terça-feira, 7 de dezembro de 2021

O LUCRO NA MAIS VALIA * José Ernesto Dias / MA

 O LUCRO NA MAIS VALIA


A mais valia

Extraída dos operários

De forma indigna

Enriquece os empresários...


Na sociedade, pouca gente sabe:

O significado da mais valia

E como os empresários

Dela se apropriam...


A classe operária,

Os operários, não sabem disso;

Que é, com a força de trabalho:

Deles trabalhadores...


Que os empresário se apropriando

Explorando enricam.

Quem não sabe, tome conhecimento

A mais valia, é a força de trabalho...


Dos trabalhadores

Com a menor parte da mais valia

Os empresários pagam os trabalhadores

Ficando com a maior parte...


Veja um claro exemplo:

O empresário que se apropria

De três parte da produção

De mil operários...


A quantia em dinheiro

É muito grande!

Então:- perceba como os empresários lucram:

Se apropriando da mais valia...


O sistema de governo capitalista

É um regime parasitário

Na verdade o capitalismo

É selvagem por natureza...


EXPLORAÇÃO CAPITALISTA 1

EXPLORAÇÃO CAPITALISTA 2
São Luís – MA - 29 de Novembro de 2021

José Ernesto Dias/MA

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

CARTA PARA OS CAMPONESES * Domingo Laino / Paraguai

CARTA PARA OS CAMPONESES
Aos Heróicos Colonos do Norte (Concepción - San Pedro)

A Plataforma para o Estudo e Investigação dos Conflitos Camponeses
(PEICC) exige que o Chefe do Governo e o Comandante-em-Chefe do
Forças Armadas da Nação, com rapidez, rapidez e urgência, desencadeiam a trama
maldito e corrupto que opere contrariamente à Lei e aos princípios
morales, na sua atuação na empobrecida região norte do país.

O digno General Herminio PIñanez Balmori, pai do Capitão
Enrique Piñanez, em seu livro "The Hidden Truth", resume o
investigação sobre a morte de seu filho, assassinado por seus próprios
camaradas, e a forma como o Governo e o Ministério Público
eles trabalharam para seu encobrimento.

Os confrontos são tiros, os procedimentos são emboscadas e
tudo é um grande negócio que custa a vida aos paraguaios e
milhões.

A Constituição e o Estado de Direito foram de facto suspensos em
o norte e os militares têm carta branca para matar e mentir.

Nesta guerra suja, não só morrem civis, como também aparecem
soldados vítimas que são forçados por seus superiores a patrulhar
os campos dos donos do norte.

No norte existe medo, porque todos são suspeitos; existe morte,
porque soldados, civis, meninas e até membros da
grupos armados que são executados ao capturá-los com vida seriam
chave para coletar informações sobre o destino e o destino do
seqüestrado.

Existem mentiras, porque a Força-Tarefa Conjunta (JTF) atua sem
controle e com a cumplicidade absoluta dos agentes do Ministério
Público.

É claro que nem o Governo nem as agências de segurança têm
a intenção de resgatar os reféns vivos. Fundo
apoiar esta afirmação.

Arlan Fick, F. Zavala, Luis Lindstron, Franz Wiebe, Bernard Blatz e
Franz Hiebert foi libertado após o pagamento do resgate exigido, com o
peculiaridade que o primeiro fez com a intervenção do narco
Jarvis Chimenez Pavão, que de Tacumbú fez o que não pôde nem
Peritos do governo, do Exército, do Ministério Público ou da Colômbia.

Abraham Fehr foi encontrado morto e os Nattos foram executados em
no meio de uma operação de resgate que falhou.

Repetimos, o Governo não pretende resgatar com vida
o sequestrado.

Portanto, solicitamos mais uma vez que a intervenção seja autorizada
da Cruz Vermelha Internacional e uma missão permanente de
Direitos Humanos (RH) no norte na tentativa de impedi-los de continuar
abusos e crimes de inocentes, como o que aconteceu com as meninas de
11 anos.

Assunção, dezembro de 2021
Domingo Laino
PRESIDENTE
Estudo de conflito e plataforma de investigação
Camponeses (PEICC)

TEXTO ORIGINAL

CARTA AO CAMPONESES

A los Heroicos Pobladores del Norte (Concepción - San Pedro)


La Plataforma de Estudio e Investigación de Conflictos Campesinos (P.E.I.C.C.) exige que el Jefe de Gobierno y Comandante en Jefe de las FFAA de la Nación, con rapidez, celeridad, urgencia, desate la trama maldita y corrupta que opera contraria a la Ley y los principios morales, en su acción en la empobrecida región del Norte del país.


El dignísimo General Herminio PIñanez Balmori, padre del Capitán Enrique Piñanez, en su libro “La verdad Oculta”, resume la investigación sobre la muerte de su hijo, asesinado por sus propios camaradas, y la forma en que el Gobierno y el Ministerio Público trabajaron para su encubrimiento.


Los enfrentamientos son fusilamientos, los procedimientos emboscadas y todo es un gran negocio que le cuesta a los paraguayos vidas y millones.


La Constitución y el Estado de Derecho se han suspendido de facto en el norte y los militares tienen carta blanca para matar y mentir.


En esta guerra sucia no mueren únicamente civiles, también aparecen víctimas los soldados que son obligados por sus superiores a patrullar los campos de los dueños del norte.


En el norte hay miedo, porque todo el mundo es sospechoso; hay muerte, porque mueren soldados, civiles, niñas e incluso miembros de los grupos armados que son ajusticiados cuando atraparlos con vida sería clave para recoger información sobre el destino y la suerte de los secuestrados.


Hay mentiras, porque la Fuerza de Tareas Conjuntas (F.T.C.) actúa sin control y con la absoluta complicidad de los agentes del Ministerio Público.


Es evidente que ni el Gobierno ni los organismos de seguridad tienen la intención de rescatar con vida a los secuestrados. Los antecedentes avalan esta afirmación.


Arlan Fick, F. Zavala, Luis Lindstron, Franz Wiebe, Bernard Blatz y Franz Hiebert fueron liberados tras el pago del recate exigido, con la particularidad de que el primero lo hizo con la intervención del narco Jarvis Chimenez Pavao, que desde Tacumbú hizo lo que no pudieron ni Gobierno ni Ejército ni Fiscalía ni expertos colombianos.


Abraham Fehr fue hallado muerto y el matrimonio Natto fue ejecutado en medio de un fallido operativo de rescate.


Repetimos, el Gobierno no tiene la intención de rescatar con vida a los secuestrados.


Por lo expuesto, volvemos a solicitar que se autorice la intervención de la Cruz Roja Internacional y se establezca una misión permanente de Derechos Humanos (DDHH) en el norte con el intento de evitar que sigan los abusos y crímenes de inocentes, como lo ocurrido con las niñas de 11 años de edad.

Asunción, diciembre, 2021

Domingo Laino

PRESIDENTE

Plataforma de Estudio e Investigación de Conflictos

Campesinos (P.E.I.C.C.)

Comunismorama resgatando nossa história * Frente Revolucionária dos Trabalhadores / FRT

 COMUNISMORAMA

RESGATANDO NOSSA HISTÓRIA

ComunisMorama

...

domingo, 5 de dezembro de 2021

MANIFESTO FOZ DO IGUAÇU * Forum Causa Nacional Itaipu 2023

MANIFESTO FOZ DO IGUAÇU

Foz de Yguazu, 26 de novembro de 2021

* As organizações participantes da Soberania e
Integração Elétrica Regional - Modelo de energia atual: Desenvolvimento
para quem e para quê? declaramos: *

A energia é um direito humano fundamental e, como tal, o seu uso e desfrute
Deve ser para o benefício dos povos.

O atual sistema de energia convencional é perverso, exclusivo e
injusto. Gera riqueza e pobreza ao mesmo tempo. Riqueza para
mercados e pobreza para as pessoas

Rejeitamos a privatização da Eletrobras, empresa de patrimônio público
do povo brasileiro, e acompanhamos as investigações realizadas por
o Tribunal de Contas da União, com a garantia de que este
o processo determinará a nulidade da Lei nº 14.182 / 2021;

Apoiamos a luta do povo paraguaio pela soberania
hidrelétrica, contra a privatização da ANDE, pelo preço
feira de energia e eliminação de dívidas ilegais em
Itaipu. A revisão do Anexo C no ano de 2023 deve ser em benefício
dos povos do Paraguai e do Brasil.

Exigimos que os órgãos competentes supervisionem o processo de revisão
do Anexo C, e a avaliação do valor real de Itaipu no contexto do
tentativa de privatização da Eletrobras, bem como do passivo da entidade
binacional.
Exigimos que a Itaipu Binacional e os Estados Parceiros reconheçam a
direitos dos povos Ava Guarani Paranaense de ambas as margens,
afetados e expulsos pela construção de Itaipu, e instamos
reinseri-los em seus territórios ancestrais, a fim de preservar o
Mata Atlântica ou Selva Paranaense.

Denunciamos o deslocamento forçado e não consultado por barragens,
mega-mineração e agronegócio, e exigimos reconhecimento e
reparação de dívidas socioambientais. Direitos de terra e
sobre os bens comuns da natureza devem ser priorizados por
acima do lucro extrativista corporativo.

Apoiamos a luta dos povos da América Latina e do Caribe por seus
soberania sobre os recursos energéticos, sua gestão pública e para o
recuperação de empresas públicas privatizadas, em particular
empresas de energia elétrica, que só contribuíram para o atraso e empobrecimento
das cidades.

Afirmamos aos nossos governos que as negociações do
revisão do Anexo "C" está dentro da estrutura de um total
transparência, para o bem de nossos povos, a partir da
Acordo Paraguai-Brasil de 25 de julho de 2009.

Exortamos que o desenvolvimento de energia e infraestrutura sustentáveis
integração de energia, devem ser ações coordenadas para
benefício dos cidadãos e para mitigar a atual crise climática.

Apoiamos e convocamos outras organizações em nossos países para
apoiar fortemente as campanhas “Causa Nacional Itaipu 2023”, “Salve o
Energia ”e“ Energia para a Vida ”.

* Campanha Itaipu 2023 Causa Nacional, Coletivo Nacional dois
Eletricitários (Brasil), Frente para uma nova política energética para
Brasil, Movimento de Atingidos por Barragens (MAB - Brasil), Jubileu
Jubileu do Sul / Américas, Brasil do Sul, Confederação de Classe
Trabalhador (CCT - Paraguai), Sindicato dos Trabalhadores do
Administração Nacional de Eletricidade (SITRANDE, Paraguai),
Survival - Amigos da Terra Paraguai. *

BADERNAÇO EM BRASÍLIA * Olimpio da Cruz Neto / FPA

 BADERNAÇO EM BRASÍLIA

Nos 35 anos do “Badernaço”, quando a capital federal presenciou a fúria de protestos populares, arquivos do SNI mostram que a depredação de bens públicos, ônibus e viaturas da polícia atribuída a “guerrilheiros urbanos” foi ação da extrema-direita. O Brasil jamais foi o mesmo depois das manifestações das organizações sindicais, estudantis e partidos da esquerda, que culminaram com a Greve Geral de 12 de Dezembro de 1986

CONFIRA

Olimpio Cruz Neto/FPA


sábado, 4 de dezembro de 2021

BOZONAZISTA: TOLERÂNCIA ZERO * Beatriz Cunha / FRT

 BOZONAZISTA: TOLERÂNCIA ZERO

*Quando me perguntam:

 "Você vai continuar com essa chatice contra quem votou no Bolsonaro? Você precisa aceitar a opinião dos outros!”*


*Eu respondo: 

Eu não tenho que aceitar nada!*


*Seu voto tirou a aposentadoria das pessoas;*

*Seu voto colocou mais veneno no meu prato;* 

*Seu voto desmatou algumas Dinamarcas em 5 meses;*

*Seu voto entregou as nossas riquezas para os estrangeiros;*

*Seu voto sabotou a educação pública, do ensino básico à pesquisa científica;*

*Seu voto cortou medicamentos do SUS;*

*Seu voto extinguiu o departamento de AIDS do SUS (referência mundial em controle da doença);*

*Seu voto colocou minorias em risco;*

*Seu voto liberou armas de fogo para uma população raivosa;*

*Seu voto deu carta branca para a polícia condenar sem julgamento;*

*Seu voto bate continência para a bandeira americana;*

*Seu voto chacina aldeias indígenas;*

*Seu voto não respeita o meio ambiente;*

*Seu voto é violento, homofóbico, racista, ignorante, vexaminoso, fascista, e o mundo inteiro avisou;*

*Seu voto é imperdoável;*

*Seu voto está causando problemas irreversíveis;*


*Mesmo que eu quisesse, eu não saberia parar de mostrar o mal que você fez.*

*Ou seja: não, eu não vou parar.*


*Seu voto está destruindo a educação no Brasil.*

*Seu voto está adoecendo as pessoas que sofrem ao ver tanta injustiça sendo cometida.*

*Seu voto matou projetos acadêmicos e profissionais de milhões de pessoas.*

*Seu voto pode jogar o Brasil numa guerra civil.*

*Seu voto transformou meu país em motivo de chacota no mundo inteiro.*

*Seu voto destruiu a possibilidade de construção de uma sociedade mais justa.*

*Seu voto matou até agora mais de 600 mil brasileiros*

*Não, não tem desculpa!*

*Você sabia!*


Texto de Beatriz Cunha

SEU VOTO TORTUROU MEU IRMÃO

SEU VOTO CAUSA FOME AOS MEUS IRMÃOS
SEU VOTO MASSACRA INDÍGENAS
SEU VOTO PERSEGUE PROFESSORES
***

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

NOTAS SOBRE A FOME * Helena Silvestre

NOTAS SOBRE A FOME

Notas sobre a Fome, de Helena Silvestre – é um daqueles livros que são necessários, segundo Lucia Tennina, autora do texto de orelha dessa obra. “A autora Helena Silvestre, como mulher, como militante, como favelada, como indígena, como negra, tinha de levantar a voz com este livro, pelos seus, pelos outros, por nosotras. Tinha de irromper na língua dos letrados para evidenciar seus violentos silêncios, mantendo as bases de um feminismo não branco, de um ‘feminismo inominável', como ela o nomeia, de um marxismo favelado, de uma cosmopolítica das particularidades e de uma genealogia da fome pensada não desde conceitos, mas sim desde a dor no estômago, desde a ira, desde a febre e, principalmente, desde os sonhos“. 

Segundo Lucia, é por meio da história de sua vida que a autora consegue montar uma máquina de pensamentos, não tomando a palavra desde uma narrativa genealógica e íntima, como costumam fazer pensadores letrados e bem alimentados, mas sim por meio de um relato corporal que parte da ira da fome e transita os ininteligíveis, a magia, as lágrimas, a vergonha, o amor, a dor, a vida, a morte, o animal, o vegetal, as leituras, as escutas, o tempo. “Vai assim armando conceitos-vivos que dialogam com uma atualizada teoria social que se revela branca e universalizante e, paralelamente, nos apresenta a história de uma menina que se tornou adulta muito cedo, quando aos 16 anos, durante os anos 2000, se lançou sozinha pela megalópole de São Paulo, deixando sua casa, sua favela ou, talvez, quando a flagraram lambuzando-se com uma sobremesa que não podia comprar no corredor de um supermercado.“ de acordo com a antropóloga feminista equatoriana Ana María Morales Troya, em texto de Apresentação, “o livro reflete as lutas e redes que coexistem com a ancestralidade e a miséria do capital; vemos que o bairro, a favela e a família (que não se restringe a parentesco) se formam a partir de circunstâncias alheias, incontroláveis, mas também a partir de empatia. 

Os laços humanos surgem em relações que são tecidas sem se renderem à violência e à morte impostas pelo capital, que procura destruir os vínculos e tecidos comunitários. Um helicóptero voa, é ouvido, e apesar dos gritos de dor pelo assassinato de um jovem, não pousa“. Ana María aponta que o livro mostra não apenas antigos pactos patriarcais e coloniais, mas também os pactos femininos ancestrais. Guerreiras e guerreiros que habitam os corpos e que ardem diante das ameaças contra a vida; as invocações, a bruxaria e os oráculos como aprendizagens incorporadas e habitadas como parte da resiliência; ainda que não vivam exclusivamente aí. O progresso e a esquerda não aparecem como uma derrota, mas como uma utopia que nunca convenceu um território real, nunca o libertou. 

As palavras de Helena mostram os desentendimentos da teoria com a realidade, com nitidez para se comunicar e entender; dialoga com o marxismo, sobre suas identificações e distâncias. Cada capítulo demonstra uma humanidade não homogeneizante, mutante com raízes que tecem a sua sobrevivência. E ainda sobre a compreensão dos feminismos, Ana María explica que “Helena fala sobre o feminismo, sobre como o incorporou em sua militância, sem diminuir as lutas de mulheres antecessoras que sustentaram a ela e a sua linhagem. Tecidos que refletem o que vive nos passados clandestinos, negados, que desumanizaram as mulheres indígenas e afrodescendentes; sobre isso, a autora se pergunta: como essa outra história de opressão entra e questiona o feminismo? Tem ela um lugar no “feminismo branco/ocidental”? Esta ‘história' aparece no livro por meio de narrativas pessoais e políticas da autora. 

Seu feminismo e sua militância são forjados pela resistência à apropriação colonial e capitalista que racializa e que tem argamassa patriarcal, destroços territoriais e pessoais“. Este livro não pretende, assim, ser um convite à leitura desinteressada. Segundo Ana María Morales Troya, o livro de Helena Silvestre “é uma provocação, uma intensa reflexão que não é categorizável, narrada por uma voz irreverente de mulher.”.

HORAS TRISTES DA FOME * Wladimir Tadeu Baptista Soares - Cambuci/Niterói - RJ

 HORAS TRISTES DA FOME

***
BOLSONARO TORTURADOR

Nas horas tristes 

Em que eu acordo

E ouço o choro dos meus filhos com vontade de comer,

Percebo que a fome é dolorosa,

E eu enlouqueço sem saber o que fazer. 

Não tenho trabalho certo

Nem estudo para sonhar.

Não tenho esperança agora nem ninguém pra me ajudar.

A fome tem cor, etnia e classe, 

E aquele que nunca a sentiu não sabe o que é. 

Um barraco é o nosso único abrigo;

Água tratada e esgoto nunca chegaram aqui.

Como pode o mundo ser conduzido pelo dinheiro?

Como pode o amor pelo próximo ser desprezado assim?

Não sei o que faço para alimentar os meus filhos agora.

Não sei até quando

Conseguiremos existir?

Resistir já não basta,

Pois não enche a barriga.

"Quem tem fome tem pressa" e precisa comer.


Wladimir Tadeu Baptista Soares 

Cambuci/Niterói - RJ 

Nordestino 

wladuff.huap@gmail.com 

29/11/2021


quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

ALFORRIA * Luiz Gama / BA

 ALFORRIA

LUIZ GAMA / BA


 "O que sou e como penso,

Aqui vai com todo o senso,

Posto que já veja irados

Muitos lorpas enfunados,

Vomitando maldições

Contra as minhas reflexões.

Eu bem sei que sou qual Grilo

De maçante e mau estilo;

E que os homens poderosos

Desta arenga receosos,

Hão de chamar-me tarelo,

Bode, negro, Mongibelo;

Porém eu, que não me abalo,

Vou tangendo o meu badalo

Com repique impertinente,

Pondo a trote muita gente.

Se negro sou, ou sou bode,

Pouca importa. O que isto pode?

Bodes há de toda a casta,

Pois que a espécie é muita vasta...

Há cinzentos, há rajados,

Baios, pampas e malhados,

Bodes negros, bodes brancos ,

E, sejamos todos francos,

Uns plebeus, e outros nobres,

Bodes ricos, bodes pobres,

Bodes sábios, importantes,

E também alguns tratantes...

Aqui, nesta boa terra,

Marram todos, tudo berra;

Nobres Condes e Duquesas,

Ricas Damas e Marquesas,

Deputados, senadores,

Gentis-homens, vereadores;

Belas Damas emproadas,

De nobreza empantufadas;

Repimpados principotes,

Orgulhosos fidalgotes,

Frades, Bispos, Cardeais,

Fanfarrões imperiais.

Gentes pobres, nobres gentes,

Em todos há meus parentes .

Entre a brava militança

Fulge e brilha alta bodança ;

Guardas, Cabos, Furriéis,

Brigadeiros, Coronéis,

Destemidos Marechais,

Rutilantes Generais,

Capitães de mar e guerra,

— Tudo marra, tudo berra —

Na suprema eternidade,

Onde habita a Divindade,

Bodes há santificados,

Que por nós são adorados.

Entre o coro dos Anjinhos

Também há muitos bodinhos. —

O amante de Siringa

Tinha pêlo e má catinga;

O deu Mendes, pelas contas,

Na cabeça tinha pontas;

Jove quando foi menino,

Chupitou leite caprino;

E, segundo o antigo mito,

Também Fauno foi cabrito.

Nos domínios de Plutão,

Guarda um bode o Alcorão;

Nos lundus e nas modinhas

São cantadas as bodinhas:

Pois se todos têm rabicho ,

Para que tanto capricho?

Haja paz, haja alegria,

Folgue e brinque a bodaria;

Cesse, pois, a matinada,

Porque tudo é bodarrada".


Luiz Gama

é baiano, nasceu livre mas foi vendido a escravistas por seu pai branco. É filho de Luiza Mahin, liderança abolicionista, negociou com o senhor a sua alforria, pagou-a com trabalho. Se tornou advogado autodidata, defendeu escravizados, organizou rebeliões, é escritor renomado e orador dos mais inflamados. Luiz Gama é o autêntico revolucionário anticapitalista.

***

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

CORDEL PARA GLAUBER ROCHA * Gustavo Dourado / DF

CORDEL PARA GLAUBER ROCHA
GUSTAVO DOURADO / DF

Glauber Rocha é arquétipo:
Do Cinema Brasileiro...
Crítico, ator, jornalista:
Cineasta por inteiro...
Porta-voz do Cinema Novo:
Consagrado no estrangeiro...

Nasceu em Vitória da Conquista:
No alto sertão baiano...
Tinha verve condoreira:
Cinema em primeiro plano:
Castro Alves em sualma:
Foi poetás soberano...

Ano 1939:
14 de março o dia...
Glauber de Andrade Rocha:
Iluminou-se na Bahia...
Mahatma do pensamento...
Gênio da cinemagia...

Melhor Direção em Cannes:
Com o filme ’O Dragão’...
Glauber Rocha condoreiro:
Vate da trans.mutação...
Deus.Diabo trialético:
Deu voz ao nosso Ser tão...

Pátio, A Cruz na Praça:
Terra em Transe, Barravento...
Leão de Sete Cabeças:
Câncer, Claro, sentimento...
História do Brasil constante:
Eldorado em moviemento...

Movimento do Cinema Baiano:
Cine-realizador...
Performático- dramaturgo:
Roteirista e escritor...
Atuou na produção:
Brilhou como diretor...

Deus e o Diabo na Terra do Sol:
Marco do Cinema Novo:
Glauberrantencantador:
Traduz a língua do Povo...
Revôolução Quinematográfica:
Glauber Rocha sempre novo...

Revisão Crítica do Cinema Brasileiro:
Cinemais literatura...
Politíca... econhecimento:
Lutas, conflitos, ternura,
Glauber falava com Deus:
A lingua.gen da Lou-cura...

Letícia e Mossa no Marrocos:
Super-Paloma; Tatu-Bola...
Vento D´Este... Rei dos Milagres:
Jorjamado fez escola...
Viagem com Juliet Berto:
Cabeças Cortadas, degola...

Cangaço, ser-sub.ver.são:
Crítica ao Neocolonialismo...
Oralidade.Imagetica:
Folclore-Nacional ismo...
Manifesto Estética da Fome:
Anti-imperialismo...

CineCiência...Cordel:
Riverão Sussuarana...
Rosa, Graça e Rosselini:
Religiosidade baiana...
Flui em Idade da Terra:
A viagem glauberiana...

Colonial ismo cultural hollywoodiano:
Estética do Sonho, perman ente...
Descolonialismo tecnológico:
Glauber críticonsciente...
Lampião-CorisConselheiro:
Em Glauber clarievidente...

In fluência de Getúlio Vargas:
Multis, nacionais em cena...
A corrupção da mídia:
Captou com a sua antena...
Cordel-Kinema-poiesis:
Desde o tempo de Helena...

Lúcia, mãe ambilíssima:
Deu luz ao grã diretor...
A verve glauberiana:
Ela com Adamastor...
Deus asas ao criativo:
Glauber vate sol condor...

Paloma seguiu o pai:
Faz cinema de primeira...
Daniel, Padro Paulo, Erik:
Cineaerte candeeira...
Ava Pátria Índia Yracema:
Quintessência brasileira...

Glauberrando quinemagia:
Glauber ser clarivivente...
Glaubespírito antropicarte:
Glaubeletro-louconsciente...
Criautor de Pyndorama
Socyal Kaosmovidente...

Glaubrilhante primaverão:
Lampião Nordestern oxente...
Universol do Sertão
Universer reiluzente...
Glaubaianagô - Oxossi:
Glaubebendo o solardente...

Glaubeternu vanguartista:
GlauBrasilibert.ação...
Cangaceiro - repentista:
Cinema novo em ação...
Internacionarte plena:
Glaubérrima Revôolução...

Glauber Rocha fez a síntese:
Trans.posição da linguagem...
Cinemagia sertânica:
Cosmo.visão da mensagem...
Deus e o diabo presentes:
Na alquimia da imagem...
  
GUSTAVO DOURADO