terça-feira, 28 de março de 2023

UM FANTASMA RONDA O GOVERNO LULA… E NÃO É DO COMUNISMO! * PALAS ATENA/ALEXANDRE SANTOS

 UM FANTASMA RONDA O GOVERNO LULA…

E NÃO É DO COMUNISMO!

NOTA
"Sérgio Moro, com líderes da extrema direita latinoamericana."

"Veio a calhar, não pela razão (doença), mas pelo efeito, o cancelamento da viagem de Lula à China. Como ficou patente hoje, havia (como sempre há) um golpe em curso por parte  da extrema-direita. A ausência do presidente, de parlamentares relevantes (incluindo o presidente do Senado) e outros membros do governo, em viagem ao outro lado do mundo, poderia repetir como farsa a história de vácuo no poder à moda Jango.  


O sinal de alerta já tinha sido acionado quando o genocida confirmou a volta dele ao Brasil no dia 30 de março, a tempo de infernizar o país com provocações de comemoração do golpe militar no dia 31.  Foi súbita a mudança de ideia dele que havia dito não ter data para voltar ao país e afirmado que planejava um tour pela Europa, antes de pisar em terras brasileiras.

O marreco de Maringá é pai e sabujo da extrema-direita, se reaproximou do genocida depois de ser por ele desprezado. Armou  a patranha jurídica do pcc,  com sua cúmplice e serviçal, juíza copia e cola, incrementando uma suposta ameaça a ele. O deputado fascistinha de Minas, nikolas chupetinha,  já tinha alardeado que entra com notícia-crime contra Lula por quebra de decoro ao mandar o marreco se phoder.  


No esgoto bozofacista, não oficial (redes sociais) e oficial (mídia oligárquica), as fake news ligando Lula a essa suposta ameaça ao marreco está intensa, atuando articulada para criar, sustentar, difundir e consolidar a 'narrativa' de criminalização de Lula e do PT como associados ao pcc. Essa é a linha-mestra da extrema-direita há semanas, com ataques à visita de Flávio Dino ao complexo da Maré e difusão de material associando-o ao tráfico de drogas.


O contexto para colocar o governo Lula nas cordas, com o presidente e aliados longe, estava criado, incluindo o fato de que arthur lira, outro gângster que gera a maior crise institucional do Congresso, ao querer impor um rito inconstitucional na tramitação das MPs, estaria no Brasil enquanto Lula estaria fora. lira é um escroque, está se sentindo com poderes imperiais e sustenta a base bozofascista. 


A intuição excepcional de Lula o levou a constatar - tem cabeça, rabo e corpo de armação. Se, na entrevista ao Brasil 247, a fala do presidente sobre phoder o  marreco foi espontânea, na entrevista que deu no Complexo Naval de Itaguaí, onde disse suspeitar de armação, não foi. Ele deu um risinho de ironia antes de falar isso, como quem avisa "pra cima de moi?!". 


Fez-se a tempestade quase perfeita com a satanização  da fala de Lula, e as engrenagens do golpismo acelerando seus próximos passos. O marreco ganhou holofotes, posando de vítima; ministro da Secom se deixa enredar na armadilha da mídia bozofascista; não explica, complica. 


Mas, como na questão dos juros, Lula pôs o guizo no gato. Aos poucos, vozes dissonantes no meio jurídico começam a se insurgir contra a versão monolítica da extrema-direita midiática e de seu farsante e criminoso herói. Aqui e ali há a identificação do pontinho de decomposição no nariz da múmia. A farsa vai se revelando farsa. 


Hoje à tarde, sem pudores, a extrema-direita mostrou seu propósito golpista. O marreco de Maringá fez postagem criminosa, inventando uso de e-mail  Lula Livre nos supostos documentos que atestam as supostas ameaças do pcc.

Na sexta, o médico de Lula tinha dito que a pneumonia dele era leve e ele poderia viajar domingo. Neste sábado, reavaliou o quadro, e o presidente cancelou a viagem. Estará no Brasil, não longe como queria o golpismo. Nada é por acaso."


Por: Palas Atena


COMENTÁRIO: O plano todo para matar o Moro vai se revelando uma grande farsa. A extrema-direita é golpista. Mais uma fake news.

Roberto Rosa.

A HISTÓRIA NÃO SE REPETE

Alexandre Santos


Em 25 de agosto de 1961, quando as forças armadas brasileiras comemoram o Dia do Soldado, aproveitando uma providencial viagem do vice-presidente João Goulart à China, Jânio Quadros apresentou seu pedido de renúncia. Contando com a ojeriza dos militares ao comunismo, ele esperava que os generais se recusassem a aceitar a presença de um ‘comunista’ (que, na ocasião, sintomaticamente, visitava um país comunista) na presidência e exigisse a sua permanência [permanência de Jânio] no cargo. Seria o auto-golpe perfeito: Jânio continuaria presidente sem a sombra de um vice inoportuno (pela legislação da época, presidente e vice-presidente eram eleitos em pleitos distintos e, estranhamente, João Goulart era o líder da oposição à Jânio Quadros).


Mas, as coisas não aconteceram como Jânio queria, pois, imediatamente, o Congresso Nacional aceitou a sua renúncia, declarando a vacância do cargo. De qualquer forma, mantendo o veto à presença de João Goulart na presidência, restou aos militares golpistas a opção intermediária que redundou na implantação do regime parlamentarista no Brasil. Pois bem. De certo modo, aquele episódio ocorrido em 1961 (que serviu de anúncio do golpe de 1964) inspirou bolsonaristas golpistas que, agora, aproveitando a viagem de Lula à China, sonharam em organizar o ‘retorno triunfal’ de Jair Bolsonaro.


Os bolsonaristas (que nunca estudaram história e sabem das coisas de forma muito superficial) perceberam algumas semelhanças - a viagem à China e o período (Goulart no entorno do Dia do Soldado e Lula no entorno do 31 de Março) - e pensaram assim: com Lula fora do País, Bolsonaro chegaria ao Brasil na véspera do 31 de Março, seria aclamado por uma multidão no aeroporto e estariam postas as condições para um novo Oito de Janeiro. Lembremos que a Turma do Capetão está programando manifestações para o dia 02 de abril.


Acontece que, por proibição médica em função da pneumonia leve que o acometeu, Lula precisou adiar a viagem à China, frustrando os planos dos golpistas. Já estão dizendo nas bolhas bolsonaristas que o retorno do Capetão foi adiado por 72 horas… Todo cuidado com esta turma é pouco. Nunca é demais lembrar que, enquanto estiverem soltos, os golpistas bolsonaristas estarão urdindo algum golpe para perturbar a retomada do crescimento econômico e do desenvolvimento social do País. 


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MAIS EXTREMA DIREITA

Moro posa com líderes da extrema-direita latina e tenta ocupar vácuo deixado por Bolsonaro | Revista Fórum

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FRENTE REVOLUCIONÁRIA DOS TRABALHADORES: A MINA DE OURO DA MILÍCIA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

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GOLPISMOS NUNCA MAIS * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

GOLPISMOS NUNCA MAIS
PROGRAMAÇÃO DA TV BRASIL
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COLOMBO E JESSE JANE
*Na Globoplay a partir da próxima quinta feira dia 29 uma série sobre o casal Colombo Vieira de Souza Junior e Jessie Jane Vieira de Souza, militantes contra a ditadura militar. Eles tentaram sequestrar um avião no Rio com o objetivo de trocar reféns por presos políticos, mas acabaram atrás das grades. “Jessie & Colombo”, em quatro episódios, tem direção de Susanna Lira.*
Bolsonaro, Moro e seus apoiadores são torturadores?

Por Everton Rodrigues (@gnueverton)

O fascismo surge onde não há espaço para o debate e o pensamento. Ele se alimenta do silêncio e da relativização.

"Nada de Novo no Front" da mídia brasileira.

A recente suposta controvérsia envolvendo o ator Pedro Cardoso expõe uma realidade inquietante. Pedro, afirmou que bolsonaro cadeia é um torturador. Cardoso argumentou que, ao defender o torturador condenado Carlos Brilhante Ustra diante de sua vítima torturada, Dilma Rousseff, bolonaro cadeia se tornou um torturador.

Essa afirmação de Pedro Cardoso, por sua vez, implica que o ex juiz moro, que serviu ao neofascista bolsonaro, também é um torturador, assim como todos que ainda apoiam e defendem essas duas figuras nefastas.

A jornalista da CNN, Raquel Landim, contestou a defesa de Pedro, afirmando que bolsonaro é APENAS um simpatizante, um defensor da tortura e não praticou tortura pessoalmente. Cardoso rebateu, lembrando que bolsonaro defendeu o torturador Carlos Brilhante Ustra diante de sua vítima torturada durante a votação do processo de golpe contra a democracia brasileira e a presidente Dilma Rousseff em 2016. Esse apoio é tortura na prática.

Além disso, o neofascista bolsonaro promove o assassinato ao defender armas e estimular a violência contra todos os que pensam de maneira diferente.

Lamentavelmente, a jornalista Raquel Landim relativiza que apoiar a tortura é uma questão de opinião e não configura tortura em si. Ela acredita que apenas aqueles que sujam as mãos de sangue com a tortura são considerados torturadores.

Infelizmente, a mídia brasileira perpetua um ciclo antigo e perigoso ao relativizar figuras como os neofascistas bolsonaro e moro e seus apoiadores.

O fascismo e a tortura prosperam na ausência do debate e do pensamento crítico.

"Nada de Novo no Front" da mídia brasileira.

segunda-feira, 27 de março de 2023

OUTRA VEZ RUMO AO PERU * Carlos Pronzato/RJ

 OUTRA VEZ RUMO AO PERU

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O cineasta documentarista, poeta, ficcionista, dramaturgo e diretor teatral Carlos Pronzato, argentino/brasileiro, encara mais uma vez as estradas de "Nuestra América". Com pouca equipagem e uma câmera na mão o foco inicial agora é o Peru e as mobilizações indígenas e camponesas que tomaram conta do país desde dezembro de 2022. Documentar esses processos desde uma perspectiva autônoma é parte da construção de um acervo de memórias críticas da América Latina, úteis também para o debate e a ação política contemporâneas.

Além dos muitos documentários realizados no Brasil, Carlos Pronzato realizou, nos anos 2000, documentários na Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile e Bolívia. E durante grande parte da década de 80 percorreu de carona e morou em diversos países da América Latina, desde o México no norte até o Chile, no sul, sendo esta viagem a sua grande escola cultural e política. Carlos Pronzato não retorna ao Peru desde 1985, portanto será um reencontro com a História desse país e a oportunidade de construir novas narrativas audiovisuais.

Rumo a esta nova missão do cinema revolucionário!

Rumo ao Peru!

Para apoiar:

Conta PIX : carlospronzato@gmail.com

ou

Banco do Brasil

Agência: 0346 - 8

Conta Corrente: 222.567 - 0

Obs. Quem quiser colaborar também pode adquirir Caixa com 85 DVDs (catálogo completo). O investimento é de R$ 1.500,00 (incluído frete).

Contatos: 21 9 79957981

Face e Insta: Carlos Pronzato

Canal YT: Carlos Pronzato

Catálogo de filmes e livros:

www.lamestizaaudiovisual.com.br


"Caminante no hay camino

Se hace camino al andar..."

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CARTAS A CHÊ GUEVARA * FREI BETTO-SP

CARTAS A CHÊ GUEVARA - I

FREI BETTO/SP

Querido Che,

Passaram-se muitos anos desde que a CIA te assassinou nas selvas da Bolívia, em 8 de outubro de 1967. Tu tinhas, então, 39 anos de idade. Pensavam teus algozes que, ao cravar balas em teu corpo, após te capturarem vivo, condenariam tua memória ao olvido. Ignoravam que, ao contrário dos egoístas, os altruístas jamais morrem.

Mudanças radicais ocorreram nesses trinta e seis anos. O muro de Berlim caiu e soterrou o socialismo europeu. Muitos de nós só agora compreendem tua ousadia ao apontar, em Argel, em 1962, as rachaduras nas muralhas do Kremlin, que nos pareciam tão sólidas.

Quem sabe a história do socialismo seria outra, hoje, se tivessem dado ouvido às tuas palavras: “O Estado às vezes se equivoca. Quando ocorre um desses equívocos, percebe-se uma diminuição do entusiasmo coletivo devido a uma redução quantitativa de cada um dos elementos que o formam, e o trabalho se paralisa até ficar reduzido a magnitudes insignificantes: é o momento de retificar”.

Che, muitos de teus receios se confirmaram ao longo desses anos e contribuíram para o fracasso de nossos movimentos de libertação. Não te ouvimos o suficiente. Da áfrica, em 1965, escreveste a Carlos Quijano, do jornal Marcha, de Montevidéo: “Deixe-me dize-lo, sob o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é guiado por grandes sentimentos de amor. É impossível pensar num revolucionário autêntico sem essa qualidade”.

Alguns de nós, Che, abandonaram o amor aos pobres que, hoje, se multiplicam no mundo. Deixaram de se guiar por grandes sentimentos de amor para serem absorvidos por estéreis disputas partidárias e, por vezes, fazem de amigos, inimigos, e dos verdadeiros inimigos aliados. Minados pela vaidade e pela disputa de espaços políticos, já não trazem o coração aquecido por ideais de justiça.

Quando o amor esfria, o entusiasmo arrefece e a dedicação retrai-se. A causa como paixão desaparece. O que era “nosso” ressoa como “meu” e as seduções do capitalismo afrouxam princípios, transmutam valores e, se ainda prosseguimos na luta, é porque a estética do poder exerce maior fascínio que a ética do serviço.

Teu coração, Che, pulsava ao ritmo de todos os povos oprimidos e espoliados. Saíste todo o tempo de ti mesmo, incandescido pelo amor que, em tua vida, se traduzia em libertação. Por isso podias afirmar, com autoridade, que é preciso ter uma grande dose de humanidade, de sentido de justiça e de verdade para não cair em extremos dogmáticos, em escolasticismos frios, em isolamento das massas. Todos os dias é necessário lutar para que este amor à humanidade viva se transforme em fatos concretos, em gestos que sirvam de exemplo, de mobilização”.

Quantas vezes Che, nossa dose de humanidade ressecou-se calcinada por dogmatismos que nos inflaram de certezas e nos deixaram vazios de sensibilidade com os dramas dos condenados da Terra! Quantas vezes nosso senso de verdade cristalizou-se em exercício de autoridade.

Apesar de tantas derrotas e erros, tivemos conquistas importantes. Movimentos populares irromperam em todo o continente. Hoje, em muitos países, são mais bem organizados as mulheres, os camponeses, os operários, os índios e os negros. Entre os cristãos, parcela expressiva optou pelos pobres engedrou a Teologia da Libertação. Extraímos s consideráveis lições das guerrilhas urbanas dos anos ; da breve gestão de Salvador Allende; do governo democrático de Maurice Bishop, em Granada, massacrado pelas tropas dos EUA; da ascenção e queda da Revolução Sandinista; da luta do povo de El Salvador. No Brasil, o Partido dos Trabalhadores chegou ao governo com a eleição de Lula na Guatemala, as pressões indígenas conquistam espaços significativos no México, os zapatistas de Chiapas põem a nu a política neoliberal.

Há muito a fazer. De onde estás, Che, abençoa todos nós que comungamos teus ideais e tuas esperanças. Abençoa todos nós que, diante de tanta miséria a erradicar vidas humanas, sabemos que não nos resta outra vocação senão converter corações e mentes, revolucionar sociedades e continentes. Sobretudo, abençoa-nos para que, todos os dias, sejamos motivados por grandes sentimentos de amor, de modo a colher o fruto do homem e da mulher novos.

CARTAS A CHÊ GUEVARA II

Querido Che,

Trinta anos após seu assassinato na Bolívia, escrevi-lhe a primeira carta aberta. Agora, às vésperas de se completarem 50 anos, no dia 8 de outubro de 2017, volto a escrever-lhe esta nova carta.

Você deu a vida pela libertação da América Latina e de todos os povos oprimidos. Seu exemplo simboliza uma esquerda que, dentro da própria esquerda, é considerada romântica. Há companheiros e companheiras que miram a sua trajetória como equivocada por ter valorizado a luta armada e mergulhado nas selvas da Bolívia, acreditando que a penúria em que viviam os camponeses seria um fator propício a despertar-lhes a consciência política.

Não concordo com tais críticas. Considero-o um asceta da utopia. Não eram os conceitos marxistas que, prioritariamente, o mobilizavam. Era a sensibilidade indignada frente à miséria e ao desamparo. Por isso se fez médico. E por isso percorreu a América Latina para, voluntariamente, cuidar de enfermos desprovidos de recursos. A dor humana o comovia. A exclusão social o revoltava. O marxismo serviu-lhe de método para desvendar as causas da injustiça.

Essa busca o levou ao México e, lá, a unir-se aos revolucionários cubanos, sobreviventes do ataque ao quartel Moncada, em 1956, na luta contra a tirania de Fulgêncio Batista. Além de médico em Sierra Maestra, você se destacou como líder guerrilheiro e se tornou um dos comandantes do Exército Rebelde. Vitoriosa a Revolução Cubana em 1959, você ocupou funções ministeriais importantes, inclusive a presidência do Banco Central, para forjar os alicerces da sociedade socialista da ilha revolucionária.

Você estava em paz consigo mesmo e com a história, querido Che. Poderia ter permanecido em Cuba até o fim de seus dias. No entanto, ousou fazer um gesto semelhante ao do jovem Francisco de Assis, no século XIII: abandonou o poder e, anonimamente, deslocou-se para o Congo e, em seguida, para a Bolívia, coração da América do Sul, movido pelo sonho de emancipar a Pátria Grande Latino-Americana. Como me disse Fidel, fosse você católico, a Igreja o proclamaria santo, como fez com a guerreira francesa Joana D’Arc.

Os tempos mudaram e, hoje, guerrilhas já não se justificam na América Latina. A última que resta, a das FARC na Colômbia, busca em Havana um acordo de paz com o governo colombiano. Isso não significa que a luta armada esteja definitivamente riscada da agenda da esquerda. Na atual conjuntura democrática, na qual não nos defrontamos com regimes ditatoriais, a luta armada interessa apenas a dois setores: à extrema direita e aos fabricantes de armas.

Porém, se no futuro as vias democráticas forem de novo suprimidas, não restará ao nosso povo senão o recurso tomista do tiranicídio. Quando a força do direito é negada pelos opressores, não resta aos oprimidos senão o direito à força.

A atual conjuntura do nosso continente é substancialmente diferente da que você conheceu nas décadas de 1950 e 1960, e também de quando lhe escrevi a primeira carta aberta, em 1997. Nos últimos 50 anos, a América Latina passou por três grandes ciclos. Primeiro, a partir de 1960, as ditaduras que proliferaram por quase todos os países da região, patrocinadas pelo sucessivos governos dos EUA. Elas deixaram um rastro indelével de sangue mas, felizmente, foram vencidas pelas forças democráticas.

Em seguida, veio o ciclo dos governos “messiânicos” neoliberais: Collor no Brasil; Menem na Argentina; Fujimori no Peru; Caldera na Venezuela; García Meza na Bolívia etc. Todos fracassaram e, nas urnas, foram rechaçados pelo povo.

Após um breve período de governos social democratas, a via democrática burguesa não impediu o surgimento de governos democrático-populares: Ortega na Nicarágua; Chávez e Maduro na Venzuela; Lula e Dilma no Brasil; Morales na Bolívia; Salvador Sánchez en El Salvador; os Kirchner na Argentina; Correa no Equador; e Mujica no Uruguai.

Agora, Che, parece que esse ciclo progressista se esgota. Se salva Cuba, a única nação socialista da América Latina e do Ocidente. É nosso dever indagar por que nossos governos de centro-esquerda não lograram conquistar sustentabilidade. Atribuir a causa apenas à ofensiva imperialista estadunidense é fácil. Difícil é fazer autocrítica e admitir os erros cometidos, de modo a superar o atual impasse.

Nossos governos democrático-populares confiaram demasiadamente na reprimarização de suas economias. Investiram prioritariamente no mercado de commodities. Adotaram uma política de expansão agropecuária e extrativista profundamente danosa ao meio ambiente e às comunidades rurais, indígenas e quilombolas.

Graças à alta do preço do barril de petróleo, e também de minerais e produtos do agronegócio, como a soja e a carne, nossos governos amealharam suficientes recursos para equilibrar suas contas, romper vínculos com o FMI, reunificar a América Latina e o Caribe, tirar Cuba do limbo diplomático e, sobretudo, financiar programas sociais que livraram da miséria milhões de famílias. Contudo, não souberam aproveitar a maré favorável para tornar nossos países menos dependentes das flutuações do comércio exterior e das oscilações econômicas das nações metropolitanas.

A estratégia para promover a inclusão dos mais pobres foi equivocada – pela via do consumo. Não se propiciou a eles condições de produção e, portanto, emancipação. Não se tocou nas estruturas que, ainda hoje, fazem de nosso continente o primeiro em desigualdade social.

No caso do Brasil, os pobres foram integrados como consumidores, e não como cidadãos. Tiveram acesso a bens pessoais (celular, computador, geladeira, TV, micro-ondas, fogão etc.) e não a bens sociais de qualidade (educação, saúde, moradia, saneamento, transporte coletivoetc.). Alguns de nossos governos julgaram, equivocadamente, que agradariam aos ricos ao evitar a revolta dos pobres, e também contentariam os pobres ao canalizar recursos, antes destinados aos ricos, a programas sociais.

Essa política compensatória contentou, principalmente, o sistema financeiro, responsável pela ampliação do crédito e beneficiado regiamente pelas extorsivas taxas de juros.

Frente à pobreza, adotou-se exatamente a receita prescrita pelo Banco Mundial: tratá-la com medidas administrativas, sem alterar as estruturas causadoras de desigualdade social. Não se promoveram reformas estruturais, como a agrária, a trabalhista, a política e a tributária.

Tal assistencialismo de Estado favoreceu a despolitização dos segmentos populares. Maquiou-se a luta de classes, pois o consumismo cria no pobre a ilusão de ascensão social, graças ao acesso a mercadorias impregnadas de fetiche ou a produtos símbolos de status, como celular e carro.

Ao contrário de Cuba, que criou uma cultura de resistência e partilha, em nossos países a consciência de classe foi ofuscada pela aspiração de alpinismo social. Muitos sonham em ser ricos, e a classe média se sente incomodada por ver o “pobretariado” ameaçando ocupar os seus espaços, inclusive o político, como a eleição a presidente de um metalúrgico no Brasil e de um índígena na Bolívia.

Abandonou-se o trabalho político de base. Acreditou-se que a máquina governamental seria suficiente para mobilizar a população. Não houve o cuidado de organizar politicamente os beneficiários dos programas sociais. E, no Brasil, o inimigo encontrou suficiente espaço para prosseguir utilizando a mídia segundo seus interesses, e revestir o seu discurso político de exacerbado moralismo, sobretudo no combate seletivo à corrupção, sem que os corruptos de direita fossem igualmente punidos.

Depois das análises de Piketty, querido Che, estou convencido de que não se erradica a pobreza sem combater a riqueza. Sem reduzir o poder da especulação financeira e priorizar a atividade produtiva. Sem impor regras ao capital financeiro e limites ao mercado. Sem abraçar convictamente um amplo programa de preservação ambiental, do qual os principais protagonistas têm que ser os que, hoje, são as maiores vítimas da degradação, os camponeses, os povos indígenas e os quilombolas.

Nem tudo, entretanto, está perdido. Há que guardar o pessimismo para dias melhores. Na base social, brilham luzes de esperança, como as mobilizações estudantis, operárias e camponesas; as iniciativas de economia solidária; o paradigma indígena do “bem viver”; os novos partidos que não se envergonham de afirmar que “o outro mundo possível” terá de ser socialista ou simplesmente não será, considerando que o capitalismo esgotou a sua cota de relativo humanismo após a queda do Muro de Berlim. Hoje, até o papa Francisco ousa denunciá-lo, considera-o uma “ditadura sutil”, como declarou em sua visita à Bolívia, em 2015, uma vez que, caída a máscara do capitalismo, é notória sua natureza bélica (guerras), excludente (refugiados e desempregados), desumana (apropriação privada da riqueza) e antiecológica.

Che, mais do que nunca nos enche de esperança e ânimo o seu testemunho exemplar de que, assim como o caminho se faz ao caminhar, a vitória se alcança ao lutar.

CARTAS A CHÊ GUEVARA III

Querido Che,

Escrevi-lhe em 1997 e 2011. Agora, vinte e seis anos depois da primeira carta, e doze da segunda, envio-lhe esta terceira.

Tenho ido com muita frequência à nossa amada Cuba. Em 2022, foram cinco visitas, quase todas por períodos de duas semanas. Não viajo como turista, e sim como assessor do governo cubano e da FAO para a implementação do Plan San, o Plano de Soberania Alimentar e Educação Nutricional, já regularizado em lei aprovada pela Assembleia Nacional do Poder Popular.

A Revolução atravessa um momento muito difícil, resultado da soma de fatores adversos: o bloqueio genocida imposto pela Casa Branca, que já dura mais de 60 anos (Biden mantém as medidas criminosas do governo Trump que revogaram as flexibilizações adotadas pelo governo Obama); a pandemia, que fez refluir as atividades laborais e desaparecer os turistas que traziam divisas; as frequentes mudanças climáticas, como secas, tufões e furacões; e, agora, a guerra entre Rússia e Ucrânia, dois importantes fornecedores de insumos agrícolas e fertilizantes, e também de fluxos turísticos.

A população padece o desabastecimento de alimentos essenciais e ainda não houve tempo para o Plan San demonstrar resultados efetivos. O governo faz o que pode para minorar esse estado de coisas, como renegociar as dívidas do país e permitir investimentos estrangeiros. Felizmente, Cuba não figura no Mapa da Fome da ONU e não se vê nas ruas o cenário tão comum na maioria dos países do Continente, nos quais hordas de famílias desamparadas reviram o lixo em busca do que lhes possa aplacar a fome.

Sei bem, querido Che, que Cuba enfrentou, após a vitória da Revolução, períodos muito difíceis. E não soçobrou. Enfrentou a invasão mercenária de Playa Girón; a crise dos mísseis; atentados terroristas; o Período Especial após o desaparecimento da União Soviética. A resiliência cubana demonstrou força inquebrantável diante de tantas adversidades. Nenhuma delas fez diminuir a vocação internacionalista da pátria de Martí e sua solidariedade com povos carentes de médicos e professores ou afetados por calamidades naturais. O avanço da ciência cubana, capaz de produzir cinco vacinas contra o vírus da Covid-19, permite, hoje, que outras nações sejam beneficiadas com este recurso imprescindível frente à gravidade da pandemia.

No entanto é preocupante o aumento do fluxo migratório, em especial rumo aos EUA. Muitos deixam a Ilha – a maioria jovens – não por razões políticas, e sim por razões econômicas. São igualmente preocupantes a espiral inflacionária, o mercado paralelo de alimentos, a corrupção que ameaça a moral revolucionária.

O que diria você, querido Che, diante dessa desafiadora conjuntura? Talvez haja quem imagine que você dissesse que o comando da Revolução ficou prejudicado com o desaparecimento físico de Fidel e o afastamento de Raúl das funções de governo. Isso não me soa justo. Diaz-Canel é um homem preparado, teve desempenho exitoso no combate à pandemia em Cuba, e o Birô Político e a direção do PCC são integrados por homens e mulheres de comprovada capacidade e firmeza revolucionárias.

Contudo, uma revolução não pode depender apenas de sua superestrutura de governo. Isso ocorre nas democracias burguesas, onde o povo é tido como beneficiário das iniciativas governamentais, majoritariamente voltadas aos interesses da classe dominante.

Na democracia socialista o governo é, por excelência, o povo politizado, organizado e mobilizado. Talvez falte maior empenho na formação ideológica das novas gerações, hoje muito conectadas com as redes digitais que, controladas por corporações capitalistas (big techs), disseminam a ideologia marcadamente consumista e individualista.

Em Cuba, é preciso transformar as redes digitais em trincheiras revolucionárias. E fortalecer política e ideologicamente as organizações de massa, como os CDRs. Você e Fidel são a prova, a exemplo de Martí, que adversidades são vencidas com firmeza ideológica. Se as condições objetivas não são favoráveis ao desenvolvimento das forças produtivas, então é preciso priorizar o aprimoramento das forças indutivas – aquela disposição subjetiva que fez do fracasso de Moncada a vitória de Sierra Maestra, ou da sua morte nas selvas da Bolívia um icônico alento a tantas gerações de revolucionários.

Não se pode reduzir a proposta socialista ao consumismo burguês. Ela deve se sustentar nas raízes da subjetividade, nos valores morais tão enfatizados por Martí, na espiritualidade combativa de Fidel, no seu exemplo ao dar a vida para que o povo latino-americano e caribenho tivesse vida.

Querido Che: sua emulação, sua ética revolucionária, seu testemunho despojado de quem não se apegou ao poder, são qualidades essenciais na atual conjuntura de Cuba. É imprescindível que as novas gerações conheçam sempre mais o seu exemplo e a sua obra e, martinianamente, sejam dotadas desse sentimento de amor que forja o homem e a mulher novos. Como declarou Fidel, “hago una apelación a nuestros militantes, a nuestros jóvenes, a nuestros estudiantes, nuestros economistas, para que estudien y conozcan el pensamiento político y el pesamiento económico del Che”[1]

* Frei Betto é escritor, autor de Paraíso perdido – Viajes por el mundo socialista – Editorial de Ciencias Sociales, La Habana, Cuba, 2016, entre otras obras. Site: freibetto.org

domingo, 26 de março de 2023

Pedro Cardoso implode debate na CNN, acaba com Moro e Bolsonaro e critica o jornalismo capitalista / Midia Ninja

 Pedro Cardoso implode debate na CNN, acaba com Moro e Bolsonaro
PEDRO CARDOSO
e critica o jornalismo capitalista

PERSPECTIVAS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL * Raul Campos Nascimento - SP

PERSPECTIVAS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL


Do supercomputador ao PC doméstico: a revolução da inteligência artificial com os modelos Alpaca, Llama e Cabrita.

Você já imaginou ter acesso à tecnologia de inteligência artificial em seu computador doméstico? Com os modelos Alpaca, Llama e Cabrita, isso agora é possível. Pesquisadores de Stanford desenvolveram um novo modelo inspirado na IA Llama do Google – sendo menor. O é poder similar ao GPT-3.5 (ChatGPT) e está disponível para todos com código aberto!

Significa que agora é possível executar IA de linguagem, que antes funcionava apenas em supercomputadores, em computadores comuns.

Essa evolução certamente irá revolucionar a tecnologia de IA com seu custo surpreendentemente baixo, o Alpaca tem o potencial de democratizar o acesso à tecnologia de IA. No entanto, isso também pode permitir a ação de cibercriminosos mais facilmente. Por exemplo, os modelos podem ser usados para gerar desinformação ou manipular a opinião pública, e como não rodará em supercomputadores e sim em computadores é difícil rastreio e censura.

Já um exemplo de como podemos usar o poder da IA para o bem da humanidade é a parceria da Islândia com a OpenIA na utilização de seu modelo mais avançado (GPT-4) para "salvar" o idioma islandês, os resultados são promissores, com a recente diminuição dos modelos logo qualquer país poderá "salvar" seus idiomas com um custo praticamente nulo. Não é emocionante!?

Para os brasileiros, há uma novidade: o modelo "Cabrita", tão compacto quanto o Alpaca e em português!

O ano de 2023 marca um momento histórico no desenvolvimento da inteligência artificial. Com o surgimento de modelos como o Alpaca, as IAs estão se tornando mais, compactas a mais pessoas e empresas. Isso representa alguns riscos, como o uso indevido da tecnologia, mas também abre muitas oportunidades para aplicações benéficas de IA em diversos setores.

O futuro da inteligência artificial está em aberto e depende das nossas ações para evitar um cenário distópico. Como indivíduos e sociedade, precisamos refletir sobre como queremos utilizar essa tecnologia para garantir um futuro seguro e equilibrado.

FONTE
https://www.instagram.com/p/CqN0iCaO6Sp/?igshid=MDJmNzVkMjY=

sexta-feira, 24 de março de 2023

A MINA DE OURO DA MILÍCIA * Frente Revolucionária dos Trabalhadores/FRT

A MINA DE OURO DA MILÍCIA

Cerca de mil armas foram apreendidas em Nova Iguaçu, um recorde da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Imaginaram o desespero do clã Bolsonaro, com esse prejuízo gigante para as milícias da sua zona de influência na capital carioca?


PF realiza maior apreensão da história: “Destino das armas eram milícias e facções do Rio de Janeiro”

Foto: PF

Na última sexta-feira (17), a Polícia Federal divulgou imagens da apreensão de cerca de mil armas na Operação Desarmada 3, em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, e afirmou que a ação realizada na última quarta-feira (15) foi a maior apreensão de armas já realizada em toda a história da corporação.

A região da baixada fluminense onde as armas foram apreendidas vive com forte influência das facções criminosas, escritórios do crime e da milícia.

As armas ainda eram contabilizadas e catalogadas pela Polícia Federal nesta sexta, mas a PF afirmou que são cerca de mil. Entre elas, estão cinco fuzis, três metralhadoras Uzi, diversas carabinas, pistolas, revólver, entre outros, além de milhares de unidades de munição.

O objetivo era apreender o restante do armamento irregular pertencente ao grupo alvo da Operação Desarmada (1 e 2), deflagrada em 15 de fevereiro, no mesmo município, com apreensão de 80 armas.

O alvo são duas lojas que vendiam ilegalmente o arsenal, segundo a investigação.

Na ação desta quarta, policiais federais lotados na Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio e ao Tráfico de Armas cumpriram um mandado de busca e apreensão, deferido pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Nova Iguaçu.
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quarta-feira, 22 de março de 2023

MÚSICA E POESIA NA CAPITANIA DE WANMAR * Geraldo Vandré/PB

MÚSICA E POESIA NA CAPITANIA DE WANMAR


 Hoje completa cinco anos em que Geraldo Vandré, depois de 50 anos, voltou a cantar num palco brasileiro. O histórico recital, intitulado “Música e Poesia da Capitania de Wanmar” aconteceu nos dias 22 e 23 de março de 2018, na Sala Maestro José Siqueira do Centro Cultural José Lins do Rego, em João pessoa/PB.    Tive o prazer de estar presente nestes memoráveis eventos. Então, o seu  produtor cultural, Darlan Ferreira,  me motivou a criar um vídeo sobre o momento, assim como um amigo, o Gustavo Lima de Carvalho, fez a edição e a montagem do vídeo. Importante dizer que foi o Gustavo, também, que  teve a ideia e foi o responsável pela criação do meu canal. Gratidão ao grande compositor, aos envolvidos no evento, aos amigos que lá estiveram comigo e a estes dois incentivadores!  

Assista a esse vídeo  que inaugurou o meu canal e  hoje conta com 1714 visualizações. Se gostar,  inscreva-se no canal,  curta,  comente e compartilhe!


Abraço da

DALVA SILVEIRA - MG
GERALDO VANDRÉ - PB

terça-feira, 21 de março de 2023

segunda-feira, 20 de março de 2023

Operação Peter Pan * Carmen Diniz / Brasil de Fato

Operação Peter Pan: 
uma gigantesca "fake news" contra Cuba nos anos 60
Criada pelos EUA, campanha afirmava que crianças e adolescentes cubanos seriam enviadas para a União Soviética
Carmen Diniz*
Brasil de Fato | São Paulo (SP)

Operação Peter Pan: mais de 14 mil crianças e adolescentes cubanos viajaram para os EUA separados de suas famílias - Barry University


Foram incontáveis os atentados praticados contra Cuba pelos diferentes governos estadunidenses: atentados a bombas em diversos locais, ataques com explosões em hotéis de turismo, inoculação de vírus e bactérias,como a gripe suína, dengue hemorrágica, pragas na agricultura (entre essas, várias que afetariam o cultivo do tabaco), além de um bloqueio criminoso e mais de 600 tentativas de assassinato do presidente Fidel Castro. Uma infinidade de tentativas de derrotar o governo constitucional de Cuba, de asfixiar o povo cubano com a reconhecida intenção – porque os documentos secretos dos EUA assim declaram – de fazer com que o povo cubano, sofrendo reveses econômicos e financeiros derrubasse seu sistema de governo. Não tiveram nenhum êxito...

Assim sendo, desde 1959, essa verdadeira obsessão dos diversos governos dos EUA em destruir o socialismo da Ilha através de atos terroristas seguiu durante todo o período, desde o triunfo da Revolução Cubana até os dias de hoje, inclusive com a utilização de uma máquina de propaganda que não é novidade para os cubanos.

Os EUA sempre utilizaram essa estratégia: inicialmente com voos que partiam de Miami para jogar panfletos em Havana, a fim de sublevar a população contra o governo, depois com a instalação da Radio e TV Martí através da qual enviaram – e enviam – programas para subversão popular. Não são bem sucedidos na iniciativa, mas seguem tentando, apesar de um dos seus presidentes ter reconhecido a inutilidade do bloqueio. Não há como subjugar um povo culto e soberano.

Assim, um dos episódios de propaganda e de impressionante "fake news" foi protagonizado pelo governo dos EUA junto com a Igreja Católica cubana, que sempre se posicionou contra a Revolução: a chamada Operação Peter Pan.

Em outubro de 1960, começou a ser montada pelo Departamento de Estado dos EUA, CIA, Igreja Católica de Miami e Vaticano, uma gigantesca operação para a infância cubana denominada The Cuban Children´s Program. Em uma construção midiática para aterrorizar a população, especialmente as mães e os pais cubanos, estes atores inventaram uma suposta lei (que nunca existiu de fato) chamada "Lei da Perda do Pátrio Poder". A suposta lei (confeccionada nos EUA) foi amplamente distribuída de forma clandestina pelo território cubano.

Além disso, por meio de uma rádio instalada em território hondurenho, eram transmitidas notícias a respeito da falsa lei, alertando os pais de crianças entre 5 e 18 anos que o governo revolucionário lhes tiraria os filhos, destituindo-os do pátrio poder e enviando estas crianças para a então União Soviética, com a finalidade de educá-los nos princípios comunistas para que assim fossem convertidos em soldados e/ou...em carne enlatada[1].

Algumas das transmissões eram bem aterrorizantes:

"Mãe cubana, ouça só, a próxima lei governamental será tirar seus filhos dos cinco aos 18 anos", comentário que se alternava com "mãe cubana, não deixe seu filho ser levado embora! É a nova lei do governo (...), quando isso acontecer, eles serão monstros do materialismo. Fidel vai se tornar a mãe suprema de Cuba".

"Atenção, cubana! Vá à igreja e siga as orientações do clero" era também uma das frases proferidas através da rádio.

O pânico que se espalhou entre as famílias fez com que fossem transportados mais de 14 mil crianças e adolescentes cubanos entre 6 e 16 anos, desacompanhados, em voos de companhias aéreas estadunidenses para o território norte-americano. Cabe destacar que a grande maioria das crianças e adolescentes estudavam em escolas privadas e descendiam de famílias da então burguesia cubana, predominantemente branca. Dali, elas eram transferidas para orfanatos, casas de famílias que as adotavam (muitas vezes como empregados), acampamentos, alojamentos e até mesmo centros de detenção para menores infratores. Muitos deles jamais voltariam a ver seus pais.

A operação seguiu levando crianças de Cuba para os EUA até 1962, quando o governo estadunidense rompeu relações diplomáticas com Cuba, suspendendo o tráfego aéreo entre os dois países.

Sem dúvida, essa foi a maior manipulação da infância ocidental com finalidade política e um dos mais tristes episódios dentro do continente. Mais um triste episódio de atentados perpetrados pelos governos dos EUA contra Cuba e que não pode ser esquecido.

Algumas crianças/jovens conseguiram superar seus traumas, estudar e ali permanecer como sendo seu próprio país. Outras não tiveram sorte... Com relação a seu país de origem, algumas se tornaram anti-cubanas, enquanto outras se tornaram defensoras do sistema socialista cubano. Uns regressaram a Cuba, outros criaram a Brigada de Solidariedade a Cuba (Brigada Antonio Maceo), em Miami, onde realizam anualmente uma série de atividades a favor de Cuba.

As consequências para cada um/uma foi diferente, dependendo das circunstâncias com que se depararam, mas não se pode negar o tamanho do prejuízo físico, moral e sentimental que os "Peter pan" e suas famílias sofreram com mais esse ataque insensível e cruel criado pelas agências dos EUA, pela Igreja católica e demais cúmplices.

Mas, mais uma vez, não conseguiram 'dobrar' o povo cubano.

"Temos memória"

Em Cuba, na primeira semana de setembro, teve início a Jornada Temos memória. Solidariedade x Bloqueio, que segue até dia 10 de outubro. A jornada, realizada anualmente, homenageia as vítimas de atos terroristas patrocinados pelo governo dos EUA contra Cuba desde o triunfo da Revolução.

O símbolo da jornada lembra um dos mais terríveis atentados praticados contra o povo cubano: o conhecido Crime de Barbados, quando um voo civil da Cubana de Aviação explodiu no ar devido a uma bomba, em 1976, matando todos os passageiros. O ataque foi realizado por dois confessos terrorristas, que viveram livres e impunes em Miami até o fim dos seus dias, protegidos pelo governo estadunidense. O atentado matou as 73 pessoas que estavam a bordo, dentre eles, uma equipe jovem de esgrima.

[1] Não foi essa a primeira vez em que a absurda lenda de que "comunista come criancinha" foi utilizada. Isso já tinha ocorrido na Itália fascista no fim da Segunda Guerra Mundial quando a máquina de propaganda de Mussolini 'alertava' os soldados italianos que, caso se rendessem ao Exército Vermelho, seriam mortos, triturados e enlatados para saciar a fome de milhões de soviéticos. Nem originais o governo do EUA e a Igreja souberam ser.

*Carmen Diniz é coordenadora do capítulo Brasil do Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade aos Povos
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