O capitalismo está podre. Todos sabemos disso. Mas ele não cai sozinho, ele não morre de morte natural. Precisamos aliar o antifascismo e o antimperialismo ao internacionalismo proletário, e assim somar forças para construir o socialismo. Faça a sua parte. A FRENTE REVOLUCIONARIA DOS TRABALHADORES-FRT, busca unir os trabalhadores em toda sua diversidade, e formar o mais forte Movimento Popular Revolucionário em defesa de todos e construir a Sociedade dos Trabalhadores - a SOCIEDADE COMUNISTA!
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quinta-feira, 25 de dezembro de 2025
Analise de Conjuntura * João Pedro Stedile/MST
sexta-feira, 8 de agosto de 2025
NÃO SE DEFENDE A SOBERANIA CONFIANDO NA BURGUESIA * LIGA COMUNISTA BRASILEIRA - LCB
sábado, 2 de setembro de 2023
A crise atual e as tarefas da esquerda revolucionária * Alejandro Acosta - SP
A crise atual é a maior crise mundial de todos os tempos, que é continuidade da crise de 2008 que ainda não se fechou, com volumes obscenos de capitais fictícios que não encontram lugar na produção.
O impacto é mundial. A China também está sendo engolfada na crise, com bolhas financeiras enormes além das contradições capitalistas ficando cada vez mais tensionadas, como por exemplo o aumento da automatização da economia, o desemprego entre a juventude ou o retorno de uma boa parte dos trabalhadores ao campo.
A maior potência mundial, o imperialismo norte-americano, se debate para manter a sua hegemonia. Enquanto enfrenta problemas em todos os lugares, busca fortalecer-se apertando com crescente virulência o seu quintal traseiro, a América Latina.
As recentes eleições presidenciais no Equador e na Guatemala mostram que o imperialismo não está para brincadeiras e que a “democracia” não passa de uma brutal ditadura com uma maquiagem de “democracia” que a cada dia fica mais leve.
Devemos reforçar que a estabilidade do Brasil se relaciona com as taxas ultra usurárias pagas aos capitais ultra especulativos, que, inflação descontada, somam 10%.
O paraíso do rentismo aprova todo tipo de leis para favorecer o saque financeiro parasitário do Brasil, como o Arcabouço Fiscal ou a Reforma Tributária.
No que realmente importa, que é a política econômica, podemos até dizer que este governo é um governo FHC 3.0, o mais reacionário e entreguista desde o governo FHC.
Independentemente das boas intenções de Lula, o que temos é que de conjunto é o governo da “frente amplíssima”, que inclui até setores do que era o Bolsonarismo, com a direita dando as cartas, controlado integralmente pelo governo Biden.
A situação do povo brasileiro é muito grave hoje. Tudo está caríssimo e o salário raquítico. O subemprego e o desemprego atingem volumes assustadores.
A burguesia imperialista aposta na guerra, nas ditaduras e no fascismo como saída à sua crise.
Os trabalhadores e os povos estão entrando em movimento rumo a grandes revoltas e revoluções.
Na Europa, a brutal escalada da crise provocada pela guerra na Ucrânia tem levado às maiores greves e protestas em 40 anos.
Na América Latina, as enormes manifestações populares no Peru que estouraram em dezembro de 2022 não somente não se fecharam, mas estão se articulando a partir de 700 organizações em contra do governo genocida encabeçado por Dina Boluarte, e voltando com força.
Na África Ocidental e Central têm surgido governos nacionalistas e anti-neocolonialistas a partir da média e baixa oficialidade dos exércitos treinados e financiados pelo próprio imperialismo para proteger seus interesses, com amplo apoio popular.
A “esquerda” e a esquerda hoje
A “esquerda” institucional encontra-se num estado lastimável. Tão integrada aos esquemas impostos pelo imperialismo que fica até difícil diferenciá-la da direita.
As principais direções sindicais e dos movimentos sociais fazem parte desse esquema e quase não têm base de massas.
Os mecanismos de contenção social, que junto com a ditadura do capital e do estado burguês, fazem parte da proteção da atual ordem de coisas e estão muito fracos. Estão ficando cada vez mais frente a frente os trabalhadores e os povos oprimidos de um lado e a burguesia mundial.
Os grupos de esquerda atuais no geral são muito pequenos, sem inserção no movimento de massas. Até porque apesar das 558 greves que segundo o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aconteceram no primeiro semestre deste ano, o movimento operário tem sido controlado ainda pelos mecanismos oficiais e sem impacto importante na sociedade.
Além de pequenos, no Brasil, a esquerda no geral está muito contaminada com a paralisia e a acomodação pelos 40 anos do chamado “neoliberalismo” e porque ainda não é uma esquerda revolucionária de trabalhadores.
As definições serão colocadas de maneira clara na luta efetiva no ascenso de massas em primeiro lugar, que é quando a margem para a enrolação acaba ficando muito reduzida.
Muito se fala da crise da esquerda e pouco se fala da maior crise do sistema capitalista mundial no seu conjunto.
A capitulação à propaganda burguesa, que tem se transformado abertamente em parte das PsyOps, as operações psicológicas de guerra, é gigantesca.
Este é o momento mais favorável para a luta em contra do capital em escala mundial devido à debilidade estrutural do capitalismo, o que não implica em que esteja menos agressivo, muito pelo contrário.
As tarefas e os desafios da esquerda revolucionária
É preciso marcar um caminho no sentido de deslindar os campos com os inimigos dos trabalhadores e do povo brasileiro que agem como agentes do imperialismo.
Essa visão precisa ainda materializar-se na luta política concreta em contra dos seus inimigos e a favor do campo de luta e revolucionário.
Algumas atividades em oposições sindicais são positivas, mas evidentemente insuficientes considerando os altíssimos níveis de corrupção generalizada das direções sindicais que têm transformado os sindicatos em cartórios corruptos, muito parecido ao que havia na Ditadura.
Obviamente essa situação pode mudar rapidamente numa situação de ascenso, que conforme a crise continua desenvolvendo-se passa a ficar à ordem do dia. Isso vimos, por exemplo, no Equador e no Chile em 2019, na França em várias ocasiões, e agora no Peru ou na África Ocidental e Central.
Como exercício político vale perguntar-nos o que nós faríamos nessas situações recentes e atuais? Até porque um revolucionário tem o dever de ser um internacionalista.
É preciso reforçar a propaganda e a agitação política, principalmente em contra do massacre que está sendo imposto.
E principalmente é preciso aglutinar um grupo de lutadores sociais e revolucionários que aspirem a converter-se num fator de direção política no próximo período de ascenso, construindo-se a partir de hoje.
Com esta perspectiva é que chamamos os lutadores sociais e revolucionários a fortalecermos este polo com os métodos de luta real. Com discussões, mas sem diletância. Com convicções mas sem dogmatismo, por exemplo, ficar repetindo as receitas de bolo do passado sem uma profunda análise da realidade.
Sem oportunismo nem sectarismo. Buscando em primeiro lugar as convergências para poder avançar e ir discutindo as principais divergências para aumentar a coesão.
Essa é a tarefa que os trabalhadores e o povo brasileiro nos impõem, porque precisam de políticas para a ação concreta hoje. E é isso o que nós precisamos entregar com energia e na prática. E o reforçamos considerando que recentemente foi o Dia do Preso Político e do Desaparecido em vários países da América Latina, em homenagem aos mártires que caíram na luta em contra da opressão.sábado, 22 de abril de 2023
Os labirintos da esquerda latino-americana * Rafael Cuevas Molina / Costa Rica
Os labirintos da esquerda latino-americana
Rafael Cuevas Molina / Presidente AUNA-Costa Rica
A esquerda latino-americana não encontra saída em outros labirintos. Um deles é o da Nicarágua; o outro é o da Rússia, ambos presentes na realidade política do mundo contemporâneo.
A esquerda está fazendo progressos na América Latina que não consegue em outras partes do mundo. Neste exato momento, nos encontramos imersos no que foi chamado de segunda onda de governos progressistas e de esquerda, enquanto movimentos e partidos abertamente de direita avançam na Europa e nos Estados Unidos, alguns até com cunho fascista.
O fato de os governos dessa segunda onda estarem inseridos no mesmo fenômeno político não implica que haja homogeneidade ideológica entre eles. Há desde os que podem ser classificados como social-democratas até os que se declaram socialistas, "antiquados" ou em busca de formas adequadas ao século XXI.
Muitos desses governos venceram em processos eleitorais em que seus adversários eram de direita radical. Foi o caso do Chile, Bolívia, Brasil, Colômbia e Honduras, para os quais seus triunfos causaram um suspiro de alívio; mas com o tempo surgem discrepâncias e opiniões divergentes sobre se o que eles fazem corresponde ao que a esquerda “deveria fazer” ou não.
Este é um primeiro labirinto em que a esquerda latino-americana se perde ou, em termos mesoamericanos, morde o rabo. O que é ser de esquerda hoje e o que um governo que se autodenomina como tal deve fazer?
Essas questões estiveram menos presentes na primeira onda de governos progressistas e de esquerda, porque houve uma série de iniciativas que a esquerda latino-americana achou conveniente e gostou porque estavam em sintonia com sua tradição.
Eram propostas e medidas de caráter latino-americano e de espírito anti-imperialista, que buscavam a integração latino-americana autônoma. Eles foram protegidos por um espírito bolivariano como um precedente histórico, mas foram baseados em uma leitura do mundo contemporâneo que apostava na multipolaridade e nas relações sul-sul.
O Brasil com Lula e a Venezuela com Hugo Chávez lideraram esse movimento, no qual estiveram outras figuras importantes como Kirchner e Correa.
Mas agora não. Há apelos dos presidentes colombiano e mexicano e iniciativas mornas que não conseguem gerar movimentos e processos como os daquela primeira onda. De alguma forma, desperdiça-se a oportunidade de gerar novas iniciativas ou de relançar ou fortalecer aquelas que já percorreram um longo caminho, mas perderam força por diferentes motivos.
A esquerda latino-americana não encontra saída em outros labirintos. Um deles é o da Nicarágua; o outro é o da Rússia, ambos presentes na realidade política do mundo contemporâneo.
No caso da Nicarágua, há uma esquerda que a defende e outra que a odeia, que vê a FSLN encabeçada por Ortega e Murillo como uma ditadura que trai os princípios da revolução de 1979. Os argumentos vêm e vão, não há necessidade de repeti-los porque todos os conhecem.
E algo semelhante acontece com a Rússia nesse cenário em que invadiu a Ucrânia. Há quem continue a ver nela a velha URSS, e isso me lembra minhas conversas virtuais com colegas do Instituto Latino-Americano da Academia Russa de Ciências que, alguns anos antes desses eventos, já nos alertavam sobre esse fenômeno que classificaram como uma miragem.
Nestes labirintos não há Ariadna para oferecer o fio que conduz à saída, e desgastam uma esquerda que está a ter, parafraseando García Márquez, a sua segunda oportunidade na terra. Espero que mais tarde não nos arrependamos de tê-la desperdiçado.
quinta-feira, 6 de abril de 2023
Resistência em Debate recebe Jair Galvão * Sávio Kotter
terça-feira, 18 de outubro de 2022
Por um Programa dos trabalhadores contra a fome, o desempregado e a destruição do Brasil * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT
Por um Programa dos trabalhadores contra a fome, o desempregado e a destruição do Brasil
A degradação econômica, social e política no país se aprofunda. O resultado do golpe de 2016 que as classes dominantes brasileiras em conluio com o imperialismo americano, deram contra o povo trabalhador brasileiro, tem sido o avanço da miséria, da falta de perspectivas, a barbárie e a própria desarticulação do tecido social brasileiro.
39,3 milhões de pessoas no Brasil de Bolsonaro, estão submetidas a trabalho precário, semi-servil e outras 33 milhões estão literalmente passando fome. O desemprego recorde, a inflação nas alturas e a fome, se tornaram algo comum no Brasil dos últimos cinco anos, produto do avanço avassalador das políticas econômicas "neoliberais".
O que ainda existia de Estado social no país, legado pelo presidente Getúlio Vargas e o trabalhismo (produto de muita luta da classe operária brasileira), está praticamente aniquilado pela destruição sistemática sobretudo desde o golpista corrupto Michel Temer e mais ainda pelo genocida fascista Jair Bolsonaro. A legislação laboral e os direitos econômicos e sociais dos trabalhadores já estão praticamente suprimidos; as empresas estatais estratégicas para o desenvolvimento da nação por sua vez, estão sendo entregues a preço de fim de feira, como por exemplo a Eletrobrás e a Petrobrás ( esta última vem sendo fatiada e doada ao capital imperialista).
Em suma, vivemos no Brasil de hoje, o auge de um processo que se inicia já nos anos de 1980 ( com idas e vindas) que é uma espécie de neocolonização econômica e cultural, significando o recrudescimento radical da dependência e do subdesenvolvimento da nação em relação ao imperialismo e ao grande capital estrangeiro. O resultado profundo disso é a própria decomposição do Estado brasileiro, com suas consequências nefastas para o povo trabalhador e também para as classes médias, que tem se deparado com uma situação de empobrecimento acelerado e uma queda brusca no seu padrão social, chegando ao ponto de muitos elementos dessas camadas estarem atravessando o fenômeno do "desclassamento", ou seja, uma espécie de lupenização em suas fileiras, tamanho os efeitos destrutivos da crise capitalista.
O atual padrão de reprodução do capital em nosso país, marcado pelo avanço radical do subdesenvolvimento, está claramente em agonia e deixa claro o esgotamento do capitalismo dependente.
A destruvidade bolsonarista e os limites do lulismo e do petismo
O conturbado período eleitoral brasileiro deste 2022, expressa bem o que tem ocorrido no país já há algumas décadas:
Vemos por um lado uma burguesia completamente desprovida de qualquer projeto de nação, se lucupletando parasitariamente em meio a um mar de miseráveis e um país em frangalhos, marcado por uma crônica desindustrialização e um regresso histórico sem precedentes;
Por outro lado, as forças populares que foram derrotadas em 2016 e que desde então, apesar de serem vítimas de um verdadeiro processo de desmonte de suas conquistas históricas, não conseguem pôr de pé, uma agenda nacional de lutas e mobilizações que possam fazer recuar os ataques sistemáticos do capital em crise.
Em tal conjuntura, Jair Bolsonaro representa os interesses mais destrutivos da burguesia parasita contra os trabalhadores e parcelas da pequena burguesia. Lula por seu lado, balança, expressa mesmo as contradições que envolvem o petismo e o próprio lulismo: o PT foi uma tentativa de se constituir como "Social Democracia" tardia, num país de capitalismo dependente e subdesenvolvido, em meio a crise estrutural do capitalismo mundial, que fechava de vez qualquer caminho para reformas duradouras em benefício das massas trabalhadoras.
Nestas condições, ao não avançar para um Programa revolucionário da sociedade brasileira, o PT foi-se tornando cada vez mais um Partido da ordem, da "estabilidade" burguesa, caracterizado pela tentativa utópica de "conciliar" os interesses de exploradores e explorados. O resultado disso com o tempo, foi levar ao paroxismo a despolitização e retrocesso no nível de consciência dos trabalhadores: assim, um dos caminhos para o chamado "bolsonarismo" estava sendo aberto.
Dessa forma, podemos ver claramente que Lula e seu Partido não podem representar uma alternativa real que expresse verdadeiramente os interesses do povo trabalhador brasileiro. O círculo de alianças em torno da campanha presidencial atual de Lula deixa patente isso. Os elementos mais nocivos a nação e inimigos mais ferrenhos do operariado brasileiro, se articulam para levar ainda mais a direita um provável governo petista a partir de 2023.
Contudo, avaliando a atual correlação de forças entre as classes antagônicas no país, defendemos o voto em Lula para impedir a reeleição de Bolsonaro, elemento fascista que representa um perigo gravíssimo para os trabalhadores e suas organizações. A reorganização do movimento sindical e popular brasileiro em novas bases, é tarefa urgente.
Uma esquerda autenticamente revolucionária e operária precisa se articulada, que supere o isolamento das últimas décadas, como condição para exercer qualquer protagonismo político.
A derrota do fascista Jair Bolsonaro em 2022 representa um primeiro passo no sentido de criar condições mais favoráveis para rearticular no país, um movimento de base das massas trabalhadoras, que deve ser nosso horizonte a partir de 2023. Com isso, apresentamos um conjunto de propostas como plataforma dos interesses de nosso povo, ancoradas na realidade de nosso país e que expresse os nossos interesses mais imediatos, como ponto de partida para o próximo período de mobilização e de luta da classe trabalhadora:
1-Revogação imediata das contra-reformas trabalhista e previdenciária e fim do chamado "teto dos gastos" sociais;
2-Não ao pagamento da dívida pública (interna e externa) ao capital financeiro internacional, que na atual fase do capitalismo monopolista, representa um instrumento de neocolinialismo a serviço do imperialismo;
3-Desprivatização do Estado e um plano nacional de obras públicas;
4-Estatização do sistema financeiro;
5-Encampação dos monopólios;
6-Nacionalização do solo;
7-Redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais;
8-Escala móvel dos salários e gatilho salarial;
9-Democratização dos meios de comunicação;
10-Autodeterminação nacional;
11-Emancipação da cultura nacional.
*
APOSENTADOS
sábado, 15 de outubro de 2022
ANÁLISE REFLEXIVA SOBRE O SEGUNDO TURNO * Júlio Santos - CCOB-RJ
ANÁLISE REFLEXIVA SOBRE O SEGUNDO TURNO
II PARTE
Há alguns resultados na primeira pesquisa data folha do segundo turno que podem ser interpretados de duas maneiras: a primeira apontaria para um cenário bastante ruim para a candidatura Lula / Alckmin.
Falo da expressiva queda nas taxas que alimentam a rejeição de Bolsonaro e o consequente aumento expressivo nas taxas positivas do governo:
1. Parcela da população que julga o governo ruim ou péssimo caiu 4% (44% para 40%) da última pesquisa Data Folha (27 a 29/9, antes do primeiro turno, portanto) para a atual (5 a 7/10).
2. Parcela da população que nunca confia no presidente caiu 5% (51% para 46%) da última pesquisa Data Folha (27 a 29/09) para a atual (05 a 07/10).
3. Parcela da população que considera o governo ótimo/bom subiu 6% (31% para 37%) no mesmo período.
4. Parcela da população que sempre confia no presidente subiu 7% (21% para 28%) no mesmo período.
Esses dados podem ser interpretados como resultado dos efeitos das medidas eleitoreiras e anticonstitucionais que Bolsonaro vem tomando nesse segundo semestre, conforme aludi na primeira reflexão sobre o segundo turno, publicada a semana passada.
Essa interpretação pode ser sustentada por uma outra hipótese sobre dados comparativos das duas últimas pesquisas, quais sejam: a última pesquisa realizada (Data Folha 5 a 7/10), no seu método de coleta de dados, trabalha com uma amostragem por classe social que considera 50% ganhando até dois salários mínimos. Nessa pesquisa Lula venceria Bolsonaro por 49% a 44% dos votos totais (diferença de 5 pontos) e por 53% a 47% dos votos válidos (diferença de 6 pontos).
Se compararmos com a pesquisa anterior (QUAEST 3 a 5/10) que considera apenas 37% ganhando até dois salários mínimos e que apresentava uma diferença de 7 pontos a favor de Lula nos votos totais (48% a 41%) e de 8 pontos nos votos válidos (54% a 46%), abstraindo que a variação entre as duas pesquisas se dá dentro da margem de erro e considerando essa comparação correlacionada com as variações nas taxas de confiança/aprovação e desconfiança/reprovação do governo (expressas acima), podemos conjecturar que a votação de Bolsonaro está crescendo entre os mais pobres – quando se aumenta a amostragem dos mais pobres (Data Folha), a diferença entre Bolsonaro e Lula diminui.
Se essa for a realidade, com o aumento do efeito das medidas eleitoreiras e anticonstitucionais e com a adoção descarada de novas medidas, a dinâmica é de aumento progressivo dos votos de Bolsonaro e teremos uma apuração apertadíssima, com uma tendência por ora difícil de prever. Como diria o locutor esportivo: vai ter emoção até o fim.
Jogariam a favor de Bolsonaro, nesse cenário, as três semanas que ainda faltam para o pleito. Jogaria contra o grande percentual de votos que se dizem consolidados.
A outra hipótese é que esse movimento abrupto nas taxas de confiança/desconfiança de Bolsonaro reflitam o movimento de migração dos votos Ciro e Tebet no dia do pleito do primeiro turno e, depois, da migração de uma parte menor na abertura do segundo turno e tenda a se estancar.
Nessa hipótese trabalho com um referencial de natureza psico-social que se explicaria da seguinte forma: no primeiro turno, essas taxas não eram captadas pelas pesquisas porque os eleitores antipetistas de Ciro e Tebet que migraram no dia do pleito para o presidente justificavam sua opção política pela terceira via negando tanto Lula quanto Bolsonaro.
Após essa migração que se somou aos novos migrados após o primeiro turno, esses eleitores passam a justificar seu voto pró-Bolsonaro, abandonando sua rejeição absoluta e aumentando sua aprovação absoluta ou relativa.
Se essa hipótese for a que melhor espelha a realidade, a diferença da distância entre Lula e Bolsonaro observadas na comparação entre as pesquisas Genial/Quaest e Data Folha ocorreriam por conta da margem de erro e não espelhariam uma dinâmica em curso entre os mais pobres.
Nesse cenário, ceteri paribus, a distância entre Lula e Bolsonaro, apontada nas primeiras pesquisas (IPEC, QUAEST e DATA FOLHA), tende a se manter, com as oscilações se restringindo aquelas provenientes das campanhas de rua, dos debates e das propagandas eleitorais.
E claro que a propaganda eleitoral (muito melhor a de Bolsonaro nos dois primeiros dias) e os debates terão alguma influência no resultado final.
As próximas pesquisas, sem dúvida, apontarão novas conclusões e novas hipóteses.
De todas as formas, reitero o que manifestei na primeira reflexão sobre o segundo turno:
1. Em qualquer dos dois casos, a campanha Lula / Alckmin tem a necessidade de tomar as ruas ee explicar pacientemente nas regiões de periferia e nos locais de trabalho que as medidas atuais tem prazo de validade até as eleições e que a verdadeira política econômica de Bolsonaro para os pobres é manda-los trabalhar como burro-de-carga sem nenhum direito assegurado – que ele tenta enganar chamando de liberdade – você não tem patrão, mas também não tem salário garantido, não tem férias, não pode ficar doente, não tem 13º. Ou seja, você é livre para viver pessimamente. Esse é o debate principal: as condições materiais de vida do povo trabalhador.
2. Junto com isso, no trabalho de base, temos que estabelecer a discussão de que com Lula, pelo menos, poderemos avançar em nossa organização para lutar pelo que precisamos. Não podemos esperar que um futuro governo Lula-Alckmin vá atender nossas reivindicações se não lutarmos. Mas pelo menos poderemos nos organizar para lutar. Não só contra o governo pela nossa pauta de reivindicações que inclui emprego, salário, moradia, terra, saúde e educação, mas também contra os bolsonaristas fascistas que vierem se meter com nossa luta e nossa organização.
*
I PARTE
Parece que já há um consenso sobre a onda bolsonarista do primeiro turno que fez com que alguns quisessem questionar os cálculos estatísticos das pesquisas científicas, principalmente considerando os resultados de Rio de Janeiro e São Paulo. Alguns falam também em Minas, embora em Minas o vetor direção tenha se mostrado no sentido correto.
O consenso aponta que houve uma onda pró-Bolsonaro nas últimas horas que antecederam a eleição presidencial e que se espelhou no resultado final da eleição. Para ele teriam migrado parte dos votos de Ciro Gomes que desidratou em dois pontos percentuais em relação à última pesquisa Data Folha (de 5% para 3 %) e 3 pontos percentuais em relação à última pesquisa IPEC (de 6% para 3%); teriam migrado também parcela dos votos de Simone Tebet que, de acordo com o Data Folha, caiu 1,8% em relação à pesquisa realizada entre 27 e 29 de setembro (de 6% para 4,2%) e, de acordo com o IPEC, caiu 0,8% (de 5% para 4,2%). Também teria contribuído para a subida não detectada de Bolsonaro uma parcela de eleitores até então indecisos que, no caso particular de Rio e São Paulo correspondiam a um percentual importante dos eleitores. A votação de Lula ficou dentro da margem de erro de 2% do Data Folha (50% para 48,4%) e um pouco abaixo da margem de erro de também 2% considerada pelo IPEC (51% para 48,4%).
O que o “consenso” não explica é por que isso ocorreu. A depender da resposta a esse “por que” poderemos ter uma ou outra realidade configurada no segundo turno das eleições.
Há duas hipóteses que, a meu juízo podem explicar o fenômeno de crescimento extemporâneo de Bolsonaro no primeiro turno. Cada uma delas aponta para um desfecho diferente. Vos digo que não tenho clareza científica para me inclinar por uma delas, sendo obrigado a permanecer na incômoda posição do “palpite”.
A primeira, e a que mais me agrada, é que houve uma antecipação do voto útil do segundo para o primeiro turno. Nesse sentido, aqueles eleitores antilulistas que optariam por um voto ideológico em Ciro Gomes ou em Simone Tebet, sob a pressão do risco de vitória de Lula no primeiro turno, anteciparam o voto em Bolsonaro para o primeiro turno. Se isso é verdade, a parcela qualitativa de votos antipetistas que estavam com Ciro Gomes e com Simone Tebet JÁ MIGRARAM NO PRIMEIRO TURNO PARA BOLSONARO, sobrando nos votos que esses dois candidatos obtiveram a parcela antibolsonarista, suscetível, portanto, de votar em Lula no segundo turno.
Nessa realidade, ceteri paribus, o grande contigente de votos em Lula no primeiro turno tende a se repetir, configurando a derrota eleitoral de Bolsonaro.
A segunda hipótese é mais dramática e se refere aquilo que em estatística chamamos de tendência ou comportamento tendencial. Nesse caso uma inversão de tendência. Refiro-me ao pacote de medidas eleitoreiras e anticonstitucionais aprovadas às vésperas das eleições pelo conluio entre a presidência da república (Jair Bolsonaro) e a presidência da câmara dos deputados (Arthur Lira). Nesse cenário, as medidas eleitoreiras (queda no preço do combustível e da energia elétrica, auxílio de 600,00, deflação, etc) teriam começado a fazer efeito e uma parcela do eleitorado teria começado um movimento no sentido de manutenção do atual governo. Essa é uma aposta feita há algum tempo pela área econômica da campanha de Bolsonaro.
Nessa realidade, o tempo é o pior inimigo da campanha Lula-Alckmin, pois se estamos diante de uma tendência conjuntural, enquanto durar essa conjuntura mais eleitores migram para a campanha de Bolsonaro.
As próximas pesquisas de intenção de voto ajudarão a revelar qual o quadro real diante do qual estamos.
Em qualquer dos dois casos, a campanha Lula / Alckmin tem a necessidade de explicar pacientemente que as medidas atuais tem prazo de validade até as eleições e que a verdadeira política econômica de Bolsonaro para os pobres é manda-los trabalhar como burro-de-carga sem nenhum direito assegurado – que ele tenta enganar chamando de liberdade – você não tem patrão, mas também não tem salário garantido, não tem férias, não pode ficar doente, não tem 13º. Ou seja, você é livre para viver pessimamente.
Junto com isso, no trabalho de base, temos que estabelecer a discussão de que com Lula, pelo menos, poderemos avançar em nossa organização para lutar pelo que precisamos. Não podemos esperar que um futuro governo Lula-Alckmin vá atender nossas reivindicações se não lutarmos. Mas pelo menos poderemos nos organizar para lutar. Não só contra o governo pela nossa pauta de reivindicações que inclui emprego, salário, moradia, terra, saúde e educação, mas também contra os bolsonaristas fascistas que vierem se meter com nossa luta e nossa organização.
Júlio Santos
Atuário, aposentado e membro do Conselho Diretor do Centro Cultural Octavio Brandão (CCOB)




