grandes tutores ao longo da vida. A visão de um criollo que, a partir dos estudos e vivência nas metrópoles do mundo, dá inteligibilidade às suas revoltas políticas, compreendendo o papel das colônias dentro do sistema mundial e jurando tomar para si a causa da libertação de seu povo, talvez não coadune com o gênero narrativo da produção. O fato é que daria uma bela cena, Bolívar bradando o juramento no monte romano, cujo conteúdo conhecemos por trocas de cartas posteriores entre ele e Simón Rodríguez: “¡Juro delante de usted, juro por el Dios de mis padres, juro por ellos, juro por mi honor y juro por mi patria, que no daré descanso a mi brazo, ni reposo a mi alma, hasta que haya roto las cadenas que nos oprimen por voluntad del poder español!”

Por fim, é interessante que, mesmo sendo colombiana, a série toma o partido de Bolívar na rivalidade com o general Santander, mostrado como alguém hesitante, sempre disposto a sabotar o projeto da Grã-Colômbia. Na disputa entre santanderistas e bolivarianos, que se deu em torno do federalismo liberal e do centralismo autocrático, com o qual o Libertador queria evitar a fragmentação do novo país, a história apresentada é claramente favorável à visão defendida por Bolívar.


No entanto, curiosamente no episódio da Conspiración Setembrina – aguardado por mim desde o início para o meu spoiler de placa –, a série isenta Santander do complô, a despeito das provas que existem da sua culpabilidade. No evento central desse episódio, quando eu me preparava repetindo mentalmente “La Libertadora del Libertador”, “La Libertadora del Libertador”, aguardando a hora exata… tocou a companhia e eu perdi o timing!!

Era a padaria que agora, na pandemia, tem feito entregas em casa, protegendo seus consumidores do coronavírus e das ilusões cinematográficas que podem nos fazer esquecer da mediocridade existencial que vivemos no atual momento. Máscara no rosto, álcool em gel preparado, tive que ir lá fora atender o entregador, esse herói latino-americano do século XXI que vem salvando milhões de vidas montado em sua moto, enquanto luta contra o subemprego aguardando a libertação da Pátria.
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BOLÍVAR BIOGRAFIA
CARACOL TV E NICOLAS MADURO

El Presidente de #Venezuela, Nicolás Maduro, se retracto públicamente este 31 de julio de 2019 sobre sus opiniones previas en torno a la serie "Bolívar, una lucha admirable" escrita por Juana Uribe, producida por Caracol Televisión y distribuida por Netflix. La recomienda ampliamente. "Cometí conceptos prejuiciados y adelantados sobre la serie, y me equivoqué. Ofrezco excusas. Hemos quedado maravillados y conmovidos. Lograron en la serie traer un Bolívar, vivo, humano, sensible"

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quarta-feira, 20 de abril de 2022

TERCEIRA VIA: LIBERTAÇÃO NACIONAL * E. Precílio Cavalcante / RJ

 TERCEIRA VIA: LIBERTAÇÃO NACIONAL

Que precisamos de uma terceira via não se pode duvidar. Esse é o caminho a seguir, a trilha a percorrer. 

— Não há vento favorável para quem não sabe o porto onde quer chegar! Disse  Sêneca, filósofo romano. 

 E para nós, brasileiros, o rumo a tomar é a terceira e verdadeira via:

A Via da Libertação Nacional.


 É a quebra dos grilhões que nos subjugam ao Império ianque. É o fim da infeliz situação de colonização continuada. Uma situação perversa de dependência que hoje, 2022, completa dois séculos desta dolorosa farsa.

O que determina a nossa situação de atraso político, econômico e social, não é uma certa elite estúpida e atrasada. Nem o identitarismo de sexo, cor da pele ou de outra qualquer procedência. 

A principal e fundamental causa do nosso atraso, das crises e golpes militares, é de caráter econômico e político. E portanto, de colonização continuada. 

De colônia de Portugal até 1822, passamos à colônia do Império britânico. 

Mas é preciso deixar claro que Portugal era conhecido em toda a Europa como uma colônia do Império britânico. 

Portanto, éramos colônia de uma colônia de Sua Majestade britânica. 

Não precisa ser muito inteligente para perceber que, de fato, já éramos colônia do Império britânico.  

Em 1822 trocamos apenas de metrópole: Lisboa por Londres.  

Não fizemos a nossa revolução nacional. E não rompemos com o colonialismo. E portanto, não construímos o Estado nacional. 

O resultado é sermos hoje Brazil com “Z”, colônia do todo poderoso Império ianque.  

O fascismo dependente e absurdo que hoje domina o poder central em Brasília é uma exigência do Tio Sam, do Império ianque.

Neste 2022 devemos começar a nova caminhada que se chama luta de libertação nacional. Que atende pelo simples nome de nacionalismo!

 Mas, antes de tudo, devemos defenestrar do poder o fascismo dependente, que  está destruindo todo o patrimônio nacional. 

  Defender as nossas riquezas do solo e subsolo que são patrimônio do nosso povo. E povo é nação! 

Defender a PETROBRÁS, o Pré-sal, a ELETROBRÁS, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal e tudo o mais que o nosso povo construiu a duras penas!

Defender a cultura nacional, construída com muita luta, sacrifício e paixão por nossos artistas, por nossos escritores, músicos, poetas, cantores e compositores. Expressão da alma e sentimentos do nosso povo. 

Um povo sem cultura é um povo sem alma! 

Devemos romper neste 2022, com esta farsa da meia soberania, soberania relativa, nação mais ou menos soberana!

 Isto não existe! Ou se é independente e soberano ou somos uma dependência colonial.

Isto não passa de uma tenebrosa farsa histórica, sustentada por uma classe dominante perversa e pervertida, que explora cruelmente o nosso povo, em aliança estreita com os impérios mundiais, ontem o Império britânico e hoje o Império ianque!

Não entenderemos quais são os pilares de sustentação do sistema de colonização continuada, a que somos submetidos, se não atentarmos para as maquinações que envolvem a classe dominante colonial em aliança estreita com o Império ianque. 

E quanto a isto temos uma história velhaca e mentirosa que fala de um desquite amigável entre o Brasil e Portugal em 1822. Com o objetivo de encobrir as lutas pela independência e a soberania nacional. 

Foram muitas lutas e correu muito sangue.

A morte heroica de Tiradentes na forca em 1792 não arrefeceu os combates à colonização lusa. 

Seguem-se revoltas e revoluções que abalaram o país nas primeiras décadas do século XIX.

 A Revolução Pernambucana de 1817 e a Confederação do Equador, que foram sufocadas a sangue e fogo, marcaram a época.  

 Os diplomatas ingleses em conluio com a diplomacia lusitana engendraram a independência do 7 de setembro de 1822. 

O grito do Ipiranga: Independência ou morte! não passa de uma farsa histórica! 

Seria ridículo se não fosse trágico, se não estivessem em jogo os destinos de um povo. 

O processo de dominação envolve do delegado de polícia ao lacaio que senta na cadeira de presidente da república, contando-se aí grande parte dos poderes legislativo e judiciário.  

Nesse processo, o Exército é usado como guarda pretoriana, no papel de escudo e lança na defesa do status quo. 

E aí a ideologia, o anticomunismo, joga um grande peso. Quem não aceita a dominação colonial é demonizado e reprimido como comunista, subversivo ou terrorista.

 Defender o interesse nacional é crime, nacionalismo é igual a comunismo. E deve, e tem de ser reprimido.   

Ser patriota pode, nacionalista não e não!

 A patriotada defende a cor da bandeira e grita: “ Brasil acima de tudo!”

 E entrega o Pré-sal, e oferece à venda as empresas estatais, por preço de liquidação, na bacia das almas. É a maldita privatização!

 Este é o posicionamento do atual governo de extrema direita.

 E que fique bem claro: a direita brasileira é a única no mundo que luta contra os interesses do seu país.

 A direita da Alemanha, da Argentina, da Turquia ou de qualquer outro país do mundo, defende o interesse do seu próprio país. 

E neste caso, ela, a direita brasileira, é coerente, pois se reconhecendo colônia do Tio Sam, ela defende os interesses da metrópole ianque....

Após o golpe militar de 64, um dos cardeais da direita brasileira, Juracy Magalhães, designado embaixador em Washington, ao desembarcar na metrópole, deu uma entrevista à imprensa declarando: “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil!”  

A política externa do Brazil é feita pelo Departamento de Estado ianque. É ele que escolhe quem são os nosso amigos e inimigos.

 A política econômica é traçada pelos banqueiros ianques e dirigida internamente por banqueiro “brasileiros”, que de brasileiros só tem o nome. São os “ Meirelles, os Paulo Guedes”, economistas da Escola de Chicago, que têm por missão evitar a todo custo o desenvolvimento econômico do país. São privativistas radicais. 

Afinal de contas, a colônia não deve e não pode crescer, se desenvolver economicamente, pois isto seria o caminho da libertação.  

 Na política interna o “presidente da república” tem de ser um lacaio subserviente às ordens do Império.  

Nas eleições deste ano de 2022, votaremos e lutaremos pelos candidatos da esquerda. De Presidente da República a deputados federais, senadores e deputados estaduais.

 Mas sabemos que o voto por si só não resolverá o nosso principal problema, que é da independência e soberania nacional. 

A estratégia do nosso candidato à Presidente, Lula, defende a pacificação. 

Nós, na nossa via, defendemos o rompimento político com o Império ianque, o Tio Sam. Não aceitaremos mais ser a colônia Brazil com “Z”, da metrópole ianque! 


E. Precílio Cavalcante, capitão de mar e guerra, ref. do Corpo de Fuzileiros Navais. Ilha de Paquetá, abril de 2022. 

VIVA A LIBERDADE E ABAIXO O FASCISMO!!

*

quarta-feira, 31 de março de 2021

DIA DA TERRA PALESTINA / NOTA DA FEPAL * FRT/BR

 DIA DA TERRA PALESTINA

Há 45 anos, em Nazaré, a polícia de Israel matou seis palestinos numa manifestação pacífica contra o roubo de terras para a construção de assentamentos judaicos. Desde então, o 30 de março é relembrado como o Dia da Terra Palestina, uma das principais datas do calendário nacional palestino e um dos grandes marcos da resistência contra a colonização israelense. 

Os protestos de 1976 mobilizaram milhares de pessoas em toda a Palestina histórica, da Galileia ao Al Náqab, sobretudo nas cidades que haviam sido colocadas sob toque de recolher pelas forças de ocupação do regime. Além das mortes, centenas de pessoas ficaram feridas e muitas foram presas. 


Todos os anos no Dia da Terra a população palestina promove atos, em vários lugares do mundo, para celebrar a resistência e denunciar os crimes do regime supremacista israelense e de seu projeto colonial, que segue em franca expansão. Muitas pessoas plantam uma oliveira para celebrar a data. A árvore símbolo da cultura palestina, fonte de renda para muitas famílias, é um dos alvos favoritos de Israel, que as destrói aos milhares todos os anos. 


Sempre teremos gente para plantar. Eles podem até nos derrubar, nos arrancar de nossa terra, mas enquanto algum de nós ainda estiver vivo, seguiremos semeando novos frutos e RESISTIREMOS. 


Viva a Terra Palestina!

(Nota da FEPAL - https://fepal.com.br/ )


APELO DA CRIANÇA PALESTINA

(Texto do Mural da Feira de Nova York em 1964)

Antes que te vás,
poderás gastar mais um minuto
para ouvir uma voz sobre a Palestina
e talvez ajudar-nos a consertar um mal?

Sempre, desde o nascimento de Cristo, 
e, mais tarde, com a vinda de Maomé,
cristãos, judeus e muçulmanos, crentes num só Deus,
lá viveram juntos em pacífica harmonia.

Por séculos, foi assim,
até que estrangeiros vindos de fora,
dizendo uma coisa e pensando outra,
começaram a comprar terra e agitar o povo.

Os vizinhos tornaram-se inimigos
e brigaram uns com os outros.
Os estrangeiros, considerados, um dia, vítimas do terror,
tornaram-se feros profissionais do terror.

Procurando a paz a todo custo,
inclusive ao custo da justiça,
o cego mundo, em solene assembleia,
dividiu a terra em duas,
pondo de lado
o direito de autodeterminação.

O que daí se seguiu, talvez o saibas:
buscando remediar o mal, 
nossos vizinhos mais próximos
tentaram ajudar-nos em nossa causa,
e, por motivo fora de seu controle,
não o conseguiram.

Hoje, há um milhão de nós,
alguns como nós, mas muitos como minha mãe,
passando a vida na miséria do exílio,
esperando a volta ao lar.

Mas, mesmo agora, 
para proteger seus ganhos mal adquiridos,
como se a terra fosse sua e tivessem esse direito,
ameaçam perturbar o curso do Jordão
e fazer o deserto florescer de guerreiros.

E quem os deterá?
O mundo parece não se preocupar
ou está cego ainda.
Por isso estou contente de teres parado
e escutado a história.

(in LAMENTO DOS OPRIMIDOS, Missão da Liga dos Estados Árabe - 1971. Mansour Chalita, Rio de Janeiro-RJ 1971)