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quarta-feira, 7 de maio de 2025

ATO EM DEFESA DA ÁGUA E DA CEDAE * Movimento Pautas Populares/MPP

ATO EM DEFESA DA ÁGUA E DA CEDAE
*Sexta-feira, 09/05, às 19h*

_Sindicatos, centrais sindicais, partidos e parlamentares de esquerda, além de diversas organizações do movimento social, estão unidos contra a tentativa do governador Cláudio Castro de privatizar os serviços restantes da *CEDAE: captação e tratamento da água.*

_A entrega desse bem essencial à iniciativa privada colocará em risco a qualidade da água e resultará, mais uma vez, em novos aumentos nas tarifas._

_A distribuição já foi entregue a empresas privadas, e o resultado tem sido desastroso: a conta absurda chega mas a água não, a torneira segue seca.

_Diante dessa situação, está sendo convocado um *Grande Ato em Defesa da Água, Contra a Venda da CEDAE*, que acontecerá no dia *15/05, às 10h, em frente à sede da empresa.*_

PRIVATIZAÇÃO É ROUBO!!!

segunda-feira, 4 de setembro de 2023

ELETROBRAS E A FARSA DA PRIVATIZAÇÃO * Carlos Drummond/AEPET

ELETROBRAS E A FARSA DA PRIVATIZAÇÃO
Um fiasco indisfarçável. Eletrobras e refinarias mostram-se inconfiáveis e praticam preços astronômicos ao consumidor

Não dá mais para esconder o enorme fracasso da iniciativa privada na gestão de empresas desestatizadas, a exemplo da Eletrobras e das refinarias que pertenciam à Petrobras. O apagão da terça-feira 15 e os recordes de preços dos combustíveis alcançados por refinarias como a Clara Camarão, do Rio Grande do Norte, com a gasolina mais cara do País em julho, deixam claro que, se não é sensato condenar toda e qualquer privatização, adotar a posição oposta, isto é, defender essa solução como fórmula geral a ser aplicada à economia, pode ser uma temeridade, ainda mais se as desestatizações afetam a segurança energética.

Neste mês, o topo do pódio da gasolina mais cara do País foi ocupado por outra refinaria privada, a Acelen, da Bahia, segundo o Observatório Social do Petróleo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, a conta de luz no Brasil é a segunda mais cara do mundo.

O insucesso de várias alienações do patrimônio público abrandou o mantra pró-privatização da mídia e reforçou o clamor pela necessidade de reestatização entre sindicatos de trabalhadores. O Economia governo parece ter entendido a mudança de clima, como indicam a decisão de excluir ações remanescentes na Eletrobras do programa de desestatização e a assinatura, com a 3R Petroleum, de um acordo de preferência, e precedência, na recompra de 22 campos de produção de petróleo e da refinaria Clara Camarão. Trata- -se, ao que tudo indica, de uma tentativa de reverter, ou ao menos minimizar, os estragos do desinvestimento de ativos estatais estratégicos para o Brasil, apresentado como condição para o aumento da eficiência, mas que se mostrou, na prática, uma operação para maximização de resultados para os novos proprietários das empresas privatizadas.

O governo brasileiro não tem mais nenhuma ascendência sobre a maior companhia de energia elétrica do País, que não considera necessário nem mesmo responder a um ofício da autoridade à qual está subordinada, o Ministério de Minas e Energia. O pedido, em julho, do ministro substituto Efrain Pereira da Cruz ao então presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Júnior, de suspensão do plano de demissão voluntária de funcionários, ficou sem resposta. A empresa não se dignou nem mesmo a acusar o recebimento desta e de outras solicitações semelhantes encaminhadas pelo órgão regulador, a Aneel, por entidades de trabalhadores e pelo atual vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, durante o governo de transição.

Na direção oposta do cuidado necessário a uma operação de importância fundamental para a economia e a sociedade, a empresa, sob comando do capital financeiro especulativo, personificado no grupo 3G, o mesmo acusado de provocar a crise da Lojas Americanas, integrado pelos empresários Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, atingiu um recorde de redução de pessoal. De 15.658 funcionários em 2018, a Eletrobras passou para 8.118 em 2022, segundo res- salta o memorial encaminhado, em junho, por sete entidades de trabalhadores ao Ministério do Trabalho. Para este ano, estão programados mais 1.551 desligamentos na companhia, de acordo com o relatório de administração do ano passado.

Segundo a Associação dos Empregados da Eletrobras, a identificação das causas do apagão poderá demorar mais que antes da venda da empresa ao setor privado, devido à falta de quadro técnico experiente e capacitado até mesmo para diagnosticar os motivos do colapso. "A Eletrobras demitiu e continuará demitindo. Ela não se preocupou, em nenhum momento, em repor as vagas de forma técnica, de modo que o trabalhador tenha noção clara de onde é que estão entrando, que se trata de um sistema bem complexo e que requer experiência e treinamento. A empresa não está preocupada com isso", alertou Francisco Ferreira da Silva, diretor do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e Comércio de Energia no Estado de Mato Grosso do Sul, representante da Federação dos Urbanitários do Centro-Oeste e Norte, em audiência pública sobre o impacto das demissões na Eletrobras, realizada na Câmara dos Deputados.

A Eletrobras e outras companhias do setor "passam batidas" em relação às normas regulamentadoras 10, 35, 6 e 1, do Ministério do Trabalho e Emprego, a estabelecer condições mínimas de segurança e saúde para os trabalhadores, normas de segurança para trabalho em locais elevados como torres de transmissão, execução de trabalho com equipamentos de proteção individual e medidas de prevenção em segurança e saúde do trabalho. "Entre as distribuidoras, só as estatais Cemig e a Copel - a última acaba de ser privatizada - asseguram um bom treinamento", disse o sindicalista.

A Cemig dedica mais de seis meses para formar um técnico. Empresas terceirizadas formam o mesmo tipo de profissional em apenas 40 dias, e gastam somente um mês para formar um eletricista.

"Nessas condições, o trabalhador vai a campo sem nenhuma condição de trabalho", chama atenção Ferreira da Silva.

Para piorar, houve mudança nas normas, com a reforma trabalhista de 2017, no governo Temer, e agora é permitido que as próprias terceirizadas façam o treinamento dos empregados. O resultado, em alguns casos, são treinamentos que ocorrem só no papel. "Fui conversar com alguns trabalhadores que não receberam treinamento algum, mas tinham certificado.

Isso é muito sério, pode provocar mortes. Há muitos mutilados, com as famílias à míngua, por conta de treinamento precário", dispara Ferreira da Silva. É preciso, acrescenta o sindicalista, que o novo governo traga de volta o Ministério do Trabalho com força de fiscalização.

Segundo o dirigente, nenhuma empresa privada se preocupa com o cliente. Há estados com distribuidoras que passaram por cinco grupos. Quando falta energia em uma casa, se não tem um hospital ou outro grande consumidor por perto, a população fica cinco ou seis dias sem energia elétrica.

Nas periferias, o povo pobre fica desatendido.

Para Wellington Soares, diretor do Sindurb-PE e integrante do Coletivo Nacional dos Eletricitários, há enorme preocupação dos trabalhadores com o aumento dos acidentes de trabalho, principalmente após a privatização da Eletrobras. O número de terceirizados na Companhia Hidro Elétrica do São Francisco, controlada da Eletrobras, chegou a 3.455 em 2022 e o quadro próprio tem apenas 2.200 empregados. A Chesf tem só oito engenheiros e 20 técnicos de segurança para os oito estados do Nordeste, estando Rio Grande do Norte, Alagoas e Sergipe sem nenhum engenheiro nem técnico para dar conta das linhas de transmissão, usinas e subestações.

Um dos principais impactos da privatização é a demissão com fechamento de postos de trabalho e sem a transmissão de conhecimento indispensável para manter a qualidade dos serviços. Além disso, há terceirização crescente, precarização e redução da qualidade dos serviços, aumento de acidentes, inexistência ou baixa qualidade dos equipamentos de segurança, deficiência na fiscalização dos serviços, desconhecimento dos procedimentos, baixa remuneração, baixa qualidade dos alojamentos e alimentação inadequada, falta ou falha na supervisão dos trabalhos. "O número de empregados da Chesf caiu de 4.547 em 2016 para 2.694 em 2022", observa Soares. "Neste ano, 2023, há 400 demissões programadas." As consequências são trágicas. "No ano passado, a Chesf teve acidentes fatais.

Dois trabalhadores, Fabiano Januário dos Santos e Tenisson de Jesus, caíram de torres de 45 metros de altura. Houve a opção de não fazer a manutenção de forma adequada, adiando sempre. Os funcionários das terceirizadas foram surpreendidos e pagaram com suas vidas", dispara Soares.

Há muitos acidentes, acrescenta o sindicalista, em deslocamentos com veículos velhos, sem condições de trafegar com segurança.

Os acidentes com afastamento, em 2022, romperam o limite de tolerância de 106 e explodiram para 2.995.

O deputado Bohn Gass, do PT do Rio Grande do Sul, chamou atenção para a calamidade das privatizações com o exemplo da LMTE Linhas de Macapá Transmissora de Energia, empresa privada encarregada do suprimento de energia na região e responsável pelo apagão de 2020. "A empresa foi multada em 3 milhões de reais.

Nós votamos uma Medida Provisória para apoiar o povo do Amapá. O Brasil pagou 80 milhões de reais", diz o deputado. "Isso é crime. É preciso reestatizar a Eletrobras." Há duas semanas, a Procuradoria- -Geral da República defendeu no Supremo Tribunal Federal a procedência de uma ação da Advocacia-Geral da União em defesa de maior poder de voto do governo na Eletrobras. Por conta de manobras consideradas indefensáveis na preparação da privatização, o Estado brasileiro tem 43% das ações, mas apenas 8% dos votos. Se o governo quiser reestatizar a companhia, terá de pagar três vezes o maior preço oferecido por outro comprador.

Os diretores aumentaram seus salários de 60 mil para 360 mil reais por mês, e cada conselheiro recebe 200 mil reais por participação em reunião, denunciou o presidente Lula em rede social do PT.
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quinta-feira, 13 de julho de 2023

ELETROBRAS PATRIMÔNIO PÚBLICO * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

ELETROBRAS PATRIMÔNIO PÚBLICO
"CARVÃO, SOL ÁGUA, VENTO OU GÁS TODOS SOMOS ELETROBRAS!

Trabalhadores da Eletrobras e Movimentos Sociais protestam no *Investor Day* da Eletrobras.

Nesta data, o presidente da Eletrobras privatizada anuncia a descarbonizacão da produção de energia. O processo vai incluir a venda/fechamento das usinas térmicas da empresa situadas nos Estados do Rio de Janeiro, Amazonas e Rio Grande do Sul.

Mais de 95% da base produtiva da Eletrobrasuu é renovável, mas as usinas térmicas (a carvão e gás natural) são importantes para a segurança energética em tempos de crise hídrica.

Mais uma contradição dentro do processo de lesa-pátria que foi a privatização da Eletrobras. O projeto de privatização, aprovado pelo Congresso em 2022, é objeto de uma ADI impetrada pela AGU e pelo Presidente Lula para garantir o direito de voto proporcional aos 43% de ações que o governo federal tem na empresa. No mesmo projeto de lei que privatizou a Eletrobras foi incluída a contratação de novas usinas térmicas. Então fica a pergunta: qual a lógica atrás dessa decisão. Respondemos: entregar novidades ao Mercado para justificar a privatização criminosa. Vender patrimônio construído pelo Estado, propriedade do povo brasileiro.

A possibilidade do fechamento da Usina de Candiota/RS, pertencente à subsidiária CGTEletrosul, por exemplo, terá um impacto econômico e social em seis municípios da região mais pobre do Rio Grande do Sul, com o fechamento de mais de 15 mil postos de trabalho.

Os trabalhadores denunciam e exigem que a Eletrobras suspenda qualquer alienação de patrimônio enquanto não for julgada a ADI pelo STF.

O ato contou com a presença de Sindicatos, CUT e integrantes do MAB e da Plataforma Operária e Camponesa da Água e Energia.

Gostariamos de colocar a nossa companheira Cristina da CGT Eletrosul no Panteão dos Defensores dos Trabalhadores da Eletrobrás, pela sua incansável luta por Candiota e que nos inspira a todos em não desistir e sim seguir ainda mais firmes na Vitória Final!
*CRISTINA NOS INSPIRA E REPRESENTA!*"

terça-feira, 11 de julho de 2023

NOTA EM DEFESA DA CAIXA, DOS EMPREGADOS E DO POVO BRASILEIRO * Diretoria da APCEF/RJ

NOTA EM DEFESA DA CAIXA, DOS EMPREGAADOS E DO POVO BRASILEIRO

Enquanto banco 100% público, a Caixa Econômica Federal se faz presente nos quatro cantos do Brasil e atua em prol do desenvolvimento da sociedade brasileira com programas que proporcionam desde incentivo social a financeiro. A Caixa, portanto, cumpre veementemente seu papel na sociedade e não deve ter seu desempenho retalhado com politização de cargos diretivos e técnicos.

Observa-se que com uma gestão firme e transparente, a atual presidência da Caixa busca atender às demandas da sociedade brasileira e também trabalha em prol do fortalecimento do banco enquanto empresa, reorganizando os processos internos e fortalecendo o canal de comunicação com os empregados, diferente da gestão criminosa do governo anterior.

Dada a devida importância da Caixa no cenário brasileiro, a APCEF/RJ tem uma enorme preocupação de que cargos estratégicos do banco venham a ser utilizados como barganha política, tendo todo processo de fortalecimento e importância social desprezados. A Diretoria da Associação defende que a Caixa se mantenha como pilar do desenvolvimento do povo brasileiro, 100% pública e respeitando os direitos dos empregados. A Caixa não pode sofrer tentativas de politização através de indicações de cargos diretivos. A Caixa não pode retroceder!

Diretoria da APCEF/RJ

terça-feira, 11 de abril de 2023

A RECEITA DE ROBERTO CAMPOS NETO * J. Carlos de Assis

 A RECEITA DE ROBERTO CAMPOS NETO

J. Carlos de Assis

O compromisso de enterrar a economia brasileira numa recessão sem precedentes está no DNA de Roberto Campos Neto. Seu avô, Roberto Campos, ministro do Planejamento do primeiro mandatário da ditadura militar, Castello Branco, uniu-se ao ministro da Fazenda, Octávio Gouvêa de Bulhões - figura de proa na ortodoxia burra da Fundação Getúlio Vargas, o berço do nosso fiscal-monetarismo -, para afundar o país, a partir de 1966, naquela que foi a pior crise econômica de nossa história. 


Milhões de trabalhadores perderam os empregos num intervalo de três anos, com o aumento da taxa de juros a níveis extremos e quebras sucessivas de empresas industriais e comerciais. Quem ganhou, como sempre, em condições semelhantes às de hoje, foram os financistas, banqueiros e alguns grandes empresários. Estes depois de juntaram para dar a Campos um presente de gratidão por seu exemplar desempenho no governo: o conglomerado financeiro BUC, em torno do Banco União Comercial.


Como era muito bom de lábia, mas completamente incompetente como banqueiro, Campos, para desespero de seus patrocinadores, quebrou o BUC, naquele que foi o segundo maior escândalo financeiro da ditadura militar, depois do colapso do banco Halles. O mercado, naturalmente, entrou em pânico, pois o presidente do BUC havia desenvolvido uma ideia muito peculiar quanto à gerência de instituições financeiras. Sua ideia era concentrar os empréstimos em poucas grandes empresas. Essas estavam ligadas financeiramente a uma rede de outras centenas delas, e, ao final, a outros grandes bancos e praticamente a toda economia.    


O ambicioso objetivo de Campos era copiar no Brasil o modelo japonês que havia dado suporte ao desenvolvimento econômico desse país tendo por esteio grandes conglomerados financeiros-industriais-comerciais. Ele se esqueceu, porém, de que os empresários industriais e comerciais brasileiros não queriam distribuir com aplicadores os lucros de suas empresas individuais, preferindo os clássicos empréstimos bancários à distribuição de dividendos nas sociedades anônimas. Na verdade, naquela época (início dos anos 1970), nem mesmo havia um marco legal bem estabelecido para isso.


Seguindo sua inspiração bancária, Campos concentrou os empréstimos do conglomerado que dirigia – banco comercial, banco de investimento e financeira, além de corretora e distribuidora de valores – em não mais que 16 grandes grupos, à frente dos quais estavam o Lume, a Servix e a Metropolitana. Era uma tremenda irresponsabilidade. Quando a economia passou da fase de expansão acelerada dos anos 68-73 para uma terrível contração, devida a fatores externos, esses três grupos sofreram tremendo abalo e entraram em regime concordatário ou falimentar, sem condições de realizar seus empréstimos.  


O medo de quebras em cadeia com a crise de liquidez gerou pânico. O próprio governo, assustado, despachou para o Rio o presidente do BC, Paulo Lira, para contornar a situação. Houve uma negociação penosa com os controladores e uma investigação criteriosa da situação do conglomerado pela autoridade monetária, ao fim da qual ficou evidente que o passivo administrado por Campos era muitíssimo superior ao ativo. Em qualquer país, sua credibilidade estaria liquidada. Além disso, alguém teria de pagar essa conta.


As negociações para resgatar os estragos deixados pela quebra foram penosas. Era preciso arranjar de qualquer forma um meio para acalmar o mercado, mas, acima de tudo, era necessário um expediente para salvar a reputação de Campos. A fórmula encontrada foi entregar a administração da massa falida do BUC ao Itaú, um banco com credibilidade; e dar a Embaixada de Londres para o próprio Campos. Porém, mesmo a absorção pelo Itaú não foi simples. A ideia era que, para dar um recado exemplar aos banqueiros irresponsáveis, os antigos controladores teriam de ter algum prejuízo.


Acontece que Soares Sampaio, um dos acionistas do BUC, era odiado pelo presidente Geisel, porque, como um dos principais donos de uma refinaria privada, concorria com a Petrobrás na área petroquímica. Ele era um negociador duro e fez o máximo para reduzir suas perdas pessoais. De sua parte, os negociadores do BC tentaram omitir o fato de que o presidente queria cobrar dele alto preço por sua aventura bancária. Em determinado momento, porém, Lira perdeu a paciência, e lhe passou o recado de Geisel: “O presidente mandou lhe dizer que ou faz o negócio nos nossos termos, ou não terá nem pão nem água no governo dele”. Naturalmente, ele cedeu. 


Fugindo da posição constrangedora que lhe deixou a quebra do BUC, o ex-ministro Roberto Campos, alegando que havia se esgotado “o prazo máximo previsto em lei” para que diplomatas ficassem fora do Itamarati, avisou que voltaria à carreira para assumir o honroso posto de embaixador brasileiro em Londres. Entretanto, mesmo lá as consequências da quebra o perseguiram. O BC descobriu que o último balanço do banco tinha sido fraudado, e a seu presidente havia sido destinada uma expressiva quantia em dinheiro. Um diretor do BC foi então despachado para Londres a fim de cobrar de Campos o dinheiro que recebeu.  Ele pagou sem discutir.


Curiosamente, o jornal que anunciara sua saída do banco e a ida para a Embaixada disse que, no intervalo entre as duas funções, o antigo ministro do Planejamento se dedicaria a escrever, junto com Mário Henrique Simonsen, o  livro A Modernização da Economia Brasileira. De que exatamente deveria tratar essa modernização? Do extremismo monetário e fiscal do governo Castello, que gerou milhões de desempregados e quebras de empresas, ou da irresponsabilidade bancária de Campos na direção do BUC? Seria isso a modernização da economia? Como disse uma vez Delfim Neto, quem sabe faz, quem não sabe ensina!



O neto de Campos que está na presidência do BC aprendeu muito bem com o avô a lição para destruir a economia brasileira. Com sua taxa de juros básica de 13,75%, ele superou as travas colocadas por Temer, Guedes e Bolsonaro no caminho de nossa recuperação industrial e tecnológica. Teto de gastos, equilíbrio fiscal, superávit primário são expedientes legais impostos pelos governos anteriores para impedir que, se um governo progressista como o de Lula viesse no futuro a ganhar as eleições, ele não poderia fazer nada para impulsionar o crescimento sustentável do país. 


O mais terrível, porém, é o mandato de autonomia de quatro anos dado à diretoria do BC para conduzir, já na segunda metade do governo Bolsonaro, a política de juros que está sendo estabelecida para a primeira metade do mandato de Lula. Quando manipulada com má fé, como agora, ela tem reflexos diretos e negativos no câmbio e no comportamento geral da economia. Para escapar dessa restrição constitucional, só mesmo uma mobilização gigantesca da cidadania brasileira para exigir do Congresso uma reforma constitucional e restabelecer condições de governabilidade que imponham uma nova política fiscal-monetária ao país. 


Se isso, tendo em vista a composição reacionária do Congresso, não for possível, poderia ser feito novo apelo ao Supremo Tribunal Federal para derrubar a autonomia do presidente do BC. Agora já não   seria uma discussão em tese, como já foi feita e se tornou causa perdida, mas a busca de uma decisão nova sobre um fato concreto: ou a autonomia acaba, ou o Brasil quebra sob o comando do neto, como o BUC quebrou sob o comando do avô!


Uma última tentativa seria convocar no Brasil uma grande convenção internacional de economistas de renome, para fazer uma análise da política monetária em curso. A recente palestra do prêmio Nobel Joseph Stiglitz em seminário promovido pelo BNDES foi um bom exemplo de como personalidades de destaque no mundo da economia consideram os juros reais brasileiros, os mais elevados do mundo, como capazes de “matar a economia”. Diante disso, justifica-se inclusive apelar para a Lei de Segurança Nacional para proteger contra a morte o país e a sociedade brasileira. 

domingo, 11 de dezembro de 2022

PRIVATISTAS ATACAM A COPEL * Rômulo Jr / PR

 PRIVATISTAS ATACAM A COPEL

Por aqui no estado do Paraná - Foz do Iguaçu, as austeridades da política criminal do neoliberalismo seguem a todo vapor na figura do governador reeleito em primeiro turno com cerca de 70% dos votos válidos, Carlos Massa Ratinho Júnior (Ratinho-PSD), com a venda ressente  da empresa pública ( COPEL) e o projeto de privatização do ensino público e dos hospitais da rede SUS, que já esta bem avançado, revela um sinal concreto de que mesmo com a derrota de Bolsonaro nas eleições presidenciais, as políticas de  ataque à classe trabalhadora e o avanço do programa neoliberal não sofreram revés algum.


A venda da empresa Copel, distribuidora de energia que fora aprovado em tempo recorde na camarada estadual  pela maioria dos parlamentares, sem abrir espaços para discussão com a sociedade mostrou explicitamente a face desta política devastadora neoliberal.


É preciso que se  denuncie a toda sociedade paranaense e para o povo brasileiro o que de fato está por traz de tudo isto. Não podemos aceitar ou tampouco permitir que o capital neoliberal venda as nossas riquezas e nos condicione a minguar para o abismo, sem direitos, sem futuro, condicionando o povo trabalhador assim a trilhar sobre sua própria sorte sem nenhuma perspectiva! 


Romulo Jr.PR

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

É PROIBIDO GOVERNAR * IGOR GRABOIS/RJ

É PROIBIDO GOVERNAR


IGOR GRABOIS/RJ

Considerações sobre a captura pelo neoliberalismo da máquina pública

Impressionante o que o neoliberalismo fez com a máquina pública brasileira. O presidente eleito tem, na prática, de pedir para governar. E não estou falando de aprovação de leis no Congresso e que tais. Estou falando das atribuições do Poder Executivo.

Uma série de órgãos públicos tem “mandato”, que blindam seus dirigentes do voto popular. O Banco Central independente – deve ser do pai e da mãe, porque é dependente do mercado – é o caso mais gritante. Bob Fields Neto, parça do sinistro Paulo Guedes, tem dois anos ainda para sabotar a política econômica do governo.

A Aneel, a agência capturadíssima pelos regulados, as empresas do setor elétrico, avisa o governo de transição que a energia vai aumentar 5,3%, em algumas distribuidores mais de 10%. Por cálculos que ninguém sabe quais. Bastaria trocar os dirigentes da Aneel e implantar a modicidade tarifária. Só que não. A Aneel tem “mandato”. O setor está todo privatizado e é necessário “respeitar os contratos”. Danem-se os consumidores residenciais e empresariais.

A situação se repete em um monte de outros setores como aeroportos, telefonia, portos. Até a Embratur tem “mandato”. Bozo nomeou o Sanfoneiro Gilson para quatro anos (!) de mandato. O próximo governo está impedido, de fato, de implantar uma política para o turismo. O Sanfoneiro Gilson, é de conhecimento geral, acha que turismo é jogo e turismo sexual.

Na Petrobras, com um estatuto que favorece os acionistas minoritários, o presidente da empresa, ex-secretário de Paulo Guedes, anuncia que ficará até abril de 2023, até a nova Assembleia de acionistas. Vai aproveitar para vender mais alguns pedaços da companhia.

O vice-presidente Geraldo Alkmin negocia com o Sebrae para que adie a eleição de sua direção para fevereiro. O Sebrae faz parte do sistema S, mas recebe caminhões de dinheiro público para não apoiar, com medidas concretas, a micro e pequena empresa.

A maioria do povo não sabe disso. O aumento da energia elétrica vai para o colo do novo presidente. O aumento de juros e política monetária contracionista vão fazer o Tesouro e a política fiscal enxugar gelo, com efeitos devastadores nos preços e nos empregos. A conta também será paga por Lula.

O tal mercado tem as agências, o Banco Central e os tais “contratos” que só beneficiam as empresas. E ainda querem impor um nome de seu agrado no Ministério da Fazenda e ditar a política fiscal. A política fiscal é a única que o presidente, no momento, pode implementar, já que a monetária e a cambial estão a cargo do Banco Central “independente”.

Para implantar o programa escolhido pelas urnas é mandatório que os arranjos institucionais implantados desde o governo FHC sejam rediscutidos, com o retorno para os ministérios o poder usurpado pela miríade de agências regulatórias que trabalham a favor dos regulados privados.

FONTE

É proibido governar - A TERRA É REDONDA

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

A UFRJ NÃO ESTÁ A VENDA !! * Victória Pinheiro/ADUFRJ/SINTUFRJ/DCEUFRJ/RJ

A UFRJ NÃO ESTÁ A VENDA !!
Victória Pinheiro - RJ

Ontem a reitoria da UFRJ, ignorando tudo que vem sendo acumulado pela comunidade acadêmica, aprovou à portas fechadas, no conselho universitário, o Projeto de Valorização do Patrimônio da UFRJ. Esse projeto nada mais é que a concessão de terrenos da Praia Vermelha para a iniciativa privada por 30 anos!

Desde que o projeto começou a ser pautado, desde o início de forma antidemocrática, houveram muitos debates, assembléias e reuniões organizadas pela comunidade acadêmica para debatê-lo, dos quais a reitoria se furtou Inclusive, o CFCH da UFRJ organizou uma consulta pública a toda comunidade acadêmica sobre a implementação do projeto, aferindo que mais de 90% dos estudantes, mais de 70% dos técnicos e dos docentes são contrários a essa reedição do Viva UFRJ.

A UFRJ DISSE NÃO A PRIVATIZAÇÃO! 

O objetivo do projeto é entregar 15.000 m2 para a iniciativa privada construir uma casa de shows com capacidade para mais de 4 mil pessoas. Essa proposta se agrava ainda mais pois o local em questão está ao lado do INDC que atende pacientes da neurologia e muito próximo do Instituto Philipe Pinel, que é referência no atendimento psiquiátrico, o que será feito com esses pacientes em dias de grandes shows?

O projeto ainda avança sobre o campinho, que a reitoria insiste em chamar de terreno ocioso e abandonado, uma importante área de preservação natural e que comporta mais de 10 projetos de extensão voltados para a promoção de saúde mental, arte, cultura, esportes e agroecologia.

Uma das grandes justificativas da reitoria da UFRJ é a questão orçamentária, mas em nenhum momento vimos a reitoria debatendo a EC 95, o teto de gastos, que é o verdadeiro responsável pela falta de verbas para manutenção das universidades públicas.

Além disso, a única contrapartida que está envolvida nessa concessão é a construção de um novo prédio para a universidade e um novo bandejão, mas também não é publicizado que isso só entra em debate após a construção da casa de shows e se a mesma for lucrativa.

É lamentável que no momento em que mais precisamos defender a universidade pública das garras da iniciativa privada, uma reitora entregue de mão beijada uma parte significativa de uma das maiores e mais tradicionais universidades públicas do nosso país!

Por um equipamento cultural popular, fora da lógica dos megaempreendimentos!
Pela recomposição orçamentária das universidades e revogação da EC 95!

Por transparência e ampliação da participação da comunidade acadêmica nos espaços de decisão!

NÃO A PRIVATIZAÇÃO DA UFRJ!

&

Reitoria da UFRJ realiza votação controversa de projeto que cede terreno da instituição à iniciativa privada


“Movimento UFRJ não está à venda” publica nota crítica à administração central da UFRJ e diz que processo foi autoritário, desmedido e apressado


Da Redação da ADUFF

Fotos: Luiz Fernando Nabuco


Na manhã do dia 17 de novembro, o Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro – Consuni – aprovou de forma controversa o "Projeto de Valorização do Patrimônio da UFRJ”. A medida cede 15 (quinze) mil m² do Campus da Praia Vermelha para a construção de uma casa de shows privada, por um período de no mínimo 30 (trinta) anos e, em contrapartida, a empresa que terá a administração do antigo Canecão precisará garantir a edificação de um novo restaurante universitário e um espaço para até 80 salas de aulas.


No entanto, como denuncia o “Movimento UFRJ não está à venda”, a votação ocorreu de forma autoritária pela reitoria. Em nota, o movimento - formado por Sintufrj, Andes-SN e DCE Mário Prata -  disse que por diversas vezes alertou a reitoria que um tema sensível como tal “exigia mecanismos de democracia participativa, como audiências públicas e plebiscitos com a comunidade, dentre outras formas de debate”. A mesma nota disse que o CFCH – Centro de Filosofia e Ciências Humanas - foi o único centro que conseguiu, no tempo tão curto em que essa discussão foi levada ao CONSUNI, realizar uma consulta à sua comunidade e cerca de 90% disse NÃO ao projeto.


Leia a íntegra em https://www.instagram.com/p/ClGyegnLrnX/?igshid=YzdkMWQ2MWU=


Veja mais em: http://www.aduff.org.br/site/index.php/notocias/noticias-recentes/item/5188-reitoria-da-ufrj-realiza-votacao-controversa-de-projeto-que-cede-terreno-da-instituicao-a-iniciativa-privada

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segunda-feira, 4 de julho de 2022

A SEGUNDA MORTE DE CHICO MENDES * MÍDIA NINJA

A SEGUNDA MORTE DE CHICO MENDES

Estátua foi derrubada na sexta-feira (1) e permanece do mesmo modo (Sérgio Carvalho)

Repercutem nas redes sociais, imagens da estátua de Chico Mendes derrubada. Ela fica na Praça dos Povos da Floresta, em Rio Branco (AC). O cineasta Sérgio de Carvalho (@crellier) disse que a estátua tombada, “além de ser um patrimônio público, traz uma carga simbólica negativa profunda”. E lembra que o poder público já apagou o grafite em homenagem a Chico Mendes no Mercado dos Colonos e proibiu que fosse refeito.

“Mesmo que tenha sido ação de vândalos, é um descaso deixá-la assim. Um desrespeito à família de Chico, aos seus companheiros, a todo o seu legado sócio ambiental. À memória do Acre. (…) Espero providências, que levantem e guardem a estátua e que ela não se perca no porão extremista das ideologias obscuras”.

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quinta-feira, 1 de julho de 2021

Comitê em Defesa dos Correios * Alejandro Acosta/MG

 Comitê em Defesa dos Correios

Vários trabalhadores dos Correios lançaram o Comitê em Defesa dos Correios com o objetivo de lutar contra a privatização, a defesa dos serviços sociais prestados (tais como as entregas dos materiais do ENEM e das prefeituras), assim como a defesa dos empregos.

O Comitê irá impulsionar uma campanha nacional com o objetivo de mobilizar os trabalhadores e a população na defesa desse importante patrimônio que está sendo intencionalmente sucateado para entrega-lo aos abutres capitalistas.


ADEMIR SOUZA

FUNCIONÁRIO DO CORREIO ASSASSINADO PELA PM


Sempre as privatizações dos serviços públicos foram seguidas do aumento sensível das tarifas, que são aplicadas contra a população como se fossem impostos.

A qualidade dos empregos gerados sempre são muito piores aos eliminados, até porque os abutres capitalistas buscam maximizar os lucros em cima do sangue e suor dos trabalhadores.

O Comitê irá utilizar vários mecanismos de propaganda com o objetivo de sensibilizar e mobilizar o povo brasileiro. Serão confeccionados banners, memes, matérias, abaixo assinados, vídeos, áudios. Buscaremos lançar outdoors, entrevistas nas rádios etc.

Em outras palavras, o Comitê irá promover uma série de atividades para enfrentar a entrega devido à inoperância das direções dos sindicatos atuais e dos partidos políticos. Todos eles atuam ajudando o Governo Bolsonaro a massacrar o Brasil.

O presidente da Câmara dos Deputados, o bolsonarista Artur Lira anunciou que colocará em pauta da privatização dos Correios já neste mês de julho, buscando que seja tão simples como a privatização da Eletrobras.

Vamos discutir com os trabalhadores e a população a importância de enfrentarmos o massacre do Brasil. Usemos esta campanha de propaganda como um instrumento para impulsionarmos a luta.


Por um Correios a serviço do Brasil!

Por 250 mil empregos concursados, conforme recomendação da União Postal Universal.

Os Correios são nossos!

Trabalhadores uni-vos já!


ALEANDRO ACOSTA/MG

membro do Conselho Editorial do jornal GAZETA REVOLUCIONÁRIA